Má condução.

Nem precisa de notícia dessa vez, todos nós estamos vendo o desfavor da semana acontecer diante de nossos olhos. A greve dos caminhoneiros desabasteceu postos e supermercados, sem conta o cérebro da população…

SALLY

O assunto dispensa apresentação, todo mundo sabe a belezura que foi esta semana. Quem vive em lugares mais civilizados encarou alguns transtornos, quem vive em lugares não-civilizados, como o Rio de Janeiro, encarou um grande Aniversário Guanabara. Minha opinião? Estou achando ótimo.

Não, não é apenas um desejo infantil de ver tudo queimar enquanto eu assisto tocando harpa. Vai bem além daquele prazer usual que eu tenho ao ver que o caos se instaurou porque plantaram merda e colheram bosta. Neste caso específico, eu encaro a bosta como algo muito além de bosta: adubo.

Acho importante e necessário que coisas como essa aconteçam. Esse tipo específico de bosta não é apenas bosta, é adubo para que, quem sabe um dia, as coisas mudem. Pela primeira vez eu estou presenciando algo dessa natureza no Brasil: os caminhoneiros são classe que chegou mais perto de parar o país. Alguém finalmente fez alguma coisa diferente.

Os culpados para que isto chegue ao ponto em que chegou são irrelevantes, até porque, como sempre, é uma confluência de culpas que a metade que não está no poder joga para a metade que está no poder e vice-versa. Passou da hora de aprender que no Brasil todo mundo tem culpa, inclusive quem fica do sofá reclamando que político é tudo ladrão. Chega desse joguinho de empurra, de ficar jogando responsabilidades. Todo mundo tem culpa.

Por isso, não vou discutir responsabilidades hoje. Para isso tem redes sociais e tem imprensa. Foda-se de quem é a culpa (repito: de todo mundo), tem algo maior acontecendo: uma classe se uniu, iniciou uma greve e conseguiu afetar um país inteiro. Isso é lindo, isso é maravilhoso. Mesmo que me prejudique de alguma forma, para a big picture, é simplesmente sensacional.

Tem hospital sem remédio? Tem sim senhor. Tem animais se canibalizando por não receberem comida? Também. Tem prejuízos mil, cada um em uma escala de danação. Mas eu não quero olhar para o individual, eu quero olhar para o coletivo. Melhoras individuais são irrelevantes para o mundo, são as coletivas que fazem a diferença. Enquanto não estivermos todos bem, ninguém estará bem. Ubuntu. Vocês conhecem o discurso, né?

Desde o começo do ano os pseudo-intelectuais estão gritando que se o Lula for preso vão parar o país, que vão fazer e acontecer. Taí o molusco enjaulado e a única coisa que esses bostinhas fazem é ficar berrando “Bom dia” do lado de fora da gaiola. Caminhoneiros, pessoas supostamente com pouca instrução, sem qualquer bravata ou ameacinha, fizeram acontecer e em poucos dias mostraram ao país que estamos todos em suas mãos.

Meus olhos chegam a encher de lágrimas ao ver que ainda tem gente com densidade neste país, gente com hombridade, com coragem. Que bom que ainda tem gente que arregaça as mangas e bota para foder neste país, não apenas os faniquiteiros desmontados emocionalmente que dão tapa na cara do colega no mercado por um saco de feijão por ter medo de passar fome. Muito bom ver que ainda tem gente inteira, que faz acontecer. Tô feliz, tô feliz pra caralho! Mesmo que falte comida, tô feliz pra caralho!

Tão vendo porque eu sempre falei que levo fé em gente burra? Que gosto de gente burra? O burro faz acontecer, meus queridos. Enquanto o inteligente conjectura, se preocupa, problematiza, o burro vai lá na grosseria e age. Podendo ter ambos, maravilha, mas se tiver que escolher, prefiro gente que faz do que gente que pensa. Olha aí, palhacinhos do QI, caminhoneiro parando o país e ferrando com todos nós. Burro é quem fica paralisado, seja lá por qual motivo for. Inteligente é que, independente do intelecto, arregaça as mangas e faz, mesmo que erre. Vai lá e faz.

Além de levar um baile dos caminhoneiros “burros”, os supostos inteligentes ainda deram vexame protagonizaram um desfavor que não é só da semana, é da década: derramaram sobre todos jatos diarreicos de falta de estrutura para encarar a vida. Se portaram de forma histérica, alarmista, desproporcional e medrosa.

O brasileiro mergulhou de cabeça no medo esta semana, tal qual uma mocinha quando vê um rato no chão da cozinha. E pior: propagou este medo com prazer para o máximo de pessoas que podia, travestido de boa intenção. Não é. São histéricos frustrados e medrosos mesmo. É uma forma válida de se manter na inércia, o esporte favorito do brasileiro. Ninguém cobra nada a quem está paralisado de medo, e é nessa que malandro se acomoda.

É um pacto silencioso: todo mundo espalha o medo para que todo mundo esteja socialmente autorizado a se manter inerte, sem ser cobrado. Convencionou-se que é cruel cobrar atitude de uma pessoa frágil que está assustada, então, todo mundo busca motivos para ser vítima, para se manter no medo, que no fundo, significa vagabundear e não se fazer responsável por porra nenhuma.

Nesse contexto, mentiras alarmistas divulgadas em redes sociais e no whatsapp conduziram a uma espécie de histeria coletiva esta semana, em maior ou menor grau, dependendo do local do país. Entristece ver que o brasileiro ainda é um povo tão manipulável. Em questão de segundos as pessoas deixam o medo entrar e conduzir seu comportamento dali pra frente, eu diria, com um certo prazer.

O emocional das pessoas está triturado, em frangalhos. Adultos medrosos, hiper-reativos, desestruturados. Quando foi que as pessoas entraram nesse processo de retardamento emocional? Mas que falta de estrutura é essa pra vida que quando algo sai fora do script, em vez de arregaçar as mangas e agir conforme a necessidade, as pessoas faniquitam e se estapeiam para estocar comida?

O brasileiro está muito mal de cabeça. Muito mesmo. E não percebe que está mal de cabeça. Ele saboreia o medo como quem degusta um prato típico do país. A autoestima está tão baixa, mas tão baixa, que qualquer contratempo já causa pânico, desespero, pensamentos trágicos. Maior país católico do mundo dá provas de que, além de estar bem fodido de cabeça, não tem a menor fé.

Em uma análise rasa, vejo isso como consequência desses adultinhos que nunca toleraram ser contrariados. Politicamente corretos, mimadinhos, querendo tudo no seu tempo e no seu jeito. Geração Fluoxetina. Geração Déficit de Atenção. Geração Transtorno de Ansiedade. Geração Depressão. Geração Síndrome do Pânico. Geração A Culpa É de Uma Doença e Não Minha. Francamente, senhores. Recomponham-se. Está ridículo.

Cambada de covardes, medrosos, faniquiteiros movidos a remedinho. Ainda tem a ousadia de ficar exaltando a raça do brasileiro! Cadê a garra? Um povo batalhador? Bora mudar o hino para “verás que um filho teu FOGE à luta”? Ah, faça-me o favor, se o medo está vencendo e tornando suas vidas incapacitantes, em vez de espalhar esse veneno e contaminar quem ainda está são, procurem ajuda. Encontrem um pouco de autoconfiança, paz interior e segurança. Shame on you!

“Mas Sally, vai pisar no pescoço de quem está mal, fragilizado?”. Vou sim, pois acredito que as pessoas estão emocionalmente flácidas justamente por isso: por serem poupadas o tempo todo. Tá ridículo. Tá uma nação de cuzões, de mulheres histéricas e homens sem a menor hombridade e estrutura emocional. Nunca vi tanta gente mimizando por tanto tempo, haja saco!

Está patético. Nação Emo. País do constante faniquito emocional. Todo mundo sofre o tempo todo, todo mundo é vítima o tempo todo, todo mundo precisa de suporte o tempo todo. Imagina no dia em que acontecer algo realmente grave aqui, tipo uma guerra, um bombardeio ou coisa do tipo… Aff, periga neguinho morrer de susto, tipo aquelas cabras que tem uma parada cardíaca quando escutam um barulho alto.

Sério mesmo, deixa eu contar uma coisa pra vocês: salvo uma meia dúzia de realmente fodidos, ninguém tem problema sério na vida, ok? Mas vai ter, acontece com todo mundo. Estruturem-se, se não, quando o problema GG chegar, quem se altera por não ter alface no supermercado não vai aguentar o tranco. Não vale a pena se agarrar no medo para poder ficar na inércia, a conta que chega no final é muito cara.

Procurem por ajuda, seus ridículos mimizentos sem preparo para a vida! Não estar bem de cabeça não é desculpa para não se mexer para ficar bem de cabeça. O retardamento emocional do brasileiro está atingindo patamares assustadores. Saiam do medo e, se não puderem sair do medo, calem a boquinha, para não contaminar quem está à sua volta.

Vejam isso como adubo para plantar coisas novas em vez de usar como merda para chafurdar no medo. Deu ruim? Beleza, sem choro nem vela, o mindset é: o que posso fazer a respeito? O que posso fazer para melhorar a situação?

É um conselho que dou de coração: é indispensável sair do medo e aprender a ter raça e coragem para encarar mudanças grandes, pois é isso que nos espera nos próximos anos. Vai correr com a manada ou vai ficar pra trás se escorando no medo?

Para dizer que eu sou desagradável, para dizer que gosta de ser consolado quando demonstra medo ou ainda para dizer que se encolher de medo é mais fácil que matar no peito e driblar a vida: sally@desfavor.com

SOMIR

Num país tão acostumado a colocar a culpa de todas suas mazelas em entidades intocáveis, quase que conformado com os problemas do seu dia-a-dia serem impossíveis de serem resolvidos… vai bem uma chacoalhada dessas. Quer dizer, isso se o brasileiro entender minimamente o que está acontecendo. Infelizmente, esse é meu maior temor: que a lição não seja aprendida.

Vejam bem, eu também estou puto por não ter gasolina e começarem a acabar as coisas nos supermercados, mas principalmente depois de conversar com a Sally, comecei a ver o lado positivo da coisa. Uma prova prática de que o país é formado por pessoas, e não por sistemas de poder etéreos. Pessoas ficaram furiosas com atitudes do governo e agiram. E essa ação teve peso. A gente já escreveu textos aqui falando sobre greves que não deram em nada e a vergonha alheia decorrida delas. Se vai fazer, faça direito.

Quando foi feita por motivos políticos, foi uma vergonha. Sindicatos filiados a partidos políticos ou cooptados pelos donos de empresas geram um efeito bem pequeno na nossa vida cotidiana, suas greves não passam de uma coreografia bem ensaiada para não gerar desconforto suficiente para atacar o status quo. E no fundo, não é como se a maioria dessas pessoas realmente acreditasse na causa. Por isso as greves motivadas por lulismo não saíram do lugar, mas essa fez o estrago que fez.

O direito à greve existe e não deve ser ignorado. Pessoas não são obrigadas a trabalhar sob circunstâncias degradantes ou mesmo serem mal compensadas pelo seu esforço. Não é ser capitalista ou comunista, é bom senso básico: se nossas sociedade depende do trabalho das pessoas para existir, esse trabalho deve ser protegido sob o risco de perdermos a própria sociedade. A greve dos caminhoneiros escancara esse ponto de vista. Algumas funções são tão essenciais para nossa existência que cinco dias de greve já deixam o país de ponta cabeça.

É ruim agora, mas se ficar um pingo de informação válida na cabeça do brasileiro, vai ter compensado. E a informação é justamente que somos nós que fazemos esse país, não os sistemas de poder estabelecidos. O governo não consegue entregar gasolina nos postos nem batata nos supermercados. Precisa do trabalho de muita gente coordenada pelos seus objetivos pessoais para dar conta do recado. Até por isso mesmo sistemas comunistas não conseguiam abastecer seus países de forma decente: as pessoas não costumam trabalhar por objetivos grandiosos, e sim pelas recompensas mais imediatas. Ainda mais quando percebem que o sistema não liga para elas individualmente.

E por mais que o governo negocie ou bravateie o uso da força, nunca consegue reestabelecer a vontade das pessoas de trabalhar para fazer o país continuar funcionando. Não de forma honesta. Tanto que greves são efetivas por um tempo, mas tendem a explodir com o passar do tempo: o grevista ainda precisa pagar suas contas e viver sua vida. Tem um limite de quanto tempo dá pra parar o país antes de deixar de ser vantajoso para quem parou. Uma janela de oportunidade para pedir o que quer e não deixar as coisas quebrarem de forma irremediável. Porque no fundo, todo mundo sabe que nós somos tudo o que temos, não tem burocrata que resolva um trabalho físico como fabricar ou distribuir as coisas que precisamos na vida cotidiana.

O problema é que essa informação está muito no fundo mesmo. Ainda mais na sociedade atual, onde vivemos esquecendo que existe um mundo real que não se importa com nossas opiniões ou sensibilidades pessoais… com as redes sociais, é como se muitos de nós acreditássemos que a palavra tem tanto poder quanto a ação. Patrulhamos o outro pelas suas palavras, criamos polêmicas infinitas sobre discurso e aparência, mas nada que mude o preço do dólar ou o itinerário de entrega de bens de consumo.

Enquanto tem gente fazendo as coisas na prática para permitir essa ilusão de importância das opiniões de internet, tudo bem. Mas, quando uma parte desse time de operários da sociedade resolve que não vai mais aceitar péssimas condições de trabalho e para de trabalhar, a ilusão começa a ruir. Essa mania recente do brasileiro de achar seus “problemas de primeiro mundo” refletem de alguma forma no funcionamento da nossa civilização de terceiro é mais um sinal de como tinha algo de fundamentalmente errado na história toda. Quando o povão que só usa WhatsApp de rede social para coisas muito práticas resolve se rebelar, as madames vão se estapear no posto de gasolina.

E tem mais uma coisa saborosa nessa história: se o governo se beneficia da falta de senso comum do povão, às vezes o tiro sai pela culatra. A reação ridícula do brasileiro, esgotando os recursos disponíveis em pânico, é resultado direto do despreparo e insegurança criado pelo poder constituído. Uma pena que seja só o Temer pagando o pato por isso, nesse ponto eu adoraria que Lula e Cia. estivessem politicamente vivos para apanhar pelos desmandos que estão no início dessa crise. O povo que eles criaram está agindo da forma esperada. O brasileiro ainda é uma criança assustada na hora da crise, porque deve ter certeza em seu coração que não sabe lidar com ela e não vai ter ninguém pra cuidar disso.

Ou seja, não preparamos o povo para se virar na adversidade e não criamos nenhuma rede de segurança para evitar o pânico. Porque essa história que o brasileiro se vira em qualquer situação é válida só no âmbito individual, temos sim um povo esperto pra resolver problemas pessoais e imediatos quebrando as regras quando necessário, mas assim que meia dúzia precisa se coordenar para garantir o futuro… bom, vimos o que aconteceu. Que a greve dos caminhoneiros sirva pra mostrar que é possível que o cidadão tome controle consciente da sociedade quando precisar de algo, e que o contraste entre eles e a gentalha brigando por comida em supermercado torne tudo isso ainda mais claro.

Mas, é claro… tomara. Talvez ainda não tenha sido o suficiente para o brasileiro, pelo menos dessa vez.

Para dizer que até meu texto ficou em falta, para dizer que não vai perdoar por postar de noite, ou mesmo para dizer que agora não faz mais diferença: somir@desfavor.om

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Comentários (51)

  • No fim, o Tio do Zap™ teve mais força política que os jovens engajadões que compartilham teorias e ideologias na internet. Os velhotes que compartilham boatos de cédulas de real estampadas pela Pabllo Vittar é quem definem o rumo do país.

  • dois pontos que ainda não foram abordados:
    – o adubo vai render MUITO para campanhas políticas de ataque agressivo (de todos os lados), ou seja, novamente não veremos propostas de lado algum durante a época de eleições nesse ano. basicamente todo mundo vai tentar dar tiro em todo mundo, mas apresentar algo que sustente alguma retomada, creio que ficaremos só na esperança.

    – essa paralização está afetando internacionalmente o país, porque os navios estão partindo dos portos mesmo sem ter conseguido carregar soja/café/minério/proteína animal/cana/automóveis/móveis/commodities.
    a balança comercial do país vai acusar o golpe no curto prazo. quem sustenta o brasil hoje é o agronegócio, e eu não entendo como nenhum grande fazendeiro/empresário (eu digo GRANDE) ainda não pegou o telefone pra ligar pra algum governador/senador/ministro e exigir uma providência…. esses caras sim estão tendo prejuízos imensos, imagina deixar de cumprir um contrato de exportação com a china, índia, sei lá pra que canto do mundo essa galera coloca seus produtos, mas eles tão sentados num problema que eu não consigo imaginar o real tamanho.

    • Propostas, em eleições, não dão votos – e os políticos sabem disso. Fosse com essa greve, ou não, continuaríamos a ouvir um festival de generalizações e bobagens sem fim, como em toda campanha.

  • E tem outra: Esta greve tá mostrando “nuamente e cruamente” o que o BM é, longe de qualquer propaganda do brasileiro cordial, pacífico e acolhedor: Aproveitador, mesquinho, desonesto, bárbaro e selvagem. Aqui em Valsador, terra do atraso intermitente, já teve uma cretina disfarçada de juíza pra passar na frente de todo mundo na fila do abastecimento, gente comprando gasolina em outra cidade e vendendo a 10, 20 conto o litro, distribuidora subindo o preço do gás de cozinha em 100, 200 por cento e por aí vai. Depois este tipinho de gente reclama dos políticos sendo que eles também são parte do problema. Coisas de um bananão terra de ninguém onde honestidade é “coisa de otário”.

  • Acho que o brasileiro passou vários atestados de burrice nessa greve, mas o mais excepcional ainda está por vir: a quantidade de gente que apoiou a greve dos caminhoneiros porque acha o máximo mas vai chorar todas as pitangas ao perceber que são os cidadãos que vão pagar por todos esses benefícios aos caminhoneiros.

    Eu não me sinto feliz com isso – muito pelo contrário: sinto como se o país inteiro tivesse sido feito de trouxa, mais uma vez, porque é o meu imposto (e o seu, e o de todo mundo) que vai pagar o frete e o churrasco da galera. Mais ainda, compreendo completamente a necessidade de quem faz estoques, principalmente de quem viveu a década de 80, dos racionamentos e da “compra de mês”.

    No mundo do “just in time” não sei se Temer poderia dar uma de Thatcher. Alguém forte teria que ceder bastante – e o nosso presidente não é forte. Nunca foi, desde o princípio.

    Agora, que todo mundo se vire para pagar o que a turma do churrascão quer. Com cerveja inclusa.

    • Mc Donald’s está servindo Big Mac em pão francês. Pizzaria está fazendo entregas a cavalo. São coisas disruptivas e maravilhosas demais para que eu não goste.

      Sim, essa conta chega e vai ser nossa, como sempre. Porém, é mais um furinho na represa, uma hora ela rompe. Eu já pago a conta de tanta coisa que não colabora com uma mudança, pago esta que ajuda a apodrecer o modelo social feliz da vida!

  • esta greve me lembrou um conto, de como o cú chegou a dominar o corpo após o protesto de todos os outros órgãos (inclusive o cérebro) que o ridicularizaram, dizendo : “onde já se viu, a parte mais vil do corpo, que só serve para execrar a merda, querer chegar num comando tão importante”.
    Faz um paralelo com o que a Sally disse, os intelectuais ficam na casa mental dos pensamentos…problematizando, enquanto os buros võa lá e fazem!! Mandam ver!!
    ninguém aguenta mais tanto desmando dos governos, sejam eles quais forem, nos fazendo de palhaços pagadores de impostos para apenas roubarem, quando falam do caos que está o Brasil acho uma puta duma demagogia.

    • Os burros movem o mundo. Eu sempre tive muito amor pelos burros, eles são a força de tração que quebra as correntes, eles são os desavisados que vão lá e fazem por não saber que era impossível. Gente burra é de uma sabedoria que os inteligentes nunca vão conseguir apreciar. Tá lá a frouxidão inteligente debatendo, teorizando, enquanto os burros todos correm pra frente feito porquinhos da índia, sem nem saber para onde estão indo. Mas ao menos estão se mexendo.

      • E vale lembrar que esses “burros”, se articulando através de WhatsApp, conseguiram paralisar um país inteiro e pôr um governo – bem de merda, é verdade – de joelhos! E a forma inepta como esse governo vem lidando com essa crise – e com todas as outras – só passa mesmo recibo de que estamos todos num trem desgovernado…

        • Ah, mas aí o brasileiro médio não aceita, ele diz que são “os empresários” que estão articulando tudo e que os burros são “só massa de manobra”. Intelectualóide faz qualquer gincana mental para não parece que um burrão tem mais raça e iniciativa que ele!

  • Estava sabendo que ia ter paralisação dos caminhoneiros já há mais de 10 dias. Se teve gente pega de surpresa, não foi por falta de aviso.
    Uma coisa é ser burro, outra é ser massa de manobra de político pilantra.

  • Eu compreendo a greve, mas fico com aquela dúvida de que isso tudo vai render algo significativo ou se será mais um dos trocentos “ensaios” do “despertar do gigante” que no fim nunca dão em nada.

    Dizem que Português é burro, mas sinceramente… Ver brasileiro ficando 2/3 horas na fila pra TENTAR abastecer o carro sem a MENOR GARANTIA de que vai conseguir é de um retardo mental sem comparação (gastando gasolina pra colocar gasolina – fuck logic)!

    Fora os FDP sem o menor senso de coletividade e civilidade, que além de encherem o tanque, ainda levam galões! Vão usar essa gasolina pra quê? Só pra rodar por aí, só se for, porque comércios e outros serviços dificilmente vão funcionar!

    Mas né… Vai tentar explicar o óbvio pra essa gente!

    • Fernanda, não acredito que traga maiores desdobramentos não, mas também não acredito que devemos esperar um ato único que exploda em uma revolução, os tempos são outros. Na minha opinião (maluca), eu acho que a sociedade tem que ficar cada vez pior, cada vez muito pior, até se tornar insustentável e criar um terreno fértil para uma mudança. Brasileiro não tem raça e não tem competência, não luta por nada que não seja seu umbigo, então, esta porra vai ter que estar muito podre para cair. Vai ter que chegar num ponto onde só precise de um empurrão. Para isso, tudo tem que apodrecer bastante. Por isso passarei a comemorar cada vez que damos mais um passinho nessa direção, mesmo que, desta vez, não desdobre em nada.

      • Mas mudança em direção ao quê, Sally? Aonde, exatamente, deveríamos chegar?

        Eu sei que a resposta rende uma coluna (ou várias) do desfavor, mas, sabe como é… como o gato da Alice bem lembrou, se você não sabe aonde quer chegar qualquer coisa já basta.

        • Da forma como eu vejo, o brasileiro só aprende a nadar quando a água bate na bunda. Será necessário que tudo apodreça, desabe, descacete, para que se comece a pensar no que fazer.

          Se me fosse permitido escolher, eu poria fim à democracia e tentaria outra forma inédita, como por exemplo a ontocracia evolutiva.

  • Eu não acho que essa greve vá mudar muita coisa agora e também não acho que ela vai durar o suficiente para causar escassez real, apesar de já ter causado um prejuízo enorme pro agronegócio. E nós é que vamos pagar por ele, por sinal. Na verdade, se o pessoal não tivesse começado a entrar em pânico com notícias falsas e a estocar comida, acho que nem precisaríamos nos preocupar com escassez. Mas é o que temos para hoje…
    Mobilizações populares são lindas e comoventes, mas o Brasil precisa esquecer a ideia de que é possível mudar uma estrutura tão velha em tão pouco tempo. Mudanças reais levarão gerações para acontecer, mas espero que essa paralisação dos caminhoneiros seja um início para elas. Não sou a favor de fazer dessa maneira e nem vejo com bons olhos, mas já que não posso fazer nada a respeito, vou só torcer para ter bons resultados e não compartilhar notícias falsas.

    • Não acho que desdobre em muito mais coisa também, porém, é mais uma apodrecida que o sistema atual dá. Isso é ótimo, quero ver tudo gradativamente apodrecendo e virando adubo para algo novo.

  • Primeiras reações primitivas do brasileiro médio: aumentar os preços, furar filas e atropelar os outros nos postos. Vamos ver ainda uma segunda reação quando forem disputar os alimentos de forma mais selvagem.
    Será que conseguirão manisfestar uma terceira reação mais evoluída e irem a um protesto geral?

  • Há 3 semanas procuro alguém para cuidar da minha filha enquanto trabalho. Nesse grande período, conheci a verdadeira cara Brasuca de ser.
    No primeiro dia choros, graças a Deus arrumei um emprego…kkkk
    No terceiro já estão reclamando do horario…
    Passando necessidade, mas trabalhar dá trabalho na mente insana desse bravo povo Brasileiro!
    As pessoas tem o q merecem.
    .

    • Eu passei exatamente por essa situação. Pessoa diz que precisa trabalhar. Que precisa muito! Você oferece o emprego, ela aceita as condições, tudo dentro da legalidade.
      Nem um mês trabalhando a pessoa já começa a reclamar do horário, da distância, das tarefas, de tudo! E nem é essa coca-cola toda, deixa muito a desejar ano desempenho daquilo que ela se propôs a fazer. É difícil!!

      • Brasileiro não gosta de trabalhar, infelizmente. Não tem senso de sacrifício nem compromisso com a excelência do trabalho.

  • Pra mim a palhaçada foi o Temer dizendo que os hospitais eram prioridade e que não iam deixar faltar remédios… depois de congelar os gastos com a saúde e todas as barbaridades que tem feito…

    Eu to tentando ser otimista com essa greve… mas não sei não, acho que o governo vai abrir as pernas, aceitar as reinvindicaçoes e tudo volta a ser como antes…

    • E ainda tem gente que aaaaacha que Temer Nosferatu é algo de melhor do que o petê, que ele tem feito um “bom governo”, esse tipo de coisa, este ranço acomodativo é que tem feito o Brasil ser o que é: este eterno bananão chafurdado na merda. Tá na hora de se mover, de fazer alguma coisa para mudar, senão não muda e continua como dantes…

    • Eu não sei da veracidade desta notícia, mas, no pior dos casos, os caminhoneiros foram muito inteligentes de conseguir articular tudo isso.

    • Certeza absoluta de fake news pra desmoralizar a greve. A mídia se acostumou tanto a dar pecha de “política” a toda e qualquer greve que teima em achar pelo em ovo. Não me admira, o jornalismo brasileiro é uma grande vergonha (com raras exceções, caso existam), e nunca admitiriam greve que não fosse fruto de movimento político-partidário. Em tempo: soube que a maioria dos caminhoneiros é autônoma, não é ligado à empresa de transporte – o que reforça a inveracidade desta reportagem.

      • Os caras organizaram essa porra por WHATSAPP, tem noção?

        Os caras barraram todo mundo e deixaram passar caminhão de cerveja! Naonde que isso é uma conspiração de empresário?

        Digo e repito: são os burros que movem o mundo, pois os inteligentes ficam pensando e problematizando.

  • A única coisa que essa greve vai levar é que além de morarmos num país fodido, vai ter o plus de ficar sem transporte, sem conida e sem remédios. Se privatizassem tudo eu queria ver se iam palhaçar. Tem vários canais no YT, um deles se chama Encarando o Sobrenatural que fica postando vídeos a favor da greve, que os BR tinham que apoiar, que mudaria o pais e blablabla. Disseram até que os caminhoneiros tão protestando pelo voto impresso. Já pensou se a moda pega? Tudo balela! Só sei que não vai dar em nada, a vida vai ficar pior e os alimentos que aumentaram não vão baixar, pq BR é ruim mesmo!

    • Sai do medo. Essa greve pode levar a mudanças muito necessárias. Não vamos ficar sem remédios nem sem comida (sem transporte estamos faz tempo).

      • Innen Wahrheit

        Acho que não haverá falta de produtos no nível que as pessoas em geral estão pensando, mas não creio que os caminhoneiros estejam lutando por interesses das pessoas que os estão apoiando – e elas não se deram conta disso, mesmo arcando com o crescente ônus da situação.

        Vejo possíveis concessões do governo sendo compensadas em outros contextos, cujos trabalhadores provavelmente não terão a mesma capacidade de mobilização e influência que os caminhoneiros, e restará se conformar com o prejuízo.

        (mas espero estar errado, e que haja outras mobilizações que tragam maior conscientização às pessoas sobre seu papel e influência na sociedade, e sejam capazes de pressionar o governo em outras demandas)

    • Sem manifestação: “Brasileiro não faz nada pra tentar mudar as coisas”
      Manifestação: “Ain tá atrapalhando o meu dia, bando de egoístas”

      E ainda acham que o Brasil pode melhorar um dia, esse povo não consegue se unir pra nada. Nada.
      A propósito, eles não impediram caminhões com medicamentos. Ao menos não onde eu moro.

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