Influencers de Cristo…

+Eles têm milhões de seguidores, formam opiniões entre jovens de fé, fazem piadas com o sagrado e desafiam a hierarquia das igrejas evangélicas.

O verniz moderninho do Youtube e outras redes sociais não deveria esconder a mentalidade retrógrada e ignorante dessa gente, mas aparentemente está. Desfavor da semana.

SALLY

Aparentemente duas raças complicadas se fundiram: Youtubers com crentes pregadores. Esta semana vimos despontar na mídia os Influencers de Cristo. Sim, Youtubers de Cristo estão virando moda e influenciando jovens.

Assim como os Youtubers originais, eles abrem um canal no Youtube para transmitir apenas conteúdo seu. Usam uma linguagem moderninha, fazem Memes, criam bordões e gírias e até paródia de funk proibidão, tudo voltado para converter pessoas, especialmente jovens, à religião evangélica. Muitas coisas aborrecem nesta nova modalidade circense de lavagem cerebral, vamos a elas.

Religião é uma escolha personalíssima, uma jornada interna, não externa. É algo que se busca para gerar paz e melhorar a vida da pessoa, conforme suas necessidades (de falar com um amigo imaginário para encarar a dureza que é o mundo real). Essa busca espiritual, esse olhar para dentro, está se perdendo. Hoje a religião se busca olhando para fora, pensando no que será mais legal de ostentar. Uma busca espiritual feita com base em marketing? Não me agrada. Os motivos pelos quais se escolhe uma religião não tem que ser um Youtuber cool que você deseja imitar.

Para deixar mais claro meu ponto, façamos o seguinte exercício: se o seu filho escolhe seguir a profissão tal por ter visto um Youtuber que exerce esta profissão e fala bem dela, você vai achar a escolha acertada ou leviana? É uma escolha vocacional, que deve ser tomada de dentro para fora, conforme as aptidões pessoais e não conforme o que se quer ostentar, caso contrário deixa de ser escolha e vira mera adesão a modismo. A escolha deixa de ser focada no que faz bem para a pessoa e passa a ser focada no que faz a pessoa parecer cool.

Mas, pior do que isso é passar uma versão mais palatável, camuflada e atraente de algo tão nocivo. Acredito que se você está aqui lendo o Desfavor, já foi devidamente peneirado e está bem ciente das nossas ressalvas com evangélicos. Gente que pede dízimo, gente que acha que fazer sexo antes do casamento é pecado, gente que acredita que o diabo é responsável por tudo de ruim em vez de se responsabilizar por seus erros… não temos muito apreço por evangélicos por aqui.

Nesses vídeos os Youtubers de Cristo fazem uma religião retrógrada, ultrapassada e castradora parecer muito bacana. Não é. Propaganda enganosa é pouco, isso é recrutamento, tal qual o Estado Islâmico faz em vídeos cheios de aventuras, convocando jovens a se juntarem a eles. A postura, a forma de se expressar e até mesmo as roupas desses Youtubers são incompatíveis com religiões evangélicas no geral, são concessões, iscas, chamarizes para atrair novos seguidores.

Baixo. Bem baixo da parte dos evangélicos. Baixo e hipócrita. Liberar o que sempre condenou apenas para ganhar adesão de fiéis é como autorizar vendedor de loja a mentir sobre o produto para que ele bata sua cota de vendas. Só reforça como estamos diante de um negócio onde o que interessa é captação de clientes, a qualquer preço. Uma religião que não tem coerência, não tem ética e não tem limites.

Tem até “programação” destinada a converter crianças, usando dos mais escrotos recursos. Só falta dizer que a Galinha Pintadinha é de Cristo! Tenham vergonha na cara! A razão pela qual pessoas começaram a migrar para o Youtube foi a busca por liberdade de expressão, coisa que televisão e jornais nem sempre permitem. Criou-se um ambiente livre, sem submissão a patrocinadores, onde quem atrai a atenção do público se estabelece, onde o único critério seletivos é a audiência, livre de pressões externas. Agora chegam essas criaturas e usam esse ambiente para doutrinar. Revoltante.

O espaço é livre? Sim, claro. Jamais passaríamos nem perto de sugerir censura. Mas, temos o sagrado direito de criticar as incoerências que percebemos neste movimento. Uma religião que prega algumas regras medievais tentando posar de moderninhos? Para, para que ofende a minha inteligência!

O mais triste é o Brasil é hoje um criadouro de adultos carentes e despreparados para encarar as porradas que a vida dá sem um suporte imaginário. Se com alguns desagradáveis berros no microfone em igrejas em bairros nem tão nobres pastor já angariava uma boa quantidade de fiéis, agora com essa versão online e moderninha, o recrutamento vai ser ainda maior.

É realmente decepcionante perceber que passam as décadas e o brasileiro médio ainda precisa dessa muleta emocional e que está totalmente vulnerável a qualquer discurso que gere a sensação de pertinência. A vontade de ser aceito, de ser elite dentro de algum lugar, de se sentir especial, é tanta que o faz fechar os olhos para a incoerência que um Youtuber de Cristo.

O recado que eu vejo disso é claro: Pastores, façam o que quiserem quando quiserem, pois meter o cacete em algo hoje e aderir a esse algo amanhã não gera qualquer problema. Não é necessário ter coerência para ser seguido e respeitado. Façam qualquer merda, preguem qualquer merda, com força e veemência e, se quiserem, meses depois, façam exatamente o oposto do que vocês endemoniaram, que tá tudo bem, ninguém vai se lembrar ou se importar.

É isso aí. Até religião no Brasil é esculhambada. A pessoa adere ao que quer, o que não quer ela não segue. É religiosa, mas é “não praticante”, o cúmulo do ridículo. Escolhe o que quer seguir e o que não quer, tipo self service de Cristo. Já comentei que eu sou alpinista não praticante? Me digo alpinista mas nos finais de semana deito no sofá e durmo em vez de subir montanhas. É religioso mas faz sexo antes do casamento, usa métodos contraceptivos. Que tipo de esquizofrenia será esse? Deve ter uma classificação médica para essa disritmia cerebral que acomete boa parte da população.

Assim, os Youtubers de Cristo são seletivos: apesar de Youtube ser uma ferramenta do diabo, criada para lavagem cerebral dos jovens, como tanto pregam pastores evangélicos, eles, e somente eles, podem usar. Durante anos, quem acessava o Youtube ia para o inferno, sem escalas. Agora, veja bem, não é bem assim. Qual é a credibilidade que pessoas que distorcem e retorcem suas regras e argumentos podem ter? No Brasil: Toda. É a religião que mais cresce. Esse mix de falta de proteína na primeira infância com ensino público cagado torna o país uma fábrica de evangélicos, e agora a produção será em larga escala…

Para dizer que Deus fez as pazes com o Youtube e por isso agora pode, para perguntar se tem wi-fi no céu ou ainda para dizer que valeu só pela paródia que fizeram de “Despacito”: sally@desfavor.com

SOMIR

Os evangélicos ganham mais e mais seguidores todos os dias, sendo de longe a religião que mais cresce no Brasil. Isso pode ser explicado por regras mais brandas que as igreja católica e a famosa baixa capacidade intelectual do brasileiro médio, mas eu sugiro olharmos um pouco mais para o elemento mercadológico dessa religião para encontrar explicações mais claras para o fenômeno, inclusive no tema da modernização da comunicação que é o tema de hoje.

A Coca-Cola tem uma marca muito forte, antes das gigantes da tecnologia assumirem, sempre foi considerada a mais valiosa do mundo. Mas de nada adiantaria ser reconhecida se as pessoas não pudessem comprar, certo? A marca investia muito em propaganda, mas investia o dobro em distribuição. E isso fazia a diferença: você conseguia comprar a bebida no centro da cidade mais movimentada ou no bar pé sujo mais longínquo. Só vende quem está disponível! E nesse ponto os evangélicos deram um baile nos católicos: como a estrutura do negócio era descentralizada ao ponto de qualquer um poder abrir uma igreja na sua garagem, em qualquer fim de mundo, gerou acesso real para milhões de pessoas que não tinham tempo ou mesmo saco para frequentar as igrejas católicas.

A Apple quase faliu apesar de ter sido a primeira a lançar um computador nos moldes modernos. O problema é que enquanto os computadores lançados por eles tinham arquitetura fechada, isso é, só a Apple podia produzir qualquer coisa relacionada com eles, a IBM resolveu liberar geral: qualquer um poderia fazer a sua versão do PC, do jeito que quisesse. Isso fez com que milhares de empresas adotassem o formato da IBM, barateando tudo e dando muito mais opções às pessoas. Os católicos são a Apple nessa analogia. Como a “arquitetura” do produto evangélico é aberta, qualquer um pode criar sua versão e baratear (nesse caso tornar as regras para salvação da alma mais brandas) como bem entender. Se você não quer ter padrão nenhum de pensamento e mesmo assim se sentir seguro sobre sua suposta vida eterna, o produto dos evangélicos é perfeito!

E quando vamos considerando esses pontos, não podemos esquecer do elemento mercadológico mais importante: os incentivos fiscais. As montadoras de carro fazem uma estratégia sempre que precisam construir novas fábricas, procuram as cidades que dão descontos ou até mesmo isenções totais nos impostos. E mais, criam empresas de fachada para terceirizar partes da produção só para poderem explorar os trabalhadores sem repercussões na principal. Isso funciona tão bem que é a regra. Complicado lucrar quando tem alguém sempre pegando uma parte do dinheiro. As igrejas gozam de uma absurda isenção fiscal no Brasil, mas existem outras formas de ter gente pegando seu dinheiro: na igreja católica existe uma estrutura de poder centralizada que define o quanto cada pessoa pode receber e algumas regras internas contrárias ao enriquecimento pessoal (nos graus mais baixos). Os evangélicos, por sua vez, trabalham sem dificuldade alguma: o dinheiro que conseguem arrancar de pessoas pobres e desesperadas pode ser integralmente adicionado à riqueza pessoal daqueles que fizeram o trabalho sujo direto.

Então, está na cara que o negócio evangélico é muito mais lucrativo para os intermediários do que o negócio católico. Isso já explicaria muito da evolução da igreja, mas estamos no Brasil, e sempre piora. Lembram da isenção fiscal das igrejas? Isso significa que elas são perfeitas para algo com cada vez mais demanda neste país: a lavagem de dinheiro. Paraísos fiscais e empresas de fachada já estão na mira da polícia, mas complicado achar o dinheiro roubado se ele for misturado com os dízimos de fanáticos. Igrejas evangélicas são os novos paraísos fiscais, e muitos políticos já estão desesperados para encontrar pastores parceiros para esconder o fruto da sua corrupção. Vamos ver uma nova fase de crescimento ainda mais acelerado da fé evangélica no Brasil por causa disso. Sim, os políticos que se diziam evangélicos lavavam dinheiro por lá faz tempo, mas agora todos os outros querem um pedaço desse bolo. É quase impossível seguir o rastro do dinheiro com tanta gente envolvida e a bagunça das doações em tantas pequenas igrejas ao mesmo tempo.

E só aqui que eu quero entrar no tema de hoje, porque se a forma de comunicação moderninha dos evangélicos atuais fosse perigosa só para tornar ainda mais burros e atrasados os brasileiros… bom, seria só mais uma gota num oceano de ignorância. Mas a coisa fica mais e mais feia: com esse buraco aberto para sumir o dinheiro da corrupção, podem apostar que as igrejas vão investir mais e mais na captação de fiéis para tornar ainda mais difícil o reconhecimento dos rios de dinheiro roubado que estão passando por suas empresas da fé. Não só esses youtubers evangélicos contribuem para o atraso intelectual humano, como vão tornar mais e mais poderosos os mecanismos para esconder o dinheiro da corrupção política.

Se igreja evangélica não desse uma quantidade imensa de dinheiro, podem ter certeza que não teria se popularizado tanto. E mesmo com a confiança que essa gentalha muda qualquer regra sagrada para aumentar os lucros, isso ainda quer dizer que não vão faltar recursos para fortalecer ainda mais o poder político delas (ninguém com mais de dois neurônios achava que os políticos evangélicos se importavam com a moral e os bons costumes do país) e criar mais e mais mecanismos para girar dinheiro sujo. Isso pode muito bem significar um novo capitalismo de amigos baseado em sumidouros de dinheiro público em igrejas ao invés de construtoras e frigoríficos… como se os evangélicos precisassem de mais poder…

Há algum tempo atrás eu dizia que não temia uma teocracia no Brasil justamente por causa da ausência de religião nos evangélicos (como eu sempre digo, se você quer saber sobre uma religião, pergunte a um ateu, porque quem tem fé não estuda de verdade), mas não estava pensando direito em como eles poderiam usar o sistema para aumentar ainda mais seus lucros e facilitar os crimes contra o patrimônio público. Isso é um perigo. E com youtubers virando suas próprias sedes de igrejas, a atomização continua crescendo, tornando ainda mais impossível encontrar o dinheiro que vai passar – cada vez mais – pelos evangélicos para desaparecer.

No final das contas, é tudo pelo dinheiro mesmo.

Para dizer que agora entendeu como religião funciona, para dizer que a Apple se recuperou (não sei se torço pra ICAR fazer o mesmo), ou mesmo para dizer que ficou mais deprimido ao perceber essa parte da lavagem de dinheiro: somir@desfavor.com

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Comentários (50)

  • Textos assim podem reforçar a imagem do “ateu toddynho”. Não é muito diferente da feminista falando que tem que exterminar homens, nem da ativista negra mandando brancos parar de ter filhos. Se a maioria tem religião, fazer o quê? Desde que eu continue sendo tratada como gente por ser agnóstica, pra mim tá joia.
    Lembra que nós irreligiosos somos minoria assim como os “lacradores” que criticamos (claro, tudo merece questionamento), somos um alvo potencial pra essa virada de pêndulo no Ocidente. Já estamos vendo aí o que resulta quando se ataca o lugar errado em busca de uma sociedade menos preconceituosa.

    Uma coisa estereotipar religiosos numa piada ou esquete, mas num texto com uma premissa séria… ou sei lá o objetivo do blog, não sou leitora raiz, hehehe.
    Youtube é um self service, você vai atrás do que te interessa. Gameplay, desenho, pegadinha, culinária, ciência, política… Vídeos religiosos nem aparecem nos meus recomendados.
    E lendo a notícia, exceto o canal da Priscila, esses canais evangélicos não tem taaaantos seguidores para os padrões.

  • Wellington Alves

    preconceito e contradição.
    Certamente que não sou o único evangélico que gosta de acompanhar o desfavor. Assim como qualquer outro leitor, não significa que precisemos concordar com tudo o que vocês dizem. Filtro o que considero bom e sei que vai me agregar. Assim como o apóstolo Paulo diz: tudo me é lícito mas nem tudo me convém.
    Ao mesmo tempo que você critica os evangélicos como se fôssemos uma massa de ignorantes, tapados e cheios de proibições, rejeita a hipótese de que ezistam pessoas que destoem disto. Se o evangélico é moderno, então, pra você, não passa de um hipócrita.
    se, espontaneamente, surgem YouTubers evangélicos, só podem se tratar de estarem a serviço de igrejas para cooptarem jovens desavisados. É difícil imaginar a possibilidade de serem apenas jovens querendo falar para o seu nicho?
    Não sei aonde você ouviu que as igrejas acusava o YouTube de ser do diabo. Nunca ouvi isso! Lá atrás, isso sim é sabido, as igrejas tradicionais tinham essa resistência quanto a televisão. Mas até isso já mudou totalmente. Talvez pra você seja inaceitável essa mudança.
    Nossa restrição não é com a televisão, YouTube, o Blogs, mas com o conteúdo que se consome nesses veículos. Simples assim!
    Religiões e igrejas são formadas por homens e homens são falhos. Por isso mesmo é que nosso alvo tem que ser Cristo. não sei se você sabe, mas o que Jesus mais combateu durante o seu ministério foi exatamente a hipocrisia religiosa.
    Saiba que não me senti agredido pelo seu texto. Estou acostumado com pessoas que desconhecem e generalizam os evangélicos. Mas eu entendo isso. É que não se pode pensar nos evangélicos da mesma forma que a igreja católica. Nós não temos um papa que responde por todos. A coisa é muito fragmentada. por exemplo… Eu sou Batista, muito diferente de uma assembleia e nada a ver com uma universal. Até mesmo porque, essa última é praticamente uma seita. continuarei lendo seus textos porque sou inteligente e sempre aprendo com você! Bj

    • Eu realmente não esperava evangélicos acompanhando o desfavor. Eu já tive vários amigos que eram e tínhamos discussões muuuuito longas sobre os temas. Como era esperado, sempre traziam para si o ponto de análise: “Mas EU não sou retardado…”. No que eu respondia: “Excelente, agora vai convencer os 99% restantes e eu não me preocupo mais com religião.”, e quase sempre seguia com “eu posso te achar uma pessoa boa, mas a religião que você defende é um veneno para a evolução humana e esconderijo para incontáveis bandidos com presunção indevida de inocência…”

      Pelo seu comentário, você está falando com a Sally, mas eu não resisti.

      • Desculpe(m)-me, porém também não resistindo :

        …”Esconderijo para incontáveis bandidos” (inclusive já culpados ?)…

        ** Relembrando aquela “interrupção” de rebelião na Alcaçuz / RN **

      • Hehe, tio Tomir lê os comentários!
        Sou kardecista e leio o Desfavor. Aqui não fala só de religião, tem de tudo e curto isso.

      • Wellington Alves

        Mas Somir, por qual razão você acha que um evangélico não seria leitor do Desfavor? Só porque se declaram ateus e acham que todo crente é ignorante?
        Imagina, seria muito preconceito da minha parte! Vocês fazem análises honestas, compartilham conhecimento, cultura, entretenimento inteligente… Eu só não estaria aqui se o assunto fosse futilidade ou pornografia (com exceção dos funcks, que são estudo de caso, rs).
        Como eu disse, entendo que vocês tenham essa percepção equivocada sobre os evangélicos. Afinal, ver na TV um pseudo pastor pedindo que você doe sua casa pra Deus te abençoar, só pode significar que todo evangélico é otário. Mas acredite, essas igrejas também nos envergonham. São charlatões da fé, sobre os quais Jesus já nos advertiu e que dirão no dia do juízo: Mas Senhor, em teu nome fizemos milagres e expulsamos demônios; e Jesus dirá: apartem-se de mim pois não vos conheço.
        Ah mas vocês acreditam que o mundo foi criado em 7 dias… Não é bem assim. A bíblia não nega a evolução, mesmo porquê, Deus é eterno e pode dispor de quantos bilhões de anos quiser. Imagine você, qual seria a melhor forma de explicar a criação do mundo a 3000 anos atrás para um povo analfabeto e sem qualquer conhecimento científico? Os 7 dias pode muito bem ser um resumão de 7 períodos de bilhões de anos.
        Encerro com um exemplo: em Gênesis 1:20, está escrito: “Encham-se as águas de seres vivos e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento do céu”. Você concorda que a vida iniciou na água e que os répteis deram origem aos animais terrestres, certo? Note que Deus ordena que as águas se encham de seres vivos, mas não ordena a criação de aves, apenas que elas voem sobre a terra. Hoje sabemos que as aves evoluíram dos répteis pois apresentam escamas. Portanto não há qualquer incoerência entre o que foi resumido neste mero, porém revelador, versículo e a teoria da evolução. No entanto, no final das contas, sabermos disto não faz a menor diferença para Deus. Não seremos indagados por ele no dia do juízo final sobre como achamos que o mundo foi criado.
        É isso aí Somir. Só quis deixar claro que não temos nada contra ateus. Pelo contrário, os melhores crentes que conheço também o foram. rs
        Abraços e até mais!

        • Não posso responder pelo Somir, mas digo por mim: acredito que o grau de barbaridades que falamos aqui, as coisas das quais debochamos e os valores que pregamos sejam totalmente incompatíveis com qualquer religião evangélica (e não tem nada a ver com ateísmo).

          • Sim, de fato, muitas coisas são incompatíveis, especialmente os valores. Assim como o Wellington, sigo o Desfavor e procuro reter o que é bom.
            O fato de seguir não quer dizer que eu concorde com tudo. Quando não concordo com algo, simplesmente relevo, e vejo se aquilo pode me acrescentar algo. Se for algo que afronta minhas convicções, ignoro. Eventualmente, exponho meu ponto de vista (muito raramente, confesso).
            Ler só aquilo com que se concorda restringe demais o pensamento.

      • Idealmente, a religião que alguém professa jamais deveria ser motivo suficiente para a presunção do seu caráter. Ou do seu intelecto.

          • Meu ponto aqui é que ninguém deveria receber uma presunção de santidade simplesmente por se dizer evangélico. Uma resposta ao “esconderijo de incontáveis bandidos com presunção de inocência” proferido pelo Somir.

  • O texto de hoje só reforça a constatação de que vocês falam do que não conhecem.
    Mas eu não esperava mesmo que conhecessem.

      • Bom, sei que, provavelmente, não vai servir pra nada, mas vamos lá…
        Inicialmente a Sally diz que religião é algo que deveria partir de dentro, sem sofrer influenciar externas, caso contrário, será mera ostentação. Será mesmo? Partindo desse princípio, ninguém poderia conhecer religião nenhuma, cada um deveria criar a sua. Só que isso conflita com outra crítica que ela faz mais à frente, sobre a pessoa aderir apenas aos pontos que lhe convêm em determinada religião. Afinal, não era algo personalíssimo? Utilizando a comparação feita com a escolha profissional, questiono: pode alguém fazer uma boa escolha sem obter qualquer informação sobre a profissão que deseja seguir? Desse modo, é exagero afirmar que qualquer pessoa que se converta após ver algumas pregações no YouTube o fez apenas por modismo. Não é que não haja casos assim, mas não se pode generalizar.
        Um segundo ponto seria que os líderes evangélicos teriam mudado o discurso: antes condenavam o YouTube, agora o utilizam. Tal “contradição” surge da ideia de que aqueles que condenavam são os mesmos que, hoje, o utilizam. Via de regra, não são. Como o próprio Somir pontua, há, no meio evangélico, uma diversidade enorme de grupos, os quais têm diferentes doutrinas. Qualquer líder um pouco mais sensato é capaz de diferenciar um canal de comunicação do conteúdo que circula por ele. Se um pastor não faz essa distinção, bem, é um ignorante. Não ignorante por ser evangélico, mas ignorante por ser ignorante mesmo, no sentido de não ter discernimento. Calhou de abraçar a fé evangélica.
        Aí entramos numa questão que concordo ser um problema: de fato, qualquer um pode fundar uma “igreja”, o que acaba por possibilitar deturpações sem fim às doutrinas bíblicas, conforme a conveniência de cada um. Apesar de considerar este um problema sério, ainda vejo como uma alternativa melhor do que queimar os dissidentes na fogueira. Fato é que gente ignorante existe em qualquer meio, sendo que, no Brasil, elas existem em grande número. Claro que, por uma mera questão estatística, haverá muitas nas igrejas também, mas isso não quer dizer que elas o são por causa da religião. Não significa, também, que os dois ex-amigos do Somir sejam as únicas pessoas bacanas. Infelizmente, uma minoria acaba assumindo posições de proeminência sem terem preparo para tal.
        Existem, no entanto, muitos pastores e líderes competentes e comprometidos. As denominações mais sérias têm um cuidado muito grande com isso. Acontece que estes não aparecem tanto. Quem mais chama a atenção são os despreparados e/ou os vigaristas (muitos à frente de grupos aos quais me recuso a chamar de igreja, bem como a chamá-los de pastores ou qualquer outro título). É mais ou menos como a questão dos lacradores em rede social: eles são uma minoria, mas uma minoria barulhenta, que acaba por parecer a maioria.
        E se, por um lado, tem gente tentando “adoçar” o Evangelho pra atrair mais gente (gerando um falso crescimento), por outro, podem ser feitos, ao menos, dois contrapontos: o primeiro é que isso já acontecia muito antes do YouTube existir, infelizmente, então, não venham dizer que é algo novo. O segundo é que, apesar disso, há, sim, diversos youtubers cristãos que procuram passar uma mensagem correta, centrada no verdadeiro ensino bíblico, sem querer agradar a ninguém, mas realmente procurando ajudar àqueles que buscam auxílio para entender e aplicar os princípios cristãos em seus cotidianos.
        Acho importantíssimo que esses youtubers existam. Afinal, considerando que a maioria dos evangélicos no país sequer lê a bíblia, que é o item mais básico para um viver cristão saudável, contentando-se apenas com os ensinamentos proferidos por seus “pastores”, muitos acabam vítimas de falsos ensinos e atrocidades de todo tipo. Assim, por meio do YouTube (que, ressalto, é só um meio), essas pessoas podem vir a ter contato com uma mensagem mais correta e edificante.
        Tinha muitas outras coisas a dizer, mas iria ficar deveras maçante (já está).

        • 1) A escolha da religião deve partir de dentro, ou seja, para qual Deus você vai rezar, quais rituais seguir. Isso de forma alguma impede que se busquem informações externas. O problema é que esse tipo de ensino não fornece informações e sim obrigada a rituais

        • 2) Não acredito ser compatível com a noção de pastores corretos e bacanas pegar dinheiro das pessoas, ainda que de doação. Quando se mistura religião e dinheiro é sinal de que a pessoa não é tão correta. Prego e sigo esta filosofia. Por este motivo, por acreditar que dinheiro compromete imparcialidade e boas intenções, nunca cobramos um centavo para nada aqui.

          • Você está assumindo que todos os pastores pegam dinheiro dos fiéis para si, o que é uma inverdade. Conheço inúmeros líderes que têm suas próprias profissões e não recebem um centavo de suas igrejas. Pelo contrário, dedicam seu “tempo livre” a cuidar de outras pessoas, pois realmente creem naquilo que pregam. Alguns que conheço são, inclusive, empresários bem sucedidos, e são os que mais ofertam para as necessidades da igreja, sem receber ou esperar nada em troca.

        • 3) Os Youtubers de Cristo que se destacam são aqueles com recurso para impulsionar seus vídeos. Não são pessoas carismáticas que caem no gosto popular, são fábricados, cuidadosamente pensados para atrair fiéis. Me parece uma forma de manipulação.

          • Outra inverdade. Eu mesmo sequer tinha ouvido falar dos citados na reportagem. A maioria deles é praticamente irrelevante na internet. Apenas para exemplificar, dos quatro canais cristãos que sigo no YouTube, três só perdem pra Priscila Alcântara (famosinha do SBT) em número de inscritos. Curiosamente, nenhum deles aparece na reportagem. A matéria não tem a menor intenção de mostrar o real crescimento dos canais cristão, apenas de promover alguns mais polemicozinhos.

            • Mas uma canal não precisa ter um milhão de inscritos para ser escroto. Basta que consigam arrancar dinheiro de uma pessoa e já os considero um tremendo desfavor.

          • Por favor, defina “chegar ao poder”: poder dentro das igrejas, poder nos meios de comunicação ou poder político?

            • Qualquer tipo de poder. Não se lidera uma igreja sendo 100% honesto, não se é líder de audiência fazendo tudo com a mais absoluta ética e certamente não se chega ao alto escalão político sendo correto.

                    • Membro??? De nenhuma!

                      Tive o desgosto de ser obrigada a trabalhar em um contexto onde via os bastidores.

                    • Comprometeria seu anonimato se você dissesse de quais igrejas eram esses bastidores?

                    • Não compromete não: Assembléia de Deus (a da Marina Silva) e Universal (Bispo Macedo e Crivella). Mas não se trata de uma determinada igreja, e sim de um mecanismo, um sistema, que rege pessoas que tem poder. O mesmo acontece na Católica e até no Candomblé.

                    • Entendo. Esse mecanismo existe em praticamente qualquer grande grupo de pessoas especialmente em uma cultura corrupta como a nossa. Mas posso garantir que há, sim, igrejas e igrejas, com enorme diferença entre algumas delas. Claro que nenhuma é perfeita, na medida em que todas são formadas por seres humanos, todas têm seus defeitos, mas asseguro que há um abismo entre os defeitos de umas e os de outras. Não vou me estender mais, pois o assunto já rendeu bastante. Limito-me a afirmar, sem medo de errar, que você esteve longe de ter as melhores experiências possíveis.

                    • Acredito que existam pessoas bem intencionadas em qualquer grupo, porém me custa acreditar que elas cheguem ao topo da pirâmide de poder. Você já viu isso acontecer?

                    • Então por favor diga o nome desse religioso que conseguiu se filiar a um partido, postular uma candidatura e ser selecionado pelo partido como candidato sem fazer absolutamente nada corrompido ou sem ética, pois ele merece votos! Juro que vou divulgar essa pessoa.

                    • Não me referi ao alto escalão político, mas à liderança na igreja. Por isso, peditrica você definhar a qual tipo de poder se referia. Quanto aos que se envolvem na política, infelizmente, concordamos.

  • Sou inscrito em trocentos canais, passo grande parte do dia nos vídeos do YT e nem sabia que essa merda existia. Nem nos sugeridos me aparece. É pq não busco essas babaquices. Aparece pra quem já tem a mente meio fodidinha.

  • Pague 30 reais mensais pro Greenpeace e fique sem a consciência pesada pelo meio ambiente.
    Pague 10% do seu salário para uma dessas organizações e compre a imagem de “cidadão do bem”.
    Assassinato de reputações é só o começo. O grande negócio é a compra e venda de reputações.

  • não são cristãos, são irreligiosos mais espertos que a gente.
    em poucos meses vão lançar livros ruins com fonte grande que vão ficar na prateleira dos mais vendidos.
    e nem me venha com argumento de “introduzir crianças na leitura”, nem best sellers mais elaborados como Harry Potter estimulou jovens a ler coisas melhores, leitor de modinha é apenas leitor de modinha.

    • …Exatamente (!) : “até” já havia texto(s) sobre serem irreligiosos espertos e já havia – antigo e em outro texto – comentário da Sally sobre DESacreditar em “introdução por qualquer leitura”…

  • é aquilo né
    religiosos liberais dizem que os radicais não são religiosos de verdade pois pregam o ódio e deus é só amor
    religiosos radicais dizem que os liberais não são religiosos de verdade pois não seguem à risca todos os mandos do livrinho sagrado (embora nem os próprios radicais sigam)

    a tendência do momento é a religião customizada

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