Briga de dois.

Sally e Somir concordam que gente barraqueira não costuma ser bom material para um relacionamento amoroso, mas diante de uma situação de briga (desnecessária) envolvendo o(a) parceiro(a) a concordância desanda em formas diferentes de demonstrar sua insatisfação. Os impopulares estão desafiados a comprar essa briga.

Tema de hoje: Deve-se apartar briga desnecessária de parceiro(a)?

SOMIR

Sim. Briga é coisa de bicho e bicho deve ser controlado. Atenção ao qualificador “desnecessário”: estamos considerando uma daquelas famosas desavenças superficiais que escalam para pancadaria. Briga que não leva a lugar nenhum além do hospital… Não é briga para proteger uma pessoa querida ou algo que o valha. Estamos falando de barraco!

Entendo que tem um fator de gêneros envolvido aqui. Eu vou enxergar a situação do ponto de vista de quem é quase sempre mais forte que ambas as mulheres brigonas, muito diferente da Sally. É bem mais simples para um homem separar essa briga e/ou carregar a que te diz respeito para longe dali. Ah sim, no meu caso a briga tem que ser entre duas mulheres, qualquer um vai entender que no caso de um homem batendo na sua mulher você não aparta, você assume a briga e torce para alguém separar antes que saia morte.

Por isso vou falar primeiro do específico sobre eu estar pensando numa parceirA, e só depois ir para um elemento mais comum. Para começo de conversa, apartar briga de mulher é um ato de preservação de dignidade. Poucas coisas são mais ridículas… Duas adultas agarrando cabelos e roupas uma da outra, berrando e jogando tapas no ar com a proficiência de uma criança bêbada? É… não é um momento particularmente brilhante da existência feminina. E sim, homem sem treinamento também briga de forma patética. Mas briga de homem tende a acabar logo.

Briga de mulher não costuma evoluir. Como normalmente as duas são terríveis nisso de brigar, não se machucam o suficiente. Como normalmente também falta potencial aeróbico e muscular para golpes decisivos, a coisa vai se arrastando até exauridas as possibilidades físicas de ambas. Daí pra frente é uma sequência de fases de agressividade física e verbal, com as verbais ficando cada vez maiores.

Confesso que até há algo de sexy em ver duas delas se entregando à agressividade primal do ser humano, e como elas inconscientemente tentam se despir durante a briga, muitas vezes os observadores ganham um presente. Se nenhuma delas for “sua”, mesmo isso fica chato com o tempo. Se uma delas for, nem a pau que eu vou dar alegria para a concorrência! Sem contar que hoje em dia filma-se tudo…

Mas chega de provocações: vamos para o ponto comum aqui. Quem briga perde a razão. Mais uma daquelas frases brilhantes da cultura popular que pouca gente realmente entende; razão de estar certo e razão de racionalidade são os dois sentidos que deveriam ser compreendidos dela. Existem muitos bons motivos para se criticar quem resolve pensar com os punhos, mas todos eles são mais claros fora de uma situação como uma briga!

Se a pessoa está brigando, está num momento de irracionalidade. Eu não acho bonito, mas entendo o contexto. Quando alguém com quem você se importa entra numa furada dessas, o mínimo que se faz é tentar ajudar. Sally escreveu sobre brigas num texto recente e eu concordei: gente que usa o(a) parceiro(a) de escudo para sua covardia merece mesmo se foder numa briga. A questão aqui é muito mais abrangente: Quem disse que no caso do tema de hoje a pessoa está te usando para escapar da briga?

Pessoas perdem a cabeça. Eu vou ser o primeiro a criticar duramente minha parceira se ela se enfiar num barraco desses, mas só quando a coisa esfriar e ela já estiver fora de perigo. Prioridades: integridade física é algo muito mais urgente que um ajuste de conduta. Termina a briga e só aí ensina a lição. Violência é pouco construtiva… deixar a pessoa brigar vai incentivar a agressividade futura: seja por coragem numa vitória ou por medo no caso de uma derrota. Bicho que apanha fica mais agressivo… Simples assim.

Infelizmente todo mundo tem seus momentos explosivos. Não que isso a perdoe pela briga desnecessária, mas não estragou de vez com ser humano. Aparta-se a briga pelo princípio de não pactuar com ela. Oras, você não quer que a pessoa querida se machuque! É natural. Primeiro elimina a ameaça mais urgente e só depois vai tentar educar para que isso não se repita.

E não precisa enfiar a porrada para apartar uma briga. O primeiro que tenta normalmente dispara reações parecidos em quem está por perto. A turma do “deixa disso” sempre começa com uma pessoa de ação. Importantíssimo, principalmente se você for mulher: não precisa nem ir para conseguir. Pode ser muito difícil segurar as pessoas envolvidas, mas tem que tentar. Qualquer elemento estranho no meio de uma briga já tem o potencial de desarmá-la. Pode não ser naquele exato segundo, mas muda o clima. Fica menos “animal”. Muito menos chances de alguém morrer.

Sei que as outras crianças vão te achar mais legal se você colocar essa banca de “foda-se tudo”, mas essa postura só vai te ganhar tapinhas nas costas (e na internet…). Ganha-se muito pouco em troca. Entrar num relacionamento é comprar um briga, é escolher um lado. Não precisa se matar ou fazer algo horrível só para provar cumplicidade, mas nem para apartar uma porcaria de uma briga?

Só para garantir: entendo que é mais perigoso para uma mulher apartar briga de homem e entendo que o grau de envolvimento delas chegue no limite do aceitável BEM mais cedo que para os homens, mas estamos discutindo o princípio. E o princípio é proteger quem se quer bem. Mesmo que naquele caso essa pessoa esteja fazendo merda.

E se não aguentar mais, termine o relacionamento e passe o problema para frente. O que não dá para ter é essa parceria seletiva. Começou? Termina.

Para dizer que tem muita mulher por aí que me encheria de porrada (vulgo: “lógica ser difícil”), para dizer que se eu tivesse que apartar uma luta de MMA não teria a mesma opinião, ou mesmo para dizer que não se importa antes de bater a porta do seu quarto com força: somir@desfavor.com

SALLY

Supondo que seu parceiro(a) se meta em uma briga que você considera totalmente desnecessária, você entra no meio para apartar? NÃO. Como já disse no último Sally Surtada, passarinho que come pedra sabe o cu que tem.

Uma briga que eu julgue desnecessária não merece qualquer tipo de incentivo e, do meu ponto de vista, me meter é uma forma de incentivar que esse comportamento se repita no futuro. Se a pessoa sabe que vai ter uma infeliz aos berros pedindo para não brigar, segurando, ficando na frente ou se metendo no meio, vai partir para cima com mais facilidade. Em contrapartida, se a pessoa souber que está sozinha, por sua conta e risco e que ninguém vai salvá-la se der confusão, tende a pensar duas vezes.

Não separo briga. Acho que as coisas tem que ser resolvidas no diálogo e, nas raras vezes em que isso não é possível, não se enquadra na proposta de discussão de hoje, pois a briga não será desnecessária. Um exemplo: já vi gente se aproximar e já chegar batendo. Quando uma pessoa já chega te agredindo fisicamente, não há diálogo possível. Nesse caso a briga não é desnecessária, ela é praticamente uma legítima defesa. Nesse caso eu separo, pois não resta mais nada a fazer contra quem já está te agredindo.

Mas em situações onde o diálogo poderia ter prevalecido mas a coisa descambou babacamente para a violência física, eu lavo as minhas mãos. Eu não vou participar de um ato de violência que considero desnecessário. Não custa lembrar que bater nos outros é CRIME. Você seria cúmplice do seu parceiro para assaltar um banco?

Eu não vou me rebaixar só porque meu parceiro se rebaixou, não vou cometer um crime só porque meu parceiro cometeu. Somos duas pessoas diferentes e a escolha dele não me vincula. Quer bater? Beleza, acho errado mas não mando em ninguém. Daí a querer que eu entre no meio dessa baixaria como cúmplice para fazer contenção de dandos… não. Não vai acontecer. Escolheu o caminho da violência física? Está sozinho nele. Disso eu não participo.

E se a pessoa estiver apanhando? Como eu disse no último Sally Surtada, a porrada pode ter um lado pedagógico. Se você está com um brigão e fica constantemente fazendo a contenção da briga, ele já conta com isso. Porém se você deixa a pessoa brigar e ela toma umas porradas, é bem provável que pense duas vezes antes de enveredar por esse caminho novamente. É o clássico “aprender na porrada”. Porrada ensina. Evidente que se a vida da pessoa estiver em risco eu ajudo, como ajudaria qualquer pessoa com a vida em risco, até mesmo um desconhecido. Mas não é o caso.

E mesmo que você discorde de tudo que foi dito, mesmo que a gente desconsidere tudo que eu disse até agora, ainda assim acho que apartar briga é algo contraproducente, pois periga você atrapalhar o seu parceiro. Cansei de ver pessoas que estavam brigando e levando uma boa vantagem até que a namorada se meteu e o cara, na preocupação DELA não se machucar, perdeu o foco e apanhou pra cacete. Porque no meio da briga voa soco e chute para tudo quanto é lado, quem se mete no meio está se arriscando a apanhar também.

Então, mesmo que você discorde da minha teoria “porrada ensina”, continuo afirmando que não tem que se meter para não atrapalhar. A pessoa que briga vai perder o foco pensando em te proteger ou ficar preocupada com você e provavelmente vai acabar apanhando por conta disso. E mesmo que não, grandes chances dela te culpar mesmo assim, porque esse perfil de pessoa que resolve as coisas na porrada não aceitar perder. Se meter em briga não ajuda, só atrapalha.

Além disso, preciso fazer uma perguntinha: você não se ama não? Não se ama mais do que ama o outro? Tratamento dentário é caro, viu gente? Vai se jogar no meio de uma confusão e arriscar se machucar, quebrar os dentes? Sei lá, acho que é o tipo de coisa que só compreendo se uma mãe fizer por um filho. E quem tem filho de bigode é gato, meu parceiro não é meu filho, se quiser brigar vai lá mas não conte comigo. Não vou me colocar em uma situação de risco (no meu caso, de certeza) de me machucar porque Fulaninho ficou putinho e partiu desnecessariamente para o embate corporal. O descontrole do outro não tem o direito de me machucar fisicamente.

Para ser bem sincera, acho até babaca e escroto um parceiro brigar na presença do seu par. Ok, é escroto brigar sempre, mas é ainda mais escroto na presença do seu par. Uma situação de porrada é uma situação de risco, ninguém pode prever o quanto e como ela vai se estender. Tem porradas de dois que acabam em pancadaria generalizada, tem porradas de dois que acabam em tiro. Então, dada a imprevisibilidade da porrada, a entendo como uma falta de consideração para com a minha pessoa, pois mesmo que eu não entre nela, tá me colocando em risco.

Assim, eu vejo a pessoa que briga como uma pessoa que não tem consideração pela segurança do seu parceiro. Você não sabe se a pessoa com a qual seu parceiro está antagonizando está armada, está com uma faca, está com um canivete. É um risco que se assume e, por consequência, você acaba assumindo junto, sem querer. Porque se a pessoa saca uma arma e começa a atirar, nada impede que uma bala perdida encontre o seu corpo. Então, lamento, se a pessoa não tem essa consideração comigo, se ela me coloca nessa situação de risco, não aparto e ela que apanhe.

Gente, as pessoas são loucas. Estão cada vez mais loucas. Comprar briga com uma pessoa é uma loteria da lesão corporal. Você não sabe o que pode te acontecer. As pessoas perderam limites mínimos de humanidade, tem gente jogando ácido na cara dos outros, tem gente dando tiro por briga de vaga em estacionamento. Tem que ser muito irresponsável para brigar hoje em dia, com as pessoas nesse grau de loucura e agressividade. Quer ser maluco? Beleza, não vou participar. Ou se o seu parceiro(a) te chamasse para comer merda você ia, só porque é o seu parceiro?

Tem que ficar bem claro que não vai contar comigo para essas coisas, seja por não concordar, por não querer participar do vexame ou por não querer participar do risco. São muitos argumentos que me fazem virar as costas e ir embora. Não conte comigo nem para comer merda, nem para brigar, nem para fazer escaladas ou pular de paraquedas. Quer se colocar em risco desnecessariamente? Vai sozinho, filho da puta!

Para dizer que meu companheirismo deixa a desejar, para fazer uma longa dissertação sobre o tema e ao final não responder a pergunta proposta na coluna de hoje ou ainda para contar casos verídicos e engraçados de porrada: sally@desfavor.com

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Comentários (57)

  • Se a briga for desnecessária, eu não fico nem perto, briga pq quer.
    “Cada cachorro que lamba sua caceta.” FABIO, CORONEL.

  • Eu acho que separar de um modo humilhante pode ser bem didático e seguro. Tipo banho de mangueira. Se a coisa estiver preta, testa a de incêndio. No mínimo vai ser divertido.

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    Camila Pedrazza Coelho

    Sou mais inteligente eu pegaria um extintor e atiraria nele, é a melhor forma de separar uma briga, tanto com o animal e com dois homens briguentos.

  • Eu acho os argumentos do Somir válidos, e como disse o nosso amigo Rorschach, há uma influência de gêneros aí,
    Mas se fosse no meu caso, eu não separaria por que não teria forças suficientes, por exemplo, para separar dois brigões (levando-se em consideração a temática do texto, que diz respeito a parceiros).
    As pessoas, geralmente, quando saem de seu normal, criam forças que nem mesmo elas sabiam que tinham, então quem sou eu para apartar? fora o vexame… desta forma, eu acho q deveria separar mas, por autopreservação (kkk), deixaria rolar e se num bobear, até iria fingir que nem conheço. Acho que isso me coloca em cima do muro, mas é o que penso.

  • Ah, mas nao separo mesmo! Simplesmente caio fora. Cada um responde por seus atos. Ora, ainda mais em se tratando de algo desnecessario.

  • As únicas pessoas cujas brigas sofreriam a minha intervenção seriam meus pais e minha irmã. Desnecessário ou não, eu não ia querer ver apanhando.

    Como estamos falando de parceiros, eu acho maior vergonha alheia ficar brigando na rua ou falando alto, xingando o outros, etc. Levando isso em conta não ia separar não, ia ficar afastada e depois ainda ia recriminar pelo vexame que me fez passar.

  • Não precisa a mulher se meter no meio, mas ja vi um lance muito humilhante que foi um cara puxar briga com outro e a mulher dele falar coisas tipo vou me divorciar, hoje vc vai dormir no sofá.
    Melhor bancar o civilizado pra nao passar vergonha.

  • Pensei muito e não consigo visualizar eu vivendo algo parecido. Nunca fui de brigar, nunca me relacionei com homens assim. Mas se no campo da hipótese, nunca! Levar rebordosa de briga nem fodendo!!

  • Postaram fotos com macaquitos, daqui a pouco vem a Lindamar aqui protestar.
    Somir acha que mulher não bate pra valer, ai ai… Isso é porque nunca morou no prédio onde eu morei, que a mulherada caia na porrada que não havia home pra dar conta, era de chamarem até a polícia!
    Eu sou meio faça o que eu digo mas não faça o que eu faço. Não gostaria de ver quem eu gosto brigando e daria um jeito de apartar, mas se fosse eu brigando não ia querer ninguém se metendo. O certo é apartar sim, brigar queima muito o filme da pessoa, pouquíssimas vezes cheguei a tanto.

  • Não, mesmo. Se a pessoa decidiu partir pra porrada, que lide com as consequências disso sozinha (hematomas, fraturas, cortes…). Comigo não tem essa de “tamo fudido mas tamo junto”, sinto muito.

    Mas não, nunca briguei fisicamente com ninguém. Nem de brincadeirinha. Acho isso estúpido.

  • Eu acho que tem um pouco da influência dos gêneros nessa questão. Acho que homens vão responder que preferem separar muito por causa do instinto protetor que (a maioria de) nós temos. Quando eu pensei em qual seria a minha resposta, o primeiro pensamento foi “não deixaria minha esposa apanhar”. Enquanto as mulheres não tem essa vertente protetora (possuem outras).

    Eu respondo que separaria, mas não tenho uma razão lógica pra isso ou um argumento para ir contra a argumentação da Sally, por exemplo. Seria mais algo de proteger alguém que eu gosto.

    • Só por curiosidade: se sua esposa fosse briguenta, se sair na porrada fosse rotina, chegaria uma hora em que você ligaria o “foda-se” e deixaria apanhar um pouco para aprender a não resolver as coisas no tapa?

      • Se eu ainda não tivesse me separado desse Mike Tyson de saia? Provavelmente sim.

        Eu acho que separar seria a melhor decisão por “default”, se a gente pensar na questão sem nenhum tipo de background entre os envolvidos, mas meu único argumento é mesmo a questão de proteger (o que acho que é até aplicável à mulheres também, mas num nível menor por diferenças físicas e tudo mais). Mas se a(o) parceira(o) fosse barraqueira, briguenta e com o costume de sair na porrada, aí eventualmente eu ligaria o foda-se e deixaria brigar, bater e apanhar porque minha ideia de tentar resolver na conversa obviamente não estaria funcionando.

    • Poxa, eu “pensaria” nos mesmos moldes do Rorschach. Tentaria proteger quem eu gosto, mas realmente, cabe pensar se em certos aspectos vale a pena mesmo.

  • Eu não separo. Por que separar? Além de eu não ter nada a ver com a briga, as pessoas não estão armadas, não estão com faca e nada do tipo. O que de pior pode acontecer? Que se engalfinhem a vontade.

    • Não tenho essa certeza não. Já vi gente puxar arma e faca no meio da briga. Mas isso é mais um motivo para eu não separar: não quero que sobre uma facada ou um tiro para mim.

  • Não brigo, simples assim. Logo, não admito estar com alguém que fique brigando. Viro as costas e vou embora. Se depender de mim, vai ficar sozinho igual um otário apanhando. Penso como a Sally.

  • Concordo com a Sally. Não se deve apartar briga desnecessária de parceiro.

    Nunca briguei fisicamente com ninguém. Primeiro, porque sou contra a violência. De verdade. Tanto que, mesmo tendo irmãos mais novos e um cachorro, nunca bati neles. Tinha, desde criança, aversão a agredir quem era mais fraco. Isso não quer dizer que fui uma boa irmã, pois eu não era muito legal nem os incluía nas minhas atividades, mas quer dizer que não fui violenta.

    Não sou companheira a qualquer preço. Se um parceiro ou amigo(a) entrar numa briga desnecessária, eu fujo.
    Não separo, não intervenho, não ajudo: Fujo! E, provavelmente, termino o namoro ou me afasto do amigo(a). Barracos me deprimem.

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