Marcados pelo Brasil.

Brasileiro, esse povo peculiar. Em vez de dar (pela milésima vez) minha opinião, deixo grandes marcas falarem por mim. Vamos avaliar o perfil do brasileiro pelas mudanças que grandes marcas tiveram que fazer em seus produtos para sobreviver no mercado?

Você deve estar se perguntando porque o Somir não fez este texto, afinal, ele é publicitário, portanto falaria do assunto com mais profundidade e pertinência do que eu. Respondo: ele não quis. Dei a sugestão de tema para ele e ele disse que preferia que eu falasse, pois a minha revolta deixaria o texto muito mais engraçado. Espero corresponder, porque de fato estou muito revoltada com o que li.

Vamos começar falando de comida. A verdade é que o brasileiro não tolera sabores novos, coisas que saiam do conhecido. Um povo que vai morrer comendo mais do mesmo. Ainda que se introduza uma novidade no mercado, como foi com a comida japonesa algumas décadas atrás, é preciso dar um toque local, se não, simplesmente não dá certo. Aí vemos essas atrocidades estuprando a culinária japonesa. É condição de sobrevivência que as empresas macaquizem seus produtos, caso contrário não vende.

Marcas grandes, de expressão mundial, como KFC e Pizza Hut faliram mais de uma vez no Brasil. O único jeito de se firmarem foi abrasileirar sua comida. KFC faz baldes de frango frito para serem comidos como petiscos, geralmente acompanhando um evento, como um programa de televisão. A ideia é a praticidade: você mete a mão no balde e vai beliscando. Não rolou no Brasil. A ideia de comer só frango remeteu a “pobreza”, era pouco, afinal, quem se importa que proteína é a parte nobre da refeição? Só tem fartura se tiver quilos de carboidratos.

KFC só emplacou minimamente bem depois que, além do frango, passaram a servir acompanhamentos nacionais como arroz, feijão e farofa (em alguns lugares vende também batata frita, porque carboidrato nunca é demais). Ah sim, detalhe importante: com talheres. Assim, o brasileiro pega um petisco que foi criado para ser beliscado diretamente do balde e facilitar a vida e faz uma marmitão: tria o frango do balde, que passa a ser uma mera bandeja, o coloca em um prato com arroz e feijão, transformando-o em um mero bife. Nem precisava do balde (ou do preço mais caro que se paga pela comodidade de ter frango pronto para comer de imediato.

A Pizza Hut também amargou um fracasso inesperado por isso em 1989. Pizzas com ingredientes que não eram muito familiares aos brasileiros. Rejeição total e, o mais curioso, a maior parte vinda de consumidores que sequer experimentaram o produto. Basta abrir o cardápio e ver coisas não familiares que o brasileiro rejeita. Mais infantil impossível. Brasileiro adora novidade, desde que a novidade esteja dentro do que ele considera familiar. Pode colocar sabor estrogonofe na batata Rufles que tá ok, mas não venha com ingredientes que saiam do padrão. Em 2011 a Pizza Hut tentou novamente, agora com ingredientes conhecidos dos nativos locais, coisas como catupiry. Foi só então que conseguiu se firmar no mercado nacional.

Quando falamos de doce, o brasileiro é a formiga do mundo. A Coca-cola brasileira durante muito tempo foi a mais doce do mundo, além de conter a maior concentração de uma substância com potencial cancerígeno, chamada 4-metil-imidazol, 4-MI para os íntimos, um subproduto do corante Caramelo IV. Ninguém se importa. Vale tudo para deixar o produto com o gosto que o brasileiro quer. Até mesmo chocolates tiveram que mudar sua composição para vender para o Brasil. A Hershey’s chegou aqui com sua formula original em 1998 e se deu mal, teve que adicionar generosa quantidade de açúcar para conseguir vender.

Até a gigante Starbucks se viu obrigada a mexer no seu produto. Enquanto a maior parte dos países se adapta às novidades e as experimenta com curiosidade e mente aberta, o brasileiro pirraça se o que lhe for vendido não for algo que ele está acostumado. Graças ao gosto do brasileiro médio, a Starbucks “aguou” o café, já que quem prefere expresso é uma minoria e passou a servir café filtrado como regra. Os muffins de sabores pouco conhecidos dos brasileiros, como o de blueberry (uma delícia, por sinal) encalharam, obrigando-os a criar novos sabores exclusivamente para o Brasil, como o muffin de parmesão. Mesmo assim, o muffin por si ainda causa estranhamento. Resultado: tiveram que começar a vender pão de queijo, que é algo bem conhecido dos nativos locais, e atual campeão de vendas da rede. Ir à Starbucks para comer pão de queijo é como ir ao Moulin Rouge para comer uma puta de Minas Gerais.

A tradicional fabricante de massa italiana Barilla também se viu obrigada a, pela primeira vez e 150 anos de existência, mudar a receita para vender no Brasil. O mundo todo compra a massa italiana como ela tem que ser, grano duro. Mas não o brasileiro! Se não for na mesma consistência da massa furreca local, aquela coisa molenga, ele não come. Lá foi a Barilla estuprar sua própria receita, sucesso de venda no mundo todo, fazendo um macarrão mais macio para brasileiro. Além disso, tiveram que mudar o nome em um primeiro momento, pois farfale e fusilli geraram rejeição. Viraram “gravatinha” e “parafuso”.

Você pode pensar que gosto não se discute. Ok. Mas e quando o gosto nacional faz mal ao próprio consumidor, nesse caso vale um questionamento, certo? O brasileiro tem essa veia ignorante de pensar que “mais” é “melhor”, por isso, tende a comprar o xampu que fizer mais espuma, pois acha que ele é o que melhor limpa seu cabelo. Só que não. O xampu que faz mais espuma é o que tem mais detergente na sua composição, isso não quer dizer que ele limpa mais, e sim que danifica mais o seu cabelo.

Quem já experimentou xampu de outros países sabe a diferença que faz no cabelo. Xampu nacional detona o cabelo de tal forma que abre portas para todo tipo de condicionador, creme de tratamento ou o que mais se queira inventar. Não é à toa que o Brasil é o quarto maior mercado em xampu do mundo mas o primeiro em condicionadores. Haja condicionador para tratar a agressão aos fios que é o xampu brasileiro!

Até algumas marcas de sabonete líquido, como a Lux, por exemplo, tiveram esse problema: rejeição por fazer pouca espuma. Mudaram a fórmula e tacaram detergente em uma pele que já é bem maltratada pelo sol. Parabéns aos envolvidos. Bom para o mercado de hidratantes, que cresce com peles tão ressecadas por tanto detergente. Como costumam ser todos produtos do mesmo fabricante, compensa. Então, basta mostrar um comercial onde limpeza esteja associada a muita espuma que o povo compra a ideia, e também compra muito mais condicionador e creme hidratante. Parabéns Brasil, um povo que baseia sua ideia de higiene pelo que vê em comerciais de televisão.

Até os absorventes foram obrigados a rever seus conceitos. Como a mulher brasileira tem o hábito de usar, em seu dia a dia, micro calcinhas enfiadas na bunda, os absorventes de tamanho padrão sofriam uma certa rejeição, pois as impediam de andar com calças bem apertadas e a calcinha enfiada na bunda por sete dias ao mês. Imagina a frustração! Para não marcar a calça intrauterina das brasileiras, fizeram uma versão do absorvente que fosse bem fina na parte traseira, acompanhando o formato da calcinha. Agora a brasileira pode voltar a enfiar a calcinha (com o absorvente junto) no cu quando estiver menstruada. Sucesso de vendas.

Ainda na linha do “mais é igual a melhor”, resolveram mexer com um ponto fraco do brasileiro: o cheiro. No pacote dos complexos do brasileiro, o cheiro é um dos itens que causa mais preocupação (e ainda assim, tantos fedem!). Ótima oportunidade de mercado. Desodorantes que oferecem “máxima proteção” por 48h viraram sucesso de vendas. Me diz, pra que?

Alguém fica 48h sem tomar banho nesse calor dos infernos? Lamentável. Mas, o brasileiro não pensa, se um oferece proteção de 48h, então é esse que ele vai comprar, porque é mais! Não importa que ele tome banho diariamente, ou, pior ainda, passam a ver no desodorante 48h uma oportunidade de não precisar tomar banho todo dia. Sim, esta é a razão pela qual quase metade dos consumidores homens entrevistados disseram optar por esse desodorante, como se banho fosse exclusivamente para elidir cecê. Fica meu apelo aos fabricantes: já que criaram esses monstros, agora lancem um desodorante para saco 48h, por favor.

É regra mundial que para fazer a barba é preciso um combo de água morna, espuma, creme e loção. Mas não o brasileiro! Porque o brasileiro é muito macho e isso seria frescura! Os produtos acessórios para fazer barba simplesmente encalharam de tal forma que não teve jeito. O problema é que hábito de fazer a barba na base do sabonete gerava irritação na pele dos homens e estes culpavam a qualidade das laminas de barbear por isso. Chovia reclamação e não havia forma de explicar que estavam fazendo uso errado do produto.

Depois de tentar vender os produtos acessórios das mais diversas formas sem sucesso, a teimosia e machismo do brasileiro obrigou empresas a serem criativas: mexeram no próprio aparelho de barbear. Inseriram mais lâminas e as deixaram mais próximas, para reduzir o numero de vezes que ela era passada na cara e também uma fita que solta um hidratante/lubrificante quando molhada, assim o brasileiro macho cuida da pele ao se barbear sem ter sua masculinidade comprometida. Pronto, o modelo foi um sucesso por ser visto “de melhor qualidade”, apesar de custar o dobro dos modelos convencionais. Fica a lição: quando algo dá errado, a culpa é sempre do produto.

Brasileiro gosta de ser enganado. Atalhos, facilitadores ou apenas dizer o que eles querem ouvir. Pensando nisso criaram o sensacional produto que é protetor solar e bronzeador ao mesmo tempo, com fator de proteção solar 15. Com FPS 15 você não vai conseguir se bronzear, ou bloqueia os raios nocivos (que são justamente os que bronzeiam) ou não protege a pele deles permitindo o bronzeado. Mas deram um jeitinho, colocam uma corzinha no produto e quando você passa tem a percepção de pele dourada pelo corante. Tão de parabéns, tanto quem fez, como quem usa. Nada mais é do que autobronzeador que tinge levemente a pele.

Agora um dado triste, muito triste. Prepare-se: a Kimberly&Clark constatou que 99% dos brasileiros tem o hediondo cestinho de lixo no banheiro, onde porcamente jogam o papel higiênico com o qual limparam seus cus sujos de merda. Da porcaria, veio a oportunidade: lançara um papel higiênico que controla o odor desagradável de merda. Depois, veio a versão com cheiro, que além disso perfuma, deixando o ambiente com aquele toque de merda floral.

Nesse ponto você pode ser tomado de uma sensibilidade social e me dizer que os brasileiros não tem escolha a não ser amontoar em sua casa papel cagado, por causa da precariedade da rede de esgotos. MENTIRA. Brasileiro gosta, brasileiro tem o hábito de guardar papel cagado no seu lar! Existem tipos de papel higiênico que se dissolvem perfeitamente na água, não entopem a pior das tubulações e causam impacto mínimo no meio ambiente e, mesmo assim, o brasileiro não compra. É gosto mesmo, ter papel cagado dentro de casa.

E se você acha que isso é reflexo da parcela da sociedade de baixa renda, vamos falar de produtos que não são consumidos por pobre. Sim, Brasil é um dos poucos países do mundo onde dinheiro e o acesso a uma educação supostamente privilegiada não são sinônimo de melhor capacidade intelectual. A fascinante figura do burro rico e mal educado em larga escala é patrimônio nacional.

Quando os postos de gasolina Walmart chegaram ao Brasil, em 1995, vieram com o mesmo sistema americano: o próprio consumidor “se serve”, colocando combustível no seu carro. Menos custo com mão de obra, combustível mais barato, todo mundo ganha, certo? Errado. O brasileiro ficou super ofendido e, segundo pesquisas realizadas pela empresa, considerava o autosserviço humilhante. Preferiam pagar mais e serem servidos do que “executar função de frentista”. Eeeeuuu / sou vira-laaaataaaa / com muito orguuulhooo / com muito amoooooor. Único país do mundo onde a empresa teve que contratar frentistas por imposição social. Brasileiro adora se sentir “doutor”, ô raça!

Brasil está entre o top 5 em mercado de automóveis no mundo, por isso as montadoras levam em conta o gosto do consumidor nacional. O resultado disso são carros feitos para correr, para andar em alta velocidade. Sim, o brasileiro gosta de carro que acelera, se sentem poderosões e o fabricante reage à demanda, fazendo carros onde a relação entre as marchas sejam mais curta, para que o carro acelere mais. Resultado: em nome de se sentir poderoso e potente, o brasileiro é campeão em acidentes de trânsito com óbito. Sem contar que correm em ruas esburacadas, fodendo seus carrinhos tão queridos, o que os obriga a trocar de carro (e vender usados com uma depreciação enorme) em menores intervalos de tempo.

Mesmo para quem não corre, são necessárias adaptações na suspensão dos carros. As ruas brasileiras são tão cagadas, que as peças padrão não aguentam mesmo se andar na menor das velocidades. São desenvolvidas peças especiais apenas para suportar as ruas brasileiras. E muitas vezes, mexer apenas na suspensão não basta! O modelo Evoque, por exemplo, que é vendido no mundo todo com pneus de 17 polegadas, no Brasil tem 18 polegadas, para sobreviver aos buracos brasileiros e atenuar o tranco. Coisa triste a presunção de que suas ruas são uma merda.

Até produtos notoriamente de luxo precisam de adaptações ao chegar no mercado nacional. Marcas renomadas como Tiffany, Hermès, Cartier e Lancome abriram uma exceção e aceitaram parcelar o pagamento no Brasil. Vai me dizer que pobre compra Cartier? Não, né? O que acontece é que o consumidor brasileiro está sempre buscando consumir produtos que estejam ao menos um grau acima de sua capacidade financeira, isso gera um status na cabecinha de quem compra, criando um país onde ter é ser. Como sempre compram mais do que o orçamento aguenta, a forma padrão de pagamento é se endividar no cartão de crédito.

Finalizo com um breve apanhado tirado de um trabalho acadêmico sobre o gosto do consumidor brasileiro, baseado em dados fornecidos por pesquisas de empresas do mundo todo.

O consumidor brasileiro é impulsivo, desorganizado e complexado. Basta que você mostre que aquele produto vai trazer algum status e ele se endivida para comprar. Raramente tem a capacidade de calcular o impacto que a compra faz no seu orçamento, compra e depois pensa em como vai pagar ou se pode pagar.

Uma coisa que o atrai muito é quando uma marca internacional lança em sua linha de produtos algum inspirado no Brasil ou com matéria prima brasileira, pois o faz sentir importante e homenageado. Por esse mesmo motivo também adora qualquer produto em edição especial, premium ou qualquer outra porcaria que lhe dê a sensação que ele está adquirindo algo que outros não poderão adquirir.

A razão principal da escolha de uma marca não é o desempenho do produto, nem sua qualidade, nem mesmo sua aparência: é a marca e o status social que ela gera. Também constataram que os principais influenciadores não são revistas de moda, desfiles ou estilistas e sim personagens de novela. Ah sim, adora promoções e brindes, ainda que saibam que o brinde não lhes é útil e nunca vai ser utilizado. Único país do mundo onde mulheres fizeram fila para pegar loção pós barba de brinde.

Cerca de 50%, ou seja, metade das compras, é motivada pela emoção, geralmente para compensar uma frustração, o que faz com que a indústria da inspiração jogue pesado em publicidade e pinte como vida ideal, casamento ideal e corpo ideal algo quase que impossível de ser alcançado, gerando frustrações diárias e, por consequência, mais consumo. Ou seja, o estopim para comprar vem de uma frustração (e não da necessidade) e a escolha da marca que será comprada vem do status que ela gera (não da qualidade).

A pior parte é: as marcas estão cientes de tudo isso, e exploram uma cabecinha que já é bem tosquinha e vulnerável, cutucando em seus pontos fracos, suas inseguranças, complexos e baixa autoestima. Assim, o Brasil é um dos países do mundo com maior quantidade dos chamados “superendividados” que, para fins deste artigo, são as pessoas que devem mais de dez vezes o valor que ganham. Sim, tem muita gente com salário de cinco dígitos superendividada no Brasil e a tendência é piorar.

Reflitam.

Para pedir outra versão do mesmo texto escrita pelo Somir, para dizer que o texto fico longo demais ou ainda para ficar ofendido em um mix de patriotismo e complexo de vira-lata: sally@desfavor.com

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Comentários (93)

  • Quanto aos barbeadores: sempre procurei fazer direitinho, com água morna e tal, uma espuma de qualidade e finalizando com pós barba. Ainda assim, o aparelho faz diferença.

  • Sally
    Foi simplesmente incrível a sensação de alma lavada que teu texto provocou em mim. Há anos ( milhares) que venho falando disso, como João Batista (pregando no deserto)!
    Trabalhei mais de trinta anos no Atacado (supermercadista) e inúmeras vezes passei por situações grotescas por conta dessa desinformação ancestral do brasileiro: (uma delas) o caso do detergente. Uma grande empresa em que eu trabalhava, lançou marca própria e inúmeros produtos foram sendo disponibilizados por etapas… O detergente, quando ficou disponível, gerou uma onda de reclamações, como se todas as donas de casa houvessem sido lesadas: o detergente não espumava! A solução? Bem simples… Enfiaram sal na fórmula, aumentaram o preço é todos espumaram felizes para sempre!.
    Parabéns pelo primor de texto e pela visão bem (?) humorada de um assunto sobre o qual, o brasileiro deveria reconsiderar!

    PS .
    Gostaria de ler mais textos teus. Como faço?
    Meu nome é Luiz da Silva Rosa. Sou um paulista morando em Governador Valadares MG.
    Encantado!

    • Obrigada, Luiz!

      Para ler mais textos meus é só procurar aqui no Desfavor mesmo. São quase dez anos de textos!

      Divido o Blog com outra pessoa, um dia ele posta, um dia eu posto, vamos alternando.

    • Caro Frentista ignorante, sou advogada e tenho bastante ciência das leis do país.

      LEIA A LEI e descubra que isso só passou a ser ilegal no ano 2000. O fato citado no meu texto é de 1995.

      Faça uma forcinha e raciocine, não deve ser tão difícil.

      Hoje os analfabetos funcionais tiraram o dia para vir me encher o saco, hein? É sábado, minha gente. Vão namorar, dar um passeio, tomar um sorvete…

      • Eu sei que a lei foi aprovada alguns anos depois. E passou a ser ILEGAL justamente por conta da conjuntura econômica da época e da posição dos sindicatos da categoria nisso.

        De qualquer forma, menos mal. Se com frentista já aconteceu morte por conta do uso do celular no posto, imagina então com o brasileiro médio no autoabastecimento.

        Não custa lembrar que justo pelo risco de explosões e incêndios, temos lei proibindo o uso de celular em postos de combustivel. Pensa que brasileiro respeita? Nada!

        • Frentista querido, você não acha estranho que em países civilizados e desenvolvidos isso seja permitido e no Brasil não?

          Não é por segurança, meu amor. Se fosse, os EUA e Europa toda já teriam proibido também.

      • Que pena que se tornou ilegal… Aliás, porque essa reclamação? Será que frentista não pode tentar algo melhor na vida? Pode sim… Então, o posto poderia ter frentista se quisesse ter, não a lei do país tornar posto sem frentista ILEGAL, isso é claramente uma afronta à constituição, pelo pouco que sei. O estabelecimento que deveria decidir ter um formato, o outro ou ambos, não o estado. Mais um tiro no pé deste país de merda. Provavelmente mais uma lei motivado pelo populismo barato (venha ele de quem venha).

        • Acho que dói menos se pensar que Brasil tem que ter frentista por lei do que se pensar que teve que ter porque brasileróide gosta de pagar de doutor e não consegue executar a complexa tarefa de enfiar uma mangueira em um buraco. Francamente, não sei como fazem tantos filhos.

          • Convenhamos que o risco com celular é bem pequeno, mas acender um cigarro ou jogar toco de um perto da bomba e principalmente uma fiação elétrica precária pode mandar o posto pelos ares.

            Ainda tem a irresponsabilidade de aqui no posto aqui venderem cerveja na loja de conveniência. Mas fazer o que, né?

  • Sally, pode dizer uma dessas marcas de papel higiênico que não entopem o vaso? Tenho verba separada para desentupir, acontece quase uma vez por trimestre, mas ainda é melhor do ficar com papel sujo dando bactérias em uma lixeira, mesmo que por pouco tempo!
    Concordo muito com tudo o que você disse. Não consigo consumir industrializados brasileiros, sempre têm gosto de sal/óleo/açúcar ofuscando o sabor natural! Chocolate então… só os mais amargos é que não têm aquele sabor enjoativo, e mesmo assim costumam compensar na gordura. Já me mostraram um que tinha gordura anidra de leite e não tinha manteiga de cacau, acredita?

    • Qualquer papel higiênico biodegradável pode ser usado sem problemas desde que a pessoa use de forma correta: muita gente usa diversas folhas para se limpar, alguns descontrolados chegam a enrolar toda a mão em papel, dando várias voltas. Aí é claro que vai entupir.

      • Sim, eu também gostaria que tivesse papel biodegradável em Valsador, mas é difícil de encontrar, uma pena… Na Europa é o contrário, em um monte de lugar tive de jogar o papel no vaso, pois é norma(e sim, o papel era biodegradável).

        • Também nunca achei papel biodegradável por aqui, mas vou prestar mais atenção e procurar em outros lugares… não é possível que não exista em uma cidade do tamanho de Curitiba!
          Quando morava em Minas, só jogava no vaso e nunca entupia. Vou ver se acho as mesmas marcas de lá.

  • E falando em shampoo, Sally: Eu sei bem o quanto shampoo espumado demais é uma merda. Tudo isso porque o excesso de espuma é produzido por sais sulfatos, que danificam os fios. Aí os condicionadores são para reparar o estrago dos shampoos cheios de espuma feitos sob medida pra BM. E eu, dona de cabelo crespão (do tipo afro, o mais terrível – dane-se o politicamente correto, é a realidade, ponto final, foda-se a hipocrisia dos militontos) e eu dou permanente nele para ficar mais maleável com cachos mais belos, ao meu gosto, tenho de escolher um “shampoo sem sal” para poder lavar o cabelo. Quando comprei um shampoo em uma viagem que fiz à Europa, o que me surpreendeu foi justamente a falta de espuma, e os sabonetes que comprei lá seguiram a mesma linha. Da próxima vez que for pra lá (e vou pra ficar, com certeza) vou ficar ainda mais feliz de entrar em contato com produtos que agridem menos cabelo, pele, olhos, em países onde (maus) gostos de BM não têm vez.

      • Sim, afeta, sem dúvida… Mas pro cabelo crespão é pior, o afro então… São os tipos de cabelo mais frágeis, os que mais se estrepam com os shampoos de detergente brasileiros(e olha que aqui tem uma quantidade até considerável de gente com cabelo assim, embora seja minoria – e eu fui lamentavelmente sorteada pra esse tipo de cabelo, só Darwin na causa… :p ).

  • Sally, pra variar, aplaudo seu texto. É bem assim mesmo. E quando vc falou sobre o quanto o brasileiro é formiguinha, gosta de tudo com muito açúcar, me lembrei de uma vez quando fui pra Europa, pra passear, pelo aeroporto de Munique e chegando lá, quis tomar um sprite. Até aí, nada demais, até que finalmente abri a garrafa e bebi… e… ooooopssss, cadê aquela quantidade absurda de açúcar? Parecia a versão chic do H2O (outro que apesar de ter menos açúcar que o refri comum, ainda sim tá mais açucarado que o de outros países). Fiquei chocada no início, mas depois me acostumei. É de saltar os olhos a diferença de qualidade dos mesmos produtos no Brasil e no exterior e ao invés de focar no quanto a empresa é malvada com a gente, o melhor é focar no quanto o povo brasileiro é malvado com ele mesmo, na medida em que costumes ruins acabam, via de regra, gerando produtos ruins (ou que denunciam o quanto viver aqui é ruim, como no caso dos carros e sua relação com as estradas brasileiras, que leva à incompetência do poder público). Um estado lamentável de coisas, sem dúvida.

      • Verdade, Sally! Minha sorte é que nasci nos anos 80 e fui aquela criancinha que fazia muita atividade física (corria muito, brincava na rua, aproveitava bem as aulas de educação física da escola, que eram maravilhosas e lembravam as brincadeiras infantis e ainda misturavam com esportes), coisas que boa parte das crianças de hoje desconhecem, e assim eu “gastava energia” e compensava as porqueiras que porventura eu comesse. Hoje em dia, a obesidade infantil (e adulta) é maior justamente porque o BM come ainda mais açúcar e faz menos exercícios, gerando acúmulo de gordura no organismo e aí, a tragédia tá feita, com muito diabético, hipertenso, cardíaco e por aí vai (isso em um pais no qual a saúde pública é uma merda (e a privada tá indo no mesmo caminho). Junte tudo isso aí e o quadro é devastador.

        • E falando em esportes e atividade física, além da minha infância, na adolescência fiz ballet e ginástica rítmica, duas atividades físicas que queimam muita caloria e mexem muito com o corpo inteiro. Isso aí ajudou bastante na saúde que tenho hoje. Nos dias atuias, no Brasil, o sedentarismo é quase uma regra, aí as pessoas ficam obesas e surgem campanhas contra a tal da “gordofobia”, e outras coisas assim, gerando uma fuga da realidade e coisas como o que vimos na abertura: Um grupo dançando frevo e a passista gordinha não conseguia nem a pau acompanhar as colegas. :P

          • Gordofobia. Adoro o termo. Ser gordo FAZ MAL À SAÚDE, é questão de tempo até o corpo adoecer. Os gordos é que deveriam ser chamados de SAUDEFÓBICOS.

            • Verdade kkkkkkk

              Aliás, eu fico de cara com esse papo de “gordinho saudável”. Seiiii… Até o dia em que as articulações começem a gritar bem alto de dor – pra dizer o menor dos problemas. E eu conheço gente gorda cheio de problema de saúde que dá dó… E esses ainda se cuidam, imagine os que não fecham a boca por nada, são sedentários, e ainda arrotam “orgulho”… Sim, são saudefóbicos mesmo.

  • Avatar

    Unapologetic Bitch

    “Ir à Starbucks para comer pão de queijo é como ir ao Moulin Rouge para comer uma puta de Minas Gerais.”

    Hahaha Estou rindo alto desse trecho até agora. Sally, eu nem sou sapata, mas casa comigo! Te amo! hahaha

  • Os Delírios de Consumo de Becky Bloom – ” Rebecca Bloom não resiste a uma liquidação. Endividada, Rebecca – ou Becky – vive fugindo do seu gerente de banco e procurando fórmulas mirabolantes para pagar a fatura do cartão de crédito.” autora: Sophie Kinsella. Ué!!! esse livro foi escrito por uma brasileira? não! humm…. então não é só BM que gosta de promoções e brindes.

    • Cêjura?

      Cêjura que você não sabe a diferença entre brinde e consumismo?

      De qualquer forma, o comentário foi valioso. Ajudou a provar o ponto do meu texto. Grata.

      • Acho que já assisti o filme dessa história (não sabia que partia de um livro, atirem pedras). E o filme não fala de promoções e brindes, fala de uma “shopaholic” – em outras palavras, uma compradora compulsiva

      • Sally, leia o livro. A personagem faz qualquer coisa para ganhar brindes, compra tudooo que estiver em promoção, se endivida nos cartões … essas coisas que nós os BM fazemos. Também te amo! estava com saudades do seu jeito meigo! sério! você é a única pessoa que entende como sinto quando vejo uma lagartixa! beijos!

        • Vamos lá. Mais uma vez.

          Não vou ler o livro, não gosto de embutidos literários para adolescentes. Consumismo existe no mundo todo e de forma alguma meu texto nega isso ou diz que é exclusividade de brasileiro. O ponto central do texto é MOTIVAÇÃO e a FORMA como se lida com o consumo.

  • Sobre a parte dos carros, trabalho há alguns anos no ramo de autopeças/concessionárias, e essa mania do brasileiro de se achar o centro do mundo na hora de comprar faz vítimas até no mercado automobilístico. Ao pesquisar entre compradores e vendedores de carros seminovos/usados, a maior parcela de má fama fica com os carros de origem francesa. Talvez isso se explique porque as adaptações deles ao nosso mercado não são exatamente tão precisas como as outras marcas, principalmente no quesito acabamento e suspensão. A maioria dos franceses apanha no nosso solo lunar, e dificilmente aguentam o tranco. Tem também a questão da falta de mão de obra especializada fora das concessionárias, vulgo mecânico que não sabe lidar com a quantidade de recursos eletrônicos acima da média nos franceses. Aí é rua que destrói o carro, mecânico que estraga mais quando tenta arrumar, e o carro que fica com fama de “lixo”. Afinal, a culpa é sempre do produto, não é mesmo?

    • Em tempo: que tal não um carro, mas uma marca inteira tendo que se adaptar às nossas preferências? Quando a chinesa JAC desembarcou aqui, teve de “corrigir” muitas coisas que não cairiam no gosto BR: tiveram de trabalhar para diminuir o tempo de resposta do acelerador (brasieliro gosta que responda mais rápido ao pisar no pedal) e alterar opções de cores do interior, porque brasileiro só compra carro com interior em tons escuros. O resto são melhorias já esperadas, como adaptação do sistema de arrefecimento para o nosso calor, e melhorias no isolamento acústico

  • Ué, o Desfavor está esquerdando? Isso é livre-mercado, o público mandando na oferta.

    Quem não se adapta, cai fora. Não tem essa de ficar protegendo receita de não sei quantos anos não, as empresas que tem que se adaptar ao consumidor ou não sobrevivem.

    Vocês deviam ler mais sobre Mises, Rothbard, a escola austríaca e o anarcocapitalismo, ao invés de ficar defendendo empresas contra o povo. Daqui a pouco vão votar no PT também.

    • Estamos criticando mudanças PARA PIOR, caso você não tenha compreendido. Questionamos que tipo de sociedade é essa que demanda mudanças para pior, para pactuar com a precariedade.

  • Essa das novelas me faz lembrar da época da “O Clone”. Aquela novela ambientada no Marrocos, com personagens que usavam expressões estrangeiras e bordões como “isso é muito auspicioso!”, e que as mulheres usavam jóias espalhafatosas e tinha várias cenas com odaliscas dançando a dança do ventre.
    Na minha cidade duas coisas aconteceram: camelôs e vendedores de bijouterias e ganharma bastante dinheiro vendendo réplicas dessas jóias com pedras coloridas, e pipocaram escolas de dança do ventre, mas que sumiram antes mesmo da novela acabar. Nos ônibus dava até pra ouvir estudantes e até algumas senhoras repetindo os bordões.

  • Na parte em que você falou de carros, me lembrei da minha juventude e queria compartilhar esse extremo desgosto que sinto quando me lembro de minha terra natal, no interior de Minas Gerais. Cidadezinha de 30 mil habitantes, onde a mediocridade é celebrada e se mistura com a caipiragem tradicional para formar o que eu carinhosamente chamo de “Rednecks brasileiros”.
    E o que carros têm com isso? Sou filho de dono de auto peças. Já entendeu neh? A caipirada tocando os carros na lama e nas rodovias maravilhosas de MG, acelerando igual uns desgraçados e então chegando na oficina de meu pai com sua belíssima carroça para um check-in.
    E a história era sempre a mesma. Porque além de jumentos, eram todos quebrados. O dinheiro só chegava uma vez por ano na comunidade (época das panhas de café) e era gasto todo em cerveja e cachaça nos butecos da cidade. (Álcool + direção + caipiras).
    Pois bem. “Dá uma olhada no meu carrão aqui, acho que se trocar o cilindro de roda fica bão”.
    E meu pai, contendo o riso, “Vamos ter que trocar tudo, vai sair uns 900 reais”.
    Mas o caipira não entendia, teimava, queria entender mais que meu velho com 35 anos de oficina.
    “Ah, troca o amortecedor então e tá bão dimais”.

    Dito e feito, uma semana depois a desgraça voltava na loja, gritando e fazendo escândalo, “Sua peça é ruim, seu serviço é porco, carro tá uma bosta de novo. Quero meu dinheiro, vou quebrar tudo sua loja, vou pagar nada”. Err, prefiro parar de escrever aqui.

  • Por isso esses chocolates brasileiros são tão horríveis. Ainda bem que moro relativamente perto do Chuy e às vezes posso comer um legítimo chocolate suíço, pra limpar a boca desses sebos que vendem aqui

  • O problema da culinária brasileira é desconhecer a palavra [suave]. Misturam vários sabores fortes “competindo” entre si, em vez de juntar sabores suaves que juntos entram em harmonia. Aí você vê aquelas atrocidades nas comidas estrangeiras adaptadas (principalmente doces) que anulam totalmente o sabor original.

    De fato, na Grande Nação Tropical é enraizado o pensamento de mais é sempre sinônimo de melhor. E de que qualquer novidade que surge é esquisita, sem gosto, sem graça ou coisa do diabo.

    • É a falsa premissa de que mais é melhor! Enquanto o mundo acha moderação chique, o brasileiro acha que é pobreza

  • Por mais ridículas que sejam as adaptações que os produtos e franquias passaram pra satisfazer o público brasileiro, isso é perfeitamente normal. É o mercado se adaptando ao público alvo pra poder maximizar o lucro. Não vejo nada de errado nisso. Muitas vezes a qualidade do produto sofre com isso, mas a gente, que se importa um pouco mais com isso, é minoria, não vai mudar tão cedo.

    • Eu vejo. Nas adaptações feitas para o Brasil. Por exemplo, carro pensado para rua merda. Acho vergongoso. E muitas dessas marcas não fazem adaptação alguma para o resto do mundo, só para o Brasil. Sintomático, não?

  • Sally, excelente texto!!!

    Observo bem isso mesmo! Principalmente em relação às comidas e cosméticos!

    Agora uma coisa que fiquei encucada:
    “Graças ao gosto do brasileiro médio, a Starbucks “aguou” o café, já que quem prefere expresso é uma minoria e passou a servir café filtrado como regra.”

    Eu achei o Starbucks dos EUA muuuuuuito mais aguado que o daqui (que já é horroroso)!
    E olha que eu adoro um café filtrado forte!

    No mais, impecável!

      • Achei, Sally!

        Eu não consegui tomar o “chafé” de lá! E olha que tenho dores de cabeça por abstinência de cafeína! Mas preferia tomar remédio do que aquilo!

        E o daqui eu até tomo, em última necessidade, se não tiver outro mais perto! Haha!

        • Estamos falando da quantidade de água no café ou do sabor? Eu acho o daqui ainda mais aguado, mas o sabor é um pouco mais forte. Você teve esse impressão também?

          • O café americano é bem mais aguado, na minha percepção. O expresso é mais forte, mas sao so 20 mL de café. Se servir 20 mL aqui pessoal vai pensar que pegou uma xicara suja.

          • Depende do lugar no Brasil pode até ser aguado sim, mas raras as exceções. Também acredito que o café daqui seja mais forte.

  • Eu jurava que tacar açúcar demais nos produtos era estratégia financeira pra ter lucro com ingrediente mais barato e que desodorantes de 48 hs eram criação de industria gringa de lugares que não tomam banho todo dia.

      • Isso de açúcar é coisa de louco! Já vi gente preparar Nescau e depois acrescentar mais 1 colher cheia de açúcar. Na máquina de café já adoçado, só porque eu não clico em “extra açúcar”, meus colegas me perguntam se eu vou beber “sem açúcar”

        • Falando em chocolates, eu lembro de uns dois ou três anos atrás quando um hipermercado daqui comprou um estoque de barras de chocolate alemãs e estava vendendo a um peço bem acessível (era coisa de uns 8 reais ou perto disso). Comprei várias delas, eram muito gostosas, não eram muito duras nem derretiam demais.
          Depois de alguns meses as barrinhas baixaram para 6 reais, e uma hora sumiram. Perguntando para as pessoas do trabalho e até comentando com as caixas do mercado, o consenso é que o chocolate não tinha gosto de nada. Uma caixa chegou a me dizer que gostava de chocolate meio-amargo mas que o alemão parecia ter gosto de terra.
          Enquanto isso, um dos chocolates preferidos do povo do meu trabalho era um tal Hershey’s branco com pedacinhos de bolacha de chocolate no meio, que é estupidamente doce e tem gosto de leite com açúcar. Tipo, MUITO açúcar.

  • Texto perfeito, nunca li tantas verdades!!!! Queria mandar para tanta gente….

    Realmente os brasileiros são cabeça fechada demais. Eu adoro a comida daqui, mas quando viajo para fora sempre procuro comer pratos tracionais, provar sabores diferentes. Mas sempre, SEMPRE tem um que pergunta se não tem algum restaurante brasileiro, ou arroz com feijão. Porra, tem a chance de provar algo novo e quer arroz com feijão???

    Em todos os hotéis que eu já estive fora do país, se tem brasileiro tem reclamação no café da manhã, porque a comida nunca está no gosto (sem gosto) do brasileiro. Um amigo achou absurdo o croissaint fora do Brasil não ter presunto e queijo!!!

    Meu marido, que é japonês, fica para morrer com a comida japonesa “abrasileirada”, ele diz que é nojento o que fazem. Tanto que somente vamos a restaurantes com comidas mais tradicionais, onde a maioria dos clientes são de famílias japonesas.

    Os doces nem se fala, já comi kitkat em outros dois países e o do Brasil tem o pior sabor de todos, gordura pura cheia de açúcar. Nutella a mesma coisa.

    Já vi muitos reclamarem também do sistema faça você mesmo que outros países tem. Em mercados você mesmo passa suas compras, ou quando a moça do caixa passa a compra, você se vira para guardar. Alguns falam que não são empacotadores e ficam revoltadinhos.

    Mas um dia aconteceu algo que eu achei super engraçado e bem feito. Num restaurante na Holanda um casal de brasileiros tratou mal o atendente. Mas lá não é como aqui, o atendente não ficou ouvindo quieto. O casal não se decidia e reclamaram que tinham que chamar dez vezes o atendente, então ele disse que aquela não era a única mesa para ser atendida no restaurante. Nem preciso falar da cara de merda do casal, mas depois disso eles abaixaram a bola e foram mais simpáticos.

    • Essa da galera pedindo arroz com feijão no exterior me lembrou daquele episódio dos Simpsons, no qual eles foram ao Japão. Lá o Homer decidiu almoçar num restaurante…americano!

      Seria o Homer burro como os brasileiros ou os brasileiros burros como o Homer?

    • Ah sim, nosso shoyu tem corante caramelo semelhante ao que vai na Coca-Cola (para ficar mais preto) e glutamato monossódico (como se o shoyu não tivesse sódio o suficiente). Duas substâncias consideradas cancerígenas por parte da ciência…

  • Sempre me dá uma imensa pena quando vejo no portal X ou Y: “brinco da ‘Candoca’ é o mais procurado na Esgoto.com”, “maquiagem da ‘Fudúncia’ é a mais pedida nos salões” e por aí vai, toda uma miríade de coisas lançadas por novelas e imitadas pelas macaquitas adestradas por anos de TV Esgoto.

    Me lembro uma época (década de 80) em que de repente todo mundo começou a aparecer com uma espécie de chaveiro em espiral servindo de pulseira. Depois de achar o cúmulo do ridículo, fiquei sabendo que era todo mundo aderindo à modinha lançada por um personagem de novela global, caricatura brasilóide de um representante do movimento punk, mais estereotipado impossível!

    E a moda posterior da lambada, então? Aquela mulherada de todas as cores com saias esvoaçantes idem, deturpando os belos ritmos caribenhos acrescentando-lhes a sexualidade exacerbada típica do BM?

    Bem diz o “guru” da mídia nacional (a eminência parda Washington Oliveto) naquele documentário “Beyond citizen Kane”: “o Brasil é um país de terceiro mundo com exigências publicitárias de primeiro mundo”. Mesmo que essas exigências impliquem em que as empresas desvirtuem seus conceitos de produto.

    Aqui é terreno fertilíssimo pra proliferação das mais loucas experiências midiáticas. McLuhan ficaria maluco!

  • SIM. é verdade. as pessoas teoricamente comparam todos os fatores Racionais na compra de um celular, como por exemplo resolução, qualidade das fotos, qualidade do som etc. Mas não é isso que ocorre. O que acontece é que os consumidores são predominantemente irracionais, todos. Sendo assim o que é de mais valia para eles a considerar são fatores como o destaque em relação ao grupo por exemplo.
    Todos somos assim. Mas a situação ainda se agrava quando o consumidor nem sequer se dá o trabalho de tentar pensar.

      • Falando em consumir por status: fiquei sabendo de gente que até aluga celulares desses bem caros e cheios das nove-horas pra quem quiser “ostentar” na balada e fazer parecer que é rico…

        • Freixo. Eu não desgosto do Freixo (seria uma longa explicação) mas, de qualquer forma, eu voto até no Satanás para não votar em crente.

          Mas, anota aí: Freixo não ganha no Rio. Ou é Crivella ou é Bolsonaro. Infelizmente.

            • Dizer que vota no Freixo gera staus, votar nele não. Como nunca se sabe em quem a pessoa votou, pode votar em um e dizer que votou no outro.

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            Baixadense com MEDO

            Sim, sobre o(s) Bolsonaro(s); realmente, com um PSC que também tende a avançar…

            Mas o Crivella está com a maior rejeição ( “Modo Garotinho” ? Haha ) e nem conseguiu sair do partido do tio (PRB), pra quem não só tentou sair como queria o mesmo partido do Romário (PSB)…

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            Sim, sobre o(s) Bolsonaro(s); realmente, com um PSC que também tende a avançar…

            Mas o Crivella está com a maior rejeição ( “Modo Garotinho” ? Haha ) e nem conseguiu sair do partido do tio (PRB), pra quem não só tentou sair como queria o mesmo partido do Romário (PSB)…

          • duzem as más línguas, que o frouxo é adepto do direito dos manos, por isso o filho do trump vai ter mais votos lá no hell. não sei se procede…

  • Aconteceu a mesma coisa com as empresas de tv a cabo. Agora praticamente todos os canais vêm na versão dublada. Você que é fresco e elitizado que se vire para deixar no áudio original (quando há essa opção). E quando você consegue colocar no áudio original, a legenda vem cagada, toda dessincronizada…

    É frustrante ver grandes marcas se adaptando ao gosto do BM porque essas mudanças são sempre para pior…

      • É o mundo tendo que se adaptar ao Brasil e não o contrário. Puta que pariu!

        Ah! E eu não consigo acreditar que quase metade de um grupo de consumidores entrevistados disse que prefere desodorante 48 horas por verem em seu uso uma oportunidade de não “precisar” tomar banho todo dia. Porra, o que é isso? Preguiça e “jeitinho brasileiro” até quando se trata de higiene pessoal? Cambada de nojentos…

    • Interessante isso. E não é de hoje que, graças à lerdeza atávica do BM, haja essa enxurrada de canais (mal) dublados como única opção ou com legenda realmente beirando o bizarro em termos de tradução. E isso porque no início TV a cabo era restrita a uma pequena parcela da população…

      Pra mim, que sou apaixonado pela DW, é uma benção que ela ainda não esteja legendada ou dublada em tempo real…

    • Não sei qual operadora você assina, mas aqui pelo menos eu acho a coisa muuuuito grave: a NET, em alguns canais (adivinha quais? Os mais legais, justamente) te faz ter de optar entre assistir com opção de áudio original e legendas, ou em HD. Alta definição, só dublado. Nãpo por menos, saí correndo assinar Netflix

    • Eu sempre preferi legendado, desde pequena… Gosto muito mais de ouvir a voz original dos atores, bem como aproveitar a oportunidade de aprender uma nova língua com mais um recurso multimídia. Pela graça de Nossa Senhora Auxiliadora das Legendas, as séries alemãs da globosat SEMPRE eram legendadas, e ficava muito feliz quando escutava o alemão (sim, tô estudando alemão pra caralho, essas séries alemãs legendadas foram de uma ajuda… :) )

      Um pena que o BM mal educado não tenha feito do filme legendado pra ter um conhecimento melhor de línguas, por exemplo, e ainda por cima querer que toda uma estrutura de TV a cabo se adapte à mediocridade. E ainda, como bem atestou um comentário lá em cima, se ache especial por causa disso. Uma auto estima completamente deturpada com louvor ao que é ruim e nojento.

    • Aí tenho de discordar. Preferir assistir coisas legendadas é coisa puramente brasileira porque “ui, eu gosto de ouvir a voz original” e muitas vezes não sabe meia dúzia de palavras em inglês, desprezando uma das melhores dublagens do mundo (que infelizmente tem decaído de qualidade por conta do mercado, vide as falências da Herbert Richters e Álamo)
      Americanos ODEIAM filmes legendados, assim como vários moradores de países europeus. Pra eles ouvir no idioma é muito mais importante do que ficar conferindo a atuação de voz dos atores enquanto lê a legenda.

      Aqui a coisa chega a ser doentia a ponto da pessoa preferir dublagem em inglês até pra desenhos animados e jogos.

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