Ei, você! – Premiado?

O “Ei, você! – Convidado” acabou funcionando até melhor do que o esperado. Para comemorar, Sally e Somir concordaram em fazer uma edição especial aberta a todos, onde ambos escolherão o melhor par pesquisa/comentário de todos. Mas, surpresa, discordam numa parte importante da ideia. Os impopulares ajudam a decidir.

Tema de hoje: o “Ei, você! – Convidado” especial deve dar um prêmio para quem vencer?

SALLY

O “Ei Você” dos leitores tem sido uma grata surpresa. Para quem não se lembra, Somir foi contra achando que ninguém faria, que as pessoas teriam preguiça, que não levariam adiante o projeto. Fizeram. Não só fizeram, como fizeram bonito. Alguns eu julgo que estejam até melhores do que os meus. Isso é motivo de orgulho e comemoração.

Eu escrevo essa coluna, eu sei bem o trabalho que dá. E eu sou fã de meritocracia, adoro recompensar hardwork, como vocês já devem ter depreendido de diversos textos meus. Então, eu acho que quem é bom merece reconhecimento. Ou por acaso não foi sempre assim que nos guiamos por aqui?

Os melhores já foram premiados aqui cada vez que toparam participar de um projeto nosso. O último foi o Hugo, que foi considerado, pelo voto popular, o melhor desempenho no nosso reality show do bullying “Vai chorar?” e ganhou um belo troféu em forma de cu. Não é nenhuma novidade, e também não é suborno nem barganha, afinal, todo mundo fez de coração até aqui.

Também não é novidade que gostamos de inovar. Sentimos que aquele formato prêmio-troféu debochado já está meio que exaurido neste momento, tanto é que já começamos variando no prêmio do bolão, no primeiro dia do ano: um jantar conosco. Seguindo essa linha, que também não é novidade para vocês, decidimos premiar quem se superar no Ei Você com algo igualmente alternativo e inusitado.

Como ninguém fez a coluna motivado por prêmio algum, uma recompensa não seria nada além de um reconhecimento e uma celebração de um projeto que deu muito certo. Vocês foram Somir e Sally por um dia, vocês toparam sair da zona de conforto de leitores para se expor e dar o nome de vocês a uma coluna. Sim, merecem uma recompensa.

Antes de mais nada, quero dar a minha palavra que o prêmio que será entregue ao final da semana será uma gravação do Somir comigo (serão nossas vozes de verdade) e que sim, ISSO VAI ACONTECER. Estou dando a minha palavra, que gravaremos lendo as frases e comentando. Vai acontecer. Podem confiar. E ainda vou vazar um spoiler: o vencedor ganhará, como plus, um poder muito importante nunca antes dado a um impopular.

Como vocês podem ter percebido ao longo dos últimos anos, eu já mandei minha esperança de privacidade para a casa do caralho. É questão de tempo, nesse mundo bizarro de evasão de privacidade, que minha identidade vaze. Para ser bem sincera, nem sei como não vazou feio até agora, pois não estou tomando o menor cuidado.

O mais fresquinho com isso é o Somir, que já expos sua voz aqui disponibilizando o áudio de um programa chamado “papagaiada”. Então, não será novidade, ninguém tem muito a perder. Eu não me importo e a voz do Somir já é de conhecimento público. Além disso, a média hoje é mostrar as pregas do cu, mostrar a voz parece totalmente inofensivo.

Um prêmio funcionaria, a meu ver, como um duplo benefício: estimularia vocês a nos dar o que tem de melhor e também recompensaria de forma geral pela grata surpresa que vocês nos deram (e um tapa na cara do Somir) de aderir à nossa proposta com um resultado tão bacana.

Não vamos revelar muitos detalhes do processo até que chegue a hora da verdade, para impedir que alguém tente manipular o resultado. Só posso assegurar que a escolha vai ser feita de uma forma justa. Esta semana todos podem participar do Ei Você, desde que enviem seus textos com 20 frases comentadas até sábado às 15h. O melhor comentário (vejam bem, não é o melhor texto como um todo, é o melhor comentário) vence e receberá um áudio nosso dando vida a seu texto e a seus comentários e debochando das buscas. Será uma versão áudio do Ei Você criado pelo vencedor.

Novamente: o áudio vai acontecer. Não vamos chamar terceiros para simular nossa voz, estou dando a minha palavra. Em oito anos vocês nunca tiveram motivos para desconfiar de mim, eu não prometo o que não vou cumprir (ao contrário do Somir, que vive basicamente dessa premissa). Foi a forma que eu encontrei de me aproximar dos leitores e agradecer pela adesão ao nosso projeto. Se esse áudio não sair, podem nunca mais confiar em mim e nunca mais ler o desfavor. O próprio Somir, o mais avesso à evasão de privacidade, não está incomodado com o áudio em si, então, podem confiar.

Um plus: talvez vocês não tenham reparado, pois Somir é silencioso, não quebra pau como eu, mas desde que ele assumiu a moderação dos comentários, tivemos uma limpa séria por aqui. Em poucas semanas tivemos mais banimentos do que nos sete anos em que eu moderava. Então, quem está aqui é um sobrevivente. Merece celebração, já que respeitar as regras alheias parece realmente ser um grande desafio. Essa audiência qualificada me deixou ainda mais confortável para tornar o desfavor menos impessoal.

O áudio funcionará da seguinte forma: Somir escolherá dez frases para ler, eu escolherei dez frases para ler. Ambos leremos e comentaremos as frases um do outro. Ninguém precisa se candidatar essa semana, são todos candidatos em potencial, só precisam mandar um texto com 20 frases comentadas até sábado às 15h. Esperem um conteúdo pesado, será sem limites. Finalmente vocês poderão ver nosso grau de deboche, sarcasmo e ironia traduzido no nosso tom de voz.

Recompensar as pessoas antes de uma tarefa é contraproducente, pois corre o risco de virar suborno. Recompensar depois que elas te entregam mais do que o esperado é motivação e já foi feito outras vezes aqui no Desfavor. Quem seria idiota o suficiente de votar contra ter o próprio esforço recompensado?

Para escolher frases que sejam especialmente vexatórias para o Somir, para plantar frases para as quais você tenha a resposta perfeita de modo a ganhar roubando ou ainda para dizer que perdemos o juízo de vez: sally@desfavor.com

SOMIR

Inverti para não explicarmos as mesmas coisas duas vezes. Mas, não posso não repetir que realmente os que vocês estão mandando estão ficando muito bons. Eu provavelmente estava subestimando vocês. Provavelmente… não se animem ainda. De qualquer forma, eu acabei concordando em fazer essa versão especial “tudo liberado”. Vou colocar as regras na postagem oficial, junto com os termos de pesquisa.

Ok, vamos celebrar que deu certo, mas… sinto que estamos subvertendo uma das maiores graças desse projeto ao premiar: não prometemos nada em troca, só abrimos o espaço e esperamos pra ver se alguém queria “brincar com a gente”, não por prêmios, não por elogios, mas para escrever algo divertido e contribuir com nossa impopular república.

Talvez ninguém mais tenha visto isso, mas pra mim foi uma das coisas que mais contou para considerar um sucesso até aqui. Estamos criando juntos porque essa é a graça da coisa. Não tinha prêmio até hoje, a ideia estava pura. Eu sei que sou meio romântico com essa coisa de ficar enxergando ideais até numa coluna onde malucos, tarados e pedófilos geram o conteúdo para nós, mas… vocês não estão vendo como esse detalhe de ser feito só por gosto deixa tudo muito melhor?

A gente já distribuiu prêmios sim, mas sempre era um secreto, com o risco de ser trollagem (e eu sei, eu sei… o risco de eu não entregar). Porque nunca foi sobre o prêmio, ele era meio que parte da piada. Premiamos para tirar sarro de outros lugares que fazem isso para “subornar” as pessoas para participar. Aqui não, aqui a coisa é sempre um perigo. Hugo provavelmente temeu abrir uma caixa com um vibrador até o último segundo. Aposto que todos que ganharam um até hoje só abriram a caixa quando tiveram certeza que estavam sozinhos.

Então, cuidado com essa ideia de precedente. O que fizemos até hoje não combina muito com a ideia dessa vez. Agora é bem descarado: participem para ganhar algo. O prêmio provavelmente vai gerar mais discussão que a própria “promoção”. E, como não dá pra escapar… eu fui contra fazer essa versão gravada, é outra porta que se abre. Mas, negociando um pouco eu acabei topando. Tudo bem que o “Papagaiada” sumiu da internet, mas alguns de vocês já devem ter ouvido minha voz sim. Não seria uma quebra muito grande de privacidade.

Mas não deixa de ser um passinho pra fora do meio escrito. Podem me xingar, mas fui eu que acabei mudando de ideia no Tecla SAP e enterrando o canal. Já é complicado manter o desfavor vivo usando só esse meio da escrita, imaginem com mais deles pra preencher? Só sabe o trabalho que dá quem faz, e qualquer um daqui que trabalhe com edição de áudio ou vídeo pode reforçar o coro: não é fácil. Demora pra fazer direito. Eu queria que estivéssemos focados no nosso meio, pra entregar qualidade de forma consistente, sem distrações ou truques para ganhar mais popularidade.

O que me faz voltar ao foco da minha argumentação de hoje: não deveria ser no truque, não deveria ser porque vamos dar um prêmio único (e um poder que Tio Ben diria que vem com grande responsabilidade) pra quem mais nos agradar com o material enviado. Deveria ser porque a pessoa quer participar. Tem coisas que se pedir perdem a graça, tem coisas que se “pagar” perdem a graça também.

Muito bacana abrir o e-mail no domingo e ver que a pessoa que se encarregou de fazer naquela semana – sem ser pressionada de nenhuma forma pra entregar – mandou mesmo. Que gastou seu tempo na semana pra ler aquela maluquice toda e que ainda conseguiu escrever coisas bem engraçadas na hora do vamos ver. Eu esperava pelo menos uma furada nos primeiros cinco, mas, não aconteceu (a próxima meta é zero em dez).

Se foi tudo de graça pra todos os lados, se foi só uma troca de trabalho (porque é um saco compilar aquela lista todos os dias) para criar postagens divertidas no desfavor, pra quê mudar? E como todo mundo é pelo menos um pouco anônimo aqui, não foi pra compartilhar na rede social, até porque 99% daquilo é “incompartilhável”… foi só pela diversão.

Não vamos mexer em time que está ganhando. Vamos fazer essa versão onde todos podem enviar e manter a proposta intacta. Cada um manda se quiser pelos motivos que bem entender. Não para ganhar um prêmio. Isso não é a cara do desfavor.

Vamos fazer sim, mas do nosso jeito. Um dia desses a gente grava um “Ei, você!” nos moldes do prêmio, mas quando der na telha, sem ser troca pela participação de vocês.

Para dizer que vai escolher frases muito gays, para dizer que eu estou pedindo pra você adiar sua gratificação e isso não registra, ou mesmo para dizer que se eu falar como escrevo não vai entender nada de nada mesmo: somir@desfavor.com

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Comentários (20)

  • O pessoal faz porque gosta, não pra ganhar algo em troca. Faz de coração e não de cu. Fica bom porque eles são foda. Nada a ver essa de prêmio. Participar já é o prêmio.

  • Eu concordo com o Somir, acho que a premissa de fazer algo já sob a disputa de um prêmio vai acabar avacalhando a brincadeira. Preferiria um dia abrir o desfavor e me surpreender com um Ei, Você! em áudio sem aviso. E não sei se sou burra ou se ficou confuso, mas não entendi se a gravação dos comentários de vocês vai ser enviada só pro vencedor ou ser publicada aqui na RID, me explica?

  • Apesar de sempre ter a pulga atras da orelha, e que domingo é dia 17, vou responder mesmo assim, ia ser muito legal um ei você comentado, pois todos os textos que eu ler depois desse ei você vou conseguir imaginar vocês falando, isso dá outra interpretação no texto.

  • Embora a postagem de hoje tenha me lembrado ao Dia do Troll (em abril estou sempre alerta com as postagens de vocês, principalmente quando a data se aproxima), devido à Sally ter afirmado não se tratar de trollagem, vou acreditar no texto e concordar com ela.. a ideia do prêmio é muito bacana e em nada parece com suborno.

    Obs.: gostaria de endossar o pedido do Hugo quanto ao direcionamento do áudio. Vou morrer de curiosidade.

  • Sim. Todos gostariam de ganhar premio, independente de se parecer um cu ou uma cua. Female Evil mitou muito no Ei Vc passado. Tem alternancia de quem da premio, o proximo vai ser a Sally, entao vai ser bacana.

  • Eu acho prêmio dispensável. Mas convenhamos, Somir já perdeu. Esse prêmio está irresistível, o povo é curioso. Medo de quem vai ganhar…

  • PALAVRA DE ORDEM. EU FUI CITADO!
    (tenho de parar de ver tv câmara…)

    Troféu em forma de cu?! Não era um coração…um abraço?…

    Droga, vou ter de tirar da minha mesa de trabalho…

    Voltando ao cerne do texto, concordo mais com a Sally do que com o Somir. Facilmente os prêmios podem se tornar suborno e tirar o foco do que importa. A não ser que os prêmios não sejam tão individualizados e exclusivos como os até agora; sejam prêmios compartilhados como os sugeridos pela Sally, como um audio, ou algum outro plus dentro do Desfavor.

    O prêmio pode até ser direcionado a alguém, mas não compartilhado apenas com esta pessoa.

    Era isso.

    • Não dê ouvidos a eles. Era um prêmio que simbolizava um coração e um abraço. O cu está na cabeça das pessoas… quer dizer, não literalmente. Se bem que eu acho que eu vi um filme japonês com essa premissa… onde eu estava mesmo?

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