Jules Rimet

A incompetência é o grande mal do Brasil, supera, inclusive, a corrupção. O brasileiro tem uma vocação para fazer merda em cadeia, com crescimento exponencial, desde sempre. O incêndio no Museu Nacional é só mais um indício da incompetências, não pode deixar brasileiro cuidando de duas tartarugas, que uma foge – e essa vergonha não é de hoje. Segue um dos primeiros grandes vexames nacionais: Desfavor Explica – Taça Jules Rimet.

Em 1928, membros da FIFA se reuniram para decidir como incentivar as seleções a participar e vencer os torneios da Copa do Mundo. O então Presidente da FIFA, Jules Rimet, sugeriu que fosse confeccionado um troféu em ouro, que ficaria de posse provisória do ganhador da Copa e passaria a ser de propriedade definitiva do primeiro país que conseguisse vencer a competição por três vezes. Ser tricampeão era, à época, um feito considerado muito difícil, eles estimavam que dificilmente aconteceria.

Inicialmente a taça teve outros nomes, mas, por ter sido o autor da ideia e também o mentor da dinâmica sobre o funcionamento da premiação, o nome dado à taça foi Jules Rimet. A taça foi feita em ouro maciço, pelo artesão francês Abel Lafleur, coitado, bastante pressionado, em três meses. Dizem que o infeliz nem sequer dormia, virava noites trabalhando. Ele se inspirou na deusa grega da vitória, Nice e, para fazer a taça, usou quase 4 quilos de ouro puro.

A história da taça Jules Rimet sempre foi conturbada. Durante a Segunda Guerra Mundial um membro da FIFA, Ottorino Barassi, se arriscou removendo a taça do banco onde ela estava guardada e a escondeu em sua casa, dentro de uma caixa de sapatos, para evitar que ela fosse levada pelos nazistas. Ottorino a manteve em sua casa, em segredo, jurando que não sabia onde estava, até o final da guerra. Só depois revelou que estava com ela e a devolveu oficialmente.

Em 1966 a Jules Rimet passou por uma nova aventura: estava sob a guarda do Brasil (último campeão), mas, como a Inglaterra iria sediar a Copa do Mundo, ela foi emprestada e colocada em exposição em um museu de Londres, o  Center Hall de Westminster. Deu ruim e, em 20 de março de 1966, ela foi roubada. A Scotland Yard procurou com bastante empenho, mas quem a encontrou a Jules Rimet foi um cachorro chamado Pickles.

Um cidadão comum chamado David Corbett passeava com seu cão Pickles numa praça quando o doguinho curioso insistiu em fuçar algo que estava entre os arbustos. Diante da insistência do cão, o dono foi ver o que estava despertando tanta curiosidade. Ele encontrou a taça enrolado em jornais e imediatamente a levou até a polícia.

Rapidamente Pickles virou um herói. Ele ficou tão famoso que uma fábrica de comida canina decidiu presenteá-lo com comida de graça para o resto da sua vida. Os brasileiros ficaram bastante indignados à época, que absurdo deixar roubar algo tão valioso! Um assessor da confederação brasileira de futebol disse que isso era “um sacrilégio que jamais seria cometido no Brasil”, onde “até mesmo os ladrões são apaixonados por futebol”.

Por si só, a frase já é um desfavor: não aconteceria porque ladrão gosta de futebol, não por ser um país seguro. E ainda há quem se orgulhe disso e repita esta diarreia cerebral para europeu. Mas a história se encarregaria de deixar a frase deste macaquito ainda mais humilhante.

No final das contas, a Scotland Yard acabou prendendo o responsável pelo crime e a taça retornou ao circuito. Agora a Jules Rimet tinha sobrevivido ao nazismo e à criminalidade inglesa. Era uma taça de sorte, porém, havia uma coisa à qual ela não sobreviveria: ao Brasil.

Conforme dito, quem ganhasse a Copa do Mundo três vezes levaria a taça para casa, ela viraria propriedade do país que fosse tricampeão. Com a conquista do tricampeonato, em 1970, a Jules Rimet se tornou propriedade perpétua do Brasil. E aí começa uma sequência de imbecilidades e vergonhas alheias que não podem ser esquecidas. Tudo relacionado ao roubo da taça Jules Rimet é burro, brega e tupiniquim.

Por algum motivo que não compreendo, acharam que o melhor lugar para manter a taça era no Rio de Janeiro. E por motivos que eu compreendo menos ainda, fizeram a seguinte genialidade: existia a taça original e uma réplica e os animais escolheram expor a original sem muita segurança (em uma fuckin´ cúpula de vidro) e guardar a réplica em um cofre, no mesmo prédio.

O resultado foi bastante óbvio: a original foi roubada. Em 19 de dezembro de 1983 ela foi levada da então sede da CBF, no Centro do Rio, e nunca mais foi vista. Aí começava a grande humilhação internacional do Brasil, que teve que prestar contas à imprensa internacional sobre o ocorrido. Seguiu-se um show de horrores.

Primeiro a vergonha de ter recriminado de forma pública e implacável a Inglaterra quando o mesmo ocorrera por lá, afirmando que isso nunca aconteceria no Brasil. Depois, admitir a imbecilidade de guardar a réplica em um cofre e expor a original sem a segurança adequada. Por fim, assumir que a taça havia sido roubada e derretida, não mais existia, por meliantes com os seguintes nomes: Sergio “Peralta”, Luiz “Bigode” e Chico “Barbudo”. É muita humilhação, Brasil!

Tudo começou quando Sergio Peralta, que era representante do Atlético Mineiro na CBF desde 1974 e também foi assessor administrativo da CBF, estava jogando cartas com os amigos, quando teve a ideia de roubar a taça. Como ele tinha total acesso ao prédio de CBF e conhecia toda a rotina local, não seria muito difícil. Assim, do nada, a malemolência aflotou. Realiza o aborígene jogando baralho e do nada soltando “Ei, que tal se a gente roubasse a taça Jules Rimet?”.

Peralta pediu ajuda a seu amigo, Antonio, porém conhecido como “Broa”, um eficiente arrombador. Mas Broa se recusou a ajudar, alegando razões patrióticas e de família: seu irmão, Giácomo, teve um infarto ao ver pela TV o jogador Carlos Alberto Torres levantando a taça Jules Rimet no tricampeonato. Para ele, a taça era sagrada, ele não ousava mexer com ela.

Sergio Peralta então procurou outros contatos. Falou com seu amigo Chico Barbudo, que trabalhava com compra e venda de ouro. Chico topou, desde que pudesse levar seu amigo, Luiz Bigode. Sim, Barbudo e Bigode, a criminalidade brasileira parece personagem do Chapolin Colorado.

Estava fechado o trio que roubaria e derreteria a taça Jules Rimet. O plano era que Chico Barbudo entre na CBF se fazendo passar por jornalista, com a alegação de que iria entrevistar o Presidente da CBF. Coincidentemente a taça estava no mesmo andar onde estava o Presidente da CBF. Ele se infiltraria, pegaria a taça sem ser visto e sairia de fininho. Para isso, Sergio Peralta desenhou um mapa da sede da CBF, dando informações sobre como entrar, como sair, como se comportar.

Pelo visto, as orientações foram uma bela bosta, de cara Chico Barbudo foi barrado e não teve lábia que o deixe subir. Uma secretária o impediu de ter acesso ao andar onde estava a taça, mesmo diante da insistência de Barbudo, se dizendo um jornalista importante que tinha uma entrevista agendada com o Presidente da CBF. Tudo é falho no Brasil, tudo é tosco: a segurança com a qual se guardam bens valiosos e a estratégia usada pelos bandidos.

Já que na malandragem não rolou, eles apelaram para a violência mesmo. Em 19 de dezembro de 1983, Chico Barbudo e Luiz Bigode voltaram às 21 horas, armados e mascarados, renderam o segurança, o amarraram e vendaram seus olhos. Subiram até o andar onde estava a taça e, apenas com a ajuda de um pé de cabra, conseguiram acesso à taça Jules Rimet e mais outras três taças de ouro. Do lado de fora, Sergio Peralta os esperava, para ajudar na fuga e, porque não, providenciar um lanchinho.

No dia seguinte, o país amanhecia chocado com o caso. A política foi pressionada a achar os culpados, e, como é de praxe no Rio de Janeiro, achou culpados, não os culpados. Os faxineiros da CBF Antônio Carlos Aranha e Paulo Murilo foram presos de forma precipitada, apenas para mostrar que a política carioca era eficiente.

Um deles, inclusive, morreu um tempo depois em circunstâncias muito suspeitas, assassinado com sete tiros. Quando Antonio “Broa” viu a notícia do roubo e a prisão dos faxineiros, lembrou imediatamente da proposta indecorosa que Sergio Peralta fizera algum tempo antes e procurou a polícia para contar o que sabia, na certeza de que haviam prendido pessoas inocentes.

Não adiantou muito, os policiais fizeram pouco caso dele e da sua história. Agora estavam focados em acusar e prender o vigia da CBF João Batista Maia e sua filha, Sílvia Regina de Almeida Maia. Só depois de muito investigar e perceber que não havia qualquer evidência contra os dois é que resolveram apurar a versão de Broa, por total falta de alternativa. Mas já era tarde demais.

A pressão social aumentava, a polícia precisava mostrar resultados. Como não havia indícios suficientes para prender Sergio Peralta, a polícia improvisou. Começaram a segui-lo, até que, em 25 de janeiro de 1984, policiais pularam em cima dele no meio da rua, cobriram seu rosto com um capuz e o jogaram dentro de um carro. Três dias de tortura depois, ele confessou o crime e também alguns detalhes desnecessários: “por causa dos chutes que eu levei, eu tenho um escroto maior que o outro”. Não seria Brasil se não tivéssemos esse grau de oversharing, não é mesmo?

Em princípio, ele alegou só ter confessado o crime por ter sido torturado. Mas, ao longo do processo, as peças começaram a se encaixar. Um guardador de carros que trabalhava na porta do prédio da CBF disse ter visto Peralta ali na noite do crime, inclusive levando lanchinho para os comparsas que estavam do lado de dentro. Peralta teria chegado a oferecer uma Coca-Cola ao guardador e dito que levaria um lanche para colegas seus no prédio da CBF.

Após a confissão por livre espontânea pressão de Sergio Peralta, a polícia foi atrás de Luiz Bigode, que passou um dia todo apanhando até confessar também. Nada de novo, sempre foi e ainda é assim por aqui. Com duas confissões, o caso ficou robusto e não havia mais a necessidade imperiosa da confissão do Chico Barbudo, então, era hora da polícia colocar em prática outra especialidade da casa: extorsão.

Chico Barbudo, como dito, trabalhava com compra e vende de ouro, e a polícia sabia disso. Como não precisavam da confissão, partiram para fazer um pé de meia: ele entregou aos policiais quase 3kg de joias em ouro em troca de não apanhar até quase morrer.

Chico Barbudo negou o crime em juízo, mas a secretária que o barrara quando ele tentou entrar disfarçado de jornalista o reconheceu e o desmentiu. Sem ter mais como negar, ele confessou o crime e disse que a taça havia sido entregue a um receptador argentino chamado Juan Carlos Hernandez. Não é simplesmente delicioso que o patriotão brasileiro tenha entregue a taça a um argentino?

Lá foram os policiais atrás do argentino, que por sinal, era outro baita idiota. Ele tinha uma loja de ouro chamada “JC Hernandez”, mas, depois dessa gracinha, decidiu mudar o nome da loja para “Aurimet” (auri = ouro + rimet), deixando bem claro de onde vinha o ouro que ele comercializava. Se alguém da sua família comprou joias na Aurimet, provavelmente a pessoa está usando um pedacinho da taça Jules Rimet no dedo, pescoço ou orelha.

Obviamente, o argentino espertão acabou condenado, mas conseguiu fugir para a França, onde acabou preso por tráfico de drogas. Por sinal, após a condenação, em 1988, todos os envolvidos, em algum momento, conseguiram fugir. Então, além da demora em prender os culpados, mesmo tendo um relato e quem eram, também tivemos a ineficiência em puni-los. E, mesmo quando conseguiram captura-los, anos depois, o próprio Judiciário se encarregou de coloca-los rapidamente de volta às ruas.

Quer dizer, nem todos… Chico Barbudo foi assassinado em uma emboscada. Um belo dia, foi cercado por cinco homens que encheram ele de tiros, em 1989. Estranho. Broa também acabou morto de uma forma muito suspeita: no dia 03 de dezembro de 1985, sofreu um acidente de carro, quando iria depor numa audiência. Duas situações típicas de queima de arquivo.

Sergio Peralta tentou se esconder no interior do Rio de Janeiro, onde foi trabalhar como caseiro. Infelizmente acabou fazendo amizade com policiais locais e a situação acabou vazando. Foi preso em 1994 e em 1998 já estava solto, em liberdade condicional. Luiz Bigode acabou preso em 1995 e foi liberado em 1998.

O argentino foi preso em 1998, na rodoviária de São Paulo, com uma mala contendo quase dez quilos de cocaína. Quando chegou na delegacia, foi reconhecido como “o argentino que derreteu a Jules Rimet” e ficou preso até 2005 (por tráfico, por derreter a taça, não pegou nada), saindo em liberdade condicional.

Depois desta belíssima bandalha, a FIFA não presenteia mais ninguém com taças. Venceu? Leva pra casa, mas na Copa seguinte tem que devolver. E fama do Brasil começou a se espalhar pelo mundo. Sério mesmo, este país não merece guardar qualquer objeto com um mínimo de valor. Quantas merdas mais terão que acontecer para que o resto do mundo perceba isso, de uma vez por todas?

Para dizer que a Argentina também roubou uma taça em 1978, para dizer que Pickles é melhor que a polícia carioca ou ainda para dizer que se a população não souber pronunciar o nome do objeto, ele não pode ser confiado ao Brasil: sally@desfavor.com

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Comentários (19)

  • Imagens em close e detalhadas da taça, pra quem quiser ver de perto como ela era:
    – Vista frontal geral, com as plaquetas douradas que adornavam a base octogonal:
    https://natedsanders.com/ItemImages/000044/44866_lg.jpeg

    – Vista frontal da base (feita de uma pedra preciosa chamada lápis-lazuli):
    https://natedsanders.com/ItemImages/000044/44866i_lg.jpeg

    – Vista traseira da base:
    https://natedsanders.com/ItemImages/000044/44866m_lg.jpeg

    – Vista lateral:
    https://natedsanders.com/ItemImages/000044/44866k_lg.jpeg

    – Vista da parte de baixo da taça, com o parafuso que unia a estatueta de ouro com a base:
    https://natedsanders.com/ItemImages/000044/44866n_lg.jpeg

  • Aaaah que texto gostoso de ler!

    Sally, vc se inspirou num documentário da ESPN? Eles produziram um que conta muito bem a saga da taça, mas com menos detalhes sobre as tupiniquices dos ladrões.

    E ainda não me entrou na cabeça, Porque? PORQUE? WHY? UAI? Pq guardaram a taça falsa no cofre e a original exposta. Inteligência nunca foi o forte do brasileiro.

      • Se tiver tempo e curiosidade, assista, é muito bom.

        Seu texto + o documentário da ESPN é o que todo mundo deveria consumir pra entender a catástrofe da Jules Rimet.

        Off: Fiquei assustado com o tanto de queima de arquivo que teve nesse caso.

  • Ao ler uma matéria que o Museu do Amanha é o que recebe mais recursos e visitantes me veio a ideia q deveriam fazer o Museu da Vantagem com a estatua do Gérson na frente. Com aulas de charlatanismo seria um museu mais bilionário que o Templo de Salomão Paulista.
    Estava vendo no JN tb q eles cogitam reabrir o Museu Nacional com peças reproduzidas em plástico. Nada mais digno pro Brasil, ter replicas. Pras futuras gerações teria-se que ter uma placa digna: “peça plastica reproduzida a partir do original que por incopetencia queimamos”. Esse museu novo será piada mundial.

  • Eu conhecia essa história, mas não com tantos detalhes vergonhosos.
    Uma versão tupiniquim de 11 homens e um segredo…toda cagada.

  • Detalhe: o vidro da cúpula que envolvia a Jules Rimet roubada era à prova de balas – quem daria um tiro numa taça? – , mas montado na parede em uma frágil estrutura de madeira que, como a Sally já contou, foi arrombada com um simples pé de cabra. Ah! E os nomes dos criminosos que sumiram com a taça parecem mesmo de personagens do Chapolin Colorado!

    “Por algum motivo que não compreendo, acharam que o melhor lugar para manter a taça era no Rio de Janeiro.” A sede da CBF (antes CBD) sempre foi no Rio e é praxe internacional que troféus ganhos por equipes representantes de um país fiquem – desde que bem protegidos, claro – sob a guarda da entidade nacional máxima de praticamente qualquer esporte coletivo. Porque essas entidades também são, geralmente, as responsáveis por organizar e gerir as próprias seleções.

    E por favor permitam-me transcrever aqui um trechinho da biografia do Garrincha (“Estrela Solitária”, do Ruy Castro) com um episódio curioso sobre a história da Jules Rimet ocorrido no ano de 1958 em solo nacional. Aconteceu em meio à balbúrdia que foi a comemoração brasileira pela conquista do primeiro título de uma Copa do Mundo que, dizem até hoje, acabou com nosso “complexo de vira-latas”:

    “(…)Eram como soldados que estivessem voltando, vivos e vitoriosos, da guerra da Coréia. Bellini entrou com a taça Jules Rimet e os gritos sacudiram o prédio dos Associados. Os fotógrafos assestaram suas Leicas e Rolleiflexes. Ziraldo empurrou Adalgisa Colombo: “Vai beijar o capitão da seleção, vai!” A botafoguense Adalgisa protestou: “Não vou beijar jogador de futebol, não!” “Mas é o Bellini!”, suplicou Ziraldo – e apontou para o jogador. Adalgisa olhou para o belo Bellini e se entusiasmou: “Ah, se é aquele eu beijo!” E fez-se a foto. A Jules Rimet foi desfilada em triunfo por Bellini e Paulo Machado de Carvalho. Houve instantes em que a taça se perdeu e passou de mão em mão. Todos queriam tocá-la, beijá-la e tomar champanhe em sua copa. Conseguiram. Só que aquela não era a autêntica Jules Rimet, mas uma cópia. Os dirigentes uruguaios, que a haviam ganho em 1950 no Maracanã, tinham feito por segurança uma réplica da taça e foram oferecê-la a Paulo Machado de Carvalho no avião, assim que este descera no Galeão. Argumentaram que, diante da exuberância brasileira, era aconselhável esconder a original e exibir a imitação. Avisaram que a base era de madeira e não de bronze, e que estava meio solta. Bellini teria de segurá-la com as duas mãos, para que ela não se desprendesse quando quisessem agarrá-la. Milagrosamente, a taça circulou pela festa, a base não descolou e ninguém percebeu que era falsa.

    A verdadeira Jules Rimet viajara do Galeão para o aeroporto Santos Dumont e só reapareceria, horas depois, no Catete. Juscelino foi o único a tomar champanhe na taça de ouro. E talvez nem ele tenha percebido a importância daquele momento. Já era presidente havia dois anos, mas toda a aura de euforia que no futuro se atribuiria a seu governo só contaria a partir da epopéia na Suécia. Na verdade, seu governo começava ali.”

    – Foto de JK bebendo champanhe na Jules Rimet: https://i.pinimg.com/originals/a8/3d/22/a83d22ea3cf3f24674a26f79bd3c201b.jpg

    – Foto da Adalgisa Colombo (miss-Brasil 1958) beijando o rosto de Bellini (capitão da seleção campeã mundial), publicada numa edição da revista O Cruzeiro (que era uma espécie de “Veja” da época):
    http://s.glbimg.com/es/ge/f/original/2014/03/25/revista_com_foto_do_beijo_da_miss_brasil_em_bellini_apos_a_copa_de_58.jpg

    – Foto do local onde a taça ficava, após o crime:
    http://4.bp.blogspot.com/-ByUSJFwYtlA/U6tNvoAqQJI/AAAAAAAARRI/s8HJsMVmo-o/s1600/roubo+2.JPG

  • Nossa! Essa história daria um ótimo filme de comédia. E o q é esse argentino hein rs . Mas gostei da ousadia do nome da loja hahaah

      • De filme sobre esse caso, só conheço – de ler no jornal na época do lançamento, porque ainda não assisti – uma comédia cujo título é justamente “O Roubo da Taça”, protagonizado por Paulo Tiefenthaler, conhecido também por ter encabeçado há alguns anos um programa de culinária trash chamado “Larica Total” no Canal Brasil.

        Trailer de “O Roubo da Taça”, de 2016:

        https://www.youtube.com/watch?v=4P2qsnGOv28

        Ah! E a Globo também fez em 2006 uma edição especial do “Linha Direta Justiça” sobre o crime. Eis o vídeo:
        https://www.youtube.com/watch?v=AvhJ1pM-ACA

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