Ele disse, ela disse: Fim bizarro.

Tomara que seu chefe veja!Existem várias encruzilhadas no decorrer de uma relação, algumas permitem que os dois passem, outras não. E hoje falaremos sobre uma que gera controvérsia entre os donos do blog e desfavores de plantão: Recusa por parte de um de realizar o fetiche do outro. E não estamos falando de vestir roupa de colegial, vamos considerar fetiches “bizarros” e “incomuns”.

Enquanto ele acha que isso é receita de término, ela é mais flexível.

Tema de hoje: Não corresponder fetiche acaba com relacionamentos?

SOMIR

Sim. Quando propus o tema fiz questão de avisar para Sally que não poderíamos considerar práticas consideradas comuns, já que a maioria delas não incorre em cessões consideráveis por parte de um(a) eventual parceiro(a). Não estamos falando de recusar atender um desejo sexual por achar a prática “inconveniente”, estamos tratando de fetiches que a grande maioria das pessoas não revelaria numa conversa casual.

Fiz questão porque temos um elemento importante nessa separação: A tendência desses fetiches incomuns fazerem parte integrante da noção de sexualidade de quem os tem. Um homem que quer fazer sexo anal com sua namorada não se sentiria tolhido de seu prazer “em geral” com a recusa da parceira. Um homem que quer pendurar sua cara metade de ponta cabeça enquanto a chicoteia tende a ter dificuldades de aceitar o sexo “tradicional” como única possibilidade numa relação.

Tem tudo a ver com o grau de expectativa gerado pela confissão desse fetiche. Apostas maiores presumem ganhos maiores. Imaginemos uma mulher que diz para seu parceiro que gosta de levar uns tapas durante o sexo: É provável que o homem ache divertido e comece a caprichar nos tapas que dá na bunda dela. Pedido comum, chances incríveis de conseguir o que quer.

Se essa mesma mulher disser que os tapas que gosta são na cara, já começamos a entrar num terreno mais arenoso… Ainda é provável que consiga o que quer, mas o risco do parceiro não ter o que é necessário para satisfazer essa vontade cresce demais. Ele precisa entender esse fetiche para conseguir realizá-lo, senão provavelmente vai vacilar e tornar a relação ainda mais broxante.

Indo além, se o que ela quiser mesmo é ficar amarrada com pregadores nos mamilos e levando bordoadas com uma tábua de madeira, a aposta fica muito alta… Muita gente se arriscaria, mas pouca gente entraria de cabeça na “cultura”. Fetiches complexos exigem um estado mental bem definido para gerar o prazer necessário.

E olha que estou mencionando exemplos onde O OUTRO leva. O espírito aventureiro da pessoa que não liga dor a prazer provavelmente deixaria de simpatizar com a tara alheia logo depois de levar um tapaço na cara.

Sexo é que nem pizza, é bom até frio. Mas mantendo a analogia, nem todo mundo gosta dos mesmos sabores. O pepperoni de um pode ser o abacaxi de outro.

Uma pessoa que liga sexo diretamente com seu fetiche não vai enxergar o mesmo prazer numa vida sexual onde ele não está presente. Sexo ruim acaba com relacionamentos. O(a) parceiro(a) pode saber fazer as acrobacias mais mirabolantes na cama, mas se nenhuma delas satisfizer…

Existe um grau de especialização numa tara incomum que não pode ser simplesmente ignorada. Não dá para simplesmente dizer para uma pessoa que quer cagar no peito do(a) parceiro(a) que sua tara é nojenta e esperar que ela desista de tudo. Um fetiche desses é “ponto sem volta”. Eu sou famoso por fazer pouco da inteligência alheia, mas nem eu sou arrogante o suficiente para achar que estou ensinando algo que uma fetichista muito hardcore tenha ignorado até aquele momento.

Duvido que alguém acorde um belo dia e decida que vai transar com um cachorro. Essas coisas não tem a marca de um mero capricho momentâneo. E é fácil presumir isso mesmo se você não tem nenhuma tara “inconfessável”, basta imaginar o quão longe você teria que ir para chegar num desses fetiches bizarros. A pessoa se especializou demais.

E é por isso que eu coloco o “ônus do término” em quem se recusa a praticar o fetiche pedido pelo(a) parceiro(a). Vivemos numa sociedade de gente cagona que não CONSEGUE viver com o peso de suas escolhas. Tudo tem que ser culpa exclusiva dos outros. Ao invés de pensar no assunto de uma forma saudável, seja lamentando não ter o necessário para continuar com alguém querido, ou mesmo comemorando por ter se livrado de uma furada; a pessoa prefere ser uma vítima. É mais confortável.

E mais babaca.

Se quem queria realizar o seu fetiche DIFICILMENTE vai mudar de idéia, resta para a pessoa menos especializada em matéria de sexo decidir se vai entrar no jogo ou não. É justamente quem tem menor dependência do fetiche para viver uma vida sexual plena que tem maior capacidade de mudança. Somos livres para escolher o que vamos fazer na cama (ou de ponta-cabeça num porão escuro), assim como você não é obrigado a satisfazer outra pessoa, ela também não é.

Querer se comparar com uma pessoa que desenvolveu e cultivou uma prática sexual bem específica é irracional. O fetichista escolheu algo para sua vida e frequentemente precisa disso para ser feliz no sexo. A melhor chance de manter a relação é participar, talvez pedindo algumas adaptações (pode resolver). Mesmo que a recusa não imploda a relação instantaneamente, o clima pesa e os dois vão acabar frustrados.

E relação com pessoas frustradas é até pior do que relação terminada. Está morta do mesmo jeito, mas o defunto fica fedendo na sala.

Ao contrário do que os contos-de-fadas te dizem, nem toda história tem um vilão. Às vezes a culpa não é de ninguém. Larguem de frescura!

Para perguntar qual é o meu fetiche bizarro que foi recusado (embora eu não ache pedir para uma mulher se vestir de princesa Peach enquanto eu me visto de Mario tão bizarro assim…), ou mesmo para confessar que a sua tara é fugir das consequências do que escolhe: somir@desfavor.com

SALLY

Não corresponder fetiche mata o relacionamento? Não estamos falando do básico ou do socialmente aceitável, e sim de coisa mais pesada. Se um dos dois revela um fetiche incomum/bizarro e o outro não aceita participar, isso compromete a relação? NÃO.

Primeiro que um relacionamento (saudável) não é apenas sexo. Segundo que sexo (saudável) não é apenas fetiche. Existem diversas opções para lidar com isso que não necessariamente impliquem na falência do relacionamento! Aliás, eu diria justamente o contrário do que a Madame aqui de cima defende: realizar as vontades do outro em detrimento de seu bem estar e felicidade sim seria a receita para o fracasso de um relacionamento.

Vamos combinar que quando começamos a sair com alguém, ninguém tem placas de “Gosto que caguem no peito durante o sexo”. Não costuma ser o tipo de coisa que a gente sabe de cara e aceita como parte integrante do relacionamento. Costuma ser o tipo de coisa que só é revelada quando já existe um grau de intimidade e cumplicidade suficiente para estabelecer um vínculo que impede o parceiro ou a parceira de sair correndo de imediato. Então, como não estava no “contrato”, no grau de previsibilidade mínima, seria injusto cobrar a adesão do outro lado.

Estar em um relacionamento não quer dizer ter que aceitar os caprichos sexuais do outro, nem em práticas bizarras nem mesmo em práticas simples e socialmente aceitáveis se elas causarem mal estar no participante. Quanto a isso, acho que não há mais o que discutir, uma vez que repito este mantra em todo texto onde se discutem práticas de cunho sexual.

A questão é: quando ocorre um impasse envolvendo um casal que se gosta de verdade, onde um só consegue obter prazer com determinada prática que causa desgosto ou repulsa no outro, a recusa em aderir a esta prática gera a morte do relacionamento? Não importa se quem não cedeu está certo ou errado em não ceder, a questão é: O NÃO CEDER, MATA O RELACIONAMENTO?

Podem me chamar de preconceituosa, mas acredito que algumas práticas sexuais bizarras sejam verdadeiros distúrbios que sejam passíveis de tratamento psicológico. Longe de mim querer me colocar como padrão de normalidade, só quero dizer que EXISTE UMA LINHA onde a coisa deixa de ser preferência e passa a ser doença. Não ouso dizer ONDE está esta linha, apenas digo que ela existe. Então, se para se satisfazer sexualmente seu parceiro precisa que você coma as fezes quentinha dele, recém cagadas, enquanto fazem sexo, so sorry, mas a solução não é fazer você ceder se quiser salvar o relacionamento e sim ele procurar algum tipo de tratamento para aprender a se satisfazer sexualmente sem esta… peculiaridade.

O que mata o relacionamento não é a recusa e sim, em primeira instância, a exigência bizarra. Absurdo culpar quem se recusa a comer bosta, não acham? Não parece mais razoável culpar quem teve a cara de pau de PEDIR que se coma bosta? Se o tema de hoje fosse “Quem exige uma coisa bizarra mata um relacionamento?” eu poderia até pensar em concordar. Mas é um CS (CS = Clássico Somir) tentar vilanizar a vítima, então, tenho que continuar esta exposição ridícula, tentando fazer as pessoas verem que não são obrigadas a comer merda para salvar um relacionamento.

Para o Somir tudo é 8 ou 80. “Se eu quero e você não me dá, o relacionamento invariavelmente acaba”. Alo-ou? Já escutou falar em NEGOCIAÇÃO? Cada um cede um pouquinho? Cada um faz um esforço dentro de suas possibilidades? Se o parceiro não puder corresponder aos anseios, a questão pode ser conversada, outras opções podem ser cogitadas e é possível que, de alguma forma, dependendo do caso concreto, se chegue a um denominador comum. Caso não seja possível e ainda assim haja interesse em manter o relacionamento, terapia pode ser tentada por ambas as partes em conjunto ou separadamente. Enfim, as hipóteses são as mais diversas.

O que quero dizer é que uma simples negativa não implica necessariamente no fim da linha para um relacionamento. Ceder e fazer coisas que te magoam sem vontade é muito mais letal do que se respeitar e traçar uma linha honesta que avise a partir de onde você vai sair magoado(a). E ainda que tudo dê errado e o relacionamento efetivamente termina por incompatibilidade sexual, repito: o que causou o fim não foi a recusa e sim a imposição da parte que pediu. Pedir não é o mais grave, o pior é pedir e depois chutar porque não foi atendido, como se fosse obrigação atender. Não respeitar o limite dos outros causa o fim de relacionamentos e não a recusa em atender práticas bizarras.

Nada como se colocar no lugar dos outros. Como você se sentiria, Amigo Leitor, se uma namorada um belo dia diz que só consegue se satisfazer sexualmente se você se vestir de mulher maravilha e enfiar um nabo no seu brioco durante o ato? Supondo que você recuse, como você se sentiria se ela terminasse com você e saísse dizendo que o relacionamento acabou POR SUA CAUSA, que você fez coisas que mataram o relacionamento?

E você, Amiga Leitora, como se sentiria se um belo dia o seu namorado te diz que só consegue se satisfazer sexualmente se você cagar na boca dele antes do ato sexual? Supondo que você recuse, como você se sentiria se ele terminasse com você e saísse dizendo que o relacionamento acabou POR SUA CAUSA, que você fez coisas que mataram o relacionamento?

Gostaria de listar aqui algumas coisa realmente bizarras que as pessoas pedem para que todos possam se colocar no lugar das pessoas infelizes que tem que escutar estes pedidos e lidar com isso, mas infelizmente desconheço a maior parte destas práticas e sequer tenho criatividade para pensar em coisas tão bizarras. Mas baixem uns filminhos pornôs japoneses (boas sugestões na postagem do Somir da Semana Baixo Nível) e pensem se seria justo ser chantageados com o fim do relacionamento para praticar alguma daquelas coisas.

Só queria ver esse discurso do Somir se sua namorada pedisse que ele se vista de Xuxa e enfie uma barbie no ânus em uma noite de amor…

Para dizer que também gostaria de ver o Somir nessa situação, para dizer que em matéria de sexo cada um faz o que quer e mandar a gente parar de falar sobre isso ou para dizer que vai concordar com o Somir só para me irritar: sally@desfavor.com

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Comentários (15)

  • Concordo plenamente com IV. Por mais que eu tenha me envolvido com o cara a ponto dele se sentir à vontade pra verbalizar fetiches como esses, eu não daria continuidade à relação. Primeiro porque eu NUNCA cederia ao proposto, e segundo que, com a negativa e a incapacidade de obter total satisfação sexual, o Zé Chibata (ou Zé Cagada, ou Zé Mijada) ficaria progressivamente insatisfeito, ao ponto de terminar a relação em busca de alguém mais compatível.

    Nesse ponto, confesso minha intolerância: não haveria margem pra negociação.

  • Ela disse que nunca fez isso antes, estou levando ela pra minha casa amanhã.

    Se eu sumir, fui morto por uma psicopata.

    Liguem para minha mãe.

  • O que é mais aceitável?

    A mulher terminar o namoro pq o namorado dela tinha a fantasia de fazer um estupro nela(sexo surpresa). Onde o cara invade a casa dela mascarado sem ela saber que é ele….

    ou

    A mulher pedir para o namorado estuprá-la dessa maneira(dando margem pra ele entender que ela quer transar com outro cara e pedir para ele usar a máscura, deixando ele ciumento?)

  • Sally, eu quero um conselho seu: Uma moça que após muita provocação minha, em um banco traseiro, no estacionamento de um supermercado, de dia, em um primeiro encontro… acaba por me fazer sexo oral, após dois dias de flerte pela internet.

    Após isso recebo sms's elogiando o meu "pau".

    Você acha que ela é uma boa moça para se namorar?

    Eu acho que você é a pessoa ideal para me responder isso.

    Por favor!

  • Sexo bizarro, pra mim, é doença mental.
    O meu relacionamento acabaria diante de um pedido "absurdo", sim.
    Para amar, preciso admirar.
    Não dá pra admirar um cara que sente tesão por fezes, vômito, etc.

  • Uma vez o meu primo contou que saiu com uma mina e ela quis dar pra ele no carro, mas pediu pra levar na cara, daí ele foi dando uns tapinhas e ela pedindo mais forte, até que ele não soube mais dosar e a vadia ficou desacordada, aí ele brochou e saiu correndo com medo da lei Maria da Penha.
    Eu já tive um peguete com vocação pra escravo, queria que eu pisasse nele com salto fino até ele ficar marcado e queria também fio terra só que com o salto do sapato no rabo.
    Como peguete vai, mas nunca que eu namoraria um com tendências sado, isso pra mim é desvio mental.

  • dessa vez ( isso nunca me aconteceu antes) eu tenho que concordar com o somir( é me matem) quando a pessoa tem uma vontade não saciada, vai acabar infeliz e cedo ou tarde o relacionamento acaba, não acho que acabou por culpa de quem quer algo bizarro ou por culpa de quem negou, e sim por incompatibilidade.

  • Well… Sally, sorries, mas o Somir está certo. Não é que "É culpa da pessoa". Mas se ela aceitasse o relacionamento não morreria. Assim como se o primeiro não exigisse o relacionamento TAMBÉM não morreria. Se ninguém ceder, ninguém cedeu, e AMBOS mataram o relacionamento.

    A maioria dos relacionamentos, diga-se de passagem, termina assim: Ninguém cede, não conseguem chegar a um acordo, todo mundo fica exausto de brigar pra tentar um acordo e não conseguir, e aí desistem, Game Over, acabou. Ou alguém discorda?

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