As pedras do meu caminho – Final

Tudo que é bom chega ao fim um dia, não seria diferente com a maravilhosa biografia do nosso amado Rafael Pilha. Hoje terminamos este livro que, mais do que uma biografia, é uma lição de vida (basicamente do que não fazer). É com lágrimas nos olhos que escrevo a última coluna sobre esta obra literária que deveria se estudada e encenada nas escolas do Brasil.

Paramos após a soltura do casal Pilhine da prisão por uma acusação totalmente infundada de tráfico internacional de armas. Não se pode mais nem carregar uma escopeta sem documentação embrulhada em um cobertor fronteira adentro que a polícia federal já abusa de sua autoridade, vejam vocês que país repressor. Estou afrontada.

Assim que foram soltos, voltaram ao Brasil. O casal chegou ao aeroporto de São Paulo, já com a programação pensada. Visitar os familiares, os entes queridos, dar um abraço no filho? Negativo, isso é para os fracos, os fortes vão direto para o estúdio da Rede TV bater um papo com a Sonia Abrão, contar os detalhes sobre o ocorrido, pois, como bem diz o livro, “o Brasil inteiro queria saber”. Sim, queria sim, e uma pequena parcela da argentina (no caso, eu) também. Lembro bem desse dia, onde eu me desvencilhei do trabalho para ver a entrevista. Para mim foi como um Super Bowl misturado com natal.

Aline estava visivelmente abatida, falou pouco. Mas o Pilha… ah o Pilha… Ele já tem experiência em entrevista pós-cana, ele brilhou como nunca. Deu aula até de segurança pública o nosso herói! Não tem como não comentar suas declarações brilhantes.

“Eu fui vítima dessa história, não réu. Aline pecou pela inocência e por ser teimosa. Quando ela cisma com uma coisa, não desiste. Quem me critica queria o quê? Que eu a pegasse pelos cabelos? Que eu desse um tapa nela?”. Sim, Pilha. É justamente o que essas pessoas querem. Quando alguém te diz que você não deve concordar em trazer uma arma ilegal fronteira adentro, estão dizendo nas entrelinhas que é para você agredir a sua esposa. Ainda bem que você é um homem honrado, um homem correto e não o fez. Percebem como Pilha é praticamente um Jesus Cristo pós-moderno? Ele se sacrificou por todos nós!

Vida que segue, apesar do trauma. Felizmente, pouco tempo depois desse mar merda, brotou uma flor. Como a própria Sonia Abrão conta, Pilha telefonou para ela às quatro da manhã para dar a notícia de que seria pai novamente, pois Aline estava grávida “e continuou a ligar para amigos e familiares até o dia amanhecer”. Deve ser mesmo muito divertido ser amigo ou familiar do Pilha e ser acordado no meio da madrugada por telefonemas como este. Pilha leva alegria às pessoas, em todas as horas do dia. Ela ainda conta que “de tão empolgados, enviaram dezenas de fotos pelo celular dos bastões com o resultado positivo”. Atenção para as palavras “dezenas de fotos”, somada ao horário “quatro da manhã”.

Quando descobriram que era uma menina, começaram a pensar nos nomes. Pilha queria “Dimítria”, mas Aline, muito sensatamente, recusou a colocar este nome de vodca na filha. Então Pilha escolheu “Lara”, que foi mais bem recebido. Porém, acabou sendo modificado para “Laura”, por ser o nome da avó da Aline. Talvez Aline tenha ficado com ciúmes, já que Lara foi o nome da primeira namoradinha do Pilha, do qual ele ainda guarda cartinhas de amor até hoje, como já vimos aqui. Sinceramente, se um ex meu guarda uma cartinha de amor de uma ex, eu picoto ela até virar confete e depois o obrigo a recolhê-la com o ânus.

Nove meses depois, Aline entrou em trabalho de parto às três da manhã. Enquanto ela era levada para o centro cirúrgico para fazer uma cesariana, Pilha acordava os amigos para contar a novidade e fazia vídeos em redes sociais em tempo real. Não contente, ainda fotografou a si mesmo e à mulher no centro cirúrgico. Na foto oficial do nascimento de Laura, divulgada na mídia (e repaginada pelo Desfavor) podemos ver claramente o olhar receoso da criança, pedindo socorro com os olhos, quase que chamando pelo Conselho Tutelar com seu olhar. Bem vinda ao mundo, Laurinha, que você siga os passo do seu pai e nos brinde belíssimas histórias como ele o fez.

CAPÍTULO 33 – A VOLTA DO POLEGAR SÓ PARA COMEMORAR

Segundo o livro, os ex-Polegares resolveram se reunir “só de brincadeira”. Acho saudável. Acho normal. Qual é o problema de pessoas que chantagearam as outras com uma gravação sobre um crime cometido se reunirem só de brincadeira? Qual é o problema de pessoas que adquiriram um problema cardíaco em função do susto provocado pela irresponsabilidade de outras pessoas se reunirem só de brincadeira? Qual é o problema de pessoas que trocaram socos no avião se reunirem de brincadeira? Não vejo problema algum, e se você vê, saiba que você é uma pessoa ruim, rancorosa e com dificuldade em perdoar. Você vai para o quinto dos infernos quando morrer, nos encontraremos lá.

Desta reunião “só de brincadeira” saiu uma foto, que foi postada em redes sociais e repercutiu de forma muito maior do que se esperava. Diante disso, os Polegares sentiram o quanto ainda são queridos, ou seja, o quanto o brilho do Pilha ainda é capaz de iluminar a eles todos, e resolveram trazer de volta o Polegar oficialmente, para comemorar os 25 anos da banda. Na Polegarlândia o tempo se conta assim: você canta em uma banda por um ano, a banda se desfaz e 24 anos depois você comemora 25 anos de carreira. Quem nunca cometeu um erro de contagem de tempo que atire a primeira pedra.

No meio do processo, um pequeno barraco. Sempre ele, o maldito do Ricardo, invejoso, gordo e chantagista, foi aos jornais reclamar que não havia sido convidado para esse retorno. Alan, formado como médico e com tempo de sobra para brincar de boy’s band aos 40 anos de idade, imediatamente desmentiu as acusações baixas e vulgares de Ricardo: “Ele foi convidado inbox pelo Facebook e respondeu em tom agressivo, usou palavrões. Além disso bloqueou a mim e ao Alex”. Além de dar tiro em vizinho, de não pagar pensão e de mendigar vaquinha para comprar food truck, Ricardo é um mentiroso do caralho.

Agora vejam vocês como o Pilha é magnânimo: apesar de ter sofrido aquela chantagem vil do Ricardo, que praticamente destruiu sua carreira, apesar de uma briga recente em redes sociais apenas por ter tripudiado de uma tentativa de suicídio do Ricardo e da sua falta de dinheiro, apesar do Ricardo estar uma bola gorda, amorfa e com corte de cabelo duvidoso para disfarçar a careca, Pilha interveio para convencer os colegas a deixar o Ricardo voltar. E assim foi feito, Ricardo entrou no projeto.

Eles fazem questão de deixar bem claro que ninguém fez isso por dinheiro, pois são todos muito bem sucedidos (exceto Ricardo, que andou pedindo esmola na internet). Nas palavras de Alan “Hoje, graças a Deus e a muito trabalho, somos bem sucedidos em outras profissões, o Rafael é apresentador e repórter de TV, o Marcelo é advogado, eu me tornei médico (…)”. Sim, sim. Meu ideal de um médico ou um advogado bem sucedido é justamente esse, colocar uma baby look para apertar a pancinha e ir cantar música de adolescente em público. Tão de parabéns por tanto sucesso na vida profissional! Só para fechar este parágrafo com a certeza de que tudo sempre pode piorar, eles chamam o Marcelo de “Polegato” até hoje, por causa de sua beleza.

Assim, o grupo mais uma vez se reuniu para parasitar o carisma e brilho do nosso Pilha. O projeto desdobrou em outros, como por exemplo um CD que o Pilha gravou junto com o Alex, do qual vocês provavelmente nunca nem ouviram falar pois são uns monstros autocentrados mal informado. A banda Polegar voltou a se apresentar em programas de TV, inclusive Pilha conta que chorou antes de entrar ao palco na primeira apresentação, tamanha emoção.

CAPÍTULO 34 – O REENCONTRO COM GUGU

Capítulo totalmente desinteressante, que floreia um mero encontro entre os dois, onde se abraçaram e Gugu perguntou como ele estava. I don’t care.

CAPÍTULO 35 – NADA A ESCONDER: “O QUE NÃO FOI BÊNÇÃO, FOI LIÇÃO”

Relato do próprio Pilha sobre sua biografia, para fechar este sensacional e impagável livro:

“Meu nome é Rafael Ilha Alves Pereira, estou na casa dos 40 anos, tempo de um balanço de vida. Para os que achavam que já conheciam a minha história, fica aqui o que nunca foi contado! O que deixei guardado no sótão. Entre o sucesso e a dor, a angústia e o vício, a música e a marginalidade, entre o amor e o crack, o microfone e o fuzil, o auditório e morro, os fãs e os traficantes, entre o ídolo e o bandido, eu me perdi.

Debaixo das pontes e viadutos, pedras viravam fumaça num cachimbo improvisado, que me misturava fissura e desespero! Tudo dominado, eu estava dominado! Corpo e cabeça já não se juntavam. Eu queria parar, mas cada parte de mim tinha fome de pó. Vivia dividido entre o tormento e o prazer das drogas, vagava feito um zumbi. Fora heroína, experimentei de tudo.

Não queria camisa de força, eletrochoque aos 15 anos, ficar trancado e dopado aos 17, injetar cocaína na veia quase o tempo todo. Em meio a convulsões e overdoses, tentava sobreviver. Mãe, pai, avó, foram ficando para trás, como minha infância e adolescência. Fama, aplausos e carreira também. Vieram as clínicas, as fugas, a paranoia!

Virei manchete das páginas policiais, fui preso e me algemaram a alma! Fundo do poço, depressão, preconceito, perseguição. Só chão duro para deitar, choro seco de frio e conhaque às cinco da madrugada para esquecer de tudo! Mas sempre com muita fé, muita fé!

Nunca deixei de chamar por Deus, mesmo drogado! Para que Ele segurasse minha mão quando brigava de faca na rua, na hora de dar um tiro na minha boca, quando cortei o pescoço. E o Senhor me mandou um anjo, meu filho Kauan! Agora me mandou outro, Laurinha, minha filha! Por eles, estou de pé, limpo renascido. Para eles, cada página desta biografia, que fica em aberto, porque pretendo viver, no mínimo, outros 40 anos. Nada a esconder, até esse penúltimo capítulo, porque sei que o que não foi bênção, foi lição; o que veio como pedra virou construção. O mais difícil da vida é viver e morrer não faz sentido. Então, só nos resta saber achar uma saída! Eu achei várias: vida espiritual, família, amigos, trabalho, conscientização e determinação para dar a volta por cima. Hoje sei que recair nas drogas é deixar minha mãe sem filho, meus filhos em pai e minha mulher sem marido. Meu grito de liberdade foi a soma de tudo isso! Façam suas contas também e que o saldo seja sempre positivo!”

Um desabafo emocionante que nos dá muito material para reflexão: havia necessidade do ghost writer colocar tantos pontos de exclamação? Será que Deus realmente guia a mão que esfaqueia o colega? Quando sairá o segundo volume sobre a fascinante vida do nosso herói?

Só digo uma coisa: muito do que está aí não nos foi possível cobrir, pois nem ao menos sabíamos escrever nas datas do evento. Mas agora? Agora, meus amores, nós somos adultos e somos Team Pilha, atentos, apaixonados e com um ponto de vista único sobe ele. Agora cada passo, cada peido molhado, cada falta de papel higiênico, estaremos lá para cobrir de um ângulo que mais ninguém o faria. A próxima biografia dele é nossa e ninguém tasca!

Para dizer que vai sentir falta desta coluna, para dizer que já fez macumba para alguma subcelebridade morrer dentro da Fazenda de modo a que o Pilha entre ou ainda para dizer que, assim como a Justiça, o Pilha tarda mas não falha e em breve teremos mais material para falar dele: sally@desfavor.com

Se você encontrou algum erro na postagem, selecione o pedaço e digite Ctrl+Enter para nos avisar.

Etiquetas:

Comentários (8)

  • Olha, eu não vou sentir falta da coluna não. Sim, eu votei para que ela existisse, mas eu achei que seria somente no ano passado. Aí o ano acabou e eu pensei que até o aniversário dele, quando completaria 1 ano de textos, terminaria. 7 meses depois completou o livro, eu acho que se extendeu demais. Estou aguardando o Pilha aprontar mais uma novidade. Mas vou reler essa obra prima enquanto isso.

    Dá pra mim, o volume II, dá pra miim!

  • Padaria Letícia, Morumbi.
    Minha filha tava querendo aqueles docinhos/brinquedinhos q ficam próximos ao caixa, aí olho pra trás e lá estava o Pilha, atrás de mim, na fila. Aí ele comentou q com a filha dele era a mesma coisa. Eu perguntei a idade. Ele respondeu “2,5”. Perguntei se ele morava por lá. Ele disse até qual rua era. Nos despedimos e fui pegar comida pra minha filha. Aí pensei: podia ter tirado uma foto com ele pra Sally, mas já era tarde. Ele estava com uma camisa azul do Brasil. Aliás, “vamo amos, Argentina!” Chupem, BMs secadores!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Relatório de erros de ortografia

O texto a seguir será enviado para nossos editores: