Ele disse, ela disse: Opção de compra.

eded-prostituicaoescolha

O tema prostituição divide as opiniões de Sally e Somir não é de hoje, principalmente no que tange a legalidade da atividade. Talvez como uma extensão da discussão, desta vez discute-se o quanto de escolha tem as mulheres que acabam nessa vida de vender o corpo. Os impopulares param nesta esquina escura e dizem o quanto cada lado vai valer.

Tema de hoje: Há um ponto onde prostituição se torna a única saída para a mulher?

SOMIR

Sim. E eu não quero fazer isso de forma injusta: Não se considera aqui casos de mulheres que tem de fazê-lo obrigadas DIRETAMENTE por coerção alheia. Afinal, sequer haveria uma discussão se fosse o caso. Estamos falando aqui de casos onde a mulher fica sem nenhuma outra alternativa viável para conseguir seu sustento (ou da família) a não ser a prostituição.

Sally quer convencê-los que SEMPRE haverá uma alternativa viável. Vejam bem: Eu acho louvável que ela acredite nisso, denota grande fé na humanidade. Infelizmente, eu estou aqui para argumentar que a vida real não é um quadro que se pinta com cores tão alegres… Honestamente eu até preferiria que ela estivesse certa, mas faz parte de uma dieta intelectual saudável entender que nem sempre o que achamos melhor é o mais realista. Para lidar com um problema, é necessário entendê-lo.

Gostaria de começar esta argumentação com uma pergunta: Por que você não é rico(a)? Sério… pense um pouco.

Considerando quanta gente lê estes textos diariamente, posso até acreditar que alguns de vocês nem considerem a questão por já estarem ricos. Mas na média, eu aposto que a maioria aqui pelo menos tentou responder a pergunta… Existem muitos motivos possíveis para você não estar rico. Alguns deles até te fazer sentir uma pessoa melhor, não? “Não estou rico porque sou muito legal… muito honesto(a)… não ligo para bens materiais… não nasci em berço de ouro…”. Sei do meu histórico de sarcasmo nesse tipo de argumentação, mas nesse caso não estou fazendo julgamentos prévios sobre a sua resposta. Cada um tem a sua. Oras, tem gente que nem acha que vale a pena formular uma resposta. Direito de cada um.

Sei que isso está parecendo completamente fora do tema, mas continuem comigo aqui: Se alguém viesse te dizer que você não é rico(a) SÓ porque é vagabundo(a) e não fez escolhas melhores… Você acharia uma boa explicação sobre a sua vida? Você concordaria com isso? Não parece uma bobagem dizer que “ser rico(a)” estava na mesma lista que “ficar no vermelho na conta bancária todo final de mês” e que você escolheu a segunda? Como se fosse fácil assim.

Pouca gente fica rica. Algumas nascem assim, mas pelo menos algum dos antepassados dessas pessoas teve que se destacar bastante do bando para conseguir o status. Tem quem fique rico com uma grande ideia, tem quem fique rico com muita sorte, tem quem fique rico com uma dose absurda de trabalho duro, tem quem fique rico explorando outros seres humanos… Não são acontecimentos comuns: São pessoas ou situações extraordinárias. Simplesmente não acontece para todo mundo, e não é SÓ falta de vontade. E aqui eu imagino que a maioria de vocês deva concordar.

Até porque o impopular médio vive nos arredores da Classe Média. Vários de vocês são estudados, passando longe da linha da miséria. Entre conta atrasada e falta do que comer tem chão… muito chão. Se eu não falasse do exemplo de ser rico, talvez a maioria de vocês não conseguisse o grau de empatia necessário para minha próxima afirmação.

É cruel e ignorante exigir que TODA pessoa pobre (não pobre pacote básico de TV a Cabo, e sim pobre papelão ao invés de parede) tenha em si o que necessário para fazer escolhas que as “subam” na pirâmide social. Você que estudou e nunca passou fome provavelmente não fez ou não fará a escalada até o mundo dos milionários. Não necessariamente porque você é folgado ou “nasceu podre”, mas porque a sua vida não permite esse passo a mais… ou mesmo porque você não tem interesse em pagar todo o preço dessa mudança; seja em suor, seja em escrotice.

História de luta contra tudo e contra todos para escapar de uma vida de merda não vira livro ou filme à toa: Pouca gente tem sequer a CHANCE de fazer isso, quanto mais o impulso. Nada além de elogios para quem encarou a briga e venceu, mas eles não são a maioria. E é pura maldade exigir que todos sejam assim. Para cada história de vencedor, mil de perdedores. É uma loteria, um que costuma premiar quase que exclusivamente as pessoas corajosas e esforçadas, mas ainda sim depende de muito mais do que vontade. Esqueça essa merda de “você pode tudo” de filme da Xuxa e palestra de auto-ajuda, você não pode tudo o que quiser. E isso não pode ser culpa só sua.

Essa história de dizer que toda a mulher que entra para a prostituição (tirando os casos que defini no começo) porque quer – insinuando que são todas vagabundas querendo vida fácil – é a mesma coisa que Datenas da vida dizendo que todo criminoso nasceu ruim e só está no crime porque quer. Se fosse SÓ escolha pessoal, esses modos de vida não seriam seguidos prioritariamente por gente pobre que nasce pobre.

Escolha? Uma mulher que vende sexo está numa das profissões mais escrotas desse mundo. Sério que ir para um quarto escuro com um homem que não identificado para fazer sexo parece algum tipo de “caminho fácil” para vocês? Muito fácil achar que prostituição é só essa coisa de modelo/manequim/atriz/acompanhante que ganha milhares de reais para dar para executivos ricos em hotéis de cinco estrelas.

Só que na vida real o grosso da prostituição está em ruas escuras, beiras de estrada, bares e clubes de quinta categoria que atraem homens que nem de longe lembram um príncipe encantado. As CRIANÇAS que se prostituem para pagar comida e (infelizmente) drogas estão fazendo escolhas maduras e racionais sobre seu modo de vida? Ah, vá ser cara de pau assim lá na esquina!

E outra: Podem jogar pedras, mas mulheres trabalham principalmente com telefones, teclados ou balcões. A oferta de profissões BRAÇAIS para mulheres é bem menor. E por uma lógica de mercado, são essas as profissões mais fáceis de se entrar (não exatamente de sair, mas…). Uma mulher que chega no ponto de considerar prostituição não está exatamente nadando em escolhas. Todo mundo tem que dar seu jeito de viver.

Imaginar uma escolha é diferente de TER uma escolha. A mulher, seja qual for, pode e deve almejar coisas maiores do que fazer sexo em troca de dinheiro, isso eu não disputo. Agora, isso não significa que ela seja obrigada a ter algo tão excepcional em si (talento, dedicação ou sorte) que torne prostituição uma mera escolha. O mundo é injusto. Muita gente boa acaba encurralada pela vida, subir num pedestal para criticá-las é covardia. Pura e simples covardia.

E se vocês acharem que eu estou errado, eu escrevo um texto explicando porque vocês são um lixo por não serem ricos mesmo tendo nascido na classe média. Assino como Eike Batista. Claro, seria injusto porque ele recebeu tudo o que tem de bandeja, mas e daí? O que vem de baixo…

Para dizer que foi o argumento emocional mais bem disfarçado que você já leu, para explicar porque você não está rico(a), ou mesmo para dizer como as prostitutas de beira de estrada que estão se dando bem nessa vida: somir@desfavor.com

SALLY

Existe um ponto onde a prostituição pode ser a única saída para uma mulher? Desculpa aí, mas eu acho que não. Muita gente que faz adora tentar convencer que não tinha opção, mas infelizmente eu já cansei de ver pessoas muito mais fodidas que se viraram de outras formas.

É fácil? Não. É simples? Não. É tranquilo? Não. Eu nem ao menos condeno uma mulher que prefere se prostituir a trabalhar em minas de carvão ou em qualquer outra situação que para ela seja insalubre ou degradante, cada um faz do corpo o que quer. O que eu condeno é esse argumento de fazer parecer que não havia qualquer outra saída que não fosse prostituição. Outra saída sempre há, ainda que não valha a pena para aquela mulher em específico.

Já vi gente fugir do país em porão de navio, já vi gente miserável alcançar altos cargos estudando, já vi mulher sem esperança casando por interesse. Já vi de tudo nessa vida, só não vi uma mulher que fosse “obrigada” a se prostituir por não ter outra opção. Vi mulher inclusive entrando para o tráfico e para a criminalidade, mas se recusando a ser prostituta. É melhor? É pior? Não interessa, não é isso que está sendo discutido aqui hoje. O que está em pauta é se existem outras alternativas, e elas existem. Elas sempre existem.

Não é como se a prostituição fosse um mar de flores. Constante exposição a risco de doenças, algumas delas mortais, constante risco de apanhar, perda da independência, sacrifício da vida pessoal e tantos outros possíveis desdobramentos fazem com que esta seja uma escolha sofrida para a mulher. Então, não venham me dizer que quando a outra opção é de alguma forma sacrificante ela não existe, porque prostituição por si só é uma opção sofrida. Fazer sexo com pessoas que você não gosta, não se sente atraída, muitos sem noções básicas de higiene não é o melhor dos quadros. Por mais que as outras opções sejam ruins, não são necessariamente piores.

Quem de nós não conhece alguma mulher que teve uma vida muito, muito, muito difícil, muito sofrida, que poderia muito bem em algum momento ter apelado para a prostituição por achar que não tinha mais escolha, mas não o fez e venceu (ou ao menos sobreviveu) de outra forma? Eu conheço várias. Sempre existe outra saída, por mais que não seja propriamente o sonho de vida da pessoa. Sempre existem opções. Caso contrário, todas as mulheres miseráveis seriam prostitutas, o que não procede, pois muitas conseguem sustento de outras formas. Cabe à mulher ponderar se a outra saída vale a pena ou não – e pode ser que não valha. Mas daí a negar sua existência…

Quer uma prova que existem outros meios? Prostituição não é uma carreira a longo prazo. Alguém já viu uma prostituta com 60, 70 anos de idade? Ainda assim, estas mulheres conseguem continuar se sustentando quando o corpo não lhes é mais rentável por motivos de força maior. Sinal que havia outras formas, né? Caso contrário toda prostituta morreria de fome ao passar de certa idade. Nada contra quem opta pela prostituição, tudo contra quem faz parecer que não foi opção e sim única solução possível. É uma solução “fácil”, no sentido que entra dinheiro rápido e em quantidade acima do que se paga no mercado por prestação de serviços (o trabalho em si não é fácil de executar), e isso é tentador o suficiente para que as pessoas se convençam que é a única opção.

Talvez seja a única opção que pague essa quantidade de dinheiro com tão poucas horas trabalhadas, mas porra, existe a opção de trabalhar oito horas por dia como todos nós fazemos. Se vale a pena ou não, tanto faz, a opção existe. Querer comparar o rendimento de uma prostituta com o de uma funcionária de telemarketing ou vendedora de uma loja para justificar não ter opção é se enganar. A opção existe, só que ela implica em algumas renúncias ou em alguns sacrifícios. Quer dinheiro rápido, em quantidade? Vai fundo, mas saiba que havia outra opção.

Eu nem duvido que em situações extremas, por exemplo quando a outra opção é um trabalho braçal, ou um abuso dentro de casa ou violência doméstica a prostituição seja, inclusive, a melhor escolha. Mas repito: continua sendo uma escolha, sempre há algo mais que pode ser feito. O fato de ser a melhor escolha, a mais vantajosa, não quer dizer que não haja escolha. Há, sempre há. E há pessoas no mundo que são incapazes de se prostituir, não importa o que aconteça. É escolha pessoal e acho um erro que as pessoas precisem se convencer ou convencer os outros de que não havia escolha para que este caminho seja aceito. É degradante para a mulher? Eu acho, mas tanta coisa socialmente aceita também o é…

Essa coisa de afirmar que a mulher estava sem qualquer opção, sem saída, chega a ser meio hollywoodiano. Coisa de novela, aquele drama onde colocam a mocinha sem opção. Ficção, pura ficção. Me digam qualquer situação na vida real que eu apresento pelo menos uma ou duas opções que antecedam a prostituição. A questão é que fazemos opções pensando na relação custo/beneficio e para algumas mulheres o custo de se prostituir não é assim tão alto como para outras. Acredite, se for, a mulher se vira e consegue uma segunda opção. Para mim o custo da prostituição seria tão alto e degradaria minha vida de tal forma, que eu preferiria qualquer outra coisa.

Vai ter quem diga: “Mas Sally, o cafetão pode obrigar a moça a continuar nessa vida, muitas querem sair mas não conseguem”. Ok, mas o cafetão não foi lá na casa da menina do nada com uma arma na cabeça dizendo “Você TEM QUE se prostituir”, o ingresso no mundo da prostituição é voluntário. Se por alguma fatalidade estilo tráfico de mulheres ela for induzida a erro e estiver sendo mantida em cárcere privado e sendo obrigada a se prostituir, aí teremos um ser humano escravizado e privado de escolha. Não era a única saída, simplesmente não há saída alguma para essa pessoa. Nos demais casos, onde a prostituição é uma decisão da mulher, eu garanto que existiam outras opções.

Chega de ser hipócritas, né? Se a mulher escolheu esse tipo de vida para si (sendo maior de idade), não precisa ficar convencendo ninguém que não tinha outra saída para se sentir menos pior. A mulher tem o sagrado direito de dizer que aquela saída, com dinheiro rápido, foi a de sua eleição. Chega de romance, chega de socialmente aceitável, chega de vitimização. Quem merece nosso desprezo é o homem que é bosta o bastante para precisar pagar por sexo e não a mulher que lucra em cima dele.

Para desmerecer meus argumentos porque eu nunca passei fome, para dizer que eu não posso falar sobre o assunto porque nunca me prostituí ou ainda para dizer que está ofendido por ter sido chamado de bosta: sally@desfavor.com

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Comentários (132)

  • Sally: parabéns!
    Somir: saia do seu relativismo baratinho.

    Relativismo é uma coisa tão boçal e tão humano!
    O pior é que o relativista fica sem argumento e acaba virando uma hipocrisia ambulante.
    Extrapolando:falemos dos políticos corruptos,dos ladrões,assassinos…percebe?

    Reduzir o ato imoral/ilegal a necessidade básica, é apoiar qualquer ato que leve ao ganho.
    Aí vale roubar,matar,traficar?

    Esquerdismo relativista imbuído no pensar,mesmo que vc não queira!

  • Sim. Ha situacoes extremas sim. Tanta gente se prostituindo no mundo: nao posso crer que todos eles fazem isso por opcao.

    • Tem um mal entendido acontecendo aqui nos comentários. As pessoas estão achando que só existe opção se as opções forem ÓTIMAS. Se todas as opções forem ruins a pessoa não tem opção? Claro que tem! Suponho que para quem optou por se prostituir todas as opções fossem uma merda e a pessoa optou por aquilo que era menos merda para ela, mas porra, opção sempre tem.

  • Não estou entendendo muito bem para onde vai a discussão sobre o que é “mais vadiagem” (nem o porquê dela ter começado), então vou ficar fora dessa.

    Pela pergunta feita, se ser puta é ou não “escolha” – exceto em casos de opressão ou repressão – então fico com a parte de “é escolha”. É como morar no sertão. Vi uma reportagem sobre isso e o repórter dizia que, naquela região, faz DOIS anos que não chove (consideravelmente). Não é preciso muito estudo ou análise para entender que aquele lugar não é bom para se morar… Se a pessoa vai ficar lá, seja por medo da cidade grande, seja por receber auxílio do governo, seja por ser muito velho ou qualquer outra consideração que a pessoa possa fazer, de qualquer forma é uma escolha. Ela sabe que existe outra possibilidade e ela é capaz de executar uma ação que a leve até essa outra possibilidade, então é uma escolha.

    Acho que matou a pau quando disse que as outras escolhas podem ser piores (sob o ponto de vista de quem escolhe), mas isso não invalida o fato de que HÁ opções. E se existem opções, logo, existe escolha.

    Não consigo prever uma situação “normal” onde não haja opções… Entendo que uma pessoa criada nesse meio, sendo explorada desde criança e em um lugar sem acesso a informação, não é uma pessoa que tenha escolhas, mas aí eu classificaria no tráfico/ exploração/ abuso. Não é a situação “normal”.

  • sabe que entendo e compreendo essa questao sua de nao querer ser mae e colocar ser humano no mundo……. Sally vc tem toda razão…. é uma das coisas mais terrivel que um ser humano resolve fazer….. nossa….que coisa….

  • agora, ou até mesmo do tempo que mundo é mundo, um ser humano que descobriu que pode abrir as pernas e com isso levar vantagem e ganhar dinheiro nao pode, isso pq ela é mlher, mais um homem pode trair uma naçao inteira, pode trair seus principios, sua ideologia, pode trair seu pais e seu Páis, pode vender a mãe, pode fuder com tudo….. Não é nada nao… só por ser homem……Uma puta, com carater e personalidade, vale mais que um zilhão de homens destes.
    Deleta isso ai sally…. voces aqui nao gostam mesmo de politica.

    • Mas ninguém disse aqui que não se pode ser puta… em geral, faz da vida o que quiser quem quiser…

      Novato deve ter se apaixonado por alguma da vida, por isso tá tão revoltado…

      • Pode ser puta sim, inclusive tendo escolha. Cada um sabe de si. Só não venha me dizer que não tem outro jeito, porque sempre tem.

  • Mesmo que vc esteja com muito dinheiro no bolso, vc chega em um ambiente de prostituiçao, vc chega sujo, bebado, fedendo, não tem mais assim nao, puta hoje em dia estao se dando ao direito ( luxo ) de escolher clientes, nao tem essa coisa de que eu sou obrigada a ficar com qualquer um nao, o mundo da prostituiçao tambem evoluiu.

      • Eu estou dizendo isso pq eu ja fui um deles, eu fui sim rejeitado em cabaré, nenhuma puta ficou comigo, eu nao estava sujo, mais vou dizer para vc uma coisa, eu estava bebado…. bebado da um trabalho danado para um puta… pinto nao sobe de jeito nenhum,… qto sobe um pouquinho é como vc fala, é meia bomba… e mesmo com consiga uma meia bomba, demora umas tres horas para gozar…. NINGUEM….. NEN PUTA MERECE ISSO.

  • Falta de dignidade é vc ser recusado por uma puta, ate mesmo tendo muito dinheiro para poder pagar para ela fazer sexo com vc, se eu estiver numa UTI, precisando de alguem para doar sangue para para poder salvar a minha vida, a pessoa que vai la é uma putinha que como ela de vez em qto e muito das vezes eu nen preciso pagar ou vai uma sociality?

  • Eu achei muito bonito o que o Somir disse.
    Mas ao ler sobre esse tema, só lembro de uma pessoa: minha mãe. Órfã de pai e de mãe, teve que sair do orfanato com 16 anos e ficou um tempo nas ruas. Como não admitia se prostituir, saiu pela rua pedindo emprego a quem passava, e aí uma mulher a contratou como empregada doméstica. Graças a Deus, junto com o emprego, também veio um lugar pra dormir. Daí por diante, foi arrumando outros empregos como faxineira e babá, até conseguir pagar um curso de contabilidade e arrumar um emprego menos braçal. Daí por diante, é história…
    Mas enfim, diante da história da minha mãe, não aceito ninguém dizer que prostituição é falta de opção.

  • Tem e sempre teve por ai muitas putas, com muito mais dignidade no dedinho de seu pé esquerdo que muita madame da alta sociedade, com todo seu clamor e gloria no corpo inteiro

    • Não concordo. Elas podem ter mais caráter, mais coragem, mais autenticidade… mas dignidade é uma coisa que a prostituição te tira. Aliás, da prostituta e de seus filhos. Pergunta para uma criança cuja mãe é puta qual é o tratamento “digno” que ela recebe dos coleguinhas no colégio…

    • Discordo. São coisas diferentes. Caráter eu até acho que possam ter muito mais, mas dignidade eu não acho não. Na minha opinião poucas coisas tiram mais a dignidade de uma pessoa do que ter que fazer sexo com quem pagar.

      • Sem falar que tem muita madame da alta sociedade que só não é chamada de puta porque não está nas ruas, pois está casada com o cara apenas pelo dinheiro.

        • Sim, mas não dá para comparar a vida que elas levam com a vida de uma prostituta, a da prostituta é muito mais sofrida

          • Com certeza!
            Acontece que as madames são até respeitadas em alguns ambientes, equanto que as putas, que fazem a mesma coisa, são um lixo para a sociedade.

          • Adorei Diana…. adorei… Sally a vida dela nao pode ser comparada com putas de rua nao, vc tem razão, mais estas que estão com o cara somente por causa do dinheiro dele, nao sabem que estao casadas com um cara e que o dimdim deste cara pode um dia acabar…. esta acontecendo tdo dia, e para aonde elas iram? Para a rua?

          • Concordo com a Sally, uma coisa é ser puta e dar pra 10 caras diferentes todo dia, outra é casar com um cara por dinheiro e só dar pra ele… não que seja bonito, mas é bem diferente!

            • Definitivamente não é a mesma coisa. Veja a vida que uma prostituta de rua leva e veja a vida de uma esposa de empresário. Não é a mesma coisa MESMO

          • Ai é que está Sally… Não se pode julgar a vida de uma Garota de Programa justamente por ela ser sofrida de mais. Nem todo mundo tem a coragem e estômago para fazer o que elas fazem. Tem que ser muito mulher para se prostituir. E é por isso que as defendo. Não se pode julgar uma profissão como ‘Indigna’ sendo ela qual for. Eu não sei qual é o problema que o povo tem com elas. É uma das profissões mais antigas do mundo e antigamente não era vista com maus olhos como hoje.

            • Tem que ser muito mulher para se prostituir?

              Nossa discussão acaba aqui, você está fora do alcance da minha mão…

              • Acho que você entendeu errado o que eu quis dizer. Ao dizer “Tem que ser muito mulher para se prostituir” eu me referi a coragem que a mulher tem ao fazer tal ato. Eu não inferiorizei o sexo feminino. Você acha que é fácil para uma mulher que tem filhos, uma família para criar, sair na rua e vender seu corpo? Você acha que ela leva isso como se fosse a coisa mais normal do mundo? Como se fosse a profissão mais digna que existe? Não, e é por isso que reafirmo a coragem que uma mulher tem de ter para se prostituir. Você achou que eu estava inferiorizando outras mulheres? Porque essa não foi minha intenção. O que eu quis levar em conta é a inexistência do “Sexo Frágil”. As mulheres são batalhadoras, mas até que os homens. Elas buscam o que querem com unhas e dentes. Você entendeu errado.

                • Coragem tem que ter uma mulher para acordar as cinco da manhã, pegar três ônibus e trabalhar oito horas seguidas, ganhando no final do mês menos da metade que uma prostituta ganha em uma noite.

                  • Pois é. A mulher que citei em outro comentário faz isso. Ela tem dois empregos. Levanta cedo… Mas o que ela ganha não é o suficiente para pagar os remédios e tratamentos médicos da mãe dela. A mulher que conheço faz tudo isso. Eu conheço ela há uns anos, antes de ela entrar para a prostituição. Ela tentou e fez de tudo para que não viesse a se prostituir, mas não teve jeito. Sei que ela é uma mulher batalhadora, guerreira… Só ela tem que sustentar a mãe e seus remédios e tratamentos e o filho de 7 anos…

                    • Desculpa mas “não teve jeito” não existe. Para se prostituir a pessoa tem que CONSEGUIR se prostituir. Tem gente que simplesmente não consegue e daí encontra outros jeitos. Conheço gente em situação muito pior do que a dela que trilhou outros caminhos.

  • Concordo com o Somir (e tô chocada, hehe)… conheço gente que venceu vindo láaa de baixo, meu pai inclusive passou fome… mas vejo quem não conseguiu também…
    Não é toda prostituta que ganha bem e se sustenta bem, viu? É tão triste ver a situação de mulheres que se prostituem em alguns locais da minha cidade… viveriam melhor e ganhariam mais fazendo outra coisa até (já vi história de neguinha ganhar 5 contos num programa), mas o contexto social e histórico é outra coisa…
    Num fim de mundo, onde só tem caminhoneiro passando e miséria… não vejo tanta opção assim… as vezes a realidade da pessoa condena. Acho que às vezes é a única saída, sim… como bem disse o Somir, às vezes a vida dá aquela encurralada… e “Se fosse SÓ escolha pessoal, esses modos de vida não seriam seguidos prioritariamente por gente pobre que nasce pobre.”

    Eu, particularmente, não sei o que faria na pele de uma dessas coitadas (sim, morro de pena, tendo sido escolha ou não!)… eu acho pior você entrar para o tráfico, matar, foder a vida alheia ao invés do próprio corpo… mas, nunca precisei optar por nada disso, é só achismo…

    Para B. Surfistinhas, Lolinhas e afins, aí não me desce…

      • Eu, sinceramente, acho que às vezes não. Em via de regra, concordo com você – daquelas que pensam no dinheiro rápido e fácil, que se denominam acompanhantes (com upgrade de serem universitáriasss)…
        Mas acho que tem gente por aí fudida demais, alienada demais, ignorante demais… sem resiliência, sem meios e sem ninguém pra dar uma luz… aí se encaixam as putas de beira de esquina mesmo, das que penso se verem sem opção… Mas pode ser uma visão muito comunista a minha, talvez…

        • Por mais fodida que uma pessoa seja, ela sempre tem a opção de ir embora, nem que seja de carona ou na caçamba de um caminhão. Sempre tem a opção de trabalhar em qualquer merda, de pedir oportunidade, de se mudar, sei lá. Conheço tanta gente que passou fome e encontrou outros caminhos… Opção sempre há, só que nem sempre a pessoa tem culhões ou disposição para executá-las

          • Uma criança que começou a se drogar porque tem droga em casa, filha de mãe drogada ou similar, e no seu vício e ‘nóia’ se prostitui, se enquadra em qual categoria então?

            Tem o fator psicotrópico da parada – o meio, seja ele qual for, sempre vai definir a real ‘liberdade de escolha’ do indivíduo. Não existe liberdade de escolha absoluta.

            • Se a pessoa não tinha condições de compreender o que estava fazendo, não acho que se enquadre no texto. Estamos falando de pessoas que voluntariamente se prostituem, não de gente que não sabe o que está fazendo ou gente que o faz sob coação, como no caso de tráfico de mulheres.

  • Uau, quando diziam que a coisa que mulher mais odeia são outras mulheres, achava que era só intriga da oposição…

    Boa sorte com toda essa coisa de direitos iguais… vocês VÃO PRECISAR.

    • Se eu falar que o conceito de união estável e matrimonial é análogo ao da prostituição (lembrando – o homem pode muito bem ser o prostituído na relação), e que essa funcionalidade existe ‘normalmente’ em outras espécies de primatas, será que vão me moer na porrada aqui ?

      • Juridicamente eu vou te moer na porrada sim, porque juridicamente o conceito de união estável matrimonial não tem absolutamente nada a ver com prostituição

        • Ah, a ‘lex’… criada pelos homens, para os homens! Com toda a influência greco-romana e germânica (se bem que a germânica pra mim é MUITO melhor que o direito romano) no quesito de status e condições de posse, e toda a tradição judaico-cristã-ocidental, que até menos de duzentos anos atrás tratava mulheres como jumentos e camelos.

          Juridicamente eu não me importo, porque biologia e milhões de anos de evolução de espécies estão além de bem e mal, e de moralismos efêmeros.

          Sobre primatas: http://www.iupui.edu/~mstd/a103/primate%20lecture%203.html

          Sobre moralismo efêmero: http://www.moyak.com/papers/courtesans-kings.pdf

          Houve época em que prostituição era negócio competitivo, e as putas eram as conselheiras de reis e consideradas sábias. Muito mais tempo atrás, eram consideradas ‘superiores’ às mulheres comuns, sacerdotisas e o escambau.

        • “o conceito de união estável matrimonial não tem absolutamente nada a ver com prostituição”

          Exato, prostituição é uma relação comercial legal, união estável matrimonial é estelionato.

  • Também não concordo com as pessoas falarem que não teve escolha. Tudo nessa vida são escolhas, inclusive se fico uma tarde inteira olhando o tempo passar, cruzando os meus braços, é uma escolha. Tb não julgo, mas dizer que não teve escolha é o fim da picada, isso pra qualquer coisa nessa vida. Compreendo que há situações em que a pessoa não dá conta de agir de outra forma, mas isso não deixa de ser uma escolha.

    • O problema é que hoje em dia as pessoas querem se eximir de responsabilidade a qualquer custo. A culpa é sempre do outro, da sociedade, do contexto histórico, dos políticos e de Deus. As pessoas desaprenderam a assumir a responsabilidade pelas suas escolhas

  • Vocês acompanharam a história da garota de programa Lola Benvenutti (entrevistada pelo Danili Gentilli), formada em Letras pela UFSCar e de classe média? Ela disse que faz o que gosta e escolheu ser prostituta porque ama trabalhar com sexo. Foi muito criticada, porque temos dificuldade de entender que uma pessoa possa escolher uma vida dessas. Mas é possível, sim. Tem gosto pra tudo.

    • Claro que tem gosto para tudo. EU jamais faria, mas nao julgo quem o faça. So nao venham me dizer que foi falta de opçao

  • E os prostitutos? Recentemente li uma reportagem de garotos de programa que só atendem mulheres. Vocês acham que para eles, que são homens, é mais fácil culturalmente ter essa profissão? Claro, eu sei que atender exclusivamente mulheres é uma exceção, pois a maioria dos clientes de um garoto de programa é homem. Mas, diante de casos como esse da reportagem, será que é tão degradante para eles quanto para uma prostituta mulher? Creio que não, porque homem foi criado para ser o comedor. O que importa é a quantidade de mulheres que ele é capaz de pegar.

    • Creio que isso seja bem discutível viu? Por um lado até concordaria contigo, entretanto, por mais que homens digam que são os comedores, os “fodões”, “onde tiver buraco enfiam”, o negócio não é bem assim não! Homem que não gosta de certo tipo de mulher não conseguem ter orgasmo! E também não adianta tentar!

      Agora, quanto a ser degradante, penso num sentido amplo que isso seja degradante para qualquer um que resolva ir por este caminho.

  • Os argumentos do Somir estão bons mas a verdade está com a Sally. Prostituição é um dos degraus mais baixos que um ser-humano pode chegar, e SEMPRE existem outras opções.

    Já conheci pessoas de origem mega humilde, que foram pobres e miseráveis mesmo, que mal botaram os pés numa sala de aula, que mal sabiam escrever o próprio nome e que apesar de terem todas as desculpas possíveis pra venderem o próprio corpo, não o fizeram. Preferiram ser empregadas domésticas, preferiram arrumar um amante velho e rico (isso tb é foder por dinheiro mas pelo menos é com um parceiro fixo :-P), preferiram ser babás de criança rica, mimada e levar tapa na cara dessas crianças, preferiram fazer MIL coisas diferentes mas não foram rodar bolsinha numa esquina ou trabalhar num bordel xexelento de beira de estrada.

    • É por aí que eu penso também! Será que, contrariamente à vergonha e “coragem” da pessoa pra entrar pra prostituição, não vem a preguiça relacionada ao desespero? Explico-me: ao invés da pessoa NÃO TER PREGUIÇA de arranjar qualquer serviço mesmo que seja braçal, e, levada pelo desespero do momento aliada à vontade de ganhar dinheiro fácil, a pessoa prefere ir para a prostituição do que fazer outro serviço.

      • É foda trabalhar pra caralho e ganhar merda, compreendo que algumas pessoas se recusem a isso, porque é aviltante mesmo. Mas escolha havia…

    • “…arrumar um amante velho e rico (isso tb é foder por dinheiro mas pelo menos é com um parceiro fixo :-P)”

      Então para ‘certas mulheres’, o que vale é o numeral? Um pode, mais do que um não ?

      • Não é questão de “poder”. O que estamos dizendo é que a vida de uma mulher que dá um golpe em um homem não pode ser comparada à vida de uma prostituta, pois a da prostituta acaba sendo muito mais sofrida, desgastante e perigosa. Estamos falando em termos práticos e não morais.

        • Mas em termos práticos – se a puta de rua consegue então se manter com um preço que permita a ela um cliente por dia apenas, estando assim aquém do limite do seu corpo (ou trepar todo dia já é vadia ?), e pode manter um nível de higiene mental nas outras horas para se distanciar do trabalho. Efetivamente é uma pica por dia, digamos que só nos dias úteis, com finais de semana livres, e que chegaria a 264 picas por ano. Considerando uma clientela fixa baixa, mais a variável, chegaríamos a um número de menos de 200 parceiros sexuais no ano.

          Ela seria mais ou menos vagabunda que uma universitária com o mesmo número de parceiros sexuais, cuja única diferença seria cobrar ou não pelo sexo ? Porque se o problema é ‘venda do corpo’ ?

          • E o risco diario de cada dia encarar uma pessoa diferente? Sobre ser mais ou menos vadia, nao tenho a intençao de julgar. Escolha de cada um

    • Geralmente o que se paga.por essas tarefas nao bastam para sustentar uma familia. Mas existem outras opcoes que bastam

      • Olha, existem faxineiras que ganham mais do que eu! E inclusive tem faxineiras nas suas casas!

        Sempre há outras opções melhores ou piores, mas sempre há outra opção além da prostituição.

  • Eu não concordo e nem discordo da opinião dos dois… A vida não é fácil para as mulheres . Sim, melhorou muito com o tempo, mas ainda precisa de ajustes. O mercado de trabalho para elas, por mais que digam que está ótimo, não está. Seria hipocrisia levantar a bandeira de que todas as mulheres são bem tratadas e respeitadas e ainda podem conseguir um cargo de alto escalão na sociedade. Isso é mentira. Conheço mulheres que estudaram, tem diploma, lutam para conseguir o emprego dos sonhos, mas acabam perdendo o trabalho para um homem com a metade de conhecimento. Essa é a vida.

    O trabalho “Braçal” pra mulheres ainda é visto como um absurdo na sociedade. Você não vai até a construção da esquina de sua casa e encontra uma mulher levantando uma parede de concreto e amarrando vigas… Sim, há raros casos, mas são muito raros.

    Algumas mulheres entram no ramo da prostituição porque realmente precisam. Muitas delas tem um emprego ou até mesmo dois, seja como atendente de mercado ou garçonete, mas estes dois empregos acabam por não ajudar nos remédios da mãe e filhos doentes. Eu conheço uma garota de programa que trabalha o dia inteiro, só que os remédios da mãe dela chegam a custar 6 mil por mês, e ela acabou por se prostituir. Não é uma vida fácil. Não tem essa de que você está se prostituindo porque quer dinheiro rápido. Muitas delas fazem o que fazem porque não tem outra saída…

    Sally, sinto em dizer que discordo de você. Acho que é pelo exemplo que citei. Conheço essa mulher há alguns anos e sei que para ela não teve outra saída… Eu tenho uma total admiração por prostitutas. Elas se sujeitam a tudo, passam por coisas pesadas, mas quando olham para você, mantem um sorriso no rosto.

    • Mas existem outras saídas. Eu conheço gente que preferiu entrar para o crime ou casar com um cara rico que nao amava para nao se prostituir. Outras saídas.sempre existem, sejam elas do seu agrado ou nao…

      • Sally, mas, alguem casar com um cara rico sem amar, não é a mesma coisa que prostituição?
        Se analisar firamente ela está fazendo sexo em troca de dinheiro

        • Pense em termos praticos. A pessoa so vai fazer sexo com UMA pessoa que nap gosta, nao com de caras randomicos por noite. Acho que, no minimo, os riscos sao menores

          • De qualquer forma é prostituição Sally, mesmo se com apenas um homem. Ela está se vendendo a troco de dinheiro da mesma forma que uma Garota de Programa.

            • Não, não é. As pessoas adoram dizer isso, mas se você parar para pensar, é muito menos sacrificante que prostituição. Não estou tratando da questão moral, pode ser tão reprovável quanto, mas a vida é menos sofrida. Pegunte a quem é prostituta se leva a mesma vida que a Ticiane Pinheiro…

      • Entrar para o crime não é uma opção honesta!!!!! E a oportunidade de casar com um cara rico é muito rara. Precisa ter muita sorte. Enfim, concordo com o Somir. Há um ponto em que a prostituição se torna a única saída para uma mulher. Ao menos a única opção honesta.

        • Dei apenas alguns exemplos, existem dezenas de outras.opcoes. Se nao houvesse opcao toda mulher miseravel seria prostituta

      • Pois é… Mas olha as opções restantes… Entrar para o crime, casar com um cara rico que você não ama.. Isso sim é ganhar dinheiro fácil. Acho que se casar com um cara rico que não se ama de todo jeito é prostituição.

        Comparado ao crime e ao casamento por intenção, prostituição é a forma mais difícil de se ganhar dinheiro. Muita gente diz que as pessoas gostam de se prostituir… Claro, alguns fazem o que gostam e ainda recebem por isso, mas em sua maioria, as prostitutas estão ali por falta de opção.

        Acho que entrar para o crime é menos digno do que se prostituir. É uma opinião estranha, mas é como penso.

        • O que vc preferia, dar o cu para mendigo, deficiente.fisico, pessoas sem higiene, gente nojenta, gentr agressiva ou cometer um.crime?

          • Sally, sinceramente eu preferiria a primeira opção… Fui criado em uma família muito longe de ser convencional. Tive tios traficantes, usuários de drogas, assaltantes… Sei como é se envolver com o crime e conheço o preço e o sofrimento que vem com isso. Meu familiares que se envolveram em crimes estão todos mortos… Então eu continuo com a primeira opção… E o que há de mais em ter relações com deficientes físicos? Eu não vejo nada de mais…

            • Quando eles te provocam repulsa, eu vejo muito problema sim. Conheci uma prostituta que me contou que tinha um cliente com o corpo todo queimado, todo deformado, e que vira e mexe ela tinha que fazer sexo com ele. Ela contou que chorava de nojo durante o ato disfarçando para ele não ver.

              Eu sei que ser bandido não é uma boa escolha de vida para ninguém, mas se tivesse que escolher, é nós no tráfico. Sexo por dinheiro seria a última coisa que eu faria na minha vida.

              • As prostitutas são mais humanas que assassinos, traficantes que matam por puro prazer… Elas não incomodam ninguém, não fodem com a vida dos outros. Elas vão lá, fazem o trabalho dela, ganham o dinheiro suado e sofrido e não perturbam.

                • Quem disse que são mais humanas? Quem disse que uma pessoa mata ou trafica por prazer? O mesmo argumento que valida a prostituição pode validar o tráfico. Aliás, no tráfico sim a pessoa está sem opção. Ou entra ou, se recusar ou fugir, sua família morre.

                  • Porque entrar para o tráfico não é uma opção? Se a mulher “Opta” por se prostituir, porque uma pessoa também não pode “Optar” por entrar no tráfico? Não entendi o que quis dizer com isso. E quem disse que não são mais humanas? Você acha que assassinos, bandidos que queimam ônibus e estupram mulheres são mais humanos que uma prostituta? Sinto em dizer que discordo completamente.

                    • Entrar para o tráfico é UM exemplo e não A ÚNICA opção.

                      E quem aqui falou em ser mais ou menos humano?

        • Um, dois, dez assassinatos. E o que mais fosse preciso. Na verdade, se me fosse permitido, eu cometeria assassinatos de algumas pessoas por puro prazer de faxinar a humanidade, sem nem precisar da ameaça da prostituição.

          Só que eu sempre soube que prostituição não era um Plano B para mim, então, a vida inteira investi e fiz por onde nunca precisar disso.

          Se prostituição fosse a única saída, toda mulher miserável venderia o corpo.

          • Eu prefiro me prostituir a que tirar a vida de uma pessoa. É questão de opinião. Para se tornar uma prostituta é precisa muita coragem. Sally, você disse que sempre fez por onde para isso n]ao ser uma opção para você, mas e quem nasceu na pobreza, quem não teve a educação necessária…

            • Matheus… conheço tanta gente miserável, que passou fome e dificuldade e não caiu na prostituição

              E outra, esse discurso de não tirar a vida de uma pessoa é linda, mas quando a situação fica entre você e a pessoa, todo mundo é capaz de tirar uma vida.

              • O problema é que você está generalizando de mais. Nem todo mundo é igual. Não é só porque você pensa assim que eu tenho que pensar também. No meu caso, eu optaria por me prostituir a que virar um homem que sai por ai, matando famílias de inocentes, queimando pessoas, estuprando… Nada do que me disser fará eu pensar que um assassino, estuprador ou que seja tem mais humanidade que uma mulher que apenas sai de casa a noite e faz seu trabalho se incomodar ninguém.

                • E por um acaso eu estou querendo que alguém concorde comigo? Repeti mil vezes que se prostitui quem quer, que é opção de cada um. Quem está generalizando é você que coloca como contraponto de prostituição necessariamente atos criminosos como estuprar, queimar pessoas… eu hein

                  Humanidade é uma coisa, dignidade é outra completamente diferente

                  • Foi você quem começou a falar sobre tráfico e essas coisas mesmo o tráfico não sendo a única “Opção” como você disse. Eu acho que não há nada mais desumano que tirar a vida de uma pessoa inocente. E porque não colocar meu contraponto? O que eu citei não é uma forma de crime?

                    • Eu dei um exemplo extremo para ilustrar o quanto eu não me prostituiria: seria capaz ATÉ de traficar para não ter que me prostituir, porque eu acho prostituição perda de dignidade. Prefiro ser uma pessoa “má” e digna do que boa e sem dignidade. Mas eu insisto: existem dezenas de outras opções para não se prostituir que não o tráfico.

                      Matar alguém é crime? Depende. Eu mataria em legítima defesa própria ou de terceiros, por exemplo e certamente não seria condenada por isso. Nem tudo é preto no branco.

  • AAAAAAAAAAAAAAH! Agora o Somir forçou demais!

    Super concordo com a Sally. SEMPRE há outra opção. Alguns casos (inclusive o citado pelo Somir, de meninas se prostituindo para sustentar um vício) são exceção. Mas a maior parte das prostitutas tinha sim outra opção.
    Nos idos de 2009 o MP da minha cidade fechou as portas dos ‘puteiros’ existentes em uma avenida de acesso a cidade (em uma raio de 100 metros deveria existir, no mínimo, umas 5 casas de prostituição. Eram quase que uma ao lado da outra, sendo a mais famosa chamada de “20 V”. Ouch). A maior parte das prostis eram mulheres jovens que NÃO queriam trabalhar como domésticas ou faxineiras, pois o lucro era baixíssimo e o esforço grande demais. Afinal, como afirmado por uma das mulheres da vida, ganhar uma média de 1.500 a 2.000 reais mensais para ‘trabalhar pouco’ e ter tempo para ficar em casa e cuidar de suas crias era muito melhor e mais fácil do que pegar no pesado (porque dar para um desconhecido, sabe-se lá em que condições, se o pinto não está podre ou coisa do tipo, é muito mais fácil!).

    Se você abrir os classificados de alguns jornais, encontrará com certeza um anúncio de “precisa-se de doméstica/cuidadora de idoso/faxineira”. Mas né, trabalhar muito, ganhar pouco não é a melhor ideia. Às vezes acho que eu é que sou besta de morrer estudando e me acabar trabalhando (para às vezes nem meus honorários receber) ao invés de me prostituir. Vai que eu conseguisse um bom público…

  • Eu acho que a Sally acabou de se contradizer ao texto do Pedrinho. Aquele lá, que veio da vozinha de dentro da sua cabeça. Ou melhor, não diria contradizer, e sim a se contrapor, já que é difícil você chamar de opção algo que te denigre mais do que se prostituir. É basicamente a mesma situação que a do Pedrinho; assim como há um momento em que a única opção viável, para o bem estar da sua família e a de seus entes queridos, seja entrar para o tráfico, chega um momento em que a única opção viável é a prostituição, sim.

    • O que é que te denigre mais do que prostituiçao? Eu prefiro mil vezes ser traficante, donade boca de fumo ou assaltante do que ser prostituta.

      • Isso vai da pessoa Sally… Uma mulher que ama seus filhos e que tem uma casa para cuidar vai virar uma traficante e/ou assaltante e correr o risco de ser presa?

          • As outras milhões de opções não são viáveis a ponto de serem opções. Por exemplo, você tem sempre a opção de abandonar os seus filhos e/ou família, roubar uma tinta esmalte da cabelereira que você e virar a nova serial killer que mata por dinheiro. É uma opção, mas é viável? Por um número infinito de razões não, não é. Prostituição vira a maneira mais básica e viável. Lembre-se que a viabilidade da opção, em todos os seus aspectos, é um fator extremamente importante na escolha.

            E sei lá, talvez eu preferisse ser prostituto do que traficante de boca de fumo. Talvez a ideia me denigrisse menos. Claro, falar assim é muito fácil, e talvez eu não pensasse assim na hora do vamo vê, mas é só uma ilustração de contra argumento.

                • Depende de quem seja. Pode ser preferível para algumas pessoas ou não preferível para outras, aceitável para umas e inaceitável para outras. Aborto para mim é aceitável mas para meio mundo não é. A questão é: existe opção

  • Claro que não. Se a pessoa almeja enriquecimento rápido, desfrutar de confortos que nunca poderia. Só virando puta ou traficante. Porque estudar demanda muito esforço, tempo… E ainda não existe a certeza do sucesso e da riqueza.

    Eu por exemplo, estudei tanto, ainda tenho um carro simples cujo o maior luxo é direção hidráulica e ar condicionado, e ele ainda tem um financiamento que sempre atraso…

    Se fosse traficante poderia estar de Audi.

    NO caso das mulheres, como uma puta com quem tinha certa amizade me disse: Eu gosto de ser prostituta, se não fosse isso, jamais conheciria Paris, Roma, como conheci.

    Então nesse caso acho que não tem jeito.

    Agora se for só pra sobreviver, como a maioria que acorda as 5 da manhã e enfrenta ônibus, leva uma vida normal, que alguns consideram ‘medíocre’, existem sempre outras saídas.

    • Existem outras saídas para ter dinheiro rápido: dar golpe da barriga em homem rico, casar com homem rico, dar golpes no mercado, assaltar bancos, fraudar cartões de crédito e tantos outros que não envolvem fazer sexo com mais de dez estranhos por dia…

      • Golpe da barriga com homem rico depende muito de você ser bem relacionada com o “alvo” e tem grande risco de dar chabu. Tem de se saber muito bem o que está fazendo para dar certo, o que para a maioria das periguetes por ai é “demais pra cabeça”.

        Dar golpes é uma forma segura de garantir dinheiro fácil e abundante contanto que você tenha habilidade o suficiente para contornar os eventuais efeitos de uma fama ruim (que senão você arrisca de viver uma vida errante, sempre se mudando quando as portas se fecham pra você), sendo desejável que você tenha os devidos conchavos para garantir o sucesso de seus trambiques.

        Assaltar bancos JÁ FOI uma boa forma de levantar dinheiro fácil. Com os aparatos de “segurança” esse tipo de ação se tornou bem mais difícil. Uma abordagem no meio do caminho do transporte de valores (entre o banco e o carro forte) ou mesmo a famigerada “saidinha de banco” onde o foco de assalto se mira nos clientes é uma saída mais segura para levantar dinheiro fácil. A parada da “saidinha” é a mais interessante para o ladrão porque a tipificação penal pode ser reduzida a furto (a depender da habilidade do ladrão).

        A fraude com cartões pode até dar certo, mas depende de certa logistica. Não é uma coisa exatamente para amadores e ainda corre sérios riscos de “rastreamento de divisas”, tanto que a estratégia tem mudado para a “fraude do boleto online”, que é uma estratégia que dificulta um pouco mais o rastreamento e exige apenas certo tato no que diz respeito a know-how tecnológico.

        Mas a forma mais fácil de tirar vantagem financeira em cima dos outros é em negócios na linha do “Esquema Ponzi” ou do “Esquema de Pirâmide”. Como está cheio de gente querendo “fazer dinheiro fácil”, é até fácil doutrinar essa gente com as supostas maravilhas do MMN (Marketing MultiNível), conseguindo-se assim se enganar muitos por tempo suficiente para levantar os tubos e se garantir na vida mansa. Só cuidar de dar uma fachada licita para o negócio, o que não é lá tão difícil.

          • Eu vou morrer pobre por ser honesto demais. Aqui no trabalho todos são corruptos.

            Quando troquei de carro achavam que eu ganhava ‘um por fora’ da consultoria, porque sou responsável pelo TI e lido com empresas de consultoria e suporte. Pior que me ofereceram e não aceitei. Esquema de marcar horas a mais em OS.

            Levei fama sem deitar na cama.

            Ás vezes me acho burro por ser assim.

              • Deitar a cabeça com contas atrasadas no travesseiro não é legal também.

                Mas gente como eu que nunca fez nada errado, se fizer uma vez, se fode de cara…

                (Se só de pagar no último dia (31/04), não constar no sistema do DETRAN, fui parado pela polícia e apreenderam o meu carro (01/05) por falta de licenciamento, veja a minha sorte…)

                Voltando sobre prostituição… Se alguma mulher quiser pagar, eu aceito.

                • Eu sou assim também: se mijar um pouquinho fora da bacia, me fodo. Já Siago Tomir pode fazer a merda que for que tudo sempre dá certo para ele…

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