Queria ser do lar.

Eu queria estar lavando as cuecas do meu marido no tanque.

Talvez muitos de vocês (principalmente aqueles que me conhecem melhor) estejam surpresos com esta afirmação. É verdade, é de coração: eu queria estar lavando as cuecas do meu marido no tanque. Mas, em vez disso, trabalho em dois lugares diferentes, cerca de 12h por dia, vou para a academia, escrevo blog e tento me manter minimamente informada do que acontece no mundo, e, quando dá, esboço uma vida pessoal.

Estou feliz? Sim, existem diversas formas de encontrar a felicidade. Durante a vida, aprendi a não colocar todos os ovos em um cesto só. Tenho amigos, tenho o Desfavor, tenho minha dança, tenho minha família. Tenho hábitos e hobbies que me divertem e me fazem feliz. Seria esta minha primeira escolha? Não. Como eu disse, queria estar lavando as cuecas do meu marido no tanque.

Mas não dá. Obrigada, feministas, que decretaram o que é melhor para todas as mulheres. No contexto social atual, não há espaço para que uma mulher seja “do lar” em grandes metrópoles brasileiras, sem que isso seja visto de forma pejorativa. Depõe contra a mulher não querer trabalhar, querer ficar em casa cozinhando. Então, que venha o Plano B e vida que segue. Não que eu ache que tenhamos que retroceder e todas as mulheres tenham que, obrigatoriamente ser do lar. Apenas penso que uma revolução feminina onde a mulher continua “não podendo” alguma coisa (desta vez, ser do lar) é algo muito, muito, muito do mal feito.

“Mas Sally, mulheres podem ser do lar se quiserem”. Sim, da mesma forma que décadas atrás mulheres poderiam usar uma saia curta: faz quem quer, mas paga-se um preço social muito caro por isso. Hoje, a mulher jovem que faz a opção de vida de ser do lar é, no mínimo, considerada uma medíocre e inferior intelectualmente (ênfase na palavra “opção”, pois se não for opção as pessoas guardam suas críticas por pena).

Existem infinitos argumentos para dizer que a vida da mulher melhorou com seu ingresso no mercado de trabalho. Porém, existem argumentos para refutar isso também, só que ninguém diz, ou por nunca ter pensado neles, ou por medo da presunção que eles vão gerar. Mulher tem mais liberdade agora? Será? Será mesmo? Depende do ponto de vista.

Mulheres não eram escravas da moda, da estética e do corpo como são hoje. Não tinham tantas obrigações sociais e financeiras. Não tinham tanta cobrança. Não tinham tantos problemas de saúde. Tinham mais tempo para si mesmas, levavam uma vida menos estressante e estavam muito mais presentes na criação dos seus filhos. Vejam bem, não me entendam mal, de forma alguma quero dizer que, no saldo final, seria melhor para a mulher ter nascido em 1920. É melhor agora. O que quero trazer à discussão é que no passado “do lar” havia vantagens também, vantagens que estão se perdendo nestes novos tempos, vantagens que eu gostaria de desfrutar. Ganhamos ônus novos e em troca perdemos bônus que já tínhamos.

Acho curioso o discurso de que a mulher de hoje tem “outras obrigações”, diferentes das obrigações das mulheres de antigamente. Não tem não. Nada foi suprimido, apenas acrescido. A obrigação de mãe persiste ficou mais difícil tendo que sair para trabalhar. A de esposa também, já que no geral homens são grandes bebês que precisam de supervisão e cuidados. E a de dona de casa, exceto caso de você ser uma pessoa privilegiada que paga um adultinho para fazer sua comida, lavar sua roupa e limpar sua casa, não apenas persiste como ficou quase impossível. Então, hoje, temos muito mais obrigações do que as donas de casa do passado. E bônus? Será que vieram tantos bônus quanto obrigações?

A suposta moeda de troca seria uma independência financeira, que não chegou para a maioria das mulheres. Coloquem a mão na consciência e me digam quantas mulheres vocês conhecem que teriam o mesmo padrão e qualidade de vida se não tivessem um homem colaborando no orçamento. Quantas mulheres se sustentam verdadeiramente sozinhas, sem pai, marido, irmão ou outro homem que colabore? Se tiver um filho então… Quantas mulheres divorciadas bancam a si mesmas e a seus filhos sem precisar do pai? Independência meu cu! Hoje mulher finge que tem independência financeira, pois é constrangedor assumir que não tem, mas se você olhar de perto verá que ainda estamos longe disso.

Pois é, nos entulharam de coisas a mais como obrigações e a tal independência financeira foi bem menor do que o número de afazeres que nos enfiaram. Raramente uma mulher não recebe ajuda financeira de algum homem, mesmo que não seja mais “seu” homem. Ex-maridinho ajuda a pagar o aluguel, mora no apartamento que pertence ao papai e nem aluguel paga, ganha uma casa mobiliada da família quando casa. Até para ir morar fora da casa do papai mulher ainda precisa de homem. É risível ver como elas se acham independentonas mesmo que suas contas não fechem no final do mês e tenha sempre uma ajuda vindo de algum lugar. Admitam: a maior parte das mulheres não se banca sozinha hoje, apesar de se arrebentar de trabalhar.

Em compensação, ao se arrebentar de trabalhar o ônus vem: a casa vive uma zona, os filhos são criados pela babá/avó/creche/vizinho/whatever e a mãe só vê no café da manhã e no jantar, se convencendo que final de semana basta para ser uma referência para a criança. A saúde padece, pois fica difícil comer comida caseira. O corpo se deteriora, já que com tanta coisa acontecendo é raro ter tempo de se exercitar. O casamento, no primeiro baque forte, desmorona, já que as pessoas não tem tempo ou disponibilidade emocional para construir algo profundo e duradouro. Tá justa essa troca que fizemos, amigas? Joguem pedras, não me parece. Eu queria estar lavando as cuecas do meu marido no tanque.

Mas não dá. Na verdade, para mim, não dá nem para ter marido, por esse sistema bizarro brasileiro onde para se divorciar se paga caro e se perdem muitos meses. Não, obrigada. Eu seria feliz cuidando de uma casa, cozinhando, cuidando de um marido. Mas não dá, pois isso me faria automaticamente medíocre aos olhos de todos e, por mais que repitam o mantra fodão de que pouco importa o que os outros pensam, importa sim. Vivemos em sociedade e os outros nos afetam. O olhar do outro determina muita coisa nas nossas vidas, gostemos ou não. Não pode determinar tudo, mas achar que não determina nada, bem, é inocência.

Além disso, a configuração de relacionamento moderno, quase que descartável, torna uma temeridade abandonar o mercado de trabalho para se dedicar ao lar. Se o relacionamento terminar, vai ser um sufoco se recolocar no mercado. E sim, relacionamentos terminam por qualquer merda graças a essa sociedade imediatista, fútil, a esses adultos infantilizados e cuzões, sem senso de sacrifício e mimados. Difícil encontrar uma pessoa com densidade, maturidade e profundidade o bastante para construir um alicerce sólido e conseguir dar esse passo de sair do mercado de trabalho confiando na pessoa.

Então, largar seu trabalho por um relacionamento que pode ruir em breve é se condenar a passar um belo de um perrengue financeiro no futuro. O curioso é: muitos homens sentem falta de uma mulher mais presente e que cuide deles. Homens gostam de ser provedores, homens sabem ser provedores, é um papel que desempenham desde os tempos das cavernas. Mas não houve diálogo, entendimento ou coragem para selar uma proposta onde a mulher fique no lar e, em troca, receba uma garantia de estabilidade financeira. Não pode. É mal visto. É ofensivo. E lá vamos nós sair de casa sete da manhã e voltar dez da noite, aff.

Vai ter quem diga que antes a vida da mulher era uma merda, que ela era traída pelo marido e tinha que aguentar, pois era ele o provedor da casa. Queridos, não sejam bobos. Se a mulher conquistou uma suposta independência financeira (spoiler: não conquistou), ainda não conquistou a independência emocional. O que tem de mulher levando chifre a torto e a direito e tolerando por medo de ficar sozinha ou por falta de culhões de encarar a dor que é o fim de um relacionamento. Me mostra várias mulheres como eu, beirando aos 40, sem marido e sem filhos batendo no peito e dizendo “estou feliz que na minha carteira de identidade está escrito SOLTEIRA”. Sério mesmo, me mostra, mais por motivos de: quero ser amiga delas.

Então, sim, apesar da pose de empoderadas, fodonas e independentes, mulher continua entubando chifre do marido. Só que agora se arrebenta de trabalhar também. Valeu, hein? Mulher ainda se afirma através de marido, família e filhos. Vejo mulheres aguentando bostas inimagináveis para ter essa sensação de pertinência: todo mundo casou, todo mundo teve filhos, ela também quer. Mas que porcaria de liberdade é essa que mulher jura que tem? Liberdade é poder ser o que você quiser, sem que escolhas de vida pessoais que só dizem respeito a você deponham contra você. Mulheres ainda não se sentem realizadas sem filho e sem marido, então, desculpa, não são independentes.

Se nós mulheres fôssemos independentes, poderíamos ser o que quiséssemos e fazer o que quiséssemos, inclusive estar lavando cueca de marido no tanque. Não haveria medo, problema ou constrangimento de um casal fazer esse arranjo: um ganha dinheiro o outro cuida do bem estar e qualidade de vida. Mas não pode. É condenado, é medíocre, é considerado retrocesso. Por mais que eu repita que queria estar lavando as cuecas do meu marido no tanque, se um dia o fizer, estarei sendo oprimida, apesar de ser vontade e escolha minha. Obrigada, feministas, por deturpar o conceito de feminismo e impor suas vontades às mulheres.

Se antes atendíamos ao que os homens determinavam, caminhamos para o triste destino de viver preocupadas em atender ao que o feminismo determina. Continuamos longe da independência, apenas trocamos de dono. Repito: eu queria estar lavando as cuecas do meu marido no tanque.

Para me chamar de medíocre, para dizer que jamais faria uma proposta como essa para uma mulher por medo de ofender ou ainda para decretar, em nome de todas as mulheres do mundo, que eu envergonho as mulheres: sally@desfavor.com

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63 desfavores sobre “Queria ser do lar.

Excelente texto Sally, não te conheço mas por tudo que vc ja escreveu aqui e eu ja li, eu casaria com vc rs. O mundo precisa de mais gente como vc.

Ai Sally, você não tem ideia que como fiquei feliz lendo esse texto.
Estou na faixa dos 30 anos e sou “do lar”, isso foi de comum acordo com meu marido há alguns anos atrás. Mas vez ou outra eu me sinto mal, porque apesar de ser mais feliz assim o julgamento das outras pessoas é duro.
Já fui chamada de Amélia, de oprimida, de submissa, já disseram que eu não vou poder reclamar se meu marido resolver me trair já que eu dependo dele. Mas conheço mulheres que não são donas de casa que são submissas, que apanham e que são traídas.
E o pior é que escutei essas coisas de mulheres que se dizem super feministas e a favor do direito de escolha (desde que a escolha seja igual à delas, pois se não for pode esperar o massacre). Essa foi uma das razões pelas quais me desiludi com o feminismo.
Hoje procuro não dar atenção a esse tipo de opinião, como já disse, eu sou feliz assim e meu casamento não poderia ser melhor. Ser dona de casa não é algo indigno, tem bastante trabalho envolvido. E apesar de eu não contribuir financeiramente em casa eu tenho muitas outras contribuições que ajudaram a construir uma base sólida no meu casamento. Fora eu não fico estressada e cansada de uma dupla jornada de trabalho, me iludindo que isso é ser independente. Nossa qualidade de vida melhorou, eu tenho o controle de gastos da casa, de investimentos, até os nossos exames médicos quem controla sou eu…rsrsrs.
Mas acredito que ter um marido que não seja um imbecil completo também ajude né…rsrsrrs. Disso não tenho do que reclamar.

Uma pena que uma escolha tão válida e tão bacana como cuidar da sua casa e da pessoa que você ama seja tão execrada e desvalorizada. Bom mesmo é ganhar dinheiro, né? Que sociedade de merda essa…

Atualmente sou uma dona de casa que lava as cuecas do marido e logo logo as do filho também. Confesso que não foi por opção mas estou super bem adaptada a isso. Trabalhei desde sempre mas sempre tive na cabeça que quando tivesse filhos iria parar para me dedicar a eles. As coisas não aconteceram exatamente como o planejado, fui demitida de um emprego que era muito bom, no tempo que fiquei em casa engravidei e assim não pude voltar ao mercado de trabalho e pretendo ficar assim até meu filho ter uma idade razoável para ir para escola e de preferência apenas meio período.
Meu marido tem uma empresa pequena e acabo ajudando na administração, o que me ajuda a me sentir um pouco por dentro dos negócios.
Acredito que no meu caso isso tudo foi mais fácil porque eu não tenho curso superior, logo não tem aquela pressão de ter estudado tanto e ter largado tudo pra ficar em casa.
E claro que também tem o fato do orçamento da família diminuir e termos que abrir mão de certos luxos, mas no momento, confesso que é muito melhor ser apenas dona de casa do que como era antes, trabalhar e ainda ser dona de casa.

Tem luxo maior do que você poder educar seus filhos? Me espanta quem abre mão desse luxo por merdas como iPhone e tv a cabo. Você está de parabéns, te admiro!

Como sempre, é uma reflexão sob um novo prisma, longe do senso comum. Não sei te dizer se concordo rs.

Minha vida foi sempre cercada de homens tão bosta (padrastro, ex-namorados, conhecidos, etc), que não trabalhar nunca sequer foi opção pra mim.

Seria ótimo não precisar acordar todo dia 04h30 da manhã? (Mesmo nos fins de semana, porque meu relógio biológico segue no automático rs). Seria, mas não vislumbro isso como possibilidade.

Bom mesmo seria não precisar trabalhar, ser assim herdeira, ganhadora da mega sena… casada ou solteira.

Também não vislumbro como possibilidade, mas gostaria que fosse. Hoje quem não leva dinheiro para dentro de casa é indigno.

Mãe que cuida do filho = medíocre
Mãe que trabalha o dia todo e deixa filho na creche = guerreira, batalhadora, empoderada

“mulheres como eu, beirando aos 40, sem marido e sem filhos batendo no peito e dizendo “estou feliz que na minha carteira de identidade está escrito SOLTEIRA””

(dando batidinhas no peito sorrindo)

O feminismo quer que as mulheres seja livres para decidir o quiserem, de super independente diretora de empresa a casada com filhos e sem trabalhar. É EXATAMENTE isso que ele prega.
Eu amo o desfavor, mas vejo vocês sempre dando foco a desvios errados de várias causas importantes ao invés da causa em si. Um ex., esse texto. Se alguma mulher que se diz feminista fala que a mulher não pode ser do lar e diminui as escolhas dela, ela está errada!!! Só está atrapalhando o movimento.
Sobre mulher ter o trabalho em dobro, na rua e em casa, o feminismo luta contra isso também! Que o homem tenha participação igualitária nas obrigações domésticas, na educação do filho. Que a pressão sobre as mães na educação dos filhos seja dividida pelo pai, que ele pague pensão, participe do dia a dia da criança, vá nas reuniões da escola, cheque dever de casa, lave roupa, etc.

Pressão sobre a mulher sempre existe, desde nos anos 1800 quando tinha espartilho que quebrava costela a mulheres hoje de fato retirando costela cirurgicamente para ficar com a cintura fina. Mas, acredito que as coisas tenham melhorado sim. Ainda tá uma merda, mas hoje as escolhas são reconhecidas.

Eu conheço mulheres independentes, com filho e divorciadas inclusive. Posso estar falando da minha bolha de zona sul do Rio de Janeiro? Bem possível, mas não quer dizer que não existam. O homem já nasce com inúmeras vantagens só por ter nascido homem, a cultura machista ainda permite que pessoas estejam em rede nacional falando que pedir pensão é mimimi. Que pessoas que falem que fulano assumiu o filho porque é do bem não sejam crucidadas socialmente.]

Também vejo o outro lado, tenho amigas que são casadas, sustentadas pelo marido, mas que se pudessem escolher teriam independência financeira porque odeiam trabalho doméstico. Infelizmente, não conseguem um emprego decente e acabam ficando em casa.

Quando uma maioria aplica um conceito errado, ela modifica o conceito.

Faz tempo que o conceito de feminismo é outro, certo ou errado, é a maioria que o determina.

Mulher que cria filhos na Zona Sul do Rio sem ajuda nem da família? Comprou tudo que tem apenas com seu trabalho? Você conhece?

Sally, não é uma maioria, mas as pessoas pegam uma parcela radical e divulgam isso. Aí óbvio que desvia o foco do que realmente é.
Para mim é a mesma coisa de quem acha que todo muçulmano é o ISIS.

Eu conheço sim mulheres com filhos que trabalham desde cedo, são bem sucedidas e se sustentam ou têm pensão do marido para as crianças. De onde você tirou a ideia de que mulheres não podem ganhar dinheiro e nem ser independentes?

Do fato de mulher ainda ganhar muito menos do que homem, apesar do “empoderamento”.

Qual o conceito de “se sustentar”? Para mim é NINGUÉM ajudar financeiramente, cedendo imóvel para morar, ajudando de forma material qualquer. Você conhece mulher com filhos que banque tudo sozinha?

Sou casada e ambos trabalhamos. Trabalho muito e quero crescer na empresa porque, além de outras coisas, penso na minha “aposentadoria”. Eu até poderia ficar em casa e deixar o marido trabalhando, mas e se algo acontecer? Se ele não puder mais trabalhar? E mesmo a aposentadoria de apenas uma pessoa não dá para cobrir os gastos no futuro. E retornar ao mercado de trabalho após anos sendo dona de casa não é fácil, ainda mais se a mulher fôr mais velha.
Por isso continuo na luta.

Mas se fosse um.combinado, uma coisa aceita e valorizada, você não ficaria desamparada. Entendo que o dinheiro é do casal. Eu me cito como exemplo: quando um ex meu ficou desempregado, eu depositava na conta dele metade do meu salário para ele fazer o que quisesse.

Eita! Se eu posto este texto no Facebook, as colegas feministas dos movimentos estudantis vão me execrar e depois vão até você, Sally. Por isto não vou divulgar. Chega de confusão!

Mas achei interessante seu enfoque e assino em baixo de tudo o que disse.

Eu não sabia de tanta hipocrisia.

Amo ser independente em muitos aspectos, mas to esgotada. E outra, vejo que os homens se tornaram uns marmanjos folgados com isso.

Outro dia uma amiga lésbica tava falando comigo que só lamenta ter nascido sapatão, porque queria ter a vida boa de mulherzinha machista, sustentada pelo maridão. Eu discordo, porque tanto a minha mãe quanto minha madrinha e a maoiria das mulheres que conheço, vivem reclamando que “o trabalho de casa é pior que o da rua porque é 24 horas” Então vcs bugam minha mente ou não sabem o que querem. Ninca tão satisfeitas!

Mas será que o problema não é não ter tempo prá vc? Já fui “do lar” e não tinha tempo prá mim. No final de semana trabalhava prá caramba e o maridão com os pés para cima. Hj, como trabalho, a gente divide as tarefas. E a cueca? Minha máquina lava, ué?!

Tempo = prioridade

Você que prioriza o tempo que quer gastar com você. Eu gosto de ter muito tempo para mim, por isso escolhi não ter filhos.

Vc foi obrigada a escrever esse texto? Parece um Sally Surtada Rs. Ninguém é obrigado a nada . Tudo na vida são escolhas. Ótimas escolhas as suas , inclusive, a prova disso é ter como resultado a felicidade. Acho muito bom q seja pejorativo mulher virar empregadinha da família . Ah ! A mulher não pode escolher ser do lar ? Pode, do mesmo jeito que homem tbm pode. Sendo considerado um fracassado, parasita, um merda. É um preço social muito caro? Não quer pagar, não compre. Qual a dificuldade? Escrava da moda? O q mais tem é mulher estranha na rua. Gordas, cabelos coloridos, com uniforme de puta, estilo sapatão q come viado. Acho q nunca se foi tão compreensivo com a feiura feminina

Antigamente vc casava e tinha q ficar com a criatura até a morte agora vc se livra e ainda fica com metade dos bens. Não tem bens? Bendito seja o divórcio. Tem chance de escolher melhor. Pode sim se bancar e pode até bancar um marido. Para quem gosta de tendência essa é uma moda de sucesso entre as balzacas. E se tiver alguém pra pagar as contas qual o problema? É um privilégio q não atrapalha em nada a independência, acho até q ajuda. Pare de gastar em sapatos e bolsas e verá q é possível viver com seu salário.

Felicia, o ponto do texto é mostrar que a suposta liberdade alardeada não existe. Vai bem além das minhas escolhas de vida…

Sally, eu concordo que, se nós mulheres fossemos tao independentes, nao haveria problema em ESCOLHER ser do lar. Mas, sally, me colocando na posiçao de quem fica em casa cuidando, eu fico pensando no ponto de vista do marido, tipo, acho q o proprio marido poderia soltar piadinhas, estilo “eu me mato de trabalhar e vc ai, em casa” em alguma briga, ja q muitas pessoas nao veem trabalho domestico como algo “digno” nao sei se vc entendeu o q eu quis dizer. Tbm seria chato confiar o sustento total para algo q pode se acabar e desgastar, mas talvez eu esteja tendo paranoia demais.

Sally , vc está bem ? Que esquisito.
Nem vou comentar pra não levar um fora rs.

Alô Somir … Acho q esse texto é pra vc.

Estou ótima.

Não, este texto não foi indireta para ninguém. É apenas um novo ponto de vista que não pode ser dito em público.

Que texto maravilhoso. Me fez pensar melhor sobre o assunto.
Assumo que tenho um pouco deste pensamento feminista de “jamais serei do lar” mas seu ponto de vista me fez pensar a respeito. Tenho esta ideia de que a mulher que fica em casa é submissa e que eu jamais gostaria de estar nesta posição.

E este é um pensamento muito difícil de mudar. Ano passado eu estive afastada do trabalho sem receber salário e embora meu marido tenha conseguido manter a nossa casa muito bem, eu não me sentia confortável para comprar coisas para mim, ou usar o dinheiro para cuidar de mim. Foi uma decisão que tomamos juntos e ele jamais me negou ou questionou o uso do dinheiro, mas é uma coisa minha, eu estava enlouquecendo nesta situação, tanto que pedi para voltar ao trabalho antes de terminar a minha pós.

Entretanto, de um modo geral eu estava super feliz com a “liberdade” que estava tendo. Eu tinha tempo tanto para estudar quanto para cuidar dos afazeres da casa. Se precisasse resolver algum problema numa terça-feira as 14:00 eu podia ir sem ter que pedir pra ninguém.

Eu ainda estou lutando para admitir, mas talvez eu quisesse estar em casa lavando as cuecas do marido (com um emprego de meio turno talvez).

Me incomodei por mim mesma, sentia que estava gastando um dinheiro que eu não havia ganho com meu trabalho e/ou esforço.
É um sentimento estranho, pois nós não dividimos o dinheiro em casa, ambos ganhamos quase a mesma quantia e o montante é nosso, não existe dinheiro dele e dinheiro meu.

Onde está escrito que a única forma válida de contribuição para a construção de um lar saudável e feliz é dinheiro?

R: Na sociedade moderna. Taí lar cheio de mulher que trabalha mas totalmente disfuncional.

É foda, nos fazem internalizar que só é digno quem leva dinheiro para dentro de casa.

Só li verdades!
Minha mãe era divorciada, então sempre teve de trabalhar fora para nos criar e minha sogra atualmente viúva, sempre foi dona de casa, e isso me possibilitou ver os dois lados da moeda, e quer saber de uma coisa: preferia mil vezes a vida da minha sogra. Meu marido e eu já conversamos a respeito, mas como o salário dele é ridículo, até encontrar algo melhor, ambos trabalhamos fora.
Concordo com você Sally, a suposta independência nos torna ainda mais dependentes, cansadas e frustradas. Embora meu marido me ajude muito em casa, é inegável que a minha carga é superior a dele, e no fim das contas, ao fim de um dia de trabalho de ambos, morro de inveja quando ele tá descansando enquanto eu tô lá na cozinha fazendo o jantar. Por mais que se grite que marido “não tem que ajudar, tem que fazer porque é obrigação”, na prática, é a mulher que sai no prejuízo no exercício da jornada dupla.
Então só pra constar: eu queria estar lavando as cuecas do meu marido no tanque.

A patroa não concordaria com isso? Hoje em dia tem muita mulher que adoraria saber que os filhos estão bem cuidados pelo marido enquanto ela trabalha!

Acho que ela não aceitaria. Nosso orçamento é meio a meio, se eu for parar de trabalhar e perder a metade da renda, por que não ela?

Pode me chamar de cuzão… Tenho 8 anos de casado. Li o texto e fiquei louco de vontade de mandar isso pra minha mulher. Se eu fizer isso, acho que ganho um tiro. A coisa é tão estranha, que é capaz de ser um arranjo melhor para todos, que ninguém tem coragem de propor.

Sim, provavelmente você ganha um tiro. Vai ter presunção de que você a está menosprezando, humilhando e até rebaixando.

Eu acho uma receita de sucesso (tanto que funcionou por séculos): homem provê, mulher cuida. E pau no cu de quem não concorda, eu acho que assim dá super certo para mim. Infelizmente as feministas decretaram que não pode ser assim e eu me arrebento de trabalhar para me bancar sozinha e periga até de algum homem me achar interesseira se eu falar minha opinião abertamente. Passa a imagem de uma mulher que quer “ser bancada”.

Curioso que eu, que não tenho ex-maridinho me pagando pensão, que não tenho papai pagando meu aluguel, penso assim e mulherzinha que ainda depende de homem faz questão de se dizer super independente. Vai entender essa compensação bizarra…

clap clap clap clap!

E eu queria estar lavando as calcinhas da minha mulher na água gelada do tanque.

Sally, a mulher com cojones!

Cada um que viva como quer, eu gosto de cuidar da pessoa que está comigo, faço isso melhor do que qualquer trabalho e adoraria me dedicar só a isso. Mas pelo visto não tem um filho da puta no mundo que queira uma mulher cujo projeto de vida seja cuidar dele, não pode, não é permitido, não é aceitável. Haja saco para viver nessa sociedade cheia de pose, viu?

Não sei se só eu notei isso ou se já é algo que está silenciosamente aumentando por aí, mas noto um certo movimento pós-feminismo, ou seja, mulheres que são feministas, empoderadas e coisa e tal, mas que ao mesmo tempo querem ter um papel mais “caseiro” digamos assim. Comecei a notar isso quando vi uma moça de 20 e poucos anos, lendo um livro no ônibus que ensinava a ser uma boa esposa. Não me lembro o nome do livro, mas eu consegui ler alguns trechos e achei um troço que beirava o absurdo, já que defendia ideias e ideais da família e dos bons costumes. E mais, era um livro evangélico, ou seja, com forte conteúdo desse resgate religioso da família perfeita, aonde cada peça do casal possui seu lugar. Nesse pensamento, o livro defendia que não é errado a mulher querer ser submissa ao homem, querer ser a dona do lar ou subserviente aos homens contanto que a mulher mantenha sua identidade (e sua fé em Deus, claro). Aos poucos, fui percebendo mais e mais mulheres aqui de Campinas estão conversando sobre isso, em quererem desistir da correria do cotidiano para terem mais tempo em casa, cuidando dos afazeres domésticos. Não sei o quanto esse movimento está influenciando as mulheres, mas não ficarei admirado se ao invés de quererem angariar cargos executivos, no futuro elas voltem a preferir ficar em casa. A minha esposa mesmo já me disse várias que, se um dia eu conseguir prover toda a demanda financeira de nosso lar, ela irá parar de trabalhar para se dedicar aos afazeres de casa e no cuidado com as crianças. Esse negócio de sair de casa e matar um leão por dia nesse mundo maluco assusta, se eu pudesse eu também ficaria em casa lavando as roupas da minha esposa….

Campinas, apesar de ser uma cidade consideravelmente grande, tem carinha de interior. Não é essa modernidade agressiva do Rio. Talvez por isso as mulheres possam se permitir isso.

Sua esposa é uma mulher muito sábia, cuide bem dela!

Se antes o tal “machismo opressor” sufocava as mulheres, hoje o “feminismo empoderado lacradô” apedreja qualquer uma que não seja considerada “independente”, “fodona” ou “guél páuer” o bastante (segundo a ótica das ~manxs~). O discurso mudou, mas no fundo a escravidão é a mesma.

O foda é que as menos independentes são as que mais fazem questão de dizer que são independentes. Ridículo.

Fato! 98% das feministas que conheci são dependentes de homem (financeiramente ou emocionalmente), mas tão lá as “bunita” compartilhando posts empoderados no ~feisse~ pra não perderem a pose de “autossuficientes”!

Sally, que dizer… tinha muita mulher no passado invejando a posição supostamente vantajosa dos homens trabalhando fora, sem perceber a dureza que significa ser o único provedor da casa. Se você está doente, ou cansado, não pode simplesmente deixar de trabalhar e trazer o dinheiro para casa; e, detalhe, o dinheiro não é seu, mas da família, e ai de você se quisesse fazer alguma coisa que não fosse ir da casa para o trabalho, e vice-versa.

Sim, claro, tem as exceções, MAS… a média da população, na sociedade, é responsável. No caso dos homens, especificamente, estes sempre agiram como “burros de carga”, chegando exauridos enquanto a mulher cuidava das coisas dentro da casa – um trabalho extremamente valorizado até hoje, mesmo com a emancipação feminina e etc.

Tudo isso acontece porque, voilá, ninguém dá valor ao trabalho que você faz fora de casa. Seu círculo de amizades pode até gostar de política, religião ou futebol, mas são os sentimentos que nos movem, no frigir dos ovos. Que importa lucrar milhões para o seu empregador, e, no final, ter uma vidinha sem sal quando o expediente termina?

A grande bosta é que mulher tem inveja de homem, podem gritar, mas a verdade é essa. Nesse processo de se independizar, em vez de encontrar seu lugar ao sol, resolveram que para ser fodonas e independentes elas tem que ser iguais a homem: pegar geral, se matar de trabalhar, etc.

Vai tomar no cu sociedade! Eu não sou homem, eu não quero ser homem, eu não quero isso pra mim!

Essa semana conversava com uma amiga sobre uma decisão importante que ela e o marido teriam q tomar, ela me justificou q aguardava a decisão do marido pois era “submissa” a ele. Tive um insight sobre o conforto da submissão! Porque tomar conta da vida, ser “independente” e ter q se responsabilizar pelas suas decisões têm seu preço.
Não quero lavar cuecas e tampouco ser submissa… mas entendi que isso também são coisas que podem ser almejadas… que essa pode ser uma escolha confortável para algumas…

O problema é essa correlação falsa que presume que ser do lar é ser submissa. Vejo tanta mulher executiva supostamente bem sucedida cujo marido faz de gato e sapato, manda, humilha, faz chorar. Faça o favor! Eu posso lavar cuecas no tanque feliz sem ser submissa. Aliás, eu só consigo almejar isso por ser bastante segura de mim e não precisar provar nada. Sua amiga encontrou uma forma socialmente aceitável de se acomodar e delegar escolhas importantes para o marido, e, acredite, capaz dela ser mais respeitada do que eu.

Os evangélicos sempre dizem a este respeito: “submissão não é subordinação”. Uma mulher está submetida ao homem no contexto familiar, mas não pode (nem deve) aceitar todo tipo de conduta do marido – e, mais ainda, tem que exigir dele que seja de fato “o cabeça” da casa, o exemplo para todos.

Mais do que dinheiro, o que se exige do homem conservador é ATITUDE – não a de um Rodrigo Hilbert, mas a do pai de família típico, para o qual todos olham quando a “m…” acontece. Afinal, do ponto de vista bíblico, o fracasso da família é, acima de tudo, o fracasso do homem – que tem que amar sua mulher “como Cristo amou a Igreja”, dando sua vida por ela, se for o caso.

Pois é, Sally. Você tocou em um ponto que me faz estremecer de medo desse tal ”feminismo” atual (foda-se o respeito ao próximo, foda-se evitar julgar os outros né? O importante é o lacre). Mas ao mesmo tempo você tirou de mim apenas com um texto uma crença limitante gigante!
O feminismo que deveria nos dar liberdade, nos deixa ainda mais presas. É a mesma situação de ter filhos por medo de ficar sozinha. Hoje fazemos uma faculdade por medo de dizerem que somos medíocres, moramos sozinhas por medo de dizerem que somos incapazes e dependentes. Tá foda!

Quase tudo que mulher faz hoje é para prestar contas. Não mais para homem, mas para outras mulheres ou para a sociedade. Que saco isso! Não quero isso para mim. Quero poder lavar cueca no tanque e cuidar do meu marido sem que disso se depreenda submissão!

Sei lá… eu sou solteira (com quase 40 tb) e tou cagando e andando pra o que a sociedade acha…. quero que se danem, e eu faço o que quero (desde que não seja ilegal, claro). Se eu quisesse ser dona de casa (o que não quero pq não tenho saco para cuidar dos outros),seria… mas eu sou a ‘esquisita’, então…

Isso de fazer o que quer é meio ilusório. Há travas sociais muito fortes que podem sim ser limitantes. Todo mundo aqui precisa de um mínimo de adequação para viver em sociedade.

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