Geração Rivotril.

Para onde você corre quando tem um problema que te angustia? Em um mundo ideal, as pessoas encontram força e sabedoria dentro delas mesmas para enfrentar as adversidades da vida, mas no mundo real, dificilmente é o que acontece. A pessoa tenta e se, com o que ela tem, não consegue segurar aquela barra acaba decretando, quase que de forma permanente que “sozinho não dá”. A busca passa a ser externa, algo que torne a situação suportável, de preferência de forma fácil, rápida e barata.

A resposta padrão dos últimos tempos tem sido remédios. Não tem nada de errado nisso, eu eventualmente preciso de ajuda, vocês eventualmente precisam de ajuda, todas as pessoas do mundo eventualmente precisarão de ajuda. O problema é: procurar uma muleta em vez de ajuda.

Para se fortalecer, para ter estrutura para lidar de frente sem desabar com as adversidades da vida, é preciso fazer uma “musculação” da mente e da alma e, como toda musculação, você não fica forte da noite pro dia, demanda longos períodos de treino ininterrupto e, quando você para, vai perdendo gradativamente tudo que ganhou. É por isso, poucas pessoas neste mundo tem o corpo ou a mente sarados: é um investimento constante que requer muita disciplina e força de vontade. É exercício pro resto da vida.

Mas, se ninguém cuida da mente e da alma com este empenho, o que fazem as pessoas quando se deparam com um momento de vida onde, graças a suas mentes flácidas, não conseguem segurar o tranco? Se medicam, e o queridinho do Brasil é o Rivotril. Nada contra o remédio em si, quem precisa tem que usar mesmo, mas via de regra tem que ser um SOS para tirar do buraco e ajuda a recomeçar. Rivotril como resposta permanente… melhor não.

O Brasil, aquele país que se diz feliz, alegre, praireio e festeiro, é o maior consumidor do mundo de Rivotril do mundo. Mais: boa parte deste público são jovens que sequer tem problemas tão graves assim. Estopins risíveis como término de um relacionamento ou não obter a popularidade desejada em redes sociais são mais comuns do que se imagina na hora de optar por este remédio.

Em tese, o Rivotril é um remédio para controlar a ansiedade, prescrito por tempo determinado, para situações pontuais. Não é exigível, por exemplo, que uma mãe que viu seu filho ser assassinado continue com sua vida sem algum tipo de apoio, provavelmente nenhum de nós conseguiria. O grande problema é que no Brasil, cada vez mais, as pessoas fazem uso de ansiolíticos para se anestesiar diante de frustrações normais da vida, adversidades que são inerentes à vida adulta, mas que adultinhos infantilizados não querem lidar ou não querem procurar ferramentas que os prepare para lidar.

Se apoiar em um remédio para conseguir lidar com problemas banais como pressão no trabalho, insônia ou brigas com namoradinho é, além de um sintoma de retardo emocional, uma questão de saúde pública muito séria. Hoje, o Rivotril é um dos remédios mais vendidos no país, o que é curioso, pois deve ser prescrito por psiquiatras e o brasileiro, por tradição, não costuma ir ao psiquiatra por achar que “é coisa para maluco”. Isso indica que boa parte das pessoas adquire o medicamento sem receita ou com receitas prescritas na camaradagem, por um dermatologista amigo ou coisa do tipo. Uma verdadeira temeridade.

Se o brasileiro fosse um povo instruído e responsável, não haveria maiores problemas. Mas, quero lembra-los que estamos em um país onde pessoas com um grau bom de instrução param de tomar antibiótico no meio do tratamento pois já estão se sentindo melhor e querem beber. Estamos em um país onde remédio para diarreia tem que ser vendido com prescrição médica, pois nem isso o povo consegue administrar com competência. Então, esse consumo indiscriminado e permanente de Rivotril é sim um problema de saúde pública, as consequências disso serão pagas por você e por mim.

Originalmente, os ansiolíticos foram pensados para regular um cérebro desregulado, que está over reagindo a algo. Quando, por qualquer motivo, há um desequilíbrio e pequenos estímulos causam reações exacerbadas, os ansiolíticos inibem esse funcionamento excessivo (que geralmente se traduz na forma de ansiedade). É um ótimo recurso enquanto a pessoa procura formas de resolver o que está causando o problema: coloca a mente no lugar descobrindo e entendendo a causa disso em uma terapia, se exercita para ajudar a regular a química do corpo, medita para acalmar a mente, aprende a lidar com as coisas de outra forma mais serena. São infinitos caminhos.

Rivotril é excelente, por exemplo, para quem está tendo uma crise de Síndrome do Pânico e ainda não conseguiu controlar a condição, congelando de medo no meio da rua. Isso tira a pessoa de uma situação perigosa enquanto ela não resolve o problema. Mas é péssimo quando usado como muleta para se anestesiar de frustrações e ansiedades do dia a dia, pois impede que a pessoa desenvolva estrutura e mecanismo para enfrentar adversidades da vida que não podem depender de medicação que mexe na química cerebral para serem vencidas.

Para começo de conversa, anestesiar sentimentos enfraquece a mente da pessoa progressivamente, causando uma regressão a um estado quase que infantil, onde ela fica cada vez mais “aleijada” para lidar com problemas que se apresentem. E, acreditem, ao longo da vida muitos problemas se apresentam. Existem muitas outras formas de se fortalecer e encarar o problema de frente sem precisar fugir dele quimicamente.

Nem vou entrar na questão do quanto se anestesiar impede de evoluir como ser humano, porque quem toma Rivotril “porque o Bolsonaro venceu” está tão preso à matéria que está fora do alcance de qualquer evolução. Vai ter que levar muita porrada da vida até aprender a dimensionar as coisas de uma forma sensata.

Mas, além da questão de virar uma ameba incapaz de lidar com a vida adulta, existem outros problemas mais sérios. Rivotril não é um remedinho mágico e inofensivo como muitos pensam. Coisas muito graves podem acontecer a longo prazo, as chances da pessoas sair pior do que entrou são enormes.

Para começo de conversa, o efeito do Rivotril dura, em média, 18 horas no organismo, ou seja, quem toma o remédio pensando que vai ter oito horinhas de sono gostosas ainda vai ter que lidar por mais de dez horas com aquele efeito. Mesmo que a pessoa não sinta sonolência, sua química cerebral está afetada, assim como seus reflexos, seu estado de alerta. Dependendo da profissão ou do trabalho da pessoa, isso pode ser um problema grave. Fatalmente sua capacidade de concentração e sua memória serão afetados, boa sorte no mercado de trabalho com esse freio de mão puxado.

Outro problema sério é que o Rivotril é muito barato, custa menos de dez reais. Isso faz com que ele seja sempre o remédio escolhido, mesmo quando não é o mais indicado. O preço camarada torna fácil viver à base dele, é mais barato viver de Rivotril do que fumar, por exemplo. E, graças a toda essa cultura dos remédios, do jeitinho e da atrofia na capacidade de lidar com sofrimento e frustração, o Brasil está se tornando uma nação de viciados em Rivotril. Os números são cada vez mais assustadores.

Existem dois tipos de vício: o físico e o psicológico. O físico ocorre quando o cérebro fica dependente daquela substância para funcionar corretamente, perdendo a capacidade (ainda que temporariamente) de produzir aquilo que o Rivotril fornece: como ele recebe aquelas substâncias, dá uma “ordem” para que organismo pare de produzi-las, afinal, já há o suficiente. Assim, a pessoa fica dependente de ingerir aquilo, caso contrário fica sem a substância e as consequências são devastadoras. É um processo de dependência química bem parecido ao da cocaína, com direito a síndrome de abstinência.

Também existe o vício psicológico, onde a pessoa precisa saber que o remédio está lá caso ela precise dele. Geralmente são aquelas pessoas que só se sentem seguras se andarem com uma caixinha na bolsa. Como o remédio não resolve nada, apenas anestesia, quando a pessoa para o remédio, todos os fantasmas que ela tinha camuflado com o medicamento voltam, e ela é obrigada a enfrenta-los. Então, com o constante medo de não conseguir, a pessoa mantem o remédio sempre por perto e fica em pânico se ficar sem ele, mesmo que não o utilize.

Como já foi dito, Rivotril é SOS para períodos difíceis, até que a pessoa se trate com um psicólogo (ou com o que quer que a ajude) e consiga se estruturar para superar o que quer que a esteja derrubando. Ainda assim, um dos principais erros do brasileiro é achar que ele soluciona e que basta continuar tomando que o problema acaba. É assustador ver os comentários de pessoas que fazem uso deste remédio em blogs, fóruns e sites de notícias. A maioria recusa tratamentos para resolver o problema e está disposta a continuar com o Rivotril, comprado na camaradagem por uma receita que a tia da prima conseguiu, para o resto da vida.

Repito: Rivotril não trata. É como se soasse o alarme de incêndio da sua casa avisando que um dos cômodos está pegando fogo e você apenas deligasse o alarme e voltasse a dormir. A casa continua pegando fogo e em algum momento isso vai ser fatal para você. Não dá para mascarar os sintomas para sempre, Rivotril atenua as coisas para permitir que a pessoa se trate de outras formas e consiga superar o problema. Usar Rivotril como tratamento ou solução permanente acaba mal.

Não é brincadeira, é um remédio altamente viciante. Estudos indicam que cerca de 80% das pessoas que usam esse tipo de medicamento ficam viciadas após 2 ou 3 meses de uso, com direito a síndrome de abstinência se parar de tomar de um dia para o outro. E a síndrome de abstinência de Rivotril pode ser tão forte, mas tão forte, que chega a demandar internação da pessoa.

Entre outros sintomas tenebrosos, a pessoa pode ver, ouvir e sentir coisas que não existem, ter delírios de perseguição (como ser perseguida por extraterrestres ou monstros), agitação e até uma crise de depressão. Muitas vezes, para não passar por esse terror de abstinência, as pessoas apenas continuam tomando, o que também é um inferno. Estudos indicam que o uso prolongado deste tipo de medicamento mata mais do que drogas ilegais, como cocaína e heroína.

Além disso, quem faz uso de Rivotril tem a interação com álcool no organismo afetada, ele quase que dobra os efeitos da bebida. Raramente alguém que usa Rivotril se furta de beber, até porque muitos médicos autorizam o paciente a beber “com moderação”, o que no Brasil, é um conceito mais do que relativo. Resultado: mais acidentes, mais coma alcoolico, mais bosta feita sob efeito de álcool.

Há centenas de estatísticas que mostram os perigos do Rivotril, desde um aumento absurdo no número de quedas entre idosos (muitas delas fatais) até o surgimento a longo prazo de problemas de saúde muito mais graves que aqueles que a pessoa estava tentando amenizar com o remédio. Acredite, o saldo final não compensa. Se não consegue acreditar, dá uma lida nos efeitos colaterais que ele pode causar na bula. Não são coisas raras, há alguns com mais de 30% de incidência, e são assustadores.

O problema é: Rivotril é um caminho mais fácil. Olhar pra dentro, enfrentar suas sombras, cavar a vida numa terapia, investir tempo em autoconhecimento em vez de ficar no bar, em redes sociais ou se anestesiando de alguma outra forma, ninguém quer. Dá trabalho. A pessoa prefere sentar na frente do computador ou da TV e ficar horas ali olhando para fora em vez de olhar para dentro.

Some-se a isso que hoje não é socialmente reprovável tomar ansiolítico, afinal, quase todo mundo toma, então, a pessoa não tem uma reprovação social como força motriz para tentar encontrar uma outra solução. Tem até quem faça piada disso, use camiseta com frase louvando o remédio. Uma pena, talvez estas pessoas não saibam que com o tempo o corpo começa a adquirir resistência e o remédio vai parar de fazer efeito.

Se você ficar apenas escorado no Rivotril, cedo ou tarde precisará aumentar a dose cada vez mais (pois a dose padrão para de fazer efeito com o tempo) e o destino final deste caminho é muito, muito tortuoso. Fatalmente chegará um momento que esse aumento de dose vai se tornar inviável, por ser tóxico ou nocivo demais para o organismo e a pessoa vai ter que lidar com uma abstinência fortíssima. Pare por bem, que é mais agradável do que parar por mal.

“Mas Sally, eu não consigo, eu não sei o que fazer, onde procurar”. Consegue sim. Você tem internet, agradeça muito por isso, algumas décadas atrás você de fato não teria onde procurar, mas hoje, você tem toda a informação do mundo a um clique.

Não existe “o caminho” certo para aprender a lidar com as adversidades da vida, existem uma infinidade de opções, às quais você vai ter que conhecer e experimentar, incorporando aquelas que dão certo para você e te fazem bem. Sem preconceitos, qualquer coisa que coloque sua mente em um bom lugar merece ser incorporada à sua vida.

Mas para isso é preciso querer fazer diferente e soltar o apego pelo conhecido, pelo seguro, pelo caminho fácil. É como dizem, quando o aluno está pronto, o mestre aparece. Não existe caminho certo mas existe um mindset básico: você precisa acreditar que consegue e você precisa saber que a resposta, em última instância, está dentro de você, só vai usar ferramentas de fora para conseguir acessá-la.

Ansiedade não é uma condição inerente ao ser humano, não é ok viver o tempo todo ansioso, estressado ou angustiado. Ansiedade é um modo de funcionamento errado da sua cabeça que pode e deve ser corrigido por você mesmo. Acredite, você tem essa capacidade, por mais que a negue o tempo todo. Só porque a maioria de uma sociedade doente vive de forma ansiosa não quer dizer que isto seja normal, muito menos aceitável. Esse papo de “mas todo mundo é” não faz sentido, como já dizia sua mãe, você não é todo mundo.

Não sei qual será o seu caminho para se fortalecer, alcançar estabilidade emocional e ter serenidade para lidar com as adversidades da vida, só posso te assegurar que se for viver à base de Rivotril (e similares) de forma permanente, você está, ainda que inconscientemente, abreviando seu tempo de vida e se fazendo mais mal do que bem. Saia do atalho, do caminho fácil mas que custa muito caro no final. Aprenda a ficar bem com você mesmo sem precisar mexer na química do seu cérebro, seu eu do futuro agradece.

Para dizer que prefere entrar em negação e acreditar que este texto é um exagero, para dizer que você não é viciado e que para a hora que quiser ou para dizer que ninguém consegue lidar sozinho com os problemas da vida moderna (consegue sim): sally@desfavor.com

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Comentários (21)

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    Wellington Alves

    Há exatamente 20 anos atrás eu tive uma namorada que desenvolveu síndrome do pânico. Na época o Rivotril era um lançamento e ela começou a usar com prescrição médica. Mas qualquer situação em que ela sentia que ia passar mal já jogava 2 debaixo da língua. Passados uns 2 anos, ela trocou de psiquiatra e esta ficou indignada ao saber que ela fazia uso desse medicamento por tanto tempo.
    Ela foi minha primeira namorada mass, com 6 anos a menos, eu não tinha estrutura pra lidar com um namoro tão tenso. Acabamos terminando e quando nos encontramos alguns anos depois, por causa do Rivotril, ela não lembrava mais como tinha sido a nossa primeira vez! Ela sabe que namoramos, mas não consegue lembrar detalhes da nossa convivência.

  • Sally, num país onde o hábito de ler é mais penoso do que ver novela, futebol, beber, dancar arrocha e repetir o que os outros dizem sobre política, não é de surpreender que não se queira fazer esforço para lidar com os problemas comuns da vida. Os que se apoiam nos medicamentos certamente se dão conta que o efeito da droga passa e os problemas voltam. E os efeitos colaterais pegam carona. Mas seu texto faz refletir sobre encarar tudo de frente. Alias, fazee isso nos torna mais experientes e mais fortes pra próxima.

    • Ivo, eu fico me perguntando se essas pessoas não vivem em negação, usando e achando que vai ficar tudo bem, até que um dia uma merda as pega de surpresa. Será que eles tem consciência dos riscos?

  • Pessoal já toma como se fosse água. Eu estava conversando com amigos sobre o que fazer para amenizar o medo de avião (sim, tenho pavor, ainda mais em viagens longas) aí me falaram pra tomar o quê? Rivotril. Mas gente, só um calmante e trabalho mental já seria o suficiente. E sobre essa modinha de ser cool estar doente depressivo bipolar, é só ora pra chamar atenção, coisa de adultecente.

      • Li uma historia essa semana que serve de base pra essa situação:

        Três cientistas (um americano, um russo e um israelense) tiveram um acidente com material radioativo e foram diagnosticados com uma semana de vida.
        Perguntados sobre qual seria o ultimo pedido o americano respondeu:”Quero muita cerveja e mulheres pra comemorar na praia.”
        O Russo respondeu : “Quero muita vodca e mulheres para comemorar na praia”.
        O israelense respondeu: “Quero consultar outro médico.”

  • Sally, um otorrino prescreveu a mim o dito rivotril devido a um zumbido que me acompanhou por semanas. Após eu fazer uma audiometria sem que apresentasse problemas físicos, não restou dúvidas a ele que era estresse – em uma consulta rapidíssima que mal procurou saber sobre minha vida.

    Quando o meu otorrino retornou de férias, levei o exame que realizei e a receita. Era apenas rinite.

    Não há mais preocupação de muitos médicos. É melhor dar um tranquilizante ou entregar a receita que o paciente pedir para que saia logo do consultório, assim a sala de espera não fica cheia, mas a conta corrente fica mais gordinha.

    • Sim, tudo virou estresse, psicológico ou ansiedade. Doença não existe mais. Já vi ginecologista precrever Rivotril por causa de TPM e quando a pessoa questionou se não se não seria melhor um contraceptivo de uso continuado, para não menstruar, o médico disse que “isso seria muito agressivo”.

  • As pessoas perderam a sensatez do uso de remédios faz tempo. Eu mesma tive que me controlar na época que o bicho pegou pro meu lado em relação a crise de pânico. Virei a pessoa da caixinha na bolsa total! Nem chegava a tomar, mas precisava saber que estava ali. Dos males o menor.

    O mais importante é a terapia, assumir que temos problemas e temos que viver com eles da melhor forma possível. A dor vai sempre existir e com ela existem dois tipos de pessoas: quem consegue aceitar a dor e se tornar mais forte e evoluído e quem quer abafar a dor na base de remédios e mentiras para si mesmo.

    Se você não é milionário aos 30, tá tudo certo! Se não tem likes no instagram tá tudo certo! Se você é muito popular e rico e ainda sim se sente vazio tá tudo certo! Busquem terapia e simplifiquem a vida. Saporra não faz muito sentido mesmo e nem tem que fazer!

    • Bel, sentir essa necessidade de ter a caixinha por perto quando as crises estão recentes é mais do que normal. O grande problema é quando para o resto da vida a pessoa precisa da caixinha ali, aí sim é dependência psicológica.

  • Engraçado, rivotril é popular, e em segundo lugar, vejo muita gente aí usando ritanlina, principalmente quando o assunto é exigir maior concentração pra trabalhar. Muita gente próxima, no mestrado/doutorado, vejo usando para escrever. É foda.

    Eu, desde que tive meu problema de depressão e ansiedade no mestrado, vivo me policiando, inclusive e principalmente em relação ao que como, porque percebo que há uma relação entre se alimentar bem e faltar nutrientes básico pro teu corpo e teu cérebro. E eu não quero ficar novamente dopado e imóvel, sem reação pra nada em função de remédios.

    • Sim, Ge. Tem vários fatores que interferem: alimentação, sono, atividade física e outros. Mas é um caminho mais difícil se reeducar, as pessoas não querem abrir mão de absolutamente nada, elas querem ficar exatamente como estão e não ter problemas. Daí viram um alvo fácil para essas soluções mágicas como remédios, crendices e atalhos.

  • Mas é toda essa merda mesmo. Eu tive transtorno de ansiedade generalizada por anos, e minha psiquiatra me receitou isso pra tomar exclusivamente nas crises mais intensas de pânico. Detestava tomar essas merdas e volta e meia levava comida de rabo da minha psiquiatra por isso.
    Quando você é marinheiro de primeira viagem, você dorme até por 12hrs, e já tomei outros antidepressivos cujos efeitos eram 3 dias de lerdeza e náuseas com direito a vômitos só com saliva. É tipo um dramim. E sim, isso broxa os homens.
    Não é kawaii ter transtornos mental. Não é legal ter uma merda que te debilita. Me revolto profundamente quando romantizam uma porra dessas. “Ai, sou bipolar”, “ai, tenho depressão”, PORRA! E te afirmo que para 1 pessoa que precisa do medicamento, 20 não precisam, basta mudar alguns hábitos e já melhorariam, mas nããão, chapar o coco de Riv’s.
    Porém, existem casos em que a pessoa vai “depender” desses remédios pra levar a vida, sim. Geralmente são os acometidos por males neurológicos (cérebro está literal e permanentemente alterado) como epilepsia ou esquizofrenia, que não tem cura. É uma fera que precisa de controle estrito.

    • Mas existe médico que deixe a pessoa por 20, 30 anos no Rivotril? Até onde eu sei, as consequências podem ser tão ruins que o máximo que se faz é alternar ele com outros medicamentos…

      • Existe médico que nem conversa com o paciente, somente renova as receitas todo mês. Tenho casos próximos a mim. Isso já faz quase 10 anos.
        Existe médico que diz que o paciente só quer fazer tratamento para voltar para o INSS poque ganhou alta.

  • Ainda tô tentando “digerir” o que eu acabei de ver… Pelo tanto que a Sally já falou mal da tal “Geração Rivotril” em outras ocasiões era de se imaginar o tom das críticas dela na postagem de hoje, mas mesmo assim fiquei bestificado com muito do que li porque não imaginava que a coisa fosse assim tão grave. Só pode ser brincadeira esse negócio de ter gente “precisando de remedinho” por causa de baixa popularidade em rede social ou porque o Bolsonaro foi eleito! PU-TA-QUE-O-PARIU!!!!!! Cambada de frouxos do caralho!!!!! Dá vontade de fazer esses merdas acordarem pra vida à base de bofetões na cara!!!! Daqueles bem estalados, dados com vontade!!! Isso é muita falta de problema de verdade na vida!!! Quando algo realmente sério acontecer com eles – e sempre acontece, com todos nós – , vão fazer o quê? Sentar no meio-fio e chorar?

    Outra coisa que me chamou a atenção no texto foi quando Sally disse que “brasileiro, por tradição, não costuma ir ao psiquiatra por achar que “é coisa para maluco”. Mas encher o rabo de Rivotril por qualquer coisinha não é, né? Pior ainda é quando essa cambada desenvolve dependência – a única coisa que são mesmo capazes de desenvolver – ou toma remédio ao mesmo tempo em que anda encachaçado por aí, piorando e muito os efeitos do álcool no organismo.

    Todos temos maus momentos vez ou outra e cada um de nós sabe, no íntimo, onde o calo aperta. Como está na letra daquela velha canção, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. E a forma de lidar com seus demônios internos também varia de uma pessoa para outra. O que não pode é se agarrar a um remédio que só deveria ser usado por pessoas em situações extremas – tipo um veterano de guerra em situação de stress pós-traumático – e ser tão bunda-mole a ponto de ficar sem saber o que fazer até se o sorvete de casquinha cair no chão. A Sally está certíssima em dizer que é preciso uma “musculação da alma” para nos dar uma fortaleza interior e sermos capazes de enfrentar adversidades. Ou como diria o bom e velho Rocky Balboa: “Let me tell you something you already know: the world ain’t all sunshine and rainbows. It’s a very mean and nasty place. And I don’t care how tough you are it will beat you to your knees and keep you there permanently if you let it. You, me, or nobody is gonna hit as hard as life. But it ain’t about how hard ya hit. It’s about how hard you can GET HIT and keep moving forward. HOW MUCH YOU CAN TAKE AND KEEP MOVING FOWARD! THAT’S HOW WINNING IS DONE! Now if you know what you’re worth then go out and get what you’re worth. But ya gotta be willing to take the hits, and not pointing fingers saying you ain’t where you wanna be because of “him”, or “her”, or ANYBODY! COWARDS DO THAT AND THAT AIN’T YOU! YOU’RE BETTER THAN THAT! “

    • É uma epidemia silenciosa, é algo que precisa ser conversado. A quantidade de pessoas que toma Rivotril no Brasil não para de crescer e é totalmente incompatível com a quantidade de consultas psiquiátricas que é realizada, ou seja, tem muita gente tomando por recomendação da amiga, por ler na internet ou sei lá por qual motivo. São pessoas que não tem a menor ideia dos problemas que podem desenvolver e muitas vezes sequer sabem que não estão se tratando só tomando Rivotril.

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