Desfavor Explica: Manual de Sobrevivência – Incêndios.

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Chegamos à conclusão de que vocês, Impopulares, são pessoas raras e valiosas e que existem tão poucos no mundo, que temos que cuidar bem de vocês. Por favor, não morram. Justamente pensando em preservar esta bela espécie, Desfavor lança mais uma série temática do Desfavor Explica, além do já em andamento Primeiros Socorros: Manual de Sobrevivência. Você vai aprender a se virar no meio da selva, a lidar com ataque de animais, com terremotos e com mais uma série de imprevistos bastante improváveis pelos quais nunca vai passar. Mas, nunca se sabe, se algum texto salvar ao menos um Impopular já terá valido a pena. Desfavor Explica Manual de Sobrevivência: Incêndio.

Nunca é possível saber ao certo como vamos reagir diante de uma situação extrema, mas estudos indicam que 10% das pessoas tem uma frieza fora do comum e conseguem pensar com uma calma admirável e tomar as melhores das decisões. Outras 10%, muito pelo contrário, se transtornam quase ao ponto do retardo mental e no desespero fazem as piores escolhas. Os outros 80% dependem mais de sorte do que de qualquer outra coisa, pois ficam estagnados em um discernimento médio que pode ou não dar certo.

Geralmente os 10% que tem essa estranha calma skylábica são aqueles que de alguma forma tem conhecimento sobre o assunto. Conhecimento é poder. Você é um Impopular, um ser “cerebrado”, uma exceção. Pode muito bem absorver estas dicas e usá-las a seu favor se um dia for preciso. Acredite em mim, quando a hora chegar, este texto vai voltar na sua cabeça e você vai se lembrar do que foi dito. Precisamos de você vivo e vamos fazer tudo que estiver ao nosso alcance para te manter vivo. Leia até o final e aumente suas chances de sobreviver em caso de incêndio.

Incêndio é qualquer ocorrência envolvendo fogo não controlado. Até uma certa fase, é possível que um leigo consiga controlar um incêndio com algumas medidas básicas que deveriam ser ensinadas em escolas mas não são, que nós vamos ensinar aqui (deixa o Brasileiro médio queimar). Daí em diante, se não for possível controlar o fogo, a preocupação tem que ser correr pela sua vida, coisa que também vamos ensinar a fazer.

Você vê um foguinho tímido começando. Pare tudo que está fazendo e entre em ação o mais rápido possível, um foguinho bobo pode virar uma tragédia em questão de segundos. Avalie se no entorno existe algum explosivo ou algo que possa piorar repentinamente a situação, e se houver, procure afastá-lo do foco do incêndio. Se o fogo estiver confinado, como por exemplo, do lado de dentro de um carro trancado, mantenha-o assim até a chegada dos bombeiros. Só há fogo onde há oxigênio e quanto mais oxigênio, mais o fogo se propagará. Portanto, se houver um foguinho confinado, deixe-o lá e ligue para os bombeiros: 193.

Supondo que o fogo não está confinado. Supondo que você viu o foco do fogo e que ainda não é nada catastrófico, é de pequeno porte. Você pode tentar apaga-lo usando um extintor de incêndio. Mas atenção, para cada tipo de situação existe um extintor mais indicado. Como você não é otário nem nada, mesmo depois de ler os parágrafos que se seguem, vai se dar ao trabalho de apenas OLHAR uma porra de um extintor e mentalizar como o colocaria para funcionar, para quando a hora chegar, você não surtar e ficar correndo em círculos e chorando feito a Chiquinha do Chaves.

Aliás, você vai olhar os extintores de incêndio dos lugares onde frequenta rotineiramente HOJE e verificar algumas coisas. Extintores costumam ter validade de UM ANO, estejam atentos para trocá-los anualmente. Um selo na parte da frente do extintor informa claramente sua validade, verifique antes de acontecer uma tragédia se os extintores estão em dia. Verifique também de uma espécie de “relógio” que existe na alça superior do extintor (papo técnico: manômetro) está com o ponteiro apontando para a cor verde. Caso algo esteja errado, avise ao responsável. Caso o responsável não faça nada, avise aos bombeiros, à delegacia de polícia, à Prefeitura, ao Ministério Público, à imprensa e a quem mais você quiser, o importante é fazer barulho para que uma providência seja tomada.

Supondo que os extintores estejam ok. Vamos entender para que serve cada um deles. Extintores podem ser de classe A, classe B ou classe C. Cada um serve para uma finalidade diferente. Tudo isso está escrito e desenhado em cada extintor, mas na hora do nervoso, ou no meio da fumaça, pode não ser muito fácil de entender. Vamos analisar agora, que estamos todos calmos, sem receber a desagradável visita do Chaminha.

O Extintor de classe A é composto basicamente de água e deve ser usado para incêndios em materiais sólidos e inflamáveis (como por exemplo madeira, pano, plástico). É ele que você usa quando a cortina da sua casa pega fogo ou quando o carpete do escritório começa a soltar fumaça depois que uma faísca caiu nele. Preste atenção, pois se usar este extintor no momento errado, pode dar uma grande merda. Ele terá um TRIÂNGULO VERDE com a letra A escrita no centro, em branco, e deve ter escrito SÓLIDOS abaixo. Verde = água

O extintor de classe B é para ser usado no caso de LÍQUIDOS ou GASES inflamáveis, e é composto por pó químico, que apaga o fogo por abafamento. Jamais se deve usar o A nesses casos, pois corre-se o risco de piorar a situação e respingar tudo na sua cara. Sabe quando pinga água na frigideira com óleo quente? Pois é, é isso em uma escala muito maior. Seria o extintor que você usaria para um incêndio envolvendo gasolina ou graxa, por exemplo. O extintor de classe B também não deve ser usado para brincadeiras, pois emporcalha tudo e fatalmente você vai ter um trabalhão para limpar. Ele deve ter um QUADRADO VERMELHO com a letra B escrita em branco e abaixo estará escrito inflamáveis. Vermelho = gasolina

O extintor de classe C é para situações onde há fogo em uma rede elétrica energizada e é composto basicamente por gás carbônico. Não é esperto usar água, um bom condutor de eletricidade, em qualquer lugar que contenha eletricidade. Admite-se que no caso da rede elétrica se use também o extintor de classe B, apesar do C ser mais eficiente. Este extintor requer um cuidado especial na hora do manuseio, a ponta da mangueira nunca deve ser segurada pelas extremidades. Leia mais nos parágrafos abaixo e entenda a razão. Ele terá um CÍRCULO AZUL escrito C em branco e a palavra “elétrico” escrito abaixo. Azul = cor que você vai ficar se meter a mão na rede elétrica

Não custa mencionar que também existe um de classe D, cuja utilidade é apagar incêndio em metais, mas é muito raro, não creio que ninguém aqui passe por isso. Também não custa lembrar que existem extintores “coringas”, que podem ser ao mesmo tempo mais de uma letra, ou seja, apagar mais de um “tipo” de incêndio. Se não conseguir ler, tente ao menos se lembrar da cor.

Agora você já sabe quem é quem. Na hora do incêndio, a primeira coisa a fazer é identificar o extintor que melhor vai controlar o fogo e usá-lo sem medo. Você vai começar retirando o extintor do suporte e colocando-o no chão, de modo a ficar com as duas mãos livres. Provavelmente haverá um lacre de segurança plástico similar ao que se coloca em malas nos aeroportos. Para rompê-lo basta girar o anel que está preso a ele. Uma vez rompido o lacre (com os dentes, se necessário for), puxe o anel metálico, pois ele impede que o extintor seja acionado. Esse costuma ser o principal erro: as pessoas rompem o lacre plástico e acham que está tudo ok, e se desesperam quando não conseguem acionar o extintor. Tem que tirar o anel metálico também, um aro parecido com aqueles onde colocamos as chaves em um chaveiro. Vá hoje sem falta até um extintor e olhe de perto. Isso pode fazer a diferença.

Depois de remover o anel metálico o extintor está pronto para uso. Mire a mangueira dele em direção ao fogo e acione apertando a alavanca de cima. Quanto mais próximo da ponta você segurar a mangueira, mais controle e mira você terá. EXCEÇÃO: no caso de extintor de Gás carbônico, aquele de classe C, do círculo azul, o procedimento é diferente. Repare que ele tem um difusor na ponta. Isso acontece porque o gás carbônico em contato com a atmosfera pode causar o congelamento, portanto, nada de meter a mão no difusor, se não você pode sofrer uma queimadura por congelamento. Se tiver difusor, favor segurar na base preta (papo técnico: manopla), não do difusor.

O ideal é mirar na base do fogo, comece por baixo, pois como já foi dito, o fogo tente sempre a subir. Tente identificar o foco principal e se aproximar a uma distância segura. Mire na parte mais baixa, pois não adianta nada apagar o fogo que está em cima e deixar a base queimando, logo logo ele voltará a subir. E para reforçar: extintor só adianta em princípios de incêndio, com focos de pequenas proporções. Se a coisa já tomou grandes proporções, não vai adiantar. Se você está na dúvida, é porque o foco não está tão pequeno assim. Na dúvida não tente bancar o herói. E cuidado com roupas inflamáveis, um casaco de nylon pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Tire qualquer roupa que possa aumentar seu risco de pegar fogo.

Existe um último recurso que alguns prédios tem chamado “hidrante de parede”, que não se recomenda utilizar se você não tiver treinamento de combate a incêndio. Mas, na hora do tudo ou nada, vale qualquer coisa. Abra a torneira e se prepare para o tranco da força da água. Se der certo deu, se não, você tentou.

Por incrível que pareça, uma das maiores causas de vítimas em incêndios é o péssimo hábito que as pessoa tem de demorar a evacuar a área ou até mesmo retornar a ela depois que se dão conta do incêndio PARA PEGAR SEUS PERTENCES. Está pegando fogo? SAIA. É pouco? Tente apagar com o extintor. Não acha, não sabe ou não quer? SAIA. Esqueça bens materiais Depois você compra tudo novamente, faz segunda via de documentos, depois se dá um jeito, apenas SAIA. Um incêndio pequeno e aparentemente inofensivo pode virar um inferno mortal de um segundo para o outro. Pode causar uma explosão, pode te trancar em um cômodo. Assim que perceber o incêndio SAIA, deixe TUDO que não estiver ao alcance da sua mão e saia. Isso pode salva a sua vida. Vamos partir do princípio que o extintor não deu certo ou que o fogo estava em um grau incontrolável e trabalhar agora com a hipótese de evacuação (fuga, não se cagar de medo, que fique claro).

Eu não preciso mandar que as pessoas não se joguem contra as chamas, certo? Não pule no fogo. O problema é que você vai enfrentar outros inimigos além do fogo ao fugir um incêndio: o calor (que sim, pode matar), a fumaça e até mesmo outras pessoas, que desesperadas podem te pisotear tal qual uma manada de búfalos. Ler sobre todos os problemas que podem se apresentar e compreender quais são as opções menos arriscadas majora em muito suas chances de sobrevivência. Não sou eu quem diz, estudos comprovam. Mesmo que você leia isso hoje, sem dar muita importância, se um dia a situação de risco se apresentar é muito provável que seu cérebro, ávido por sobreviver, vá buscar algumas das informações que estão aqui lá no fundo dos arquivos armazenados. Portanto, não se preocupe em decorar nada, apenas leia e compreenda o que vou dizer. Quando a hora chegar, a informação vai se apresentar na sua mente.

O lado bom é que seu corpo é uma máquina programada para sobreviver. Diante de uma situação de estresse que coloca a sua vida em risco, ele te dá aquela força com uma série de providências involuntárias. Assim que o perigo se apresenta, sua corrente sanguínea ganha de presente uma descarga extra de substâncias (papo técnico: adrenalina, noradrenalina e cortisol) que colaboram para sua sobrevivência. Aproveite. Você estará com uma força fora do normal, com os sentidos aguçados e com uma resistência maior para correr ou qualquer outro esforço físico que seja necessário. Antes de se entregar pensando nas suas capacidades regulares (“eu não vou ter força para fazer isso”), tente. Pode ser que você consiga. Você é quase um X-Men quando está no perrengue.

Sua respiração vai ficar ofegante, aumentando o nível de oxigenação cerebral, de modo a que seus neurônios estejam em sua capacidade máxima, aptos para tomar a melhor decisão com o melhor discernimento possível. O coração vai bombear sangue mais depressa, para que o corpo tenha a disposição todos os nutrientes que precisa para dar “o melhor de si”. Todo o estoque de “combustível armazenado” (açúcar e gorduras) são quebrados e transformados em energia, para te dar forças para correr, pular ou fazer o que for preciso para sobreviver (não vale tacar fogo nas cortinas de casa só para queimar mais calorias). Com mais energia e oxigênio os músculos viram uma máquina de fuga e suas chances aumentam, da parte física a mãe natureza se encarrega. É por isso que eu estou fazendo questão de repetir: TENTE. Você está com superpoderes temporários. O problema agora é o conhecimento técnico, que aliado e um corpo 100% voltado para a sobrevivência, vai te tirar dessa. E é para isso que estamos aqui hoje.

Tenha em mente uma coisa: geralmente aqueles que sobrevivem são os que tem a capacidade de imaginar, de antever o pior mas esperam pelo melhor.

O primeiro grande inimigo é o calor. Se for possível, procure se refrescar (vale até jogar água em si mesmo) ou se manter em um ambiente que ainda não foi tomado pelos fogo nem o seu entorno. O fogo pode fazer com que a as altas temperaturas reduzam o percentual de oxigênio no ar à sua volta, tornando mais difícil a respiração e te deixando confuso. Procure sempre uma fonte de ventilação para buscar ar puro. Dica: abrir uma geladeira, por exemplo, pode te dar um suprimento extra de ar para dar uma bela corrida e sair de um cômodo para o outro. Janelas, portas de cômodos que ainda não foram invadidos pelo fogo, vale tudo. Procure sempre por ar fresco na sua fuga. Qualquer prédio decente tem placas indicando a saída, siga as placas e sempre que puder tente uma fonte de ar puro.

Na dúvida, procure andar abaixado, na altura dos joelhos de uma pessoa que estivesse de pé. Mesmo que para isso você tenha que andar de quatro, acredite, geralmente é preferível perder um pouco de agilidade para não morrer contaminado pelos gases tóxicos que o fogo pode ocasionar. O ar que está mais baixo é mais “respirável”. Mas atenção: não é para rastejar, pois rente ao solo também pode haver acúmulo de gases tóxicos. Ainda assim, se puder, coloque um pano úmido (um casaco, uma camiseta, o que tiver nas mãos molhado, se preciso for, com cuspe) na frente das narinas para tentar filtrar as impurezas. Pode fazer a diferença e salvar sua vida.

Se você estiver em um local com várias entradas e saídas, como é por exemplo o caso da grande parte dos prédios comerciais, antes de optar por uma porta, toque primeiro a parte de baixo dela, logo em seguida o meio. Se ela estiver quente, é melhor optar por outra saída, pois há grandes chances que haja mais fogo lá dentro. Aliás, só abra as portas que você vai usar para sair, portas fechadas podem controlar ou ao menos atrasar o fogo. Mas não tranque as portas, outros seres humanos podem precisar sair por elas. Lembre-se: o fogo sempre se propaga para o alto, logo, sua estratégia, sempre que possível, é tentar DESCER. Se você subir corre o sério risco de se encurralar ainda mais. Sempre que for possível, foque seu caminho para baixo. A única exceção é se você estiver no subsolo, nesse caso suba, antes que tudo desmorone em você. Nem preciso dizer que ninguém deve usar o elevador, né? Talvez essa seja a única informação realmente divulgada. As chances de você ficar preso no elevador e morrer lá são enormes. Escada, sempre.

Na medida do possível, procure deixar o resgate de outras pessoas para os bombeiros, eles são treinados e equipados para isso. Claro que ninguém vai deixar uma pessoa muito próxima e querida abandonada em uma situação dessas, mas sair pagando de herói retirando um bando de desconhecidos pode acabar fazendo mais mal do que bem. Deixe o socorro para quem tem treinamento. Chame os bombeiros e indique a localização das pessoas que ainda se encontram dentro do imóvel que está pegando fogo.

Vamos pensar no pior dos casos: um incêndio onde o fogo fechou todas as saídas. Você não tem como sair. Jamais se jogue contra o fogo, suas chances de sobreviver a isso são bem pequenas. O mais indicado é tentar achar uma área que ainda não tenha sido afetada pelo fogo e se trancar nela, fechando todas as portas que puder e aguardar por socorro. Se possível, vede as frestas das portas que você fechou com panos úmidos, fita adesiva ou o que você encontrar, é hora de deixar nascer o MacGyver que existe em você. Isso impedirá ou retardará que gases tóxicos cheguem até onde você está.

Havendo uma janela no cômodo, abra e observe: se entrar ar fresco deixe aberta, mas se entrar fumaça, o menos pior a fazer é fechá-la. Tente entrar em contato com alguém, se não por telefone, acenando, para indicar que você está lá. Se puder, ligue para alguém e avise exatamente onde você está, para que o socorro possa procurar por você sem perder tempo. Se houver alguma chance de resfriar o ambiente com água, isso pode majorar suas chances de sobrevivência. Deu tudo errado? O fogo está te encurralando? Daí vem a pergunta perturbadora: pular ou não pular? Pular, segundo especialistas, deve ser a última das últimas das opções. Lembra dos seus superpoderes? Você pode tentar outras coisas antes. Tente tudo antes de pular, pode ser que no último segundo apareça alguém para te resgatar.

Pessoas pegando fogo: é desesperador e é compreensível que você não saiba o que fazer. A tendência natural do leigo é querer jogar água na pessoa, entretanto, dependendo da extensão do fogo, isso não resolve. O ideal é cortar o “alimento” do fogo, ou seja, o oxigênio, abafando a pessoa que está em chamas com um cobertor, por exemplo. Mas tome o cuidado de que o material usado para abafar o fogo não seja inflamável. A preferência é que seja com um cobertor ou manta secos. Jogue em cima da pessoa e procure “embalar” a vítima como se fosse a vácuo. Se você não tiver acesso à pessoa, o melhor que pode fazer por ela é manda-la rolar no chão, correr só vai piorar a situação.

Para terminar, uma dica sobre grandes incêndios em áreas abertas: observe os animais. Corra para onde eles correrem. Em matéria de natureza, os animais entendem mais do que você. E essa dica vale para quase qualquer grande desastre envolvendo a mãe natureza. Mas se você quer ser “destimido” e apagar um grande fogo em área aberta, sua melhor chance é colocar fogo em volta do fogo, fechando-o em um círculo de área queimada, para extinguir a vegetação que o propagaria e impedir que ele tenha como se alastrar fora desse círculo. Mas cuidado, é muito fácil perder o controle.

Se, em qualquer caso o Chaminha te alcançar.

Para dizer que quando não tem polêmica os textos não tem graça, para dizer que não vai mostrar este texto para BMs na esperança que cedo ou tarde eles morram incendiados ou ainda para me perguntar como sobreviver a mais 4 anos de PT: sally@desfavor.com

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Comentários (68)

  • Sally, gostaria de fazer alguns acréscimos a respeito dos extintores. Alguns aspectos já foram inclusive comentados por outros leitores, mas não vejo mal em reiterá-los.
    Primeiro, as classes A, B e C (e as outras especiais, que não vale a pena incluir no texto devido à raridade, como você já disse), não são classes de extintores, mas de incêndios. Ok, isso é meramente um detalhe técnico.
    Quanto à utilidade de cada tipo: o extintor de PQS (Pó Químico Seco), apresentado como classe B, também pode ser usado em focos classe A e C; o de CO2, além de servir bem a focos classe C, atende aos A e B, com a ressalva feita pelo Mark, de não ser muito eficaz em ambientes abertos e/ou ventilados; e existem ainda os extintores de espuma, um pouco mais raros mas extremamente úteis em incêndios classe B, podendo também ser utilizados em focos classe A.
    Uma última observação, esta envolvendo equipamentos elétricos: normalmente, prefere-se utilizar os extintores de CO2 por este apresentar menores riscos de danificar os equipamentos, mas se o foco não for muito pequeno, é melhor utilizar logo o pó, que é mais garantido. Além disso, vale lembrar que, uma vez desligado de qualquer fonte de energia (isso inclui a rede elétrica e também baterias e acumuladores internos) o equipamento torna-se um sólido comum, e pode ter seu fogo combatido com água ou espuma.

    • Uau! Quanto conhecimento… você entende de avião, de incêndio… desculpa a curiosidade, mas com que você trabalha?

      • Ah, mas nem tudo é por causa do trabalho não. Muita coisa sei de curioso mesmo, ou por conviver com as pessoas certas…

  • É o que eu falo: Desfavor é utilidade pública, é vida! <3
    Lendo o texto me lembrei de uma situação que vivi que não foi bem incêndio, mas estava mais para acidente automobilístico…

      • No caso, eu “tentei” salvar meu amigo né? Mas não deu! = /
        Foi assim: estávamos voltando de viagem em dois carros separados… eis que o carro que o meu colega estava, capota e começa a pegar fogo! Eu vi tudo acontecer… foi tenso! Consegui com mais outro colega correr até lá e tirar ele do carro de cabeça pra baixo e com as chamas já se espalhando, mas a pancada que ele levou com o capotamento foi tão forte que ele não resistiu até o socorro chegar e… morreu nos meus braços. Me dói até hoje lembrar disso mas… fazer o que? pelo menos eu tentei!
        E quanto ao carro, quando fomos ver as chamas já não tinham mais controle nem com os extintores!

  • “Dica: abrir uma geladeira, por exemplo, pode te dar um suprimento extra de ar para dar uma bela corrida e sair de um cômodo para o outro”.

    Foi dessa forma que uma das funcionárias da Kiss, que trabalhava no bar, se safou.

  • Eu sempre decorei os extintores pelas letras, fazendo uma ligação:

    Extintor A – Água (A – A)

    Extintor B – Bafo (lembra vapor líquido e gases)

    Extintor C – Carbono (C – C)

    Nunca esqueci disso…:P

    Mas adorei o texto… bom saber como se comportar em casos extremos.

  • Alguém sabe me dizer o quanto é perigoso ou mito, morar próximo de posto de gasonlina? Quanto eu tava procurando ap, sempre que via um posto próximo ao longo da minha visão, descartava o ap, porque dizem que se o posto explodir, pega todos os prédios próximos. Isso é verdade?
    Outro dia vi um taxi pegando fogo, jogaram água e nem nada, depois pegaram o extintor e o fogo deu impressão que ia apagar, mas depois voltou de novo. Estranho, parecia que o carro tava possuído pelo Jason. Curioso que não explodiu, queimou ele todo.

    • A preocupação com o risco de explosão é tamanho que até mesmo o uso de celular é proibido em postos de gasolina. O risco de avaria depende das dimensões do prédio e da proximidade dele em relação ao posto.

      O maior problema ai é a enorme quantidade de liquido inflamável presente nesses lugares (na forma de gasolina, álcool, óleo diesel e mesmo de óleos lubrificantes), que a depender do caso pode ocasionar uma explosão de grandes proporções, causando danos em um raio de uns 100 m do posto.

      Por conta disso, o mais pertinente em imóveis em tais condições é a presença de saídas de emergência por detrás do posto nas “lojas de conveniência”, além, é claro, de boas condições de evacuação nos prédios vizinhos ao posto na tentativa de evitar que tais sinistros resultem na morte de pessoas.

      • valew, brother. isso que eu queria saber. então são 100 m, equivale a 2 piscinas olímpicas, realmente faz estrago pra caramba. fiz bem em ir morar longe de posto!

    • E no que diz respeito ao taxi, o incêndio é ora classe B, ora classe C. Foi uma temeridade tentar se apagar o incêndio com água. Provavelmente o extintor veicular é justamente para os incêndios B e C.

      Não foi citado o extintor para a classe K, que é para óleos e gorduras, sendo um extintor voltado principalmente para a cozinha.

    • Na real, carros explodindo são coisa de filme. O que acontece é que eles podem facilmente se incendiar e, dependendo da extensão de um provável vazamento de combustível, esse incêndio possa se alastrar muito rapidamente.
      Até onde sei, o mesmo princípio se aplica a postos de gasolina, só que com uma quantidade de líquidos inflamáveis assombrosamente maior. Duvido muito que tenha esse raio de destruição todo, mas não ouso afirmar com certeza.
      Já o lance dos celulares é o seguinte: como os combustíveis são bastante voláteis (especialmente a gasolina), forma-se uma grande quantidade de vapores inflamáveis no posto (quem nunca reparou no forte aroma enquanto abastece o carro?), e qualquer fagulha, como as que, teoricamente, podem se formar dentro dos telefones, seria suficiente pra iniciar um incêndio.

        • Tem sim, mas o perigo é bem menor. Acontece que, diferente de boa parte dos sólidos, que queimam em profundidade, os líquidos queimam apenas na superfície. Sendo assim, o combustível confinado no tanque não gera tanto risco quanto aquele espalhado no chão. Além disso, no caso de vazamento, o combustível pode chegar até a chama, enquanto que, se não vazar, o fogo é que tem que chegar até o tanque, dando um tempo de reação maior para usar o extintor e socorrer possíveis vítimas.

  • Já sobrevivi a um pequeno incêndio. Eu e primos, crianças, e minha avó, idosa. Incrível como a gente faz de tudo para sobreviver mesmo. Minha avó tirou o botijão de gás da cozinha, eu mandei a meninada pra uma área aberta e minha prima mais velha conseguiu apagar o fogo. Não sei nem como fizemos tudo isso sem instrução nem nada, mas o estrago foi só de bens materiais – e nessas horas quase acredito em deus. Afinal, quatro crianças (a mais velha com, no máximo 10 anos, e o mais novo com uns 2) e uma idosa se viraram. Não é deus, claro, é instinto. PQP

    • Claro, minha prima foi meio doida de querer apagar o fogo sozinha, mas ela conseguiu – sem se atirar nele nem nada. E, verdade seja dita, ela tinha algumas rotas de fuga. No fundo acho que ela percebeu isso inconscientemente.

    • Acho que eu já contei isso aqui antes: minha única experiência com incêndio foi além de tudo, humilhante.

      Era aquela época em que o Albucacys, o bombeiro da Luma de Oliveira estava famoso. Uma amiga minha que é tipo um Alicate Fêmea descobriu que ele estava na unidade do corpo de bombeiros responsável pela área onde ficava o apartamento dela, daí como ela achava ele lindo, achou uma boa ideia tacar fogo nas cortinas da própria casa só para poder chamar os bombeiros. Eu tentei argumentar, mas não fui ouvida.

      Evidentemente ela perdeu o controle do fogo e a casa toda começou a se incendiar. Quando os bombeiros chegaram eram todos uns barangos e ela começou a gritar que só o Albucacys apagaria o fogo dela. Acabou conduzida a uma delegacia de polícia.

  • Rorschach, el Pistolero

    Obrigado por escrever esse texto, Sally. É impressionante como esse tipo de informação é importante, mas eu nunca tive curiosidade de ir me informar sobre. Já recebi treinamento no Exército, mas fora isso nunca considerei me preparar para situações assim…

    • É o tipo da coisa que a gente só percebe que precisa quando é tarde demais. Não deixe de dar um confere nos extintores…

  • Adorei o texto! Morro de medo de um dia passar por uma situação assim e brasileiro médio tomar as rédeas da situação e dar merda.

    Uma dúvida que quase não tem a ver com o texto: certa vez li que dá pra usar um extintor contra um ataque de pitt bull (ou outro cachorro). Alguém sabe me dizer se é verdade e, caso seja, que tipo de extintor usar?

    • Faça sempre VOCÊ. Se você quer algo bem feito, faça sempre VOCÊ. Não deixe nada nas mãos das Gislaines ou dos Marcleisons, JAMAIS.

      Sim, costuma repelir ataque de cachorro, a fumaça e o barulho assustam eles

  • Em 2007, aqui no Rio de Janeiro na Rua visconde de Inhaúma o prédio em que eu trabalhava sofreu um incendio na casa de bombas que por ser de uma arquitetura antiga e provevelmente não ser originalmente projetado para receber uma casa de máquinas no espaço utilizado gerou fumaça no prédio quase todo, dos 15 andares, pelo menos 8 foram atingidos. Eu trabalhava no 5° e 6° andar e, mais uma vez o predio tentando nos matar não tinha alarme de fumaça, luzes de emergencia e o principal brigada de incendio. O alarme foi dado na base do Boca a boca e a evacuação, da minha empresa teve que ser em parte comigo e alguns amigos, já que para embarque em plataformas é necessário um curso de combate e resgate em incendio, não éramos bombeiros mas tiramos 6 pessoas que não conseguiam andar por si só e evacuamos 4 andares com a escada de emergencia completamente encalusurada e enfumaçada até os bombeiros chegarem. Mas fiquei fudido pela quantidade de fumaça inalada e tive que ficar em casa 4 dias. Uma senhora idosa morreu intoxicada no 9° andar. Depois disso o prédio ficou interditado até que se adequasse as normas de segurança, mas ninguém foi preso.

    Recomendo muito que quem tiver chance de fazer um treinamento desse que o faça, preparo para qualquer situação é um bom investimento. Existem ótimos centros particulares reconhecidos pelos bombeiros que prestam este tipo de treinamento, mas não é barato lembro que o meu custou aprox. R$ 1800,00 por que era pela empresa, para particular constuma ser um pouco mais caro.

        • Eu estudei em escola pública, e lembro que uma vez teve uma palestra de um bombeiro. Mas foi principalmente pra alertar os alunos de que não deviam ficar brincando com os extintores. É que a escola tinha recebido um prédio novo, e os extintores nos corredores eram novidade pra todo mundo… uns arrancavam os lacres e ficavam exibindo pendurados no chaveiro, outros usavam os extintores de água pra molhar os colegas.

          Mais tarde, ocorreram estupros e espancamentos, o controle sobre os corredores foi aumentado: colocaram grades com cadeados, e alguns professores ficavam com a chave. Muitas vezes ficamos presos na hora da saída, esperando algum professor ou professora chegar com a chave, o que prova que nem todos tinham… imagina em caso de incêndio.

  • A parte que você diz “não surtar e ficar correndo em círculos e chorando” me lembrou uma acontecimento que virou piada com o jogo “The Sims”, onde todas vez que a cozinha pega fogo, os personagens do jogo ficam gritando e correndo de um lado para o outro perto do fogo e acabam morrendo queimados. Já que o jogo se diz simulaçao da vida, deve ter sido uma critica do criador do jogo a socieda, já que estatisticamente a maioria das pessoas nem sempre mantém a calma e se desespera. Brincadeiras a parte, Ótimo texto Sally.

  • Mais duas dicas importantes.
    1) Se a carga do extintor acabar e você ainda não conseguiu debelar o incêndio, ao pegar outro extintor cheio, deixe o vazio deitado, para um outro possível socorrista não pegar um extintor já vazio, se o socorrista tiver recebido treinamento ele ira saber que extintor deitado é extintor já usado.
    2) Ao combater um incêndio, procure sempre dar uma olhada para trás com o proposito de proteger sua retaguarda e uma área livre para fuga, caso seja preciso de você simplesmente desistir e cair fora.

  • Sally, nessa parte aqui: “EXCEÇÃO: no caso de extintor de Gás carbônico, aquele de classe B, do quadrado vermelho, o procedimento é diferente.” não seria classe C, círculo azul??
    Pelo menos lá em cima você diz que o extintor de gás carbônico é o C!

    De resto, muito útil!! Obrigada pelas informações!

  • De uns tempos pra cá todos os grandes prédios comerciais são à prova de pulos: já são construídos com janelas vedadas.

  • Andreia Pereira

    Oi,Sally! Realmente a mensagem fica retida no cerebro e quando precisa é usado. No meu caso não foi incêndio, foi um afogamento de uma criança. Enquanto todos ficaram catatonicos, eu fui meio que no automático e consegui seguir os procedimentos que tinha lido antes,de desobstruir vias aéreas, massagem cardíaca e até a respiração boca-a-boca. Salvei uma vida,mas nao me lembro muito dos detalhes,só o que contaram depois.

  • Sally, o de Classe B não é pó químico?
    “EXCEÇÃO: no caso de extintor de Gás carbônico, aquele de classe B, do quadrado vermelho, o procedimento é diferente.”

  • Pelo pouco que notei dos extintores, a comunicação visual deles deixa muito a desejar.

    Claro que tem o ponto positivo das instruções para uso, mas isso não é uma coisa a qual a pessoa vá ficar atenta na hora da emergência (uma pessoa tentando ler as instruções no meio do perrengue pode ser contraproducente com a tentativa de dar um jeito no início de incêndio). O momento é de ação e não de pessoas “02 neurônio” tentarem compreender o que vão fazer.

    Isso para não falar do uso de pequenas perfurações no plástico adesivo para indicar a validade para as revisões (seja de recarga do equipamento – 1 ano, seja de revisão mecânica do mesmo – 5 anos). Uma pessoa desatenta pode acabar pegando um extintor vencido (que provavelmente não vai ser eficiente no combate ao fogo) sem se notar disso.

    E se usou, tem de fazer a recarga. É recomendável utilizar o extintor apenas se o marcador (na parte superior do mesmo) na parte de cima dele estiver no VERDE. Caso esteja no VERMELHO não vai funcionar a contento e caso esteja no AMARELO, talvez ele possa até ser utilizado, mas seu uso é PERIGOSO e não recomendado.

    O maior problema nisso é que as pessoas ficam na arrogância, achando que por isso não ter acontecido, podem se despreocupar e achar que isso não vai ocorrer. O problema é que tal atitude acaba culminando em casos escabrosos como o da Boate Kiss, que acabou em mais de duzentas mortes que poderiam ter sido evitadas.

      • Sabe qual o mais irônico no caso da Kiss? É que era justamente os seguranças que deveriam estar preparados para serem os responsáveis pelo controle do fogo logo no seu início ou mesmo pela evacuação do prédio caso o fogo não fosse devidamente debelado.

        Também era de responsabilidade da equipe de seguranças fazer o controle do material pirotécnico a ser utilizado no show… Mas como quase tudo no Brasil é enfocado em minimizar nos custos pra maximizar na rentabilidade, contrataram meros “leões de chácara”, cuja preparação como seguranças se limitava a conter brigas e a controlar o fluxo de pessoas no espaço.

        Para quem não sabe, muitas vezes tais funcionários são contratados a título precário (tendo o trabalho quase que como um “bico”) e ganham com base em dias trabalhados, sem ter vínculo empregatício formal.

        E provavelmente não se investiu em meios para a comunicação interna da equipe de segurança (equipamentos similares aos conhecidos “walkie-talkies”), o que deve ter dificultado a ação a ser tomada naquele caso específico.

    • Eu já tinha visto esse vídeo a algum tempo. Foi isso que me impulsionou a ter um extintor em casa, até porque no meu prédio tinham vândalos que roubavam os extintores dos corredores.

  • Excelente texto de utilidade pública, Sally. Pena que essas coisas, que literalmente podem fazer a diferença entre viver ou morrer, não são ensinadas em lugar nenhum. Tem quem vá dizer “Ah! Não adianta ficar fazendo treinamento de incêndio porque a prática nunca é igual à teoria e, na hora em que for pra valer, no desespero ninguém vai lembrar de nada”. Realmente é difícil se manter lúcido numa situação extrema, mas se você estiver munido de alguma informação – ainda que mínima – sobre como proceder e se “já tiver passado por isso antes” em algum treinamento, as chances de conseguir se lembrar do que fazer e sair vivo aumentam.

    Ah! E vejam este vídeo sobre apagar com água um incêndio na cozinha causado por óleo muito quente:

    http://www.youtube.com/watch?v=eMteAqER-Q8

  • Extintor de incêndio é pesado pra caralho, tem que ser foda pra conseguir carregar aquilo., se o fogo estiver longe do extintor fudeu. Outra coisa que não entendo são os treinamentos de escape de prédios, ensinar a sair com ordem e tals. Até parece que na hora do tudo ou nada, nego em vez de sair correndo vai ficar esperando instruções.

    • Depende do tamanho do extintor! O extintor de um carro, por exemplo, é do tamanho de um melão.

      O treinamento é para que as pessoas aprendam onde ficam as saídas e se condicionem a sair com calma. Pode até ser que na hora não saiam com calma, mas pelo menos saberão onde estão as saídas.

      obs: Em países civilizados as pessoas saem com calma sim

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