Presentes do passado…

Relacionamentos tem suas dificuldades pelo simples fato de lidar com outro ser humano, mas sempre pode ficar pior: Sally e Somir discutem o que é mais complicado quando adiciona-se ainda mais outro ser humano nessa situação. Os impopulares trazem suas opiniões a tiracolo.

Tema de hoje: qual é a pior bagagem que uma pessoa pode trazer de um relacionamento anterior?

SOMIR

Filhos. Salvo se for o seu primeiro relacionamento amoroso na vida, todo mundo sempre traz algo de suas tentativas anteriores que vai criar complicações futuras. Faz parte, eu sei. Se a pessoa realmente vale a pena, você pega uma das alças dessa bagagem e vai carregando junto, porque a pessoa perfeita simplesmente não existe. Posto isso, das possibilidades mais comuns, filhos são das bagagens mais pesadas e presentes desse conjunto.

E agora, eu vou começar a ser uma pessoa horrível: do ponto de vista que eu escrevo, filhos parecem piores porque meu público-alvo são mulheres, e mulheres são, em média, muito mais conectadas com suas crias que o sexo oposto. Se você se relaciona com homens, tende a lidar com uma versão mais branda da experiência de “adoção forçada” das crias alheias. Na maior parte dos casos, um casal divorciado tem guarda dos filhos com muito mais tempo na conta da mãe do que do pai. Pra Sally é mais fácil escolher outro ponto, porque depois de uma separação, e podem me odiar por isso, “paternidade” pode ser escrita com aspas. Maternidade por sua vez…

Encarar filhos que vieram de bagagem do relacionamento anterior um ou dois dias por semana é consideravelmente mais fácil do que todo o resto do tempo. E, salvo honrosas exceções, pais se importam um pouco menos com filhos do que mães. Vendo pelo o meu lado então, escolher uma mulher que tem filhos é basicamente aceitar ficar em segundo plano na maior parte do tempo, escolher um homem com filhos cobrando muito menos da rotina diária do novo casal. Sim, é possível que a pessoa chegue com um filho sozinha, mas vamos concordar que a norma é existir pai ou mãe na jogada.

O que nos leva ao problema de um ex presente. Sou do time que não é seguro o suficiente para levar numa boa o contato da minha mulher com um homem de seu passado, e não tenho planos de me tornar uma pessoa melhor nesse sentido. Filhos significam um Zé Ruela que já deveria estar fora da vida dela aparecendo de tempos em tempos. Ter um filho gera um laço poderoso entre duas pessoas, algo que eventualmente as une numa causa comum e exige contato. Pior: pelo fato de não achar que filhos são coisas inconsequentes, eu ficaria preso entre situações ruins, ou ela tem que ficar em contato com o ex por causa da criança, ou eu perderia o respeito pela pessoa se cagasse pra um filho e deixasse tudo na mão do outro.

E nem estou falando só de um eventual ciúme do ex, é uma faixa de interações entre duas pessoas com imenso potencial de dar dor de cabeça: mesmo que não gere uma proximidade incômoda, mesmo que a relação deles seja de desprezo e incômodo com as respectivas presenças, as inevitáveis discussões sobre como criar o fedelho ainda vão impactar no humor médio dessa mulher. Tem um cidadão com poder de encher o saco e criar problemas para sua mulher num estalo de dedos. Não é bacana ter essa ponta solta na vida.

E, é claro, tem uma criança ou um adolescente na jogada. Filhos adultos podem ser extremamente chatos, mas considerando a fase da vida onde filhos adultos são uma realidade, a passionalidade da situação é consideravelmente menor, com muita experiência para contornar os problemas e muito menos contato diário com filhos. Então vamos continuar nos casos de filhos mais jovens. Crianças e adolescentes podem ser mais agradáveis na convivência (mentira, adolescentes nunca) se você está mais próximo da normalidade do que uma pessoa como eu, mas mesmo assim, ter dor de cabeça com gente nessas idades é inevitável. Mesmo gente desnaturada acaba tendo muito trabalho diário com filhos. Aquela coisinha é responsabilidade (inclusive legal) da pessoa, e isso vai vazar pra qualquer um que se coloque suficientemente próximo dela.

Você querendo ou não filhos, escolher uma pessoa que já venha com um é basicamente comprar essa briga. Crianças passam muito tempo com os pais e exigem atenção constante. Muita inocência achar que não vai ter de lidar com essa criação, e mesmo no caso “light” do homem que só vê nos finais de semana, ainda sim é estar em segundo plano em toda comparação (novamente, se não ficar, eu vou perder respeito pela pessoa, essa porra toda é uma armadilha) e nem ter muito para onde correr. Vai fazer o quê? Pedir para uma mãe deixar de dar atenção para um filho pra passar mais tempo com você? E eu estou tentando manter esse tema suficientemente “limpo” da mentalidade de quem não quer ter filhos. Porque aí a coisa engrossa de vez: eu não quero filhos porque não quero o que vem junto com eles, escolher uma mulher que já tenha um ou mais significa basicamente viver a vida oposta a que eu escolhi. Não vou cuspir pra cima e dizer que nunca vai ter uma que valerá essa pena, mas na prática é abdicar de um projeto de vida querido para entrar no inferno da conformidade.

E, vamos ser honestos, crianças cagam o ambiente romântico. São recompensas por si só para quem as escolhe, mas não facilitam em nada uma vida afetiva/sexual de adultos próximos. Essas coisinhas sempre acham formas de precisar de atenção e destruir climas. E não precisa ter raiva de criança para se incomodar com isso, elas são justamente as que não tem culpa alguma na situação. Largar um namorado pra ir cuidar de sua criança melequenta é claramente a coisa certa a se fazer, mas o certo nem sempre vem satisfação imediata. Não se pode ter duas prioridades máximas na vida, alguma coisa sempre vai perder. E nesse caso, com um filho na jogada, não faz sentido que outra coisa seja secundária.

E só para finalizar, eu concordo que o que a Sally vai defender é terrível também, mas… entre pessoas com sentimentos mal resolvidos no seu passado afetivo e pessoas sem filhos, é possível encontrar pessoas sem filhos.

Para dizer que fica feliz por uma pessoa egoísta assim nunca chegar perto de crianças, para dizer que eu não entendo a mágica dos filhos, ou mesmo para dizer que a pior bagagem é uma DST: somir@desfavor.com

SALLY

Qual é a pior bagagem que uma pessoa pode trazer de um relacionamento anterior? Sentimentos mal resolvidos.

Olha, vou te falar uma coisa, hoje tá bem difícil de argumentar, pois eu quase, quaaaase que concordo com o Somir. Filhos de um relacionamento anterior (principalmente filhos pequenos) são uma bagagem pesadíssima, quase que insuportável de se carregar. Fora o desgosto natural que ambos experimentamos por ter uma criança perto, outros fatores mais universais fazem do filho alheio uma desgraça: as restrições que impõe à pessoa, eterno vínculo com ex e tantas outras coisas que provavelmente o Somir vai dissecar em detalhes.

Só não escolhi filhos por um motivo muito simples: crianças podem morrer, sentimentos mal resolvidos não. Brincadeirinhaaaaa! Piadinha de mal gostooooo! (mas, que criança pode morrer, isso pode).

Falando sério agora, antes que alguma alma reprodutiva sensível se ofenda: filho alheio é um cu, mas é alheio. Em última instância, o ônus recai em quem fez o filho e você leva apenas um dano colateral. Não que não seja incômodo, mas ao menos não detona diretamente o relacionamento. Sentimentos mal resolvidos pela pessoa anterior são uma afronta direta à atual relação e causam uma mágoa forte e certeira no novo parceiro.

Não adianta, quando há sentimentos mal resolvidos de relações anteriores não há terreno fértil para plantar uma nova relação. É como construir um castelo em areia movediça. Não tem carinho, não tem amor, não tem compreensão que resolva, a coisa começa cagada e está fadada ao fracasso. Você só pode entrar quando a outra pessoa sai e, se você aceita ficar com alguém enquanto a outra pessoa não saiu, desculpa a sinceridade, você vai se foder. Não vai ser bonito. Você vai sofrer. Ficar com alguém que nutre sentimentos mal resolvidos por ex é como tentar peidar no meio de uma crise de diarreia: não importa o quanto você se esforce, seja cuidadoso ou se planeje, é certo que cedo ou tarde vai dar merda.

Filhos são um ônus (e um ânus), mas você pode se distanciar deles. A criança encheu o saco? Vomitou? Se cagou toda? Está chorando? Bem, como diz o ditado, quem pariu Mateus que o embale. Você pode simplesmente se afastar da situação: finge uma hecatombe intestinal e se tranca no banheiro até o demonho (sim, com NH – acho que dá ênfase!) voltar a ser convivível ou até, em casos extremos, sai de perto mesmo, vai dar um pulinho no supermercado, vai para a academia ou vai comprar cigarros pensando se um dia voltará ou não. Fora o maravilhoso e infalível clássico de ter que trabalhar final de semana. Esse não falha nunca.

O que importa é: no caso de filho alheio, existem vários níveis de rota de fuga. Sentimentos mal resolvidos por ex estão sempre presentes, ainda que de forma silenciosa. Não há como fugir deles e eles fazem danos constantes, diários e acumulativos à relação.

Criança é um bicho chato e barulhento. Sentimentos mal resolvidos pelo ex são perigosos e silenciosos. Tenho mais medo do inimigo que eu nem consigo detectar, do inimigo que eu não posso enfrentar. Cabe à pessoa que tem esses sentimentos perceber (pode demorar uma vida), admitir e superar. Na boa? Para encarar e resolver problemas, principalmente no que diz respeito a sentimentos, a maioria dos adultos são uns débeis mentais. Só confio em mim para uma missão difícil como essa. Não ponho minha mão no fogo que outra pessoa vá ser capaz de resolver algo tão complexo.

Filhos não estão sempre junto do pai ou da mãe full time, principalmente em caso de casais separados. E, nesses tempos modernos bizarros, onde se joga criança em creche/escola o dia todo, é provável que quem se relaciona com uma pessoa com filhos só os veja poucas vezes na semana, no final do dia. Além disso, quem convive com o filho alheio pega para si apenas o que quer, se for o caso, brincadeiras e lazer. A parte pesada, como limpar a bunda, convencer uma criança a jantar, tomar banho ou dormir, cabe a quem colocou este mini-infeliz neste mundo cagado.

Ao contrário de sentimentos mal resolvidos pelo ex, que estarão presentes, trancafiados a sete chaves dentro da cabeça do outro, a cada segundo. Um gesto seu pode gerar comparação com seu antecessor. Uma escolha, uma fala, uma risada. Tudo estará sendo medido, comparado e, lamento informar, você sairá perdendo na maioria dos casos. A pessoa que está com você sofrerá uma luta, um dilema constante, com seu antecessor invadindo sua cabeça. A pessoa estará pensando no(a) ex boa parte do tempo que está com você, nem que seja para odiá-lo. Não sobra tempo, energia nem disponibilidade emocional para construir algo sólido e bacana com você, pois isso está sendo canalizado, ainda que involuntariamente, para outra pessoa do passado.

Em ambos os casos é uma merda, pois a atenção e energia da pessoa está voltada prioritariamente para outra pessoa que não você. Sim, é uma merda uma relação onde você não seja a prioridade da vida do outro, mas ao menos, no caso do filho, não é desleal e é totalmente aceitável que ele seja a prioridade. O que seu parceiro gasta em matéria de tempo, energia e disponibilidade emocional com um filho não é da cota da relação, assim, pode ser, eu disse PODE SER que exista uma chance dessa porra dar certo, se você tiver uma paciência de Jó, um saco infinito e um controle emocional de monge budista. Ressalto que pessoas surdas tem mais chance de sucesso nessa empreitada.

Além do que, sempre existe a chance das pessoas mais normaizinhas se enturmarem de alguma forma com crianças. Mesmo quem não é muito chegado a crianças deve gostar de crianças que representam algo especial em sua vida (como sobrinhos, por exemplo). Supõe-se que o filho de uma pessoa amada é uma extensão da pessoa amada e que, ao fazê-lo feliz, você faz a pessoa amada feliz. É, pois é, deve ter gente com esse tipo de nobreza no mundo, tenho fé que tem. No caso de sentimentos mal resolvidos, não tem como vencer, não tem como tirar nada de bom disso, não tem nem ao menos como lutar contra isso.

Filhos são um saco ao quadrado, mas ao menos as cartas estão na mesa: é isso aí, vai ter um serumaninho pentelho, carente e dependente enchendo o saco do seu par pelos próximos 10, 15 anos e de brinde, contato constante com a(o) ex que ajudou a fazer este filho sem pensar antes sobre a solidez do casamento. A regra é clara, é pegar ou largar. No caso de sentimentos mal resolvidos, nada é claro. É um fantasma na relação, você não consegue mensurar o tamanho do problema. Fica difícil embarcar em uma viagem onde não se sabe nem o risco, nem o trajeto nem o destino.

Criança se enrola, se ludibria, se distrai. Nunca esqueço de uma vez em que o Somir fez uma criança calar a boca sussurrando que se ele continuasse gritando “sua mamãe vai morrer”. Há recursos. Vodca tá aí é para ser colocada na mamadeira mesmo! De criança a gente se afasta, dá um perdido aqui, uma desculpa de trabalho ali. Já sentimento mal resolvido, meus queridos, não tem para onde correr…

Para dizer que diante disso o melhor mesmo é ficar solteiro, para dizer que nós dois somos intratáveis e vamos morrer encalhados ou ainda para dizer que, assim como filhos, exs também podem morrer: sally@desfavor.com

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Comentários (27)

  • Muito tentada a ir na opção dos filhos. Mas um sentimento mal resolvido ia acabar com o relacionamento mais rápido.

  • Susan Smith também concordava que filhos atrapalhariam sua vida afetiva…E ainda por cima, tem o ônus da parentalidade socioafetiva, ou seja, os rebentos alheios eventualmente se acharem no direito de pedir pensão…

  • Pior mesmo é sentimento mal resolvido. Filhos crescerem e a necessidade de convivência com ex diminui com o tempo, assim que o filho se torna capaz de ter contato com os pais por conta própria. Além do mais, se o filho não é seu, vc não é obrigado a assumir nenhuma responsabilidade sobre ele. Sentimentos mal resolvidos podem durar por 20, 30 anos ou pra sempre, a pessoa pode comprometer o resto da vida dela se amarrando emocionalmente no ex. Há quem comprometa as amizades, trabalho e futuros relacionamentos enquanto o filho já cresceu e ficou independente e já vive a própria vida.

  • Eu estou com a Sally nessa… mas acho que a questão que o Somir pontuou sobre ser um homem lidando com uma mulher com filhos vs uma mulher lidando com um homem com filhos seja bastante pertinente.

    Mas acho que a questão dos sentimentos é mais complexa… porque na maioria das vezes a própria pessoa não percebe isso. E aí vc fica lá, se esforçando o máximo pelo relacionamento, investindo todo seu sentimento, e a pessoa te comparando e analisando por coisas que vc nem imagina os critérios…

    Filhos são mais “honestos”. Vc já sabe desde o início (supondo que a pessoa não esconda de vc que tem filhos), e pode escolher se vai investir ou não nessa pessoa. Se for um limite pra vc, vc nem começa!

    Ah, Sally! Acho que vc ficou muito “tempo” do texto tentando diminuir a escolha do Somir, e não defendendo a sua! Mas to contigo mesmo assim!

      • Sim, eu entendo isso! E acho que ele também concorda que sua escolha é bem tensa!
        Mas só achei que vc defendeu pouco seu lado! Mas posso estar numa semana difícil… hahah!

  • Filho, com certeza!
    E isso é ruim tanto para o homem quanto mulher, tem muito ex com problema mal resolvido que inferniza a/o atual e usa a criança para ficar sabendo das coisas, fazer chantagem, etc.

      • Imagina o combo filho + problema mal resolvido com ex. O que eu já vi acontecer com homem e mulher é o ex usar o filho para pentelhar, se não tivesse filho não teria problema.

          • Conheço também e, pior, envolvem a própria família (pais, avós) para tentar controlar o ex. Tipo, festa de aniversário do filho com o ex, manda os pais para vigiar a vida dele. Reconheço que depende muito de nível de trouxa da pessoa.

            • O infeliz que é pai fica um pouco vendido, pois se brigar com a mãe do filho, vai dar um desdobramento de merda infinito, coisas como guarda da criança até sanidade mental da criança, já que tem mães que fazem a cabeça dos filhos contra os pais.

              • Detalhe: quando fizeram novela sobre o assunto falaram do contrário, pai que coloca os filhos contra a mãe. No Brasil 85% dos casos de alienação parental são da mãe que “faz a caveira” do pai diante dos fedelhos.

                • Essa tática de manipulação e fofoquinha é uma tendência feminina, infelizmente. Mas o que vende hoje em dia é colocar homem como vilão.

  • Problema sentimental mal resolvido é só pagar um terapeuta que resolve, agora pense numa desgraça sem solução é filhos! Incomodam quando são crianças, crescem e continuam incomodando, às vezes mais ainda com filhos dos filhos! Nem tem comparação, PQP! Nesse texto o Somir me representou total.

  • Filhos de outros relacionamentos são 8 ou 80: ou você assume como sua responsabilidade, ou o relacionamento acaba ali mesmo. Há, também, a alternativa da cara metade deixar seus próprios filhos para ficar contigo – mas, creia, quem faz isso com a própria prole te abandonará na primeira hora que der.

    • Fábio, não sei como nem com quem você se relacionou, mas a pessoa era um parasita sem noção. Que tipo de pessoa desnocionada vai querer que você assuma filho dos outros como sua responsabilidade?

      • Não eu, necessariamente, mas na média os relacionamentos em que uma mulher já tem um filho são quase um padrão: ou a pessoa assume seu lado “padrasto”, ou ele simplesmente não vai para a frente.

        Aliás, via de regra, a “madrasta” dificilmente assume esse papel. Exclusividade, digamos assim.

  • Escolha difícil hoje…mas acho que ainda é péssimo lidar com pentelho feito pelos outros. O vínculo continua ali, quer a pessoa queira, quer não. Sentimento mais cedo ou mais tarde passa (considerando a hipótese de uma pessoa madura e bem resolvida), já filhos…tem que ter a certeza que a pessoa é mentalmente muito bem resolvida (raridade nos dias de hoje) e que não vai bater a vontade de requentar um relacionamento falido.

    De uma forma ou de outra, se por qualquer razão a pessoa não tira o(a) antecessor(a) da cabeça, já sabe

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