Turistas.

O presente diálogo se deu em inglês. Semana passada fui abordada na rua por um casal de turistas americanos com um bebê de colo.

TURISTA: Olá, por favor, você poderia me ajudar? Desculpe, não falo português, mas preciso muito de ajuda
SALLY: Olá, pode falar
TURISTA: Você fala inglês? Graças a Deus!
ESPOSA DO TURISTA: Graças a Deus!
SALLY: Como posso ajuda-los?
TURISTA: Preciso chegar em tal lugar, como faço?
SALLY: É perto, mas é complicado de chegar. Eu os acompanho até lá, também estou indo nessa direção
TURISTA: Você não é daqui, né?
SALLY: Não, não sou. Como você sabe?
TURISTA: Você é educada. E amável
SALLY: Obrigada
ESPOSA DE TURISTA: Estamos tentando descobrir como chegar por mais de vinte minutos
TURISTA: Sim, acredito que estejamos abordando as pessoas de forma errada, ela parecem estar com raiva
SALLY: Estão tratando vocês mal?
TURISTA e ESPOSA DE TURISTA: Sim!
SALLY: Normal, fazem comigo também
TURISTA: Mas… porque?
SALLY: É complicado
TURISTA: Ficam repetindo “Fala portugues, fala portugues”
SALLY: Falam brincando?
TURISTA: Honestamente, não parece. Você pode sentir a raiva
ESPOSA DE TURISTA: Não faz sentido que um cidade que se propõe a sediar um evento mundial se irrite ao ouvir outro idioma
SALLY: Não, não faz. Peço desculpas pelas pessoas daqui, estou muito envergonhada com esse comportamento
TURISTA: Porque eles odeiam os Estado Unidos?
SALLY: Algumas pessoas confundem os atos do Governo com os cidadãos de uma nação
TURISTA: Mas então é político? Pensávamos que fosse rivalidade no esporte
SALLY: Sim, é político
TURISTA: Porque tanta raiva?
SALLY: É moda no Rio de Janeiro se dizer de esquerda, comunista. Os EUA são tidos como inimigos do comunismo
ESPOSA DE TURISTA: Estivemos em Cuba e fomos muito bem tratados! Qual é o problema do Rio de Janeiro?
TURISTA: Francamente, não parece uma cidade comunista, parece uma cidade consumista
SALLY: E é. São comunistas que estão com iphone em uma mão e uma lata de Coca-cola na outra. Vergonhoso
TURISTA: De onde você é?
SALLY: Argentina
TURISTA: País de pessoas educadas
SALLY: Você acha? Brasileiros não costumam gostar de argentinos
TURISTA: Brasileiros gostam de alguém?
SALLY: Se dizem um povo hospitaleiro
TURISTA: Não é isso que estamos vendo
ESPOSA DE TURISTA: Não mesmo
SALLY: Uma pena
TURISTA: Realmente não estamos conseguindo chegar nos lugares, tudo mal sinalizado e nossos ingressos estão com o endereço errado
SALLY: Aqui as coisas não funcionam direito, ninguém os avisou?
TURISTA: Sim, mas pensamos em nosso próprio país como referência e imaginamos uma desordem dentro daquele padrão . É muito pior do que poderíamos sequer imaginar
SALLY: Concordo com você mas… porque tantos turistas saem daqui dizendo que gostaram? Porque não falam mal?
TURISTA: Em meu país quando não temos algo de bom para falar nos calamos, por educação. Comentamos entre nós, mas, você sabe, sair falando mal publicamente é feio
SALLY: Seria bom, assim mais pessoas não vem enganadas para esta cidade
TURISTA: Se um amigo meu me perguntar, eu certamente vou falar a verdade, mas, sabe, ir até a imprensa e falar mal é feio
SALLY: Entendo. Ao menos no hotel vocês estão sendo bem atendidos?
TURISTA: Bem…
ESPOSA DE TURISTA: Para falar a verdade, não
SALLY: Em qual hotel vocês estão?
TURISTA: X
SALLY: É um dos melhores da cidade…
ESPOSA DE TURISTA: Sumiram coisas do cofre do nosso quarto
SALLY: Que vergonha. Vocês tem que ir à delegacia do turista denunciar
TURISTA: Tentamos, ficamos mais de três horas na fila e não fomos atendidos
ESPOSA DO TURISTA: Tinha muita gente
SALLY: Nem sei o que dizer
TURISTA: Esperávamos algum grau de desorganização, mas não o que estamos vendo
SALLY: Isso é algo que está acontecendo com mais gente?
TURISTA: Sim, turistas do mundo todo no nosso hotel estão reclamando
SALLY: E é um hotel cinco estrelas…
TURISTA: Assim se diz, mas não parece
SALLY: Lamento muito por tudo isso, se eu puder fazer mais alguma coisa para ajudar…
ESPOSA DE TURISTA: Fique com a gente!
SALLY: Como?
ESPOSA DE TURISTA: Nós te contratamos como nossa guia, passe esta semana com a gente
SALLY: Não posso, eu tenho que cumprir uma jornada fixa de trabalho, não posso meu ausentar por uma semana
TURISTA: Que pena
SALLY: O hotel não oferece serviço de guias?
TURISTA: Sim, mas eles não falam inglês?
SALLY: O que?
TURISTA: Não conseguimos entende-los
SALLY: Que vergonha…
TURISTA: Você nunca sentir vontade de morar em outro país?
SALLY: Todos os dias
TURISTA: Bem, obrigada por tudo. Aqui está meu cartão, se um dia for aos Estados Unidos teremos o maior prazer em recebe-la
SALLY: Por nada, e mais uma vez, desculpem
TURISTA: Boa sorte neste país
SALLY: Obrigada, eu vou precisar

Para dar um chilique esquerdopata, para sentir vergonha alheia pelo carioca ou ainda para pensar em quão sofrido vai ser para os atletas paralimpicos: sally@desfavor.com

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Comentários (81)

  • Vergonha de ser brasileiro

    DSVS, você citou um texto do Somir sobre “dois Brasis”, ou melhor dois Barris…

    Então, é barril dobrado!

  • Acho que meu comentário deu rum de novo… err?

    Mas enfim, vamos lá: reparei em alguns comentários reclamações sobre a falta de hospitalidade em alguns lugares… Engraçado como isso muda de lugar pra lugar. Bom, sobre Argentina só tenho coisa boa pra contar. Rio e Salvador, realmente, pelamor!

    Não sei se tu lembra Sally, há um tempo atrás quando vivia em “berlândia” sempre reclamava do péssimo atendimento e do péssimo gosto das pessoas pra tudo. Quando mudei aqui pro sul, nossa… que diferença! Claro que também não dá pra generalizar, só fui mal atendido uma vez na vida aqui, mas no todo… a diferença é realmente gritante.

  • Tal qual comentei naquela Semana Desfavor, sobre aquela criatura tendo um ataque de esquizofrenia bairrista e negando ajuda a um americano, farei mais uma vez essa pergunta: como cargas d’água uma cidade consegue manter essa pose de “cidade turística” mundo afora, sendo que os nativos são o retrato da hostilidade e a infraestrutura é digna de fazer o Bear Grylls se perder? Essa imagem de que o brasileiro é hospitaleiro e “turista-friendly”, realmente, muita mentira pra minha cabeça. Espero que, pra alguns estrangeiros, esse mito tenha caído por terra

    • Da mesma forma que mantém fama de gay friendly e tem homossexuais apanhando e sendo hostilizados em diversos ponto da cidade: com marketing

  • Hoteleira tarja preta

    Em tempo, estou indo a Buenos Aires nas férias e espero não sofrer retaliações por conta das macaquices que meus queridos compatriotas durante estas Olimpíadas (compatriotas que zoam argentino, mas vão pra Bariloche ver neve porque não tem culhão de bancar uma viagem pra Europa!).

    • Comporte-se de forma educada e vão te tratar muito bem. Basta não agir de forma sem noção. Ao contrário do que gostam de repetir, argentinos adoram brasileiros, só não gostam de barulho, falta de educação e excesso de intimidade.

      • Hoteleira tarja preta

        Eu sei, já atendi diversos argentinos aqui no hotel e são sempre muito queridos, alguns até me deram dicas do que fazer durante a viagem.
        Esse fator me dá ainda mais raiva quando vejo brasileiros sendo tão babacas, eu não gostaria de ser tratada assim em lugar nenhum e aposto que os BMs fariam uma bela cena caso acontecesse com eles.

  • Hoteleira tarja preta

    Eu fico extremamente envergonhada de ouvir relatos como esse. Sou recepcionista em um hotel de grande rede em Copacabana (você verá qual no meu email) e dobrei plantões para atender os hóspedes da melhor forma possível, cheguei até a costurar o paletó de um deles que era árbitro com agulha de bordar ponto cruz (meus dedos odiaram esta façanha).
    Perdi as contas de quantos mapas desenhei da forma mais detalhada possível com todas as dicas de como não se perder e pontos de referência que poderiam auxiliar, dei meu telefone pessoal para que pudessem me chamar mesmo fora do meu horário de trabalho caso estivessem perdidos, servi de intérprete pra taxista que não conseguia entender o que estes hóspedes queriam enquanto atendia quem estava no meu balcão. Meu ápice foi explicar EM INGLÊS a um casal indiano como chegar em Ricardo de Albuquerque usando apenas o transporte público!
    Até fora do meu horário de trabalho continuei com olhos de águia caçando quem estava com cara de perdido (e foram muitos) pra dar uma luz.

    Ganhei alguns ingressos de hóspedes que não poderiam ir e pude presenciar as dificuldades para se chegar aos locais, andei por 1h no sol pra encontrar a entrada do complexo de Deodoro, me perdi no BRT que não tinha nenhuma sinalização no terminal Alvorada e me choquei ao ser informada que as únicas formas de pagamento dentro das arenas eram dinheiro ou cartões da bandeira Visa!!!!
    Coloquei no twitter o endereço do hotel e meu horário de trabalho e me deixei a disposição de quem precisasse de ajuda pra se localizar nesta bagunça.

    Enfim, cheguei ao fim deste mês com olheiras que nem o corretivo mais caro e potente do mundo poderia esconder, mas com a satisfação de saber que fiz tudo o que estava ao meu alcance pra diminuir as dificuldades que estes turistas viriam a encontrar.

  • Adriana Truffi

    Outro dia uma senhora me contou um caso, ela foi ao cinema de um dos shopping mais tops daqui de BH, e desejou boa tarde a atendente. A moça não respondeu ela repetiu, pensando que ela não tinha ouvido. Daí a mocinha deu uma bufada e respondeu: boa tarde pra quem, se em plena terça-feira eu estou aqui trabalhando?
    A senhora ficou tão chocada que custou a responder, mas deu uma bela lição na idiota. Que se estava tão ruim, então que ela pedisse demissão pois com certeza haviam milhares de pessoas rezando por um emprego daqueles. Diz ela que a moça ficou toda sem graça e até pediu desculpas, mas a merda já estava feita.
    Eu sou do tipo que ofereço ajuda até quando não pedem. Se vejo uma pessoa pedindo informação pra outra que não sabe responder, me enfio na conversa e explico, acesso celular ou computador, faço o possível pra ajudar da melhor forma. Um dia vendo uma moça com um bebê entrando numa cabine pra experimentar roupa, ingenuamente me ofereci pra ajudá-la. Ela recusou, mas depois fui pensar que ela estava mais do que certa. Num país onde abrem a barriga de uma grávida pra roubar um bebê, roubar numa loja é a coisa mais fácil que tem. Mesmo eu tendo a melhor das boas intenções, ela não me conhecia e não podia pagar pra ver.
    E essa do carioca e sua mania de se acharem os melhores, vi isso numa reportagem sobre algum problema que ocorreu nas olimpíadas. Tinha uma cabeça de merda lá, que a cada comentário negativo ela vinha com uma réplica : o Rio é lindo, beijinho no ombro. Não consegue argumentar, então fica no lugar comum de que críticas ao Rio são coisas de invejosos… Que nojo!

    • Sim, na cabeça do carioca, só pode ser inveja. São totalmente blindados, cegos para a realidade e jamais, JAMAIS admitem um erro. É por isso que não melhoram nunca e são considerados o retrato da incompetência do Sudeste, motivo de chacota em todo o país, exceto na Bahia, que é o irmão gêmeo pobre do Rio.

  • Isso me deixa triste. Engaçado que quando estou nos EUA, sempre sou bem tratado. Porém, sim, há muita grosseria por lá, principalmente com agentes do aeroporto e policiais. Dependendo do estado, há muito preconceito também e o preconceito lá é muito, muito, MUITO pior que aqui. Comigo eles conversavam por eu ser branco e falar inglês.

    Pelo fato do meu nome parecer estrangeiro, a maioria nem desconfiava que eu era brasileiro e falavam mal das pessoas do grupo de turistas que eu estava ajudando como guia. Certa vez falaram: “Para nós, mexicanos são ilegais, indianos são uma praga, mas brasileiros são a verdadeira escória”. Dei um sorriso amarelo e concordei, avisando pro pessoal do grupo sair dali o mais rápido possível (sério gente, em alguns lugares lá fora é preciso ficar esperto com esses tipos de situação).

    Após esse relato da Sally, dou certa razão para eles pensarem assim e se Donald Trump ganhar (ele tava com a faca e o queijo na mão, mas tá deixando a oportunidade escapar pelo tanto de merda que fala e faz) recomendo que não visitem os EUA por um tempo. O mesmo vale para a Europa, caso essa crise com os imigrantes continue.

    O Brasil é uma merda, mas é uma merda que já estamos acostumados. Isso aqui só melhora se mudarmos a mentalidade, mas pelo visto não vai mudar. Boa sorte para nós nesse país.

    • Não é preconceito dos americanos. É na verdade POSCONCEITO. Foram décadas de falta de educação brasileira tocando o terror em suas areas de lazer.

  • Eu gosto de olhar o aspecto positivo. O bispo Sardinha foi devorado, eu sei que tem um tempo, mas pelo menos dessa vez o numero de visitante mortos foi pequeno. Acho que só vi o caso do tecnico alemao, nao sei se teve mais mortes.

  • É muito vergonhoso ver como os brasileiros médios são mal educados. Vergonhoso de verdade. Mas pior ainda, como Sally disse nos comentários, é essa negação vaidosa, essa ausência de desejo de melhorar. Espero que essa fama de povo afetuoso e receptivo acabe um dia, porque é uma das maiores mentiras do mundo!
    Quanto ao Rio, passo lá só para pegar aviões, não conheço a cidade em si e mesmo assim já entrei em contato com a “educação” carioca. Inclusive uma mulher com uma renca de filhos pequenos que quase me bateu quando eu BUFEI e ela, sentada ao meu lado, sentiu-se ofendida ao achar que aquilo era uma reclamação contra seus 5 anjos de luz…
    Se o paraíso cristão existisse, nós que vivemos no Brasil e aturamos isso o ano inteiro teríamos um lugar de honra garantido…

    • Pois é, Paula, ao não reconhecer os erros e estar constantemente acusando os outros de inveja, mentira ou intolerância, não se abre espaço para a reflexão e para a melhora. Carioca vai morrer mal educado e desonesto, dando jeintinho, batendo no retrovisor do carro ao lado e fugindo, fazendo gato para TV a cabo e clamando por prisão para “corrupto” e “bandido”. E, claro, gritando “Não vai ter golpe”.

  • “Maish u rio é lindo!”
    Resposta genérica de qualquer carioca a respeito de qualquer problema que o rio teve, tenha e terá.
    Interessante também é notar que mesmo no noticiário local, os apresentadores repetem o bairrismo de forma risível.
    Acho o carioca caricato.

    • Eu freqüento uma imageboard anônima brasileira. Uma espécie de fórum onde não é preciso se identificar ou cadastrar pra postar.
      Em geral o público é bem consciente em relação aos problemas de cada estado ou cidade e levam tudo na boa. Mas criticou o Rio de Janeiro em um tópico qualquer, e pronto. Os cariocas entram em modo de ataque:

      “Posso até ver o paulistinha corno acabando de voltar pra casa depois da enchente e dando graças a Deus porque lá não faz tanto calor.”
      “Chegou o curitibano pau-no-cu que não dá oi nem para o porteiro. Quanto tá a sessão de bronzeamento artificial por aí?”
      “Alá o mineirinho recalcado porque não tem praia”
      “Tinha que ser o catarinense frouxo inconformado porque a namorada viaja dois estados pra cavalgar num carrossel de pirocas cariocas”
      “Belas merdas, violência e favela tem em todo lugar”

      • Que lamentável. Essa postura defensiva e complexada não pertence ao Sudeste. Rio deveria ser recortado do mapa e jogado em outra região.

        • Anti-Carioquista...do próprio RJ

          Nada por acaso que o Somir simulou o Rio como “Brasil do Norte” naquele texto sobre “Se fossem dois Brasis” !

          Quem leu, leu; quem não leu, deve estar precisando…

          DSVS

  • Ah, Sally, como disse um comentário acima, eu nunca vou parar de me chocar com o Rio de Janeiro. Nunca. E nem mesmo com Valsador, aqui acontece cada coisa bizarra que se eu contasse todas as que eu vi, teria de escrever não um, mas vários livros, dada a quantidade. Como se diz por aqui, tá “barril dobrado” (= “muito difícil” em dialeto “baianês”) ser brasileiro.

    Eu mesma jamais trataria alguém desta maneira. Seja com brasileiro ou estrangeiro, toda vez que alguém me pergunta algo, sempre procuro responder da melhor maneira, e se não puder ajudar, simplesmente digo que não posso, mas já fui até tripudiada por perguntar algo que não sabia para baianos médios (até mesmo em SP me dão informação errada, informação incompleta, na maior má vontade, embora já tenha encontrado pessoas que se esforçem para me indicar o caminho certo das coisas. Essa fama de brasileiro cordial é uma das maiores mentiras sobre este país, o pior do Brasil é o brasileiro – o BM.

  • Eu acho que quem transformou os brasileiros em monsttos foi o PT. Podem puxar pela memória! Pegaram governo vitalício, sem escola, sem salário, sem hospitais, sem segurança e dependendo de bolsa esmola só pode dar nisso. Se não barrarem o Lula de se candidatar eu aposto que ele ganha. São uns zumbis, contanto que o bolsa família caia na conta, fiquem à vontade pra falir o país! Zumbi só vota em PT e crentalhada pra cagar as leis de acordo com a bíblia.

    • Já era ruim antes, só que não havia internet em larga escala para tomar consciência disso. Não se estraga um povo em 20 anos, para chegar ao ponto de falta de noção do brasileiro demoram séculos

  • Lembro estar perdida em Tóquio e, quando fui pedir orientação para um operário que fazia uma obra na rua, ele sacou um papel e desenhou o trajeto que precisava seguir até meu destino, retratando-o com precisão com vários pontos de referência para não me perder no caminho. Lá chega a ser o contrário: às vezes são tão atenciosos, que, em cima de um simples pedido de informação, eles te fazem tantas outras perguntas e te passam tantas outras dicas, nem sempre relacionadas ao que você pediu, que deixam qualquer um atordoado…

    (particularidade para quem for andar por lá em 2020: em Tóquio e cidades maiores, no máximo uma avenida tem nome…o restante das ruas e vielas não…nas cidades menores, nem isso)

    • Meu sonho ir pra tóquio ! Amo a cultura japonesa e já faz um tempo que quero ir. Vou começar a juntar o dinheiro para a olimpíada 2020. Pena que é tãão caro…

    • O Japão me deu uma lição de vida. Nunca vi um povo tão educado e disposto a ajudar o próximo.
      Em Toquio tive dezenas de boas experiencias. Logo na chegada, fiquei completamente perdido no metrô e não sabia como fazer as 4 baldeações até a estação que pretendia descer. Um japonês percebeu que eu estava perdido. Ele não falava inglês mas fez o possível pra me ajudar (com linguagens de sinais, google translator etc) e me levou até minha estação, sendo que o destino final dele era um lugar totalmente distante dali!

      Isso me fez refletir sobre o caso daquela BM que não quis dar informação em inglês… Enquanto isso, em lugares civilizados, as pessoas ajudam independente do idioma, independente de receber algo em troca, etc.

      Complementando o seu comentário, apesar de Tokyo não ter nome nas ruas, é extremamente fácil de se locomover. Uma dica muito util é utilizar o google maps e google translator. Ambos funcionam offline. Eu digo com extrema certeza que Tokyo é mais fácil de andar do que Rio.

      Certa vez, as 3 da madrugada numa loja de conveniência (7-eleven), uma atendente ao perceber que eu era turista, veio até a mim e perguntou se eu precisava de ajuda, com um sorriso no rosto e uma educação que constrange qualquer brasileiro. Nós conversamos um pouco e eu a perguntei como ela conseguia abrir um sorriso e ajudar um estranho, trabalhando durante toda a madrugada numa loja. Ela disse: Quando nós (povo japonês) nos propomos a fazer algo, damos nosso melhor. Não interessa se é um emprego ruim ou o melhor do mundo, a partir do momento em que nos propomos a faze-lo, temos que fazer o melhor. Isso foi um soco no estômago. Pensei em cada subemprego aqui no Brasil, onde as pessoas trabalham com cara fechada e fazem de tudo para sabotar, alegando que “o emprego é ruim mesmo, eu ganho pouco aqui, não vou dar o meu melhor”.

      No Japão é impossível não pensar sobre as coisas que dão errados no Brasil. E conclui que o problema daqui é o BM, historicamente. Não existe partido que tenha estragado o Brasil. A política vem sendo um reflexo do nosso povo: Escrotos, mal educados, ladrões, aproveitadores, egoístas… Pense no RJ, uma cidade que naturalmente é bonita, o carioca não move um centímetro do dedo para tenta-la deixar minimamente melhor. Se orgulham de dançar o funk na laje como se isso fosse a melhor coisa do mundo.

      Eu acho o carioca de longe um dos piores tipos de BM. Paulistas, apesar de “secos”, normalmente ajudam a dar informação na rua. Aqui em BH a galera é gentil. O sul parece outro país…

      • Por isso o Japão está onde está e o Brasil está onde está.

        Obs: sempre que vou a BH tenho vontade de ficar. Pessoas amáveis, calmas e educadas.

  • Os argentinos que estavam no Rio durante a Copa eram exceções? Porque o que mais tinha era argentino mal educado e porco.

    • Desculpa mas onde foi que eu disse que argentino é exemplo de educação?

      Argentino não é flor que se cheire quando viaja, o mais mal educado dos argentinos consegue ser melhor que brasileiro, vai desculpar a sinceridade. Vá a Buenos Aires e observe. Ao menos em casa eles são muito educados sim. Quando vem ao Brasil, macaqueiam pra cacaramba, pois sabem que a zona local permite (o que eu considero lamentável). Quando vão à Europa são impecáveis e silenciosos.

      E outra, se é para falar de macaquice que se faz quando está fora de casa, pergunte a qualquer país civilizado quem preferem receber: argentinos ou brasileiros.

      Para finalizar, este cometário é uma prova concreta do complexo de vira-lata de brasileiro: estou falando de BRASILEIROS e sempre vem um dizer “Mas e os argentinos?”. Parece petista, que quando questionado sobre a corrupção do PT fica perguntando sobre o FHC. Por favor, aprendam a olhar para o próprio rabo, só um pouquinho, assim quem sabe param de fazer vergonha perante o mundo e ser motivo de chacota.

      • Bem, tem uma parte no texto que diz:
        “TURISTA: De onde você é?
        SALLY: Argentina
        TURISTA: País de pessoas educadas”
        Então eu perguntei se os argentinos que vieram pra cá na Copa eram exceções…

        • Sim, algo que não tem absolutamente nada a ver com o mérito do que está sendo dito, apenas para desviar do foco principal: quão bostas e mal educados os brasileiros são. Tem texto meu falando mal exclusivamente de argentinos, e ninguém foi lá dizer “mas e os brasileiros, hein?”

          É impossível falar mal de um brasileiro e fazê-lo refletir, melhorar. Ou vem um dedo de volta apontando para você, ou a presunção de que é mentira ou a presunção de que é inveja.

          • Meu comentário pode até ter parecido maldoso, pra desviar atenção do tema etc, mas, acredite, ele não foi. Ele só fugiu do foco mesmo. Erro meu.
            Se eu quisesse justificar comportamento de brasileiro com o argumento de que pessoas de outras nacionalidades são piores ou fazem o mesmo, eu teria feito isso durante as duas semanas de texto sobre as olimpíadas.

      • Deve se isso mesmo, porque lá no Sul eles se comportam. No Rio se vc topar com algum turista que chame atenção por falta de modos, pode apostar que é argentino. Eles se adaptam fácil aos costumes locais.

      • Todas as vezes em que fui pra argentina fui extremamente bem recebido. Não consigo imaginar um argentino fazendo o mesmo que o povo brasileiro faz com eles.

        • Eu meço a educação de um brasileiro pela forma como ele diz ser tratado na Argentina. Argentino não tolera gente sem noção e destrata com força. Se a pessoa me diz que foi destratada lá já fico de olho. Alguma merda mal educada fez.

          • Tenho uma história engraçada sobre a Argentina…..
            Tentei entrar em Passo de los Libres, em fevereiro de 2013. Fui abordado por um senhor de mais idade, com boina e algumas estrelas na roupa. Esse senhor Me perguntou o que eu ia fazer na Argentina.
            Respondi de forma educada, em português, que estava indo comprar sorvete, já que havia recebido uma dica (em Uruguaiana) de que havia uma sorveteria boa demais na cidade de Passo de los libres.
            Esse senhor de roupa verde me cobrou 100 dólares para passar. respondi em espanhol que eu não iria fazer nenhum pagamento e fui detido e escoltado pelos subordinados desse senhor super educado até o lado brasileiro da ponte.
            Conhecer Passo de los Libres não está mais nos meus planos.

            Já em cidades maiores, como Possadas e Oberá eu fui super bem tratado. Os Argentinos fizeram de tudo para me atender da melhor forma possível
            (Inclusive, obtive ajuda de alguns locais quando, já fortemente alcoolizado, falei que tinha como objetivo da noite tomar uma cerveja em cada bar da “Costanera”. Fui carregado em alguns bares, e, em uma das extremidades da avenida um deles me pagou uma lasanha e me levou até o hotel.)
            Quanto as informações, o pessoal foi bem educado.

            Não tinha objetivo nenhum em contribuir com a discussão quando comecei a escrever minha história, só lembrei dela.

            Aliás, a próxima cidade da lista é Buenos Aires. Dicas?

  • Olá Pessoal! Não querendo ser bairrista, mas já sendo…. escolheram a pior cidade para sediar um evento como esse, eu fui ao Rio uma vez, no show dos Rolling Stones e também fui muito mal tratada, e olha que sou brasileira, gente querendo levar vantagem quando percebe que você é de outro estado, enfim… não sei se os turistas seriam melhor tratados aqui em Sampa, agora não adianta mais, mas também penso que pela situação do país o povo estava revoltado com as olimpiadas, essa é minha opinião.
    Andréa L.

  • Lembrei de uma amiga que foi para o Rio de Férias e foi até um estabelecimento comprar frutas.Enquanto escolhia laranjas ela falou consigo mesma “que laranjas feias e caras, algumas delas estão até estragadas”, então uma senhora disse com um sotaque carioca bem carregado: “Porque você não volta lá pra Minaxx e compra suaxxx laranjaxxx la meixxmo?” Até hoje me pergunto como ela adivinhou de onde minha amiga era e pra quê tanta hostilidade gratuita.

    • Carioca é assim, hostiliza desmerecendo o outro quando se sente criticado. É uma verdadeira vergonha. Não olha para o próprio rabo nem aceita críticas jamais.

  • Eu sinceramente não entendo de onde vem essa fama de que brasileiros sejam extremamente afáveis e hospitaleiros. A verdade é que o brasileiro é um bicho escandalosamente recalcado que adora uma falsa modéstia. São como pavões que fazem das tripas coração pra exibir a plumagem mais chamativa ao mesmo tempo que adoram posar com “que isso, não é nada”, “ai gente, não é nada demais”.

    Mas vai o pavão médio topar com um pavão com uma plumagem melhor.

    Pior, vai o pavão médio topar com um uma ave (não necessariamente um pavão) que tem uma plumagem melhor, que mora em um ambiente melhor, e que não precisa ficar fazendo contorcionismo financeiro pra isso.

    Meua migo, aí o recalque chega a níveis superiores a 9000. Acabou a falsa modéstia e a reciprocidade, o pavão médio vira uma cobra venenosa que vai descontar toda sua frustração nele.

  • Pior que é tudo mal sinalizado mesmo, algumas ruas não tem placa com o nome e várias casas não tem número. Eu que sou br custo a me localizar, imagina gringo…

  • Fiquei com a cara no chão. Não importa quantas barbaridades eu leia, veja ou ouça sobre o Rio – seja em época de OlimPIADA ou não – , eu acho que nunca vou deixar de me chocar. E, no mínimo, causa estranheza que nenhum relato semelhante a este tenha sido publicado na imprensa nacional. É cada coisa de fazer cair o cu da bunda! Caralho! Chega de encobrir despreparo e imcompetência com uma falsa imagem de hospitalidade e calor humano! Até porque essa imagem é exatamente isso: FALSA! Sally, este texto precisa ser compartilhado!

    • Sempre me aborreceu – e muito – essa imagem FALSA de brasileiro como hospitaleiro. Na verdade, esse “calor humano” todo é só pretexto de interesseiros pra se aproximar de gringo pra tentar tirar alguma vantagem. E o pior é que carioca, todo cheio de marra, quando consegue passar um estrangeiro incauto pra trás, ainda fica botando banca de “ixxxxpééérrrrto” e se sentindo o fodão. Ah! Mas vão tomar no cu, raça dos infernos!

      • Adoro a imprensa nacional selecionando a dedo quem entrevista e pinçando trechos bons da imprensa internacional para vender esta olimpiada como um sucesso…

      • OK. Mas eu tava falando é de todos as outras coisas que você relatou no seu texto: ingressos com endereço errado, sinalização ruim, rudeza no trato, xenofobia gratuita movida a picuinhas, atendimento rum até me hotel 5 estrelas, etc. …

  • Esquerdista Soviético

    Que vergonha dá ler esse relato. Espero que tenha sido um caso único, embora seja provável que outras pessoas tenham passado pelo mesmo.

    PS: só porque eu acusei o golpe, queria fazer duas perguntas:
    Como uma cidade que não elege um prefeito de esquerda há mais de 20 anos e que tem 3 candidatos de esquerda com péssimos resultados nas pesquisas consegue ser uma cidade onde “é moda ser comunista”?
    Qual exatamente é a contradição entre ser comunista e ter um iPhone ou tomar Coca-Cola?

    • A contradição é levar um estilo de vida consumista, que vai de encontro à filosofia comunista e é criticado.

      Sobre eleições: carioca gosta de se dizer de esquerda, mas nao se porta como tal. Carioca não vota por ideologia, vota pelo que mais lhe convém. Cansei de ver raças suuuuuper de esquerda, tipo professor universitário, que acaba votando em neguinho bem reaça fdp porque é quem aumenta seu salário. Essa é a mentalidade bosta do carioca: tira onda do que lhe parece bonito, mas nos atos, faz o que lhe convém.

      • Entendi. Não conheço bem os votantes cariocas.

        Porém, vale lembrar que há muita coisa incompreendida sobre o Comunismo. Consumo, por exemplo, é abordado por lá, só que de maneira diferente do capitalismo. Posso escrever um Desfavor Convidado sobre o tema pra não encher esse texto de comentários?

    • Aqui no Brasil as coisas são adaptadas, por assim dizer. Em geral, quando se fala de comunistas e esquerdistas a imagem mental é daquelas pessoas politicamente engajadas, que denunciam os males da sociedade capitalista opressora e do empresariado explorador, e proclamam lutar e defender os interesses dos pobres e desfavorecidos.

      Claro que é uma masturbação de ego e nem eles mesmos levam isso a sério.

      • Não existe ideologia no Brasil, o que existe é simpatia, interesse, fanatismo e necessidade de sensação de pertinência camuflados de ideologia

  • HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA, mais falso que nota de três. Que vergonha, Sally, precisava ficar inventando coisa? Coloca logo que é ficção ao invés de falar que “isso aconteceu tal dia”.

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