Desfavor Explica: Candomblé.

Para quem não sabe, meu ateísmo nasceu comigo e continua firme e forte. Desgosto da maior parte das religiões por achar que elas fazem mais mal do que bem às pessoas e por enquanto só tiro duas desse saco: uma delas foi o budismo, que já foi tema de Desfavor Explica, e a outra será tratada hoje. Quando um ateu tira o chapéu e diz “Ok, isso faz mais bem do que mal” vale a pena respeitar. E é isso que esta religião merece: respeito. Quem não é ignorante e se dá ao trabalho de estudar um pouquinho suas origens percebe a força e o valor que ela tem. Desarmem-se dos preconceitos e leiam com boa vontade. Desfavor explica: Candomblé.

Todas as religiões de origem africana nos parecem semelhantes, por causa da nossa ignorância, no sentido de desconhecimento. Pois é, não são. Muito pelo contrário, são bem diferentes entre si. Pretendo falar de várias em outras oportunidades, mas por hora, vou tentar resumir um pouquinho sobre o Candomblé. Não sou profunda conhecedora, muito pelo contrário, mera curiosa que se esforçou para buscar as verdades desta religião na fonte. Caso me equivoque, por favor me corrijam. É muito difícil aprender sobre Candomblé, pois não existe uma “bíblia” ou quaisquer escritos sagrados. Ela é passada de boca, apenas para poucos que se dedicam ferrenhamente a ela. Pessoas que aprenderam a ser desconfiadas para sobreviver. Pessoas que sabem que são socialmente mal vistas por um grande grupo ignorante. Espero ajudar a melhorar esse quadro com o pouco que aprendi.

O Candomblé foi trazido ao Brasil com os escravos africanos. É uma história muito triste, sofrida e revoltante, onde, como sempre, há o dedo cruel e tirano do Catolicismo. Os escravos que eram “capturados” (vendidos, presos ou o termo que queiram) na África e trazidos ao Brasil eram obrigados a se converter ao catolicismo “para salvar suas almas”, afinal, a Igreja Católica é a dona da verdade absoluta e quem não acredita no que eles mandam vai para o quinto dos infernos. Imagina um ser humano acorrentado, tratado da pior forma possível, se vendo obrigado a aderir à religião alheia sob pena das mais impensáveis torturas. Você não se converteria? Eu me converteria dez vezes! Mas eles não, é um povo de tanto valor, tão forte, tão seguro, que não se converteram, apesar de tudo. Tiveram foças para, mesmo nesta situação absurdamente cruel, levar adiante suas crenças. Alguns até faziam de conta que se convertiam mas toda semana faziam o ritual deles, enganando o idiota homem branco, fazendo-o pensar que se tratava de uma mera festinha mundana, como se fosse um pagodinho nagô. Tiveram foças para, mesmo nesta situação absurdamente cruel, levar adiante suas crenças.

Pois não era. As festas de candomblé tem como pano de fundo o batuque de um instrumento chamado “atabaque”. Cantar e dançar é uma forma de evocar os Orixás, as divindades desta religião. Então, nos cornos de seus “donos”, os negros se mantinham firmes e fortes com sua religião, apesar das ameaças, apesar de estarem em um lugar estranho com o qual não tinham identidade cultural, apesar de estar em posição de sujeição. Como tudo tinha que ser feito sem que os brancos saibam do que se tratava, não podia ser documentado. Não havia escritos sobre a ordem dos rituais, as formas de proceder, as normas da religião. Tudo se manteve vivo no boca a boca. Quantos povos podem dizer isso? Quantos povos conseguiram fazer sobreviver com força uma religião que tentou ser esmagada por outra religião dominante, cujos rituais tem riqueza de detalhes por séculos apenas no boca a boca? Acredito que poucos, é preciso muita coragem e dedicação para isso e, acreditando você ou não, esse feito tem um valor enorme. Do alto do meu ateísmo, eu aplaudo de pé.

Assim como eu, outro ateu também aplaudiu de pé o Candomblé. O antropólogo francês Pierre Fatumbi Verger, ateu de carteirinha, que começou a estudar o Candomblé e ficou tão fascinado, mas tão fascinado que dedicou boa parte da sua vida a escrever sobre o assunto. É dele um dos melhores livros que eu já li sobre Candomblé, chamado “Orixás”, para quem quiser conhecer melhor o assunto, eu recomendo. A paixão dele pelo Candomblé foi de tal tamanho que ele chegou a fazer todo o ritual para estar apto a receber um Orixá, explicado em detalhes nas próximas páginas. Continuou ateu, não acreditava na religião em si, mas acreditava nos benefícios que ela poderia trazer para seus praticantes. E de fato esses benefícios existem. Uma religião que não tem pecado, que não tem inferno, que não tem o conceito do diabo. Uma forma de terapia através de um transe, que por ser inexplicável, gera medo e é demonizado. O ser humano e seu eterno medo de desconhecido, que patético.

Como eu disse, no Candomblé se cultuam Orixás. Ao contrário do que muita gente pensa, um Orixá não é sinônimo de alguém que já esteve vivo e morreu, Orixá não é gente morta. Gente morta está mais para Umbanda (Pomba Gira, Preto Velho e cia). Orixás não são e nunca foram seres humanos. Orixás são forças, são energias, que normalmente se materializam como fenômenos da natureza: ventos, águas, trovão, etc. É energia que existe no mundo e pode ser canalizada para um ser humano através de determinado ritual. Existem lendas para cada um deles, histórias que os humanizam na tentativa de torna-los mais compreensíveis e próximos. É muito comum que os próprios adeptos se refiram a eles de forma humanizada: “Iansã gosta de vermelho” ou “Iansã não come carneiro”, mas é mera força de expressão, Iansã é a força dos ventos e não uma pessoa que morreu e está voltando para se comunicar. Sabe Esopo? É bom paralelo. Sapos, escorpiões e raposas não falam, mas em suas fábulas Esopo os fez falar para transmitir às pessoas uma lição. É por aí.

Os Orixás tem diversas classificações, se dividem em subtipos e demandariam uma explicação complexa demais que nem eu saberia fazer e nem caberia aqui. Vou citar os mais populares só para vocês terem uma ideia: Exu (que não se confunde com os mortos da Umbanda “exu-caveira”, “exu-tranca-rua”), Ogum, Oxóssi, Ossain, Obá, Oranian, Xangô, Iansã, Oxum, Obá, Iemanjá, Ifá, Obaluaê, Nanã e Oxalá. Cada um tem suas histórias, suas características, suas afinidades e suas “repulsas”, se é que se podem usar esses termos. Cada um corresponde a um fenômeno da natureza, a um determinado tipo de energia que, através de cantos, rituais e transe hipnótico podem ser canalizadas para o corpo de uma pessoa. Os Orixás podem se comunicar com os seres humanos e até mesmo ajuda-los, embora não sejam tão “falantes” como as entidades da Umbanda (que batem papo como se estivessem em uma mesa de bar), é possível que se comuniquem quando estão “incorporados” em pessoas. Só tem um detalhe: eles não falam em português, eles falam em ioruba. É recomendável que alguém apto a traduzir esteja por perto. Através de oferendas é possível se harmonizar com eles, pedir ajuda ou agradecer.

Todos nós somos “regidos” não por um, mas por dois Orixás (ao menos no Candomblé da forma como se conhece no Brasil). Após pedir um zilhão de perdões pela comparação, feita apenas para fins pedagógicos, eu me permito dizer que funciona mais ou menos como um horóscopo: você tem um Orixá que funcionaria como seu signo (características predominantes, tendências, orientações) e um segundo Orixá que funcionaria como seu ascendente (influencia, mas de forma mais branda, secundária). Para saber qual é esse Orixá é preciso que um Pai ou uma Mãe de Santo jogue búzios para você, a fim de que ele se manifeste de alguma forma. Para que serve saber o seu Orixá? Bem, são energias com as quais você tem afinidade e existem coisas (pequenas coisas) que você pode fazer ou deixar de fazer para se harmonizar melhor e para que as coisas fluam de uma maneira mais favorável na sua vida. Não se preocupe, nenhuma exigência bizarra é feita, coisas como casar virgem, não usar camisinha e não usar contraceptivo não existem no Candomblé. Não há culpa, não há pecado. São pequenas coisas mesmo.

Sim, existe um “Deus supremo” no Candomblé, chamado de Olodumaré (ou Olorum, longa controvérsia…). Mas não é nada que deva ser cultuado, nem compreendido, nem mesmo pensado. É algo tão acima da capacidade humana que nem se tenta começar a explicar. É inacessível e indiferente às preces dos seres humanos. Está fora de sua compreensão. Quem quiser alguma coisa, tratar com os Orixás, pois eles foram designados para interagir com seres humanos. Não perturbem Olodumaré (ou Olorum), ele está cagando e andando para vocês. Nós não conseguiríamos nem ao menos entender o que é e como funciona, mesmo que alguém explicasse. Talvez por isso o Candomblé não seja muito popular, ele não dá muita moral para o ser humano. Somos cocozinho ignorante que o Deus supremo ignora. Não é todo mundo que lida bem com isso, as pessoas são carentes e gostam de se sentir super especiais.

Uma das coisas que me chamou a atenção no Candomblé é a dedicação de seus praticantes. Lá não tem dessa babaquice de se dizer membro da religião mas não fazer porra nenhuma, como o clássico “católico não praticante”. Para ser membro você tem que arregaçar as mangas e ralar pra cacete. Tem que ajudar em tudo que lhe for designado, não naquilo que você quer. Funciona como uma grande família onde são todos irmãos e cada um tem uma função específica atribuída pelos Orixás. E tem que cumprir. E dá trabalho. E toma tempo. E se você não cumprir, existem consequências, não pela mão do homem, mas pelo próprio Orixá. Ou está dentro, ou está fora. E só fica dentro quem se beneficia muito com aquilo, porque vou te contar, como eles ralam… Quem está dentro é sacerdote e tem obrigações, mesmo que não “receba” um Orixá. Sacerdotes não são apenas as pessoas que “recebem” o Orixá em seus corpos (Elegum), todo mundo tem uma função e é necessária a cooperação de todos para que a coisa funcione. Quem recebe não é “mais” do que os outros. Não que admiradores não sejam bem vindos, fui muito bem recebida em todos os locais que frequentei, eles abrem as portas e tratam com carinho, mas eu não posso dizer que sou do Candomblé. Não sou. Sou apenas uma admiradora. Se quiser ser, terei que passar por um longo processo que vai demandar muita dedicação.

É isso mesmo, não é só chegar, curtir e sair “recebendo” Orixá. Para que a pessoa esteja apta a receber um Orixá ela precisa ter passado por um longo ritual chamado “feitura”, que, cá entre nós, só faz quem tem muita dedicação, porque é de arrepiar os cabelos. Um ritual que, em princípio, você só pode fazer depois que o Orixá acha que você está pronto, ou seja, pode demorar. Após este ritual, ainda tem que esperar sete anos (uma espécie de “período de aprendizado”) para só depois ganhar um “cargo oficial” naquela casa. Como se fosse um bebê, que precisa crescer para saber o que vai ser da vida. Na “feitura”, você “faz” a pessoa em um ritual que implica em deixa-la trancada em um quartinho sem luxo algum (eu diria até sem conforto, tipo penico para cagar, sabe?) onde ela tem a cabeça raspada, cortes pelo corpo (inclusive um corte consideravelmente grande no topo da cabeça, onde é colocado um emplastro preparado com ervas), é jogado sangue de animais, a pessoa tem que beber sangue diretamente do animal e muitas outras coisas que quem está lá apenas de curioso certamente não vai fazer. Adoraria narrar em detalhes todos os rituais da “feitura”, mas não vai caber aqui.

Então, para ser Elegum, precisa do seguinte: primeiro a pessoa tem que ter a aptidão de receber (nem todos tem), segundo o Orixá tem que dizer que ela está pronta para a feitura, terceiro, tem que fazer a feitura nesse longo processo complicado. Até pode acontecer que pessoas com aptidão para receber mas que ainda não foram “feitas” incorporem um Orixá, mas neste caso, a pessoa não está preparada para lidar com a força daquela energia e apenas desmaia. É o que chamam “bolar com o santo”. Diante da complexidade do ritual, vocês podem presumir que não é qualquer um que decide abraçar a religião. Não tem “curioso” do lado de dentro do Candomblé, apenas gente que quer estar ali.

Certeza que a atenção de vocês está voltada para a questão do sacrifício de animais. Muita gente tem horror a isso. Até mesmo os adeptos da Umbanda criticam o sacrifício de animais. O que eu vou falar aqui não vai entrar na cabeça de muita gente, porque há todo um trabalho histórico para vilanizar este ritual, mas eu vou tentar mesmo assim, porque se UMA pessoa mudar de ideia já vai ter valido a pena. Vamos lá. Sim, no Candomblé há sacrifício de animais. Mas isso não significa que necessariamente ele seja feito para provocar o mal em alguém, pode se fazer o mal de diversas formas, inclusive sem matar animais. O animal é uma oferenda aos Orixás, que se alimentam da sua energia e existem dezenas de religiões que trabalham com oferendas. E esse animal que é sacrificado em um ritual que de cruel não tem nada (corte seco no pescoço, certamente muito mais humano que a forma como abateram a vaca que você jantou ontem) e TUDO nele é aproveitado. O Orixá se alimenta da energia desse animal e depois ele é preparado e servido como alimento para todas as pessoas que trabalharam naquele ritual e até mesmo para forasteiros como eu que foram assistir a uma festa. A pele é usada para forrar atabaque ou adornar paredes, os ossos para indumentária, enfim, TUDO é aproveitado. Vai me desculpar mas eu acho isso menos grave do que animais em matadouro.

Sem contar que a forma como se mata o animal (e as próprias restrições alimentares) é praticamente idêntica à forma como judeus procedem quando preparam sua comida. A diferença? Quando um rabino mata um animal desta forma, o alimento é kosher. Quando um sacerdote do Candomblé mata um animal desta forma, o alimento é um ato cruel, do demônio, perigoso, magia negra, para fazer o mal, perigoso e reprovável. Coerência mandou lembranças. O que acontece é que por sua história, o Candomblé cresceu marginalizado, associado a negros e pobres e isso fez que que paire sobre ele preconceito. Sem contar o belo trabalho de minar a concorrência que a igreja católica fez, com o marketing negativo do seu “rival”, convencendo a todos que era algo maligno, satânico, se valendo do fato do ser humano naturalmente já ter medo do desconhecido e do inexplicável. Mas, como nós somos seres pensantes, não precisamos engolir essa babaquice. Podemos tentar aprender mais sobre o assunto, estudar e ver que não é nada disso. Muito pelo contrário. Quem é satânico é quem encobre pedofilia ou quem manda que pessoas não usem camisinha mesmo com um vírus mortal sexualmente transmissível solto por aí. Reflitam.

Voltando ao sacrifício de animais: o animal que está sendo morto alimenta seres humanos, só porque quando ele morre tem uns fulanos cantando, ou declamando ou qualquer outro ritual isso não vira uma monstruosidade. E puta que me pariu, como cozinham bem! Como é gostosa a comida preparada nesses rituais. Comida depende muito da energia de quem cozinha, isso até mesmo um oriental vai te confirmar (porque você acha que só existe sushiman?). E são pessoas que preparam tudo com o maior cuidado, amor e devoção. Fica uma delícia. Eu, pessoa problemática com comida por causa de um tumor no intestino que me deixou trocentas sequelas, comi DE TUDO e não passei mal, até mesmo coisas que notadamente sabia que me faziam mal. Então, abram suas cabeças. Desde que o mundo é mundo a igreja católica lança campanhas para demonizar o que a ameaça e foi justamente isso que fez com o Candomblé. Quando percebeu a força e a disposição dos escravos em manter suas tradições e percebeu que havia gente aderindo, tratou de espalhar muito bem espalhado que isso era coisa do demo. Pegou, pegou com tantas outras ignorância estilo “manga com leite faz mal” pegaram se forem repetidas várias vezes. Mas já passou da hora de acabar com essa palhaçada. Matar bicho que vai alimentar pessoas não é absurdo, absurdo é neguinho tomar chazinho alucinógeno e cometer homicídio. Estão batendo na religião errada! Matar bicho é feio mesmo se for para comer? E estuprar menininhos é o que? E tomar 10% do salário da pessoa é o que? Me poupem… Está na hora das pessoas começarem a pensar e formar seu juízo de valor com suas próprias cabeças em vez de engolir opiniões prontas.

E já que mergulhei de cabeça na opinião e no relato pessoal, vou falar um pouco mais da minha impressão. Longe de mim a pretensão de ser dona da verdade, vou apenas narrar o que eu senti. Ao entrar em um terreiro, se você não estiver influenciado pela propaganda negativa que outras religiões fazem, dá para sentir que energia é outra. Muito mais limpa, muito mais serena do que em uma igreja católica ou evangélica na minha opinião. As pessoas cooperam sem aquela hierarquia formal. São todos muito humanos, se ajudam, se respeitam. Não há promiscuidade, vulgaridade nem maldade. Apenas muita dedicação e trabalho duro. São pessoas que sabem que serão socialmente mal vistas por aquilo e ainda assim, sentem que o benefício é tamanho que pagam o preço de serem discriminadas. É uma forma de terapia muito saudável.

Os rituais que presenciei me tiraram qualquer dúvida que eu pudesse ter sobre eventual fingimento. Pode acontecer? Deve acontecer, afinal, tem estelionatário em todos os cantos. Mas tem gente que não está fingindo. Eu acredito necessariamente que seja o Orixá tal incorporando na pessoa? Não. Não sei explicar, pode ser que seja a pessoa sugestionada, em transe, ou pode ser que de fato seja o Orixá. Eu não preciso de explicação, eu posso deixar essa questão em aberto. O que eu afirmo é: O QUE EU VI NÃO FOI FINGIMENTO. Ao som de músicas específicas para induzir esse “transe” tocadas no atabaque (existem músicas específicas para chamada cara Orixá) os Eleguns vão desfalecendo aos poucos e os Orixás vão “entrando”. O momento em que o Orixá se aproxima e incorpora no Elegum pode ser bastante violento de acordo com o Orixá. Eu vi pessoas fazendo movimentos corporais dos quais eu sabia que elas não eram capazes “de cara limpa”. Então, não fode. Ateísmo sim, burrice não. Tem alguma coisa aí, o que é eu não me atrevo a explicar porque nós seres humanos somos um cocô ignorante. Prefiro ter a maturidade de aprender a viver com questões em aberto a dizer que não acredito em nada mesmo vendo a coisa acontecer debaixo do meu nariz. O fato de não desacreditar por completo não me faz automaticamente acreditar em todo o pacote dessa religião.

E se apesar de tudo você não encontrou motivos para respeitar o Candomblé, eu vou apelar: uma religião que o catolicismo tentou sufocar durante séculos e sobreviveu, uma religião que faz evangélico se cagar nas calças de medo, uma religião que exige pra caralho dos seus adeptos e mesmo assim bomba, uma religião que mesmo marginalizada e discriminada ao extremo sobrevive forte deve trazer algo de bom a quem a pratica, não é mesmo? Conheço pessoas cultas, educadas, esclarecidas que são adeptas do Candomblé. Para mim, adeptos do Candomblé já ganham meu respeito por terem essa coragem de mergulhar de cabeça em uma religião que é tão detonada por todos. Adoro os excluídos, os demonizados. Em uma sociedade CAGADA como a nossa, onde gente lê “Cinquenta tons de cinza”, vota no Tiririca e assiste novela da Globo, é um puta mérito ser exceção, se destacar da massa. Sem contar que ultimamente meu critério para selecionar o que eu respeito tem sido por exclusão: se evangélico gosta eu quero distância, se evangélico abomina deve ser bom. Sim, eu cheguei a esse ponto de asco de evangélico.

Se você quer saber um pouco mais sobre Candomblé mas não tem tempo para ler o livro que eu recomendei no começo do texto (são quase 300 páginas e são páginas enormes), te recomendo “Ogum, o rei de muitas faces e outras histórias dos Orixás” (Lídia Chaib e Elizabeth Rodrigues), que é um livro escrito para apresentar o Candomblé para crianças. Muito simples e didático. Tem um guia dizendo as principais características de cada Orixá, o que ele “gosta” e o que “não gosta” (humanização para fins didáticos) e histórias sobre seu passado. Uma curiosidade: Orixás tem uma espécie de “alergia espiritual” chamada “quizila” ou “ewó”. Algo que não podem entrar em contato pois lhes faz muito mal, física e espiritualmente. Os filhos de Iansã tem quizila com lagartixas, por exemplo. Da próxima vez que alguém ridicularizar seu medo de lagartixa, não diga que é medo, diga que Iansã tem quizila de lagartixa: a pessoa vai se cagar de medo e não te ridiculariza mais.

RESPEITEM O CANDOMBLÉ E SEUS ADEPTOS, eles merecem muito mais respeito do que uns e outros de hipócritas que se dizem religiosos mas nem ao menos seguem os preceitos de sua religião e se acham superiores. Eu respeito. Eu admiro. Eu tiro meu chapéu e me ressinto de ter sido criada em um lar ateu, coisa que não me permite mergulhar de cabeça no Candomblé e me beneficiar de todo o bem estar que ele gera a seus adeptos, sem aquela alienação e emburrecimento que as religiões tradicionais costumam gerar.

Eu queria falar mais, muito mais: principais terreiros, principais mães de santo, detalhes dos rituais, arquétipos de cada Orixá e muitas, MUITAS outras coisas, mas já ultrapassei em duas páginas o meu limite e vou ter que parar por aqui. Mas podemos continuar a conversa nos comentários. Ao Candomblé e a seus sacerdotes, meu respeito, minha admiração e minha boa vontade em sempre prestar ajuda naquilo que estiver ao meu alcance e que minha ignorância não impedir. Cada um contribuí com o que pode. Espero que depois deste texto ao menos uma pessoa perceba a palhaçada que é a demonização do Candomblé. Pensem com suas próprias cabeças em vez de abraçar conceitos prontos.

Ah sim… já ia esquecendo: Eparrei Oya!

Para tentar me desmerecer dizendo que eu sou “macumbeira” como se isso fosse ofensa, para vir fazer um discurso preconceituoso e burro demonizando o Candomblé e levar o maior fora que você já levou na vida ou ainda para perguntar ao Somir como foi que ele deixou esta postagem acontecer: sally@desfavor.com

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Comentários (276)

  • Você só “esqueceu” de falar que o Candomblé é uma religião caríssima. Tudo no candomblé é pago. Desde um simples ebo até uma iniciação (conheço pessoas que pagaram mais de 15 mil reais numa iniciação). Ou seja, perdeu -se muito o sentido histórico da resistência cultural e o cunho popular, para se tornar um culto puramente materialista e um culto exacerbado à vaidade, pois os trabalhos são caros, as roupas mais ainda, e a todo momento vai se exigindo mais coisas.

    • André, eu não “esqueci” de falar nada, você é que “esqueceu” que experiências pessoais suas não refletem a realidade de um país inteiro. Isso se chama “Universo Umbigo”, quando a pessoa acha que a mínima ínfima vivência que tem é a realidade universal.

      Conheço lugares que não cobram um centavo, apenas os custos do material usado. Então, da próxima vez que for fazer uma crítica, tenha uma pouca mais de embasamento do que seu simples achismo ou a experiência de conhecidos, ok?

    • Gente, parei no “gente morta está mais para umbanda!’ Kkkk Mas que bela pesquisa vc se atreveu a fazer e escrever tanta asneira sem nenhum conhecimento e simplesmente compartilhar com as pessoas na internet! Apaga esse texto, que vergonha!!!

    • Mais um detalhe, minha filha, vc está longe de ser atéia. Vc é só alguém perdida cheia de ódio que está pagando pau pra ateu e pro candomblé. Deveria ler e ir mais pro lado da luz, pq burra não é, mas está ignorante por falta de informação e presa no lado denso e escuro. Quem vem te contrariar vendo essas coisas é tentando te trazer pra luz pq vê o teu sofrimento só do jeito q vc fala. Reflita. Sai dessa. Procura umbanda, espiritismo, budismo, meditação, ou nada disso,procura só Deus, ou só q Deus esteja dentro de vc, ou q Deus seja só uma energia pq tudo é feito de energia ou seja atéia que é melhor, mas não apoie nem procure o mal pq vc não sabe como pode acabar destruindo sua vida de vez sem estar dando conta por ingenuidade. Vc sabe muito bem a diferença entre bem e mal. O bem não vende o dom que a espiritualidade deu (se vc passar mais tempo, experenciar mais vc vai ver que vão te pedir sim e saber de todas histórias pois quem fala está há mais de década no meio, entre outros q vieram te alertar para não difundir essas suas certezas) e o bem não tira a vida de ninguém, o bem não mata e não quer morte nem sofrimento, nem sague nem esse tipo de energia e nem gostaria de estar escrevendo sobre isso se é que isso faz sentido para vc. Mas um dia há mtos anos atrás eu estive tb perdida e então tive q vir aqui te avisar. Fiz a minha parte. Aí agora é com vc, vi q outras pessoas vieram tb aqui c boa intenção. Bj, fique na luz.

  • Minha família parte de pai é dessa religião, mas curto não, povo estranho, hábitos estranhos e são super carregados, mas valeu a leitura, sou mais o outro lado, tem luz.

    • O que faz um hábito ser estranho ou uma pessoa ser “carregada” é a sua percepção. Para algumas pessoas eles devem ser muito legais.

      Não existe um lado que tenha luz e o outro não, essa dualidade está apenas na sua cabeça, é sua crença, seu julgamento de valor, que de forma alguma reflete a realidade. Pense nisso.

    • Realmente o candomblé não é para qualquer um, não somos estranhos, somos pessoas normais como qualquer um de vocês, mas somos carregados sim, de energias da natureza, de asé, de amor, de esperança para que pessoas como você possam deixar um dia de ser ignorante, e também somos tão carregados de coisas para fazer dentro de uma roça de candomblé que não perdemos tempo para ficar falando da roupa da irmã, de quem deu o tal dizimo ou não, você não deu sua opinião, deu apenas uma demonstração de preconceito, mas enfim enquanto isso não muda vamos apenas lutando diariamente contra a intolerância religiosa.

  • Tatiana Mendes

    Vou digitar com os pés, pois no momento minhas mãos estão ocupadas aplaudindo tão sublime capacidade de entendimento e empatia com os menos favorecidos nesta sociedade absurdamente hipócrita. Sou candomblecista, filha de Oxóssi, o rei de Ketu, caçador de uma flexa só. E ler este texto escrito por uma pessoa de outra “crença” mas de uma mente tão aberta, me faz crer que a humanidade ainda tem salvação. Gratidão!

    • Olá Tatiana, seja muito bem vinda!

      Espero que este texto leve um pouco de luz a todos que insistem em desmerecer o Candomblé, é a forma que encontrei de contribuir para um mundo mais tolerante.

  • Só uma dúvida, mãe/ pai de Santo é remunerada(o) se faz trabalhos? Você toca muito no assunto do dízimo e isso parece te indignar bastante, mas conheço pessoas da minha própria convivências que gastam no mínimo 400 reais para comprar oferendas para suas entidades, orixás, etc.. Na Bíblia está claro que Deus não quer e nem precisa de dinheiro de quem dá por “obrigação” com um coração amargo. O dízimo nada mais é um ato de adoração e tem que ser devolvido com amor, reverência e alegria.

    • Karina, o que me indigna é o terror psicológico e a penca de mentiras que contam para intimidar evangélicos a doarem quantias fixas (ex: 10% do salário) para as igrejas. Não há nada nem parecido com isso no candomblé ou em qualquer outra religião. Desculpa mas dízimo é impostos, pois se o fiel não paga, há consequências.

    • Miga cê é burra? E as pessoas vão comprar os animais e as coisas pro sacrifício como? Fazer a mão que não é, apesar de muitas coisas serem artesanais, e a Bíblia não entra em questão PUTA QUE PARIU CHEGA DE BÍBLIA

  • Adorei seu post, sofro preconceito dentro de casa por conta de minha religião, já fui ateu ,mas no candomblé achei algo que as outras religiões não tem, a ausência de preconceito e julgamento, muito obrigado pelo post amei de verdade
    Como MEU santo é obaluae jagun Atotô
    Muita saúde pra vc

  • Adorei o seu texto,e o conceito que teve com o Candomblé.
    Sou do Candomblé,e feita tbm,só gostaria de fazer uma pequena observação,que em alguns lugares na hora da feitura o YAÔ,não precisa beber o sangue “EJE” do animal.
    O sacrificio do animal é feito,pq é o unico ser puro e limpo,por isso damos de comer ao Orixa atraves de animais.
    Somente para explicar.
    Adorei td que vc escreveu parabens….e claro ASÈ PARA VC…

    • Obrigada pelo esclarecimento, Giselly! Fico muito feliz que alguém com conhecimento tenha gostado do que eu escrevi. Apesar de não ter religião, torço muito para que o Candomblé pare de ser perseguido e injustiçado.

  • Fala, desfavor!
    Eu gostaria de deixar aqui alguns estudos que fiz e minha teoria sobre o Candomblé, para quem quiser ler.
    Bom, segundo os meus estudos os Orixás são sim uma força da natureza, mas é muito mais que isso. Na verdade segundo os meus estudos os orixás são você! Sim você! Só que no caso, sua versão superior, ou se preferir, sua versão espiritual.
    Nesse caso o candomblé nada mais é do que um lugar onde vc aprende a fortalecer você mesmo, com energia espiritual que vem da natureza.
    Vou tentar explicar como cheguei a essa conclusão:
    Bom, assim como todos os seres humanos tem personalidades diferentes, alguns mais calmos, outros mais bravos, alguns com interesses mais materiais e outros com interesses mais artísticos, assim os Orixás o são, pois somos reflexo do nosso eu superior, ou espírito se preferir, dai vem a tradição da comparação com elementos da natureza, se bem que não é uma comparação, pois quem pode dizer que esses espíritos não fazem parte da natureza?
    Bom, mas então se os orixás são os nossos espíritos, por que são classificados como deuses, com nome e rituais próprios? Afinal são 7 bilhões de pessoas no mundo, então existem 7 bilhões de deuses? Não, no candomblé só se cultua no máximo algumas dezenas de orixás, sendo que os principais não chegam a 10. Ou seja, o que eu estou falando não condiz com a cultura africana.
    Galera, é fácil de entender isso. Vcs estão pensando no candomblé da forma errada. Veja bem. O candomblé é uma religião criada no Brasil, sim ela é Tupiniquim. Lá na África o candomblé não existe dessa forma. Bom, os escravos trazidos de vários lugares da África, tinham cada um sua própria língua, religião e história, mas aqui no Brasil foram unidos pelo sofrimento e assim unificaram suas crenças e sua cultura no que hoje conhecemos como candomblé. Então de certa forma o candomblé além de ser uma religião, também foi uma solução criada para manter as tradições e cultura de um povo muito antigo, antigo mesmo, pois estamos falando do berço da humanidade. Então devemos ver o candomblé como uma joia rara de manter viva a cultura de um povo muito antigo, pois hoje até na Nigéria de onde veio a maior parte dos escravos e da cultura Yoruba, ela esta sendo extinta pela religião muçulmana e cristã. Devemos preservar essa cultura para tentar entender como pensavam nossos mais antigos ancestrais.
    E segundo meus estudos eles pensavam dessa forma:
    Todos nós somos deuses.
    Sim os Orixás são “deuses”, mas o candomblé não cultua os Orixás e sim o próprio Orixá. Presta atenção nessa parte que é complicado.
    Apesar de existir um “Deus” sobre aquele elemento da natureza, vc não cultua aquele “Deus”, vc cultua o seu orixá.
    Explicando melhor ok: Exemplo de Ogum:
    Existe Ogum e ele é um Orixá (Deus), então um filho de Ogum vai cultuar Ogum certo?
    Não!
    É isso que as pessoas não entendem.
    No candomblé cada pessoa tem seu próprio Orixá, ou seja tem seu próprio Deus.
    No caso, existem 3 filhos de Ogum em um terreiro, cada um deles terá seu próprio Ogum. Não existe 1 Ogum supremo para eles cultuar, cada um deve cultuar seu próprio Ogum e aquele que cultuar mais de certa forma é dito que seu Ogum é mais forte.
    Por isso que eu estou dizendo que ao invés de olhar para Ogum como um Deus único devemos olhar para cada um desses Oguns individualmente, como se fossem o EU superior da pessoa e por isso eu faço a comparação com o espírito.
    Então se cada pessoa tem seu próprio espírito, Orixá, ou Deus, como quiser chamar. Por que o nome Ogum?
    Veja bem, eu não sei explicar exatamente, mas a minha teoria é a de que Ogum foi uma pessoa (sim uma pessoa), que a séculos, talvez milênios atrás fez alguma coisa realmente FODA e assim entrou para a história, com seu feito sendo contado de geração após geração. Como o seu feito foi um ato de muita coragem, toda vez que nascia alguém com uma personalidade muito corajosa, as pessoas diziam ser filho de Ogum. Entende, corajoso como Ogum. E assim mandavam esta pessoa cultuar o elemento da coragem, o elemento de Ogum, que assim seu próprio Ogum, ou seja, seu espírito, ficaria tão poderoso quanto aquele Ogum da lenda.
    Dessa forma Ogum, o Orixá, ganhou centenas de lendas, pois toda vez que um filho de Ogum fazia alguma coisa grandiosa em sua vida, depois que ele morria e depois de algumas gerações, seu feito era incorporado a lenda, como sendo uma pessoa só. Lembrando que as lendas eram contadas de forma oral e de geração pra geração, então dependia da interpretação de cada pessoa, mas no final ficou assim mesmo. Foi Ogum e pronto. Talvez se tivessem escrito não ficaria tão disperso.
    Mas eles não faziam exatamente desse jeito, estou tentando explicar a forma como eles pensavam. Para vcs entenderem melhor, vamos fazer uma comparação com artistas, atletas e grandes personalidades da atualidade. Essas pessoas são “importantes”, pois são conhecidas, aliás os seus feitos são conhecidos, sejam eles bons ou maus e eles entram para a história tendo sempre admiradores em cada geração, mas são humanos e como todos eles cometem erros. Mas apesar de não serem perfeitos, seus feitos entraram para a história e seus nomes ficaram eternizados.
    Acho que já deu pra entender minha visão. Lembrando que cada Orixá tem sua história e seus feitos e cada um tem sua forma de cultuar. Então se vc é filho de Ogum, sua característica principal é a coragem, filho de Oxum é ser mãe e tb a beleza, filho de Xângo é ser rei, um empresário, sei lá. Essas coisas.
    No final o que importa é que, cultuar o candomblé, nada mais é do que pegar formas antigas, bem antigas mesmo, de se conectar com o seu elemento na natureza, para que o seu espírito se manifeste. Exatamente, quanto mais forte o espírito, mais ele se manifesta, ou seja, segundo a minha teoria, ninguém recebe o Orixá. Não! As pessoas recebem outros espíritos, como caboclos, boiadeiros Exús e pomba-giras, que são espíritos desencarnados, mas o Orixá ele é o seu próprio espírito, então ele “sai pra fora” e assim a pessoa que manifesta o Orixá na verdade está em seu modo “Superior” e por isso tem grande poder. Todos nós recebemos o Orixá, não só as pessoas que manifestam em terreiros. Qualquer um em algum momento da sua vida manifestou seu Orixá em algum momento para fazer alguma coisa espetacular.
    Então segundo o candomblé, quanto mais axé eu tiver, mais eu vou conseguir manisfestar o Orixá em minha vida e assim conseguir realizar meus sonhos e objetivos com o poder do Orixá.
    Lembrando que não existe inferno e por isso o candomblé te ensina a se defender de quem te quer o mal. Claro, é uma cultura antiga de uma época em que as aldeias eram invadidas por outras aldeias e pronto. Não existia um “Estado” com leis sociais, então quem quisesse ter uma família e uma aldeia feliz, tinha que saber se defender. Na verdade até hoje é assim, quem quiser ter uma família feliz tem que saber defendê-la.
    Então é isso, espero ter ajudado aqueles que querem entender um pouco mais do candomblé, mas deixo claro que esta é apenas a minha visão da religião, sou apenas um simples Ogã de Oxossi, que estudou e se formou em história e formulou sua própria teoria, não sou ninguém importante e essa teoria me veio na cabeça depois de estudar e querer entender muito a religião, senti vontade de compartilhar aqui e só, não quero provar nada. Motumbá e obrigado!

  • Não queria debater nada! Não defendo umbanda mesmo.. Até porque eu sei que essa religião meche com espiritos oque ja é muito preocupante!O meu foco é apenas estabelecer os seres humanos vivendo em seu mundo sem conflitar com um universo paralelo.. ja fui manifestado por uma entidade e sei oque na verdade eles querem.. Kimbanda é o lado pejorativo do candomblé, e eu tinha vivido um pouco com pessoas praticantes.. Ainda sou simpatizante com cristianismo mas não praticante e cento para um debate, critico ludico e contestorio sobre meus pontos de defesa e garanto que muitos deles são relevantes apenas param quem quer abrir os olhos e ver alem da tangibilidade!

  • Sally, bom dia!
    leio seu blog sempre, adoro! Fala de coisas que a sociedade , não tem coragem da falar de forma aberta. Sou evangélica a quase 10 anos. Tenho amigos de diversas outras religiões, inclusive do candomblé. Desaprovo, assim como você, certos comportamentos da comunidade evangélica. Sempre digo, nas reuniões que digiro na minha igreja, que o Deus que seguimos é o Deus que nos ensina a amar ao próximo, incondicionalmente. Cristo era extremamente amável, tolerante, compreensivo e humano. Quem usa o cristianismo para pregar a intolerância, interpreta os ensinamentos do grande mestre de forma equivocada. Temos também na nossa religião, muitas coisas boas. São elas que eu, particularmente, dou ênfase no cotidiano como cristão. Gostaria de dizer que as pessoas de outras religiões não são pessoas más e que é nosso dever respeitar as escolhas de cada um. Quem usa a palavra de Deus para denegrir o candomblé, certamente não conhece a bíblia. Deus nos deu o livre arbítrio. É exercendo a maturidade que aprendemos a tolerância. Continue a dar espaço aqueles que são vitimas de todo tipo de preconceito.

    • O problema, Thais, é que religião é contrato de adesão, vem o pacote todo.se você veste a camisa dos evangélicos está propagando TUDO, inclusive a intolerância. É uma religião intolerante em sua essência, não entenso como você assina embaixo disso. Por mais que tenha coisas boas, nada compensa a intolerância…

      • Bom Sally, nada compensa a intolerância, concordo com você! A própria bíblia fala desse assunto: “Aquele que diz:Eu amo a Deus!, porém odiar a seu irmão, é mentiroso, porquanto quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não enxerga.I João, 4:20. Portanto, quem propaga a intolerância, o desrespeito, pode ter certeza, não segue os caminhos de Cristo. Penso que onde estivermos, temos que fazer a diferença através de coisas boas. É justamente esses questionamentos que eu levo para a minha igreja, essa mudança de postura na forma de tratar as pessoas. Graças a Deus, devagar, tem rendido alguns frutos, ainda que de forma modesta. Hoje por exemplo os cultos da minha igreja já não da mais espaço para falar mal de pessoas de outras religiões e pessoas homossexuais. Chegamos ao entendimento que a igreja tem que ser acolhedora, nós não podemos ser fiscais da vida alheia nem usar o nome de Deus para oprimir as pessoas. Não assino a intolerância e nós podemos fazer o melhor dentro do nosso espaço. Ademais, deixo elogios ao blog e morro de curiosidade de conhecer você pessoalmente. Graça e paz!

        • A Bíblia diz isso, mas os evangélicos interpretam de outra forma. É uma religião intolerante. Quando você prestigia essa religião, prestigia o pacote todo. Pensa se você realmente precisa de intermediário para falar com o seu Deus…

    • O problema é, boca a boca cada um fala o que quer ai vem outros e acreditar naquela verdade. sendo bem sincero não gosto da cultura afro. tem muita coisa bizarra, dificil de engolir. não posso aceitar uma coisa só porque meus ancestrais fizeram. tenha dor. vou dar aqui um exemplo, multilação vaginal em meninas um absurdo na áfrica ainda tem tribus que pratica. como posso achar isso normal, e se os mais velhos estivem errados. ninguém escolhe onde nasce como pode alguém querer ditar as coisas para o outro.

    • Hoje em dia é muito mais fácil fazer pacto com o capiroto.

      Esqueça pentagramas, rituais, sacrifícios…

      É só entrar no facebook, e quando ver uma foto de Jesus pedindo pra curtir ou compartilhar; siga a terceira opção: ignore. Automaticamente vc estará do outro lado.

      de nada.

    • primeiro candomble nao é magia negra segundo trabalhamos com energias positivas e terceiro nao fazemos pacto com diabo coisa nenhuma

  • Alexander Martins Vianna

    Gostei da iniciativa do “Blog Desfavor” de tentar explicar de um lugar da não-crença a crença alheia. Isso foi prova de muita generosidade. O problema é que, por mais que tentemos criar paralelos didatizantes para tal assunto – e aguilhões de combate contra a ignorância e intolerância, que é o tom do ensaio em Desfavor – , sempre corremos risco de simplificação. Não há como se resolver isso pela própria natureza da matéria abordada. Uma religião de tradição oral é mutável no tempo – aliás, como qualquer outro processo sociocultural (escrito ou oral) de credo, mesmo que os atores sociais não a percebam assim.

    Em todo caso, não é possível fazer qualquer paralelo com culturas baseadas no “livro” para se abordar religiões afros, nem mesmo com Esopo, como fez Desfavor. Os crentes não vivem sua religião como fábula. Esta está implicada com uma reelaboração moral-literária daquilo que não é mais vivido como “credo vivo” – afinal, definir algo como “mythos” ou “fábula” só faz sentido se alguém se sente falando do lugar do “logos” (ocidental). Portanto, não é possível fazer qualquer paralelo didatizante com culturas e/ou religiões baseadas no “livro” para se tentar explicar as nuanças do candomblé.

    A tradição oral no candomblé não se manteve oral por conta da repressão – sempre injustificável, em todo caso. Sugerir isso, como fez Desfavor, seria o mesmo que definir tal religião como um mero fruto do “trauma diaspórico”, o que significa provocar uma enorme simplificação histórica e antropológica – tal como definir “judeu” em paralelo com o sionismo ou com o holocausto. Por mais que o texto de Desfavor pretenda fazer um justo combate contra o preconceito “branco cristão” contrário à religião “afro”, a sua forma de argumentar é irremediavelmente “branca”, embora não-cristã.

    É da natureza do candomblé ser oral. A sua oralidade não é resultado da fabricação da perseguição. Hoje, não há mais o tipo de perseguição e insegurança jurídica do passado e, no entanto, o candomblé segue firme e forte em sua tradição oral. Por outro lado, as tentativas de Verger de explicar os orixás como “forças da natureza” já é cientificizar a explicação, ou seja, impor a moldura do “logos” àquilo que se torna, então, “mythos” que “faz bem”. Nós jamais saberemos o que é um orixá nos candomblés, a menos que nos tornemos avançados no interior destas crenças.

    E se nos tornássemos avançados, tal conhecimento seria velado para o grande público e também para os adeptos ainda não avançados e intermitentes. Assim, mesmo que um pai-de-santo avançado e antropólogo (existe um no Museu Nacional da UFRJ) falasse do assunto num livro, haveria um impedimento ético e religioso para que explicasse tudo sobre esta religião, pois há uma dimensão de segredo que deve ser mantido pelo grupo e revelado para aqueles que avançam em seus mistérios por meio de memória oral.

    Em todo caso, como traduzir numa linguagem europeia cristianizada e científica ocidental um sistema de crença que lhe é estranha? A própria linguagem/logos trairia a crença ao tentar traduzi-la. Mesmo que, sobre a questão do “segredo”, tentássemos fazer um paralelo com a maçonaria, isso seria precário para criar um bom efeito explicativo, pois os maçons se consideram “logos focal” em busca progressiva de contato, compreensão e controle sobre o “logos” do universo – ou seja, pretendem conhecer e atuar naquilo que os teólogos dos séculos XVI e XVII chamariam de esfera preternatural.

    Então, qualquer antropólogo – mesmo aquele que aderiu ao candomblé – teria um compromisso ético de falar apenas o que é permitido ao grande público. Em todo caso, considero que o texto de Desfavor foi frutífero no sentido de tocar nos tópicos mais recorrentes da ignorância malsã de muitos que se sentem donos de uma fé monoteísta. Não sou religioso e não falo de um lugar de crença. Falar de candomblé será sempre uma impossibilidade, não porque haja um risco de ameaça a esta religião hoje – pelo menos, hoje, há um aparato jurídico do estado laico que possibilita, ao menos, segurança jurídica para as religiões afros –, mas porque é próprio desta religião a oralidade e o conhecimento velado.

  • Adorei a postagem. Sou praticante do Batuque do RS, nação Cabinda-Jeje-Ijexá. Algo parecido com o Candomblé, mas com uma liturgia um pouco diferente devido a peculiaridades na sua funação. Aliás, nós do RS somos um pouco discriminados pelos praticantes do Candomblé. Então somos a raspa da raspa do tacho, hahaha.

    Trago uma citação de Friedrich Nietzsche:
    “Eu somente acreditaria em um Deus que soubesse dançar.”

    Meus deuses sabem dançar e dizem sim à vida.

  • Gostei muito do texto…
    Eu sou um Agnóstico… a minha mãe é do Candomblé, enfim, eu acho essa religião muito complicada, pois ela tem coisas boas mas também tem coisas estranhas…
    Na semana passda a minha mãe roubou várias roupas de uma loja, na verdade nem era minha mãe, era uma éspecie de Exu-Rato no corpo dela (sei lá)…. o mais irritante é que nem um funcionário viu minha mãe saíndo da loja, com a sacola cheia de roupas e um perfume (caro pra caralho) …. isso tudo aconteceu aconteceu porque a minha mãe ainda não fez uma tal de obrigação, ai essas coisas fican pertubando ela (sei lá) enfim… eu não gosto dessa religião, e muito menos das outras…. é complicado pra caralh0….

    • Foi o que eu disse no texto: livre arbítrio é coisa de quem não tem religião, no Candomblé você TEM QUE fazer certas obrigações ou então existem consequências, assim como em qualquer outra.

    • Cara, eu penso assim: tu acha que tua mãe tem algum distúrbio mental que faça ela agir assim por fantasiar uma cobrança de um amigo imaginário? Quando a gente lê histórias assim de pessoas distantes, é fácil ridicularizar, mas, quando é alguém próximo, realmente fica “estranho”.
      Partindo daí, suponhamos que exista algo real nisso tudo. Que essa religião tenha algo de verídico nela.

      Cada religião demanda um grau de envolvimento. No candomblé, quando se firma compromisso com o orixá, é a sério! O orixá nunca te abandona, te atende em todos os aspectos que tu necessita. Dizem que, fora o dia do teu nascimento e da tua morte, tudo pode ser mudado pelo teu orixá.
      Por outro lado, tu tem que ser proporcionalmente comprometido com ele.
      As formas de cobrança são variadas: ele deixa de te proteger das doenças, deixa de segurar teu emprego, deixa de olhar pelo teu relacionamento, etc. até o dia em que tu vai investigar no ifá (jogo de búzios) e ali aparece a cobrança.
      Eu interpreto esse teu “estranho” como algo negativo, reprovável. Parece que tu vê a religiosidade pela ótica cristã, considerando errado tudo que não seja certinho, branquinho, bonzinho…
      Abrindo a mente pra novas formas de entender o sagrado, digamos que esses eventos são remédios amargos pra tua mãe.

      Abraço.

  • Amiga, creio que vc só leu a parte boa do candomblé.
    Sou de salvador e tenho amigos que são do candomblé ou macumba. E eles me relatam que nem tudo lá é lindo como você postou aqui. Eles também mexem com coisas ruins. Há sacrifícios, matanças de animais, manipulação de energias(feitiços) segundo eles com o objetivo de matar ou fazer o mal ao próximo, colocando doenças, contato com entidades extremamente malignas etc…
    Não fale do que não conhece profundamente.
    Sou ateu também. Mas na minha opinião os macumbeiros estão mexendo com forças que não conhecem. Acho que eles nem sabem com o que estão mexendo realmente.
    Isso que estou escrevendo aqui me foi dito por pessoas que fazem parte dessa religião aqui em salvador, que é um local de forte tradição no candomblé.

    • CONFORME EU DISSE NO TEXTO, você usa para fazer o que quer: o bem ou o mal. Há pessoas de boa e má índole, fazendo o bem e o mal, em TODAS as áreas, profissões e religiões. Só porque existe um grupo que faz o mal, isso não quer dizer que sempre seja assim.

      E para um ateu, você parece acreditar/temer/se importar demais no Candomblé.

      • Me desculpe se ofendi, mas não era minha intenção. O meu ateísmo é relativo. Se aparecer alguma prova de que existem deuses ou o próprio deus, eu imediatamente passarei a crer . Na realidade acho que o termo que se enquadra melhor na minha opinião é “AGNÓSTICO”. Você está certa, eu me importo com candomblé, espiritismo, umbanda, cristianismo, ovnis, ciência… qualquer assunto metafísico ou físico em geral, porque sou um especulador e desejo descobrir os segredos do universo que me cerca. Só que busco informações de forma imparcial sem pender nem para um lado nem para o outro. O que percebi um pouco no seu post e em vários comentários foi uma pequena tendência para enaltecer os cultos afro-brasileiros e denegrir o cristianismo ou as religiões judaico-cristãs. Se esse post fosse menos imparcial estaria perfeito pra min. Deixo claro que isso é uma opinião pessoal minha. Vocês poderiam falar ou comentar do candomblé sem tocar nas outras religiões. Mas isso não aconteceu. Vocês cometeram o mesmo erro dos crentes que não sabem falar de sua própria religião sem ferir as outras. Mas no final de tudo acho que seu texto pode contribuir com quem está fazendo uma pesquisa sobre o assunto.

        • CONFORME EU DISSE NA POSTAGEM, o Candomblé é um instrumento e vai da índole de quem o usa a forma como ele será usado: para o bem ou para o mal. Existem pessoas de boa e má índole em qualquer lugar. Já evangélicos que cobram 20% do salário de uma pessoa são SEMPRE estelionatários sem vergonha na cara. De fato eu tenho não uma tendência, mas uma convicção de meter o cacete em evangélico e em católicos e os acho piores do que os adeptos do Candolmbé sim. Não é um artigo científico, é meu blog, onde me proponho a dar a minha opinião.

          • Obrigado por disponibilizar um pouco do seu tempo pra me responder. Grato pela educação. Na realidade acho que o erro foi meu em procurar e pesquisar sobre um assunto buscando opiniões imparciais em um blog em que conforme você mesmo escreveu é de “OPINIÕES PESSOAIS”. Eu interpretei errado o objetivo do post. Desculpe mais não era esse tipo de informação que eu estava buscando. Mais uma vez você está certa, “SUA CASA, SUAS REGRAS.” Até nunca mais… Fui…

        • Caro amigo claudio esses seus amigos precisam ir estusar eles podem falar por eles, pq eu sou feliz no candomble e nunca fiz mal nenhum a ninguem e outra meu amigo imagino o tipo …

      • Sally não é ateista! Apenas odeia a religião católica!

        Como se pode aceitar que uma determinada religião permita usar “poderes” para matar alguém ?????????

        Me diga onde posso com a religião católica colocar doenças em alguém para lhe causar a morte ??? Me diga ?

        Cristo andou neste mundo e foi MORTO pelo homem! Mas as outras religiões é que são desprezadas ??? Religiões que atendem pessoas, e fazem mal a outras a seu pedido ???

        Mas então, Candomblé ajuda ou mata ?

        Ajuda ? Como podem afirmar que ajuda ? Quem garante que os conselhos dados não estão a desviar a pessoa do seu real caminho ?

        Mata ? Sim mata! Já ouvi relatos de pessoas… e não só! Você pode pedir o que quiser, ser RICO por exemplo, e dar o seu bem precioso em troca, como por exemplo, o seu filho, ou seja, você entrega o seu filho (morte) e passa a ser rico.

        Como isto pode ser bom ????

        Alguém me explica, porque estou a ter um ataque de ignorância!

        • É que eu realmente não acredito que ninguém tenha poderes através da religião para matar nem fazer mal a ninguém.

    • Existe a maldade sim e quem goste, da mesma forma que aqui na Terra tem o bem e o mal.Mas a Questão é, eles não fazem nada sem que um ser humano peça, ai te pergunto a maldade é deles ou vem do ser humano? E vou além quem usa o candomblé como religião não praticaria mal a ninguém, quem geralmente procura esses lugares para feitiçaria são quem não conhecem nem um pouco das consequências que isso trará a sua vida também.

      • Na verdade, não é assim tão simples.

        Pra um cético pode ser, mas que está na religião sabe que a cobrança por parte do orixá é muito forte.

        A religião não é uma prisão, mas é preciso muito esforço pra sair pela porta da frente, com um pai-de-santo bastante dedicado e com boa vontade pra “desfazer” a caminhada religiosa da pessoa.

  • As religiões politeístas geralmente são mais ricas em mitologia, o que as faz mais interessantes num primeiro olhar. Mas, como boa agnóstica, sobre essas também não posso manter ilusões: devem ter seus dogmas, interesses políticos e seus cabrestos também. Além de todos os sacerdotes pedófilos e seguidores sacripantas que todo credo e todo cruz credo tem direito.

  • Gente, que lindo! Não to dizendo que vocês viraram meu vício? Você quer ser minha amiga? (forever alone detected, hahahahaha!)
    Minha mãe foi criada em um colégio interno de freiras, mas a mãe dela era baiana rezadeira. Resultado: é uma beata ferrenha, fala mal de quem é “macumbeiro”, mas quando a coisa aperta toma banho de ervas e pede licença quando vai a alguma cachoeira (coerência, a gente vê por aqui). Ou seja, fui criada de maneira muito católica.
    Sempre tive muita curiosidade para conhecer algum terreiro, mas só tomei coragem ha alguns anos… nossa, que beleza! Frequento agora um terreiro de Umbanda, adoro as músicas, as festas, as lições, as mensagens, o carinho e a sinceridade de tudo lá.
    Estou num período bem livre da minha vida espiritual: vou na Umbanda, no Kardecismo, na Missa e ainda faço uma terapia xamânica que adoro. É raro eu dizer que não estou aberta a conhecer alguma religião (menos as evangélicas, pelamor!).
    Não sei se isso é liberdade ou se estou perdida, mas garanto que de cada lugar tiro as lições e ensinamentos pra guiar meu caminho. Acredito que quando se aprende a respeitar, compreender e ter tolerância à opção religiosa de cada um, tudo fica mais fácil e bonito e o que é bom e mau fica latente na sua frente.
    Meu irmão quando estava numa época de esmerdalhar com tudo, rezava Pai Nosso ao contrário pra minha mãe, na intenção de prejudicá-la, ou seja: se quer fazer mal, você vai tentar fazer o mal em qualquer religião, não tem essa!
    Belo texto Sally!

    • Isso é liberdade: pode pegar o que te faz bem de cada religião e usar do seu jeito, sem amarras, sem precisar se dizer adepta disso ou daquilo. E sim, eu quero ser sua amiga!

      • Ufa, que bom! Depois que li o que escrevi, notei o quão confuso isso poderia soar, mas me faz bem a beça então… que confunda!
        Oba! Amizades inteligentes só nos engrandecem!

  • Sally, boa tarde.

    Vi o seu texto ontem junto com minha esposa, e gostamos muito do que você expos…
    Antes quero lhe parabenizar pelo seu ponto de vista e opinião (respeito) e pelo modo como os expõe.
    O que passamos perante a falta de respeito dos “intolerantes religiosos”, realmente é isso mesmo que você descreveu… Ex: Se você esta utilizando um fio de contas no pescoço, você escuta constantemente: “nossa, eu não vou ficar perto daquele macumbeiro”; ou então: “nossa não acredito que contrataram um funcionário macumbeiro”, e por ai vai!!!
    Quando vejo alguém utilizando um rosário ou um crucifixo no pescoço, vou fazer a mesma coisa??? Lógico que não, respeito a opção e a crença dela… “Respeite para ser respeitado”, mas a reciproca é difícil viu!!!

    Espero que Oya continue lhe trazendo muitas forças através dos ventos dela, para que você possa continuar a escrevendo ótimos textos como este para nós!!!

    Kawô Kabiecile…. e Eparrei

    • Michael, fico muito, muito MUITO feliz de receber um elogio de alguém que entende do assunto. Sinal de que consegui passar a mensagem que queria, mesmo sendo leiga. Estava com muito medo de escrever alguma coisa errada e mais atrapalhar do que ajudar.

      Sabe o que eu acho engraçado? Esses adeptos de outras religiões que discriminam o Candomblé pregam uma religião supostamente de amor, compaixão, tolerância… mas é só em tese, porque na prática o que eles fazem é disseminar o preconceito, o ódio e a intolerância. Deveriam se envergonhar, se o Deus deles visse isso certamente ficaria envergonhado.

      • Concordo… Eu também conheço varias pessoas que afirmam ser religiosos praticantes seríssimos, que vão há igreja toda sexta ou domingo, andam com a bíblia em baixo do braço, mas vivem em função de um único objetivo: falar mal do próximo, discriminar, e “meter o pau nas outras religiões e seus freqüentadores”… Mas eu acredito em uma coisa, e que ultimamente esta acontecendo muito rápido: a lei do retorno… “Planejar a infelicidade dos outros é cavar com as próprias mãos um abismo para si mesmo.” É por isso que vemos tanta gente fudida da vida… Eu e minha esposa SOMOS DO CANDOMBLÉ, e seguimos os preceitos como tem que ser… Quando escolhemos já estávamos cientes do que teríamos de fazer; e fazemos com muito amor e dedicação a religião!!!
        Mas nos nao saímos por ai apontando o dedo na cara dos outros e julgando ou discriminando por serem de uma religião diferente da nossa… Como eu disse anteriormente: “Respeite para ser respeitado”…
        Enfim, eu só posso concluir da seguinte maneira já que todos se vagam de medo: “Cuidado, não aponta o dedo pra mim, pois o meu SANTO É TÃO FORTE, QUE O SEU DEDO PODE CAIR” ….. Kkkkkk

        Obrigado e continue pesquisando e postando mais coisas sobre o candomblé!!!

        • Poxa, se você quiser escrever mais sobre o tema, eu ficaria honrada de postar um texto seu como convidado aqui no blog. Querendo é só mandar para mim por e-mail que a gente publica: sally@desfavor.com

          E se puder, divulgue esta postagem, quanto mais gente sair da ignorância de achar que Candomblé vive de fazer o mal, melhor!

  • Sally,

    AMEI seu artigo. Sou de origem protestante, mas sempre fui curiosa com relação aos ritmos(tb, quem mandou mamãe de vez enquanto ligar na TV da Universal com os pastores “batendo papo” com os Orixás, a curiosidade só aumentou, huehuheuheuhuhue), mas sempre q queria ver festa de Yemanjá, lavagem do Bonfim(festa sincrética religiosa muito popular aqui em Salvador), dentre outras, na TV mamãe e papai vinham e desligavam a TV pq, afinal de contas, “candomblé é macumba e macumba é coisa do demônio”.

    Cresci, convivi e convivo com adepto do candomblé e assim aprendi – e aprendo – sobre os orixás, os rituais e, pra fechar com chave de ouro, este artigo seu, maravilhoso, tá de parabéns! :)

    AMO a música do candomblé, dos atabaques é um deleite!(tem uma orquestra, a Orkestra Rumpilezz, cujo nome é originário dos três atabaques de candomblé, “Rum”, “Pi” e “Lé” q tem uns concertos MARAVILHOSOS, uma delícia!)

    E tem uma curiosidade, Sally: Boa parte – senão a MAIORIA – das músicas e formas musicais populares do Brasil – especialmente no Nordeste – vêm dos terreiros: o Samba, o Maracatu, o ijêxá, etc, e até mesmo os excecrados(hehehe) pagode e axé têm o pé nos batuques dos Orixás – o mesmo muito provavelmente ocorre tb com a música de Cuba(rumba, salsa, etc) aonde tb tem culto dos Orixás como aqui na BA.

    Mais uma vez, parabéns pelo seu artigo, ele é MARA! :) ;)

    • As letras de axé vira e mexe fazem referências claras ao Candomblé, bem como suas coreografias. Eu sempre tive verdadeira fascinação pelas roupas, batuque e pela força que essas pessoas tiram de peitar a sociedade e continuar com suas crenças mesmo sabendo o quanto isso pode fechar portas. Sou fã!

  • Sally,

    Me responderam assim:

    Acho o pensamento mágico bem mais atrasado do que a teologia cristã, não bateria palmas tão facilmente… Coitadez nunca foi motivo pra mim para achar algo melhor ou pior.

    Oq diz?

  • Ei Sally, gostei do texto. Penso que o candomble `e de fato muito mais interessante que outras religioes ligadas ao cristianismo, `e divertido: tem danca, musica e as roupas sao legais. E quanto a comida preparada nos terreiros, `e unanime a opiniao de que `e muito saborosa:)

    • Nunca comi uma comida tão gostosa em toda a minha vida. No dia em que reunir esse povo e abrir um Restaurante Axé vai ter fila na porta!

  • ADOREI! Como sempre adoro estas postagens esclarecedoras do Desfavor. Aprendo muito.
    Como eu vivo num meio muito Espirita e Espiritualista, eu acredito DEMAIS em manipulação de energia. De cura por energia, de que conseguimos fazer o bem emanando boas vibrações (culto no lar) e etc.
    Foi ótimo saber um pouco mais sobre o Candomblé, que é bem diferente do que eu convivo, mas ao mesmo tempo é bem parecido em alguns pontos.

    • Espiritismo é macumba, só que mais branquinho, mais socialmente aceitável e mais moralista. Mas no fundo, é um filhote esnobe do Candomblé… hahaha

  • Achei o texto muito bom e o assunto também. É bom colocar os pingos nos is quando o assunto em pauta é polêmico, ajuda a esclarecer muita gente. Pelo menos a mim me ajudou.

    Quanto a simpatizar com o Candomblé, Umbanda ou similares, não dá. Houve uma época da minha vida na qual eu me interessei muito por Wicca mas rapidamente deixei de lado porque me faltava a condição básica pra me sentir bem e funcionar direito nesse tipo de religião/ seita: acreditar. Uma coisa é respeitar, eu respeito e muito as crenças das pessoas. Outra coisa também é admirar. Eu particularmente admiro muito o budismo. Mas outra coisa bem diferente é simpatizar. Eu posso admirar e respeitar sem necessariamente simpatizar com o movimento. Não tenho a menor curiosidade em entrar num terreiro, participar de sessão espírita ou ficar meditando num ritual budista. Eu não acredito em nada daquilo, pra mim se resume tudo basicamente ao poder de sugestão das pessoas (e do grau de desespero de algumas).

    Existem “energias”? Sim, acredito que sim. Podemos manipular essas energias? Tenho grandes dúvidas. Manipular segundo quem ou o quê? Um wiccaniano vai manipular essas energias do mesmo jeito que um umbandista? Não. Então como será? Qual dos dois está certo? E outra, com O QUÊ exatamente estamos “mexendo”? Eu acho que com nada, acredito firmemente que a única energia que conseguimos manipular até certo limite é com a nossa mesma. E olhe lá.

    • Lígia, não tenho resposta para as suas perguntas, mas existem estudos que indicam que manipulação de energia pode influenciar em doenças (tanto na cura como na piora) e em outros fatores. Como isso é feito, quem pode faze e até onde influencia não sei.

        • Tem gente que chama de “aura”, tem gente que chama de “vibrações”… seria uma energia que todos os seres vivos emanam e que também existe circulando pelo planeta. Do que ela é feita, como funciona e como se manipula eu não saberia explicar, teria que estudar mais.

          • Leiga e ignorante que sou, imagino que seja aquela sensação ruim que eu sinto em relação a algumas pessoas, uma repulsa e vontade de não criar intimidade, um sentimento de convicção mas sem explicação. Algum tempo depois eu descubro a filhadaputagem da pessoa e fico pensando NOSSA!

            Inicialmente eu atribuo isso a alguma função cerebral ainda não catalogada, mas pode ser a tal da energia.

            • Pode ser ambos, inclusive: uma função cerebral que capte algum tipo de vibração ou energia (filha da puta) que seja incompatível com a sua energia (não filha da puta). Quem sabe? Quem sabe isso que as pessoas chamam de “instinto” ou “sexto sentido” não é uma questão energética? Nunca saberemos.

          • O meu problema não é nem admitir que exista essas tais energias “ocultas”, mas sim aceitar nas mão de quem estaria esse conhecimento.
            O pessoal alega demais e prova de menos. Ainda que haja algum estudo que corrobore minimamente efeitos positivos, há outros que desmentem.
            Ficando no zero a zero, sempre acho saudável ficar do lado lógico.

            • Quais seriam esses estudos que desmentem? Eles alegam o que para explicar todos esses supostos fenômenos e melhoras médicas ligadas a energias?

              • Vou ter que dar uma saída agora, mas por sorte reencontrei um artigo bacana de um blog que li há um tempo que, por sua vez, tem links de estudos a respeito. Só que fala principalmente a respeito de reiki, que tem essas paradas de energia secreta invisível também.
                Tem também uns estudos interessantes a respeito de orações que eu não encontrei de bate-pronto, vou ter que dar uma procurada mais tarde.
                De minha parte, gostaria de saber algum estudo pró-energias secretas que explicassem que tipo de energia seria empregada nas curas transcedentais (térmica, elétrica, magnética, química,…).

  • Sally legal teu texto. Engraçado/interessante que o pouco que conheço das religiões africanas eu descobri na literatura, acredite! É aquela coisa: vai estudar literatura AFRICANA, invariavelmente tu vai ter que ler sobre mitologia, arquétipos, e também entrará um pouco na antropologia cultural então… Ademais só digo uma coisa: leiam! Leitura nunca é demais!

    • Exato! Leiam, discordem, critiquem, reflitam.

      As pessoas acham que só tem que ler aquilo que concordam. Se pegam para ler algo e discordam, já abandonam. LEIAM TUDO, inclusive aquilo que discordarem, pois é um belo exercício argumentativo e acrescenta muito mais do que ler o que você concorda.

  • Às vezes fico com a sensação de que a Sally trata o ateísmo dela como uma espécie de maldição. Fico um pouco melindrado, pois já andei dizendo pra minha filha, de 9 anos, que não acredito em deuses.
    Mesmo sendo bombardeada pela sociedade e pelos parentes sobre a existência de um onipotente genérico, ela aceitou e compreendeu com tanta naturalidade o que eu disse que me surpreendeu. Minha intenção sempre foi a de deixá-la livre para se posicionar a respeito e tenho tido todo o cuidado nisso.
    Tenho muita convicção sobre o que ela vai decidir, afinal. Já percebi que toda essa coisa precisa ser martelada sem qualquer resistência na cabeça de alguém para funcionar, e com grandes chances de dar merda (oi, maioria dos ateus).
    Eu encontro todo o apoio e força que preciso internamente e com as pessoas que me cercam, e posso dizer que a barra jamais sequer envergou um mínimo.
    Também acho bacana conhecer as coisas. Já fiz catequese, fui a missas, cultos, centros espíritas (muito legal, diga-se de passagem), adoro filmes e livros com temas místicos ou religiosos (não proselitistas), porém jamais tive qualquer vontade de acreditar no que alegavam. Mesmo após ver que pessoas tiravam proveito daquilo, pois sempre considerei que eu já tinha todas aquelas vantagens, mas de outra forma.
    Sally, quando criança você lembra de ter sido pressionada ou muito sugestionada a ser ateia?

    • Não acho que seja uma maldição de forma alguma, se tivesse um filho o criaria da mesma forma: dizendo desde pequeno DEUS NÃO EXISTE, quando você morre tudo acaba. Tem um lado negativo, como tudo na vida: não ter onde buscar conforto sobrenatural em situações de perrengue. A vida seria mais fácil se eu pudesse acreditar. Mas nem sempre o mais fácil é o melhor.

      O que quero dizer é que quando uma criança é criada desde pequena com a afirmativa DEUS NÃO EXISTE, quando você morre acaba e pronto, pode ser que ela não tenha a capacidade de acreditar depois de adulta. Tem o lado ruim (não buscar conforto nas horas de sufoco) mas tem muita coisa boa.

      Fiz questão de dizer isso porque muitas pessoas adoram afirmar que “na hora do sufoco todo mundo chama por Deus” e NÃO É VERDADE. Quase morri duas vezes e era eu e a medicina, sem mais nada para pedir, desejar ou me apegar.

      • Se é só isso está ótimo, porque não vejo nada de ruim em não contar com o sobrenatural pra nada. Acho que o estudo de determinados assuntos pode ativar o efeito placebo tão bem quanto acreditar em coisas ilógicas, tanto biológica quanto psicologicamente.
        Por exemplo, estudar sobre o processo de cura de determinada doença que você tenha, estudar formas de ganhar determinada quantidade de dinheiro que você precise, levantar detalhes da vida de uma pessoa querida que tenha morrido, se aproximar de pessoas que forneçam ajuda por simples afinidade e amizade etc.
        Portanto, acho que se pode substituir qualquer efeito positivo de crenças que nada mais têm do que ação psicológica. E sem os contras.

        • Marok, é ruim sim. Existem toneladas de estudos confirmando que quem tem fé se recupera melhor e mais rápido de doenças graves, internações hospitalares, etc. Não que algo divino cure a pessoa, mas a sensação de fé, o conforto, a confiança, de alguma forma tudo isso ativa o sistema imunológico e torna a pessoa mais forte. Pessoas com fé, em determinadas situações, conseguem coisas em proporções diferentes que pessoas sem fé não conseguem.

            • Olha, eu li um estudo sério realizado com doentes graves internados em hospitais que foram divididos em dois grupos: no primeiro grupo, voluntários oravam por eles sem que eles saibam. O segundo não. O primeiro grupo melhorou com mais rapidez (uma diferença considerável) e teve menos índice de retorno ao hospital que o segundo.

              Isso quer dizer que algum “deus” ajudou alguém? Evidente que não. Mas talvez os babacas que estavam orando tenham passado algum tipo de energia, mesmo sem saber, que tenha beneficiado os doentes. Ou talvez seja outra explicação muito mais complexa que eu nem consiga mensurar…

              • Veja que a ajuda que esse pessoal dá aos pacientes nem sempre é direta. Uma função muito útil nesse sentido, que quase não é lembrada, é dar auxílio aos familiares no hospital, que muitas vezes precisam dela muito mais do que o paciente. Sugiro visitarem o Hospital das Clínicas em São Paulo para conhecer desse trabalho, o qual é regulado por Lei Federal.

          • É possível ter fé em coisas não sobrenaturais. Por exemplo, no seu sistema imunológico, no caso de doenças.
            Nesse caso, você fica livre dos efeitos colaterais da fé no sobrenatural, o que é uma grande coisa. A ignorância nem sempre é uma bênção.

            • Não sei… é um assunto complexo. Porque fé pressupõe crer sem qualquer prova científica ou critério de verificação. Nós de fato sabemos que o sistema imunológico existe e como ele atua, então, não sei se seria propriamente fé…

              • Fé pode ser tido apenas como confiança em algo, não precisa ser uma coisa ilógica e inverossímil. Principalmente quando estamos falando de efeito placebo, que é uma reação fisiológica atribuída ao otimismo.
                É possível ser otimista sobre a atuação do seu sistema imunológico e, com isso, melhorar a eficácia do seu tratamento.
                Efeito placebo não está atrelado ao sobrenatural, religião ou misticismo. Está atrelado ao otimismo.

                    • Pouuurraaa

                      Então temos edições diferentes:

                      “Fé (do Latim fides, fidelidade e do Grego pistia) é a firme opinião de que algo é verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que depositamos nesta ideia ou fonte de transmissão.”

                    • É bem diferente mesmo. Amanhã eu posto o do meu, porque o computador está desligado. Mas só pra adiantar tem um monte de acepções.

                    • Qual seria a diferença entre fé e pensamento positivo ou otimismo se a gente retirar a parte de não existir comprovação científica?


                • n substantivo feminino
                  1 Rubrica: religião.
                  no catolicismo, a primeira das três virtudes teologais
                  2 sistema de crenças religiosas; religião
                  Ex.: fé cristã
                  3 confiança absoluta (em alguém ou em algo); crédito
                  Ex.: um homem digno de fé
                  4 asseveração, afirmação, comprovação de algum fato
                  Ex.: em fé do que dizia, apresentou uma documentação
                  5 compromisso assumido de ser fiel à palavra dada
                  Ex.: violou a fé que devia ao amigo
                  6 Rubrica: termo jurídico.
                  credibilidade que deve ser dada ao documento no qual se funda, resultando disso a própria veracidade do documento

                  Quanto à diferença entre fé e otimismo, é justamente essa. O otimismo não estupra a lógica. Fora isso, o mecanismo é bem parecido.

                  • Ok, mas não fica meio óbvio para você que nos estudos médicos realizados se trata da definição de fé que estupra a lógica? Porque ateus podem ser otimistas e entretanto se foderam quando hospitalizados…

                    • Bom, eu argumentava que um ateu pode conseguir os mesmos efeitos que um religioso, desde que se mantenha otimista. Isso pode ser conseguido caso a pessoa procure conhecer como funciona o seu sistema imunológico e o tratamento a que está sendo submetida.
                      Ademais, não sei bem qual a metodologia dos estudos que apontaram esses resultados.

                    • Pois é, infelizmente os estudos que eu li citavam apenas pessoas com fé religiosa. Creio eu que otimismo sempre ajude, mas parece que a coisa bomba mesmo quando a pessoa tem um quê de fanatismo.

                    • É um assunto que precisa ser sempre estudado. Quem sabe, daqui a algum tempo, não se descubra como funciona o mecanismo do placebo?
                      Mas também, não considero como uma grande vantagem a favor da fé religiosa. Pessoas que gastam o tempo de reza estudando, geralmente têm mais acesso a informações que beneficiem sua saúde. Portanto, acredito que esse efeito só vá ter utilidade quando a merda já está feita. Merda que, muitas vezes, poderia ser evitada caso a pessoa fosse mais bem informada.

                    • O que me mata é como explicar um estudo onde os pacientes foram divididos em dois grupos: religiosos oravam para o primeiro grupo e ninguém orava para o segundo. O primeiro grupo teve uma melhora muito superior. Detalhe que os pacientes não sabiam que havia gente orando para eles.

                      Orar seria uma forma de canalizar algum tipo de energia evocada pela fé?

                    • Acho extremamente difícil. Você tem um link desse estudo pra eu dar uma olhada? Gostaria de ver a metodologia empregada. Principalmente, quanto à separação dos grupos.
                      Vou ver se encontro um estudo que li certa vez sobre o mesmo assunto, mas que apontava justamente o contrário nos resultados.

                    • Eram estudos de universidades paulistas, inglesas e canadenses. As palavras “religiosidade” eram usadas mais do que fé.

                      Só lembro por acaso de uma referência de um estudo da USP porque o nome de umas das pesquisadoras era JOELMA. Era sobre religiosos se curarem de câncer em maior numero por causa da sua fé. Lembro que fiquei tão revoltada que na hora comentei com uma amiga “deve ter sido a JOELMA da banda Calypso a escrever esta merda”

                      Mas com certeza no Google você acha estudos nesse sentido, tem aos montes. Adoraria que não fosse verdade. Acho injusto que o sistema imunológico de gente ignorante funcione melhor do que o de gente esclarecida.

  • “A função mais nobre do ser humano é pensar.” As forças da Natureza, forças cósmicas, energia divina ou que outra denominação tenha, existem, ponto pacífico, porém há esse ser imperfeito que, ao tentar explicar, controlar, tomar posse, acaba merdalhando tudo, principalmente porque não tem a humildade de admitir que é apenas mais um nesse Universo coalhado de outros tantos seres, assim o é com a Umbanda e Candomblé, especificamente, porque à parte tentar explicar o que desconhece, nós Humanos ainda temos a baixeza de discriminar, demonizar(sic), usar para o mal o pouco que ainda conhece. Um exemplo? Os Exus, tão mal vistos, são entidades que fazem um trabalho digníssimo, abnegado, mas que também, de acordo com seu grau evolutivo, trabalham para fazer o mal se assim são requisitados e como o mal sempre é mais evidente que o bem, a Umbanda e o Candomblé são ainda mais discriminados por conta de uns poucos.
    Tudo depende do conhecimento, do pensar, esse atributo tão vilipendiado. A primeira vez que eu ouvi que sacrificam animais e usam bebidas alcoólicas nessas religiões, minha mente fechou e lá ia eu para discriminar também, mas busquei o conhecimento, o fundamento e hoje estou em vias de trabalhar na Umbanda, mas, ainda que conheça um pouco e tenha a boa vontade, ainda assim tenho raciocínio raso, porque prefiro trabalhar com o Pombo Gira do que com outra entidade e não é assim que funciona, nem mesmo posso estar certo de que saberei quem é meu santo de cabeça, porque cabe a ele dar-se a conhecer ou não, vai depender muito do meu merecimento e da utilidade.
    Sally, gosto desse seu espírito(ops!) aberto, que se interessa e busca o conhecimento, sem a tentação de impo-lo. Muito digno!

  • Cara eu nao sabia nada de Candomble. As coisas q eu ouvia era q Umbanda seria a mesma coisa ou ate dizerem q Umbanda seria pro bem e Candomble voltado pro mal.Muito maneiro o texto e a explicacao.

    • O mal está na cabeça das pessoas. O Candomblé pode ser usado para o mal, mas me diz, o que nesta vida não pode ser usado para o mal? Até onde eu sei, lugares sérios não fazem trabalhos para prejudicar ninguém. Nem é por moralismo propriamente dito (também), mas por questões práticas: se você fizer e a pessoa que receber tiver um escudo forte (e sempre tem alguém mais bem escorado que a gente) essa porra volta para quem fez. Quem quer correr esse risco?

      Além disso, o Candomblé não funciona com pedidos concretos: “Me dê um milhão de dólares”, “me faça ser capa da playboy”. São energias, que quando harmonizadas com você podem se alguma forma tornar sua vida mais fácil, dar um toque de sorte, fazer com que algumas coisas fluam melhor. Só. Quem promete riqueza, homem amado em três dias e essas coisas não é uma pessoa praticando Candomblé com responsabilidade, aliás, nem Candomblé deve ser! Infelizmente as pessoas querem imediatismo e são esses que trazem a pessoa amada em três dias que acabam procurando…

  • Posso estar enganada, mas parece que ficou claro que todo o ser humano é muito sugestionado a crer em alguma coisa. Se até você disse que só não se aprofundou mais pq foi criada em um lar ateu, imagina os seres humanos médios. Fiquei impressionada com a quantidade de gente que se declarou simpatizante, acredito que muitos são ateus tb. Conheci dois ateus que gostavam e respeitavam muito o assunto, inclusive manifestavam vontade de ir nos rituais.

    • Renata, não sei se a questão é a sugestão no CRER em alguma coisa, pois eu acho que mesmo sem crer você pode se beneficiar daquilo, como foi o caso do antropólogo francês que chegou a fazer o ritual para virar sacerdote de Candomblé e continuou ateu.

      Mesmo sem acreditar, há benefícios se você conseguir entrar na dinâmica daquelas pessoas, coisa que eu acredito não estar preparada para fazer por imaturidade mesmo.

      Também fiquei surpresa com o numero de pessoas aqui que se declararam simpatizantes. Mas o público daqui é bem diferente do brasileiro médio, é uma maioria de ateus que por natureza simpatizam com religiões que rompem com essa babaquice de inferno, culpa, pecado… Talvez seja isso.

      • Se a mulher do meu chefe não me amasse TANTO, eu ia trabalhar com umas guias no pescoço, só pra shocar a sociedade.
        Simpatizei com o candomblé, simpatizo com rituais pagãos também, mas prefiro evitar a fadiga.

        • Não se indisponha com evangélicos, eles ficam paunocuzando. Não vale a pena. Ainda mais quando existe uma situação de hierarquia no meio. Fica na sua, como diz o grande poeta Romário “Quem é ruim se destrói sozinho”. Espero e assista.

      • Mas será que esse atropólogo é realmente um ateu? Assim fica parecendo um “ateísmo mitigado”. Acho que ele encontrou um conforto muito grande nessa religião, vou procurar saber se ele chegou a receber algum santo, coisa que só acho possível acontecer com pessoas que acreditam nisso. Obs: Tô esperando vc responder meu e-mail com uma indicação de um terreiro e pai/ mãe de santo que jogue búzios aqui no RJ.

        • Até onde eu sei, ele é ateu sim. Isso implica em não acreditar em um Deus. Mas talvez ele acredite que existem energias no planeta, coisa que boa parte da ciência assina embaixo. Existem inclusive tratamentos médicos orientais que nada tem a ver com religião que se baseiam na manipulação e harmonização dessa energia. Talvez ele tenha percebido benefícios palpáveis nos rituais e na forma como a energia é manipulada e harmonizada com o praticante, descartando toda a parte do misticismo, das historinhas, dos nomes de Orixás. Sei lá, é só um chute.

          Eu experimentei algo muito forte em matéria de energia sem ter qualquer relação com religião. Aos 25 anos tive um tumor muito raro, que justamente por ser muito muito raro demorou um ano para ser diagnosticado. Naquele ano que estava com um tumor crescendo dentro de mim senti uma mudança de energia muito violenta e depois da cirurgia para removê-lo senti minha energia voltando a ser o que era antes. É algo muito estranho, muito ambíguo para explicar. Mas foi um fenômeno meramente médico, sem qualquer implicação religiosa, que me levou a crer que existe ALGO (aceito minha ignorância de coração aberto e prefiro não dar nome) em matéria de energia que pode interferir em nossas vidas.

          Pode deixar que vou te mandar uma bela indicação, o lugar que foi aqui no Rio foi o meu favorito dentre todos! Só é meio longe, mas geralmente sempre é meio longe…

          • “Existem inclusive tratamentos médicos orientais que nada tem a ver com religião que se baseiam na manipulação e harmonização dessa energia”.

            Já presenciei curas milagrosas por esses tratamentos…tanto que o Principe Charles faz campanha para incluir alguns desses tratamentos no sistema público de saúde do Reino Unido…

            • Esse tipo de coisa não me deixa dúvidas que energias que não compreendemos muito bem EXISTEM.

              Mas como manipulá-las, o que fazer com elas, quem pode evocá-las… não sei responder nada disso.

                • Também jurava. Até ter acesso a estudos científicos (por circunstâncias pessoais) que comprovam a eficácia da coisa.

                    • Mesmo João de Deus. Ouço tantos relatos de cura de amigos e conhecidos que planejo ir lá conferir o que rola por lá. E não pensem que João de Deus trabalha lá sossegadamente. Há muitos cientistas e médicos estrangeiros lá, céticos, que acompanham o trabalho dele de perto.

          • “… tratamentos médicos orientais que nada tem a ver com religião que se baseiam na manipulação e harmonização dessa energia.” <- Lê-se: Reiki e Tai chi… partem desse princípio básico: manipular os pontos de energia que nosso corpo tem em contato com a "energia" do universo, numa tentativa de manter em perfeita harmonia/homeostase nosso corpo, nossa mente, e o universo.

            Lendo mais sobre o assunto, é bem interessante a concepção que está por traz.

            • Eu acredito na existência de energias e na manipulação delas. Não estou muito certa sobre como funciona e o que se pode conseguir com isso, mas já existem provas científicas de que realmente se pode manipular energias, canalizá-las e afetar o corpo humano com isso.

            • Isso mesmo, Ge. Em decorência, essa manipulação e harmonização ajuda (diferentemente de tomar o lugar) no fortalecimento do sistema imunológico. No caso do Johrei, o ‘placebo’ é a pessoa entrar em Alfa enquanto recebe o passe, digamos assim, para dar início a esse fortalecimento. Mas não sou da igreja, teria que perguntar com mais detalhes e mais profundidade a quem é membro.

  • Sempre achei que umbanda e candomblé fossem a mesma coisa. Texto muito interessante. Eu acredito que cada religião traz, mesmo que de forma pequena, algum ponto positivo. Eu odeio evangélicos, mas ainda assim já vi algumas pessoas que eram tinhosas (propícias a cometer crimes, se envolver em brigas, etc) ficarem mais “calmas”, totalmente controladas após se inserirem no meio evangélico e, mudarem radicalmente sua postura. Sei lá, me parece que a religião funcionou como um freio para algumas pessoas. Acho que de certa forma essa função de freio é positiva para a sociedade, apesar de ter alienado por completo alguém. Porém, concordo que é um verdadeiro horror se analisadas de perto as babaquices que os pastores pregam, etc. Enfim, odeio eles, mas vejo esse ponto do freio como positivo.

    • Sim, tem esse lado do freio social sim. De certa forma também vejo como algo positivo mas sem dúvidas faz mais mal do que bem no cômputo geral… no final das contas, não creio que a pessoa mude, ela apenas aprende a ser hipócrita e fazer as mesmas merdas na encolha.

      • Eu acho a coisa mais horrorosa do mundo a pessoa dizer que precisou de uma religião pra se dizer que aquilo era errado. Bom senso, oi?

        • Pois é: “antes de me converter eu bebia, eu me prostituía, blá blá blá”

          Oi? Precisou que um terceiro de fora venha e te diga o que é legal e o que não é legal se fazer? Não tem cabeça? Não tem valores próprios?

    • Certamente preciso e quero. E também quero saber mais sobre Umbanda. Você bem que poderia escrever um texto como convidado aqui do blog explicando melhor a Umbanda para a gente!

      Vou ler os sites que você recomendou!

  • Estão vendo como quase todo ateu camba pra macumbaria? Tá explicado o teu ateísmo, é coisa que os espíritos demoníacos botam na tua cabeça. Assume logo que quer ser Mãe de Santo e vai bater cabeça no terreiro, não fica dizendo que prefere não afirmar nada. Assume logo que é macumbeira!

    • Em primeiro lugar, não use o termo “macumba”, é pejorativo.

      Em segundo lugar, não sou adepta do Candomblé, apenas os admiro e acho que eles merecem respeito.

      Em terceiro lugar, não é “bater cabeça”, é “deitar cabeça”, se não conhece a gíria, não a use.

      Em quarto lugar, para fins de reprovação social, a consequência de ser ou de defender é a mesma. Estar aqui defendendo Candomblé, independente de acreditar, me coloca na mira da mesma forma.

      Quando eu disse que prefiro não afirmar nada não se trata da minha convicção religiosa, que é e sempre vai ser o ateísmo (até por total incapacidade de ser diferente). O que eu prefiro não afirmar é “a explicação” para os fenômenos que eu vi.

      Se eu defendo respeito aos homossexuais as pessoas vem aqui me chamar de lésbica. Se eu defendo respeito pelo Candomblé me chamam de macumbeira… Porque será que não entra na cabeça de alguém que uma pessoa possa ter (e pedir) respeito e admiração para algo mesmo sem sê-lo?

      Quem pensa assim deve viver defendendo e elogiando apenas o que essa pessoa é e achando o resto um lixo. Que triste… Eu consigo admirar e respeitar o diferente, aquilo que eu discordo, desde que eu ache que tem méritos suficientes para merecer meu respeito e minha admiração.

      • Sally, sempre conheci a gíria por “bater cabeça” mesmo.
        Não sei se seria o termo correto, mas enfim.

        Aliás, qual a diferença da Umbanda pro Candomblé?
        Esse negócio de trabalho funciona mesmo? Nunca acreditei nisto.

        • Defina “funcionar”

          Se você for lá e pedir para ganhar na mega-sena, não vai funcionar. Se você está perguntando se é possível algum benefício ou ganho, viver melhor ou coisa do tipo, pode funcionar dependendo muito da forma como você vai interagir com a religião. Lógico que também depende do tipo de local que você procure, pois existe gente série e gente filha da puta em tudo quanto é canto.

          Na Umbanda as entidades que incorporam nas pessoas seriam, supostamente, pessoas que já viveram e morreram. É um espiritismo só que mais “pobre” e “menos branquinho”. O Candomblé não cultua os mortos, não é qualquer um que pode incorporar as energias que se convencionou chamar de Orixá e ao que me parece, demanda muito mais do adepto/sacerdote, pois não dá para chegar e sair recebendo, você tem que passar por um longo processo para isso.

          • Funcionar ao meu ver seria efetivamente o trabalho cumprir seu propósito. Meio redundante, eu sei.

            Na verdade eu estava pensando em trabalho no sentido de “coisas para o mal” do tipo: Fulana fez um trabalho pro fulano casar com ela e nunca mais se separar dela desde que ela renove o tal trabalho de 7 em 7 anos.

            Já ouvi falar em coisas que se faz no cemitério que abafam o anjo da guarda da pessoa, que fazem ela viver numa merda o resto da vida.

            • Porra nenhuma. Se esse era o seu conceito de funcionar, pode ter certeza que não funciona. Só pode fazer mal se a pessoa acreditar e de alguma forma ficar sugestionada. Não existe “trabalho” que impeça quem quer se separar de realmente se separar de uma pessoa! Ao menos EU não acredito nesse tipo de coisa. Já vi gente dizendo que faz, mas honestamente, pedidos concretos desse tipo não funcionam.

    • Nem era minha intenção “converter” ninguém, apenas acabar com o preconceito e com a discriminação. Mas se você acha que pode te beneficiar, estude, procure saber mais… quem sabe não te faz bem?

  • Bom, eu acredito que há de se manter uma separação. Uma religião pode ter uma trajetória histórica bonita, pode ter costumes e procedimentos que se encaixam nos seus valores e visão de mundo, pode NÃO ter dogmas e ideias que te irritam, MAS continua sendo uma religião. Algo criado pelo homem para que este crie sentido e afinidade com o universo à sua volta. As grandes religiões institucionalizadas andam tão desgastadas, e suas vertentes em evidência são tão estúpidas que uma religião antiga que se manteve mais ligada às suas origens pode ganhar facilmente uma áurea de respeitabilidade, reverência e…sentido! Mas isso é só um processo pessoal. Algo que vemos porque queremos. Mas no final das contas, se o esquema desperta tua mente (e isso é um processo MUITO real), vai fundo. Vale a pena.

    • Sem dúvida continua sendo uma religião. Justamente por isso eu olho de fora, como mera observadora, curiosa ou admiradora.

      Mas na parte da aura de respeitabilidade eu discordo de você. A respeitabilidade não vem apenas do histórico, histórico sofrido muitas religiões tem. Meu grande respeito vem do fato das pessoas que passaram por tudo isso nunca terem se vitimizado (ao contrário de outros como os judeus). Então, o respeito é mais pela postura e pela garra do que pelo ritual e pela religião em si. Eles sempre foram e são até hoje minoria excluída na sociedade (me refiro ao Candomblé) e nem por isso se vitimizam. Tiro o chapéu. É esse tipo de coisa que conquista meu respeito.

    • Não consigo conceber minha vida com religião, porque desde pequena fui criada para não acreditar, ouvindo que nada disso existe. Creio não ter a capacidade de ter fé, no sentido religioso. Gostaria muito de conseguir crer, porque acho que nos momentos de sufoco ajuda e conforta, mas realmente não consigo.

      Sobre meu Orixá, a resposta para a sua pergunta está no próprio texto. Quem souber ler nas entrelinhas descobrirá.

      • Acho que saquei, mas não vou falar pra não estragar a brincadeira (mentira, é pra não pagar de burra mesmo).

      • “Gostaria muito de conseguir crer, porque acho que nos momentos de sufoco ajuda e conforta, mas realmente não consigo.”

        Passei uns anos de crise de fé e ateismo…longos anos. Eu realmente invejava as pessoas que eu conhecia que conseguiam crer. Me perguntava porque eu não conseguia, porque eu tinha que racionalizar tudo, porque eu não podia somente acreditar? Nem passei por momentos de sufoco onde precisasse de conforto, mas a sensação de vazio de sentido…
        Ainda me considero de certa forma ateia porque todos somos ateus com os deuses dos outros. E porque eu ainda racionalizo tudo…

          • Mais ou menos, Sally.

            O movimento que eu estou envolvida agora não é necessariamente ligado a uma religião, mas tem muito a ver com o paganismo que eu ja sou tão bem acostumada e com o resgate do feminino.

            Eu passei a estudar Jung, as diversas manifestações dos arquétipos, a sincronicidade, passei a estudar através da teoria junguiana dos arquétipos as deusas que antes eram distantes ou apenas mitologia pra mim. Quando eu entendi a influência disso na minha psique e no meu comportamento, quando eu consegui as respostas que eu buscava esses anos todos (que me levou inclusive a cursar psicologia pra tentar me compreender), eu vi que havia um “algo mais” e que eu queria ir a fundo nisso.

            Então respondendo: não, não existe um ritual específico que me supra esse “vazio” de sentido que o ateismo em mim causa…

            Mas ao mesmo tempo, eu encontrei as respostas que eu buscava justamente estudando a fundo a manifestação dos arquétipos dos Deuses na minha psique.

            Então talvez isso me leve pra algum lugar num futuro próximo, eu não sei dizer.

            Sei que agora aquilo que antes era intangível é um pouco mais palpável pra mim, faz mais sentido, me dá mais combustível pra continuar estudando e buscando compreender…

            Se você puder, leia o livro do Dr Roger Woolger chamado “A deusa interior”. Eu posso resumir minha vida a antes e depois desse livro. (Em vários sentidos…minha vida como mulher, minha vida como pagã, minha vida como psicóloga).

        • Engraçado que eu às vezes me vejo neste conflito… em partes encontro algum conforto na arte, na literatura, na música; mas não em religião específica… E ainda assim parece que não é o suficiente… é complexo!

  • Sally ,vc pode fazer um post sobre as testemunhas de Jeová?
    Eles são tão alienados ,ignorantes e donos de uma verdade absurda.Acho incrivel como uma religião tão patética perpetue até os dias atuais.
    Qto ao camdomblé vc resumiu bem nessa frase, ”Uma religião que não tem pecado, que não tem inferno, que não tem o conceito do diabo”.
    De fato a grande maioria das religiões começa errado com o conceito do medo.Não se pode fazer tal coisa não pq é errado e sim pq desse modo a pessoa agrada ao demonio.
    Parabéns pela linguagem simples e facil que vc se expressa

    • Helena, se eles aceitarem gente de fora nos templos deles e aceitarem conversar comigo, faço sim. Vou procurar saber se eles são tão transparentes quando o pessoal do Candomblé

      • Eles aceitam sim, o problema é que vc terá que usar nome/ telefone e endereço falsos porque vc receberá visitas/ ligações todas as semanas para garantir sua conversão.

        • Boa dica. Se essas pessoas baterem na minha porta eu mato um…

          Me apresentarei como Sally Somir, residente à Av. Desfavor n° 171, RID

    • Com certeza eles ficarão ”honrados” com a sua visita e tentarão a todo custo te converter para Jeová.De modo que voce terá um amplo material para postar aqui. Mas,bote reparo ao comportamento deles para enriquecer a postagem.Por favor encontre endereço fixo e bote em pratica o palno de extermina-los

  • Apenas a título de curiosidade, quais as chances de dois pais de santo acertarem os mesmos orixás para alguém? Já ouviram de alguém que procurou duas fontes diferentes?

    • Eu já procurei três fontes diferentes e os três na primeira jogada de búzios disseram o mesmo Orixá. Inclusive eram de estados diferentes.

      Se a pessoa for competente e séria, fatalmente vai dizer o mesmo Orixá.

      Porém me disseram que eventualmente o Orixá da pessoa pode mudar em situações extremas como eventos graves envolvendo risco de vida e tal…

      Outra coisa: cada Orixá tem subtipos muitas vezes bastante diferentes entre si, são as chamadas “qualidades”. Então, não basta saber de qual Orixá você é filho como também a “qualidade” dele. E também tem o Orixá secundário, uma espécie de ascendente. Olha, se me deixar falar sobre Candomblé eu fico aqui até amanhã, é tão interessante…

      • É que uma coisa que eu gosto é de entender os eventos, como são praticados. Por exemplo: horóscopo. É uma coisa tão mal feita, direcionada pra quem é muito bobo mesmo. Como não tem uma centralização, eles não conseguem combinar as coisas direito. Então, fica totalmente tosco.
        Qual a explicação que você atribui ao fato dos pais de santo acertarem em cheio os orixás? Como eu não conheço o ritual, não posso nem fazer suposições a respeito.

        • Não sei. Não sei se essas pessoas conseguem perceber algum tipo de energia, não sei se tem algum tipo de telepatia (mesmo que inconsciente)… eu honestamente NÃO SEI.

          A explicação deles é que os Orixás falam através do búzios, são energias que existem no planeta e que eles, após muito treino aprenderam a de alguma forma “evocar” ou fazer uso ou sei lá qual é o termo.

          Prefiro deixar a explicação em aberto e me conformar com um belo “não sei” do que especular. É bacana poder conviver com “não sei”. Só gente insegura precisa de resposta para tudo.

          • Como funciona? Você chega lá e pede pra jogar os búzios, o cara (que sequer te conhece) joga e te fala na lata os seus orixás?
            Há algum outro tipo de procedimento?

            • Não sei se existe um procedimento padrão. Eu fui indicada por pessoas lá de dentro, mas acho que eles atendam sem indicação também.

              Comigo foi assim: dei apenas meu nome todo, a Mãe ou o Pai de Santo se concentraram, falaram algumas palavras em iorubá (não sei se era uma reza, uma música ou sei lá o que) e começaram a jogar. Saem falando um monte de coisas que você vai anotando.

              Em todos fui vestida da mesma forma: uma calça jeans e uma blusa branca.

              Não sei dizer o que aconteceu, só sei dizer que aconteceu.

              • Interessante.
                Estava tentando analisar se havia alguma chance de leitura fria ou delação por parte dos seus conhecidos.
                Uma pena que mais ninguém aqui pareça ter tido alguma experiência nesse sentido.
                Mas também, o fato de ser verdade ou mentira não era o tema da postagem, apenas perguntei por curiosidade. Continuo não acreditando, mas ainda não tenho embasamento pra afirmar que é truque.

                • Marok, até é possível que meus conhecidos tenham dito coisas sobre a minha personalidade que induzam a um mesmo “diagnóstico”, não sei, sinceramente. Talvez eu tenha um jeito de ser muito característico que nem ao menos se precise falar. Pode ser que algo transpareça pela linguagem corporal… vai saber

  • Uma religião que não tem pecado, que não tem inferno, que não tem o conceito do diabo.
    Vc resumiu bem os beneficios da religião.
    Sally, vc pode fazer um apanhado sobre testemunha de Jeová?
    Eles são tão alienados que gostaria de entender como uma ignorancia tão grande possa perpetuar ate os atuais dias.

    • Eles aceitam pessoas de fora, que não sejam da religião deles? Vou procurar saber, se eles aceitarem e eu puder fazer como fiz com o Candomblé e ir beber direto da fonte faço sim!

    • Não. Porque esses )(*&¨%$#@! não aceitam mulher, então não tenho como me infiltrar para descobrir nada!

      Não gosto de fazer texto baseado na opinião de terceiros, gosto de VER para escrever.

  • “RESPEITEM O CANDOMBLÉ E SEUS ADEPTOS”

    Peraí… Respeitar o SER HUMANO é uma postura válida, mas as fantasias que criam em suas cabeças? É muito possível enxergar os mitos e práticas das religiões como bobagens infantilóides e não perder o viés humanista do pensamento.

    Respeita-se a pessoa, mas não a babaquice que ela está fazendo. Como análise antropológica, o texto de hoje é BEM mais interessante do que eu previa, mas… respeitar misticismo? Obrigado, não.

    • Maçonaria – antes eram pessoas que podiam e queriam fazer a diferença mesmo que anonimamente em suas respectivas comunidades.

      Hoje não passa de um clubinho de escoteiros par adultos que além do seu dinheiro precisam de um ‘sentimento de importância’ que não atingem normalmente. (ponto)

        • Eu também seria um terceiro. Tenho parente lá.

          De qualquer forma, dão muita importância pra isso hoje em dia. Ignorem a maçonaria.

          Não tem nada demais. É só um clubinho do bolinha em que vc gasta mais do que tem de volta.

  • Sempre achei o Candombé interessante, na verdade, sempre achei as Religiões que não fosse monoteísta interessante. E tambem tou na mesma Vibe que vc Sally, se Evangelico gosta eu passo a detestar e vice-versa.
    Bom conhecer ainda mais sobre eles.

    Apesar de Morar em Salvador, nunca fui a um terreiro, na verdade, conheço poucas pessoas aqui (Ou quase nenhuma) que seja adepto do Candomblé ou da Umbanda.

    Lembro-me que o Bispo Pedir Mais Cedo escreveu um livro so bre o tema tambem chamado “Orixas, Caboclos e guias: Anjos ou Demônios”. Fiquei indignado quando vi aquilo, total desfavor.

    Seria uma boa Ideia se vc fizesse sobre o Satanismo.

    • Eu achei que em Salvador quase todo mundo tivesse um pé no Candomblé! O que aconteceu? Os evangélicos dominaram a cidade???

      • Não, não. Esse é um erro muito comum. Poucas pessoas são adeptas do Candomblé, talvez pelo processo de Preconceito e tudo mais. Mas o fator envangelico ta influenciando muito sim.

          • Bom, a maioria que eu sei até agora é o Catolicismo mesmo. Esse é preponderante aqui. Mas esta perdendo para os Evangélicos.

            • Putz… que merda! Da última vez que estive aí vi uns crentes vendendo acarajé, só que com um nome religioso e quando eu perguntei porque não chamavam de “acarajé” eles me explicaram que isso era nome do demônio.

              Muito triste. Fico imaginando a cara dos evangélicos passando pelo Dique do Tororó, com todas aquelas imagens… hahaha

              • Isso, isso… Chamam de Bolinho de Jesus. Bolinho de Jesus é o caralho. O nome é Acarajé. Não gosta do nome ? Não venda.

                Edir Macedo entrou com uma representação uma vez para tentar tirar as imagens do Dique do Tororó. Se eu não me engano, alegou ferimento ao Estado Laico, mais ou menos isso, não lembro agora.

                Pense aí numa aberração.

                • Isso! “Bolinhos de Jesus”, porque chamar de acarajé é coisa do demônio! Foi bem isso que me disseram!

                  Ora, uma estátua em uma lagoa, uma obra de arte, fere o estado laico? Então estão esperando o que para remover a porra do Cristo Redentor? Aguardo ansiosamente dinamitarem aquela estátua brega e gay!

                  • Não dinamitem não… Ainda tenho esperanças que ZZUISE GODZILA irá voltar BEM no Cristo Redentor, começando sua era de destruição pelo Brasil. Ia ser lindo!!! E ele podia se auto-implodir no final… [desculpa, parei]

                    • Fico para morrer quando vejo turista fazendo questão de pagar caro para ir no Cristo… ô coisa brega. Pão de Açúcar é tão mais bonito!

  • Tem um Exu, acho que se chama 7 espadas… que é o Leônidas de Esparta.
    Ando precisando pedir proteção pra ele contra meus inimigos. Quem melhor???

    This Is Exuuuuuuuu…

        • No Candomblé existe um Orixá chamado Exu, que por sinal é bastante troll. Exu gosta de uma confusão. Uma das histórias ligadas a ele conta que certa vez ele estava puto com dois camponeses que esqueceram de fazer-lhe uma oferenda e para sacaneá-los passou entre a casa dos dois vestido com um chapéu metade de cada cor: de um lado vermelho e do outro branco.

          Daí o vizinho que morava na direita viu o chapéu vermelho e o que morava na esquerda viu o chapéu como sendo branco. Um comentou com o outro “Você viu o chapéu vermelho de Exu?” e o outro retrucou que era branco. Começou uma discussão, uma brigalhada e os dois se atracaram até a morte.

          Exu é o mais astuto dos Orixás e gosta de provocar desentendimento e discussões. É o Orixá dos trolls. Certeza absoluta que você e o Somir são filhos de Exu. Se tratar Exu com respeito ele é bacana, mas se Exu se sentir sacaneado…

    • Babalorixá de sunga

      O Leônidas não foge da briga, mas deixa a turma morrer na porrada. Fora que esses exus espartanos perdem muito tempo na depilação do peito…

  • gostei. não é diretamente relacionado, mas eu sou um simpatizante de tudo quanto é magia branca, feita para o bem. ;)

    • Tanto o Candomblé como qualquer outra religião ou ritual pode ser usado para o bem ou para o mal, vai da cabeça de quem faz e principalmente da cabeça de quem vê, pois se você não acredita, nada disso pode te atingir.

      • “principalmente da cabeça de quem vê, pois se você não acredita, nada disso pode te atingir.” Resumiu maravilhosamente bem…

  • Eu acho bacana qualquer religião que se tenha trabalho de seguir. Isso mantém um público controlado, apenas de pessoas que realmente queiram participar e se dediquem a isso.
    Colocar uma bribra no sovaco e ser evangélico, ir mês sim mês não na missa e ser católico ou ler uns livrinhos da Zíbia e ser espírita é um desfavor.
    Jesus pregava na montanha, sentado no chão e os mimadinhos de hoje, que dizem se espelhar nele, querem igreja com boa localização, amplo estacionamento, ar-condicionado e boa sonorização. Gente que se mudar de endereço, tem que mudar de igreja, pra alguma que seja mais perto (desculpa, cunhado).

    • Qualquer religião eu não acho bacana não, tem umas que fazem muito mal para a pessoa, como por exemplo as que proíbem o uso de camisinha…

  • Sally… S2

    Namorei um filho de santo… Do pouco contato que tive com essa realidade, uma vez assisti aquele festejo do Dia de Iemanjá. Pense em uma pessoa que desabou em lágrimas!

    Senti uma energia muito forte!

    P.s. Sinto muito se pensarem que fui sugestionada para isso. Afinal, quem escolhe a minha calcinha sou eu. Aham!

    • É realmente uma energia muito diferente, uma coisa que eu nunca havia experimentado. A força daquelas pessoas, a força da religião, de ter sobrevivido até aqui, de continuar sendo execrados diariamente… ganhou meu amor.

  • Estou há meses querendo ir pro terreiro, mas meus contatos são muito fracos. Apareço em um como se nada, tenho que ser convidado…? E ainda, tem um pessoal nas ruas, aqui em SP, que diz jogar búzios, são de confiança (tomando por aí no Rio, se houver)? Assim, pra saber o orixá tenho que necessariamente ir pro terreiro? Muitas perguntas enfim.

    • Alexandre, esse pessoal de rua estilo “trago pessoa amada em três dias” não é de confiança. Desconfie sempre, tem muito safado. Geralmente esse povo de rua não é de Candomblé.

      Para saber seu Orixá você tem que recorrer a um bom Pai de Santo ou uma boa Mãe de Santo que provavelmente vai jogar búzios no terreiro sim (e provavelmente vai ficar bem longe). Se quiser me manda um e-mail que eu tento te indicar um nome de confiança!

      • Pode aparecer como se nada, desde que não seja em um dia onde seja praticado algum ritual fechado ao público. O ideal seria entrar em contato antes e saber quais são os dias em que se pode jogar búzios ali.

  • “Orixás não são e nunca foram seres humanos. Orixás são forças, são energias, que normalmente se materializam como fenômenos da natureza: ventos, águas, trovão, etc. É energia que existe no mundo e pode ser canalizada para um ser humano através de determinado ritual.”

    Sei não, Sally. A idéia dos orixás me lembrou os deuses gregos (romanos ) sei lá, na admiração da força, energia… Pelo pouco que li nas religiões monoteístas derivadas do judaísmo, existe um Deus criador onipotente, onipresente e onisciente, portanto acima dessas forças. Para estes é como se a galera (umbanda, condomblé, os gregos, etc) tivessem estacado admirando o vento e não elevando o a vista um pouco mais para cima. Como o ser humano tem tendência a fazer merda, a história só nos mostra a ralé que ignora tais conceitos tentando convencer uns aos outros dos seus argumentos na força. Simples, assim. “Seres humanos, seres humanos, la la la la”

    Também li que os ritos africanos que foram trazidos para as Américas não foram os mais elevados, até por que quando você tá na merda quer mais é ferrar com os outros. Acho que por isso os ritos são tão estranhos. A idéia por trás é a seguinte, se os africanos fossem deixados seguindo seus ritos logo eles chegariam à idéia do Deus único, algo assim. Esta é a minha opinião a partir das minhas leituras, ok.

    Esse assunto dá o que falar e nem comentei a função da música.

    Abraços

    • Tão estranhos comparados a QUEM?

      Porque para VOCÊ é estranho, não quer dizer que de fato SEJA estranho

      E sim, Orixás são energias, não pessoas

        • Mas é evidente que uma religião que veio de outro continente vai causar estranhamento em quem nunca teve contato direto com ela… isso não quer dizer que ela seja estranha.

          • Caramba Sally, deixa ela achar a parada estranha…de mais a mais, é estranha mesmo, no sentido de desconhecido até.

            • Achar estranho é uma coisa, achar estranho dizendo que como os escravos que vieram ao Brasil “estavam na merda” eles “queriam mais era ferrar os outros” menosprezando o Candomblé é outra bem diferente. Classificar a religião que causa estranhamento como “não sendo dos mais elevados” também.

              Eu não consigo ler uma coisa dessas e deixar pra lá não. Ainda bem. Espero que nunca consiga.

  • Bah velho, se não tivesse aquela parte de beber o sangue do animal (que deve ser ruim pra caralho!) e a merda da minha cidade interiorana, construída sobre os pilares consuetudinários da religião católica e protestante, tivesse um terreiro, até me puxaria em participar de alguns cultos para adquirir alguma experiência na área.

    Achei legal ter aprendido a diferença de Umbanda para o Candomblé, agora sei que a galinha e a cachaça que eu e meus amigos pegavamos no caminha do rio em em que pescavamos era de um “Umbandanes?!”, saudades disso, passavamos o dia inteiro tomando aquele velho barreiro gold (SIM GOLD ele deveria ganhar alguma nota fazendo aqueles despachos) e para o lanche assavamos aquela galinha, isso tudo até o velho nos pegar no ato, recitar algumas palavras do além e depois disso parar de colocar a galinha e a cachaça naquele lugar.

    Ademais, acho uma idiotice aquelas pessoas entrando em transe, para mim é balela para atrair espectadores curiosos para o culto. Se nem a bíblia que tem milhares de anos e é escrita, continua com 100% de sua essência preservada, o que esperar de cultos que foram passados verbalmente por gerações, no mínimo é de se dúvidar da sua autenticidade. Mas, haja vista minha ignorância sobre o assunto, por não ter participado antes de um terreiro, vou apenas dizer que achei uma religião “menos pior” do que as demais.

    • Não tem “necessariamente” que beber sangue, tudo vai depender da função para qual você seja designado. Mas, pelo que eu já vi de você aqui, não creio que você suportasse a demanda por trabalho que gera: chegar no terreiro sexta à tarde e trabalhar feito um doido até segunda à noite não é para qualquer um. Trabalho mesmo: lavar, faxinar, cozinhar, etc.

      Transe existe. Transe hipnótico, transe induzido… diversos tipos de transe. Porque este não poderia ser verdadeiro? Porque o toque do tambor não pode induzir um transe já que um pêndulo pode?

        • Fanfa, a comida só é servida APÓS todo o ritual que envolve o transe e quem está lá de espectador também come. Eu comi e não entrei em transe.

          Para entrar em transe bastam determinados estímulos ou sugestão. Ou você vai dizer que hipnose só pode ser feita dopando o paciente?

          • Claro que a hipnose é possivel, todavia para isso tu vais ter que silenciar o teu sistema límbico e estimular o neocórtex, o que francamente é muito díficil de realizar dançando, haja vista que para isso deve-se haver um alto nível de concentração cerebral e dançando você vai estar se concentrando em outra coisa, que não na auto-hipnose, para receber os “Orixás” Óóóoohh….

            É ciência…

              • Você me indagou o porque o tambor não pode causar o efeito hipnotico na pessoa já que o pendulo pode. Logo, penso que se há tambor também há dança, pois até onde sei, os pais ou mães de santo dançam para invocar os Orixás…

                De qualquer maneira acredite no que quiser, desde que isso te faça bem…

                • A dança é feita pelo Orixá incorporado. Cada Orixá desempenha uma coreografia diferente DEPOIS que está incorporado na pessoa.

                  Não precisa essa atitude superior de “acredite no que quiser”. Não estamos discutindo fé aqui e sim plausibilidade. Até onde sei (e espero), você não é médico, ao menos sua postura, seus argumentos e seu português indicam isso. Se bem que hoje em dia qualquer um tem diploma…

                  Com que autoridade você diz que uma pessoa não pode entrar em transe ao som de um instrumento musical? Qual é a sua qualificação para afirmar isso de forma categórica?

                  Em tempo, nasci e morrerei no ateísmo. Como disse, não discuto fé, apenas plausibilidade.

                  • É eu também queria saber essa resposta à pergunta da Sally! Pois só pra citar um suave exemplo [meio descabido?] grandes pianistas ou mesmo maestros experientes… não entram em transe com a música? Quem disse que dadas as propriedades do som, ele não pode causar certo efeito de transe? Enfim…

                    • Quando escrevi o Desfavor Explica sobre hipnose li pelo menos uns quatro ou cinco estudos sérios (sérios mesmo, tipo New England Journal of Medicine) sobre pessoas que entravam em transe com DANÇAS. Outras ao som de música. Outras até mesmo tocando instrumentos.

                      Meu cu que não pode entrar em transe dançando, cantando, tocando ou fazendo qualquer coisa que induza um certo tipo de repetição e relaxamento. Tem toneladas de estudos científicos afirmando isso. A mente humana é complexa demais para alguém se dar ao luxo de simplificar em uma listinha quais são as situações que alguém pode entrar em transe.

  • Sally, ótimo texto, assim como o do Budismo. Muito me interessou o jogo de búzios para saber meus Orixás. Você sabe me indicar um nome ou um lugar em São Paulo, Capital?

  • Babalorixá de sunga

    Sally, ao que me consta, o Pierre Verger se converteu e foi iniciado, o que levou a turma da Antropologia a ficar meio dividida quanto ao trabalho dele.

    http://pierreverger.org/fpv/index.php?option=com_content&task=view&id=14&Itemid=41&limit=1&limitstart=2&Itemid=155

    Além das obras do Verger, tem material bom sobre as crenças religiosas dos Nagô: “O Duplo e a Metamorfose” (Monique Augras); “Os Nagô e a morte” (Juana Elbein dos Santos).

    Porém, essa visão mais bonitinha de que é apenas culto aos Orixás passa ao largo de um lado mais “macumbeiro” da coisa, porque a moralidade dessas divindades é mais parecida com a humana (ou com a dos deuses gregos), então o pessoal bota esses trabalhos mais nefastos na conta da Umbanda, da Quimbanda, idealizando o Candomblé. Não me parece que seja tudo tão separado em soldadinho e branco, há muitos tons de cinza (com trocadilhos).

    • Sim, fez todo o ritual. Mas até onde eu sei nunca deixou de ser ateu. Não há incompatibilidade nisso.

      Você acha que o peso cai na Umbanda? Ao menos aqui no Rio, tudo de ruim é associado ao Candomblé, pois é no Candomblé que ocorre sacrifício de animais, algo muito temido.

      Qual seria a outra visão sem ser a suposta “visão bonitinha”? O que mais seria o Cabdomblé?

      • Babalorixá de sunga

        O sacrifício de animais ocorre também na Umbanda e na Quimbanda. O filme queimado da Umbanda vem mais do trabalho com entidades menos evoluídas que os Orixás, tipo os caboclos, pretos-velhos, exus. Existe uma polêmica quanto à divisão entre magia e religião, o quanto você tenta subornar o sobrenatural em lugar de se subordinar a ele (religião normalmente é submissão, magia normalmente é manipulação do sobrenatural para fins particulares, mas essa separação é meio artificial e nem todo mundo aceita, pois há aspectos religiosos nas entrelinhas da magia e vice-versa). O lado menos bonitinho é que os Orixás são donos da sua cabeça). Você ser iniciado significa abrir mão de sua individualidade e virar servo dos deuses. Tanto na Umbanda quanto no Candomblé você tem que alimentar santos, cumprir prescrições rituais (evitar a quizila, como você falou), sustentar a estrutura do terreiro (que é cara), por isso os chamados “trabalhos” custam caro e os pais de santo enriquecem. Se você trabalhar no terreiro de outro pai-de-santo, tem que pagar comissão. É a mesma vibe de outras igrejas, tem os que usam o dinheiro para manter a estrutura e os que usam para se locupletar, cobrando os olhos da cara. Além disso, se você estiver concorrendo com um cara por um emprego e fizer um trabalho para que seja seu, por tabela você está fechando o caminho do outro.Onde fica o mérito nessa jogada? Então esse papo de dizer que o trabalho é para o “bem” ou para o “mal” é meio relativa. Fazer a macumba da coruja para matar o José Sarney é fazer o bem ou o mal? A rigor, seria Quimbanda, mas sabe-se lá se na contabilidade geral a morte do Sarney seria uma coisa ruim ou boa, não é?

        Isso, é claro, partindo da premissa deles, de que isso é eficaz. Já dizia Neném Prancha: se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminaria sempre empatado.

        • Olha, todos os terreiros e pessoas de Umbanda que fui negaram veementemente que façam sacrifício de animais e ainda criticaram quem o faz.

          “Além disso, se você estiver concorrendo com um cara por um emprego e fizer um trabalho para que seja seu, por tabela você está fechando o caminho do outro.Onde fica o mérito nessa jogada? “A maldade existe apenas na cabeça das pessoas. Para fazer o mal não precisa sacrificar animais. Quem quer passar a perna em alguém o faz independente de religião. E eu honestamente não acredito que seja possível conseguir uma vaga de emprego com um “trabalho”. Pelo que me explicaram não é algo imediatista e concreto dessa forma. Se funcionasse assim, todo mundo faria trabalho para ganhar na mega-sena. Ao menos no Candomblé não é assim que a banda toca.

          • Oi Sally , fui criada na religião católica, hoje não tenho religião, mas acredito em Deus, em anjos, em santos.
            Mas nada contra ateismo, catolicos , só não consigo conversar com pessoas fanáticas.
            Qto ao candomble, desconhecia , mas gostei de ler seu texto !
            Ja fui em terreiro de Umbanda, e qdo começou a tocar o atabaque, menina viajei no atabaque e foi que o sei la o nome do guia, mandou tocar o canto de yemanja ..ihhhh fiquei maluquinha, não lembro de nada, mas foi o que minha amiga me contou..
            Como sou medrosa, fui uma vez p nunca mais passar nem perto!
            Mas o que lembro foi que a dona disse assim: Nunca peçam o mau pq aqui só trabalhamos p o bem, o marido de minha amiga estava doente e deram o endereço do centro e ele quis ir nesse centro.
            Ja faz uns 20 anos, hoje ele está ótimo, e frequenta o kardecismo.
            Sei la, sou meio cismada espiritismo!
            Eu explico, vejo o kardecismo como a católica e evangelica, a diferença é que na espirita tem uma pessoa que vc não sabe se ela é do bem ou do mal…
            Sally, falei…falei.. (escrevi) não sei se vc vai entender, mas se disse algo que não te agradou ja peço desculpas.
            Gosto de ler e comentar, pq posso expor opinião, dúvidas, e até pedir um help;;
            Abs

            • Aqui é território livre, você pode falar o que quiser. Ainda mais você, que sempre foi muito educada e gentil.

              Acredito que cada um deve seguir aquilo que lhe faça bem, que lhe traga paz. Respeito muito a religiosidade dos outros, mas não consigo respeitar esses safados que arrancam dinheiro dos outros usando Deus, tipo pastor evangélico cobrando dízimo.

              Mas me conta direito essa história, você recebeu uma entidade, foi isso? Incorporou? Você não deve se lembrar, mas o que foi que as pessoas te contaram?

        • “Além disso, se você estiver concorrendo com um cara por um emprego e fizer um trabalho para que seja seu, por tabela você está fechando o caminho do outro.Onde fica o mérito nessa jogada?”

          acredito que sempre ou quase sempre tenham formas de sair pela tangente, obtendo os resultados sem influenciar outras pessoas.

          • No Candomblé não é possível pedir coisas nesse grau de concretude e imediatismo. Se fosse assim todo mundo pediria para ganhar na mega-sena.

              • A meu ver, o benefício do Candomblé não é o “atendimento de pedidos” que as pessoas fazem nos trabalhos. Inclusive tem gente que é adepta e nunca fez um pedido por trabalho na vida.

        • Pena que eu comentar o post hoje, tantos dias após sua publicação. De qualquer forma, acho válido falar sobre o que SEI, VIVI e CONHEÇO, em oposição aos comentários de alguém que obviamente só LEU algo a respeito (e de fontes equivocadas).

          “O sacrifício de animais ocorre também na Umbanda e na Quimbanda.”
          Nada sei sobre a QUIMBANDA para concordar ou contradizer, mas NA UMBANDA VERDADEIRA (comumente chamada de UMBANDA BRANCA) JAMAIS SE PRATICA QUALQUER TIPO DE SACRIFÍCIO DE ANIMAIS. Até as galinhas utilizadas como oferendas são compradas já abatidas, cabendo a quem vai preparar a oferenda ou o “trabalho” apenas seu cozimento.

          “O filme queimado da Umbanda vem mais do trabalho com entidades menos evoluídas que os Orixás, tipo os caboclos, pretos-velhos, exus.”
          Como a Sally bem destacou no texto, isso é preconceito, fruto da ignorância (desconhecimento) e medo das pessoas em relação àquilo que não conhecem. Essas entidades podem até ser consideradas “menos evoluídas”, mas justamente o que fazem quando se manifestam “na Terra” é aconselhar/ajudar a assistência (crédulos) para, em contrapartida, evoluir espiritualmente.

          “Tanto na Umbanda quanto no Candomblé você tem que alimentar santos, cumprir prescrições rituais (evitar a quizila, como você falou), sustentar a estrutura do terreiro (que é cara), por isso os chamados “trabalhos” custam caro e os pais de santo enriquecem.”
          NA UMBANDA NÃO SE COBRA POR QUALQUER TRABALHO. Quando há um “trabalho” a ser feito ou uma “oferenda” devida a uma entidade, recai sobre o solicitante (quem precisa do trabalho e deve fazer a oferenda) o encargo de comprar o material necessário por conta própria nas “casas de santo” especializadas. Não se dá dinheiro aos sacerdotes ou “dono do terreiro” para providenciar o material necessário ou para qualquer outro fim. Inclusive, é comum quando o solicitante não tem condições de arcar com esses custos que os médiuns façam doações/contribuições e o ajudem a cumprir o “prometido”. Como se não bastasse, os médiuns ainda costumam acompanhar o solicitante na feitura e na entrega desses trabalhos/oferendas, sem nada receber por isso. Isto porque A MISSÃO MAIOR DA UMBANDA É PRATICAR A CARIDADE. Nos verdadeiros terreiros e grupos de estudo da religião, é comum escutar a frase: “Não cobres por aquilo que recebestes de graça”.

          “Se você trabalhar no terreiro de outro pai-de-santo, tem que pagar comissão. É a mesma vibe de outras igrejas, tem os que usam o dinheiro para manter a estrutura e os que usam para se locupletar, cobrando os olhos da cara.”
          Que fique de alerta a todos: SE VOCÊ FOR NUM TERREIRO INTITULADO “DE UMBANDA” E QUALQUER COISA LHE FOR COBRADA, VÁ EMBORA IMEDIATAMENTE. O local pode se dizer umbandista, mas não segue os preceitos da religião.

          “Além disso, se você estiver concorrendo com um cara por um emprego e fizer um trabalho para que seja seu, por tabela você está fechando o caminho do outro.Onde fica o mérito nessa jogada? Então esse papo de dizer que o trabalho é para o “bem” ou para o “mal” é meio relativa.”
          Os trabalhos não tem o condão de “entregar de mão beijada” o que você deseja, apenas te favorecem naquilo que não interferir no livre-arbítrio de outrem. Por exemplo: a probabilidade do entrevistador simplesmente “não ir com a sua cara” (ou “o santo não bater”) diminui, você pode causar uma primeira impressão melhor do que normalmente aconteceria etc. Também é comum que as próprias entidades te digam que eles podem ajudar, mas o esforço maior para alcançar o que e deseja cabe à nós (como estudar, ter uma conduta honesta, profissional etc). QUANTAS IGREJAS POR AI DIZEM O MESMO AOS SEUS FIÉIS? Que cabe a eles se esforçarem para conseguir alcançar o sucesso, ao invés de pedir que DEUS ou O SANTO TAL lhes deem as coisas sem qualquer esforço pessoal?

          Haveria muito mais a ser dito, mas acho conveniente parar por aqui. Fica o alerta a quem está lendo ou ainda lerá os comentários: muito se “escuta dizer” ou se “lê” nas mais diversas fontes; mas quando o assunto é RELIGIÃO MARGINALIZADA, a melhor fonte é a vivência, é conhecer um terreiro e conversar com os médiuns ou pai/mãe de santo. Eles próprios podem indicar leituras confiáveis sobre o assunto.

    • “então o pessoal bota esses trabalhos mais nefastos na conta da Umbanda, da Quimbanda, idealizando o Candomblé.”

      Isso eu tb acho (em dois atos)… Ato um: Não vejo nenhum problema em matar bicho como os judeus ou como a Sally viu – com o corte no pescoço – se o objetivo for comer, usar a pele, etc… Mas tive contato com um grupo do RS que se dizia “candomblé” e queria fazer rituais que envolviam “tortura” (desculpa, não tem outro nome) animal. Não sei se não eram mesmo da religião, se estavam fazendo tudo errado, se é ignorância, enfim… Achei este grupo especificamente BEEEEM ignorante e desnecessário.

      Ato dois: conheci algumas pessoas que se deram mal (bem mal, a ponto de perder todo o FGTS de uma vida) seguindo instruções de “divindades”.

      De novo: a ignorância é uma merda e confiar cegamente em outro ser humano também.

      Por mais bem intencionada que seja uma instituição qualquer, tem pessoas idiotas dentro. De qualquer forma, foi bom conhecer o que seria a linha “certa” da religião. Bem interessante…

      • Tem estelionatário em todas as religiões, em todas as profissões, em todos os lugares. Fé cega é sempre ruim. Fanatismo é sempre ruim, pois tira o senso crítico e te deixa exposto a qualquer pessoa mal intencionada ou apenas despreparada. Tem que ter sendo crítico sempre…

        O que esse grupo de Candomblé fazia com os animais para ser classificado como tortura?

        • Não sei se eles eram de fato ou não… Mas eles eram adeptos a pauladas na cabeça, corte de orelhas/ partes do corpo com o bicho vivo, sem anestesia e só para “oferecimento” mesmo. Esse tipo de coisa…

  • PS: você podia indicar sites confiáveis e acessíveis para não iniciados também!!
    E como fazer caso queira conhecer a religião…por qual termo procurar…é terreiro também?
    E o que observar pra saber se é furada ou se é confiável…quais festas são abertas, etc.

    • Pamina, não tem site confiável. É algo que se passa boca a boca por séculos, mal tem livro confiável. Quem quer saber tem que ir beber na fonte e conversar com uma Mãe de Santo ou um Pai de santo que sejam confiáveis.

    • Não procure!

      Todos podemos ser felizes sem religião. Religião é apenas o grito de medo da criança, o desejo infantil de viver pra sempre ou de ser especial.

      De todas, o candomblé é a que conheço com mais profundidade. É um culto em declínio. Nós merecemos mais que isso.

  • Fantástico texto, Sally. Eu realmente fiquei emocionada lendo.

    Eu sou pagã há 13 anos e nossos rituais tem como fim se harmonizar com a energia da natureza e das deidades que estão se manifestando na terra naquele momento, por isso fazemos rituais quando a lua é cheia, nos solsticios e equinócios (que ao contrário do que pensam, é o meio das estações e não a entrada) e tem também os festivais agrícolas, épocas de colher e semear. É uma religião muito antiga, pelo que sempre estudei, a mais antiga do mundo, já que a Grande Mãe foi a primeira deidade a ser cultuada desde a época das cavernas…

    (e só pra você respeitar: os evangélicos nos odeiam. E tem o plus do diabo cristão ter sua origem num dos nossos principais deuses: o deus cornífero. Um deus selvagem que possui chifres. Mas não, não acreditamos em diabo! )

    Um dia eu conheci uma moça do candomblé e ela me falou dos orixás. Meus olhos brilharam…tudo ligado à natureza me fascina muito, e a possibilidade de ter um contato MAIS próximo ainda…

    Assim que tiver uma oportunidade vou procurar uma mãe de santo pra saber quais são meus orixás!…

    Sério, eu simplesmente amei te ver engajada com algo positivo. Normalmente seus escritos são apenas pra “bater” nas coisas e ver o lado negativo. Espero que continue sim escrevendo sobre o candomblé para noobs como nós!!

    • Sua religião é Wicca?

      Não seja injusta, meus escritos não se resumem a bater. Tudo depende da coluna. O Desfavor Explica tem a função de EXPLICAR

      E bater pode ser “algo positivo”, se você não vê assim, não vejo porque continua lendo o Desfavor…

      • Não fique brava comigo, é que eu simplesmente adoro ler esse tipo de texto seu! (como com o budismo também!). É uma outra energia que você passa, eu não sei explicar direito…Com os outros textos eu dou risada, aprendo, mas não me comove.

        Leio porque simpatizo contigo, porque aprendo um bocado. Não quer dizer que eu concorde com tudo que leio e nem acho que essa seria a proposta, certo?

        E sim, bater pode ser positivo, quando você luta contra o sistema, e não quando o reforça. Sei bem como é isso!

        Eu comecei pela wicca, como a maioria das pessoas que se descobrem pagãs, mas hoje apenas me considero neopagã. Honro a Terra, meus ancestrais, os ciclos da natureza e os meus próprios ciclos. Honro aos Deuses e tento me conectar com eles. Hoje em dia é mais um caminho de auto conhecimento, de religação mesmo.

        • Não fico brava. Só não concordo que bater seja ruim ou negativo. Muito pelo contrário… elogiar ou falar bem todo mundo fala, hoje em dia o que está difícil é alguém que tenha coragem de bater.

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