Quero começar dizendo que eu não gostava de Paulo Gustavo. Na contramão de tudo e todos, eu achava seu humor forçado, zorratotalizado, uma caricatura de si mesmo. Em tempos remotos, quando ele ainda não era tão conhecido, assisti “Minha Mãe é uma Peça” e só não levantei e fui embora no meio por questão de educação. Talvez pela identificação cultural zero de uma estrangeira vendo as mazelas de uma mãe da Zona Norte pormenorizadas, não sei. Detestei.

O mundo deu voltas e eu acabei parando na sua nova peça, “220 volts”. Confesso, só fui porque ganhei o ingresso. E fui cheia de preconceito. Fui descrente, preparada para mais uma dessas peças onde todo mundo gargalha e eu fico quieta e constrangida me perguntando qual é o meu problema por não achar graça naquilo que é tão engraçado para o resto do mundo. Mas, como dizem, só muda de ideia quem as tem. E eu mudei.

Grata surpresa. Não apenas ri, me diverti, como ainda me surpreendi com a superprodução que é “220 volts”. Um show com tudo na medida certa: desde o tempo de duração até o figurino. Tudo redondinho. Paulo Gustavo sem as amarras da TV mostrou um humor que faz tempo eu não presenciava. Vale a pena, mas não leve sua avó. É um humor adulto e moderno demais para certos grupos.

O espetáculo é dividido em sketches, onde ele dá vida a seis personagens femininos diferentes com um humor ferino, que pode ser considerado ofensivo por muitos. Em diversos momentos ele ri dele mesmo, um mérito nos dias de hoje. O que mais me encantou, entretanto, foi a forma como ele conjugou humor com superprodução, uma ideia que, até então, nem passava pela minha cabeça. O humor nesse estilo, politicamente incorreto, geralmente vem na forma daquele standup clássico, com um comediante, um microfone e um banquinho. Pois com Paulo Gustavo vem com cara de musical da Broadway e a mistura deu certo!

Na contramão da TV, onde mulher sarada semi-nua abunda (com trocadilho, por favor), a peça conta com dançarinos que fazem Khal Drogo parecer raquítico. E são dançarinos MESMO. O que pode ser um deleite para alguns, pode ser um constrangimento para outros, se o seu namorado for ciumento, vá preparada(o) para pegar leve nos olhares. Eles dançam em diversos momentos da peça, sempre com pouca roupa.

Vamos às personagens. A peça começa com Paulo Gustavo vestido de Beyonce. Isso mesmo. Parado, em silêncio, já desperta risos. Ele encarna uma cantora deslumbrada que destrata tudo e todos. Bacana, mas achei o menos divertido. É uma espécie de aquecimento para o que está por vir, os bailarinos se destacam mais do que a personagem.

Depois vem a mulher feia, que fala sobre beleza e feiura em um grau de sinceridade engraçado de tão cruel que é. Eu ri, eu ri de verdade. Um humor “dedo na ferida” que não encontra lugar na televisão. Pequenos detalhes que talvez escapassem a um hetero são dissecados de forma ácida. Uma percepção cruel mas verdadeira dos padrões estéticos dita com todas as letras, sem rodeios.

A terceira personagem é também a mais conhecida: a Senhora dos Absurdos. Uma socialite preconceituosa que reclama de negros, gays, pobre e outros grupos de forma escancarada. Fosse qualquer outro humorista dizendo as mesmas coisas em um standup, já estaria respondendo a um processo, mas Paulo Gustavo tem o dom de fazer as piores barbaridades saírem com uma leveza única da sua boca. Faz tempo que não rio tanto, superou minhas expectativas.

A personagem seguinte é uma apresentadora de televisão nos moldes da Ana Maria Braga: falsa, estelionatária e mercenária. Uma crítica a esse tipo de programa e a quem os assiste. Provavelmente mais da metade da plateia, mas ninguém pareceu se importar (ou sequer perceber). Verdades implícitas ditas de forma explícita arrancam risos da plateia e, em algumas mentes privilegiadas, deixam mais do que um rastro de humor: induzem à reflexão.

Depois veio a maior surpresa: uma personagem baladeira que flerta com todo mundo mesmo tendo namorado. Essa postura é mostrada como ridícula, apontando o ridículo da periguetagem. Na contramão desse feminismo mal entendido, onde mulher para ser moderna e independente tem que ser promíscua, um humor fácil e físico expõe indiretamente uma postura vergonhosa adotada pela mulherada hoje em dia. Sem medo de ser tachado de machista ou qualquer outro “ista”, o quadro ridiculariza sem dó essa coisa feia que é a promiscuidade. Novamente, se metade das frases saíssem da boca de humoristas comuns, teria gritaria, acusação e processo. Mas Paulo Gustavo tem o dom de fazer o humor prevalecer. Já ganhou status e simpatia que lhe conferem carta branca para dizer o que quiser.

A última personagem é uma favelada que almeja a fama através de um concurso para se tornar madrinha de bateria de escola de samba. Novamente, flertando com o desastre, pois o grau de ofendibilidade dessa gente baixa-renda é enorme. E, novamente, o humor fala mais alto. Ele faz piada com pobre sem amarras e não ofende. Admiro gente que não ofende. Eu ofendo mesmo quando não quero ofender. Não que tivesse algum pobre na plateia, porque né, infelizmente o salário mínimo não permite. Mas sempre tem um rico que toma as dores dos pobres mesmo sem procuração e se ofende por terceiros. Nada. Todo mundo riu.

Talvez pela vertente física do seu humor o povo consiga entender que de fato é humor, é piada, não deve ser levado a sério. A capacidade de abstração do brasileiro médio é similar à de um peixinho dourado. Ao ver um homem com um maiô cheio de cristais, peruca e batom fica claro, fisicamente, que se trata de humor e nada ali deve ser levado a sério. Já quando um comediante de standup aparece de cara limpa fazendo piada, a tendência é levar a sério e confundir o que foi dito com suas opiniões pessoais. Talvez o carisma e o jeito naturalmente engraçado, que eu chamo de jeito Luiz Fernando Guimarães de ser, autorizem Paulo Gustavo a falar o que nós, reles mortais, não podemos.

Todos os quadros são de uma agilidade impressionante. Também são permeados por inúmeras referências, algo que muito me atrai. Piadas internas, eastereggs e uma pitada de improviso dão o toque final.Um detalhe que me surpreendeu: como ele dança. Quando dança funk, no quadro da periguete, dança como uma mulher da comunidade. Quando dança hip-hop no da cantora, parece a Beyonce. Quando samba, parece uma passista. Ele dança tudo e dança bem, deixa muita mulher no chinelo. O filho da puta deve ser tímido, pois nas ocasiões que o vi em festas ficava de mansinho no dois pra cá, dois pra lá, balançando a perninha de leve. Paulo Gustavo quebra tudo, parece invertebrado.

Muito se criticou a “falta de dramaturgia” da peça. Ora, francamente, o que não pode faltar é humor, e isso tem de sobra. O espetáculo não exige dramaturgia, pois pende mais para um standup do que para o modelo clássico de teatro. Na verdade, esse é o maior mérito do espetáculo: uma junção de vários formatos, criando um formato novo. O novo nem sempre tem que ser algo que nunca foi feito, o novo pode ser a junção de duas coisas que existem separadas criando uma terceira coisa mais bacana e mais completa. E foi isso que ele fez. Então, vai se catar quem disse que essa peça é mais do mesmo, faltou sensibilidade e inteligência para ver que não é.

Também se critica que Paulo Gustavo sempre se veste de mulher, que só sabe fazer personagens femininos. Curioso, não me lembro de ninguém criticando os Beatles por só tocar rock. Alguém pediria que os Beatles tocassem sertanejo? Não, né? Porque quando alguém é muito bom no que faz, QUEREMOS ver mais do que a pessoa faz, porque por mais que seja o mesmo, é bom pra caralho. Deixa o Paulo Gustavo se vestir de mulher, porque ele é bom no que faz. Sabe o que é isso? É vontade de ser do contra somada à falta de argumento para falar mal!

Marcus Majella também me surpreendeu. Ele abre o espetáculo e participa em vários momentos com desenvoltura e domínio de público. Faz aquele humor sem esforço, sabe? Natural. A impressão que passa (correta ou não) é que ele é assim no dia a dia também.

Já fui ao teatro ver musicais muito bons, com uma produção impecável, com uma estrutura hollywoodiana. Já fui ao teatro ver comédias engraçadas que me fizeram rir muito. Mas ambos ao mesmo tempo, só Paulo Gustavo. Me conquistou.

Em tempo: ganhei o convite por outras razões que não o Desfavor, não trabalhamos com permuta aqui porque não prostituímos nosso intelecto. Estou falando bem de coração, e não porque fui paga para isso.

Para reagir mal ao me ver mudando de opinião e encarar isso como uma traição, para reclamar do preço do ingresso ou ainda para pedir mais detalhes sobre os dançarinos: sally@desfavor.com

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Comentários (28)

  • Até gosto do Vai que Cola e tal, sempre tem tiradas boas, mas também achava o Paulo Gustavo mais ou menos. Então a contra-gosto assisti o filme “Minha mãe…”, me impressionei com a produção do longa, pois ao contrário do que imaginava, não parecia novela. A atuação e a presença de cena dele são fantásticas (imaginei que iria ver roteiros batidos e improvisações sem graça). A partir dai simpatizei com o cara.

  • Pra agradar a Sally, deve ter sido, sim, uma peça excelente! E se o humor do Paulo Gustavo ja passou ileso pelo seu crivo, é porque vale mesmo a pena ver.

  • Tenho meio que uma inhaca do Paulo Gustavo. Não sei, seus programas da TV não conquistam de vez meu coração…
    Até difícil acreditar que a peça dele seja assim boa.

  • The “Textão Awards” Goes To…
    Sério, faz tempo que tem uns comentários nível facebook (longos e dramáticos) aqui no desfavor.

    Em tempo: Gostei de você ter ganho os ingressos Sally, me dá esperança que você esteja trabalhando nesse meio e consiga vôos maiores nessa nova área de atuação. Gostaria muito de te ver roterizar muita coisa por aí!

    • Esse é o preço que o Desfavor paga por selecionar leitores que gostam de ler (são muitas páginas por dia. Quem não gosta de ler cai fora rápido).

      Eu, por exemplo, nunca leio pensando em comentar (com exceção da coluna Ele disse, ela disse), mas o blog dá essa abertura de discussão para os leitores. Eu gosto mesmo é de ler e são tantos textos fantásticos, que falam do que está acontecendo aqui e agora, que eu sempre tenho vontade de discutir, não por me achar dona da verdade, mas por puro interesse nos temas mesmo.

      Críticas fazem parte. Tentarei escrever menos.

      Eu tenho Twitter, consigo falar pouco, mas aqui não consigo me comportar como se estivesse lá. Aqui é um universo diferente. Um outro nível. Um lugar em que é possível discordar sem medo de ter ofendido alguém.

      Olha aí: não consigo escrever pouco!!!!!!!!!
      Mas vou melhorar!

  • A promiscuidade é mundial e pessoal… não é coisa só do Brasil. Muito pelo contrário…. Acho que aí o povo tem até pudores demais…

      • Uai… Aqui todo mundo finge que nao vê a putaria que é entre os famosos. Os portugueses são os mais infiéis que já vi!!! Tanto os amigos quanto um com que me relacionei… que só depois do borogodó é que foi me contar que tinha tres filhos e era casado…. Quando eu paguei sapo e o mandei se ferrar… veio me dizer que eu me preocupava demais com as coisas!!

        E outros igual… que te paqueram e quando vc nao está paqueram a sua amiga. TEm casais alemães que “dividem” o namorado ou namorada. “Tipo pode ir pra cama com ela amor, amanhã a gente se fala!! ”

        Umas coisas do outro mundo!!! Sem contar que pelo menos aqui, a mulherada vai trocando de homem, a partir do que tem a carteira mais cheia… mas assim, sem sentimento nenhum!!! Hoje a criatura fala que ama e amanhã tchau!! Meus amigos latinos disseram que não querem saber de outra mulher que não seja latina porque as européias são muito promíscuas!! Imagina isso???!!!

        Quanto as inglesas, melhor nem comentar!!! :P Vamos….

        Na França, tem namorada que sabe que o cara vai pro puteiro!!!! e as vezes até vai junto!!!!

        Você acha que brasileira se veste de forma vulgar??? Pega o metrozão no verão aqui pra vc ver!!! Vai pra balada!!! Minha queriiiiiida!!! Você vê coisas!!!

        E tem mais…. valores???!!! A gente se vê por aí!!!

        A questão é: Se uma garota se interessa por um cara seja ele casado ou com namorada… ela vai atacar até conseguir tirar da outra!!! Porque o lema é que, o cara é comprometido, mas ela não. Que se ele deu mole é problema dele e não dela… Dá em cima meeeeeesmo, seja sua amiga, seja sua irmã… não estão nem aí!!

        Meus amigos brasileiros me contaram que já aconteceu algumas vezes de transar com a mulher no banheiro e nem saber o nome!!

        E uma dessas vezes eu viiiiiiiiiiiiiii!!!! Fiquei beeeeeeege!!!! de tão fácil que foi!! Daí vc pensa: Era baranga?? era tribufu??? Que nada mujeeeer!! Mó gata!!!

        O mundo tá perdido!!! :(

        • Legal o seu depoimento, Larissa! Mostra que as coisas não são mesmo o que parecem! Pelo que você diz, as pessoas são muito mais liberais por aí do que no Brasil, o que ué prova que quanto mais avançado é um país, mais livres sexualmente são as suas mulheres!

      • Ah!!! Sobre a machaiada????!!! Mente que não sente!!!

        Mente muuuuuuuuuuito!!! E até te acusa de louca quando vc desconfia!!!
        Vááááááários com namorada pagando de solteiro na balada!!!

        Menteeeeem!!! Depois pagam de santo ao lado da corna coitada!!
        Homem civilizado??!! A gente se vÊ por aí!!!

        Pelo menos o brasileiro em geral, fala a real quando não quer nada sério… porque os daqui menteeeeeem!!! E outra, são muito interesseiros!!! Olham mesmo a carteira da mulher!!!! Nada cavalheiros!!! Uma palhaçada!! E usam esses sites de relacionamento para encontrar mulher carente!!! Coisa de cafa total!!

  • Que bom que ele usou o humor histriônico e zorratotalizado, além da condição de intocável, como salvo-conduto para em outro contexto poder dizer umas verdades. Hoje em dia, ninguém mais pode.

  • Sally, não precisava desse “em tempo”, né. Como se a gente já não soubesse como o negócio funciona por aqui. Não acredito que esse texto vá atrair pessoas de fora para criarem confusão.

  • Ahhh amo Paulo Gustavo! A senhora did absurdos sempre me lembrou o desfavor por falar com sinceridade sobre as minorias. Tb me perguntava pq ele nunca foi processado ou algo do tipo. Deve ser blindado pq os BMs o idolatram e ignoram a crítica. Melhor assim.

  • Não gosto do Paulo Gustavo. Mas isso deve ser, provavelmente, porque só o conheço da TV. Seu texto me deu vontade de assistir a peça. Deve ser muito boa.

    Peça de humor é para rir. Não é para levar a sério. E eu não tenho problemas com piadas machistas, desde que sejam engraçadas.

    Entretanto, achei esse seu comentário bastante pejorativo:

    “a contramão desse feminismo mal entendido, onde mulher para ser moderna e independente tem que ser promíscua, um humor fácil e físico expõe indiretamente uma postura vergonhosa adotada pela mulherada hoje em dia. Sem medo de ser tachado de machista ou qualquer outro “ista”, o quadro ridiculariza sem dó essa coisa feia que é a promiscuidade. ”

    Preciso nem explicar o porquê do “pejorativo”, hein, Sally?

    E é um comentário totalmente contrário à realidade do Brasil e do mundo. A maioria das mulheres que saem com muitos homens não são consideradas “modernas”. São consideradas putas, vadias, rodadas. Em toas as classes sociais. Em todas as religiões. Mesmo entre os jovens e as celebridades, “promiscuidade” feminina “não pega bem”.

    Kristen Stewart traiu e foi execrada pela mídia. Perdeu contratos e acabou tendo que pedir desculpas públicas ao namorado pela traição. O que a sociedade tem a ver com o namoro privado dos outros??? Não sei, mas pelo jeito ela não foi considerada moderna. Não foi aplaudida. Não foi recompensada por trair nem pelo público, nem pela mídia.

    Na classe média não há nenhum incentivo à promiscuidade feminina. Nas periferias, mulheres “rodadas” chegam a ser tão excluídas que só lhes resta a opção da prostituição. Isso, quando não são mortas por homens, de todas as classes sociais, que se consideram seus donos.

    O próprio Desfavor publicou, recentemente, uma pesquisa demonstrando o quanto os jovens brasileiros são machistas. Homem pode pegar todas. Mulher tem que pagar um preço alto por isso, seja se escondendo, seja sendo punida, perdendo empregos e respeito de familiares.

    Onde é esse lugar em que mulher, pra ser considerada moderna e independente, tem que ser promíscua? Queria saber onde é esse lugar em que somos incentivadas e recompensadas por ter uma sexualidade livre tanto quanto os homens são.

    • Eu acho promiscuidade ruim, seja em homem, seja em mulher. Isso não é machismo, é pejorativo SIM, para com todos os promíscuos.

      E esse lugar que você perguntou é o Brasil. Infelizmente

      • Então eu vivo em outro país.

        No país em que vivo a palavra promiscuidade não tem o mesmo peso para homens e mulheres.

        No país em que vivo homens eram absolvidos quando matavam as esposas por “legítima defesa da honra”. Foi há pouco tempo, até a década de 70 e 80. Uma mulher que traía perdia o direito a tudo, até à própria vida. O caso Ângela Diniz foi um exemplo “midiático” disso. Doca Street a matou a tiros em 1976 e a defesa a acusou de traição. Aliás, até hoje há advogados que invocam a “legítima defesa da honra”, porque às vezes cola.

        Aqui no meu país, cheio de gente cristã e com dogmas que castram a sexualidade das meninas desde cedo, os meninos são incentivados a “pegar mulher” desde os 13 anos. Há pais que levam os próprios filhos aos prostíbulos enquanto proíbem as filhas de usarem uma saia mais curta e “provocante”. Esses pais não são a minoria, principalmente nas cidades menores.

        Aqui no meu país os homens que traem são quase sempre desculpados pela sua “natureza”. As mulheres, ao contrário, são apontadas na rua. A “outra”, ainda que solteira, é a “destruidora de lar”. Em cidades pequenas é pior, mas até mesmo entre as celebridades (que costumam ser mais modernas) das grandes cidades, a mulher que trai é considerada a errada e tem a imagem arranhada e perde oportunidades de trabalho. O homem? Quase nunca.

        Todos os dias mulheres são agredidas pelos companheiros. Quando presos, MUITOS alegam que bateram, porque a mulher “não presta”, “dá mole pro vizinho”, etc. E a sociedade, inúmeras vezes, concorda em silêncio com esses homens de todas as classes sociais, porque, afinal de contas, “vadia que provoca tem que apanhar”.

        E estupro? Todos os dias acusados de estupro, principalmente aqueles que já conheciam as vítimas e são ricos ou de classe média, alegam que a mulher provocou, que dava pra todo mundo, que deu sinais de que queria, que era rodada, que ficava com todos. Não são poucos os que pensam, inclusive no Judiciário e na polícia, que a “vadia” mereceu e provocou.

        Há algum caso de estuprador de uma prostituta que tenha sido condenado? Nunca vi. Porque puta não é gente. O próprio STJ recentemente decidiu que presunção de violência contra menor de 14 anos em estupro é relativa, porque, no caso concreto as meninas menores de 14 anos JÁ ERAM PUTAS MESMO e, portanto, não eram mais menininhas ingênuas. Desembargadores, juízes, delegados, policiais, jurados, jornalistas… quantos não pensam assim? Quantas injustiças não são provocadas por esse pensamento do “é vadia, dava pra todo mundo e mereceu”?

        No meu país, quando um vídeo de sexo vaza, nenhum homem é punido, nem perde emprego, não tem que mudar de cidade, não é apontado na rua. A mulher??? Sim. Sempre. Já vi mulheres perderem o emprego porque foram vistas “pegando” vários em festas (fora da empresa). Homens? Nunca. Já vi alguns serem ELOGIADOS pelos chefes por “pegarem todas e aproveitarem a vida”.

        Aí no Brasil não sei como é. Mas aqui onde eu vivo é assim. Promiscuidade tem dois significados diferentes: um pra mulher e o outro para o homem.

        • Para mim tem o mesmo. E hoje em dia, cada vez mais, entre as mulheres brasileiras é considerado bacana e libertador ser promíscua e ostentar sua promiscuidade.

          • Eu concordo com a Marina que não tem o mesmo peso…

            Aí depende de cada um. Tem homem que gosta de mulher cachorra. Tem mulher que gosta de cafajeste.

            Particulamente eu gosto de homem que tem amor a pinto. Não gosto de pinto no lixo. Tem que ser um pouquinho difícil e me desafiar tbm!! Não gosto de homem fácil de mais. Vem fácil, vai fácil.

          • Bom saber que o humor do Paulo Gustavo é diferente do que é visto na TV.
            Sobre esse trecho,concordo com a Sally. Hoje em dia mulher se orgulha de trair, de enganar e ostenta isso como se fosse um exemplo a ser seguido.
            Tudo bem, cada um faz da sua vida o que quer, mas o Marcelo Adnet recentemente nao foi pego traindo e não desceram o cacete nele? Achei justo. Ele nao teve que aguentar as consequencias de seus atos? Porque as mulheres nao tem que responder igualmente por suas atitudes?Não concordo com isso, tanto vindo de homens como de mulheres. Porem quem o quer fazer, que seja batendo no peito depois da merda feita tambem.

            • Cris,

              Eu realmente queria saber QUAL mulher neste planeta foi aplaudida por trair e não teve que “aguentar as consequências” disso. De que planeta você veio para dizer que as mulheres não respondem igualmente por suas atitudes??? Não pense em casos isolados, pense no todo. Não, as mulheres não são premiadas pela sociedade por traírem.

              Sinceramente, em qualquer classe social, de modo geral, o que se vê são homens sendo desculpados por traírem (afinal, homem é assim mesmo e blá, blá, blá) e grande parte das mulheres sendo execradas.

              No meu comentário dei até o exemplo real da defesa da honra, um argumento ridículo que absolvia homens assassinos das próprias esposas que alegavam ter “lavado a honra”. Isso foi há poucas décadas, viu? E ainda tem advogado que usa, sutilmente ou não, essa insinuação de traição, porque cola.

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