Desfavor Explica: Candomblé.

Para quem não sabe, meu ateísmo nasceu comigo e continua firme e forte. Desgosto da maior parte das religiões por achar que elas fazem mais mal do que bem às pessoas e por enquanto só tiro duas desse saco: uma delas foi o budismo, que já foi tema de Desfavor Explica, e a outra será tratada hoje. Quando um ateu tira o chapéu e diz “Ok, isso faz mais bem do que mal” vale a pena respeitar. E é isso que esta religião merece: respeito. Quem não é ignorante e se dá ao trabalho de estudar um pouquinho suas origens percebe a força e o valor que ela tem. Desarmem-se dos preconceitos e leiam com boa vontade. Desfavor explica: Candomblé.

Todas as religiões de origem africana nos parecem semelhantes, por causa da nossa ignorância, no sentido de desconhecimento. Pois é, não são. Muito pelo contrário, são bem diferentes entre si. Pretendo falar de várias em outras oportunidades, mas por hora, vou tentar resumir um pouquinho sobre o Candomblé. Não sou profunda conhecedora, muito pelo contrário, mera curiosa que se esforçou para buscar as verdades desta religião na fonte. Caso me equivoque, por favor me corrijam. É muito difícil aprender sobre Candomblé, pois não existe uma “bíblia” ou quaisquer escritos sagrados. Ela é passada de boca, apenas para poucos que se dedicam ferrenhamente a ela. Pessoas que aprenderam a ser desconfiadas para sobreviver. Pessoas que sabem que são socialmente mal vistas por um grande grupo ignorante. Espero ajudar a melhorar esse quadro com o pouco que aprendi.

O Candomblé foi trazido ao Brasil com os escravos africanos. É uma história muito triste, sofrida e revoltante, onde, como sempre, há o dedo cruel e tirano do Catolicismo. Os escravos que eram “capturados” (vendidos, presos ou o termo que queiram) na África e trazidos ao Brasil eram obrigados a se converter ao catolicismo “para salvar suas almas”, afinal, a Igreja Católica é a dona da verdade absoluta e quem não acredita no que eles mandam vai para o quinto dos infernos. Imagina um ser humano acorrentado, tratado da pior forma possível, se vendo obrigado a aderir à religião alheia sob pena das mais impensáveis torturas. Você não se converteria? Eu me converteria dez vezes! Mas eles não, é um povo de tanto valor, tão forte, tão seguro, que não se converteram, apesar de tudo. Tiveram foças para, mesmo nesta situação absurdamente cruel, levar adiante suas crenças. Alguns até faziam de conta que se convertiam mas toda semana faziam o ritual deles, enganando o idiota homem branco, fazendo-o pensar que se tratava de uma mera festinha mundana, como se fosse um pagodinho nagô. Tiveram foças para, mesmo nesta situação absurdamente cruel, levar adiante suas crenças.

Pois não era. As festas de candomblé tem como pano de fundo o batuque de um instrumento chamado “atabaque”. Cantar e dançar é uma forma de evocar os Orixás, as divindades desta religião. Então, nos cornos de seus “donos”, os negros se mantinham firmes e fortes com sua religião, apesar das ameaças, apesar de estarem em um lugar estranho com o qual não tinham identidade cultural, apesar de estar em posição de sujeição. Como tudo tinha que ser feito sem que os brancos saibam do que se tratava, não podia ser documentado. Não havia escritos sobre a ordem dos rituais, as formas de proceder, as normas da religião. Tudo se manteve vivo no boca a boca. Quantos povos podem dizer isso? Quantos povos conseguiram fazer sobreviver com força uma religião que tentou ser esmagada por outra religião dominante, cujos rituais tem riqueza de detalhes por séculos apenas no boca a boca? Acredito que poucos, é preciso muita coragem e dedicação para isso e, acreditando você ou não, esse feito tem um valor enorme. Do alto do meu ateísmo, eu aplaudo de pé.

Assim como eu, outro ateu também aplaudiu de pé o Candomblé. O antropólogo francês Pierre Fatumbi Verger, ateu de carteirinha, que começou a estudar o Candomblé e ficou tão fascinado, mas tão fascinado que dedicou boa parte da sua vida a escrever sobre o assunto. É dele um dos melhores livros que eu já li sobre Candomblé, chamado “Orixás”, para quem quiser conhecer melhor o assunto, eu recomendo. A paixão dele pelo Candomblé foi de tal tamanho que ele chegou a fazer todo o ritual para estar apto a receber um Orixá, explicado em detalhes nas próximas páginas. Continuou ateu, não acreditava na religião em si, mas acreditava nos benefícios que ela poderia trazer para seus praticantes. E de fato esses benefícios existem. Uma religião que não tem pecado, que não tem inferno, que não tem o conceito do diabo. Uma forma de terapia através de um transe, que por ser inexplicável, gera medo e é demonizado. O ser humano e seu eterno medo de desconhecido, que patético.

Como eu disse, no Candomblé se cultuam Orixás. Ao contrário do que muita gente pensa, um Orixá não é sinônimo de alguém que já esteve vivo e morreu, Orixá não é gente morta. Gente morta está mais para Umbanda (Pomba Gira, Preto Velho e cia). Orixás não são e nunca foram seres humanos. Orixás são forças, são energias, que normalmente se materializam como fenômenos da natureza: ventos, águas, trovão, etc. É energia que existe no mundo e pode ser canalizada para um ser humano através de determinado ritual. Existem lendas para cada um deles, histórias que os humanizam na tentativa de torna-los mais compreensíveis e próximos. É muito comum que os próprios adeptos se refiram a eles de forma humanizada: “Iansã gosta de vermelho” ou “Iansã não come carneiro”, mas é mera força de expressão, Iansã é a força dos ventos e não uma pessoa que morreu e está voltando para se comunicar. Sabe Esopo? É bom paralelo. Sapos, escorpiões e raposas não falam, mas em suas fábulas Esopo os fez falar para transmitir às pessoas uma lição. É por aí.

Os Orixás tem diversas classificações, se dividem em subtipos e demandariam uma explicação complexa demais que nem eu saberia fazer e nem caberia aqui. Vou citar os mais populares só para vocês terem uma ideia: Exu (que não se confunde com os mortos da Umbanda “exu-caveira”, “exu-tranca-rua”), Ogum, Oxóssi, Ossain, Obá, Oranian, Xangô, Iansã, Oxum, Obá, Iemanjá, Ifá, Obaluaê, Nanã e Oxalá. Cada um tem suas histórias, suas características, suas afinidades e suas “repulsas”, se é que se podem usar esses termos. Cada um corresponde a um fenômeno da natureza, a um determinado tipo de energia que, através de cantos, rituais e transe hipnótico podem ser canalizadas para o corpo de uma pessoa. Os Orixás podem se comunicar com os seres humanos e até mesmo ajuda-los, embora não sejam tão “falantes” como as entidades da Umbanda (que batem papo como se estivessem em uma mesa de bar), é possível que se comuniquem quando estão “incorporados” em pessoas. Só tem um detalhe: eles não falam em português, eles falam em ioruba. É recomendável que alguém apto a traduzir esteja por perto. Através de oferendas é possível se harmonizar com eles, pedir ajuda ou agradecer.

Todos nós somos “regidos” não por um, mas por dois Orixás (ao menos no Candomblé da forma como se conhece no Brasil). Após pedir um zilhão de perdões pela comparação, feita apenas para fins pedagógicos, eu me permito dizer que funciona mais ou menos como um horóscopo: você tem um Orixá que funcionaria como seu signo (características predominantes, tendências, orientações) e um segundo Orixá que funcionaria como seu ascendente (influencia, mas de forma mais branda, secundária). Para saber qual é esse Orixá é preciso que um Pai ou uma Mãe de Santo jogue búzios para você, a fim de que ele se manifeste de alguma forma. Para que serve saber o seu Orixá? Bem, são energias com as quais você tem afinidade e existem coisas (pequenas coisas) que você pode fazer ou deixar de fazer para se harmonizar melhor e para que as coisas fluam de uma maneira mais favorável na sua vida. Não se preocupe, nenhuma exigência bizarra é feita, coisas como casar virgem, não usar camisinha e não usar contraceptivo não existem no Candomblé. Não há culpa, não há pecado. São pequenas coisas mesmo.

Sim, existe um “Deus supremo” no Candomblé, chamado de Olodumaré (ou Olorum, longa controvérsia…). Mas não é nada que deva ser cultuado, nem compreendido, nem mesmo pensado. É algo tão acima da capacidade humana que nem se tenta começar a explicar. É inacessível e indiferente às preces dos seres humanos. Está fora de sua compreensão. Quem quiser alguma coisa, tratar com os Orixás, pois eles foram designados para interagir com seres humanos. Não perturbem Olodumaré (ou Olorum), ele está cagando e andando para vocês. Nós não conseguiríamos nem ao menos entender o que é e como funciona, mesmo que alguém explicasse. Talvez por isso o Candomblé não seja muito popular, ele não dá muita moral para o ser humano. Somos cocozinho ignorante que o Deus supremo ignora. Não é todo mundo que lida bem com isso, as pessoas são carentes e gostam de se sentir super especiais.

Uma das coisas que me chamou a atenção no Candomblé é a dedicação de seus praticantes. Lá não tem dessa babaquice de se dizer membro da religião mas não fazer porra nenhuma, como o clássico “católico não praticante”. Para ser membro você tem que arregaçar as mangas e ralar pra cacete. Tem que ajudar em tudo que lhe for designado, não naquilo que você quer. Funciona como uma grande família onde são todos irmãos e cada um tem uma função específica atribuída pelos Orixás. E tem que cumprir. E dá trabalho. E toma tempo. E se você não cumprir, existem consequências, não pela mão do homem, mas pelo próprio Orixá. Ou está dentro, ou está fora. E só fica dentro quem se beneficia muito com aquilo, porque vou te contar, como eles ralam… Quem está dentro é sacerdote e tem obrigações, mesmo que não “receba” um Orixá. Sacerdotes não são apenas as pessoas que “recebem” o Orixá em seus corpos (Elegum), todo mundo tem uma função e é necessária a cooperação de todos para que a coisa funcione. Quem recebe não é “mais” do que os outros. Não que admiradores não sejam bem vindos, fui muito bem recebida em todos os locais que frequentei, eles abrem as portas e tratam com carinho, mas eu não posso dizer que sou do Candomblé. Não sou. Sou apenas uma admiradora. Se quiser ser, terei que passar por um longo processo que vai demandar muita dedicação.

É isso mesmo, não é só chegar, curtir e sair “recebendo” Orixá. Para que a pessoa esteja apta a receber um Orixá ela precisa ter passado por um longo ritual chamado “feitura”, que, cá entre nós, só faz quem tem muita dedicação, porque é de arrepiar os cabelos. Um ritual que, em princípio, você só pode fazer depois que o Orixá acha que você está pronto, ou seja, pode demorar. Após este ritual, ainda tem que esperar sete anos (uma espécie de “período de aprendizado”) para só depois ganhar um “cargo oficial” naquela casa. Como se fosse um bebê, que precisa crescer para saber o que vai ser da vida. Na “feitura”, você “faz” a pessoa em um ritual que implica em deixa-la trancada em um quartinho sem luxo algum (eu diria até sem conforto, tipo penico para cagar, sabe?) onde ela tem a cabeça raspada, cortes pelo corpo (inclusive um corte consideravelmente grande no topo da cabeça, onde é colocado um emplastro preparado com ervas), é jogado sangue de animais, a pessoa tem que beber sangue diretamente do animal e muitas outras coisas que quem está lá apenas de curioso certamente não vai fazer. Adoraria narrar em detalhes todos os rituais da “feitura”, mas não vai caber aqui.

Então, para ser Elegum, precisa do seguinte: primeiro a pessoa tem que ter a aptidão de receber (nem todos tem), segundo o Orixá tem que dizer que ela está pronta para a feitura, terceiro, tem que fazer a feitura nesse longo processo complicado. Até pode acontecer que pessoas com aptidão para receber mas que ainda não foram “feitas” incorporem um Orixá, mas neste caso, a pessoa não está preparada para lidar com a força daquela energia e apenas desmaia. É o que chamam “bolar com o santo”. Diante da complexidade do ritual, vocês podem presumir que não é qualquer um que decide abraçar a religião. Não tem “curioso” do lado de dentro do Candomblé, apenas gente que quer estar ali.

Certeza que a atenção de vocês está voltada para a questão do sacrifício de animais. Muita gente tem horror a isso. Até mesmo os adeptos da Umbanda criticam o sacrifício de animais. O que eu vou falar aqui não vai entrar na cabeça de muita gente, porque há todo um trabalho histórico para vilanizar este ritual, mas eu vou tentar mesmo assim, porque se UMA pessoa mudar de ideia já vai ter valido a pena. Vamos lá. Sim, no Candomblé há sacrifício de animais. Mas isso não significa que necessariamente ele seja feito para provocar o mal em alguém, pode se fazer o mal de diversas formas, inclusive sem matar animais. O animal é uma oferenda aos Orixás, que se alimentam da sua energia e existem dezenas de religiões que trabalham com oferendas. E esse animal que é sacrificado em um ritual que de cruel não tem nada (corte seco no pescoço, certamente muito mais humano que a forma como abateram a vaca que você jantou ontem) e TUDO nele é aproveitado. O Orixá se alimenta da energia desse animal e depois ele é preparado e servido como alimento para todas as pessoas que trabalharam naquele ritual e até mesmo para forasteiros como eu que foram assistir a uma festa. A pele é usada para forrar atabaque ou adornar paredes, os ossos para indumentária, enfim, TUDO é aproveitado. Vai me desculpar mas eu acho isso menos grave do que animais em matadouro.

Sem contar que a forma como se mata o animal (e as próprias restrições alimentares) é praticamente idêntica à forma como judeus procedem quando preparam sua comida. A diferença? Quando um rabino mata um animal desta forma, o alimento é kosher. Quando um sacerdote do Candomblé mata um animal desta forma, o alimento é um ato cruel, do demônio, perigoso, magia negra, para fazer o mal, perigoso e reprovável. Coerência mandou lembranças. O que acontece é que por sua história, o Candomblé cresceu marginalizado, associado a negros e pobres e isso fez que que paire sobre ele preconceito. Sem contar o belo trabalho de minar a concorrência que a igreja católica fez, com o marketing negativo do seu “rival”, convencendo a todos que era algo maligno, satânico, se valendo do fato do ser humano naturalmente já ter medo do desconhecido e do inexplicável. Mas, como nós somos seres pensantes, não precisamos engolir essa babaquice. Podemos tentar aprender mais sobre o assunto, estudar e ver que não é nada disso. Muito pelo contrário. Quem é satânico é quem encobre pedofilia ou quem manda que pessoas não usem camisinha mesmo com um vírus mortal sexualmente transmissível solto por aí. Reflitam.

Voltando ao sacrifício de animais: o animal que está sendo morto alimenta seres humanos, só porque quando ele morre tem uns fulanos cantando, ou declamando ou qualquer outro ritual isso não vira uma monstruosidade. E puta que me pariu, como cozinham bem! Como é gostosa a comida preparada nesses rituais. Comida depende muito da energia de quem cozinha, isso até mesmo um oriental vai te confirmar (porque você acha que só existe sushiman?). E são pessoas que preparam tudo com o maior cuidado, amor e devoção. Fica uma delícia. Eu, pessoa problemática com comida por causa de um tumor no intestino que me deixou trocentas sequelas, comi DE TUDO e não passei mal, até mesmo coisas que notadamente sabia que me faziam mal. Então, abram suas cabeças. Desde que o mundo é mundo a igreja católica lança campanhas para demonizar o que a ameaça e foi justamente isso que fez com o Candomblé. Quando percebeu a força e a disposição dos escravos em manter suas tradições e percebeu que havia gente aderindo, tratou de espalhar muito bem espalhado que isso era coisa do demo. Pegou, pegou com tantas outras ignorância estilo “manga com leite faz mal” pegaram se forem repetidas várias vezes. Mas já passou da hora de acabar com essa palhaçada. Matar bicho que vai alimentar pessoas não é absurdo, absurdo é neguinho tomar chazinho alucinógeno e cometer homicídio. Estão batendo na religião errada! Matar bicho é feio mesmo se for para comer? E estuprar menininhos é o que? E tomar 10% do salário da pessoa é o que? Me poupem… Está na hora das pessoas começarem a pensar e formar seu juízo de valor com suas próprias cabeças em vez de engolir opiniões prontas.

E já que mergulhei de cabeça na opinião e no relato pessoal, vou falar um pouco mais da minha impressão. Longe de mim a pretensão de ser dona da verdade, vou apenas narrar o que eu senti. Ao entrar em um terreiro, se você não estiver influenciado pela propaganda negativa que outras religiões fazem, dá para sentir que energia é outra. Muito mais limpa, muito mais serena do que em uma igreja católica ou evangélica na minha opinião. As pessoas cooperam sem aquela hierarquia formal. São todos muito humanos, se ajudam, se respeitam. Não há promiscuidade, vulgaridade nem maldade. Apenas muita dedicação e trabalho duro. São pessoas que sabem que serão socialmente mal vistas por aquilo e ainda assim, sentem que o benefício é tamanho que pagam o preço de serem discriminadas. É uma forma de terapia muito saudável.

Os rituais que presenciei me tiraram qualquer dúvida que eu pudesse ter sobre eventual fingimento. Pode acontecer? Deve acontecer, afinal, tem estelionatário em todos os cantos. Mas tem gente que não está fingindo. Eu acredito necessariamente que seja o Orixá tal incorporando na pessoa? Não. Não sei explicar, pode ser que seja a pessoa sugestionada, em transe, ou pode ser que de fato seja o Orixá. Eu não preciso de explicação, eu posso deixar essa questão em aberto. O que eu afirmo é: O QUE EU VI NÃO FOI FINGIMENTO. Ao som de músicas específicas para induzir esse “transe” tocadas no atabaque (existem músicas específicas para chamada cara Orixá) os Eleguns vão desfalecendo aos poucos e os Orixás vão “entrando”. O momento em que o Orixá se aproxima e incorpora no Elegum pode ser bastante violento de acordo com o Orixá. Eu vi pessoas fazendo movimentos corporais dos quais eu sabia que elas não eram capazes “de cara limpa”. Então, não fode. Ateísmo sim, burrice não. Tem alguma coisa aí, o que é eu não me atrevo a explicar porque nós seres humanos somos um cocô ignorante. Prefiro ter a maturidade de aprender a viver com questões em aberto a dizer que não acredito em nada mesmo vendo a coisa acontecer debaixo do meu nariz. O fato de não desacreditar por completo não me faz automaticamente acreditar em todo o pacote dessa religião.

E se apesar de tudo você não encontrou motivos para respeitar o Candomblé, eu vou apelar: uma religião que o catolicismo tentou sufocar durante séculos e sobreviveu, uma religião que faz evangélico se cagar nas calças de medo, uma religião que exige pra caralho dos seus adeptos e mesmo assim bomba, uma religião que mesmo marginalizada e discriminada ao extremo sobrevive forte deve trazer algo de bom a quem a pratica, não é mesmo? Conheço pessoas cultas, educadas, esclarecidas que são adeptas do Candomblé. Para mim, adeptos do Candomblé já ganham meu respeito por terem essa coragem de mergulhar de cabeça em uma religião que é tão detonada por todos. Adoro os excluídos, os demonizados. Em uma sociedade CAGADA como a nossa, onde gente lê “Cinquenta tons de cinza”, vota no Tiririca e assiste novela da Globo, é um puta mérito ser exceção, se destacar da massa. Sem contar que ultimamente meu critério para selecionar o que eu respeito tem sido por exclusão: se evangélico gosta eu quero distância, se evangélico abomina deve ser bom. Sim, eu cheguei a esse ponto de asco de evangélico.

Se você quer saber um pouco mais sobre Candomblé mas não tem tempo para ler o livro que eu recomendei no começo do texto (são quase 300 páginas e são páginas enormes), te recomendo “Ogum, o rei de muitas faces e outras histórias dos Orixás” (Lídia Chaib e Elizabeth Rodrigues), que é um livro escrito para apresentar o Candomblé para crianças. Muito simples e didático. Tem um guia dizendo as principais características de cada Orixá, o que ele “gosta” e o que “não gosta” (humanização para fins didáticos) e histórias sobre seu passado. Uma curiosidade: Orixás tem uma espécie de “alergia espiritual” chamada “quizila” ou “ewó”. Algo que não podem entrar em contato pois lhes faz muito mal, física e espiritualmente. Os filhos de Iansã tem quizila com lagartixas, por exemplo. Da próxima vez que alguém ridicularizar seu medo de lagartixa, não diga que é medo, diga que Iansã tem quizila de lagartixa: a pessoa vai se cagar de medo e não te ridiculariza mais.

RESPEITEM O CANDOMBLÉ E SEUS ADEPTOS, eles merecem muito mais respeito do que uns e outros de hipócritas que se dizem religiosos mas nem ao menos seguem os preceitos de sua religião e se acham superiores. Eu respeito. Eu admiro. Eu tiro meu chapéu e me ressinto de ter sido criada em um lar ateu, coisa que não me permite mergulhar de cabeça no Candomblé e me beneficiar de todo o bem estar que ele gera a seus adeptos, sem aquela alienação e emburrecimento que as religiões tradicionais costumam gerar.

Eu queria falar mais, muito mais: principais terreiros, principais mães de santo, detalhes dos rituais, arquétipos de cada Orixá e muitas, MUITAS outras coisas, mas já ultrapassei em duas páginas o meu limite e vou ter que parar por aqui. Mas podemos continuar a conversa nos comentários. Ao Candomblé e a seus sacerdotes, meu respeito, minha admiração e minha boa vontade em sempre prestar ajuda naquilo que estiver ao meu alcance e que minha ignorância não impedir. Cada um contribuí com o que pode. Espero que depois deste texto ao menos uma pessoa perceba a palhaçada que é a demonização do Candomblé. Pensem com suas próprias cabeças em vez de abraçar conceitos prontos.

Ah sim… já ia esquecendo: Eparrei Oya!

Para tentar me desmerecer dizendo que eu sou “macumbeira” como se isso fosse ofensa, para vir fazer um discurso preconceituoso e burro demonizando o Candomblé e levar o maior fora que você já levou na vida ou ainda para perguntar ao Somir como foi que ele deixou esta postagem acontecer: sally@desfavor.com

Se você encontrou algum erro na postagem, selecione o pedaço e digite Ctrl+Enter para nos avisar.

Comentários (276)

  • Você só “esqueceu” de falar que o Candomblé é uma religião caríssima. Tudo no candomblé é pago. Desde um simples ebo até uma iniciação (conheço pessoas que pagaram mais de 15 mil reais numa iniciação). Ou seja, perdeu -se muito o sentido histórico da resistência cultural e o cunho popular, para se tornar um culto puramente materialista e um culto exacerbado à vaidade, pois os trabalhos são caros, as roupas mais ainda, e a todo momento vai se exigindo mais coisas.

    • André, eu não “esqueci” de falar nada, você é que “esqueceu” que experiências pessoais suas não refletem a realidade de um país inteiro. Isso se chama “Universo Umbigo”, quando a pessoa acha que a mínima ínfima vivência que tem é a realidade universal.

      Conheço lugares que não cobram um centavo, apenas os custos do material usado. Então, da próxima vez que for fazer uma crítica, tenha uma pouca mais de embasamento do que seu simples achismo ou a experiência de conhecidos, ok?

    • Gente, parei no “gente morta está mais para umbanda!’ Kkkk Mas que bela pesquisa vc se atreveu a fazer e escrever tanta asneira sem nenhum conhecimento e simplesmente compartilhar com as pessoas na internet! Apaga esse texto, que vergonha!!!

    • Mais um detalhe, minha filha, vc está longe de ser atéia. Vc é só alguém perdida cheia de ódio que está pagando pau pra ateu e pro candomblé. Deveria ler e ir mais pro lado da luz, pq burra não é, mas está ignorante por falta de informação e presa no lado denso e escuro. Quem vem te contrariar vendo essas coisas é tentando te trazer pra luz pq vê o teu sofrimento só do jeito q vc fala. Reflita. Sai dessa. Procura umbanda, espiritismo, budismo, meditação, ou nada disso,procura só Deus, ou só q Deus esteja dentro de vc, ou q Deus seja só uma energia pq tudo é feito de energia ou seja atéia que é melhor, mas não apoie nem procure o mal pq vc não sabe como pode acabar destruindo sua vida de vez sem estar dando conta por ingenuidade. Vc sabe muito bem a diferença entre bem e mal. O bem não vende o dom que a espiritualidade deu (se vc passar mais tempo, experenciar mais vc vai ver que vão te pedir sim e saber de todas histórias pois quem fala está há mais de década no meio, entre outros q vieram te alertar para não difundir essas suas certezas) e o bem não tira a vida de ninguém, o bem não mata e não quer morte nem sofrimento, nem sague nem esse tipo de energia e nem gostaria de estar escrevendo sobre isso se é que isso faz sentido para vc. Mas um dia há mtos anos atrás eu estive tb perdida e então tive q vir aqui te avisar. Fiz a minha parte. Aí agora é com vc, vi q outras pessoas vieram tb aqui c boa intenção. Bj, fique na luz.

  • Minha família parte de pai é dessa religião, mas curto não, povo estranho, hábitos estranhos e são super carregados, mas valeu a leitura, sou mais o outro lado, tem luz.

    • O que faz um hábito ser estranho ou uma pessoa ser “carregada” é a sua percepção. Para algumas pessoas eles devem ser muito legais.

      Não existe um lado que tenha luz e o outro não, essa dualidade está apenas na sua cabeça, é sua crença, seu julgamento de valor, que de forma alguma reflete a realidade. Pense nisso.

    • Realmente o candomblé não é para qualquer um, não somos estranhos, somos pessoas normais como qualquer um de vocês, mas somos carregados sim, de energias da natureza, de asé, de amor, de esperança para que pessoas como você possam deixar um dia de ser ignorante, e também somos tão carregados de coisas para fazer dentro de uma roça de candomblé que não perdemos tempo para ficar falando da roupa da irmã, de quem deu o tal dizimo ou não, você não deu sua opinião, deu apenas uma demonstração de preconceito, mas enfim enquanto isso não muda vamos apenas lutando diariamente contra a intolerância religiosa.

  • Avatar

    Tatiana Mendes

    Vou digitar com os pés, pois no momento minhas mãos estão ocupadas aplaudindo tão sublime capacidade de entendimento e empatia com os menos favorecidos nesta sociedade absurdamente hipócrita. Sou candomblecista, filha de Oxóssi, o rei de Ketu, caçador de uma flexa só. E ler este texto escrito por uma pessoa de outra “crença” mas de uma mente tão aberta, me faz crer que a humanidade ainda tem salvação. Gratidão!

    • Olá Tatiana, seja muito bem vinda!

      Espero que este texto leve um pouco de luz a todos que insistem em desmerecer o Candomblé, é a forma que encontrei de contribuir para um mundo mais tolerante.

  • Só uma dúvida, mãe/ pai de Santo é remunerada(o) se faz trabalhos? Você toca muito no assunto do dízimo e isso parece te indignar bastante, mas conheço pessoas da minha própria convivências que gastam no mínimo 400 reais para comprar oferendas para suas entidades, orixás, etc.. Na Bíblia está claro que Deus não quer e nem precisa de dinheiro de quem dá por “obrigação” com um coração amargo. O dízimo nada mais é um ato de adoração e tem que ser devolvido com amor, reverência e alegria.

    • Karina, o que me indigna é o terror psicológico e a penca de mentiras que contam para intimidar evangélicos a doarem quantias fixas (ex: 10% do salário) para as igrejas. Não há nada nem parecido com isso no candomblé ou em qualquer outra religião. Desculpa mas dízimo é impostos, pois se o fiel não paga, há consequências.

    • Miga cê é burra? E as pessoas vão comprar os animais e as coisas pro sacrifício como? Fazer a mão que não é, apesar de muitas coisas serem artesanais, e a Bíblia não entra em questão PUTA QUE PARIU CHEGA DE BÍBLIA

  • Adorei seu post, sofro preconceito dentro de casa por conta de minha religião, já fui ateu ,mas no candomblé achei algo que as outras religiões não tem, a ausência de preconceito e julgamento, muito obrigado pelo post amei de verdade
    Como MEU santo é obaluae jagun Atotô
    Muita saúde pra vc

  • Adorei o seu texto,e o conceito que teve com o Candomblé.
    Sou do Candomblé,e feita tbm,só gostaria de fazer uma pequena observação,que em alguns lugares na hora da feitura o YAÔ,não precisa beber o sangue “EJE” do animal.
    O sacrificio do animal é feito,pq é o unico ser puro e limpo,por isso damos de comer ao Orixa atraves de animais.
    Somente para explicar.
    Adorei td que vc escreveu parabens….e claro ASÈ PARA VC…

    • Obrigada pelo esclarecimento, Giselly! Fico muito feliz que alguém com conhecimento tenha gostado do que eu escrevi. Apesar de não ter religião, torço muito para que o Candomblé pare de ser perseguido e injustiçado.

  • Fala, desfavor!
    Eu gostaria de deixar aqui alguns estudos que fiz e minha teoria sobre o Candomblé, para quem quiser ler.
    Bom, segundo os meus estudos os Orixás são sim uma força da natureza, mas é muito mais que isso. Na verdade segundo os meus estudos os orixás são você! Sim você! Só que no caso, sua versão superior, ou se preferir, sua versão espiritual.
    Nesse caso o candomblé nada mais é do que um lugar onde vc aprende a fortalecer você mesmo, com energia espiritual que vem da natureza.
    Vou tentar explicar como cheguei a essa conclusão:
    Bom, assim como todos os seres humanos tem personalidades diferentes, alguns mais calmos, outros mais bravos, alguns com interesses mais materiais e outros com interesses mais artísticos, assim os Orixás o são, pois somos reflexo do nosso eu superior, ou espírito se preferir, dai vem a tradição da comparação com elementos da natureza, se bem que não é uma comparação, pois quem pode dizer que esses espíritos não fazem parte da natureza?
    Bom, mas então se os orixás são os nossos espíritos, por que são classificados como deuses, com nome e rituais próprios? Afinal são 7 bilhões de pessoas no mundo, então existem 7 bilhões de deuses? Não, no candomblé só se cultua no máximo algumas dezenas de orixás, sendo que os principais não chegam a 10. Ou seja, o que eu estou falando não condiz com a cultura africana.
    Galera, é fácil de entender isso. Vcs estão pensando no candomblé da forma errada. Veja bem. O candomblé é uma religião criada no Brasil, sim ela é Tupiniquim. Lá na África o candomblé não existe dessa forma. Bom, os escravos trazidos de vários lugares da África, tinham cada um sua própria língua, religião e história, mas aqui no Brasil foram unidos pelo sofrimento e assim unificaram suas crenças e sua cultura no que hoje conhecemos como candomblé. Então de certa forma o candomblé além de ser uma religião, também foi uma solução criada para manter as tradições e cultura de um povo muito antigo, antigo mesmo, pois estamos falando do berço da humanidade. Então devemos ver o candomblé como uma joia rara de manter viva a cultura de um povo muito antigo, pois hoje até na Nigéria de onde veio a maior parte dos escravos e da cultura Yoruba, ela esta sendo extinta pela religião muçulmana e cristã. Devemos preservar essa cultura para tentar entender como pensavam nossos mais antigos ancestrais.
    E segundo meus estudos eles pensavam dessa forma:
    Todos nós somos deuses.
    Sim os Orixás são “deuses”, mas o candomblé não cultua os Orixás e sim o próprio Orixá. Presta atenção nessa parte que é complicado.
    Apesar de existir um “Deus” sobre aquele elemento da natureza, vc não cultua aquele “Deus”, vc cultua o seu orixá.
    Explicando melhor ok: Exemplo de Ogum:
    Existe Ogum e ele é um Orixá (Deus), então um filho de Ogum vai cultuar Ogum certo?
    Não!
    É isso que as pessoas não entendem.
    No candomblé cada pessoa tem seu próprio Orixá, ou seja tem seu próprio Deus.
    No caso, existem 3 filhos de Ogum em um terreiro, cada um deles terá seu próprio Ogum. Não existe 1 Ogum supremo para eles cultuar, cada um deve cultuar seu próprio Ogum e aquele que cultuar mais de certa forma é dito que seu Ogum é mais forte.
    Por isso que eu estou dizendo que ao invés de olhar para Ogum como um Deus único devemos olhar para cada um desses Oguns individualmente, como se fossem o EU superior da pessoa e por isso eu faço a comparação com o espírito.
    Então se cada pessoa tem seu próprio espírito, Orixá, ou Deus, como quiser chamar. Por que o nome Ogum?
    Veja bem, eu não sei explicar exatamente, mas a minha teoria é a de que Ogum foi uma pessoa (sim uma pessoa), que a séculos, talvez milênios atrás fez alguma coisa realmente FODA e assim entrou para a história, com seu feito sendo contado de geração após geração. Como o seu feito foi um ato de muita coragem, toda vez que nascia alguém com uma personalidade muito corajosa, as pessoas diziam ser filho de Ogum. Entende, corajoso como Ogum. E assim mandavam esta pessoa cultuar o elemento da coragem, o elemento de Ogum, que assim seu próprio Ogum, ou seja, seu espírito, ficaria tão poderoso quanto aquele Ogum da lenda.
    Dessa forma Ogum, o Orixá, ganhou centenas de lendas, pois toda vez que um filho de Ogum fazia alguma coisa grandiosa em sua vida, depois que ele morria e depois de algumas gerações, seu feito era incorporado a lenda, como sendo uma pessoa só. Lembrando que as lendas eram contadas de forma oral e de geração pra geração, então dependia da interpretação de cada pessoa, mas no final ficou assim mesmo. Foi Ogum e pronto. Talvez se tivessem escrito não ficaria tão disperso.
    Mas eles não faziam exatamente desse jeito, estou tentando explicar a forma como eles pensavam. Para vcs entenderem melhor, vamos fazer uma comparação com artistas, atletas e grandes personalidades da atualidade. Essas pessoas são “importantes”, pois são conhecidas, aliás os seus feitos são conhecidos, sejam eles bons ou maus e eles entram para a história tendo sempre admiradores em cada geração, mas são humanos e como todos eles cometem erros. Mas apesar de não serem perfeitos, seus feitos entraram para a história e seus nomes ficaram eternizados.
    Acho que já deu pra entender minha visão. Lembrando que cada Orixá tem sua história e seus feitos e cada um tem sua forma de cultuar. Então se vc é filho de Ogum, sua característica principal é a coragem, filho de Oxum é ser mãe e tb a beleza, filho de Xângo é ser rei, um empresário, sei lá. Essas coisas.
    No final o que importa é que, cultuar o candomblé, nada mais é do que pegar formas antigas, bem antigas mesmo, de se conectar com o seu elemento na natureza, para que o seu espírito se manifeste. Exatamente, quanto mais forte o espírito, mais ele se manifesta, ou seja, segundo a minha teoria, ninguém recebe o Orixá. Não! As pessoas recebem outros espíritos, como caboclos, boiadeiros Exús e pomba-giras, que são espíritos desencarnados, mas o Orixá ele é o seu próprio espírito, então ele “sai pra fora” e assim a pessoa que manifesta o Orixá na verdade está em seu modo “Superior” e por isso tem grande poder. Todos nós recebemos o Orixá, não só as pessoas que manifestam em terreiros. Qualquer um em algum momento da sua vida manifestou seu Orixá em algum momento para fazer alguma coisa espetacular.
    Então segundo o candomblé, quanto mais axé eu tiver, mais eu vou conseguir manisfestar o Orixá em minha vida e assim conseguir realizar meus sonhos e objetivos com o poder do Orixá.
    Lembrando que não existe inferno e por isso o candomblé te ensina a se defender de quem te quer o mal. Claro, é uma cultura antiga de uma época em que as aldeias eram invadidas por outras aldeias e pronto. Não existia um “Estado” com leis sociais, então quem quisesse ter uma família e uma aldeia feliz, tinha que saber se defender. Na verdade até hoje é assim, quem quiser ter uma família feliz tem que saber defendê-la.
    Então é isso, espero ter ajudado aqueles que querem entender um pouco mais do candomblé, mas deixo claro que esta é apenas a minha visão da religião, sou apenas um simples Ogã de Oxossi, que estudou e se formou em história e formulou sua própria teoria, não sou ninguém importante e essa teoria me veio na cabeça depois de estudar e querer entender muito a religião, senti vontade de compartilhar aqui e só, não quero provar nada. Motumbá e obrigado!

  • Não queria debater nada! Não defendo umbanda mesmo.. Até porque eu sei que essa religião meche com espiritos oque ja é muito preocupante!O meu foco é apenas estabelecer os seres humanos vivendo em seu mundo sem conflitar com um universo paralelo.. ja fui manifestado por uma entidade e sei oque na verdade eles querem.. Kimbanda é o lado pejorativo do candomblé, e eu tinha vivido um pouco com pessoas praticantes.. Ainda sou simpatizante com cristianismo mas não praticante e cento para um debate, critico ludico e contestorio sobre meus pontos de defesa e garanto que muitos deles são relevantes apenas param quem quer abrir os olhos e ver alem da tangibilidade!

  • Sally, bom dia!
    leio seu blog sempre, adoro! Fala de coisas que a sociedade , não tem coragem da falar de forma aberta. Sou evangélica a quase 10 anos. Tenho amigos de diversas outras religiões, inclusive do candomblé. Desaprovo, assim como você, certos comportamentos da comunidade evangélica. Sempre digo, nas reuniões que digiro na minha igreja, que o Deus que seguimos é o Deus que nos ensina a amar ao próximo, incondicionalmente. Cristo era extremamente amável, tolerante, compreensivo e humano. Quem usa o cristianismo para pregar a intolerância, interpreta os ensinamentos do grande mestre de forma equivocada. Temos também na nossa religião, muitas coisas boas. São elas que eu, particularmente, dou ênfase no cotidiano como cristão. Gostaria de dizer que as pessoas de outras religiões não são pessoas más e que é nosso dever respeitar as escolhas de cada um. Quem usa a palavra de Deus para denegrir o candomblé, certamente não conhece a bíblia. Deus nos deu o livre arbítrio. É exercendo a maturidade que aprendemos a tolerância. Continue a dar espaço aqueles que são vitimas de todo tipo de preconceito.

    • O problema, Thais, é que religião é contrato de adesão, vem o pacote todo.se você veste a camisa dos evangélicos está propagando TUDO, inclusive a intolerância. É uma religião intolerante em sua essência, não entenso como você assina embaixo disso. Por mais que tenha coisas boas, nada compensa a intolerância…

      • Bom Sally, nada compensa a intolerância, concordo com você! A própria bíblia fala desse assunto: “Aquele que diz:Eu amo a Deus!, porém odiar a seu irmão, é mentiroso, porquanto quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não enxerga.I João, 4:20. Portanto, quem propaga a intolerância, o desrespeito, pode ter certeza, não segue os caminhos de Cristo. Penso que onde estivermos, temos que fazer a diferença através de coisas boas. É justamente esses questionamentos que eu levo para a minha igreja, essa mudança de postura na forma de tratar as pessoas. Graças a Deus, devagar, tem rendido alguns frutos, ainda que de forma modesta. Hoje por exemplo os cultos da minha igreja já não da mais espaço para falar mal de pessoas de outras religiões e pessoas homossexuais. Chegamos ao entendimento que a igreja tem que ser acolhedora, nós não podemos ser fiscais da vida alheia nem usar o nome de Deus para oprimir as pessoas. Não assino a intolerância e nós podemos fazer o melhor dentro do nosso espaço. Ademais, deixo elogios ao blog e morro de curiosidade de conhecer você pessoalmente. Graça e paz!

        • A Bíblia diz isso, mas os evangélicos interpretam de outra forma. É uma religião intolerante. Quando você prestigia essa religião, prestigia o pacote todo. Pensa se você realmente precisa de intermediário para falar com o seu Deus…

    • O problema é, boca a boca cada um fala o que quer ai vem outros e acreditar naquela verdade. sendo bem sincero não gosto da cultura afro. tem muita coisa bizarra, dificil de engolir. não posso aceitar uma coisa só porque meus ancestrais fizeram. tenha dor. vou dar aqui um exemplo, multilação vaginal em meninas um absurdo na áfrica ainda tem tribus que pratica. como posso achar isso normal, e se os mais velhos estivem errados. ninguém escolhe onde nasce como pode alguém querer ditar as coisas para o outro.

    • Hoje em dia é muito mais fácil fazer pacto com o capiroto.

      Esqueça pentagramas, rituais, sacrifícios…

      É só entrar no facebook, e quando ver uma foto de Jesus pedindo pra curtir ou compartilhar; siga a terceira opção: ignore. Automaticamente vc estará do outro lado.

      de nada.

    • primeiro candomble nao é magia negra segundo trabalhamos com energias positivas e terceiro nao fazemos pacto com diabo coisa nenhuma

  • Avatar

    Alexander Martins Vianna

    Gostei da iniciativa do “Blog Desfavor” de tentar explicar de um lugar da não-crença a crença alheia. Isso foi prova de muita generosidade. O problema é que, por mais que tentemos criar paralelos didatizantes para tal assunto – e aguilhões de combate contra a ignorância e intolerância, que é o tom do ensaio em Desfavor – , sempre corremos risco de simplificação. Não há como se resolver isso pela própria natureza da matéria abordada. Uma religião de tradição oral é mutável no