Escolhendo a carreira.

Como você escolheu sua profissão? Como você pretende escolher sua profissão? Como você vai orientar seus filhos a que escolham a profissão deles? Decisão pessoal sua, longe de mim querer intervir, mas tem umas coisinhas que eu gostaria de falar.

Os melhores conselhos nesta vida costumam vir de quem fez merda, pois a pessoa tem as informações mais importantes de todas: o que não fazer. Seguem conselhos de quem escolheu errado sua profissão e jogou no lixo 15 anos de estudo e trabalho. Eu escolhi minha carreira de forma errada, não por não gostar dela, ela é linda, mas por não suportar a realidade na qual ela se apresenta. Eu não abandonei o direito, o direito é que me abandonou, como abandona a todos nós no Brasil.

Em um mundo ideal, pessoas escolhem suas profissões de acordo com suas vocações, com sua paixão, com seu “why” do Golden Circle. Na prática, sejamos sinceros, como é que um adolescente de 16, 17 anos escolhe sua profissão? Pensando em conseguir algum respaldo trilhando um caminho já aberto por outro membro da família para “herdar” os negócios, o consultório ou os clientes dos pais? Muitas vezes, mas não acho que seja a maior parte delas. Eu acredito que hoje a maioria dos jovens escolhe sua carreira, a atividade à qual dedicarão no mínimo oito horas diárias, baseados naquilo que a escola lhes diz, o que é pior ainda.

Um perigo isso. Um modelo de educação como o brasileiro, totalmente ultrapassado, linear e previsível simplesmente não encaixa no novo modelo de mundo não-linerar, multidisciplinar e conectado. E de quem é o erro? Dos pais. Os pais fazem das notas o grande medidor da inteligência de seus filhos, valorizando a capacidade de decoreba e adequação a um modelo chato, burro e ultrapassado. Eu desconfio de alunos excelentes e acredito que o preço que se cobra deles é sua criatividade, sua capacidade de adaptação e sua inventividade, que são ferramentas muito importantes no futuro do mercado de trabalho.

Aos 16 anos já começa a pressão para descobrir qual carreira deseja seguir. Uma pressão totalmente idiota, pois é algo que se sente, não adianta pressionar, isso não gera uma resposta. Um absurdo que se exija que um adolescente nessa idade saiba o que quer fazer para o resto da vida. Não pode dirigir, não pode fazer tatuagem mas pode tomar uma decisão muito mais séria. Obviamente, a maioria não sabe o que fazer (e entre os que dizem que sabem, a maioria está iludida por algo que mais tarde vai ruir). Então, como ajudar?

O curioso é que os pais, vendo a indecisão dos filhos, não ensinam a pescar, dão peixe, orientando-os a fazer aquilo que eles, os pais julgam que será melhor para seus filhos. Spoiler: só quem sabe, quem tem todos os subsídios para saber o que é melhor, é a própria pessoa. Tomar esta decisão do adolescente e influenciá-lo a fazer o que você acha melhor é medalha Alexandre Nardoni de bosta de cuidado parental. Por favor, não façam isso com seus filhos. Não é assim que se ajuda.

No meio da pressão, o adolescente acaba decidindo com base no que a escola lhe diz, que acaba virando o que os pais lhe dizem também. Se a escola lhe diz que ele é bom em matemática, bem, isso quer dizer que o caminho certo para ele é ser um engenheiro. Se, ao contrário, ele é ruim de matemática, resta o resto: vai para humanas se juntar com piolhento de centro acadêmico que teu dom é a palavra. TÁ ERRADO.

Um sistema escroto, falho e obsoleto como a escola não pode e não deve nortear uma decisão tão importante como a carreira que a pessoa quer seguir. O adolescente cometer esse erro eu entendo, mas os pais também cometem não é aceitável. Alô pais! Nunca orientam seus filhos de acordo com a “aptidão” que a escola apontou. Escola não prova nada, a única coisa que eu constato do alto dos meus… muitos anos de idade é que os alunos excelentes não são nem de longe os mais inteligentes nem criativos e que costumam ter uma vida bem miserável longe da escola, pois o mundo real, dinâmico e não linear, provoca um choque e mede profissionais por outros padrões.

Outro erro comum: escolher carreira pensando em dinheiro. Quando eu entrei na faculdade, na década de 90, direito era uma carreira elitizada, para poucos e que pagava bem. Quando eu saí, estava favelizada, cheio de “adevogado” no mercado aceitando trabalhar por merreca e havia uma faculdade de direito em cada esquina. Conheço advogado que ganha menos que diarista, mas não larga o osso para continuar sendo chamado de “doutor” e andar de terno no meio da rua para parecer importante. Hoje em dia advogado não é importante, mas esse ranço fica na cabeça da pessoa. O mundo muda muito rápido, não há nenhuma garantia de que quando a pessoa se formar aquela profissão ainda esteja valorizada.

Então, em uma era de crescimento exponencial e imprevisível, o que hoje é a profissão do futuro, bem remunerada e com status, em cinco anos pode ser a profissão do passado, abarrotada e obsoleta. Não se escolhe profissão focando em salário. Seu salário que vai fazer é você, não sua carreira. Suas ideias inovadoras, sua criatividade, sua combinatividade, sua raça, seu hardwork. Não importa qual seja sua profissão, ofício ou função, faça o que nunca ninguém fez antes e você terá reconhecimento. E é muito fácil ter a disponibilidade emocional para fazer essa imersão e fazer o que nunca ninguém fez antes quando se está verdadeiramente apaixonado pelo que se faz.

Não se escolhe profissão ouvindo conselhos sábios dos mais velhos. Eles costumam ficar presos no tempo e achar que o que era bom em seu tempo ainda é bom. Talvez seu avô sugira que você seja militar, ou funcionário do Banco do Brasil. Seus pais podem querer que você faça um concurso para “ter estabilidade” (ou ameaçar de ser exonerado quando se recusar a assinar um documento falso de licitação, como fizeram comigo, ou ficar sem receber salario por três meses, como os funcionários do Estado do Rio de Janeiro). Os tempos mudaram e, a menos que a pessoa seja muito antenada com estas mudanças exponenciais e velozes, vai te dar um conselho errado. Será sincero, será querendo o seu bem e o pior, será cheio de certeza (certezas convencem), mas não será um bom conselho.

Então, depois de meter o pau na sua arvore genealógica, na sua escola e no direito, qual é a mensagem que eu tenho para te dar? Qual é a resposta mágica, a solução dos seus problemas, o Santo Graal vocacional? Como escolher qual profissão você vai seguir?

Pois é, eu não tenho uma resposta mágica para resolver seus problemas, mas tenho sim algumas dicas para que você sozinho construa seu caminho.

A primeira dica é que não tenha medo de inventar uma profissão para você. Isso mesmo. Escolha algo inovador que mais ninguém está fazendo e faça o curso que mais se relaciona com o tema. Por exemplo, uma profissão muito bacana hoje é o Futurismo. Não tem faculdade de futurismo, tudo que você precisa ter é uma boa base e uma criatividade que não tenha sido estuprada e morta pela sua escola. Assim como o futurismo, muitas carreiras vão derivar das já existentes, como ramos ou como carreiras autônomas. Normalmente as pessoas escolhem a carreira de depois, dentro dela, o campo que mais gostam. Faça o contrário. Escolha o que mais gosta de fazer e depois pense na carreira que mais te dá subsídios para isso.

Outra dica valiosa é faça um mini-estágio nas áreas que você acha que são do seu interesse. Peça, na cara de pau, para observar o trabalho em instituições ou empresas ligadas ao que você quer explicando a finalidade vocacional. Dificilmente recusarão. Depois que você estiver lá dentro, cola na pessoa que parecer mais puta da vida e desenrola com ela para ela te falar umas verdades, aquela que só pessoas putas da vida tem coragem de contar. É um atalho para descobrir se você tem o que precisa para lidar com o que há de pior naquela carreira.

Em tese, é tudo sempre muito lindo, na prática, nem tanto. Veja o tamanho do problema, o tamanho das concessões que vai ter que fazer. Se eu soubesse na faculdade que teria que subornar pessoas e assinar documentos falsos, teria largado direito na mesma hora. Não duvide da capacidade humana para fazer sujeira, é sempre pior do que a gente imagina. E geralmente quem está de dentro não conta, ou por vergonha, ou pose ou precaução. É uma pequena máfia que varre toda a sujeira de uma classe para debaixo do tapete, afinal, ninguém quer admitir que sua profissão tem um lado horroroso e, pior, que participa dele.

Leia a respeito das áreas de interesse. Leia como está esse mercado em outros países mais evoluídos que o Brasil, isso te dará um bom indicativo para qual rumo esta área deve se inclinar. Um exemplo bobo: quando o Uber começou aqui no Brasil eu fui pesquisar para ver se estava funcionando bem nos EUA. Descobri que os motoristas seriam gradualmente substituídos por carros automatizados, carros inteligentes que dirigem apenas com um GPS. Não seu outra, muito tempo depois, a Uber Brasil admitiu que pretende substituir os motoristas por máquinas. Pense à frente do seu tempo, o crescimento tecnológico exponencial faz tudo acontecer muito rápido. Internet tá aí para isso, não para ficar no Facebook.

Talvez seja o único lado bom de viver em um país tão subdesenvolvido: países desenvolvidos funcionam como um spoiler, eles dão ao menos um norte de quais serão as profissões do futuro. Se houver alguma do seu agrado, abrace a causa, quem chega primeiro sempre senta nos melhores lugares.

Antes de olhar para fora, para as carreiras, olhe para dentro. Qual é o seu propósito de vida? O que você faz que te dá tanto prazer a ponto de fazer perder a noção de tempo? E não descarte as respostas. Se a resposta é “jogar videogame” saiba que desenvolvedores ou animadores de jogos ganham muito dinheiro. Saia da caixinha Engenharia, Direito, Medicina, que por sinal, não andam muito bem das pernas.

E saiba que não fazer faculdade é uma opção válida. Hoje eu uso meu diploma para forrar gaiola de passarinho. Papel não vale nada, experiência de vida, ousadia e criatividade sim. Papel valia muito no tempo dos seus pais, hoje não vale. E se você estiver se perguntando se não vale ao menos uma prisão especial no caso de você cometer um crime, eu te respondo: não, se você for CONDENADO, seu diploma não vale de porra nenhuma e você vai para a cela normal junto com assassino analfabeto. Então, OLX: Desapega! Desapega! Não quer fazer faculdade não faça, mas faça algo da vida. Empreenda, crie uma startup, um produto, um serviço. Inove. Leia o livro “Vai lá e faz”, inspire-se e mostre que a vida é muito mais do que um papel com notas de 0 a 10.

E mesmo fazendo faculdade, tenha sempre um Plano B em execução. Mesmo concursado, mesmo estável em uma empresa, mesmo qualquer coisa, tenha sempre um Plano B, não na teoria, mas rodando em paralelo. Algo que você possa monetizar se um dia desejar. Esse ditado é velho, mas anda cada vez mais válido: nunca coloque todos os seus ovos no mesmo cesto. Não precisa ter dois empregos, faça algo que ama como um hobbie mas com a clara visão de que, se um dia precisar, pode ser monetizado de forma rápida e eficaz.

Minha ultima dica é que, no final das contas, não esquente muito a cabeça com isso. Coisa de gente velha e ultrapassada se preocupar tanto assim com “a profissão” que vai escolher. Caminhamos para um mundo fluido, sem rótulos, sem profissões tais quais as concebemos hoje. Foque no seu desenvolvimento pessoal. Viva experiências ricas, leia bons livros, assista palestras TED, faça uma aplicação para a Singularity. Escute Murilo Gun, Thiago Mattos, faça um curso da Perestroika. Seja autodidata, estude, aprenda, tenha sede de conhecimento, não passe um dia sem aprender algo novo e, mais importante do que isso, sem compartilhá-lo com alguém. Quando ensinamos é quando fixamos melhor o conteúdo aprendido.

Coloque o máximo de inputs para dentro, das fontes mais variadas, para que sua cabecinha tenha uma riqueza de combinações e solte outputs inovadores. Resolva problemas mesmo que ninguém tenha te pedido para resolver. Pense em soluções. Inove. Reserve uma parcela do seu dia para criar soluções criativas para problemas que não são seus. Questione tudo e além de questionar, busque as melhores respostas para esses questionamentos, porque só questionar não te deixa inteligente, te deixa chato.

O resto, meus amigos, vem sozinho, independente do curso que você vai fazer, se é que vai fazer. Talvez, a profissão na qual você vai se realizar e vai ser reconhecido ainda nem exista. Talvez você a crie. Talvez quem seja reconhecido seja você, sem rótulos, sem necessidade de profissão. Não se deixe acovardar por pessoas mais velhas, você é o futuro profissional, eles são o passado. Escreva sozinho sua história. O importante não é fazer faculdade e sim não ficar parado ou investindo em um único projeto.

E, se seus pais reclamarem, pode mandar vir aqui falar comigo.

Para dizer que como coaching eu sou excelente humorista, para não fazer faculdade e culpar meu texto para fugir do esporro ou ainda para dizer que foi a gota d’água que precisava e largar sua faculdade hoje mesmo: sally@desfavor.com

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Comentários (33)

  • “Foque no seu desenvolvimento pessoal. Viva experiências ricas, leia bons livros, assista palestras TED, faça uma aplicação para a Singularity. Escute Murilo Gun, Thiago Mattos, faça um curso da Perestroika…” E eu acrescento, sem demagogia: leia o Desfavor.

    Sim, Sally. Eu gostaria de trocar o Direito por outra matéria…Mas faço o curso numa faculdade particular. Isto dificulta pois eu teria de pagar muitas matérias.
    Amo o Direito, sou apaixonado por filosofia jurídica, mas julgo sólida a opinião de quem já viveu na pele.
    Então, preciso escolher com calma, mas imediatamente, um curso onde as matérias sejam próximas às que estudam um operador de Direito.

    Obrigado por compartilhar suas idéias e experiência!

    Ps: favor considerar apenas este último comentário. O primeiro não foi editado. Valeu!

  • Adriana Truffi

    Não sei em que mundo paralelo estava vivendo, mas só através desse seu texto vim a conhecer o Tiago Mattos. Até então, Futurismo pra mim era um movimento artístico e cultural, pra você ver…
    Já baixei o Vai lá e Faz e comecei a devorar o livro. Sério, está abrindo minha mente. Percebi que vivia muito presa ao presente, com pouquíssima visão de futuro.
    Tenho um sobrinho de 15 anos, inteligente acima da média, a quem vou mostrar o seu texto e apresentar um pouco da ideia do futurismo. Ele já está entrando na fase de pensar em qual profissão seguir, e acho que vai ser muito importante ele perceber que existem milhares de alternativas ao que é pregado pela educação formal. Há tempos já falo que o ideal é fazer primeiro um curso técnico, e a graduação só para complementar a teoria, se necessário. Os cursos superiores, em sua grande maioria, não preparam as pessoas pro dia a dia no mercado de trabalho. Muito menos a serem empreendedores.

    • Fico muito feliz, Adriana! Thiago Mattos é uma belíssima porta de entrada para o Futurismo: simples, didático e bem humorado. Quem sabe você e seu sobrinho não começam uma startup juntos?

  • Lembro que o filme Karate Kid (o original, da década de 80) me foi um tanto visionário nesse aspecto, sobretudo quando Daniel se dá conta de que as diversas coisas que ele aprendeu a fazer com o Sr. Miyagi, fora de uma academia, aparentemente desconexas entre si e nada a ver com artes marciais, acabaram auxiliando o rapaz a desenvolver competências para vencer.

    Desde então, basicamente, procurei sempre ler, saber, analisar de tudo e de todos. Nisso, muitas das coisas aparentemente “nada a ver” com que tive contato, tais como ler sobre tratados sobre direito romano, aprender chinês por hobby, ou saber de cor elementos fúteis de cultura geral, acabaram por ajudar a desenvolver uma habilidade de conseguir buscar qualquer informação sobre qualquer tema (ou pessoa) em tempos relativamente curtos, muitas vezes relacionando temas que nada tinham em comum, numa época em que a internet era sequer uma abstração.

    Nesse meio tempo, as duas graduações do currículo consolidaram-se como meros acessórios a essa competência…e nem perdi tempo com MBAs, mestrados, doutorados, pós-doutorados…

    Nessa toada, o ganho principal não foram apenas algumas oportunidades de carreiras paralelas vivenciadas nesse período, mas também ter desenvolvido abordagens criativas que agregaram em muito no trabalho principal e que mantém essa jurássica analógica ainda competitiva para tentar, quem sabe, uma terceira chance…

    • O dinheiro mais mal gasto na minha vida foi uma pós graduação. Preço de um carro, conhecimento de um pires. Esperava um aprofundamento no tema, estudos novos, cases de sucesso, novas visões ou pensadores, etc. Foi só uma revisão rasa da faculdade (esta sim eu aproveitei), só que com professores mal preparados, tratando os alunos como crianças de ginásio, trabalhinhos e provinhas pra “pegar diploma”.

      E hoje me vejo na sinuca de fazer outra porque meu chefe relaciona isso com promoção (na área que eu gosto) ou tentar outro chefe… Osso.

      • Se é o papel que importa, faz, PELO PAPEL. Mas em paralelo, tenta investir em outras coisas, sei lá, faz um curso online de criatividade com o Murilo Gun ou um curso da Perestroika nas oras vagas, assim você bebe de duas fontes diferentes e tem outputs mais ricos.

  • É, Sally, um caso a se pensar…
    Muito legal seu texto, motivador. Mas há que se pensar também, como ligar essa ideia de “fazer o que tu gosta” com algo que te dê retorno não só em sentido de prazer, mas também financeiro?

    Porque levar essa pergunta ao pé da letra, pode dar ruim, por exemplo: “o que mais gosto de fazer na vida é ler ou… tocar piano.” De que forma uma pessoa vai ganhar dinheiro com isso? Ok, sendo leiturista ou pianista, tu vai dizer, ou fazendo algum projeto tendo em vista realizar essas funções de alguma maneira, mas… pra se destacar nisso tem que ter um empenho hard, ser muito foda, além de ter uma paciência de Jó pra saber esperar os resultados aparecerem…

    Enfim, difícil tentar linkar determinado objetivo a longo prazo, a meu ver, quando invariavelmente tu tens o fator financeiro envolvido.

    • Ge, se você for criativo e ousado, consegue encaixar o que você mais gosta de fazer em uma bela startup e fugir do clichê de “se eu gosto de tocar piano, logo, tenho que ser pianista”, basta dar uma nova destinação ao que você gosta de fazer para monetizá-lo de forma adequada. Hoje a flexibilidade do mercado permite isso.

        • Todos os dias antes de ir trabalhar eu me pergunto: o que eu estou fazendo na minha área que mais ninguém faz? Todo mundo deveria se perguntar isso e só sossegar quando estiver colocando em prática uma bela resposta.

  • Já me formei e tenho alguns cursos por fora, mas não uso quase nada destes outros cursos no meu trabalho.
    As pessoas vivem me perguntando quando vou fazer minha pós, meu mestrado como se eu estivesse acomodada na profissão :(. Quando, na verdade, estou pensando em outros tipos de negócio (além do meu de formação), para seguir aquele velho ditado dos “ovos no mesmo cesto”.
    Ainda não cheguei a nenhuma conclusão, mas já sei qual segmento me vejo mais feliz e vou pensar em uma maneira de investir nisso.

  • Mais um texto que eu precisava ler.
    Vc é quase minha psicóloga. Se vc soubesse o quanto já influenciou na minha vida desde profissional até a amorosa me cobraria um dinheirão.
    Hj estou no melhor emprego q eu poderia ter na minha profissão, com estabilidade e boa carga horária.
    Eu morava em comunidade e teoricamente sou bem sucedida se levarmos em conta a minha trajetória. A maioria dos meus conhecidos e parentes falam que eu estou reclamando de barriga cheia. Que fulano está desempregado, que beltrano ganha mal e assim fui desanimando de procurar outra atividade.
    Acabei arquivando minhas ideias e me acomodei.
    Vou ler os livros que recomendou e tentar trabalhar no que eu estava imaginando como hobby ou voluntária.

    • Fico feliz em ter ajudado, Felícia.

      Não precisa largar seu emprego, apenas acrescer atividades que te sejam prazerosas e que possam ser monetizadas. Todo mundo tem algo que faz bem na vida e que pode ser útil para outras pessoas, com ou sem diploma. Se eu fosse você, não priorizava vida acadêmica, que no Brasil é só vaidade, não vale nada. Priorize um belo plano B, até porque você vai ter tempo e recursos para colocá-lo em prática.

  • Isso de ficar perto de quem ta puto é uma grande verdade! Eu por ex. consegui minha sonhada demissão depois de ter metido o pau na empresa pros novatos na frente do chefe. Legal forrar a gaiola com diploma! Me lembrou o que eu fiz com minha certidão de batismo haha

  • “E saiba que não fazer faculdade é uma opção válida. Hoje eu uso meu diploma para forrar gaiola de passarinho. Papel não vale nada, experiência de vida, ousadia e criatividade sim”

    Esse trecho, sinceramente, me deixa menos preocupado com meu futuro. Já faz um bom tempo que desisti de um curso superior que não me agradou (ainda bem que desisti logo no segundo semestre, desviou muito da área que eu procurava), e absolutamente todos ao meu redor fazem uma pressão infernal para que eu volte para uma universidade. Até certo dia, quando fazia um daqueles exames periódicos com a médica do trabalho na outra empresa para a qual trabalhava, em uma rápida conversa, ela veio com esse papo de “quando eu iria entrar de novo em uma faculdade” (ao saber que minha escolaridade era “superior incompleto”).

    É bom saber que não preciso necessariamente ser graduado para fazer aquilo que realmente gosto, e devo profundamente agradecer pelas elucidações que podem me mostrar um caminho bastante interessante mais pra frente. Muito obrigado, excelente texto, mais uma vez!

    • Não precisa. O problema é não fazer faculdade e se acomodar em um subemprego e não evoluir. Não se deixe acomodar, invista em você, se aprimore, estude, crie coisas novas, seja sempre curioso e inovador e vai dar certo.

  • Tu tem umas ideias muito inteligentes. Nao entendo como que tu ainda não foi embora do brasil. Tu deveria estar gastando tua inteligencia num país + desenvolvido.
    Pq não volta pra Argentina? Pq não muda pra Suécia?

  • Sally,
    Este texto não poderia vir em momento mais oportuno. Após muito pensar, tranquei meu curso na faculdade na semana passada. Definitivamente era algo que estava me fazendo mal e, se insistisse nesse erro, seria uma profissional frustrada e medíocre.
    Agora, apesar de me sentir “perdida”, tenho mais disponibilidade (tanto de tempo quanto emocional) para pensar no que posso e no que quero fazer, considerando meus interesses e minhas “aptidões”.
    Obrigada por este texto e por vários outros, nos quais a sua criatividade e o seu inconformismo ficam evidentes, de forma a amparar e inspirar pessoas como eu.

    • Você fez a coisa certa. Agora, em vez de estar presa a aquilo, você pode fazer qualquer coisa que quiser no mundo, até mesmo uma ainda não inventada, que você vai criar.

      Recomendo ler o livro Vai Lá e Faz, do Thiago Mattos. É disponibilizado de forma gratuita para download e dá uma bela introdução a esse novo mundo.

      • Sally,
        Tranquei uma faculdade no ano passado e comecei a cursar administração. Não me identifico com o curso, nem com os professores e alunos, nem com o meio corporativo. Não encontro satisfação nisso, mas ninguém ao meu redor têm mais paciência para minha indecisão, dizem apenas para eu terminar logo.
        Já pensei em cursar psicologia, mas, além de a minha família não me apoiar, ouço que isso seria “pedir para morrer de fome”. Também temo estar pensando erroneamente que há um curso universitário ideal e me decepcionar de novo.
        Não sei o que poderia fazer. Não tenho hobbies além de ler, ver filmes, conversar. Minha vida está praticamente limitada à faculdade – o que é angustiante, já que não gosto do que faço.
        Ninguém pode me dar uma resposta pronta, fácil… mas o que você faria/recomenda/aconselha? Não sei a que outra pessoa sensata poderia recorrer.

        • O que eu aconselho é que você abra seu rol de opções experimentando fazer coisas diferentes em paralelo.

          Nem sempre a ordem das coisas é “sempre amei tal coisa por isso faço”. Às vezes passamos a amar depois que começamos a fazer. Devem ter muitas coisas que você só não ama porque desconhece.

          Se aventure a fazer coisas novas como hobbie até encontrar algo que goste e possa ser monetizado.

  • Sally, nos últimos tempos dá pra perceber que você tem tido novas inspirações e influências e todas estão muito bem resumidas nesse texto. O texto dos inputs e outputs, o texto sobre o novo professor, as recomendações da Perestroika e do livro “Vai lá e faz”, estão entre os meus favoritos no Desfavor. Porque todos eles acrescentam algo que dificilmente veríamos na mídia mainstream. Portanto, muito grato por isso.

    Em segundo lugar, gostaria de fazer um questionamento para prolongar a discussão. Concordo plenamente com tudo que você levantou, mas me surgiu uma dúvida: e nesses casos, como o que você fala, em que se está na profissão há 15 anos? Digo, são ótimos conselhos para quem ainda está na fase de decidir a profissão. Mas e para quem já está há 15 anos e está nessa situação de abandonar ou ser abandonado. Como se reinventar?

    • Não faça o que eu fiz, que foi largar tudo de uma hora para a outra. É duro, é ingrato, você vai ficar do lado de fora do mercado de trabalho arranhando a porta muito tempo até conseguir entrar novamente. Se quer sair da sua profissão ou da sua área, comece essa transição enquanto ainda está nela (e enquanto não chegou no ponto de saturação de não aguentar mais). Comece a investir em projetos paralelos até que um prospere e você possa fazer uma transição mais serena. Pode ser qualquer coisa: algo que não precise de faculdade para exercer, uma startup, uma franquia… ou algo que você invente. Não se atenha apenas a coisas que já existem.

  • Eu escolhi fazer ciência da computação, não sei se fiz a escolha certa mas ainda assim não me imagino trabalhando com algo diferente. Acho que até tenho alguma vocação pra coisa, alguns amigos me elogiam, falam que eu sou bom, mas sou preguiçoso pra cacete. Não tenho ânimo pra ficar estudando no meu tempo livre, acho um saco. Sei que não é correto, mas sou da mentalidade “já jogo fora 40 horas da semana trabalhando, meu tempo livre é pra relaxar”.

    Você também falou sobre alguém que gosta de jogar videogame trabalhar com desenvolvimento de jogos ou animação. Como alguém formado em computação e que ama videogames desde os 5 anos de idade, posso te falar que não é nem de longe a mesma coisa. É a mesma coisa que falar pra alguém virar confeiteiro só porque gosta de doces.

    • Depende do que você faça. Não precisa desenvolver jogos, pode apenas testá-los, por exemplo.

      Pergunta: você diz que quer seu tempo livre para relaxar, não seria possível relaxar aprendendo algum conhecimento novo? Nenhum conhecimento novo de nenhuma área se encaixa no seu lazer ou te diverte?

  • E, se eu puder me intrometer, se RELACIONE! As melhores oportunidades vêm de quem te conhece, que sabe quem você é e/ou do que você faz.
    Claro que “relacionar-se” não significa puxar saco, babar ovo.
    Não adianta você fazer tudo que a Sally disse aqui e não saber expor e expor-se.
    Não se iluda com a falácia de que “se eu for bom, as pessoas reconhecerão”.
    Pff.

    • É importante sim, mas acho que está ficando em segundo plano. Se você joga do nada uma startup boa no mundo, a coisa se espalha. Você pode conseguir dinheiro de estranhos sem contato algum por crowdfunding. Claro, é sempre muito mais fácil se tiver contatos, mas, a maior de nós não topa essa ditadura da alegria, por isso nem sempre somos cheios de contatos.

      E sim, se for bom, reconhecerão. Mesmo sem contatos. Esse mindset de contatos como base do sucesso é da página anterior, a página virou.

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