Já faz tempo que batemos na tecla aqui: cada vez mais, pets são tratados como crianças e crianças como animais. O reflexo disso está nos produtos que vem sendo lançados para animais de estimação.

Sabemos que faz tempo existem produto risíveis, como carrinhos de bebê para pets, roupinhas e outras coisas igualmente perturbadoras. Mas agora está pior. Se você ainda não tem a clara noção do grau de humanização tosca de animais que estão promovendo, dá uma olhadinha nesses produtos…

Vamos começar com a boneca inflável para cães. Isso mesmo, uma cadelinha inflável que serve para o animal se masturbar quando quiser. Esse é o grau de crueldade do ser humano: pega um cachorro macho, o isola do convívio animal, não castra e também não disponibiliza uma fêmea para que ele possa cruzar de tempos em tempos. Deixa o bicho trancado, neurótico, cheio de energia sexual.

A solução poderia ser tentar dar uma vida minimamente saudável e levar para uma cruza duas ou três vezes por ano, ou então castrar. Mas não, acham preferível comprar uma cadela inflável. Digite “cadela inflável” no Google imagens e observe que existem diversos modelos, o mais famoso é o “Hot Doll”. Não é um produto exótico que você precise bater perna para encontrar, é um produto campeão de vendas, ou seja, muita gente utiliza este recurso e acha que é aceitável e bom para seu cão. Sem comentários.

O cão do brasileiro médio pode não fazer sexo e ficar neurótico, mas estará sempre bonitinho. Para garantir este patamar ridículo, diversas marcas lançaram produtos de beleza para pets. Sim, cuidados de beleza que, até então, eram exclusivamente humanos, agora são voltados para um animal que lambe o próprio cu e não tem a menor preocupação estética. Um deles é o esmalte de unhas para cães e gatos.

Surpreende a quantidade de marcas nacionais e importadas disponíveis: Tchuska, Pet Head, Color Paw e outros. As cores são as mais tenebrosas possíveis e o campeão de vendas é um rosa-buceta muito do brega. Mas calma que piora: não contentes em passar esmalte de unha em um animal de rabo, os seres humanos também compram adesivos de unha e fazem unha decorada em seus pets, algo que mesmo em humanos, já deveria gerar prisão perpétua. Aí pintam suas unhas e as unhas dos pets iguais e tiram foto para rede social. Não há a menor condição que estes animais não fiquem neuróticos, problemáticos e confusos com esta criação.

Pensando nessa problemática que eu citei sobre lamber o próprio cu, a indústria pet resolveu solucionar o problema. Animais se portando como animais não é algo atraente, espera-se que se portem como bebês, nesse universo doentio e retardado de “mãe de pet”. Era preciso adotar alguma providência.

A providência se chama “Pet Butt Hole Cover”, ou, em bom português, cobridor de cu de animal. Sim, são adesivos em formatos engraçadinhos, como flores ou diamantes, para serem colados no fiofó do seu cão ou gato, de modo a que ele não possa se lamber. Pronto, seu pet está um passo mais perto de se tornar o seu bebê, quer dizer, ele é ainda melhor que um bebê, pois bebê cresce, fica independente e questiona a mãe. Pet não, ele não fala, ele não pensa, ele vai te amar para sempre, não importa quão insuportavelmente carente e chata você seja.

Está chocado? Fica calmo que piora. O que você acha de um assento de privada adaptado para seu pet? Isso mesmo, você e um animal cagarão no mesmo lugar! Achou o assento ruim? Tem pior, tem o Citti Kitty, cujo comercial parece um vídeo de humor: Sua proposta não é adaptar o vaso sanitário para o gato, é treinar o gato para usar o vaso sem nada! Isso mesmo, você vai roçar seu cu onde seu gato roçou o cu dele, e tá tudo lindo. Diversas versões desta atrocidade, com nomes ainda piores (como Gatoalete) estão à venda.

Francamente, eu já fico incomodada em dividir privada com outros seres humanos, acho que tinha que ser como escova de dentes: uma para cada pessoa e não se mexe com a do outro. Imagina fazer suas necessidades juntamente com um animal? E, um pequeno detalhe: ainda que você ensine um animal de rabo a fazer suas necessidades no vaso… quem vai dar a descarga?

Calma, tem mais. Apesar do animal não se importar com questões estéticas, donos neuróticos projetam no infeliz todas as suas inseguranças e frustrações. O resultado? Nasce um mercado de cirurgias plásticas para pets. A moda do momento é colocação de testículos falsos, se silicone, para preencher o saquinho de animais castrados. Em vários tamanhos e texturas, esta atrocidade nem ao menos é barata. Começo a achar que deveriam implementar um teste psicotécnico para que uma pessoa tenha o direito de adquirir um animal de estimação.

Tá pouca a humanização? Podemos piorar. Comer no chão é coisa do passado, um animal de estimação hoje em dia pode sentar à mesa com o dono. Diversos modelos de cadeirinhas acopláveis à mesa estão à venda. A mais recomendada por donos deficientes mentais é a The Pet High Chair, que permite comer no mesmo prato que os humanos, afinal, aquela tigela de comida não traduz um verdadeiro amor do dono pelo cão. Aproveitando o embalo, existem também talheres para pets, afinal, ele certamente precisa que você leve comida até sua boca.

E se o acesso à mesa estava pouco, vamos dar acesso irrestrito à casa toda para um animal que caga e não limpa a bunda. Escadas ergonômicas permitem que seus pets pequenos subam no sofá, na cama e onde mais você quiser, pois só é amor de verdade se um animal que fede puder se esfregado no estofamento de todos os móveis da casa! Pronto, com este combo você vai ter certeza que o cão tem os exatos mesmos direitos e acessos à casa que você. Amar é nunca dizer não.

E se você é uma mamãe pet empoderada muito ocupada, que trabalha o dia todo e mora sozinha, não se preocupe. Não é egoísmo comprar um pet para deixa-lo o dia todo sozinho, apenas para que, quando você chegue, exista alguém que realmente sentiu sua falta e te ame na casa. Não, nada disso. É lindo. Pode aplacar sua culpa com as babás eletrônicas de pets, que, quando o animalzinho late muito, enviam uma mensagem direito para a sua rede social avisando.

Aí você pode usar esta mesma babá eletrônica para falar com seu pet diretamente do seu trabalho. Além de aumentar o respeito que todos os funcionários da empresa tem por você, seu pet quase não ficará confuso a ver sua voz saindo sabe-se lá de onde sem que você apareça. Sua produtividade também vai aumentar muito, afinal, interromper o trabalho cada vez que um cão com uma rosa colada no cu late deve ser ótimo como descanso criativo!

Mas ainda é pouco, é preciso mais para assegurar que o que era um animal saudável, que corria, caçava ou cavava buracos no jardim vire algo muito próximo a um brasileiro médio. Para isso, criaram a cerveja canina. A marca mais famosa é a Bowser Beer, que vem em um engradado com seis garrafas. Pronto, agora você já tem garantido um amigão para tomar aquela cervejinha com você!

A sanidade mental do brasileiro está cada vez mais questionável, principalmente das mulheres. Não, não é machismo, é estatística. Você não vê homem fazendo essa mongolice de pintar unha de cachorro e colar margarida no cu do bicho para que ele não se lamba. Tenham vergonha nessa cara, animal feliz é animal que leva vida de animal!

Para dizer que seu pet gosta dessas coisas, para dizer que eu não sei amar ou ainda para dizer que enquanto corre para ver o latido do pet na babá eletrônica a criança tá largada na creche: sally@desfavor.com

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Comentários (15)

  • Conheço pessoas que nao podem saber que essas coisas existem pq com certeza comprariam. Muito bizarro isso, só tenho dó desses pets!

  • Agora só falta lavar o pelo do bicho com Kerastase.
    Entretanto eu achei a ideia da privada para gatos boa. As pessoas devem achar mais prático e higiênico deixar o animal fazer no vaso do que ter que ficar catando cocô depois. Lógico que o ideal seria fazer no quintal.

      • Como não? Eu também tenho…
        Agora falando sério: não sei. Eu tinha visto uma vez na televisão um gato fazendo cocô no vaso e depois tentando enterrar o nada. Foi engraçado, mas eu não sabia que existia um produto para isso, pensei que era coisa daquele gato.

        Se o bicho vive em apartamento o dono sabe onde ele foi. O gato deve ter sentado no chão, no sofá, na cama, mesa e nas prateleiras. O próprio senta na maioria desses lugares e eu acredito que estejam limpos. Também creio que ele lave a privada diariamente e que leve o animal ao veterinário para vacinas, dê banho, remédios, comida de qualidade. Assim, se não houver contra-indicação acho que não haveria risco de pegar doenças. E levantar a tábua seria uma boa ideia.

  • animal feliz é animal que leva vida de animal! [2]

    Há coisas nesse texto risíveis demais pra serem verdade. Tô até com medo de pesquisar essa “flor-de-cu” e descobrir que existe!

    Tem gente que leva esse negócio de “mãe de pet” a sério demais! É quase uma doença!

  • Francamente, me faz mal ler este texto. Me deu engulhos. Não tenho estômago pra isso… Inacreditável. É sério que tem mesmo gente que trata seus animais de estimação – não gosto do termo “pet” – dessa maneira? Com florzinha no cu, cadela inflável e unha pintada? Que mundo é esse? E o que aconteceu com o bom e velho tratar os bichinhos como bichinhos?

    • Caríssimo(a) W.O.J., saudações!
      Essas pessoas existem sim, e não são poucas! Aqui no cu (sem adesivo!) de mundo onde moro as pessoas ainda são apenas retardadas com cachorro e não chegaram no nível dos seres (me recuso a acrescentar “humanos” à palavra “seres”!) adoradores do Santo Cão Sarnento que certamente abundam nas capitais do sudeste (sim, porque isso só pode ser coisa de paulistano, um dos maiores absorvedores de lixo, modismos ideológicos e outras atrocidades criadas por gringo!); mas uma coisa que tem me emputecido muitíssimo é constatar que esses filhos das putas arrombados andam espalhando pelas principais esquinas daqui pratinhos com água e ração (sim, ração!), transformando as ruas centrais da aldeia num enorme canilzão, com direito até mesmo a merda canina em quantidades acima do normal num lugarejo já naturalmente sujo (aqui é um dos lugares mais fedidos e imundos onde já tive o desprazer de morar. E é sul do país, hein?), bolinhas de ração a cada passo na calçada e hordas de cães comodamente instalados até mesmo no meio da rua, a ponto de não estarem nem aí quando um carro se aproxima. Tudo isso com o beneplácito de uma dessas instituições de adoradores de cães que, se você antagonizar, passará imediatamente a ser mal visto e socialmente reprovado pelas “personalidades” nativas. Muito nojo e muito medo disso tudo!

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