As pedras do meu caminho – Parte 15

CAPÍTULO 28 – O SURTO: CACO DE VIDRO E CORTE NO PESCOÇO

Eu gosto que o título de cada capítulo é excessivamente explicativo. Se a Sonia Abrão tivesse escrito o roteiro do filme “Sexto Sentido” o filme se chamaria “O menino que vê o Bruce Willis morto”. Eu sei que o público deste livro é, como posso dizer… eclético. Mas porra, gente, não tem necessidade desses títulos-spoiler.

Deste ponto do livro em diante, vocês terão duas narrativas: uma da Sonia Abrão e outra minha, uma vez que, na data dos fatos (outubro de 2009) o Desfavor já existia e tudo foi devidamente coberto por mim, desta forma imparcial e ponderada que vocês conhecem. O curioso é que as versões não batem. Mistério…

No capítulo anterior paramos com um Pilha nervoso, estressado e alterado, pois a Biscate de 50 não o deixava ver seu filho. Sua mãe e sua ex brigavam e decidiam tudo sem ele. Fragilizado, Pilha foi até a casa da avó e, sem muita memória do que aconteceu, pegou um vaso de cristal, o quebrou e correu para se trancar no elevador levando alguns cacos consigo.

Entrou no elevador, se trancou lá e ficou berrando, o que alarmou os vizinhos. O escândalo foi de tal proporção que chamaram a polícia. Primeiro chamou pela avó, que, do quinto andar, ouviu os berros. Depois, Pilha gritou chamando por Dona Sylvia: “EU QUERO A MINHA MÃE!”. Yolanda imediatamente ligou para ela e ouviu uma resposta curta e grossa: “Não vou! O problema é dele!”. Ignorado, ele fez do próprio pescoço um sashimi.

Dona Sylvia tenta explicar tamanha filhadaputez: “O porteiro do prédio da minha mãe já tinha me avisado que o Rafael estava lá, nervoso, com um caco de vidro na mão. Disse também que a polícia já tinha chegado e perguntou se eu não podia descer para ajudar. Então eu respondi: ‘O que vocês querem que eu faça? A polícia já não está aí? O Corpo de Bombeiros não está aí? Se eu for ele vai me ver e começar a fazer chantagem comigo. Não é a coisa certa a se fazer. Acho que a polícia e os bombeiros vão resolver o problema”. Senhoras e Senhores, esta é Dona Sylvia.

Pensa que Dona Sylvia refletiu e se arrependeu? Na na ni na não! Ela conta que orou pelo filho, ligou para o hospital e para o psiquiatra dele informando que Pilhão tava tendo um siricotico: “Essas providências foram muito mais importantes do que atender aos gritos dele”. Foi. Foi sim. Dona Sylvia quando vê uma cobra não mata nem corre, ela liga para o hospital pedindo para reservar um soro antiofídico para mais tarde. Tá de parabéns, hein?

Pilha ficou dando escândalo por uns 40 minutos, até que cansou da situação e resolveu que era hora do grand finale: enfiou o caco de vidro com tudo na garganta enquanto gritava, pedia perdão ao filho, pedia perdão a Deus e dizia coisas como “Eu sei que eu vou para o inferno, mas não tô ligando para nada. Eu só quero morrer, só quero morrer! Se eu não tenho coragem de dar um tiro na minha cabeça, enfiar este vidro no meu pescoço eu consigo, já consegui”.

Nessa hora, a polícia viu que não havia mais nada a perder e tentou invadir o elevador. Quando Pilha viu que estavam indo resgatá-lo, travou a porta, para não deixar ninguém entrar. O policial, muito sem noção, apontou uma arma para ele, mandando que se afaste. Ora, se tem uma pessoa na intenção de se matar, a última coisa que intimida ela é uma arma apontada para sua direção, né? E, sabemos, nada intimida o Pilha. Quando viu a arma, gritou mais ainda: “Atira! Atira! Acaba logo com isso, pelo amor de Deus!”. Policiais se aproximaram e falaram que ele tinha que abrir a porta, pois estava perdendo muito sangue, sua cor estava mudando e que se continuasse assim ele ia morrer. Pilha olhou (certeza que foi com aquele olhar desafiador e cara de “ninguém me manda”), pegou o caco de vidro e enfiou no outro lado do pescoço, abrindo mais um rasgo.

Todos ficaram desesperados. Ele estava perdendo muito sangue, morreria em questão de minutos. Pilha conta que lembrou do filho e do quanto o filho precisava dele, e, no último segundo, desistiu. Perguntou aos policiais: “Vocês vão me machucar?” e eles responderam “Não, a gente só vai cuidar de você”. Pilha soltou o caco de vidro que ainda segurava na mão e permitiu a entrada dos policiais no elevador. Socorreram como dava e o levaram para a ambulância. Ele chegou muito perto de morrer.

O evento, até segunda ordem, era segredo. Mas o porteiro, desobedecendo ordens da polícia, ligou para Dona Yolanda e disse que o Pilha tinha tentado se matar no elevador. Quase foi preso por isso. Como se adiantasse, nesse dia várias emissoras exibiam imagens desse resgate. Nada é privado quando falamos do Pilha, seu carisma, seu brilho, seu apelo ofuscam tudo e até quando ele peida vira notícia de sucesso.

Na ambulância, o coração do nosso herói parou de bater. Tiveram que ressuscitá-lo umas três ou quatro vezes, segundo relato no livro. Pilha > Jesus Cristo. Não pensem vocês que foi um cortezinho emo de quem quer chamar a atenção, Pilha fez o Baraka e fatiou seriamente o próprio pescoço: teve que levar cerca de 50 pontos. E ele fez tudo de cara limpa, os exames toxicológicos feitos no hospital tiveram resultado negativo.

O médico dele diagnosticou um surto psicótico em função dos traumas dos últimos tempos. Quando Pilha finalmente abriu os olhos, viu os médicos e sua mãe de pé ao lado de sua cama ele conta o que sentiu: “Tô vivo. Foi a pior sensação que já tive. Fiquei arrasado por ter escapado com vida daquele elevador”

Agora vamos confrontar o que cobrimos na época com a versão da biografia original. Os textos estão no mês de outubro de 2009, pode usar nosso buscador que você encontra uns 7 ou 8 plantões sobre o evento, um deles com uma simulação ilustrada do suicídio do Pilha. Segue um texto como indicador.

A primeira pergunta que não quer calar é: onde está o garfo? Na nossa versão, Pilha estava com um caco de vidro em uma mão e um fuckin´garfo na outra, como Plano B. O garfo era backup de suicídio. Pilha ia fazer tipo um suicídio mediúnico. O garfo, parte interessantíssima da história e gerador de piadas eternas, foi totalmente apagado da história. Não permitirei que tirem o protagonismo do garfo!

Lembramos muito bem de uma entrevista que o Pilha deu para a Sonia Abrão, na qual ele não estava muito normalzinho. Parecia encharcado de remédios e ainda mais sincero que o original. No meio das muitas barbaridades que disse, afirmou que parou de tomar seus remédios pois vinha experimentando um efeito colateral desagradável. Ele começou fino, chamando de “complicações sexuais”, mas depois arregaçou e fechou com a então sempre lembrada frase que reforçava sua determinação em voltara tomar os remédios sempre: “melhor ficar broxa do que ficar louco”.

Muita mágoa da Sonia Abrão, que deveria protegê-lo por ser madrinha dele, deixando que ele se exponha assim. Como pode alguém que filmou e editou uma entrevista onde vai para o ar a frase “melhor ficar broxa do que maluco” dita por seu afilhado querer sequer insinuar que se importa com ele? Pilha todo fragilizado, carequinha, parecendo um personagem do jogo Worms e ela lá, dando um microfone para este pequeno cérebro encharcado de antidepressivos, sem qualquer filtro! Agora quer reescrever a história e tirar o protagonismo do garfo. O garfo não será esquecido!

Em 2009 o psiquiatra dele foi a público dizer que o corte não era nada de mais, que era um corte pequeno para chamar a atenção. Olha a vocação que esta família tem para contratar Leôncios! É claro que foi um corte enorme, dá para ver uma cicatriz enorme no pescoço dele hoje em dia! Só não sei se esse corte foi via caco de vidro ou garfo. Onde está o garfo? Por qual motivo não se fala do garfo no livro? O povo quer saber! Na época ninguém questionou o garfo, por qual motivo estão reescrevendo a história? #VemPraRua

Em julho tem mais.

Para dizer que o próximo capítulo vai ser o mais divertido, para dizer que Pilha na verdade tinha incorporado o Dr. Fritz ou ainda para dizer que esse incidente foi duplamente lamentável, pois minou sua carreira política: sally@desfavor.com

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