Dia: 14 de Abril de 2011

Tipo, profundo!A sociedade coloca o “fazer as pazes” depois que se briga com alguém como uma coisa nobre, bonita, como a coisa correta a ser feita. Quase que uma obrigação. Caso a pessoa tente se reaproximar, o correto a fazer é retomar a relação, seja ela qual for: namoro, amizade, profissional etc. Deixar para trás as desavenças, restaurar laços, enfim, aquela coisa quase que natalina, Tinky Winkie Way Of Life. Discordo. Em alguns casos, a coisa digna a se fazer é não retomar porra nenhuma, por mais que você perdoe a pessoa. É preciso ter vergonha na cara. Mas vai falar isso… todo mundo de chama de babaca para baixo! Fazer o que? Em algumas situações o correto é colocar um ponto final no relacionamento ainda que a outra parte demonstre boa vontade.

Não, eu não vou usar como critério o que a pessoa te fez de errado. Hoje quero usar como critério o que NÓS fazemos após o rompimento. Se você briga com alguém, qualquer alguém (desde a Tia do Cafezinho do seu trabalho até seu parceiro) e no pós-briga sai xingando, falando mal e detonando a pessoa, bem, TENHA VERGONHA NA CARA de não retomar o relacionamento, qualquer que seja ele. Fica feio demais para você.

Acho uma coisa de gente SEM VERGONHA NA CARA, gente SAFADA, VIRA-LATA, ficar xingando e esculhambando para terceiros e depois que a poeira abaixa tá lá, amiguinha da pessoa novamente. Não tem vergonha não? Não. Não tem. Isso acontece muito, principalmente em término de namoro e amizade. Se eu meter o cacete em alguém de forma pública, podem ter certeza que terei VERGONHA NA CARA de não retomar qualquer relacionamento que seja com esta pessoa. EU sentiria vergonha. Mesmo que a poeira abaixe, mesmo que a pessoa que foi xingada saiba de tudo e te perdoe, taquipariu, eu não teria cara de continuar um relacionamento com uma pessoa que execrei em público!

Atentem que o assunto de hoje não é o fato de perdoar ou não perdoar. Sobe não perdoar porra nenhuma já tem este texto. Hoje me refiro à postura que a pessoa vai adotar, perdoando ou não. Meteu o pau de forma pública em alguém que você brigou? A poeira abaixou e você decidiu perdoar o que te causou tamanha putez? (vai lá nos comentários dizer que essa palavra não existe). Beleza. Seja colega distante, colega de “oi” e “tchau”. SÓ. Se voltar a ficar mega-amiga ou voltar a ser namorada, vai passar a imagem de pessoa sem um pingo de vergonha na cara.

E ainda vai estar enganado a outra pessoa que está retomando o relacionamento com você, porque tem grandes chances dela não querer retomar porranenhuma (vai lá nos comentários dizer que se escreve separado) se souber o quanto você meteu o cacete nela de forma pública. E se ainda assim ela quiser retomar um relacionamento, CORRA, CORRA COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ, pois se trata de uma pessoa sem amor próprio. Nada de bom vem de pessoas sem amor próprio. Elas são chatas, carentes e pau no cu. Mais cedo ou mais tarde você vai ter que desgrudá-las de você e vai ser um parto. Quanto mais tempo passar pior.

Quando você opta por meter o cacete de forma pública em alguém, está renunciando a qualquer relacionamento futuro com essa pessoa. Ao menos é isso que diz a coerência. As pessoas não parecem compreender isso. As pessoas tem vocação para a baixaria. Não que eu condene quem mete o pau nos outros em público, afinal, EU JÁ FIZ e não descarto voltar a fazer, o que eu condeno é a hipocrisia e a falta de coerência de xingar, esculhambar e depois continuar amiga, namorada ou o que quer que seja como se nada. Muito sem noção. Parece aquela pessoa que te chifra e depois quer voltar para você. Meu Camarada, se eu meter um chifre em alguém e for descoberta, vou sacudir os ombros e dizer “Perdi! Perdi!” e abrir mão daquela relação. Sabe porque? Porque tenho vergonha na cara e porque não quero estar com um CORNO dormindo do meu lado!

Quem nunca viu uma cena parecida com esta: duas amigas brigam. Brigam feio e ambas ficam muito putas e se sentem sacaneadas. Xinga pra lá, xinga pra cá. Chama de piranha, chama de filha da puta. Chama de vagabunda, chama de interesseira. Passa um tempo e uma fraqueja e procura a outra numa de “deixa disso” e “águas passadas”. Muita falta de vergonha na cara se retomar a amizade, mas geralmente elas retomam. Você sabe que você xingou a pessoa de montão. Deveria existir uma trava chamada “vergonha na cara” que impedisse de retomar um relacionamento que foi tão cagado pelos participantes. Mas neguinho não tem vergonha na cara. Não tem e ainda critica que tem! Se xingam e depois tiram onda de “maturidade” e “superação dos problemas” retomando uma amizade que já está mortalmente envenenada pela filhadaputagem de uma somada à falta de amor próprio da outra.

Se você recebe um apelo desses estilo, uma coisa meio “deixa disso” e não quer retomar a amizade, vira uma escrota, rancorosa, intransigente, radical e vaca. Agora me diz, se eu xinguei uma pessoa de puta, arrombada, escrota, piranha, vagabunda e similares, o que eu seria se meses depois estivesse tomando um sorvete com ela em um shopping? Quando você xinga uma pessoa em público, CAGOU a relação. Cagou para ambas as partes, o saudável seria que ninguém quisesse retomar porra nenhuma. Mas as pessoas querem, as pessoas não tem amor próprio. E quando você as rejeita elas costumam ter uma explosão de fúria e precisam se convencer que você é um lixo, pois só isso justifica alguém não querer mais se relacionar com uma pessoa tão legal. Denegrir para esquecer, tão manjado e ainda assim, tão utilizado! Aff…

Dá vontade de sacudir a pessoa e gritar “SE AME, PORRA! Eu te xinguei de tudo quanto é nome e agora você corre atrás de mim?”. Mas as pessoas de auto-enganam, se auto-perdoam, se convencem que pode tudo no calor do momento. Não pode não. E se você tem vergonha na cara e coerência, vai sentir VERGONHA em pagar de amiguinho ou namoradinho de alguém que você sabe que execrou publicamente. Se o Fulaninho é mesmo tão merda como você disse para todo mundo que era, mais merda deve ser você, por estar com um merda desses, não é mesmo? Constrangimento, vergonha e coerência são artigos de luxo. Mas as pessoas mascaram os atos e quando retomam o relacionamento dizem merdas como “nossa amizade (ou amor) é maior do que tudo” (é, inclusive que o amor próprio, que cosa triiiisteeee) ou ainda tiram onda de bons samaritanos que perdoam como Gezuiz ensinou.

Na na ni na não. Não desce. Bondade é o caralho. É a mesma bondade de quem cata dez vira-latas na rua e joga dentro de casa. O sentimento primeiro é outro, muito mais feio e condenável, que é camuflado no manto da bondade para ficar socialmente aceitável. Qual é o ganho secundário que a pessoa tem retomando aquela relação? Às vezes é gente que tem medo de ficar sozinha ou gente que tem interesse econômico naquele relacionamento. Qualquer que seja o sentimento que te faça se reaproximar de alguém que você xingou, com certeza não é nobre. Se você fosse uma pessoa nobre, estaria envergonhada por demais para conseguir retomar o relacionamento. É algum sentimento bem condenável, mas que pode ser camuflado de “nosso amor é maior do que tudo” ou de “o amor sempre vence no final” e pronto! Todo mundo não só vai engolir, como vai achar lindo. Graças a esse mecanismo batido as pessoas se sentem no direito de serem incoerentes e escrotas.

Sabendo disso, muita gente faz merda sem pensar duas vezes, porque sabe que se jogar a carta do “sentimento maior do que tudo” pode vencer no final. Cagam no pau e depois acham que tudo pode e deve ser apagado. E quem não apaga é uma vaca mesquinha e rancorosa. Repito: VERGONHA NA CARA, Gente! Vergonha na cara já! Ser vista em público retomando um relacionamento com uma pessoa que você xingou e massacrou depõe contra você! Ou é escrota, que fala mal das próprias amigas ou do namorado, ou é carente, que mesmo achando a amiga uma merda, não desgruda dela. Em ambos os casos, é uma pessoa extremamente incorreta, que não passa a menor credibilidade e que desperta reprovação.

Brigou? Ficou puta? Não segurou a onda? Xingou? Falou tudo que queria? PAGUE O PREÇO, porque nossas atitudes tem conseqüências. Deixe de ser bebê e arque com as conseqüências do seus atos. Mantenha sua coerência. Uma coisa que as pessoas não entendem e não conseguem distinguir: o fato de não querer retomar nenhum relacionamento não quer dizer que você não perdoou a pessoa ou que ela não te perdoou. Perdoar não é sinônimo de restabelecer o relacionamento, caralho! Você pode perdoar, não guardar mágoa alguma MAS achar que não vale mais a pena investir naquela relação porque tá tudo por demais cagado.

Só acredito em relacionamentos duradouros (inclusive amizade) quando há respeito e admiração recíprocos. Se você meteu o pau na pessoa, comprometeu tanto o respeito quanto a admiração, e isto não se desfaz. Se teu namorado te enfia a porrada e depois vem se desculpar falando que o amor é maior do que tudo, o que você faz? Manda à merda, certo? (se não mandar, favor não voltar neste blog, você não pertence ao Desfavor). O mesmo vale para as ofensas em público. Da mesma forma que um tapa na cara não pode ser “desdado”, uma mega-esculhambação pública também não pode ser “desdita”.

E se você está do outro lado da moeda, se uma pessoa que é ex alguma coisa sua (ex-amiga, ex-chefe, ex-namorado etc) te esculhambou em público e agora volta chorosa e arrependida, TENHA VERGONHA NA CARA de perdoar, tratar com educação, mas não retomar a relação. Você merece estar cercada de pessoas que não te esculhambem em público NUNCA, nem mesmo quando você briga ou se desentendem com elas. Daí sempre vem uma Ovelha de Cristo para dizer que o ser humano é falível, que devemos perdoar o erro dos outros etc etc. Sim, o ser humanos falha, mas ESTA falha de sair detonando a pessoa em público não é negociável. Existem muitos seres humanos que não o fazem. Não é um defeito inerente ao ser humano! E novamente: perdoar sim, sempre, mas retomar o relacionamento não. São coisas diferentes.

A grande merda é: como dizer que não quer retomar o relacionamento sem se indispor e sem sair como a mega-escrota do evento? Sinceramente, eu não sei, até porque não tenho o menor pudor em sair como a mega-escrota, muito pelo contrário, em alguns casos ainda acho graça. Ser sincero é sempre um caminho. Basta dizer algo como “Eu te perdôo sim, mas não quero retomar esse relacionamento porque acho que não vai me fazer bem”. Na pior das hipóteses, dá um sacode mesmo: “Dá não, eu te xinguei demais, seria cretino da minha parte continuar a ter um relacionamento com alguém de quem falei tão mal, me sentiria péssima com isso”. Se tudo mais der errado, diga que está de mudança para o Iêmen, em uma vibe Chandler Bing (15 Iêmen Road, Iêmen – beijosmeescreve)

E fique de olho à sua volta! Fique atenta para pessoas que se engalfinham com alguém, odeiam, falam mal e depois retomam o relacionamento. NÃO SÃO PESSOAS SAUDÁVEIS. NÃO SÃO PESSOAS BOAS PARA SE TER POR PERTO. Fique muito atento e não confie nestas pessoas, elas tem uma cabeça de merda. Ou são sem noção de nem ao menos se dar conta que uma porra dessas não se faz ou são hipócritas de saber que é errado mas tolerar sob o falso argumento de perdão nobre ou sentimento maior. É provável que em algum momento elas tenham uma atitude errada com você também. “oi” e “tchau”. Apenas o necessário para gente assim.

O curioso é que com o passar do tempo, as suspeitas se confirmam. Relacionamentos retomados depois que o vaso quebra e é remendado, depois de xingamento e esculhambação em público, nunca dão certo. Mesmo que durem, são relacionamentos horrendos, sem respeito nem admiração. Repare e me diga se não é verdade. É necessário que sejamos honestos e admitamos que eventualmente temos o poder de cagar tanto uma coisa legal que a estragamos para sempre.

Para dizer que eu sou uma vaca rancorosa, para dizer que você xinga e fala mal de todo mundo em público quando está com raiva e não vê o menor problema nisso ou para dizer que o estranho é que eu precise escrever um texto falando sobre uma coisa que as pessoas nem deveriam cogitar fazer diferente: sally@desfavor.com