Prostitutas e deficientes.

A semana do C.U. continua, e seguindo seus desejos, hoje trago para vocês um tema leve e animado: prostitutas para deficientes. Porque sim, existe todo um mercado específico para isso, e estou falando de deficiências daquelas bem pesadas. Os extremamente aleijados também fodem, veja só… bom, na pior das hipóteses, levanta a coluna “Não Fode”, que tinha broxado um pouco nos últimos meses. Vamos?

Você deve estar pensando que nunca… pensou nesse assunto antes, não? Compreensível, a própria ideia da deficiência física já mexe com um lado da nossa mente que costumar querer ser deixado quieto. Incomoda, e não é todo mundo que tem em si o que é necessário para lidar com essas pessoas de forma minimamente racional. Mas essas pessoas estão aí do mesmo jeito. E salvo algum dano cerebral realmente específico, o impulso da sexualidade não está desligado. Até porque a necessidade de procriar está programada nas partes mais básicas da nossa fisiologia.

Tem que falhar muito dos sistemas que nos mantém vivos ao mesmo tempo para a vontade (consciente ou não) de fazer sexo desaparecer. Aliás, em vários casos, o corpo fica impossibilitado de perseguir esse desejo primal sem mudar uma vírgula do impulso da pessoa. Digo mais, em tantos outros casos, a pessoa demonstra impulso sexual mesmo se a mente tenha se deteriorado em algo que torne a própria ideia de consentimento nebulosa. O corpo humano foi afinado por milênios de evolução numa máquina que só abre mão da capacidade de procriar aos 45 do segundo tempo, e olhe lá.

Cidadão pode estar entrevado, parecendo uma erva daninha crescendo numa cadeira motorizada, mas é bem capaz de ter uma ereção. O pênis humano é formado por tecidos esponjosos que se enchem de sangue a partir de estímulos vindos dos sentidos, então, salvo uma catástrofe da cintura para baixo, é pra funcionar. Os músculos que podem ser ativados para fazer coisas como “o helicóptero” (isso sim é privilégio masculino) não interferem na ereção em si. E só pra complementar: o processo que engatilha o esperma na arma acontece sem intervenção consciente do homem, então, não importa o estado dessa pessoa, ele ainda pode procriar dadas as condições ideais.

E no caso das cidadãs, a não ser que o útero tenha sido destruído, ninguém avisou para o sistema reprodutor delas que era para fazer algo diferente. Como o processo de excitação feminino também não exige um pensamento consciente da mulher, e é uma reação a estímulos que podem ser mentais também (no caso delas, ainda mais), nada impede que ela fique lubrificada, mesmo que esteja batendo palminhas para uma parede nas últimas quatro horas. E se o óvulo estiver na sua maturidade na hora do sexo, o processo de gerar filhos está lá do mesmo jeito. Como eu disse, o corpo humano faz um esforço insano para se manter capaz de reprodução… existem vários casos de mulheres em coma que apareceram grávidas, inclusive.

Sobre a capacidade de sentir prazer, bom, pode variar. Se houver caminho liberado entre zonas erógenas e cérebro, ela vai estar lá. E pela incrível característica humana de transformar o simples impulso elétrico de uma sensação num coquetel de sentimentos potencializados, muitas pessoas que teoricamente não deveriam ter sensações em partes do corpo relatam sentir prazer no sexo com elas, embora diferentes das tradicionais. O que até faz sentido, porque a ideia de “dor fantasma – a dor que pessoas dizem continuar sentindo em membros que foram amputados e obviamente não estão lá – é muito bem estudada e não é tratada como invenção dessas pessoas pela ciência. O cérebro é capaz de fazer algumas coisas impressionantes mesmo quando não parece ter material para isso. E no caso de pessoas que tem ligação completa entre zonas erógenas e cérebro, é óbvio que elas sentem.

Basicamente todo mundo que não é criança ou assexuado fode ou quer foder, mesmo aqueles que nem entendem direito o conceito. Bateu a puberdade, diga adeus à sua paz sobre o tema. No fundo todo mundo deve saber disso, mas é desconfortável pensar no assunto… porque a não ser que você esteja pensando num cadeirante ou amputado, começa a ficar bem mais complicado conceber que pessoas com deficiências físicas muito severas (vulgo parecem que foram criadas por um gerador aleatório de jogo de RPG) ou mesmo mentais que reduzem a capacidade de agir feito adulto (vulgo aquelas crianças gigantes que adoram um abaaaço) podem ou querem fazer sexo ou atividades relacionadas.

Não por elas, mas pela ideia de quem alguém tem que encarar aquilo! Não é um lugar que sua mente quer ir, por um lado você não tem nada necessariamente contra essas pessoas e não deseja o mal delas, mas é uma verdadezinha escrota que precisa de muita coragem/desespero/falta de noção para querer fazer sexo com elas. Evoluímos para valorizar saúde e viabilidade genética em nossos parceiros, quase todos os padrões de beleza e/ou atração trabalham com essa ideia de uma forma ou de outra. É melhor nem pensar que esse tipo de deficiente severo quer fazer sexo, porque a ideia de que alguém tem ir lá e pular nessa granada não é agradável de imaginar. Até porque mexe com nossos medos de deixarmos de ser atraentes em geral. Adianta tapar o sol com a peneira? Se uma pessoa gorda já reduz a qualidade da atração sexual para seus parceiros, imagina uma que parece uma obra do Picasso?

E tem outra, ainda mais se você está aqui no Brasil: temos tantos problemas tão mais básicos que ainda se gasta muito pouco tempo pensando nas necessidades de deficientes físicos e mentais. Sim, existem muitas entidades que dão seu jeito pra cuidar deles, mas raramente com a disposição necessárias para ir até o tema dos desejos sexuais dessas pessoas. Junte a isso a quantidade dessas entidades que fazem parte de igrejas e você vai ver que o que é naturalmente reprimido pela nossa repulsa à ideia de sexo com deficientes físicos severos ou mentais fica ainda pior com o moralismo da sociedade brasileira. Tem gente que nem “na mão” tem condição de ficar.

Mas quando saímos do Brasil, em países mais civilizados onde eles tem mais tempo e disposição para lidar com esse tipo de problema, entramos em outro tipo de polêmica: em 2010, ficou famosa uma notícia sobre um rapaz que recebeu verba pública para viajar da Inglaterra para a Holanda, para visitar o distrito de bordéis mais famoso de Amsterdã. Gerou confusão, gerou polêmica, e gerou, espero, alguma diversão para o rapaz. Porque depois de tudo feito, seria um desperdício ele não pegar ninguém. Confesso que pareceu um gasto desnecessário de verba pública, mas tratava de um problema muito real: essa gente sente necessidade de sexo ou pelo menos alguma intimidade física do tipo, e honestamente, não tem muita gente disposta a ir pra cama com elas. Em países ricos europeus e na Austrália, o assunto ficou mais aberto e se fala com muito mais desenvoltura sobre como assistentes sociais usam uma parte das verbas que tem para cuidar dessas pessoas para pagar prostitutas. O argumento é que o uso de profissionais do sexo diminui o número de deficientes depressivos ou suicidas. Complicado argumentar contra uma necessidade humana tão básica.

E segundo relatos, nos casos de pacientes realmente vulneráveis, as cuidadoras ficam nos quartos observando aquela cena dantesca para ter certeza que as prostitutas vão entregar o prometido e não fazer mal para aquele ser espástico e indefeso. Adicional de insanidade deveria ser obrigatório nesses casos. E como um desses programa funciona? Temos relatos de algumas delas que se especializam nesse tipo de cliente: é comum que elas façam o trabalho pesado de movimentar e despir o deficiente, e na melhor das suas habilidades, evitar baba e outros fluidos corporais não condizentes com o ato sexual. Sério, uma delas relatou que a parte mais difícil era a quantidade de baba que esses clientes soltavam em sua cara. Não deve ser uma cena bonita.

Mas evidente que não são só os governos que pagam por isso em programas sociais, na média do mundo, o comum é o próprio deficiente (quando tem lucidez e desenvoltura o suficiente) procurar o serviço, ou mesmo sua família quando sentem que a coisa está ficando muito difícil. Em Berlim, existe um cinema pornô que virou point de deficientes procurando por sexo pelo simples fato de ser o único do tipo realmente acessível para cadeiras de rodas. Alguns vão pelo serviço completo, outros só para procurar uma mão amiga durante a atração principal. Segundo relatos das trabalhadoras locais, não é incomum que o deficiente seja trazido pelo pai, pelos irmãos ou mesmo pela mãe. Eu imagino que seja difícil de lidar com essa ideia, mas se a família encara uma situação constrangedora dessas só para o cidadão gozar uma vez, é porque a coisa ficou insustentável. Imagino que por motivos óbvios, isso não dê para prover para a pessoa em casa. Muito embora eu já tenha lido em cantos obscuros da internet que existem sim casos de mães que emprestam uma mão para filhos nesse estado. O que seria mais terrível, fazer isso ou levar para uma prostituta? Eu sabia que esse seria um assunto complicado.

Mas nem todas as mulheres que prestam esse tipo de serviço de alívio sexual para deficientes muito deficientes se consideram prostitutas, no Japão, existem mulheres trabalhando para oferecer isso só para essas pessoas, é feito de uma forma quase que médica. Com luvas de borracha, muitos lenços de papel e foco em resultado rápido. Algumas delas são tratadoras que perceberam um nicho de mercado, outras tem treinamento como enfermeiras. Mas, principalmente nesses casos onde o cidadão tem algo como paralisia cerebral, fica bem complicado definir o quanto ele pode consentir. Que um pênis pode funcionar mesmo sem a compreensão de seu dono, já sabemos. Que prazer sexual pode ser alcançado mesmo sem ter a noção do que é sexo, também. Então, mesmo que o deficiente esteja sorrindo e parecendo gostar… qual a linha onde se define que ele topa aquela situação? Quando é que vira algo análogo ao estupro?

Brincadeira, eu só estou falando de homens. Ninguém se importa com isso na vida real. Na verdade, as únicas reações negativas mesmo sobre prostitutas e deficientes físicos e mentais vem de feministas que consideram as prostitutas as vítimas, obrigadas a fazer um serviço degradante. E homem, por mais distorcido que esteja no corpo ou na mente, é sempre estuprador. Mas, cá estou eu colocando opiniões no tema. Complicado de evitar… porque se você é uma pessoa atenciosa, percebeu que em nenhum momento eu falo de mulheres com enormes deficiências pagando por sexo. Deve ter? Com certeza tem. Mas é tabu ao quadrado. Se um gigolô assume que faz sexo com mulheres muito deficientes, é capaz de ser preso como estuprador na hora. Só que como vimos, vento que venta lá, venta cá: mulheres muito deficientes também exibem essa necessidade sexual, está nos genes. Mas eu nem consegui achar muito material de pesquisa nesse sentido. O que provavelmente significa que é ainda mais escondido, ou que homem é realmente uma raça que come qualquer coisa que tenha um buraco.

E falando em buracos, com esse no lado feminino da história eu vou me despedindo. Espero que vocês tenham imaginado belas cenas e ido para lugares da sua mente que nunca quis ir. Afinal, eu não poderia me foder sozinho nessa, não?

Para dizer que concorda com as feministas, para dizer que já viu um ou dois vídeos traumatizantes ou mesmo para dizer que estava excitado no primeiro “baba”: somir@desfavor.com

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Comentários (23)

  • Fiz um trabalho voluntário numa organização que acolhe pessoas com deficiências (física e mental) na Irlanda. Por ser um país extremamente católico, essa questão de sexualidade para deficientes era um tabu. Consequentemente havia varios casos de loucos/deficientes que não conseguiam se controlar e acabavam atacando os assistentes. Isso acontecia com mais frequência entre as mulheres deficientes, que vez ou outra gritavam dizendo que precisavam transar. (Acho importante destacar isso, porque acho que acabamos associando essa “perversao” ao gênero masculino, erroneamente).

    Por outro lado, na unidade de Bruxelas dessa mesma organização, o governo e a organização defendem essa questão e pagam prostitutas/prostitutos para dar uma mãozinha, literalmente. Lá quase não há relatos dos doidos/deficientes atacando assistentes, funcionários e pessoas nas ruas.

  • Sujeito interessante esse C.U.

    Ler essas pautas me faz lembrar da minha época de freqüentador assíduo do /b/ do 4chan.

  • Me surpreendi ao descobrir o Somir ao final do texto, rs, jurava que era texto da Sally.
    Bom, não é questão de “parar pra pensar”, mas já me vi em pelo menos duas situações pensando mais ou menos nisso, devido a 2 filmes que fiquei sabendo da existência pois foram indicados para algumas premiações: As Sessões (com a Helen Hunt) e o Fale com Ela (do Almodóvar, sem ninguém conhecido até onde lembro…).
    Quando você se envolve um pouquinho com o que seria a possível história de vida dessas pessoas, é um festival de sinuca de bico moral. Almodóvar faz a gente, por um momento, torcer pelo “bandido”, o que é perturbador e preocupante. Fica a dica pra quem quiser conferir ;)

  • Só passei pra dizer que homem come qualquer coisa que tenha buraco por isso não tem demanda para gigolôs para mulheres deficientes.

    • Coincidentemente hoje li o seguinte relato na página “Ginecologista Sincera” do Facebook:
      “Mana, quando eu entrei na área da saúde, há uns 7 anos atrás, teve um caso bizarro. A esposa tinha uma bolsa de colostomia.
      O marido não a largou. Mas o orifício vivia infeccionado.
      Adivinham?
      O infeliz só transava com ela se fosse ali, no orifício da colostomia.
      É um doente. E ela correndo risco de ter uma septicemia, deixava. Ele falou que era pra provar o amor que ela tinha por ele.
      Isso é triste! Aconteceu com ela, e infelizmente tenho certeza que com muitas outras.”
      Como esse, haviam muitos outros relatos do tipo.
      Ou seja, tem gente muito mais doente do que os doentes fisicos.

      • Adriana, ouvi uma história muito parecida de uma colega de faculdade uns 10 anos atrás. O pai dela era médico e contou que isso aconteceu com uma paciente na época em que ele fazia residência. Após o tratamento, o orifício da colostomia não cicatrizava de jeito nenhum, os médicos não entendiam o que estava acontecendo, até que disseram pra ela que teriam que fazer uma intervenção cirúrgica pra “fechar o buraco”. Aí o marido da infeliz surtou, não queria autorizar de jeito nenhum! No fim das contas, era pelo mesmo motivo do caso que você contou, e não sei que fim levou a história… das duas, uma, ou essas histórias são lenda urbana, ou então, tem muito mais gente louca e bizarra nesse mundo do que a gente imagina! (Temo que seja a segunda opção…).

      • Aproveitando a deixa, aí vai outro caso verídico. Esse foi contado por uma amiga bem próxima, e aconteceu com uma colega de faculdade dela. Essa moça começou a ter uma coceira nas “partes íntimas”, que evoluiu pra uma infecção, que nada curava… passou por uma série de ginecologistas, fez exames, tomou remédios, fez 500 tratamentos e nada, já estava desesperada. Ela não era uma pessoa promíscua, namorava o mesmo cara – um estudante de medicina – há anos, não poderia ser uma DST. Até que, após muito investigar, descobriram que se tratava de uma infecção causada por uma bactéria que se desenvolve em cadáveres. Resumindo, o namorado era monitor das aulas de anatomia e FAZIA SEXO COM OS CADÁVERES, pegou a tal bactéria e passou pra moça. Na hora eu não acreditei, é muito surreal, mas a minha amiga jura que a história é verdade e que todo mundo da universidade ficou sabendo na época.

  • Assisti recentemente um documentário que apresentava uma dessas japonesas que prestam essa espécie de “serviço sexual” para deficientes e pessoas com dificuldades de relacionamento nos Estados Unidos. Realmente, elas não se consideram prostitutas, mas sim, quase umas psicólogas. É bem bizarro! Pra quem tiver curiosidade, é um episódio de um programa que passa na CNN dos EUA, chama-se “This is Life”, de Lisa Ling, Episódio 1 – “Sexual Healing”. Não achei no Youtube (lá tem episódios das outras temporadas), mas deve ter para baixar em outras fontes. Aliás, recomendo a todos o “This is Life”, a cada programa a Lisa apresenta um tema polêmico em voga atualmente. Vale a pena ver, gosto da abordagem dela! Antes ela tinha o “Our America”, que era a mesma coisa, só que focado na sociedade americana, interessante também.

  • “Sério, uma delas relatou que a parte mais difícil era a quantidade de baba que esses clientes soltavam em sua cara.“

    O pior é imaginar que essa baba provavelmente (ou com certeza) vem dos buracos das traqueostomias! A coisa MAIS nojenta existente pra mim – e olha que eu já lidei com quase todas as coisas nojentas possíveis do ser humano.

    Mudando o tema, concordo que existem todos os tabus envolvendo o tema, principalmente em relação às mulheres deficientes, e isso atrapalha muito essa questão (que é sim uma necessidade básica do ser humano). Mas mulheres em coma aparecendo grávidas foram estupradas!

  • Mães que emprestam uma mão para o filho? Que nooojo. Que procurem o médico e peçam aquele remédio que dão para os presos estupradores e fica tudo certo.

    Agora Somir, conta aqui… já que você pesquisou e disse que tem casos que pessoas ficam no quarto assistindo a bizarrice… ninguém filmou isso ainda não?

    You and me baby ain’t nothing but mammals so let’s do it like they do on the Discovery channel.

    • Já apareceram alguns vídeos sim. Na minha fase “ver coisas horríveis até queimar as retinas” eu vi uns dois desses. Só não tenho certeza se eram reais ou pessoas simulando. Porque, sinto informar, DEVE ser o fetiche de alguém.

  • Não é mais fácil resolver na punheta/siririca? Se bem que tem nego pra ganhar $ com tudo. Mas daí no caso quem paga a puta ou puto é a família, né? Eu não pagaria pra parente, não. Não pago nem pra mim! Resolve na mão que é 0800.

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