Racismo contra brancos.

É bem provável que, se você perguntar por aí, os lacradores de rede social te digam que não existe racismo de negro contra branco, pois o negro tem um histórico de muito tempo de opressão e blá, blá, blá. São ignorantes. Desafio qualquer cabeça pensante (o que excluí os lacradores de internet, obviamente) a ler este texto até o final e continuar afirmando que não existe racismo contra brancos. Mais: pago uma quantia em dinheiro do meu bolso se alguém me apresentar uma argumentação racional válida contestando a existência de racismo contra brancos. Muita arrogância que um grupo se aproprie do termo “racismo”. Não, não. Há limites, e eu desenho a linha hoje, aqui: Flertando com o Desastre: Racismo contra brancos.

Muito se fala das atrocidades historicamente cometidas contra negros e pouco se fala sobre as atrocidades e perseguições historicamente cometidas contra outros grupos. Para você que acha que não pode haver nenhum tipo de racismo contra branco, pois branco não sofreu opressão, hierarquia, injustiças e perseguições massivas na história do mundo, venho te trazer um pouco de luz e informação. Vários brancos sofreram, mas só para começar, no texto de hoje quero falar de um único tipo (outros textos sobre o assunto virão): pessoas brancas de cabelo vermelho. Dificilmente você encontre outro grupo que tenha sido mais historicamente perseguido, escrotizado e massacrado.

Você sabia que ruivos foram perseguidos, excluídos, difamados e até mortos tendo como base apenas a cor do seu cabelo? Pois é, preconceito e injustiça, todo grupo já sofreu, o que varia é o marketing e a vitimização que se faz em torno disso. Se os ruivos quisessem, teriam ótimos argumentos para pedir cotas. Verdade verdadeira, tudo começou por eles serem minoria: é necessária uma combinação genética não muito frequente para que uma pessoa tenha cabelos vermelhos, logo, ruivos eram raros. O que é raro, desconhecido, gera medo e o ser humanos costuma reagir da forma mais imbecil possível quando confrontado com um medo.

Ao não conseguirem explicar o cabelo vermelho, começaram a divinizar, especular e criar mitos e lendas que denegriram os ruivos, causando perseguição, exclusão social, opressão, escravização, tortura e morte. E infelizmente ainda há resquícios disso atualmente.

No Egito antigo, a cor vermelha era associada ao deus Seth, um deus que não representava coisas muito bacanas: entre outras, violência, inveja e traição. Nem preciso dizer que, por ter o cabelo vermelho, os ruivos eram muito mal vistos. Egito antigo, ou seja, cerca de 3000 anos antes de Cristo. Eu disse 3000 anos antes de Cristo, olhando bem nos olhos de quem acha que 400 anos de escravidão foi o auge da maldade humana. Pense em um preconceito que mata e excluí por mais de quatro mil anos. Que tal? Merecem cotas?

E não era uma segregação estética, algo como “olha que feio, ele é ruivo”. No Egito antigo ruivos eram odiados e até sacrificados (muitos como oferendas à tumba de Osíris). Um “ser-humano macumba”, tá bom para vocês? Há registros históricos comprovando que eles eram tão excluídos que não podiam sequer conversar com outras pessoas, coisas ruins aconteciam a ruivos que dirigissem a palavra a não ruivos. Na Índia (também antes de Cristo), homens eram proibidos de se casar com mulheres ruivas e com mulheres deformadas. Sim, ser ruivo era uma deficiência, era algo incapacitante, uma deformidade.

Na Grécia também rolava uma exclusão forte, mesmo nas cabeças pensantes. Achavam, entre outras coisas ruins, que ruivos se tornavam vampiros após a morte. Vamos ver o que Aristóteles disse sobre os ruivos: “enquanto loiros são bravos como os leões, ruivos são de mau caráter como as raposas”. Com essa presunção, ruivos nunca tinham um julgamento justo, sempre acabavam pagando pelo crime dos outros e frequentemente morriam, seja por condenações, sejam linchados mesmo.

Com o passar do tempo, a situação não melhorou. Na idade média, mais precisamente no século XI, a fama continuava ruim, mas piorou quando uma imagem de Judas ruivo se popularizou e os ruivos foram classificados como traidores por causa disso. Tome quatro séculos de violência e preconceito. Ruivos eram impedidos de frequentar lugares de pessoas “normais”, eram hostilizados nas ruas e frequentemente sofriam violência ou eram mortos. Com o tempo, tudo que era figura ruim, desde a serpente que ofereceu a maçã a Adão até Maria Madalena e Caim (que matou o irmão) começaram a ser retratados ruivos. O auge foi quando começaram a retratar o diabo com cabelos vermelhos.

No século XV a coisa se agravou mais ainda quando a inquisição passou a caçar pessoas (não apenas mulheres) ruivas, atribuindo-lhes uma série de “crimes” como bruxaria. Por sinal, a primeira pessoa a ser morta com esta acusação foi uma ruiva, torturada até a morte. Nascer com cabelo ruivo significava perseguição e morte para homens e mulheres, pois a cor vermelha do cabelo era associada ao mal. Muitos ruivos foram jogadas na fogueira, inclusive crianças, apenas por sua cor de cabelo. Para completar o pacote de atrocidades, se acreditava que a gordura dos ruivos era um ingrediente essencial para desenvolver um potente veneno. Oferendas, demônios e ingredientes de receitas. E aí? Vale cotas? Não? Calma que vem mais.

É escravidão o problema? É a porra da escravidão? Matar, dizimar e torturar tá pouco? Beleza então. Quando os romanos invadiam e conquistavam, escravizaram uma quantidade tão grande de ruivos que durante aquele período ter cabelo vermelho virou uma característica inferiorizada, pois era o estereotipo de escravo. Em peças de teatro, quando os atores romanos queriam representar servidão, usavam perucas ruivas. Tá bom de estigma social para vocês? Durante muito tempo os ruivos foram apontados como inferiores, não apenas na sociedade como também eram retratados assim nas artes, até Shakespeare falava mal dos ruivos chamando-os de “dissimulados” para baixo em suas obras.

E se for para usar o termo “minoria”, depois dessa dizimada vermelha, o que já era pouco ficou menos ainda. Hoje os ruivos correspondem apenas a 0,6% da população mundial. Não sei se vocês repararam, mas não tem continente ruivo. Nunca foram reis em um continente inteiro e ruivos não invadiam outras tribos de ruivos, os escravizavam e os vendiam. Eles são minoria de verdade. E foram escrotizados sem fazer nada para concorrer com isso, muito pelo contrário, em vez de escravizarem uns aos outros e venderem os coleguinhas para o homem branco, mantinham uma ética entre si e tentavam sobreviver unidos. Não havia espaço para ruivo vender ruivo, pois desde 3000 antes de Cristo que eles só sabiam lutar por sua sobrevivência. Pausa para os lacradores de movimento social beberem uma água e se acalmarem.

Antes que comecem a falar das mazelas atuais, queria convidar você que pensa, você que tem coragem de rever seus conceitos, você que acha que raciocinar é mais importante que lacrar, para um reflexão rápida: se 400 anos de escravidão deixaram estrago (e pela histeria que virou o Brasil, deve ter sido enorme), o que causaram QUATRO MIL ANOS de escravidão, perseguição, tortura, mentiras, difamação e morte? Não quero competir nem quantificar sofrimento não, apenas quero que quem passou por quatro mil anos de atrocidades (e ainda passa) também tenha o direito de evocar racismo. Ruivos ainda são perseguidos e hostilizados, coisa que talvez outras “minorias” não saibam pois se acham as únicas do mundo e vivem olhando para seus umbigos.

Vamos falar da história da família Chapman, em Newcastle? Inglaterra, supostamente um país civilizado. Um casal com quatro filhos, todos ruivos, tiveram que se mudar tamanha perseguição que sofreram. Sua casa foi vandalizada diversas vezes e seus filhos sofriam preconceito na escola, não apenas por parte dos colegas, mas também de adultos. Eram agredidos, xingados e lhes era vedado transitar e se portar como um cidadão comum. Um dos filhos, com onze anos, chegou a tentar suicídio por causa disso. Quando procuraram ajuda das autoridades, a sugestão foi que pintem o cabelo. Vai um negro à delegacia reclamar que foi agredido por causa do cabelo e o delegado sugerir que ele alise o cabelo para vocês verem se não começa a terceira guerra mundial.

Em Yorkshire um rapaz foi esfaqueado na rua enquanto era insultado única e exclusivamente por causa do seu cabelo vermelho. Idade Média? Não, o ano foi 2003. Sim, até hoje existem grupos de pessoas que acreditam que ruivos não tem alma, são perigosos e maus. Qualquer ruivo. Basta ter o cabelo vermelho que é inferior, preguiçoso, burro e não presta. Fatos isolados? Não, não, querido lacrador. O mundo vai bem além do seu bairro, sabia? Preconceito contra ruivos é tão comum e recorrente quanto qualquer outro, mas, como não te afeta, você, lacrador dos direitos iguais, desconhece.

Já existiram casos de jogadores de futebol ruivos que tiveram ofensas preconceituosas relacionadas a sua cor de cabelo gritadas pela torcida. Quer ouvir uma coisa curiosa? Os torcedores que gritavam essas ofensas racistas eram, em boa parte negros. Eu mesma já presenciei uma cena explícita de preconceito contra um ruivo nas ruas de Salvador perpetrado por negros. Mas, os lacradores de rede social já estabeleceram que não existe racismo contra branco, pois pensam que só negros sofreram opressão e perseguição. Meus queridos, se negro teve 400 anos de injustiças, ruivos tiveram 4000, um zerinho a mais, ok? Tá suficiente para vocês autorizarem o uso do termo “racismo”? Veja bem, ninguém tá pedindo suas cotas não, tá? Basta reconhecer que pode existir racismo de qualquer raça contra branco.

O preconceito contra ruivos é tanto que em 2013 começou uma manifestação anual chamada “Orgulho ruivo” onde as pessoas marcham pedindo o fim do preconceito. Tem fotinho no Google para quem duvidar, por sinal, é muito fofa a manifestação. Sem raiva, sem rancor, se avocar benefícios compensatórios, pediram apenas igualdade. E não pense que o preconceito para na agressão física e verbal, ruivos são preteridos até na hora de contratação para o mercado de trabalho. Tá suficiente? Não? Ok, tem mais.

Tem até apelido comparativo pejorativo, olha que simetria perfeita! O ruivos costumam ser chamados pejorativamente de “Ginger”, que em uma tradução literal significa “Gengibre”, mas seria um equivalente a uma ofensa racista pela conotação que a palavra adquiriu. Assim como comparar um negro a um macaco é considerado ofensivo, comparar um ruivo a um gengibre também é. Com a diferença que os ruivos efetivamente são uma minoria, logo, tem menos força para se defender. Você já viu um Presidente da República ruivo? Você já viu quantos ruivos ganhando Oscar? E, o mais importante: você já viu quantos ruivos mimizando por não ganhar Oscar? Quando se chama um ruivo de Ginger se subentende que você o está chamando de mau caráter, desonesto, burro, preguiçoso e várias outras coisas ruins em uma mesma palavra.

Então, quem afirma não existir racismo contra brancos, por favor, repense a vida. Pior ainda quem usa o termo “racismo reverso”, que faz parecer que negros são os detentores por excelência do racismo. Desculpa, por 4 mil anos brancos foram torturados, escravizados e mortos por sua cor de cabelo, racismo não é propriedade de negro que passou 400 anos de escravidão, parem de competir quem sofre mais, apenas admitam que branco pode sim ter histórico que justifique racismo.

Dizer que não existe racismo contra brancos pois racismo pressupõe um sistema de opressão e poder é mostrar um completo desconhecimento histórico. E, se for depois de ler esse texto, mostra também uma enorme burrice e incapacidade de refletir e mudar de opinião. Brancos foram escravizados, discriminados e mortos por séculos por sua cor de cabelo e ainda sofrem por isso em muitas partes do mundo. Não é falsa simetria não, há racismo contra brancos, inclusive propagado por negros.

A grande diferença é forma como se lida com isso. Você não vai ver um ruivo se vitimizando, apesar de 4 mil anos de perseguição. Nem gritando. Nem apontando o dedo na cara do outro e intimidando. Não tem museu do ruivo oprimido. Não tem estátua do ruivo vítima. E, acima de tudo, não tem revanchismo nem rancor social. Todos os ruivos que conheço são doces e civilizados, nunca tentaram nenhum benefício em detrimento do resto da população por serem historicamente perseguidos e jamais lidaram com agressividade e rancor diante de preconceito. Para eles, discriminação é ignorância, não uma oportunidade para tirar vantagem. Muito pelo contrário, quando indaguei isso me responderam por qual motivo não achavam justo pleitear uma compensação: “Toda raça em algum momento histórico sofreu opressão ou injustiças, é do ser humano”.

Da próxima vez que algum ignorante te falar que não existe racismo contra brancos, mostre este texto para ele. Não vai adiantar, certamente ele vai arrumar argumentos para “competir” no sofrimento e mostrar que sua causa é melhor, maior ou mais válida. Ninguém quer perder a “intocabilidade”, a constante carta na manga do racismo para ser usada quando for contrariado ou quiser algo que não conseguiu pelas vias normais. Os “lacradores” são assim, fazem uma ginástica argumentativa para sustentar seu ponto em vez de refletir e tentar melhorar. Mas, mesmo assim mostre, pode ser que um dia amadureçam e saiam desse casulo de auto-piedade e oportunismo. Faça sua parte para tentar elevar essas mentes monotemáticas.

E aos ruivos, meu mais absoluto respeito. Mantiveram-se dignos durante todos esses séculos, sem cultuar raiva ou revanchismo daqueles que os oprimiram. Quem não tem alma é quem julga outro ser humano pela cor do cabelo.

Para criar vergonha e se comportar como um adulto em vez de um lacrador, para compartilhar experiências de preconceito contra ruivos ou ainda para dizer que quer feriado do Ruivo dos Palmares: deixe seu comentário

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Comentários (88)

  • Cara Amei seu texto é que nem aquela história que só as negras eram estrupadas na época da escravidão Mas se engane lá pela segunda guerra mundial
    Os soldados estrupavam tanto mulheres brancas e negras mantendo entre 8 anos a 80 anos então quando se fala de racismo contra branco também acredito que exista

    Na verdade hoje em dia ninguém respeita mais ninguém

    Eu sofri bullying de uma mulher negra falando de mim me atancando e se eu me defende-se seria racísmo essa história têm que ser aceita por todos assim como existem as vezes preconceito do próprio país com turistas quando chegam no Brasil

  • Acho só importante lembrar que as informações se refere ao preconceito diretamente contra ruivos, o início deu a entender que existe racismo diretamente contra brancos e que viria por parte dos negros.
    As informações que o texto traz são muito interessantes, mas você deve tomar cuidado para não banalizar o termo.
    De acordo com o dicionário Racismo é um sistema de hierarquia ou extremo preconceito baseado em condições biológicas/étnicas/raciais.
    Felizmente os ruivos (atualmente) não são mais vítimas de um sistema de hierarquia racial, mas ainda existem casos de extremo preconceito (Racismo), só que esses são bem específicos.
    Infelizmente talvez o mesmo não possa ser dito aplicado a pele mais escura.
    Realmente preconceito todo mundo é suscetível a sofrer, Racismo, não.

    • Existe racismo contra ruivos hoje vindo diretamente de negros em alguns locais. Posso falar de um deles, no qual morei e vi isso acontecer sistematicamente: Salvador.

  • Supondo-se que as informações sejam fidedignas (estão sem fonte, mas tolera-se), por que não cogitar da projeção histórica dos fatos? Por que tolher de antemão as perspectivas reivindicatórias dos negros?
    No Brasil, conforme já admitido, a escravidão de negros é o fato histórico mais relevante, ao menos em termos de consequências para a estratificação social posterior. É revanchismo requerer do Estado discriminação positiva por ter seu destino traçado de antemão pela sua cor?
    Não nego o argumento central do texto, mas suas consequências servem de suporte para justificar a continuidade de um sistema excludente por critério inidôneo.

      • Do ponto de vista da história brasileira contemporânea, sim.
        No mais, escravidão negra é tão antiga quanto a perseguição aos ruivos, provavelmente. É só ler a análise do Hitchens sobre passagens bíblicas racistas.
        E, sinceramente, sua arrogância é tanta que não consegue nem responder aos argumentos?

        • Arrogante é tomar sua opinião como verdade absoluta, sua afirmação é absurda.

          Não existem vítimas. Se você não vê isso hoje, não tenho interesse em conversar com você.

  • Parabenizo pelo texto. Sobre a família ruiva de Newcastle, eles sofreram perseguição por pessoas brancas!! Acredito eu. Nesse caso seria racismo ou inveja? Sei que para amar uma pessoa é o coração que escolhe mas poderia ter grupos de pessoas ruivas no Facebook para se conhecerem e formar famílias e assim povoar mais um bairro, cidade e o país. Abçs

  • Acredito que os Brancos deveriam exigir ser chamados de Eurodescendentes nos dias de hoje!

    1. Eurodescendente
    Significado de Eurodescendente Por Dicionário inFormal (SP) em 01-06-2015

    Termo dado à pessoas de ascendência europeia, ou descendentes de origem europeia. (Plural: eurodescendentes)

    A pessoa, seja homem ou mulher, que tem ascendência europeia, ou é descendente de origem europeia, é chamada de eurodescendente. Também designa às pessoas de pele branca.
    http://www.dicionarioinformal.com.br/eurodescendente/

    Este site…

    **Sou a favor da igualdade, no entanto contra essa ideia atual de criar discurso de odio contra Eurodescendentes.

    • Mario, vou te dar um conselho para a vida: não divulgue idiotas. Quando você divulga idiotas, possibilita que outros idiotas se juntem a eles e, em vez de criticá-los, lhes dá força. Deixe idiotas morrerem na escuridão. Divulgue coisas boas e pessoas boas.

  • O preconceito contra branco é uma realidade. Meu pai que é branco sofreu preconceito de um negro em um banco e eu sofri na escola por ser branca também e sofri justamente de duas meninas negras.
    Não precisa nada disso, tão desnecessário, em quanto as pessoas não evoluírem mentalmente o mundo nunca irá melhorar.
    Os judeus sofreram e sofrem bastante também e a muito mais tempo que outras etnias. Os Árabes e até mesmo latinos sofrem preconceito. Não tem motivo para vitimização.

    • Ana, judeus não sofrem há muito mais tempo que outras etnias, isso não é verdade. E judeus, via de regra, se vitimizam que dói na alma…

  • Agradeço o texto, vai servir de ajuda contra umas pessoas ignorantes por aí. Que tal fazer um artigo sobre o preconceito contra asiáticos (brancos também, que incrível né)? Que eu saiba teve início bem cedo também, não estudei sobre isso mas gostaria de ler e entender tudo o que ocorreu, já que sou desta etnia.

  • Adorei o texto! Precisava de mais argumentos históricos para falar sobre o “Racismo” em meu Projeto (conclusão de curso). Gostei dos argumentos sobre os escravos brancos, vou pesquisar mais. Obrigadooo!

  • Eu que nem sou ruiva já passei por um sufoco no ensino fundamental. Sério, tinha umas barangas de uma série acima que tiraram não dei de onde que eu era ruiva, sendo que sou loira. As barangas mais velhas tinham muita invejo do meu cabelo supostamente ruivo, acho que queriam ser como eu. Uma vez eu tava voltando pra casa e elas me puxaram pela mochila e começaram a puxar meu cabelo. Agora a gente não pode nem ser LOIRA em paz que pode aparecer umas esquizofrênicas de cabelo ruim enxergando ruivo onde não tem e até mesmo agredir.

  • Achei que teria zilhoes de comentários raivosos te chamando de racista, negrofobista, todos os ista possíveis e imaginaveis e não vi. Voces estão retendo os comentários a lá “o lado negro da gravidez ” ou o povo evoluiu ?

    • Teve uns xingamentos gratuitos sem argumento que eu não aprovei não. Se quiser xingar E argumentar, tá tranquilo, mas só xingar não rola.

  • por incrível que pareça, já presenciei um parente meu, que é branco, ser hostilizado por pessoas de pele escura. se pararmos para pensar, pessoas brancas são minoria no mundo, mas são mais ricos que outros grupos. talvez a raiva venha do fato de brancos deterem mais riquezas. ou talvez seja só complexo de inferioridade mesmo. mas o racismo contra brancos existe sim!

    • O que se alega é: discriminação é preconceito são coisas diferentes. Branco não sofreria racismo pois isso requer opressão histórica, hierarquia e outras coisas. Só que vários grupos sofreram tudo isso é muito mais… Não é exclusividade de negros

  • Impressionante como aprendo aqui. Não sabia dessas informações, tampouco que ruivos sofrem preconceitos. Obrigado pelo empenho, Sally!

  • Esse texto me fez lembrar uma postagem do Ei, Você! em que uma das perguntas era se um cadeirante podia fazer maldades.

    Em alguns fóruns ou plataformas, a coisa já chegou num ponto em que meramente sugerir que negros podem ser racistas (ou, que caralhos, que possam ter más intenções) é considerado racismo e passível de banimento. E é revoltante ver como a noção de que ser branco já lhe coloca em uma espécie de dívida histórica com negros, ou que ser branco é garantia de ter trocentos privilégios e uma estrada limpa de obstáculos em direção ao sucesso financeiro, educacional e familiar.

    Aí você vê gente nesses programas policiais reclamando que a polícia matou o fulano só porque ele era negro, aí procuram a foto mais decente do sujeito pra estampar a reportagem e lá está ele com o corte de cabelo cascão, colar, tatuagem de palhaço, óculos estilo olho-de-mosca da Oakley e fazendo aqueles sinais de gangue.

  • Penso que qlq grupo está sujeito a discriminação/opressão, mas falando em Brasil não creio que exista situação semelhante. Mas vou repensar meus conceitos sobre.
    Tem circulado um video de negros no EUA maltratando um branco que tbm era deficiente mental e um conhecido que morou lá me disse que há bairros em que famílias brancas não são bem vindas.
    Acho que assim como os judeus ´pegaram´ o holocausto pra eles os negros querem ´pegar´ o racismo pra si, e parecerem estar conseguindo.

    • Logicamente a incidência de racismo contra ruivos no Brasil é mínimo, já que a incidência de ruivos no Brasil é quase inexistente. Mas isso não quer dizer que racismo contra brancos nunca exista em lugar nenhum. Negar a possibilidade de racismo contra brancos é absurdo.

      • Me refiro a brancos de modo geral, entre um cara branco e um negro o negro vai ser olhado com desconfiança neste caso por construção social mesmo. Youtube cheio de videos mostrando situações assim de entrar no banco , pedir uma informação ou tentar abrir o próprio carro geralmente para o negro sempre acaba em policia.

        • Mas de forma alguma eu nego a existência de racismo contra negros, o objetivo do texto é dizer que opressão e racismo não é monopólio deles.

          • Não achei em momento algum que o texto nega a existência de racismo contra negros, desculpe se o comentário deixou essa impressão.

          • O que a Sissy falou e gostaria de complementar é que a situação não se aplica no Brasil, e também tem o ponto de momento histórico. A perseguição à ruivos ainda tem resquícios em outros países, mas num geral perdeu forças a partir do século XVII, a escravidão no Brasil terminou no século XIX, não precisa de muita análise pra perceber que ainda estamos no período aonde esse histórico tem e ainda levará um tempo para deixar de ter grande influência na sociedade atual brasileira.

  • eu amo ruivas

    ruivas sao lindas e sao fofas com aquelas sardas

    mesmo quando vao envelhecendo, continuam bonitas, é algo mágico

    sobre ruivas no oscar, julianne moore mandou um abraço

    ruivos são ok. a maioria dos irlandeses sao ruivos. a maioria dos irlandeses bebe, briga e faz fanfarronice. eu me daria bem com irlandeses.

    • Sim, alguns ganharam Nicole Kiedman também. Negros também ganharam Oscar e isso não os impediu de fazer um escândalo ano passado pois se comparavam com branco e achavam que ganhavam pouco. Imagina se ruivo for fazer essa comparação!

  • Esse pessoal pseudo engajado-tolerante vive falando “Vai estudar história” pra quem expõe argumentos contrários. Pois bem, aí está.

      • Mas sabe, deve ter muito psicológico envolvido.
        Ficar todo dia na internet dizendo que se ama e que não precisa de traço físico X ou Y, e que os portadores desses traços são opressores reencarnações de Hitler. Sei não, isso me parece insegurança mal expressada…

  • É por isso que eu não engulo esse papinho de divida histórica, todo brasileiro tem algum antepassado que sofreu opressão ou racismo, todas as raças já foram oprimidas ou discriminadas racismo é racismo não importa quem é a vitima.

  • Os pomeranos são outro exemplo de brancos que sofrem racismo. Seus antecessores vieram de um extinto país, chamado Pomerânia. Chegaram aqui sem nada e sem saber o idioma local. Foram hostilizados e praticamente tratados como escravos.
    Hoje, se concentram em grande parte no interior, tendo como principal renda a agricultura familiar, que sabemos que exige muito esforço para pouca renda (Agricultura familiar é diferente dessas fazendas cheias de maquinários e subordinados).
    Possuem dialeto próprio, o pomerano, que é sempre comparado ao alemão. Não é incomum as crianças aprenderem o dialeto como língua nativa e o português somente na escola, prejudicando o aprendizado e inclusão dessas crianças.
    Sou descendente de pomeranos, meus tios aprenderam o português somente quando começaram a frequentar a escola, aos 10 anos, e eles que o ensinaram para meus avós. Felizmente não tive que passar por isso, mas mesmo nos dias atuais é recorrente.
    Mesmo tendo o somente o sotaque deles já fui alvo de agressões verbais, imagina o tanto que eles passam? Fora apelidos como “lemão azedo”, “lemão da grota” que são comuns.
    Mesmo assim, não vejo B.O quando um pomerano é chamado de leite, transparente, que fez algo errado só porque é da roça, ou algum “vomitaço” em uma publicação de negro dizendo o quanto é orgulhoso de ser negro. Nem correndo atrás de cotas raciais, afinal, também é um povo que chegou aqui sem nada, moram em áreas desfavoráveis, de difícil acesso (muito mais que as periferias), as vezes não possuindo sinal de telefone, água, saneamento e (pasmem) energia elétrica. (Já visitei casas que o chão era feito de bosta de vaca seca).

    Mas, brancos sofrendo racismo ou injustiça social? Me poupem, isso é invenção da burguesia!

    • Pelo que você contou, os pomeranos parecem ter sofrido bastante opressão, preconceito e oportunidades desiguais, mas ainda assim os lacradores vão negar a possibilidade de racismos. Curioso como oprimido se torna opressor assim que tem a oportunidade no Brasil. Que merda.

      obs: A raça de cães Lulu da Pomerânia vem de lá? São tão lindinhos…

  • Pois é.
    Imagine que ter uma barba ruiva também causa constrangimentos.
    Sou constantemente abordado “você pinta a barba?” (pqp…)
    E quando explico que minhas sobrancelhas são “loiras” por conta de exposição ao sol?
    É divertido ver a cara de desconfiança das pessoas. (Sim, tem uma piada pronta.)
    Enfim, sou vítima de preconceito constante, por ser alto, loiro, ter olhos azuis e ser hétero.
    Sou minoria e mereço cotas.
    Acho que vou comprar uma camisa escrito “Branco tipo A”.

  • Brancos até demais, vulgo, albinos, também sofrem preconceito, só pra citar mais um exemplo de outros grupos.

    Acho interessante reflerir nesse sentido: Formou-se uma conjuntura tal que parece que é só negro (e gay, acrescentaria) que sofre preconceito, quando na verdade qualquer grupo está sujeito à intolerância.

    • Eles são os donos do preconceito! Racismo é sinônimo de branco escrotizando preto, tanto que quando se tenta alegar o inverso eles ousam chamar de “racismo reverso” dizendo que não existe. REVERSO, ou seja, O Racismo é branco sacaneando preto. Ponto final. Falaram os donos da razão, que acham que 400 anos valem mais que 4000 anos de morte, escravidão e injustiça, só porque foi com eles.

      Fiz um Desfavor Explica sobre Albinos onde conto as barbaridades como morte e mutilação que ainda acontecem nos dias de hoje, principalmente na África. QUEM será que propaga isso? Ruivos? Acho que não, Ruivos não tem um continente só para eles, pois foram dizimados por FUCKIN´ 4 MIL ANOS!

      Perdão, me exaltei.

  • O anti-semitismo também pode ser considerado racismo contra brancos, mas que por ser definido com um termo diferente as pessoas acabam não se dando conta disso.

    • Sim, brancos que não são da “raça” desejada. Mas aí, é propagado branco x branco, o branco continua sendo opressor.

    • Judeus são uma raça por si só, e tem características diferentes dos brancos, eles mesmos só reconhecem como judeu um filho de mãe judia, não confunda judaísmo religião com a raça judaica, com o tempo vários judeus deixaram de praticar a religião de seus antepassados.

  • Bom Sally, se você vai pagar para quem mostrar um argumento racional contra o seu texto, você pode enviar o seu dinheiro pra uma pessoa chamada Ally Fogg, do The Guardian.

    Ele é ruivo, mora na Inglaterra (onde há o maior caso do “gingerismo”) e escreveu um texto sobre porquê preconceito contra ruivos é real, mas não é comparável com o racismo contra negros (ou gays).

    Não vou colocar nenhuma parte aqui pro comentário não ficar gigante, mas vou deixar o link pra quem quiser ler.

    • É REAL. Você mesmo disse. É REAL.

      Eu pago para quem apresentar um argumento dizendo que NÃO EXISTE RACISMO CONTRA BRANCO. E não vai ser uma pessoa a dizer o que foi pior ou o que foi melhor historicamente.

      Não vou quantificar sofrimento, qual foi pior, quem sofreu mais (apesar de achar que o dano de 4 mil anos de morte, tortura e escravidão é maior que o de 400). Não é a proposta deste texto dizer quem sofre mais. A proposta, como eu achei que tinha ficado claro, mas para variar, não ficou, é provar que existe racismo contra brancos.

  • De algumas coisas mencionadas no texto eu já sabia. Com outras me surpreendi. Mas te aplaudo pela coragem de escrever algo assim, Sally. Acredite ou não, já tentei tocar nessa questão de “não foram só os negros que foram escravizados” em conversas algumas vezes ao longo da vida, mas ou simplesmente não entendiam nada ou faziam “ginástica argumentativa” pra invalidar o que eu dizia…. Outra coisa: que eu saiba, os reis ruivos mais famosos foram Henrique VIII e sua filha, Elizabeth I, ambos da dinastia Tudor que se sucederam no governo da Inglaterra entre 1509 e 1603. Acho que também era ruivo o líder rebelde puritano Oliver Cromwell, que conseguiu depor a realeza e assumir para si o governo inglês e das colônias após a chamada “Revolução Gloriosa” e a guerra civil entre Cavaleiros e Cabeças Redondas. Ah! E eu mesmo tenho uns fiapos ruivos na barba – herança genética do meu avô materno -, que só me aparecem quando fico vários dias sem olhar pra uma gilete.

    • Sim, monarquia é hereditária, não eletiva, isso permitiu ruivos no poder. Porém, nem assim os ruivos estão livres de preconceito atualmente. Inclusive o Príncipe Harry sofreu diversas ameaças de grupos anti-ruivos dizendo que o matariam para que um “ginger” não chegue ao poder.

  • Uma das pouquíssimas vezes que eu (me) parecia “alcançado pelo tema” era “música” do Adnet pelo Comédia MTV – e, além de eu ter ficado sem nada lembrar da letra…

    E não era uma segregação estética, algo como “olha que feio, ele é ruivo”. No Egito antigo ruivos eram odiados e até sacrificados (muitos como oferendas à tumba de Osíris).

    ….Uma vez eu li sobre “história dos sacifícios”, porém era “arranhando a
    superfície” quanto a “vítimas em geral”…

    Vamos falar da história da família Chapman, em Newcastle? Inglaterra, supostamente um país civilizado.

    E o que mais deve estar disponível com este sobrenome ainda é…”sobre aquele tal Mark mesmo”, é claro…disgusting !

    Quase não tenho palavras…
    (…) aos ruivos, meu mais absoluto respeito.

      • Isso foi (principalmente) para mim ?

        De qualquer forma, quero “especificar” que me doeu foi em quanto até virtualmente (no quase nada que eu já acabava sabendo) os ruivos “ficavam quase invisibilizados” para meu ponto de vista

  • Bom, eu sempre fui um defensor desse seu pensamento, mas eu não sabia de boa parte desses fatos históricos relacionados aos ruivos. Terei muito mais argumentos agora após a leitura desse texto. Eu particularmente não vejo como alguém possa conseguir defender o contrário perante o apresentado. Boa sorte aos destemidos.

    Ótimo texto Sally.

  • Caraca, não fazia ideia!

    E se parar pra pensar não lembro de nenhum herói/mocinho ruivo. Já “vilões” lembro do Ruivo Herring (Scooby-Do) e do garoto Caruso (Everybody Hates Chris).

    Bem, eu adoro ruivas. E tbm adoro gengibre (como é q atribuíram esse apelido como algo depreciativo?).

    Não vejo a hora de vc escrever sobre outros grupos brancos q sofrem e/ou sofreram racismo.

    • Pensa em quantos ruivos morreram assassinados nesses 4 mil anos. Não tem um holocausto ruivo, sequer tem nome. Sobre isso ninguém fala, não é cool defender ruivo. Como você disse, ruivo costuma ser vilão ou personagem merdão, tipo o Hugo do Lost. Não consigo lembrar de um personagem fodão ruivo.

      • Bom, tem o Rony (e toda a família Weasley) da série Harry Potter. Ele não é o herói, mas é um personagem muito importante na história!

        E sofre preconceito do estereótipo branco ariano de boa família da série.

        • Ok, existem negros atores, existem personagens negros e mesmo assim eles fizeram um manifesto ano passado, no Oscar, pois estava pouco comparado com brancos. Mas compare a proporção de todos com ruivos, é gritante a diferença.

    • Eu também adoro (e já adorava) umas ruivas.

      E há um livro canadense do título “Anne of Green Gables / Ana dos Cabelos Ruivos”, um clássico de lá…

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