Temos muitas minorias por aí, mas uma começa a chamar cada vez mais atenção: a do homem branco. E é estatisticamente minoria, considerando que algo em torno de 13% da população mundial pode ser chamada de branca e que metade desse grupo é composto de mulheres, faz sentido chamar algo em torno de 6,5% da humanidade de minoria. Mas, claro, isso já deve soar meio errado só de ler, não? Bom, é justamente disso que eu vou falar.

É até engraçado considerar homens brancos como uma minoria, sendo que provavelmente foi um deles que começou a chamar todo mundo diferente de minoria. Mas além dos números, existem outros fatores que reforçam até mesmo a ideia de opressão! Calma, não ria ainda. Evidente que é mais sutil do que você está pensando, mas está mais do que na hora de mencionar o elefante na sala: o único grupo da sociedade moderna que pode ser discriminado por sexo e cor de pele é o homem branco.

Pode apontar para um que você nunca viu antes na vida, e com base apenas na aparência, definir características de personalidade. Inclusive as negativas. Tudo liberado. Pode chamar de racista, misógino, estuprador, explorador, desonesto… se estiver falando com um homem branco, a imaginação é o limite! E mesmo se alguém te disser que você nem conhece aquela pessoa, também é livre dizer que ela tem culpa pelos crimes cometidos por seus antepassados.

Imagina só dizer para uma mulher, seja lá sua cor, que ela não merece ter direitos porque as que vieram antes dela aceitaram submissão? Que ações e opiniões das quais você nem teve a chance de participar (por nem existir ainda) vão influenciar a forma como você é visto na sociedade? Você como indivíduo? Isso daria uma confusão daquelas. Quem quer que dissesse algo assim seria taxado de intolerante, estúpido e tudo mais…

Mas, diga para um homem branco que ele não tem direito de reclamar porque seus antepassados foram opressores e está tudo bem. O melhor é que ele nem pode retrucar senão fica ainda mais marcado. Crime perfeito. Muitos podem argumentar que pelo ângulo do privilégio o homem branco nasceu com mais oportunidades na vida por causa das atitudes de seus antecessores e por isso não há nada de excessivo em fazê-los pagar um pouco mais caro que outros grupos mais “inocentes”, mas… aí entramos numa questão de padrões.

Ou é aceitável julgar um ser humano pelo status de seus antepassados ou não é. Se o homem branco nasce opressor e deve aceitar isso na vida, quem não é não deveria aceitar de bom grado a opressão? Se raça e gênero podem definir isso, tem que ser para todo mundo. Se os historicamente oprimidos tem o direito de não serem mais vistos como vassalos do homem branco e nem tratados como tal, o homem branco tem o direito de não querer ser opressor e também não ser tratado assim. Somos indivíduos, oras.

Quando se demoniza o homem branco, cria-se então uma minoria que tem vantagens. O pior dos dois mundos. Alguém que vai se vitimizar E ter o poder para oprimir os outros grupos. Esse movimento já acontece nos dias atuais, resultado meio que óbvio da cultura do politicamente correto. Pega-se toda a raiva que o humano tem um do outro e diz-se que pode apontar toda ela para um grupo específico!

Com 7 bilhões de pessoas no mundo, a “minoria” homens brancos vai ter algo em torno de 450 milhões de indivíduos. E em nenhum grupo grande assim vamos ter uma parcela significativa de pessoas ricas e poderosas o suficiente. O que acontece com cada vez mais frequência é o homem branco que nem sonha com o status que lhe é imputado emputecer-se com a presunção de opressor. Seja ela racial ou sexual. O ser humano médio é bem merda… cidadão não tem poder para oprimir um hamster tetraplégico e é tratado como um monstro potencial? Óbvio que movimentos como o do direito dos homens começam a aparecer. E pior, os grupos realmente racistas vão ficando cada vez mais sedutores no seu discurso.

O problema é simples, até: a distância entre a força percebida de um grupo e sua força real. Para ter um alvo onde direcionar a raiva das pessoas, criou-se um monstro. O inimigo da evolução social! Não deixa de ser um clássico definir um grupo como o causador de todos os problemas para unir o resto da população em prol de uma causa. Tão clássico que todos conhecemos a história de um grupo de homens brancos fazendo isso contra outro, e virando uma guerra de proporções mundiais. Funciona. Mas funciona só por algum tempo.

Normalmente quem tenta esse truque sabe que sua validade é curta, tentando estender o mínimo de poder que consegue pelo maior tempo possível. Até porque demonizar um grupo humano tende a deixa-lo pouco cooperativo… recentemente uma universidade americana chamou um palestrante “politicamente incorreto” que falava justamente sobre como o povo da justiça social perdeu completamente a linha nessa luta contra o homem branco. A palestra foi vaiada do começo ao fim, com todo tipo de reação raivosa e infantil da plateia. Mas, como esse palestrante tinha alguma visibilidade para os pais dos jovens e financiadores da universidade, eles finalmente viram o estado daquele lugar. Resultado: a universidade perdeu milhões em financiamento nas semanas e meses seguintes.

Isso quer dizer o seguinte: por mais que seja aceitável tratar homem branco como vilão, não é uma boa ideia alienar uma minoria cujos alguns de seus membros realmente tem mais poder e dinheiro que a média. É o que eu falava sobre o pior dos dois mundos. Cria-se uma minoria onde não deveria ter nenhuma (e não deveria ter nenhuma em geral), gerando revolta na imensa maioria que não tem poder pra oprimir e deixando desgostosos aqueles que tem. Pode ser até feio dizer, mas… não é que o “monstro” está com medo das pedradas que está recebendo, é que ele ainda não está irritado o suficiente para revidar.

E nem faz muito sentido histórico… nenhum grupo humano “embananou” mais que o homem branco recentemente. Os grandes avanços humanistas que permitiram a sociedade que temos hoje não foram verdadeiramente arrancados dos homens que tinham esse poder, eles foram cedidos por “infiltrados humanistas” igualmente homens e igualmente brancos que conseguiram corroer a estrutura de poder o suficiente para subverter o sistema. Muito cuidado na hora de analisar os grandes avanços humanos e o momento de maior revolta de um grupo oprimido. Não acontecia na hora não. Alguém que tinha o poder acabava cedendo depois de muito convencimento, seja dele ou dos elementos próximos dele.

A estratégia de ir beliscando esse poder do homem branco (que é um tanto quanto recente e durante muito tempo localizado) aos poucos nos colocou num mundo onde gente raivosa e histérica pode berrar sem parar. A minha ideia de mudança social não passa por estragar uma estratégia que estava funcionando para por no lugar uma que provavelmente vai gerar revolta numa minoria que realmente pode influenciar as decisões no mundo. Principalmente se essa nova estratégia passa por bater indiscriminadamente até mesmo em quem não tem sequer poder pra ceder.

O mundo é escrotamente injusto, custa não piorar? Essa é a pior minoria para criar, e nada parece saciar a fúria de quem precisa de um vilão comum para se financiar. E ainda deixa outros seres humanos que fazem por onde serem vilanizados passarem por baixo do radar. Como naqueles casos absurdos dos estupros em massa cometidos por imigrantes árabes e africanos na Europa recentemente. Ninguém parecia saber como lidar por medo de parecer preconceituoso. Oras, não é crime ter uma cor de pele, é crime estuprar! Não fosse essa presunção maluca que todos que não são homens brancos são oprimidos, teriam lidado com o caso com a seriedade necessária.

A última coisa que precisamos numa sociedade que preza pelos direitos humanos é um grupo ser julgado por cor de pele e genitália! Primeiro porque é absurdo e segundo porque quando esse pêndulo voltar, vai voltar com força, todo grupo humano eventualmente se revolta ao ser transformado em pária, agora, imagina um que calha de ter a maioria dos líderes mundiais com poder financeiro e militar? Vão jogar fora séculos de avanço por alguns anos de poder nas redes sociais…

E nesse meio tempo, aguentem homens brancos se dizendo perseguidos e injustiçados. Podem até não fazer muito barulho agora, mas tudo tem um limite.

Para perguntar se eu trocaria de grupo, para dizer que eu sou racista e misógino, ou mesmo para dizer que se delicia com as lágrimas dos homens brancos: somir@desfavor.com

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Comentários (13)

  • “é que ele ainda não está irritado o suficiente para revidar.” Tu acha mesmo que essa geração de frouxos vai revidar? O que mais tem hoje é:
    -Homens brancos militando contra si mesmos, num auto ódio doentio, e chamando negros de direita de “capitão do mato”, e muitos deles são empresários que metem essas pautas na própria empresa.
    -Homem escravoceta que deixa a namorada feminista dominar a relação e engole todas as cobranças, pra no final ela pedir divórcio, corromper o filho com alienação parental e ainda acusar o ex de estupro.

    Homens brancos que destoam disso são minoria, só nos resta aceitar.

  • Meu chativismo eu faço bem feito, já tenho um grupo com quase 400 oprimidos no Facebook, quando a coisa toda chegar ao seu ápice e o homem branco resolver retirar seu dinheiro dessa sociedade imunda, as coisas vão virar de cabeça pra baixo, feministas vocês vão ter que aturar o monstro que criaram somos uma reação a tudo que há de ruim nesse mundo pós moderno

    • Pois é. Ao criar o monstro, passa-se a impressão que ele tem até mais poder do que realmente tem. Vamos ver cada vez mais mobilização do “vilão da vez”, talvez até o ponto onde esse grupo não tenha mais nada a perder se realmente vestir a carapuça.

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    Hikaru, a impressora opressora

    Sei lá se o texto é deboche, mas tocou num ponto que merece atenção: uma possível virada de pêndulo. E quem está tentando empurrar são Trumps e Bolsonaros da vida… Foi aqui mesmo que disseram que essas pessoas são frutos do chativismo.
    Pessoal tá de saco cheio de politicamente correto (que não é o mesmo que igualdade para todos). Tomem cuidado, “minorias”, senão vocês podem estar cavando a própria cova.

    • O texto deveria ser deboche num mundo ideal.

      E pior, Trumps e Bolsonaros ainda são a versão deboche do que tende a aparecer quando esse pêndulo virar…

      • Trumps e Bolsonaros: pessoas com sede de poder e vontade de aparecer, mesmo que “polemicamente”. Dar a elas o status de perseguidas (me parece que elas almejam isso) é a receita do desastre

        • Sim, estão criando os monstros para ter alguém onde focar a própria vontade de aparecer, mas uma hora esses monstros que parecem caricatos agora começam a ter poder de verdade.

          E aí… não tem reclamação de Facebook que vá dar conta do recado.

          • No mesmo balaio que Trumps e Bolsonaros estão Gentilis e Olavos. Gente que ganha poder graças a histeria dos chativistas querendo impor autoritariamente suas bandeiras, em uma visão tacanha que desconsidera o conjunto da coletividade. Vontade de matar essa gente.

            • Bacana ver que você já está se descontrolando. Pena que você é chato pra caralho mesmo assim. Vem cá, foi assim que você matou aquele ser que você acreditava ser sua amiga? De tédio? Ou ela morreu de desgosto? Conta aí pra galera… e sem ameaçar de morte ninguém, só pra variar.

            • “Não aprendi a dizer adeus, mas tenho que aceitar, que amores vem e vão…”

              “É o amooor… que mexe com a minha cabeça e me deixa assim, que faz eu pensar em você e esquecer de miim, faz eu esquecer que a vida é feita pra viver…”

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        Ângelo M. Palmeira

        Se os Trumps e Bolsonaros são a versão deboche, quais seriam as versões sérias? Os conservadores old school como Ted Cruz e Ben Shapiro?

        • As versões sérias fazem o que se espera delas: não aparecem. A versão deboche faz o circo necessário, e se o povo cai nessa e coloca os malucos no poder, quem estava financiando ganha por tabela.

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