As pedras do meu caminho – Parte 2

CAPÍTULO 4 – GUGU ENTRA NA VIDA DE RAFAEL

Pilha já era criança-celebridade, astro de comerciais, já estava com a vida ganha. Você teria se acomodado? Certamente. Pilha não, Pilha estava em busca de novos desafios. Decidiu que queria cantar, mas não apenas cantar, queria cantar em um grupo que fosse do Gugu. Recebeu diversas propostas para cantar em grupos e duplas com mocinhas famosas na época, como Simony e Patricia Marx, e recusou todas. Pilha não queria as mocinhas, Pilha queria o Gugu.

Tanto fez que conseguiu um teste para uma nova banda que o Gugu estava montando. Era seu grande sonho virando verdade. Estava tão nervoso no dia do teste que pediu para que sua mãe o acompanhe. Dona Sylvia, firme e forte na sua alienação parental, narra o episódio: “Era um dia muito especial e Rafael me pediu para ir com ele, estava muito ansioso. Eu nunca o acompanhava, porque não fazia nem faço o tipo Mãe de Artista”. Lembramos bem, Dona Sylvia, que Pilha pegava quatro ônibus sozinho quando era uma criança (tatuada). Para a frase ficar perfeita, faltou suprimir o “de artista”.

Dona Sylvia acompanhou Pilha, muito de má vontade. Chegando lá, se depararam com vários rapazes muito mais velhos e fortes e Pilha entrou em pânico. Duvidou de si mesmo por destoar do perfil dos rapazes que estavam ali e resolveu desistir. Mas Dona Sylvia fez um discurso motivacional poderoso para incentivar o filho a correr atrás dos seus sonhos (só que não): “O quê? Você me fez desmarcar meus clientes para chegar aqui e você querer ir embora?”. Não parou por aí, como sempre, Dona Sylvia construindo a autoestima do seu filho (criancinha que parecia um anão): “Já que você me fez deixar meu trabalho e vir até aqui, você vai ficar. Nem que o Gugu te chame de pintor de rodapé, você vai ficar!”.

Pois Pilha passou. Foi um dos selecionados e teve que comparecer a seu primeiro compromisso oficial, um teste de fotos no Parque de Ibirapuera. Lá vai Dona Sylvia, putona, de saco cheio, levar o Pilha para o teste. Ela conta o que ocorreu: “Estacionamos perto do Monumento das Bandeiras. De repente, parou um carro oficial e, de dentro dele, saltou o Jânio (o então Prefeito Jânio Quadros)”. Ela conta, achando graça, como levou um esporro do Prefeito por uma irregularidade no trânsito. Sensacional. Tá de parabéns pelo exemplo, Dona Sylvia. Levar esporro do Prefeito. Tô começando a achar que o nome do livro deveria ser “A Sylvia no meu caminho”.

Grupo formado, começaram a ter aulas para aprender a tocar instrumentos musicais e gravaram as primeiras músicas. O nome do grupo era “Garotos da Cidade”. Quando o grupo estava começando a deslanchar, o irmão de um dos membros morreu em um acidente de carro e ele não teve condições psicológicas de continuar. Começaram a procurar alguém para substituir o infeliz do irmão falecido, foi quando encontraram Alan e fecharam novamente um grupo. Nova formação pedia um novo nome. Gugu quebrou a cabeça para tentar pensar em um nome bacana e sabemos que ele não conseguiu.

Seu raciocínio para escolher o nome foi o seguinte: um dia, em Las Vegas, ele estava contando os dedos das mãos distraído (wtf) quando de repente gritou “Achei, é Polegar!”. A explicação: a banda era composta por quatro garotos, que representavam os quatro dedos da mão, só sobrava o Polegar. Ou seja, Gugu usava drogas pesadas.

CAPÍTULO 5 – GRUPO POLEGAR: SUCESSO, BRIGAS E COCAÍNA

O grupo estourou. Ficaram famosos, ainda quando eram menores de idade. Dona Sylvia nos brinda mais uma vez com seu depoimento sincerão: “Ali só o Alex mesmo entendia de música”. Foda-se, Pilha entendia de Carisma e levou o grupo nas costas sozinho! Chegou a hora de gravar o primeiro clipe e a música escolhida foi “Dá pra mim”. O clipe seria gravado em um cruzeiro que iria dos EUA ao Caribe.

Já no começo Pilha mostrou toda sua malemolência. Cada Polegar receberia uma verba de cem dólares para a viagem. Por um engano, acabaram recebendo mil dólares cada um. Pilha deu o comando e mandou que todo mundo gaste esse dinheiro rápido. Quando a produção percebeu o engano, já tinham gastado tudo.

Durante o cruzeiro, todos começaram a perceber que o Pilha sumia por longos períodos de tempo. O próprio Pilha conta, com direito a nome, a razão das escapadas: Tássia, uma loira de 35 anos chefe da equipe de comissárias de bordo da PanAm, que também estava no cruzeiro. Os vinte anos de diferença não intimidaram o Pilha e ele teve um caso com a moça a viagem toda e décadas depois devassou sua intimidade.

E ao chegar a Orlando, Pilha, A Máquina de Sexo, não parou. Em cada evento, uma bimbada. Quando gravavam trechos do clipe no parque aquático Wetn’Wild ele deu umas estocadas na salva-vidas do parque, Giulianna. Curto o desprendimento com a vida alheia do livro, que dá nome e profissão das comidas. Deve ser uma das poucas vezes na vida que estou muito feliz por nunca ter conseguido me aproximar do Pilha.

Pilha tocou o terror na viagem. O ex-diretor do Viva a Noite, Roberto Manzoni, conhecido como Magrão, que dirigiu o clipe do Polegar no navio, conta as merdas que eles fizeram em detalhes no livro. Por exemplo, os rapazes tinham hora para dormir e restrições de espaços para frequentar, por serem menores de idade. Pilha estava sempre perambulando pela madrugada comendo alguém ou enfiado no cassino do navio. Também tentou sabotar Alex, o vocalista. Quando Alex cantava, Pilha fazia corpo mole e não fazia a segunda voz e nem sequer se dava ao trabalho de tocar.

Pilha, é claro, não deixa barato. Quando questionado sobre as coisas que Magrão contou, enfia o dedo na ferida e rasga: “Magrão falou da gente, mas não conta que gastou todo o dinheiro da equipe no cassino, jogando black-jack. Por causa disso, passamos a última semana da viagem comendo só lanche do Mc Donalds, não sobrou verba para mais nada”. Nota-se, ao assistir o clipe. Mexe com o Pilha, mexe, você vai ver o que te acontece. Deus perdoa, o Pilha não.

Quando voltaram, a música “Dá pra mim” estava no auge do sucesso. Essa música, que inicialmente se chamava “Ama-se”, acabou ganhando esse nome por causa de uma disputa dos polegares por fatias de pizza. Pediram uma pizza no estúdio de gravação e todo mundo queria pegar uma fatia, ficavam pedindo “dá pra mim” até que alguém cantou de sacanagem a letra de “ama-me” como “dá pra mim” e acabou ficando assim. Na década de 80 era assim, se amarrava cachorro com linguiça e dava certo.

Começou uma rotina extenuante de viagens e uma grande competitividade. O livro conta que o pior nem eram os rapazes entre si e sim os pais, que se uniram para prejudicar o Pilha, por causa de seu enorme carisma que ofuscava os outros membros. Segundo o livro, Manoel, o pai de Alex, era um invejoso e tentou atacar o Pilha levantando suspeitas que ele usasse drogas e pudesse ser má influência para os garotos. Quanta injustiça, não? É a inveja! Absurdo imputar uma coisa dessas ao Pilha!

Tudo piorou quando Pilha começou a namorar a atriz Cristiana Oliveira, que, pasmem, no livro é tratada como “Juma”. A inveja aumentou. Estressados, atolados em compromissos, os polegares começaram a sair na porrada. Pilha conta: “O Alan e o Ricardo saíam no tapa direto”. Mas a maior baixaria entre eles é obra de quem? De quem? Do zero à esquerda invejoso do Ricardo. Ele gravou uma conversa com o Pilha, onde o Pilha admitia que às vezes fumava maconha, supostamente a pedido de Manoel, o pai de Alex. Diz ele que não teve coragem de usar a fita contra o Pilha, mas, olha só que azar, a fita teria sido “roubada” e acabou sendo estopim de uma grande chantagem da qual falaremos mais adiante. Roubada. Ahãn.

O próprio Pilha conta que foi alvo de diversas armações, como na vez em que enfiaram cocaína na mala dele para prejudica-lo. Temo que nos próximos capítulos ele conte que enfiaram cocaína dentro do seu nariz contra sua vontade para prejudica-lo. Pilha também se sentia perseguido pois, por contrato, não podia se envolver com fãs e quando levava alguma para o hotel, ameaçavam dedurá-lo: “Eu não podia nem transar”. Pilha, este sofredor…

Nos vemos no mês que vem!

Para, apesar de tudo, se compadecer do Pilha, para, apesar de tudo, se compadecer de mim ou para, apesar de tudo, se compadecer do Somir: sally@desfavor.com

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