O tema de liberação das drogas sempre gerou polêmicas, e muito embora Sally e Somir tenham opiniões parecidas sobre o tema (não liberar), os motivos pelos quais as têm diferem o suficiente para gerar uma nova polêmica aqui. Os impopulares dão sua dose.

Tema de hoje: Se você pudesse escolher apenas uma droga ilícita para ser legalizada, qual seria?

SOMIR

Com certeza anfetamina e derivadas. Eu entendo a lógica que a Sally vai defender, mas eu acredito que já que é pra errar, que seja um erro produtivo. Não sou favorável à liberação de nenhuma droga específica, afinal, ou estão liberadas ou não estão. Um Estado sem política unificada no tema é um Estado que não cuida nem da liberdade nem do bem-estar de seu povo. Na dúvida, escolha uma e siga em frente. Mas, tergiverso… o ponto aqui é que nessa política cagada de liberar uma e deixar as outras proibidas, qual seria mais útil para a sociedade.

Muito por isso escolho anfetaminas. Proibida entre outras coisas pelo potencial de viciar, a anfetamina é um acelerador do corpo humano, com todas as vantagens e desvantagens oriundas disso. Como eu estou seguindo o caminho de liberar algo que tenha um benefício mínimo relacionado ao seu custo, obviamente não escolhi a maconha. Afinal, o ser humano não precisa de ajuda para subutilizar seu cérebro e ser um vagabundo.

Agora, pra trabalhar melhor, ter mais concentração e principalmente para emagrecer num mundo vivendo uma epidemia gigantesca de obesidade, com certeza a humanidade precisa de uma mãozinha. Claro que disciplina resolve todos esses problemas sem efeitos colaterais, mas vamos ser honestos… se disciplina fosse minimamente comum, o mundo seria completamente diferente do que é. Então, se vamos drogar a humanidade com outra coisa liberada além de álcool e nicotina, mandemos ver na anfetamina. Quero ver mais gente ligada no 220, sem dormir e perdendo peso.

Até entendo que essa gente já tem excesso de energia desperdiçável no dia a dia, pela falta de exercício cerebral, mas drogas desse tipo dariam uma carga extra tão poderosa que o brasileiro médio teria que usar um pouco dela até mesmo no trabalho. Sem contar que anfetamina te deixa mais atento e incomodado com pequenos problemas. Imagina só essa gente bronzeada mostrando seu valor com um grau de atenção e chatice minimamente razoáveis? Eu gosto de imaginar uma sociedade onde as pessoas estão tão pilhadas que vão começar a reclamar da qualidade bisonha dos serviços prestados.

E o melhor, a anfetamina teria o potencial de selecionar a população: por não ser terrivelmente mortal, só sofreriam de verdade aqueles que não tivessem controle nenhum do uso. Gente que deixaria seu coração explodir por falta de noção, gente estúpida assumindo riscos assassinos por excesso de energia… e aqueles que prestam um pouco mais, trabalhariam mais e ficariam mais magros. O que pode dar errado?

Sem contar que num grau mínimo de bom senso, a anfetamina é controlável e “largável”. Não vai matar geral nem transformar um mundo num cosplay de The Walking Dead, vai eliminar os elos fracos evolutivos e dar mais energia para essa gentalha que torra toda que tem atualmente rebolando. Cultura de drogas não é algo a se almejar numa sociedade saudável, mas pensemos em culturas de drogas estimulantes e de drogas relaxantes: a diferença entre Wall Street e a Jamaica, por exemplo. Um desses lugares prosperou e manda no outro atualmente.

Muito se engana quem acha que rebolar no Carnaval é ter disposição, a verdadeira mola motriz da humanidade são mentes inquietas com muita necessidade de estímulo e muita disposição para buscá-lo. Mesmo que a droga liberada atinja apenas uma fração da população com esse impulso cerebral maior, já é o suficiente para melhorar a qualidade de vida de muita gente. E vamos ser honestos: o mundo está gordo demais! Não custa nada baixar um pouco a fome e aumentar o consumo médio de calorias desse povo. O custo que teríamos cuidando dos viciados em anfetamina seria pequeno diante da economia de gastos com doenças relacionadas à obesidade.

Não, não estou dizendo que eu defenderia a liberação de uma droga dessas sem a obrigação gerada pela pergunta do texto de hoje, mas faz muito bem ser capaz de analisar a situação perdida e ainda sim tentar tirar o melhor dela.

Na dúvida, estimule o BM.

Para dizer que eu só quero evitar a academia, para dizer que eu ando precisando de várias doses, ou mesmo para dizer que só assim para aguentar os meus textos nerds: somir@desfavor.com

SALLY

Se você pudesse escolher apenas uma droga ilícita para ser legalizada, qual seria?

A que mate mais e mais rápido. Geraria um certo caos social no começo, mas depois a coisa se autorregularia. A droga mais nociva atende aos meus propósitos, que explicarei até o final deste texto.

Uma droga extremamente nociva, que trouxesse caos para a sociedade, obrigaria o Poder Público a adotar medidas para lidar com ela: programas preventivos sérios para o uso desta droga, aumento de pena para crimes cometidos sob efeito dela, programa de saúde para tratamento dos usuários, etc. Vejam o que aconteceu com a vilanização do cigarro: hoje é muito mal visto fumar e todo mundo sabe dos efeitos nocivos que o cigarro provoca. Então, certamente não teríamos jovens desavisados experimentando uma droga sem saber as consequências dela.

Se a pessoa quer ser Zé Ruela de usar uma coisa que é de conhecimento público que mata ou faz muito mal à saúde, bem, que morra logo antes que passe seus genes idiotas adiante. Salve Darwin! Em um processo de semi-seleção natural, esta medida eliminaria os propensos a vícios, e, acredito eu, melhoraria a raça humana. Sim, pode me chamar de Hitler, eu não me importo. Acho viciados os elos mais fracos da corrente e acredito que a humanidade fique melhor sem eles.

Manter e tratar um viciado custa caro para a sociedade, e não me refiro apenas aos gastos diretos com sua saúde. Eles impactam na segurança pública, em campanhas preventivas e em diversos outros aspectos. Então, quanto menos esse viciado viver e quanto mais ostensiva e chocante for a sua morte, melhor. Liberar uma droga de pouco impacto poderia passar uma mensagem errada, de “ah, tá vendo, nem é tão ruim assim liberar drogas ilícitas”. Não, eu quero o caos social, quero medo, quero arrependimento de ter liberado, pois tenho a convicção de que o brasileiro não está pronto para lidar com entorpecentes (nem mesmo álcool).

Escolheria a droga mais nociva e avassaladora como forma de passar meu recado: o povo brasileiro é idiota, não tem responsabilidade nem maturidade para lidar com qualquer substância que altere sua percepção ou consciência. De cara limpa, por sinal, já é uma bela bosta e só faz merda. É um povo que precisa amadurecer e encontrar recreação e diversão em algo que não lhe tire a consciência e ajude a escapar da realidade. A realidade do brasileiro é uma merda e é bom que ele tenha que se confrontar com isso, assim, quem sabe, faz alguma coisa para muda-la.

Quando você tem uma rota de fuga, um atenuador, um suspiro temporário, consegue passar muito mais tempo na merda. Cervejinha de domingo ajuda a esquecer que profissionalmente a pessoa está frustrada, que não existe mais amor no casamento mas não há coragem para separar, que os filhos são uma dor de cabeça, que está devendo ou qualquer outro problema. Se não houvesse esse alívio temporário, certamente o problema se tornaria insuportável e a pessoa acabaria tomando uma atitude, pois não conseguiria viver assim muito tempo. Mas, entorpecer os sentidos é um convite para a acomodação, funciona como válvula de escape e permite que a pessoa se acomode na pior das merdas.

Por isso escolho a válvula de escape mais nociva e letal de todas, assim não é fácil nem cômodo se alienar da sua realidade. Cruel? Didático, eu diria. Educativo. Até que este povo bunda consiga sair, ir a uma festa ou a um evento e se divertir sem precisar mais nada, absolutamente nada, que não outras pessoas. Enquanto forem dependentes de entorpecer os sentidos para se divertir, não estão prontos. Eu respeito qualquer substância por lazer ou recreação, mas por dependência eu não respeito não. O corpo pode até não ser dependente, mas a socialização, a diversão e até mesmo a vida amorosa não podem estar condicionados a sentidos entorpecidos.

No dia em que todos souberem levar uma vida plena sem precisar de entorpecentes, como acontece em alguns países mais desenvolvidos, aí eu serei a favor de liberar a porra toda, como um plus. Até lá, jogo contra e quero que drogas causem caos, temor e medo. Da mesma forma que você assusta uma criança dizendo que algo muito ruim pode acontecer com ela se ela se jogar pela janela, o brasileiro precisa ser assustado sobre uso de drogas, pois não tem maturidade para fazê-lo.

Quero um X marcado na testa daqueles que não sabem fazer uso recreativo de substância ilícitas. Com drogas mais leves, isso não é possível, eles se camuflam no meio da multidão, continuam funcionais. Com drogas pesadas e nocivas ao organismo, tiramos estas pessoas de circulação rapidamente. Quem não sabe fazer uso moderado falece. Simples assim. Sobrarão aqueles que não precisam de entorpecentes como fuga ou os espertos o bastante para deixar de lado um ganho imediato, cientes de que custaria muito caro no final. Essas são as pessoas que eu quero ver povoando o país.

Além disso, viciados que morrem rápido quebram o negócio do traficante. No Rio, o paraíso do tráfico de drogas, durante muitos anos foi proibida a entrada de crack, enquanto que em São Paulo corria solto. Os traficantes fizeram um pacto e barraram a droga no Rio, pois ela mata o viciado rápido demais, comprometendo o lucro do negócio. Eu quero aumentar lucro de traficante? Não, eu quero ver traficante quebrando. E, não seja inocente, legalizar uma droga não acaba com o tráfico, pois o preço nas mãos do traficante sempre vai ser muito mais barato, por ser livre de impostos. Taí uma infinidade de produtos pirata que não me deixam mentir, mesmo sem serem proibidos, são vendidos clandestinamente.

Sei que minha escolha é um pouco cruel, mas é pensando em um bem maior, no que eu acho melhor para a sociedade e para a evolução do país, a longo prazo. Eu tenho essa mania de sempre pensar grande. Por mais que uma droga mais leve fosse melhor para mim, pois eu estaria menos sujeita aos efeitos da violência dos viciados, eu prefiro pensar grande. Passou da hora de fazer uma faxina no Brasil.

Para de fato me chamar de Hitler, para ir além em me chamar de Rilter ou ainda para concordar comigo de forma anônima pois meus argumentos são repulsivos demais para vinculá-los ao seu nome: sally@desfavor.com

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Comentários (5)

  • Fico com a Sally nessa. Soa radical, mas concordo com o que ela mesma disse ao encerrar seu texto: “passou da hora de fazer uma faxina no Brasil”. E também como a Sally, eu repudio esses cretinos que, mesmo com tanta informação disponível e com tanto exemplo diário de gente que só se fodeu por causa disso, ainda se metem a besta de consumir uma merda que, mais dia menos dia VAI inevitavelmente matá-los. Os mais sensíveis podem até ficar horrorizados comigo, mas acaba até sendo mesmo preferível que qualquer um desses imbecis “morra logo antes que passe seus genes idiotas adiante”. Afinal, não acho que no fim das contas esses mentecaptos vão fazer alguma falta e creio que a morte deles não seja lá uma grande perda pro mundo.

  • O texto da Sally parece um do Déspota e o do somir parece aquelas conversa de bar pra gente rir ou irritar alguém. Voto na liberação da anfetamina. Louca, mas magrela.

    • Também “voto pela anfetamina”…
      Principalmente, do Somir, aquela parte “Wall Street vs. Jamaica”
      parece ter ficado melhor do que possa parecer…
      …Daí seria menos difícil “surgir outra WikiLeaks vs. essa outra Wall Street”…

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