Intimidação feliz.

Existem muitas formas de oprimir um funcionário, porém, as mais comuns já estão tão popularizadas e mal vistas que costumam render processos e indenizações. Era preciso inovar. Fazer um funcionário ou um empregado se calar na base do grito ou abortar um questionamento na base da ameaça de demissão já são suficientemente mal vistos para representar um risco ao empregador. Então, em uma tendência mundial, resolveram inovar: a intimidação pela obrigação de ser feliz e alto astral. Na semana que se passou ouvi não um, mas três relatos diferentes sobre essa nova modalidade de intimidação feliz. Parece que está virando tendência.

Em uma coroação desta grande era de obrigação de ser feliz na qual vivemos, a opressão alto astral chega ao mercado de trabalho. Não bastava ter que aparentar uma vida 100% feliz em rede social, um relacionamento feliz full time, é hora de estender esse inferno para o local de trabalho.

Toda empresa adora se dizer inovadora e com funcionários felizes. E se você não for feliz o bastante, algo como, digamos, um Teletubbie que toma Prozac, bem, cuidado: você pode não ter o perfil da empresa. Isso mesmo, independente das suas habilidades técnicas, não correr com a manada em matéria de alegria, hoje em dia, causa demissão. O pior é: ninguém nem vai lamentar sua demissão, pois será vista como algo para o bem do grupo. Tratem de inserir alegria e alto astral no currículo de vocês, essa moda veio para ficar, pois é muito conveniente para todos os empregadores.

Óbvio que é tudo uma grande hipocrisia. Seu chefe terá todo o direito a ter um dia de fúria (inclusive voltado contra você, se o desejar), reclamar e ficar de mau humor. Mas não o funcionário. Será que a empresa zela mesmo pelo suposto ambiente de trabalho feliz ou será que estão te intimidando, pois pessoas felizes não reclamam, não pedem aumento e não conspiram?

No mundo de hoje, uma pessoa que se mantém alegre na maior parte do seu tempo ou é alienada, ou está muito quebrada por dentro e precisa disfarçar a qualquer custo. Sempre desconfiei de pessoas excessivamente alegres. Quão emburacada a pessoa está por dentro para precisar exalar sempre uma grande alegria por fora? Ninguém está o tempo todo feliz e vou além: felicidade é a exceção, não a regra. Escroto querer que acreditem o contrário, cria um exército de pessoas que se sentem inadequadas e se enchem de remédios por pensarem que tem algo errado com elas. É perfeitamente normal não estar feliz e alegre o tempo todo.

Sentia um pouco de pena dessas pessoas, pois fica nítido o mecanismo de defesa, de exalar uma alegria contagiante porque se deixar a peteca cair, vai, na melhor das hipóteses, à depressão e na pior ao suicídio. Pessoas que precisam se convencer de que são felizes e alto astral tem sérios problemas, quando uma pessoa precisa ostentar muito alguma coisa, é sinal que tem algo quebrado do lado de dentro. Como essa gente tem severos problemas emocionais e zero estrutura para lidar com pressões da vida, vive na beira do abismo, precisa desse recurso.

Reparem que no parágrafo anterior eu disse que sentia pena destas pessoas. Sentia, do verbo “não sinto mais”. Percebo um processo ainda embrionário de tirania da alegria por parte delas, não na tentativa de deixar o mundo ou o ambiente de trabalho melhor e sim na tentativa de calar a boca dos que estão à sua volta ou de não intimidar para não ter que ouvir/lidar com problemas por não ter a menor estrutura para isso.

Uma pessoa instável, que não é muito segura de si e boa gestora, não sabe lidar com problemas, divergências e confronto. São pessoas que, apesar de uma bela pose de segurança por fora, são frágeis como cristal por dentro. Obviamente essa fragilidade não combina com liderança nem com mercado de trabalho, então, ela deve ser camuflada a qualquer preço. Como não é mais socialmente aceito calar a boca de um funcionário insatisfeito ou resolver conflitos na base do bullying ou assédio moral, estas pessoas fodidas por dentro encontraram uma nova forma: obrigação social de ser feliz, sob pena de não ter o perfil da empresa, carimbando inadequação na testa do funcionário e colocando-o até em risco de demissão.

Com isso o funcionário passa a se sentir constrangido de manifestar qualquer descontentamento ou de levar a seu gestor qualquer situação de conflito ou problema. Frases como “Você sempre reclama” e “Talvez o problema seja você” voltam para morder na bunda quem ousa destoar da felicidade Teletubbie vigente. Leve problemas a seu gestor e o problema passará a ser você. O mais medonho deste comportamento é o grau de manipulação que ele gera: pessoas que estão com razão não tem o direito de questionar, se aborrecer ou buscar melhorias pois a prioridade, acima de tudo é um estado de permanente felicidade, euforia e alto astral.

“Alto astral”. Como eu odeio essa palavra. Me remete à Xuxa. Uma expressão infantilizada que vem sendo usada cada vez mais para oprimir pessoas que estão putas e cheias de razão por estarem em estado de putez. Gestores devem gerir pessoas, intermediando conflitos, buscando soluções para descontentamento e não intimidar os geridos para que eles engulam tudo. Essa coisa de fazer o gerido sentir que está incomodando ou sendo inadequado quando leva um problema ou se chateia é uma nova modalidade de bullying, o “bullying arco-íris”, onde você tem que estar sempre feliz sob pena de uma sensação de não pertinência artificialmente plantada. Muito cômodo gerir assim, se recusando a lidar com os problemas.

Curioso que os mesmos que oprimem com a obrigação de ser feliz são aqueles que se dizem modernões e respeitadores das diferenças. Ok, você pode ser gay, você pode ser usuário de drogas, você pode ser qualquer “diferença” que seja bem vista no modismo da vez, mas vai você ser questionador ou mais reservado, não gostar de socializar e não estar sempre em estado de alegra histérica e observe o “respeito pelas diferenças” se esvaindo no mesmo minuto. Tem que gostar, tem que sorrir, tem que sair e socializar não importa quão pau no cu você ache o compromisso da empesa. Não basta ir, tem que ir e aplaudir feito uma foca dopada.

Escorados nesse crendice idiota estilo “O segredo” e outras autoajudas risíveis o gestor sem competência a estrutura para lidar com questionamentos pertinentes e uma boa prensa do funcionário vai vomitar toda sorte de ignorâncias para se justificar: a “energia” do local não está boa (chama um eletricista então, idiota), que pensamentos negativos “atraem” coisas negativas (vamos todos pensar em dólares para ver se ficamos ricos?) e que é preciso mais alegria e “tolerância” (apesar de não respeitarem seu jeito justamente por esse discurso). O funcionário cala a boca, porque né, está em condição vulnerável, e o gestorzão fodão acha que super convenceu a pessoa do seu chorume argumentativo, quando na verdade as pessoas só estão calando a boca por intimidação.

O que estas pessoas não percebem é que se portando desta forma histérica e descompensada deixam exposta sua própria fragilidade. Pessoas borderline, que estão a um passo do abismo, por isso não conseguem suportar ou lidar com algumas verdades, queixas ou críticas, acham que ninguém se dá conta de que essa baboseira de energia e atração são, na verdade, meros justificadores sociais para calar a boca de quem lhes causa algum incômodo para o qual não estão preparados ou não tem estrutura para lidar. E, se você for inteligente, explora essa fragilidade a seu favor. Mas isso é assunto para outro texto.

Aceitar que às pessoas à sua volta estejam chateadas é aceitar um erro seu de gestão, pena que as pessoas não admitam errar nunca, não é mesmo? O digno a fazer (e o que eu sempre fiz) é colocar a mão na consciência e se perguntar (ou à sua equipe) o que você pode fazer para melhorar a vida destas pessoas. Pior coisa do mundo é fazer com que um funcionário tenha que defender seu direito a estar chateado. É feio, desrespeitoso e desumano. Não cabe julgar se há motivos válidos ou não para insatisfação, se o sofrimento é real, algo tem que ser feito, por mais que se discorde dos motivos. Qualquer comportamento que não seja nesse sentido é o mesmo que uma criança tapando as orelhas e cantando bem alto para não ouvir o que lhe está sendo dito.

Seja você um gestor em uma empresa, o gestor de uma família, de um grupo ou de qualquer modalidade de aglomerado de pessoas, não seja babaca de exigir alegria e alto astral. É patético. É desrespeitoso. É opressivo passivo-agressivo. E mostra quão despreparado você está para lidar com gestão de pessoas. Só tem valor se vier de forma espontânea, e não fruto de medo. E se isso de alguma forma é cobrado, vem na base do medo sim.

Está com problemas emocionais que te indisponibilizam para segurar o rojão de críticas, putez e reclamações? Medique-se. Vai no psiquiatra, joga a toalha, diz que não tem estrutura para arcar com todas as suas responsabilidades de gestor e toma um remedinho. Mas para de encher o saco para que todos os que estão à sua volta criem um ambiente seguro para que você não se emburaque por dentro na sua própria fragilidade e fasta de estrutura, sacanagem obrigar terceiros a fazerem a manutenção do seu emocional capenga.

Vai acontecer? Óbvio que não. Porque é socialmente aceite você querer o odioso e infantilóide “alto astral”. Soa como se fosse para o bem de todos, então, há aval social para continuar calando bocas, intimidando, oprimindo em nome da alegria. Fanáticos da felicidade, Xiitas da empolgação, terroristas da energia positiva, desde que para terceiros, pois eles, quando se emputecem, não praticam essa política arco-íris. Em resumo, hipócritas.

Saudades dos tempos onde a obrigação de ser e estar sempre feliz se restringia a redes sociais. Essa porra está invadindo a sociedade, talvez porque, cada vez mais, a sociedade venha construindo suas relações calcada nas redes sociais. Hoje não dá mais para fugir desses aleijados emocionais que precisam a todo custo emular uma felicidade perene sob pena de um surto de afundamento. O pior é que dão poderes para pessoas tão retardadas emocionais, porque nessa maravilhosa sociedade brasileira ignorante, a alegria é um dos pilares de sustentação. Lamentável.

Mais um direito que se vai. Não pode falar certas coisas politicamente incorretas, não pode falar de certos grupos minoritários, não pode fazer humor com qualquer assunto e agora não pode estar puto ou insatisfeito. Tá bem difícil manter a humanidade, ou você veste uma máscara e cria uma persona para interagir com o mundo da porta de casa para fora, ou tem que ouvir toneladas de chorume, de psicologia barata mesclada com crendices e auto-ajuda ignorante. Haja paciência, viu?

Oscilações de humor e sentimentos são normais nos seres humanos. Quem não pode lidar com isso, não pode gerir pessoas. Querer que um grupo esteja sempre feliz e “alto astral” (vou vomitar e já volto) é simplesmente patético, opressor e muito hipócrita, já que quem faz essa exigência também tem sentimentos oscilantes: “não tolero os seus, mas você trate de tolerar os meus”. E no cuzinho, não vai nada?

Para dizer que meu texto negativo drenou suas energias positivas, para dizer que é fácil estar sempre feliz quando se ganha um salário de chefe ou ainda para ensinar estratégias para lidar com hipócritas felizes: sally@desfavor.com

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Comentários (35)

  • Olha uns 10 anos atrás fui dispensada de um estágio a minha coordenadora disse que um dos motivos era pq eu sorria muito pouco, na primeira semana eu já vi que não combinava com o padrão ´alto astral´ do lugar mas precisava da grana né. E hoje procurando emprego 99% das entrevistas eu tenho que explicar, para psicólogos, que sou uma pessoa reservada/discreta e não tímida.
    Tbm sempre desconfio de gente muito alegre.

  • Não é muito relacionado a ambiente de trabalho, mas durante minha graduação, fiz uma matéria com uma professora cujo sobrenome era literalmente Felicidade. Não tinha um momento que você olhasse pra ela e ela não estivesse calma, falando calmamente e com um sorriso no rosto. Sei lá, da um medo de gente assim, parece psicopata.

  • Essa cultura minion alto astral happy happy começa muito cedo, desde crianças as pessoas são ensinadas a não reclamar porque tem gente que está em uma situação pior, como se estivessem em um eterno campeonato de quem tem os piores problemas, sempre como quem vê o outro na pior pra se sentir por cima e ao mesmo tempo, um dever de gratidão (outra coisa que me irrita) a alguém superior que livre de estar no lugar do outro.Empatia é pouca bobagem. Tem que gostar da comida da vó porque tem gente na África morrendo de fome e temos que ser felizes porque não estamos no lugar deles, não pode reclamar do sapato apertado porque tem gente que nasceu sem pé e temos que ser felizes porque não somos essas pessoas que nasceram sem pé, não pode reclamar do professor que humilha os alunos porque tem gente que nunca pode ir pra escola e temos que ser felizes e agradecer o professor abusivo por não sermos analfabetos. E se vc não está feliz e conformado tudo isso vc é uma pessoa triste, amarga e mal agradecida.

    • Verdade, Linn. Essa suposta criança africana que passa fome é argumento para que criança nos mundo todo que já estão satisfeitas tenham que empurrar comida boca adentro sem vontade. Acho que dever ter acontecido com a maioria de nós alguma vez. Porque merdas os pais não respeitam os sinais de saciedade dos filhos? Porque uma criança tem que comer uma quantidade padrão e não o que a sacia?

      Alguém aí que tenha filhos sabe me explicar?

  • “felicidade é a exceção, não a regra”
    Taí, nunca tinha reparado nisso. Li esse texto uns dias atrás e decidi me auto observar. Percebi que na maior parte do tempo eu estou neutra, nem com fúria, nem com tristeza, nem com felicidade o bastante pra um estado de completa euforia. Estou bem, mas não estou nas nuvens.

    Definitivamente não me encaixo nessa tipo de pessoa “alto astral” que fala alto, está sempre gargalhando, e tem o poder de fazer barulho a cada movimento. É constrangedor.

    • Eu sou da teoria que na vida temos momentos felizes, e conduzo minha vida dessa forma: procurando aproveitar ao máximo cada momento feliz. Se eu ficar com a expectativa de ser sempre feliz, vou me frustrar, vou achar que tem algo errado comigo e vou começar a precisar dessas muletinhas tipo fluoxetina. Aí vem o desespero por estar sempre feliz, por viver uma vida “intensa” em busca de constante felicidade: sai com todos mundo, usa drogas, pula do topo do penhasco com um elástico amarrado no pé… Tô fora. Me permito não ser feliz full time, aliás, é a não felicidade que me permite ser feliz, por contraste, caso contrário sem seria felicidade, seria um estado normal.

  • Não sei se já se abordou sobre recrutadores aqui, mas nos últimos anos tenho passado por muitos processos em que se vê no tal psicólogo que te entrevista para vagas de emprego algo muito como o abordado.
    Sempre te perguntam a mesma coisa, do mesmo jeito, pois já sabem a resposta que querem. Quando eles (ou você) dão o azar de encontrar uma resposta diferente/inusitada, é risível a expressão desconcertada que apresentam.
    Lembro de uma entrevista em que me perguntaram, além do trivial, como eu agiria, como gestor, para tomar uma decisão, se eu “ouviria a opinião” dos meus subordinados.
    “Claro!”, disse o trouxa. “Mas a decisão será minha.”
    Diante disso, transcorreu um longo tempo em explicá-la sobre responsável, responsabilidade e responsabilizado.
    Não deu muito resultado. Algumas pessoas não são auditivas.
    Depois, pediram para que eu escolhesse um tema e escrevesse um pequeno texto e achei que poderia, a dita, ser visual ou algo assim.
    Escrevi sobre responsabilidade, citei Exupéri, O Pequeno Príncipe, etc.
    Resultado?
    Nem aquele e-mail com, “valeu, mas não deu pra você!”.
    E quando te perguntam sobre seus hobbys, o que você faz no tempo livre, etc?
    Tem que falar que você joga futebol, que sai pro barzinho com seus amigos, que tem uma vida “normal”.
    Se você fala que dedica-se à sua família, que não bebe e que prefere ficar em casa do que sair, os recrutadores te olham com estranheza.

    • E quando você diz que não tem facebook ou qualquer outra rede social? Já ouvi que isso era muito estranho e que provavelmente eu teria algo a esconder! Respondi que sim, que tinha algo que eu precisava esconder que era minha privacidade e intimidade. O resultado foi o mesmo: nem aquele e-mail com, “valeu, mas não deu pra você!”.

    • Em uma entrevista que eu nem estava mais dando tanta importância soltei: nas horas livres eu DURMO, durmo muito! E vejo séries a outra parte do dia que não estou dormindo. Impagável a cara de surpresa da mocinha.

      Teve também aquela clássica pergunta de “como se imagina no futuro dentro da empresa”, que o candidato deve OBRIGATORIAMENTE responder que vestirá a camisa da empresa e coisas do tipo (puxa saco), a linda aqui falou que simplesmente precisava de dinheiro para pagar as contas naquele momento e desejava mesmo era fazer crescer minha clientela de freelas e futuramente ter meu próprio escritório.

      Resultado: FUI CHAMADA.

      Tenho para mim que fui a única a ir para entrevista, ou talvez, por eu já não querer mais o emprego a lei de Murphy deu aquela colaborada.

    • Tive sorte na empresa que trabalho então.

      Aqui, as entrevistas são diretamente com os líderes de grupo (um nível abaixo de gerente e um acima do funcionário comum) e depois com um ou mais gerentes. As perguntas se restringem a perguntas técnicas e, mais pro finalzinho, o lado pessoal pra te conhecerem um pouco. Não tem essas perguntas imbecis de RH, no máximo perguntam o que você gosta de fazer no tempo livre e tal. Fui sincero, falei que gostava de games e de ver TV/seriados, falei que não gostava muito de sair de casa, e to aqui trabalhando. Às vezes rola um churrasco ou alguma coisa da equipe que trabalho, até vou normalmente e quando não vou o meu gerente até fica meio chateado mas ele respeita.

      Pra você ter uma noção, quando saiu Pokemon Go no Brasil, todo mundo aqui da empresa tava jogando, até meu gerente entrou na brincadeira. É bem de boa por aqui.

  • E quando vc não está feliz com sua função e com sua equipe por vários motivos e as pessoas alegam que deveria esta feliz pq tem pessoas desempregadas, pq é servidor público, pq tem saúde e outros fatores que, CARALHO, não tem nada a ver com o seu descontentamento.

    • Olha que argumento maravilhoso! Você deveria estar feliz por ter gente em situação pior do que você! Ê Brasil…

      • Caramba, nesses dias também ouvi isso. Um colega aqui ainda disse que deveríamos nos nivelar por baixo! Por quem está em situação pior, nada mais. Evolução não é o forte do BM.

  • Parece que me achei nessa nação “desfavoriana”. É muito bom ler esses textos, me sinto menos sozinha nesse mundo cheio de pessoas retardadas, o qual tenho que me anular como ser pensante para poder agradar seres limitados que se alimentam todo dia de manhã com frases do Cifras.com.
    Essa nova moda de pregação do alto astral realmente está em voga, já li sobre isso em algum lugar. Ainda bem que já começamos a nos tocar sobre esse estupro à individualidade. Têm muito mais coisas que as grandes companhias fazem para adestrar bem seus funcionários. Um exemplo são as viagens a trabalho (famosas convenções) que impõem intensas lavagens cerebrais.
    Enfim, estou aguardando o texto em que você falará sobre inteligência para manipular a fragilidade alheia, principalmente a de pessoas hierarquicamente superiores. Abraços.

  • Obrigado pelo texto, Sally. Também não suporto essa “obrigação” de estar – ou de aparentar estar – feliz o tempo todo. Às vezes até fico querendo dizer: “dá licença de eu ser eu mesmo?”. Ah! E dá uma olhada numa tirinha de que me lembrei enquanto lia o texto: http://mentirinhas.com.br/wp-content/uploads/2013/09/mentirinhas_487.jpg. E olha, já trabalhei em lugares que me davam mesmo vontade de fazer como o personagem dessa tirinha e também sacar um trezoitão pra acabar logo a conversa, viu?

    • Não pode ser você mesmo. Se quiser ser gay, aparecer com o cabelo raspado na nuca com a escrita FODA-SE, andar de saia sendo homem e fumar maconha no local de trabalho, tá ok, tá super ok, te respeitam “como pessoa” (como mais respeitariam? como torradeira?). Mas vai você se enquadrar na alegria vigente para você ver se o respeito não vai para caralhos´s house em dez segundos.

  • Aliás, MORRRRRRRRRRRIIIIIIIIIII de rir com a imagem ilustrativa da postagem! Tu tava realmente inspirada desde o início, quando a criou! :-)

  • Querida Sally, se você mesma foi quem cunhou a expressão “bullying arco-íris”, então acabo de pagar um pau pra ti (e olha que não faço isso pra ninguém, hein?): nunca vi expressão tão apropriada e genial (outra palavra que jamais uso!) pra uma situação tão escrota!

    Não sei se isso é em nível mundial, mas aqui no braziu a coisa tende a tomar contornos ainda mais dramáticos, já que se vê a bosta do BM lá fora como o “povo mais alegre do mundo”; então, toca os “gestores” (cof-cof) brazucas encarnarem esse papel de “motivador” no mais alto grau, no melhor estilo Augusto Cury, Daniel Godri ou qualquer outro desses canastrões falaciosos que abundam no showbiz da autoajuda empresarial histriônica.

    • Charles, o termo é meu, não sei se já tem mais alguém usando, mas sai da minha cabeça.

      Uma bosta essa “motivação” de obrigar a pessoa a fingir que está feliz, vão motivar seus cus com isso!

  • Aaahhhh Sally, mais um gol de placa! Sou muito grata por este texto. Eu acrescentaria o desvio de função, muito comum em repartição pública e em empresa privada tb. Sofro com isso, não imagino a hora de me picar deste país de merda. E veja que no final das contas, tanto esta forma passivo-agressiva quanto as mais explícitas vêm de um ranço deste país amaldiçoado: O explorar os outros, tratar os outros como se fossem seus serviçais, uma herança da escravidão que se difundiu por todos os cantos deste país, não importando cor, sexo, idade e por aí vai. É um mal da sociedade brasileira de um modo geral, o BM tem uma tara de se sentir superior e por comseguinte, explorar os seus empregados e subalternos, e nada disto poderia dar em nada que preste.

    • Faz tempo que venho pensando nisso. Quem consegue poder no Brasil o usa sempre para o NÃO. É o Poder do Não: não pode, não deixa, não aceita, não quer. O poder é usado sempre para benefício próprio em vez de um bem maior.

      • Exatamente, Sally, e é isto que vai pra política (assim como nas empresas tb, como vc bem colocou), as pessoas quando elegem os candidatos acabam votando nos espelhos de si mesmas, mas aí quando estouram os escândalos de corrupção (em essência, a mesma que campeia as terras tupiniquins) aí ficam com cara de paisagem… As mesmas pessoas que colocaram aqueles políticos lá, e que acabam colocando lá novamente. Não dá pra entender, este país é um primor de bizarrices das mais diversas formas!

    • E veja que no final das contas, tanto esta forma passivo-agressiva quanto as mais explícitas vêm de um ranço deste país amaldiçoado: O explorar os outros, tratar os outros como se fossem seus serviçais, uma herança da escravidão que se difundiu por todos os cantos deste país, não importando cor, sexo, idade e por aí vai. É um mal da sociedade brasileira de um modo geral, o BM tem uma tara de se sentir superior e por comseguinte, explorar os seus empregados e subalternos, e nada disto poderia dar em nada que preste.

      Concordo, Morena Flor. E boa sorte, viu? torço pra que você se dê bem quando “se picar deste país de merda”.

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