Incêndio no Museu Nacional.

Ninguém sabe ao certo como o incêndio começou, há quem diga que foi um problema na parte elétrica, há quem diga que foi um balão que caiu ali. O que se sabe é que, o incêndio de grande proporções que tomou conta do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, apagou boa parte da história do mundo.

O museu tinha um acervo de mais de 20 milhões de itens. Coisas insubstituíveis e irrecuperáveis, como um meteorito, o primeiro dinossauro montado no Brasil e o fóssil humano mais antigo encontrado em território nacional, o esqueleto de uma mulher batizado carinhosamente de “Luiza”. Sim, tinha muita coisa nacional, inclusive documentos únicos de aborígenes que só existiram aqui e que se perderam. Mas o dano foi muito maior do que isso.

Nas redes sociais vejo o brasileiro chorando as pitangas da própria história. “Nossa história”, “nosso passado”. Isso é o de menos. País que não sabe cuidar de sua história a perde e nem acho de todo errado. Na verdade, eu acho bastante bem feito. O que me causou sofrimento foi ver que, além de tudo, o Brasil está fodendo com a história dos outros! Deixem de ser egocêntricos com a “nossa história” e parem para pensar no dano que a macaquice administrativa do Brasil causou ao mundo.

Parte da história do mundo se perdeu neste domingo, fruto da incompetência de brasileiro. O museu abrigava a maior coleção egípcia da América Latina, ou seja, múmias, sarcófagos, todo tipo de artefatos, joias, inscrições, documentos antigos e tudo mais que você possa imaginar, virara pó. Algumas coisas eram únicas, isto é, você não encontra outras semelhantes ou do mesmo gênero em nenhum museu do mundo. Isso é muito grave, confiaram ao Brasil cuidar destes objetos de valor inestimável e o país, como sempre, fez tudo muito mal feito. Um desrespeito com o mundo todo. Uma perda para a história da humanidade.

O museu também abrigava Coleções de Paleontologia, mineralogia, botânica, esqueletos e reproduções de dinossauros, múmias dos Andes e mais umas bostas da nobreza portuguesa no Brasil, que, francamente, são o que menos vai fazer falta. História do Brasil? Na boa? Estou cagando. Um país que não sabe cuidar da sua história merece ver tudo virando pó, não tenho pena. Pena eu tenho de toda a América Latina e do mundo, que viu queimar objetos precisos e insubstituíveis por culpa de um país incompetente.

Antes que comecem a reclamar de eu achar bem feito que a “valiosa história brasileira” tenha torrado, deixa eu fazer um adendo: o povo não é uma vítima dos governantes. Não existem vítimas. O povo é cúmplice. Um povo que não fiscaliza, que vota em gente que usa dinheiro destinado a cultura para pagar show da Claudia Leitte e da Pabllo Vittar, um povo que sequer pisava no museu mas hoje chora indignado não é vítima. O que está acontecendo é total e absoluta responsabilidade do povo, que colocou as pessoas erradas para gerir a cidade, o estado, o país. Agora paguem. Pena eu tenho é de quem não concorreu para isso (vulgo, o resto do mundo) e teve perdas inestimáveis.

Parem de chorar porque queimou arco e flecha, cocar ou troninho onde português colonizador cagava. Parem de culpar terceiros. Parem com todo o vitimismo e vão pedir desculpas ao mundo por queimar o maior acervo egípcio da América Latina. O resto do mundo depositou confiança no Brasil para cuidar dos dinos, das múmias, das pedrinhas do espaço e… olha a merda que vocês, fizeram, caralho! Menos vitimismo, mais mea culpa. Vão se desculpar com os gringos, seu símios chorões.

Era uma tragédia anunciada. Publicamente. O primeiro alerta oficial sobre o risco de incêndio data de 2004, mais precisamente em 3 de novembro de 2004, o então secretário estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo Wagner Victer denunciou, em entrevista à Agência Brasil, os riscos de que o Museu Nacional do Rio de Janeiro poderia vir a ser destruído por um incêndio. A denúncia foi registrada pela repórter Daisy Nascimento e levada ao grande público.

Na ocasião, ele disse estar impressionado com a situação das instalações elétricas do museu, em “estado deplorável”. Disse ainda que “O museu vai pegar fogo: são fiações expostas, mal conservadas, alas com infiltrações, uma situação de total irresponsabilidade para com o patrimônio histórico”. Então, não estamos falando de Temer, de Sergio Cabral, de Lula. Estamos falando de TODOS. Foram quase quinze anos de descaso, nesse tempo, teve Ministro de Cultura, Secretário, Governador, Prefeito, Deputado, Senador… teve muita gente que poderia ter feito algo, direta ou indiretamente, de todos os partidos, e não o fez.

Por isso, desconfie de candidato ou político que surgir culpando alguém. É gente mesquinha, que quer capitalizar voto usando tragédia. Coisa de gente sem caráter, gente baixa, gente que você não deveria querer nem para ser síndico do seu prédio, muito menos para ocupar um cargo realmente de poder. Era uma tragédia anunciada e havia recursos sim para fazer as obras necessárias. Nessa época eu era funcionaria pública, eu estava do lado de dentro e posso assegurar: dinheiro nunca foi o problema.

Aliás, dinheiro nunca é o problema. O problema é competência para fazer projeto. O funcionalismo público costuma ser um grande cabide de emprego onde se colocar pela janela amigo, parente ou cabo eleitoral. Uns imbecilóides com a capacidade cognitiva de um babuíno embriagado. Todos os anos milhões em dinheiro de repasse são devolvidos porque vagabundo não trabalha, sequer dá as caras, não quer, não sabe ou não consegue apresentar um projeto decente. E outra, como eu mesma já escutei em alto e bom som: “Museu não dá voto, minha querida, não vamos gastar dinheiro com isso”. Então tá.

Se não acreditam em mim, apenas observem. Tem dinheiro para show de funkeira na praia. Tem dinheiro para desfile de escola de samba. Tem dinheiro para parada gay. Tem dinheiro para filme nacional bosta. Tem mais de um milhão para Maria Bethania escrever blog. Tudo isso é cultura, mas museu com o maior acervo egípcio da América Latina, não. Para isso não tem dinheiro. 40 bilhões para as Olimpíadas. 50 bilhões para a Copa. Mas museu? “Museu não dá voto, minha querida”. Calcula aí quanto gastaram nas reformas do Maracanã dos últimos 15 anos e me dize se não tinha dinheiro.

Para citar apenas um exemplo, no ano de 2014, esse museu teve incluída na sua verba a quantia de 20 milhões para custear uma reforma. A quantia foi aprovada pelo Congresso, mas não foi repassada. 2014. Dilma. Pátria Educadora. Curioso ver petistas oportunistas como Lindbergh Cheirador ou Gleisi Miss Piggy culpando o Temer e o górpi por esta tragédia em redes sociais, não? Dilmãe, esse guaxinim masculinizado, também podia ter evitado a tragédia e não o fez. Todos culpados. Todos. Sem exceção. Tinham que estar todos caladinhos, encolhidos em posição fetal, pedindo desculpas baixinho para o resto do mundo. Mas, como sempre, ninguém assume sua responsabilidade por nada.

Não é um episódio pontual, é uma forma de funcionar. É tudo escaralhado. Quando nada funciona direito e algo dá errado, inicia-se uma espiral de merda que faz o problema ficar mil vezes maior do que poderia ter sido. Um grande edifício repleto de madeira e formol (spoiler: alguns objetos estava conservados no álcool!), como vocês podem imaginar, é altamente inflamável. Era para estar impecavelmente preservado. Não estava. Mas isso seria pouco, a danação, no Brasil, ela vem obrigatoriamente no tamanho GG.

Os hidrantes que estavam no entorno do museu não funcionavam, ao menos não com a pressão suficiente para apagar o incêndio. E, se me permitem contar um spoiler, quase nenhum hidrante no Rio de Janeiro funciona direito. Espero que nenhum de nós precise constatar isso na prática.

É de conhecimento público entre aqueles que estão no poder que os hidrantes não funcionam direito, mas não se faz nada a respeito, pois “hidrante não dá voto, minha querida”. No Rio de Janeiro, especificamente, apenas três ou quatro bairros mais abastados têm hidrantes aptos a apagar um incêndio de grandes proporções com agilidade – coincidentemente, os bairros onde quem toma estas decisões de investir em hidrantes mora.

O reitor da UFRJ, Roberto Leher, se apressou em culpar os bombeiros, alegando que “faltou logística” e outras imbecilidades. No caso, meu senhor, faltou água mesmo. E ética, da sua parte. Tomara que essa tragédia jogue alguma luz sobre a sua gestão, em menos de dez minutos o senhor teria sua prisão decretada. Tomara que o Brasil veja que o senhor é filiado ao PSOL e vive de promover atos políticos dentro da universidade, atos pelos quais o Ministério Público Federal já está na sua cola, passíveis de punição. Tomara que tantas outras coisas que não cabem aqui (mas quem sabe em outro texto) venham à tona.

Mesmo com dificuldades para chegar ao local, mesmo sem água, mesmo sem qualquer infraestrutura, os bombeiros entraram, na coragem, correndo risco, e retiraram o máximo de peças que conseguiram, com as mãos. Alguns chegaram a ter queimaduras salvando parte do acervo. Enquanto esperavam por caminhões pipa, que trariam a água que o hidrante não oferecia, os bombeiros improvisaram e usaram a água de um lago nas proximidades. Então, alto lá, lavem a boca antes de falar mal da atuação dos bombeiros. Mesmo no improviso, sucateados, sem equipamentos, eles fizeram muito mais pelo museu do que o Poder Público fez em décadas.

Apesar de todos os esforços, demoraram quatro horas para conseguir água suficiente para começar a combater o incêndio efetivamente. Um absurdo? Sim, um absurdo. Um absurdo assustador, se você pensar que amanhã o mesmo pode acontecer com a sua casa. Tudo vira pó, não dá tempo de salvar nada, pois “hidrante não dá voto, minha querida”. Sem escadas suficientes, mangueiras furadas, equipamentos de proteção danificados, que não protegem mais. Se vocês moram no Rio de Janeiro, fica o aviso: cuidem muito bem das suas casas, pois se pegar fogo, vai ser perda total.

Um museu com 20 milhões de itens históricos, insubstituíveis, únicos, patrimônios da humanidade (e não do Brasil), pedaços da história do mundo (e não do Brasil) recebia uma verba menor do que um único juiz. Isso mesmo. Gastava-se mais dinheiro dos cofres públicos pagando a um único juiz do que fazendo a manutenção deste museu.

Me diz se qualquer pessoa do Poder Público pode abrir a boca para “lamentar a tragédia”? Vilanizar bombeiros que, com uma única escada e sem água, entraram no meio das chamas para salvar itens do acervo? Vou fazer a minha parte para que esta versão que está se “oficializando” seja desmentida. A culpa é de todos os que passaram por cargos de poder desde 2004 até hoje, seja no Rio, seja em Brasília. Não venham agora jogar culpa para Fulaninho, para partido tal, para bombeiros.

O carioca, por sua vez, nunca decepciona. Hoje, algumas dúzias de débil-mentais promoveram na marra, furando o cerco de segurança, um “grande abraço” ao museu incendiado, algo que, além de não ajudar, ainda atrapalhou os trabalhos de rescaldo e tentativas de retirada do que sobrou do lado de dentro. Já tem uma campanha de uns arrombados para construir ali uma nova sede para o Flamengo, dá para acreditar? Para fechar, o imbecilóide do Prefeito de Cristo disse que vai reconstruir o acervo que foi perdido. Crivella tem uma máquina do tempo e não contou para ninguém! Volta lá pro Egito, Seu Lindo, pega umas múmias pra gente! Haja paciência…

Não adianta chorar sobre os 50 tons de cinza. Esperemos que ao menos se tire uma lição disso tudo, que se entenda que a bandalha, a incompetência e a corrupção é uma forma de funcionar e não um defeito de Fulano ou Cicrano. Sinceramente? Acho que não tinha que reformar o museu, tinha que deixar assim, acabado, incendiado, destruído e aberto a visitações, para que constantemente nos lembremos da merda que é a gestão neste país.

Em todo caso, quem quiser colaborar com uma possível reconstrução, envie qualquer registro (fotos, vídeos, etc) que tenha do museu para o e-mail thg.museo@gmail.com

Para dizer que lamenta pelos dinossauros mas não pelos artefatos aborígenes locais, para dizer que todo castigo para o Rio de Janeiro é pouco ou ainda para dizer que não aguenta mais ouvir falar nesse caralho de museu: sally@desfavor.com

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Comentários (50)

  • Em Liverpool eles mantiveram uma igreja bombardeada do jeito que está. Virou point e centro cultural. Se fizerem o mesmo com o MN vai ter mais gente visitando do que tinha antes.

  • De acordo com um excelente artigo – em português – que acabei de ler no site do jornal espanhol “El País”:

    “O Brasil é um construtor de ruínas. O Brasil constrói ruínas em dimensões continentais.”

    Gostaria de mostrar o link desse artigo pra vocês, mas só vou colocar aqui se a Sally e o Somir deixarem…

  • Se me permite, Sally, gostaria que visse isto. São prints de posts no Facebook pra lá de idiotas vomitados por imbecis que devem ter escrito isso de quatro, aos coices e relinchos. E quem concordou com essas asneiras deve ter curtido e compartilhado também de quatro com, os mesmos coices e os mesmos relinchos. Dá uma boa olhada porque isso pode até virar um Desfavor da Semana:

    “Eu tô cagando pra museu, eu quero uma casa pra morar (…)”
    https://scontent.fcpq5-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/40648538_1859329350799387_5484395511521738752_n.jpg?_nc_cat=0&oh=b23db25f4803184071f793d7b231828c&oe=5C337204

    “O país tá na merda e o povo pensando em museu”
    https://scontent.fcpq5-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/40756099_1859329220799400_422855438850064384_n.jpg?_nc_cat=0&oh=a52f12e0c5f0219e1f240bcd0869beb5&oe=5C2DE05C

    “Segue o baile! Se não à (sic) vítimas, deixa queimar essa história comunista que criaram”
    https://scontent.fcpq5-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/40904758_1859329214132734_3092907817883926528_n.jpg?_nc_cat=0&oh=afcdd7b0fcf884110f0f0d97a8b27266&oe=5C285423

    “Um gasto a menos nos cofres públicos”
    https://scontent.fcpq5-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/40882587_1859329210799401_4958095136807452672_n.jpg?_nc_cat=0&oh=1e5b94610b99947cbb4e36d91f79397d&oe=5C3A074A

    “(…) nunca vi ninguém morre (sic) por falta de cultura ou de nunca ter visto uma pintura rupestre, vamos usar mais essas mídia (sic) pra propagar algo válido presente e Futuro (sic) não algo de a 200 anos atrás (sic) que de nada irá modificar nos nossos dias atuais e nos por vi (sic)
    https://scontent.fcpq5-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/40623230_1859329284132727_2110733691612299264_n.jpg?_nc_cat=0&oh=301cdec1b9c153a6898124eb784a4eb1&oe=5BF7132C

    (…) este fóssil pode ter 12 mil anos, mas a questão é o q (sic) tem demais? Já estudaram já fotografaram já examinaram, deveriam ter enterrado de volta o mesmo com as múmias, ficar idolatrando cadáver afff (sic)
    https://scontent.fcpq5-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/40618477_1859329310799391_6496093577993519104_n.jpg?_nc_cat=0&oh=4abba334ca960a8143ab1f7c76fdf61d&oe=5C226958
    – ESTE É O PIOR!
    “Justiça histórica sendo feita pelas mãos do acaso. Acaba de ser consumida em chamas a antiga Casa Grande da família que por anos dominou, massacrou, e explorou o povo brasileiro, além de ser notoriamente conivente com a escravização dos negros africanos (…)”.
    https://scontent.fcpq5-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/40773612_1859329390799383_7825560855763746816_n.jpg?_nc_cat=0&oh=026f539dbdfca81dd06ace1a1aa96fbe&oe=5C35AD67

  • Não sei se concordo tanto assim com essa ideia de desprezar o que ”é nosso” e foi perdido, com aquilo que ”era dos gringo”, dentro do museu, porque eu, sinceramente, não vejo diferença entre pertences do faraó egípcio e da família real brasileira no que tange ao passado escravocrata.

    • Olha, seu comentário deu uma boa pista do porquê dessa tragédia ter ocorrido: o Brasil é um país no qual a História é constantemente reescrita, dependendo do grupo que sobe ao poder. Valores são reescritos, a biografia de heróis é jogada às traças – e o que era motivo de orgulho se torna em vergonha nacional.

      O patrimônio do Museu Nacional era um orgulho do Império. Virou um transtorno republicano. Com Brasília, foi esquecido, e deixado nas mãos de uma universidade que jamais lhe daria valor.

      Resultado: pegou fogo – e ninguém, bem lá no fundo, está nem aí para o que aconteceu.

  • Sim! Nunca o tal “orgulho nacional” esteve tão no lixo como agora e tlvz irrecuperável como o acervo do museu. O que nos representa hj? — — Um player falsário como o Neymar, um projeto inculto de Hitlerzinho pra presidência, uma cantora sexy symbol latinoamericanizada, partidos sem ideologia e projetos nacionalistas de longo nenhum, um povo omisso, inepto e individualista, de valores rasteiros e medíocres que não representa nem meia nação.
    Sinceramente esse território maravilhoso, hoje é um vazio imenso ou tlvz um povoado de aborígenes pedindo socorro pra ser recolonizado. Sociedade brasileira faliu.

    • Faliu sim, e talvez seja ótimo que a história se perca, que o país desabe, que as coisas cheguem ao fundo do poço, pois assim fica mais fácil derrubar a porra toda e começar algo novo.

  • Nunca fui pro RJ capital a passeio, mal mal sabia da grandiosidade do museu, mal mal sabia do museu. Mas a vida toda soube de shows inúteis, filmes inúteis e todo tipo de porcaria que o BR chama de cultura.

    Me sinto péssima por saber tão pouco de um lugar que COM CERTEZA iria querer conhecer se eu soubesse de tudo isso! Em todas viagens procuro visitar museus de história natural e artes, até porque tem muito a ver com minha profissão e gostos pessoais, mas o do RJ passou totalmente batidona minha vida. Muito pouco falado, quase escondido pela mídia. Que bosta!

  • Me senti mais culpada do que nunca por não ter feito nada pelo Museu. Esse texto foi um tapa na minha cara, mas fica a lição. Não adianta me achar cidadã por votar, além de votar eu tenho que fiscalizar ativamente os políticos, coisa que nunca fiz, sempre deixei o barco correr solto por reflexo da minha própria impotência.
    Quando lembro do incêndio, parece que estou presa em um sonho ruim e que quando eu acordar nada disso teria acontecido.
    Estou com nojo do psol e companhia que usaram da tragédia do museu para angariar votos, o utilitarismo não tem limites.

    • Nenhum de nós fez, e tá tudo bem. Dá última vez que eu fui, vi várias gambiarras elétricas tenebrosas. Poderia ter fotografado e postado em algum lugar, poderia ter enviado para a imprensa.

      O que não pode é só apontar o dedo o culpar quem está no poder achando que responsabilidade é 100% do outro. Nós temos que fiscalizar tudo, nós temos que ser mais presentes, em vez de esperar passivamente que tudo que queremos nos seja entregue, de cima para baixo.

    • Mas o que adianta doar se no final desviam, como esse reitorzinho do PSOL fez? Esses últimos anos ate telejornais da Globo, processos na justiça denunciaram o obvio. Mas pra fingir q o Estado filho da puta funciona (justificando as belas verbas e salários é clarooo) mantinham o Museu aberto, sangrando até o fim, finalizando num sacrifício de fogo bem ao estilo egípcio-indígena. Nao, ao estilo desleixado-brazilian-queima-rosca mesmo.

  • E em meio a tantos comentários de vitimização e um acusando o outro, me aparece Bolsonaro na maior sinceridade “Já pegou fogo, quer que eu faça o que?!”

  • Convivo pela internet com historiador o dia inteiro, e um professor meu de história chegou á chorar por isso.
    É foda ver a sua pesquisa, seu trabalho duro, sendo totalmente “descartado” por causa da incompetência e do jeitinho brasileiro daqui.

    • A história do mundo foi queimada. Mas… Quem colocou essas pessoas no poder? A UFRJ toda (inclusive o reitor) são PSOL. Então, historiador deveria repensar uma série de escolhas, a responsabilidade também é deles.

      • O meu amigo (No caso) não estuda na UFRJ. Tá lá em Goiânia, um lugar um pouco mais civilizado do que o Rio.
        Mas concordo de que o pessoal que botou esses babacas no poder tem culpa, sim.

  • “Acho que não tinha que reformar o museu, tinha que deixar assim, acabado, incendiado, destruído e aberto a visitações, para que constantemente nos lembremos da merda que é a gestão neste país.”
    ….perfeito Sally, tipo algumas ruínas de Hiroshima e Nagasaki depois da bomba H, uma lembrança amarga.
    Mas aqui né? Ia ser ocupado pelo MST e cracudos….e ngm ia se importar tbm.
    Inacreditável que nesse país a maioria está cagando e achando pouco, ou nem aí.

    • Aqui sim. Mas pode ter certeza que no exterior ninguém vai esquecer disso. Duvido que permitam que o Brasil tome conta de um único cocar achado por uma dona de casa em um quintal daqui pra frente. Ao menos que isso sirva para o mundo ver a bosta que é isso aqui.

  • Tava aguardando vc “textar” sobre o assunto, Sally. Sabia que ia.

    Sério, eu tou triste pra caralho. Minha filha adorava aquilo lá. Estivemos lá sábado, véi… sábado! Ela tava louca e ao mesmo tempo com medo pra rever as múmias e mostrar pra mãe. Quando soubemos no domingo de noite, vimos a desgraça que foi, contamos pra ela. Ela ficou super triste e chorosa.

    Depois de triste, veio o modo full putaço megazord pistolão. Por defender a liberdade de expressão irrestrita, sigo um princípio no Facebook: não bloquear ninguém, por maior que seja a merda que a pessoa fala. No máximo ela tem que me aguentar retrucando. Mas confesso, tou por um triz de dar um block geral em muito amigo. É cada merda, asneira, Fora Temer!, culpa da PEC do teto de gastos, e o Bolsonaro quer acabar com o Ministério da “CU”ltura, se não quiser que outros museus peguem fogo votem no Boulos e etc. AH VÃO TOMAR NO CU!!!!!!!

    Era uma tragédia anunciada desde 2004. Passou na mão do molusco, da presidanta, do vampirão e nada. Blá blá blá a UFRJ teve redução no orçamento, É O CARALHO! Estão aí os números do Ministério da Fazenda, até aumentaram, mas os PSOLentos não repassaram. Bom, tenho uns amigos “canas” que falaram que a batata desses PSOLentos da UFRJ tá assando, que G-Zuis os ouçam.

    Ah mas com Dilmãe o museu tinha 500k anuais. 500 fuckin’ mil anuais!!!!! Sally, já foi lá? Vc acha que aquela estrutura toda se sustentaria com 500k anuais? Manutenção, funcionários e etc? Ah, mas tem o ingresso. Sabe quanto é o ingresso??? MÍSEROS 8 REAIS!!!! A INTEIRA!!!! Sabe quantos visitantes pagam a inteira??? Sendo otimista, uns 10% no máximo!!!! Véi, a imensa maioria entra de fuckin’ graça!!! Tem como manter um troço desses sustentável? Óbvio que não! Mas tudo pelo social, né?

    Bolsonaro vai acabar com o MinC? Do jeito que tá, acaba mesmo! Sifudê! Láudia Cleitte, Baria Methânia, Bico Chuarque, tudo artista rico captando via Rouanet, fora espetáculos escrotos huezil afora. Prefiro que não exista, pode tocar fogo ali no prédio!

    E pensar que, segundo o Globo, em 1998 propuseram a criação de uma fundação para curar o museu com aporte de 80M, mas ele tinha que sair das mãos da UFRJ. Que, claro, não topou. Pourra, fico arrasado ao imaginar essa possibilidade.

    Mal aê. Uma merda isso tudo.

    • Eu ia sempre, pelo menos uma vez a cada seis meses. É muito triste que se use isso para conquistar simpatia ou votos, é Nana Gouvea modelando em foto com destroço de furacão.

      Passou um recado claro para o mundo: o Brasil não está apto a cuidar de nada de valor. Não é um país sério, não é um país confiável. Foi irresponsável com algo que pertencia à humanidade. Que a verdade venha à tona…

      • Avatar

        "Funcionalista" Público do RJ (estadual) pós-2004 / desde 2014

        …Sinceramente peço desculpas a vocês (independentemente de quem mude ou não de nacionalidade) e gostaria de pedir desculpas aos gringos.

        …Sally e THZO, vocês são dois dos que eu gostaria de voltar a ver pessoalmente / presencialmente, entre muitas (?) outras pessoas.

  • Francamente, Sally, quem é que está se importando realmente com o Museu? Apenas aquela suposta “elite pensante”, que fala demais em cultura, patrimônio e o escambau – mas não move uma palha, sequer, para entender o país em que vive, e o povo que aqui está.

    O brasileiro médio, de fato, não está nem aí. Não vai à museus, nem a nada que se relacione com “velharia”. É caro, não é atrativo, é chato, custa caro manter… e, quando a tragédia acontece, não consegue entender como é que aquela tralha toda tinha algum valor, seja a brasileira ou a internacional.

    Enquanto a “elite” chora, o povão quer saber… de segurança. Economia. E só.

  • Perfeito o texto Sally.

    Comentário real de uma pessoa aqui do trabalho:
    – Pra que museu se na internet tem foto de todas aquelas porcarias?

    Esta aí mais um exemplo do patamar de mediocridade que o BM consegue alcançar.

  • O que aconteceu é simplesmente inaceitável! Artefatos egípcios inestimáveis, relíquias únicas no mundo e que são patrimônio de toda a humanidade se perderam para sempre da maneira mais abjeta possível! As múmias sobreviveram ao próprio passar dos séculos, às intempéries do deserto, aos saqueadores de túmulos, às guerras, ao transporte do Egito até aqui… Pra depois criar mofo devido a goteiras num prédio mal conservado e por fim acabar virando cinzas num incêndio que era perfeitamente evitável. Vergonhoso.

    Mas sabem o que é mesmo de fazer cair o cu da bunda? É essa cambada que agora tenta capitalizar voto em cima de desgraça, é esse bando de de profetas do acontecido, é essa tropa de canalhas que ainda vem querer jogar a culpa nesse ou naquele, é esse monte de boca-aberta sem noção que não sacou o tamanho da merda que houve e diz não entender porque tanta chiadeira “só por causa de um prédio velho com um monte de coisa velha dentro”, é essa raça amaldiçoada de uns filhos de uma rameira descabaçada que dizia que “museu não dá voto”…

    Tá foda, viu? Tá muito foda continuar vivendo aqui! Tô muito puto. E tá foda ver que não importa quanto tempo passe, qual o tamanho da merda que aconteça ou o tanto de humilhação perante o resto do mundo. Porque nada nunca muda. NUNCA. NUNCA MESMO! Como a Sally bem disse, esse é o nosso “modo de funcionar”.

    • Talvez um dia o copo transborde e a coisa mude à força, mas acho que não vamos viver para ver isso acontecendo…

      • Será que vai mesmo, Sally? Acho que isto aqui não tem conserto não… Fazer merda em cima de merda e ter uma irritante passividade bovina diante de tanto absurdo – até dos que se sente na própria pele – faz parte do DNA brasileiro. Não tem jeito. E, francamente, já houve por aqui tantas e tantas e tantas e tantas e TANTAS outras coisas que já teriam feito “o copo transbordar”, mas jamais houve qualquer mínimo sinal de melhora! Pergunto: o que mais ainda teria que acontecer? Não sei. Não sei mesmo…

        Ter esperanças chega a ser ingenuidade, tolice. Claro que nós não estaremos mesmo vivos pra ver, mas temo que nenhum de nossos descendentes também viva pra testemunhar o dia em que este lugar maldito poderia começar a deixar de ser a pocilga que sempre foi e que, infelizmente, parece estar condenado a ser eternamente.

        Por fim, por favor, permita-me reproduzir um trecho de uma postagem do Somir de dezembro de 2014, escrito em outro contexto, mas que também cabe aqui: “Sob o olhar mais atento da comunidade internacional, ruímos sob o peso de nossa própria incompetência. Todas as promessas de um novo Brasil não passaram de promessas. Continuamos sendo o eterno país do futuro, com a certeza da grandiosidade ao dobrar a próxima esquina. Continuamos empurrando com a barriga até chegar lá. Evidente que não funcionou.” Ao que eu acrescento E nunca funcionará…

  • “A culpa é de todos os que passaram por cargos de poder desde 2004 até hoje, seja no Rio, seja em Brasília.” Pelo que um amigo meu que fez trabalho voluntário lá falou, a culpa vem desde a década de 90, no mínimo.
    Também sofri pelas múmias e os dinos. Até que duraram em terras tupiniquins. E pensar que o acervo egípcio iria pra Argentina…
    Um shit hole não merece ter museus. De que adianta? Não vão cuidar mesmo. Inclusive, pra quem quer ver artefatos indígenas brasileiros: até isso na europa tem melhores (mais bem preservados e listados de uma maneira em que até ficam interessantes. Sério).
    E certamente o país não aprendeu nada: tem outros museus em território nacional (nem de longe com a mesma importância, mas enfim) que estão em condições igualmente precárias – duvido que façam algo. Nem que seja fingindo que se importam, pra ganhar votos, nem assim farão algo.
    Tbm não quero nem pensar na merda que farão pra substituir o museu nacional.

    • Sim, as múmias iam para a Argentina, mas foi dado um “jeitinho brasileiro” para ficarem aqui. Tomara que exista uma maldição faraó para esse tipo de malandragem…

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