Manterrupting?

+Quantas vezes em uma conversa informal entre amigos ou colegas de trabalho, você mulher foi interrompida por um homem? Incontáveis vezes e esse tipo de prática, chamada de Manterrupting, é considerada uma forma de violência contra mulher. Muitos acham bobagem, mas isso acontece com muita frequência e para evidenciar isso a agência BETC desenvolveu um aplicativo capaz de contar quantas vezes um homem interrompe uma fala feminina.

E antes que vocês leitoras possam dizer qualquer coisa… desfavor da semana.

SALLY

Desde sempre tenho pedras nos rins. Nunca vou esquecer quando um médico me sugeriu que baixe um aplicativo que me avisa a cada duas horas sobre a necessidade de tomar água. Eu ri na cara dele quando recebi a sugestão. Ri mesmo. Achei graça. Eu sei que tenho que tomar água, eu sei o intervalo de tempo em que tenho que tomar água, quão débil mental eu teria que ser para precisar de um aplicativo para gerenciar essa parte da minha vida?

Aplicativo eu uso para me dar algo que eu sozinha não possa fazer, como por exemplo, comparar o preço de um produto em todos os supermercados do meu bairro. Não tenho tempo para visitar cem supermercados e comparar preços. Usar aplicativo para algo que você tem plenas condições de fazer sozinho é meio que ter uma babá digital. Sou contra. Atrofia o cérebro. No dia em que o celular te faltar, você vira um mongoloide que não consegue se gerenciar.

Dito isso, vamos falar do tema de hoje. Um aplicativo chamado Woman Interrupted (Mulher Interrompida) se propõe a avisar à mulher quantas vezes ela foi interrompida por um homem. Funciona assim: você grava sua voz no aplicativo e o deixa rodando. Cada vez que uma voz com timbre grosso te interrompe, ele contabiliza. Novamente, eu ri. Eu sei quantas vezes eu sou interrompida e, se tiver um problema com isso, me posiciono na hora em vez de contabilizar em segredo para depois espalhar para o mundo e queimar a pessoa. É um problema meu com a pessoa, que se resolve com conversa, olho no olho.

A ideia desse aplicativo começou com um movimento raivoso e histérico contra o que se convencionou chamar de “Manterrupting”, um termo criado para designar o evento de um homem interrompendo uma mulher. Normal, pessoas se interrompem, e, francamente, estamos no lucro, pois geralmente é isso ou a pessoa estar olhando para o celular e nem te dar bola ou interagir com você. A grande histeria contra o Manterrupting, ou seja, a interrupção de uma mulher por um homem, começou na campanha eleitoral dos EUA, quando Trump interrompeu Hillary várias vezes causando revolta… de uma minoria. Quem é Presidente? Trumpão, O Interrompedor.

Desde então, o termo vem fazendo sucesso. Agora cada vez que um homem interrompe uma mulher ativistona, empoderada, ela acusa mesma hora sua “opressão” e grita que é Manterrupting. Manterrupting é a moda da vez. Ou seja, quando a mulher fala, o homem tem que calar a boca e ouvir calado até o final, caso contrário será alvo de uma agressão. É, meus amigos, a mesa virou. Foi-se o tempo em que a mulher tinha que ouvir calada o que o homem falava caso contrário era alvo de algum tipo de agressão verbal. Parabéns às oprimidas, que se tornaram belíssimas opressoras!

Quão pau no cu, chata e bélica uma mulher tem que ser para estar com um aplicativo rodando secretamente em seu celular, gravando conversas e contabilizando quantas vezes será interrompida, para depois jogar na cara do homem ou jogar esta informação na internet? Quão idiota ela é para não resolver a interrupção ali, na hora, dizendo o que pensa, impondo respeito no correr da conversa? Francamente, quem contabiliza interrupção está querendo é encher o saco, briga, vitimização. Muito babaca, muito babaca mesmo. É assim que vamos resolver as diferenças? Um aplicativo que contabiliza pontos? É um game show dos sexos?

A agência que criou esta porcaria alega que o fez pensando no ambiente de trabalho. Talvez em breve todo mundo que tiver voz grossa vai ter que pensar dez vezes antes de falar, pois o Judiciário já considera usar o aplicativo como prova em processos sobre assédio moral, discriminação e ambiente de trabalho hostil. Já pensou, que bacana? Você, homem, tendo uma “cota” de vezes que pode interromper uma mulher, que, uma vez ultrapassada, pode gerar protestos e processos? Já pensou que saudável viver se controlando para não interromper uma mulher? Não resolve. Quem não dá ouvidos ou discrimina, o faz com ou sem interrupção.

Mais um aplicativo estilo “Nós x Eles”, que estimula o revanchismo, a disputa, a inimizade, o policiamento do “inimigo”. Estamos bem, hein? Em vez de conversar e resolver nossas diferenças estamos contabilizando o erro do outro com um aplicativo para depois jogar na sua cara, processar, pedir indenização ou apenas denegrir a imagem do homem no ambiente de trabalho, pintando-o como opressor. Bela bosta que as mulheres estão fazendo à medida que estão adquirindo o poder. Estou envergonhada.

E, ao que tudo indica, a coisa só vai piorar. Criadores do aplicativo já estudam uma forma de que as mulheres possam jogar automaticamente na internet essa contabilidade diária de interrupções, compartilhar por whatsapp, tornar tudo bem público, de modo a que fique disponível para o mundo todo e que possam ser feitas estatísticas pelo aplicativo, do índice de interrupções hora, dia, mês, ano… Parabéns, é uma das maiores bostas feministas já defecadas.

Veja bem, não estou dizendo que é bacana homem interrompendo mulher o tempo todo, estou dizendo que esse tipo de intimidação babaca não é a solução. Muito pelo contrário, só aumenta o problema. Qualquer situação, estratégia ou postura que coloque mulheres como inimigas dos homens ou vice-versa, é contraproducente. Alimenta rancor, ódio, revanchismo. Homens calaram a boca de mulheres por anos? Sim. Mas, se esta conduta é recriminada, é no mínimo contraditório repeti-la. Homens tem que deixar de interromper compulsivamente mulheres por respeito ou educação, não por medo de terem suas interrupções contabilizadas.

Mas o importante é lacrar. O rolo compressor do lacre fará com que as feministonas compartilhem em redes sociais o numero de interrupções que sofreram, dando nome e sobrenome de quem interrompe, promovendo um linchamento moral, um massacre contra supostos opressores, conseguindo intimidação em vez de respeito. Torço pelos homens, não quero chegar a um ponto onde eles tenham medo de interromper uma mulher.

E, cá entre nós, é uma realidade científica: mulher fala pra cacete, muito mais do que o homem. Ao menos as que eu conheço, não tem o menor poder de síntese, matraqueiam, falam, falam, falam. Se você quer falar, tem que interromper. Quando era gestora de um grupo de mulheres metade do meu dia era pedido para calar a boquinha e trabalhar mais em vez de conversar. Não quero pensar o que vai ser do mundo no dia em que isso não puder mais ser dito.

Antagonismo raivoso não é a solução para nada nessa vida. Mulheres estão ridiculamente perdidas, cada vez mais perdida, à medida que assumem algum poder e protagonismo. É um vexame atrás do outro. Não compactuo, não quero, não vou participar. Anota aí: elas mesmas não vão gostar dos resultados a longo prazo. Vergonhoso.

Para dizer que basta interromper afinando a voz, para dizer que se tivesse um Man Interrupting mulher ia sair até presa ou ainda para dizer que eu estou traindo o movimento: deixe seu comentário.

SOMIR

Não precisa ignorar o fato de que mulheres sofrem mais com desrespeitos na vida cotidiana para achar a ideia desse aplicativo um desfavor. Digam o que quiserem, ainda somos bichos que se medem por potencial físico e agressividade instintivamente, modulando nossos comportamentos através dos resultados. E muitas vezes eu admito que preciso refrear um desejo de imposição sobre as mulheres por esse simples fato. Ou seja: sim, homens precisam aprender a respeitar mais as mulheres, mas o caminho não me parece ser esse vitimismo de soberba explicitado pelo aplicativo em questão.

Até porque essa noção de “manterrupting” já nasce com uma apropriação de um comportamento natural do ser humano como violência contra a mulher. As pessoas se interrompem, e cada um faz por um motivo. Eu, por exemplo, interrompo quem eu considero estar falando uma burrice ou quem parece estar fazendo um caminho desnecessariamente longo para explicar algo que eu já presumi faz tempo. Tem quem seja ansioso, tem quem seja egoísta e queira fazer seu monólogo sem interrupções, tem quem esteja tentando se impor mesmo… mas não tem necessariamente a ver com o fato de ser uma interlocutora na conversa.

Pessoas com características mais dominantes – seja por personalidade ou por necessidades pontuais – interrompem mais. Qualquer senso de superioridade ou urgência é capaz de desencadear esse processo de interrupção. E é muito importante entender essa duplicidade de motivações. Sim, quem se acha no controle de uma situação tende a interromper mais o outro para poder impor sua visão das coisas e até mesmo para demonstrar esse poder. Mas acontece entre homens e mulheres, entre homens e homens e até entre mulheres e mulheres. Pessoas se interrompem numa conversa.

Ou é uma demonstração de poder, ou é senso de urgência. Quem está com pressa ou mesmo sem saco de ouvir muito falatório precisa cortar o outro para avançar a conversa até um ponto que deseja. E é aí que precisamos falar do elefante na sala: se mulheres sentem que são muito mais interrompidas, será que esquecem que falam muito mais? MUITO mais? Quem fala mil palavras por dia vai ser mais interrompido do que quem fala cem. E numa progressão maior que o número de palavras médias: quem fala mais tende a ser menos conciso e usar o recurso da verbalização em situações de menor necessidade.

Eu sei que não é como as probabilidades realmente funcionam, mas imagine um exemplo de jogo: duas pessoas recebem um dado cada. Precisam rolar e conseguir uma sequência de três resultados iguais para vencer a disputa. A pessoa 1 rola o dado doze vezes no mesmo tempo que a pessoa 2 rola três. Quem tem mais chance de vencer nesse espaço de tempo? Apesar da probabilidade do dado ser a mesma em todos os lançamentos, o simples fato de rolar ele mais vezes aumenta as chances de encontrar o resultado em relação a outra pessoa.

Quem fala mais rola mais o dado. Vai ser mais interrompido simplesmente porque deu mais chances de receber o tratamento de superioridade ou urgência do interlocutor. Mulheres falaram mais não é uma crítica ou um elogio, é uma simples constatação da realidade. Evidente que na média mulheres vão perceber mais ocasiões de interrupção que homens. E se o argumento for que com o mesmo número de palavras diárias mulheres ainda são mais interrompidas que homens (e com certeza não tem fonte nenhuma para basear isso), cuidado: há todo um contexto histórico de homens sendo mais concisos que influencia a percepção das pessoas. Inclusive mulheres.

Mulheres também se interrompem. Eu não lembro de escutar duas mulheres conversando com esse tipo de respeito pelo término da frase alheia. Aliás, eu não me lembro de nenhuma situação onde seres humanos evitam completamente o hábito de cortar o outro durante uma conversa. O que eu noto sim é que quando um homem toma a palavra, tende a ser ouvido até o final, mas não porque todos o respeitam, e sim porque via de regra ele vai acabar rápido. Gente sem poder de síntese acaba interrompida de qualquer forma, independentemente do sexo. Homens que matraqueiam recebem tratamento parecido com mulheres que falam demais.

Ridículo querer transformar isso numa questão de opressão da mulher sem considerar todas as variáveis da comunicação humana. Com certeza mesmo sendo mais interrompidas mulheres acabam falando mais que homens na média. E nem sempre alguém é interrompido porque a outra pessoa quer mostrar poder, na maioria das vezes alguém achou que aquela informação não era importante na conversa, ou mesmo ficou empolgada com o tema proposto e quer participar logo. Não se esqueçam que algumas interrupções são bacanas: eu mesmo adoro quando me cortam para “acelerar” o processo criativo. Quer dizer que a pessoa te entendeu tão rápido e está tão animada para continuar o papo que nem precisou esperar a frase acabar.

Sempre vai ter gente babaca que te interrompe para te colocar pra baixo ou para se impor por insegurança pessoal, mas até parece que só homem que faz isso. Essa cagação de regras sobre o que é violência contra a mulher só está servindo para emputecer os homens e confundir as mulheres. Se alguém te interromper e você não gostar, lide com isso. Porque pode vir de qualquer um… não só de homens que querem te oprimir. Podem até cacetar os homens até eles não quererem mais interromper as mulheres, mas podem ter certeza que eles vão dar ainda menos atenção para o que elas dizem. Sem contar o fato que mulheres vão continuar se interrompendo normalmente, talvez até piorando umas com as outras em compensação.

Essa mentalidade de vítima só atrapalha as mulheres.

Para dizer que prefere escrever porque não conseguem te interromper, para dizer que todos são obrigados a te ouvir porque você é especial assim, ou mesmo para dizer que vai criar um aplicativo para interromper o funcionamento desse: somir@desfavor.com

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Comentários (13)

  • …última (que por um erro de julgamento meu) passou por aqui, deixava comentários que às vezes tinham o tamanho de duas páginas de um arquivo de texto.” Sally, quem era? Fiquei curioso.

    Minha duvida é a seguinte: como o aplicativo reconhece que é um homem que esta falando? E se for aquelas mulheres fumantes que tem voz de ” preto velho”? É cada uma que me aparece…

      • Caraca! Isto é inacreditável! Comentários fechados no Desfavor em Fevereiro do ano passado!!! Perdi o babado.

        Obrigado DSVS! Me atualizou. Acabei de ler o post indicado, mas em respeito às regras, decidi não entrar no mérito da “crise”. Eu…não sei o quefalar. Prefiro nao falar. Caramba! E alguem vai dizer : ” É melhor mesmo que não fale.”

  • “Mulheres também se interrompem.”

    Fim (mas disso as ~manxs~ não falam, né?)

    Batem no peito pra falar que não são “sexo frágil”, mas vão baixar um aplicativo inútil desses pra contar quantas vezes por dia um cara as interrompe pra depois fazer textão vitimista/chorão no “feisse”. Mais um monte de merda que saiu da “empoderalândia”. Tinha que ser….

  • Sou mulher e falo pouco. No meu círculo de amizades, nunca sou interrompida por amigos. Em compensação, as amigas… Sempre tem aquelas que precisam ser o centro das atenções o tempo todo, ou que não aprenderam a escutar o outro.
    No trabalho não lembro de casos com esta motivação de poder, se ocorrem interrupções são muito pontuais e relacionadas à dinâmica da discussão (mas naquelas, às vezes presente alguma mulher tagarelando demais). Acho que o pessoal é profissionalmente mais adequado.
    Em compensação, recentemente conheci um homem tagarela que não calava a boca, contando toda a sua vida. Eu sou cheia de dedos pra interromper alguém, fico com receio de magoar a pessoa. Fico lá sofrendo, precisando ir embora e zonza de tanto ouvir. Quer dizer que agora as empoderadas me dão aval pra interromper caras assim? E sobre interromper as amigas, o que as empoderadas orientam?
    Triste constatar dia após dia no que o feminismo está se tornando. Essa história de oprimido se tornar opressor e guerra dos sexos está acabando com o real sentido do movimento. Dizer-se feminista já começa a depor contra você.
    Vamos fazer um bolão de quantos processos Faustão vai levar? E os repórteres entrevistando matraqueiros ao vivo na televisão?
    (nisso Danilo Gentili vai escapar, já que tem voz mais fina – aliás, isso não é preconceito com homens de voz fina?)
    Tantas perguntas…

    • Certamente Danilo e Andreson Silva não serão denunciados por este aplicativo. Talvez, em um futuro, o programa do Danilo seja o único que ainda possamos assistir, graças a esse benefício!

  • Se derem tempo limite pra mulher concluir o raciocínio, beleza. Passou de um minuto falando ininterruptamente, pode interromper. É diálogo, não é palestra. Ninguém merece gente prolixa.

    • Você acha que alguma feminista alguma vez vai admitir ou reconhecer que é chata? Não vai acontecer. A última (que por um erro de julgamento meu) passou por aqui, deixava comentários que às vezes tinham o tamanho de duas páginas de um arquivo de texto.

  • eu acho que o ocidente está tão escasso de problemas (na média, e comparando com outros lugares) que o pessoal inventa um monte de merda pra reclamar e preencher o vazio interior de suas vidas classe média.

    • Escasso? Pessoas morrem de fome no Brasil. De fome, de falta de atendimento médico, de violência. Somos um dos maiores índices por mortes violentas, mortes no trânsito e de violência e estupro. Uma taxa altíssima de analfabetismo, índices de desemprego galopantes, metade da população não tem esgoto. Temos o maior escândalo de corrupção da história, não apenas da história do Brasil, como do mundo. Temos problemas ambientais, um Judiciário ineficiente e um sistema de voto popular corrupto. Sério mesmo que você acha que faltam problemas? Eu acho que o que falta são prioridades.

    • Num Canadá/EUA/Europa da vida pode até ser, mas mulherzinha dar prioridade pra uma coisas dessas aqui no Brasil (que tem TODOS os problemas e mais um pouco, como a Sally já disse) tem que ser muito ordinária ou não fazer nada de útil da própria vida.

      • É algo que pode ser resolvido na hora, se impondo, conversando ou até interrompendo de volta. Não vejo motivo para fazer disso um evento com aplicativo, só complica e piora as coisas.

    • Classe Média Baixa

      Escasso ?!

      Tenta saber o que há de pior (e específico) na América Central e na Baixada Fluminense / RJ, “só pra começar” (!)…

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