Des Cult: O Exorcista.

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É mais do que um filme de terror, é O filme de terror. Seu efeito transcendeu ao mero susto dentro das salas de cinema, provocando um surto coletivo de histeria, alavancando as consultas a médicos e padres por pessoas que supunham estar possuídas pelo demônio. E mesmo sendo um filme de 1973, ainda é capaz de despertar medo, ultrapassando a barreira da dependência dos efeitos especiais para tal. Um filme feito em uma época na qual se amarrava cachorro com linguiça, e ainda assim, uma obra prima. O Primeiro filme de terror indicado ao Oscar em nada mais, nada menos do que dez categorias e o filme de terror que mais lucrou até os dias de hoje. Des Cult: O Exorcista.

O filme é baseado no livro homônimo, escrito por William Peter Blatty. O livro se diz baseado em um caso real ocorrido em Maryland, nos EUA, que chegou a ser documentado por jornais famosos à época. Foi lançado em 1971 e foi um estrondoso sucesso. Dois anos depois virou filme, igualmente bem sucedido, talvez porque foi o próprio autor do livro o responsável pelo roteiro, talvez porque o diretor era um misto de gênio e louco que deu o tom certo à narrativa. A ideia do filme surgiu quando o homem que seria o diretor, William Friedkin, ganhou um exemplar do livro e decidiu que naquela noite leria o primeiro capítulo. Não conseguiu, leu as 340 páginas sem parar e depois, em suas palavras “não conseguia nem me mexer de tanto medo”. O impacto foi tal que ele procurou o autor e disse que queria muito filmar aquele livro e que fazia questão de que ele fosse o roteirista, para que a essência não se perca.

Durante a elaboração do roteiro, Friedkin interveio e impediu que Blatty o transformasse em um filme comercial. Ele queria um roteiro fiel ao livro. Roteiro pronto, foram bater às portas da Warner. O roteiro foi bem visto, mas o diretor não. Queriam um nome de peso e cortaram Friedkin do projeto. O problema era que ninguém mais quis segurar esse rojão: diversos diretores conhecidos se recusaram a dirigir o filme, seja por superstições, seja por questões ideológicas. Houve até quem alegasse que não o faria por ser contra a violência infantil. É que o personagem da atriz Linda Blair, uma criança à data das filmagens, passa por muitas cenas polêmicas: apanha, xinga os piores palavrões e insultos (spoiler: eu, a boca suja, aprendi coisas em matéria de xingamento com esse filme) e até mesmo se masturba com um crucifixo em uma das cenas. Ninguém teve coragem de ilustrar essas coisas em uma tela grande. Conclusão: não tem tu, vai tu mesmo. Friedkin foi chamado para dirigir o filme, mas só porque mais ninguém queria. O mesmo ocorreu com os atores: muitas atrizes famosas recusaram papéis por considerarem o filme excessivo e de péssimo gosto.

Em um resumo bem grosseiro, o filme conta a história de uma possessão demoníaca em uma menina de 12 anos de idade, Regan, filha de uma atriz. Eu sei, eu sei, contado assim não parece nada de mais, mas O Exorcista é para o terror o que Tolkien é para filme nerd: referência eterna. Tudo que você viu e vai ver sobre possessão demoníaca, exorcismo e similares nasceu dali e é influenciado direta ou indiretamente pelo filme. Um filme redondo, do começo ao fim, que até hoje é capaz de despertar medo em pessoas mais frouxas como esta que vos escreve. Se ainda pode despertar medo hoje, quarenta anos depois do seu lançamento, imaginem o que não causou à época. Como é de costume, o estúdio fez sessões especiais antes do lançamento, para avaliar a reação do público. Segundo relatório posteriormente liberado, as reações variavam entre choro, vômito, desmaios ou sair correndo da sala de cinema no meio da exibição. As reações foram tão violentas que as sessões especiais foram canceladas e chegou-se a cogitar não exibir o filme. Talvez hoje você veja o filme e pense “Tudo isso por causa DISSO?”, mas lembrem-se, estamos falando de quarenta anos atrás. Com a tecnologia disponível, eles fizeram um verdadeiro milagre, uma obra prima do medo.

Alguns efeitos especiais nos remetem ao seriado Chaves, é verdade. Mas contextualizando, se você parar para pensar que se trata de um filme da década de 70, é de se admirar. Estamos falando de um tempo onde não havia efeitos especiais, apenas defeitos especiais. Por exemplo, para conseguir fazer a voz do demônio que tomava o corpo de Regan foi contratada uma atriz, Mercedes McCambridge, que fazia o seguinte combo para ficar com a voz demoníaca: era obrigada a fumar seis maços de cigarros por dia e comer apenas ovos crus e maçãs defumadas. Essa era a “tecnologia” para conseguir uma voz demoníaca. A infeliz nunca teve o devido reconhecimento pela agressão à qual sujeitou seu organismo a fim de obter aquela voz de Panicat. Seu nome não consta nem mesmo nos créditos do filme, pois os estúdios pretendiam esconder a dublagem, o que a deixou muito puta e fez sair dizendo que metade do mérito do filme ser tão assustador era seu. Especula-se que por este motivo a atriz Linda Blair, que interpretou Regan, acabou não levando um Oscar por sua atuação.

Em um ponto alto do filme, quando o demônio tomou de vez o corpo de Regan e está trollando geral, é possível observar que o quarto está aparentemente frio. Quando Regan/Demo fala, sai fumaça de sua boca e quando os demais atores respiram também. Pois é, não é aparentemente, estava frio MESMO. A cena foi gravada em um freezer gigante e a coitada da Linda Blair, que passa metade do filme de camisola, acabou pegando uma pneumonia. As cenas de brigas e agressões físicas eram obrigatoriamente reais, pelo medo de não passar a devida veracidade se fossem simuladas. As atrizes que interpretaram Regan (Linda Blair) e sua mãe (Ellen Burstyn) saíram com diversos hematomas e em uma cena especialmente violenta onde Linda bate em Ellen, (aquela onde é atirada para longe e arrastada em frente a um móvel) Ellen acabou sofrendo uma lesão permanente na coluna. É que para filmar a cena foi amarrada uma corda na atriz e ela foi puxada com um grande tranco, só que, a pedido do diretor, o tranco foi dado antes da hora combinada, sem que a atriz soubesse, para dar mais “realismo”. Reparem quando ela bate com cóccix contra a cama: o grito era de dor de verdade. E a cena foi mantida no filme.

Essa é a magia do filme: tudo era muito precário, mas conseguiram tirar leite de pedra, ainda que com táticas duvidosas. Por exemplo, os gemidos assustadores de Regan quando possuída pelo diabo foram feitos gravando os gemidos de porcos que estavam sendo mortos em abatedouros. Se você não prestar muita atenção ou não tiver esta informação, não reconhece o som, mas seu cérebro reconhece que é algo incômodo, perturbador. Imaginem o que eles fariam se tivessem os recursos de hoje… ou será que era justamente a falta de recursos que os obrigava a essa precariedade criativa? É sério, minha gente, tudo era muito tosco no começo da década de 70. A “maquiagem” que Linda Blair usava para ficar com a cara do Demo levava cerca de oito horas para ficar pronta e sua base era massa de pizza! O vômito verde mais famoso do mundo era feito à base de sopa de ervilhas. Francamente, essa facilidade tecnológica está matando a magia dos filmes. Mesmo com todos os recursos, na minha humilde opinião, não tem outro filme que tenha gerado o medo que “O Exorcista” causou. Tecnologia definitivamente não é tudo, ainda que a maior parte dos diretores pensem assim hoje em dia.

A insanidade do diretor somada ao roteiro de alta qualidade tornaram “O Exorcista” o sucesso que é hoje. Não havia muito limite. Atores contam que William O’Maley, padre na vida real e padre no filme, foi esbofeteado diante das câmeras para “captar uma expressão de tensão mais genuína” em uma cena. Esbofetear um padre é Level Master de comprometimento, ainda mais na década de 70. Quantas pessoas teriam coragem de fazer isso? Colocar uma menina se masturbando com um crucifixo HOJE já seria polêmico, imaginem quarenta anos atrás. Mas deu certo, deu certo porque foi autêntico, porque foi feito com um esforço filho da puta de todos os envolvidos e porque teve a coragem de mexer com o “imexível”.

Antes mesmo de estrear, o filme já causava polêmica: a Warner Bros foi obrigada a retirar o trailer de “O Exorcista” antes da exibição de outros filmes, pois foi considerado “assustador demais” causando reações extremas nas pessoas. Só quem quisesse ver “O Exorcista” teria acesso a ele. Esta decisão foi tomada depois de desmaios, crises de histeria e até mesmo pessoas vomitando de medo nas salas de cinema. Hoje esse trailer “proibidão” pode ser encontrado no YouTube. O impacto que o filme causou foi tão forte que após sua estreia, sacos de vômito passaram a ser distribuídos para quem comprava o ingresso e foi proibida a entrada de gestantes e pessoas com problemas cardíacos. Vários acidentes ocorreram graças ao terror que o filme provocou. Só para citar um: em 1974 um homem desmaiou durante a exibição e quebrou uma costela por conta disso, acabando por processar a Warner.

O filme causou tanto medo que chegou a se banido de diversos países e cidades. Não, não me refiro a fundamentalistas e sim a cidades como Londres. E não foi por motivos religiosos e sim porque as autoridades temiam pela vida e saúde dos espectadores, não queriam crises coletivas de histeria e eclosão de supostos casos de possessão demoníaca. Consultórios médicos e igrejas lotavam de gente que se sugestionava a tal ponto de repetir os sintomas da personagem principal do filme. Mas, como tudo que é proibido desperta ainda mais curiosidade, as pessoas viajavam para outras cidades ou até mesmo outros países para poder ver o filme. No Reino Unido, a Warner disponibilizou o “The Exorcist Bus”, um sistema de ônibus que levava os passageiros para cinemas fora da cidade ou do país que havia vetado o filme, ao cinema mais próximo que o exibia. E caravana para ver o filme não era privilégio europeu, no Brasil também aconteceu, cidades que não tinham cinemas (1973, lembram?) como Ribeirão Preto, Franca e Sorocaba, organizavam um esquema de ônibus para que as pessoas pudessem assistir o filme na capital.

Várias “lendas” e boatos surgiram graças ao fascínio que o filme despertou, a maior parte fruto de imaginação popular que foram propositadamente alimentadas pelo estúdio que o filmou, como forma truncada de divulgação. O único incidente verdadeiro foi um incêndio no set de filmagens, que de demoníaco não teve nada. Sim, atores morreram antes do filme estrear, como por exemplo a atriz que interpretou a mãe do padre Karras (Vasiliki Maliaros), mas uma mente racional leva em conta que a mulher já tinha uma certa idade, é mais provável que tenha morrido de causas naturais do que pelas mãos do diabo. Além disso, em uma produção tão longa e com tantas pessoas envolvidas, meia dúzia de mortes está dentro da probabilidade. Principalmente quando pessoas idosas eram obrigadas a gravar dentro de um grande freezer. Pneumonia? Oi?

O filme transtornou não apenas o espectador, como também a todos os envolvidos. Muitos começaram a se achar amaldiçoados e passaram a vivrer com medo. Mesmo aqueles que não eram idiotas sugestionáveis acabaram sofrendo também, pelo peso da produção. A atriz Linda Blair foi perseguida por fanáticos religiosos que confundiram realidade com ficção e afirmavam que ela tinha o demônio no corpo e precisou andar escoltada por seguranças (disponibilizados pelo estúdio) por mais de seis meses. Até a casa onde supostamente se ambientava o filme sofreu. Os mitos e o pavor que o filme despertou foram fortes o suficiente para que a casa onde foram filmadas apenas as cenas externas, que convenhamos, mal aparece na edição final, ficasse quase trinta anos sem conseguir ser alugada. As pessoas tinham pavor do local. A Warner acabou comprando o imóvel e transformando-o em uma espécie de “ponto turístico”.

E não foram apenas os espectadores a se cagar de medo, o próprio elenco passou maus bocados durante as filmagens e não por causa do demônio. O diretor do filme, William Fridkin, não poupou esforços para deixar o clima o mais pesado possível. Atores comentam que frequentemente em cenas de suspense ele dava tiros para o ar “para obter gritos mais realistas” dos atores, que berravam de susto sincero. Fora as outras “técnicas” já descritas para dar mais veracidade às cenas. O assédio moral rolava solto naquele ambiente de trabalho. No final das contas o impacto do filme foi tão forte que os atores não conseguiram mais se livrar das personagens, principalmente Linda Blair, que ficou marcada eternamente como “A menina do Exorcista”, sepultando sua carreira aos 12 anos de idade.

Este filme está entre os dez mais vistos da história do cinema se for feita uma conta proporcional e justa de bilheteria. O filme foi relançado nos cinemas no ano de 2000, em uma versão estendida (“versão do diretor”), com cenas inéditas, incluindo a sensacional cena de Regan descendo as escadas de costas, com as mãos e os pés nos degraus, cena para a qual tiveram que chamar uma ginasta, que treinou exaustivamente até conseguir fazer o trajeto com agilidade. Ainda assim, a cena foi cortada e só entrou nessa nova versão porque foi retocada digitalmente, pois no original não passou pelo controle de qualidade do diretor. Se você gostou do filme, não deixe de ler o livro, é ainda melhor.

Infelizmente as continuações do filme foram todas deploráveis. Funcionou bem no livro, mas aquelas pessoas dizendo “Pazuzu!” o tempo todo na tela foi um tanto quanto patético.

Fica a recomendação: um filme que foi um divisor de águas, um clássico que vale a pena ser visto apesar da defasagem que o tempo possa ter causado. Não pelo terror em si, e sim para apreciar até onde a criatividade e a inventividade humana podem nos levar. Serve também para refletir até que ponto a tecnologia não vem sendo utilizada em excesso, deixando de ser recurso e passando a ser o principal atrativo de um filme. Enfim, “O Exorcista” é um filme que vale a pena ser visto, nem que seja para falar mal.

Para dizer que se não tem criaturas azuis você não se interessa pelo filme, para me avisar que eu estou ficando velha ou ainda para contar qual cena do filme mais te assustou e passar atestado de “velho” também: sally@desfavor.com

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Comentários (77)

  • Estava pesquisando sobre onde comprar o livro, e acabei descobrindo que quando foi lançado no Brasil, em 72, o sucesso foi tanto que com o dinheiro conseguiram lançar a primeira edição do dicionário Aurélio.

  • Sou super fã desse filme e aqui você conseguiu me mostrar mais algumas curiosidades que ainda não tinha achado.
    Compartilho da mesma opinião em relação a quantidade excessiva de efeitos especiais no filmes atuais. Essa questão de “faça você mesmo” me fascinou no Exorcista e nos primeiros filmes de Jogos Mortais (só assisti até o 3º). Onde eu alugava o dvd só pra assistir os extras onde eram explicavam como funcionavam as armadilhas e como eram montadas. Muito massa.

    Sim tenho uma indicação de filme, que segue os mesmo preceitos desses aqui abordados, para sua dissertação o “Deixe-me entrar”. A versão original de 2008 e não o remake bosta feito pelos americanos em 2010.
    Numa época de vampiros “aviadados” prezando pela virgindade um filme de vampiro que te assusta de verdade sem maquiagem sem voos super sônicos. Dá uma olhada.

  • Nunca assisti e tenho um pavor terrível de vê-lo… Assim q passarei os próximos 40 anos longe desse filme! heheheeh…

  • Adoro filmes de terror, já vi todos do gênero ”O Exorcista”, e muitos assisto de madrugada sozinha
    mas se vejo um misero anuncio no history sobre documentarios de ets, pqp eu nem durmo
    as pessoas geralmente falam: voce não tem medo do demo mas tem medo de et?
    como pode?
    Lembro que li um texto aqui e em um dialogo entre Sally e Somir ela fala pra fechar a janela por estar com medo de ser abduzida, dai o Somir diz o seguinte
    Sally, se eles viajam pelo espaço, acha que não vão saber atravessar janelas?
    eu era feliz até pensar sobre isso, obrigado Somir.

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    Bruna K. de Souza

    Eu sou completamente igual a Diana. Assisto filmes de mutilação, psicopatas, vampiros, zumbis, TUDO… agora, vem falar de assombração perto de mim que eu me escondo num cantinho em posição fetal.

    O Exorcista me foi apresentado quando eu tinha 10 anos, meu irmão do meio 8 e meu irmão caçula 6, pela minha mãe biológica.
    Era noite de sábado e a gente tinha acabado de voltar da locadora.
    Logo depois de assistir o filme, meu padrasto foi levar o lixo pra fora de casa (que já tinha histórico de ser mal assombrada.
    Cagava de medo de ir visitar meus irmãos. Por causa da casa, e por causa do sadismo da minha mãe.), e voltou correndo, entrando pela porta da frente com uma máscara da menina do filme e uma camisola. Eu só lembro dos gritos dos meus irmãos.
    Acordei um tempo depois com minha mãe apavorada em cima de mim, me chacoalhando.

    Eu desmaiei de susto. E desde então abomino filmes de terror e odeio levar sustos, por menor que forem.

    Só de essa imagem piscar na chamada do post, já me arrepia o corpo todo de medo. Provável que terei de dormir de luz acesa essa noite.

    Sou ateia, mas grito “Me salva, xessús” quando vejo essa guria aí.

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        Bruna K. de Souza

        Eu devo ter desenvolvido algum tipo de trauma, depois disso, Sally… eu fico extremamente ruim ao ver essa menina.

        Tempos atrás, fuçando idiotices no Youtube, cai nesses screamers… minha pressão subiu e o escambau. PASSO MAL!

  • Quem não ficou com o filme O Exorcista na cabeça por um bom tempo após tê-lo assistido? Quem não ficou aterrorizado ao ver a cena da cabeça da menina possuída Regan girando ou a cena em que ela desce as escadas daquela maneira assustadora? Com certeza O Exorcista ficou na cabeça de muita gente que aprecia filmes do gênero e de quem não aprecia também.

  • Nunca consegui assistir esse filme inteiro, tudo o que vi dele foram cenas soltas através da tv qdo anunciavam sua exibição, ou fotografias pela net. O porquê de eu não ter conseguido assiti-lo é simples: eu li o livro. Tb li de uma porrada só, peguei na bibilioteca no começo da tarde e o terminei à noite. Não quis guardar o livro dentro de casa e muito menos no meu quarto, no dia seguinte fui devolver pra biblioteca e fiquei dormindo com a luz do quarto acesa durante uns 3 ou 4 meses. Não sou supersticiosa e sim cagona mesmo, e bem sugestionável.

      • hahaha…mas sério, eu assisto muitos filmes de terror, gosto do gênero, sou fã ferrenha do Stephen King e do H.P. Lovecraft mas não consegui assistir O Exorcista. Eu acho a cara daquela menina medonha demais, a voz, o ambiente do filme, TUDO!

  • Quando eu era babaca e acreditava em diabo só de ver o anúncio já me cagava de medo. Passava muito no SBT. Só consegui assistir depois que virei atéia. Já vi mais de uma vez e passei a adorar o filme e estórias de diabo são as melhores.

  • O Exorcista figura em 2º lugar no meu top10 de filmes de terror(só perde para O Iluminado), mas foi o ‘culpado’ por me fazer gostar dessa vertente, o que acabou me tornando uma entusiasta de filmes de terror/suspense, incluindo os filmes B(impossível não amar tosqueiras como Robot Monster para quem aprecia o gênero)

  • Oi Sally! Você não sabe o prazer que tive em ler este texto (e um tanto desprazer com a gif haha)
    O Exorcista marcou minha infância, levando uma criancinha de dez anos a ficar completmente fascinada por filmes de terror e hoje uma cinéfila que ama estudar a história por trás desses filmes (quais os impactos na sociedade, cultura, essas coisas). Tirando as pessoas que curtem a era digital, eu acredito que O Exorcista ainda causa sim medo nas pessoas, justamente pela realidade da coisa. Os sons, e a violência real, mesmo que nós não saibamos, o nosso organismo sabe, e isso causa um desconforto.

    Não sei se foi pelo orçamento, acredito que muitos desses recursos foram escolhidos pela mente um pouco insana do diretor. De tempos em tempos aparece um cara com sorte, contatos e talento, que entra de corpo e mente na composição de um filme, dá a sanidade em troca de uma obra prima para nós.

    Sobre os tiros, me lembrei do filme “Hitchcock” que estrou por esses meses. Se trata de um filme contando a passagem da vida do Hitchcock, no período em que ele filmou Psycho. Enquanto estão gravando a cena, Entra Hitchcock, frustrado com seu casamento, pega a faca, e começa a fingir esfaquear a atriz, descontando sua raiva. E assim foi feita a cena mais famosa do filme, a do chuveiro. Não sei quanto disso é real, mas vale a pena assistir :)

    • Também adoro bastidores de filmes, e amo rever esses clássicos dos tempos onde o que contava era a criatividade. Acho que hoje muito dela se perdeu para dar lugar à tecnologia

  • “O Exorcista” e “A Profecia” marcaram o gênero. O problema da geração Youtube / 3D é esse: pela abundância de recursos tecnológicos atuais, não percebem a genialidade da coisa NO contexto, porque não vivenciaram a transição. Do mesmo jeito, não entendem o que era namorar/ flertar na década de 80, sem redes sociais e apenas com telefones fixos disputados pela família inteira, ou que o Maradona era mais jogador que o Messi (na geração do marrento tinha Zico, Falcão, Platini, Boniek, Ardiles, Reinaldo, Bruno Conti, Roger Milla, Rummenigge, Litbarski, Matthaus, Sócrates, Júnior, Valdano, Giresse, o capeta). Hoje, quem joga bola no mundo? Messi, Oscar, Iniesta, Xavi, Fábregas e o volante da Alemanha (já errei o nome de todos os alemães, não vou nem arriscar o dele). Dinossauro feelings.

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      Rorschach, El Pistolero

      Ou talvez a nossa geração dê valor demais ao passado. Não vejo como o fato de limitações técnicas do passado engrandeça as obras feitas lá em comparação com as que são feitas hoje. Não é como se brotasse um O Exorcista a cada dois meses nos anos 70, certo?

      • Você não acha mérito extra que um filme esteja em desvantagem tecnológica e ainda assim assuste mais do que outros que contaram com todos os recursos possíveis?

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          Rorschach, El Pistolero

          Eu acho, mas não acho que seja uma característica da época (“Ah, nos anos 70 é que era bom”), mas sim dos envolvidos, já que O Exorcista é um caso isolado.

      • Não é que tudo da época fosse bom, longe disso. Mas é que hoje em dia, alguém que não viu em tempo real tem dificuldade em avaliar o valor histórico de certas obras porque compara alhos com bugalhos. Neguinho olha e acha tosco, simples assim, porque os recursos são os da época. É como dizer que as pinturas rupestres são uma merda porque os grafiteiros hoje fazem pinturas muito melhores nas paredes.

  • Eu nunca me assustei muito com filme de terror. Confesso que me assustei mais com o filme O Exorcismo de Emily Rose. Até porque, tive uma troll ao meu lado, uma tia querida que achou engraçado começar a imitar a personagem e ao final do filme dizer que sentia algumas coisas que a personagem passou/sentiu. Eu, com meus 16 ou 17 anos na época, quase morri! Obs.: ela imitava muito bem! Estávamos sozinhas em minha casa e eram altas horas da madrugada. Naquele tempo eu já estava me firmando no ateísmo, mas ainda assim quase catei uma bíblia para me abraçar e chorar em posição fetal.
    Dito isso, eu nunca notei os detalhes citados pela Sally, vou rever o filme com mais atenção.
    Sally, vou te fazer uma pergunta que fazem a mim… Você, sendo ateia, justifica como sentir medo ao assistir esse tipo de filme?
    Obs.2: Te faço a pergunta, pois eu sempre justifico que sinto medo pelos sustos e etc. Mas as pessoas tendem a acreditar que por eu ser ateia não posso sentir qualquer tipo de medo. Tenho vontade de esbofetear as pessoas com um gato morto, até ele miar.

    • Uma pessoa relativamente normal sabe que aquilo é um filme, e não uma realidade, logo o medo não é do demônio em si. O medo vem de se colocar no lugar da personagem, por empatia, de sentir o que ela está sentindo, de imaginar como você se sentiria no seu lugar.

      Um exemplo, para ilustrar: tem um filme que eu não lembro o nome onde uma menina decide se vingar de um sujeito e o amarra em uma mesa e decide que vai cortar suas bolas fora. Eu passei o filme todo tensa, e até onde sei, não tenho saco. Acho que é pela empatia de se colocar no lugar da personagem naquele momento mesmo.

      • Se for um filme onde a garota que foi estuprada por 4 caras e quase morta e volta pra se vingar de um por um, o nome desse filme é “Doce Vingança”, muito bom, bem sanguinolento e cruel!!!
        Confesso que nesse filme, o que me deixou tensa foi o momento em que ela coloca o cara para ter os olhos comidos pelos abutres. Achei o máximo, mas me contorci toda!

      • Hard Candy (menina má.com). O filme é pra matar a vontade de maltratar pedófilo, mas a menina acaba sendo mais monstruosa do que o cara. Foi um dos três filmes que me fizeram o estômago revirar. Os outros são Trainspotting e Kids. “Jogos mortais” não fez porque é mais hiperbólico, aí não dá essa sensação de que lá fora isso estaria acontecendo de verdade em algum lugar (mesmo que de fato esteja).

        • Mas a cena do afogamento nos porcos podres triturados do filme 3 da franquia, foi a única que me fez ter ânsia de vômito de verdade assistindo a um filme. Toda vez que vejo, tenho que virar o rosto para não vomitar.

  • Sally, quando eu vi pela primeira vez (com 15 anos), foi justamente a versão estendida, já com a cena da escada e depoimento dos atores. E caramba, eu sabia que tinha sido feito na raça, mas nunca havia me informado tanto!
    Ah, só pra constar: depois de ver o filme fiquei 2 noites seguidas sem dormir, me tremendo feito vara verde e pulando pra cama do meu irmão, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! Eu sou a criatura mais cagona pra esse tipo de coisa ever, tanto que NÃO ASSISTO filme de terror com esse tipo de temática (sangue e tragédia sim, espíritos e assombrações não). Mês passado minha mãe me fez ver Poltegeist e eu dormi de luz acesa…

      • Tenho uma curiosidade imensa de assistir este filme mas enquanto os cagões nasciam, eu já estava correndo. Mas lendo o seu relato pude imaginar e reforçar a minha tese de que não tenho culhões para assistir este filme, sem precisar de terapia depois.

        Minha sorte que quando abri o desfavor a imagem demorou um pouco para carregar então quando li o título da postagem já cliquei rapidinho em “continue lendo”.

        • Ana, pode assistir sim. Hoje em dia é mais uma obra de arte do que algo propriamente assustador. Na década de 70 havia muita coisa mal explicada, muitos mitos, muito atraso na psiquiatria. Hoje o filme não assusta tanto.

        • Olha Ana… pelo que você descreveu, eu acho que você não deveria assistir não. Tanto é que eu não me atrevo a ver de novo.
          Acho que os filmes mais antigos acabam se tornando mais aterrorizantes, sei lá… tipo filme de terror japonês: a produção é mais trash, mas o efeito acaba sendo mais medonho.

            • Sally… quando eu disse que fiquei duas noites seguidas sem dormir tremendo feito vara verde, eu não estava exagerando… como disse a Ana, “enquanto os cagões nasciam, eu já estava correndo”.

                • Tinha 15. Mas não é por culpa da idade não! Como disse, dia desses eu, no auge dos meus 27 anos, dormi de luz acesa e de costas para o espelho por ter visto Poltergeist!
                  Tenho verdadeiro pânico dessas coisas, por isso não vejo esses filmes. Sou doida pra assistir “O Ritual”, mas cadê que o medo me deixa? Não vejo mesmo!

                  • Achei que era jeito de falar. Você de fato não dormiu?

                    É só o sobrenatural que te assusta? Outras coisas como filmes sobre assassinos, ETs, mortes, psicopatas, animais ferozes e cia também te assustam?

                    • Sim, não dormi de verdade!
                      Somente o sobrenatural. Filmes sobre ET, psicopata, etc, eu adoro, nem ligo! Pra mim, ver gente morta, corpos em decomposição é bem tranquilo.
                      Sabe quando o Fantástico faz aquelas séries sobre assombração, visitando casa mal-assombrada e tals? Nem isso eu assisto, tenho muito, muito medo mesmo! Acho uma pena, pois te uns filmes tipo “O Iluminado” e “O Ritual”, que tenho muita vontade de ver, mas como sei que vou me impressionar, nem vejo.
                      Sally, pra você ter ideia, eu ando sozinha a noite aqui pelo Rio de Janeiro sem cagaço algum. Completamente irracional, eu sei… mas é um medo incontrolável, de chorar e tudo.

                    • Eu te entendo. Essa coisa de ter mais medo dos vivos do que dos mortos, eu não concordo. Porque se um ser humano vier atacar, a gente sabe o que fazer, a gente sabe como enfiar a porrada, a gente sabe como matar. Mas se um troço desconhecido aparecer, não saberemos o que fazer…

                    • Ai Sally, que bom que você me entende!
                      Toda vez que relato essa fobia pra alguém, debocham de mim e falam sempre a mesma coisa: “tem que ter medo de vivo”.
                      Porra, me deixa ter os meus medos em paz, que saco!
                      S2

                    • Vivo eu sei como matar, porra! Medo eu tenho de um troço que eu não sei como agredir!

          • Diana, compartilho dos teus medos.

            Nem penso em assistir “Atividade Paranormal”, é um medo estranho pode até ser idiota, mas todas essas coisas sobrenaturais não me agradam.
            É como diz aquele ditado “Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay”.

            Então é melhor deixar quieto.

      • Você, Sally? Nunca me pareceu… Me surpreendi agora… Mas eu também não vejo filmes de terror. Primeiro porque não faz minha cabeça, gosto mais de ouros gênero; segundo que, pra cada “O Exorcista” que surge de tempos em tempos, existem baldes e baldes de tosqueiras que não servem nem como comédia involuntária; e terceiro que evito ver cenas que sei que podem me abalar…

        • Eu me cago de medo… mas não deixo de ver. É algo meio masoquista que ainda está mal resolvido dentro de mim. Uma espécie de atração-repulsa.

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