Guerra das Malvinas

Você já deve ter escutado muito sobre as Malvinas, é um daqueles assuntos que todo mundo fala, mas ninguém explica. “As Malvinas são argentinas” ou “o próprio povo prefere que sejam inglesas”. Será? Vale a pena olhar a história mais de perto, para que você forme sua própria opinião sobre o caso. Desfavor Explica: Guerra das Malvinas.

As Malvinas são um conjunto de pequenas ilhas localizadas ao Sul da Argentina, cujos atrativos são riquezas naturais e posicionamento estratégico. Diga-se de passagem, o nome mais correto é Ilhas Falkland, pois a Argentina perdeu este território em definitivo para a Inglaterra após uma guerra desastrosa. Porém, oficialmente elas são chamadas de “Malvinas” por todos os países do Mercosul, é assim que vou me referir a elas.

Culturalmente, o local é mais argentino do que inglês. Os habitantes também falam espanhol, muitos recebem auxílio do governo argentino e muitos vão estudar na Argentina. Boa parte da população se sente argentina. Apesar de serem uma colônia inglesa, não lhes é permitido morar na Inglaterra e eles não tem os mesmos direitos de cidadão inglês.

Na verdade, a Inglaterra meio que despreza eles, os chama de “coletores de algas”, ou, em inglês, “kelpers”, termo que que deriva da alga marinha kelp. A Inglaterra se aproveita das Malvinas pelos recursos naturais, mas não dá todo o amparo e assistência que poderia ao seu povo (como fez, por exemplo, com a Irlanda), em parte pela distância, em parte por preconceito, o que só fez aumentar a raivinha que os argentinos nutrem pelo Reino Unido.

Graças a uma série de más escolhas ao longo da história se criou este terreno com povo híbrido, que não é nem uma coisa, nem outra. Para entender melhor essa disputa/conflito, é preciso conhecer melhor a história destas ilhas.

A controvérsia começa desde o momento de sua descoberta: os ingleses alegam que eles descobriram as ilhas, através do capitão inglês John Strong. A Espanha alega que ela descobriu as ilhas através de Fernão de Magalhães. O grande problema é que, seja lá quem tenha descoberto, não povoou as ilhas, elas ficaram sem habitantes, o que deu margem para uma grande confusão quando finalmente decidiram colonizar o lugar.

Quem primeiro habitou as Malvinas foram os franceses, em 1764 pelas mãos do capitão francês Louis Antoine de Bougainville, mas eles acabaram desistindo de reivindicar as ilhas, “cedendo os direitos” para a Espanha (que pagou uma boa quantia por esta generosidade). Há registros de um assentamento britânico no local à mesma época, porém, eles acabaram se retirando do local alguns anos após sua chegada.

Então, incialmente, elas pertenciam à Espanha, país que “descobriu” e colonizou a Argentina. Quando a Argentina se tornou independente, as ilhas Malvinas vieram no pacote e passaram a pertencer ao país. Até aqui não há muita controvérsia, mas um pequeno incidente mudaria o curso desta história.

Como era no fiofó do mundo, distante e sem muita expressividade, não foi enviado um governante para as ilhas. Enviaram uma pessoa itinerante, responsável por cuidar das ilhas, chamado Luis Vernet, com o acordo de que ele poderia explorar a pesca e o gado selvagem do local. Como estava focado em explorar as ilhas comercialmente (e não em governa-las), Vernet frequentemente tinha que se ausentar para cuidar das exportações.

Vernet se mudou para as Malvinas fez um trabalho bem-sucedido e começou a levar colonos argentinos para povoar as ilhas. Seu trabalho foi tão bom que ele foi reconhecido pelo governo argentino como “comandante militar e civil” das ilhas, sem qualquer oposição nacional ou internacional.

Ele começou a trabalhar para regulamentar a pesca, com o objetivo de impedir atividades de baleeiros e caçadores de focas estrangeiros, que exploravam as ilhas como se elas não tivessem donos. Um belo dia, aconteceu um problema envolvendo estes direitos de pesca e caça com um barco americano que desrespeitou as normas impostas. Por causa deste incidente, Vernet teve que ir aos EUA para resolver a questão, deixando apenas a população argentina “tomando conta” do local.

No que souberam que o síndico saiu do prédio, a Inglaterra, na crocodilagem, invadiu as Malvinas e tomou o poder, expulsando os argentinos do local e declarando a ilha uma colônia inglesa. Feio, muito feio, se aproveitaram da ausência de Vernet para agir de forma sorrateira e isso nunca desceu pela garganta dos argentinos. Ali sim era o momento para declarar guerra: uma agressão vilipendiosa acabara de acontecer. Mas o país não tinha condições de proteger seu território. Como não tinham poderio militar para peitar a Inglaterra, apenas registraram um protesto oficial.

A questão continuou mal resolvida por anos. Em 1960 a ONU aprovou uma resolução recomendando a “descolonização” das ilhas, uma decisão que favorecia a Argentina, o que acirrou ainda mais os ânimos. Percebendo o estrago que causou, poucos anos depois a ONU aprovou a resolução 2065, pedindo que Inglaterra e Argentina chegassem a uma solução negociada.

Mas o “não briguem, crianças” da ONU falhou miseravelmente. A Inglaterra até tentou negociar, foram anos de conversas sigilosas, que, infelizmente, acabaram mal, muito mal. Para entender os motivos pelos quais não foi possível uma solução pacífica, temos que olhar mais de perto a história argentina.

Era um período de pleno desenvolvimento da Argentina, o país era, de longe, o top da América Latina. Hoje é uma grande favela horizontal, deprimente e decadente, mas, acreditem, houve um período em que era um pedacinho da Europa nas Américas.

Porém, entre 1976 e 1983 houve uma severa ditadura militar no país, que praticou atrocidades que fazem a ditadura brasileira parecer um show do Patati Patatá. Graças ao punho de ferro com o qual regiam o país, esta ditadura perdia popularidade e começava a ser ameaçada por inúmeros movimentos de resistência.

Nesse contexto, nesse exato período, se deu um marco histórico em que as Malvinas completavam 150 anos nas mãos da Inglaterra e, por normas internacionais, se esgotaria o prazo para que a Argentina reivindique as Malvinas de volta: se ficasse inerte, seria considerado um consentimento e as ilhas iriam de vez para a Inglaterra, sem qualquer possibilidade futura de contestar a posse das ilhas diplomaticamente. O país foi consultado sobre seu interesse em reivindicar as Malvinas de volta.

E aí entra uma parte nebulosa da história. Há quem diga que os militares argentinos que estavam no poder eram tão toscos, mas tão toscos, que entenderam que esse ultimato dos 150 anos significaria ter que retomar as ilhas na base da porrada, e por isso declararam guerra. Pode parecer improvável, mas as pessoas que estavam no poder à época eram de fato seres humanos muito burros e obtusos, vide o que fizeram. Dizem inclusive que, quando perceberam a merda, alimentaram propositadamente a teoria do parágrafo seguinte, pois preferiam parecer estrategistas (ainda que cagados) do que completos idiotas.

Há uma segunda teoria, que é a mais popular e mais aceita, alegando que declarar guerra foi uma jogada para unir o país contra um inimigo em comum, com o objetivo de gerar um frenesi patriótico, tirando o foco da revolta contra os militares, já que o povo argentino nunca esqueceu como as ilhas foram tomadas na mão grande, na safadeza, com um ato oportunista. Obter as ilhas de volta na diplomacia não restauraria a moral dos militares, por isso optaram pela guerra, para tentar desviar o foco das atrocidades que cometiam no país e para reconquistar a simpatia do povo argentino. Seria uma forma de mostrar ao país que o pulso firme dos militares era necessário.

Ou seja, ou foram muito burros, ou foram muito filhos da puta. Por incrível que pareça, hoje as evidências históricas apontam para o fato de serem muito burros, sequer sabiam (ou se deram ao trabalho de consultar alguém capacitado) que a coisa poderia ser feita pelas vias diplomáticas. Mas, se de fato foram burros, também não faltou oportunidade de serem filhos da puta posteriormente.

Fato é que, por causa desse prazo que consolidaria as Malvinas nas mãos da Inglaterra para sempre, a Argentina declarou guerra tentando reaver as ilhas. Um grande erro, um fracasso retumbante que, de tão estrondoso, acabaria gerando a queda do regime militar. Como a intenção é fazer um texto leve e informativo vou poupá-los das atrocidades e covardias a que os jovens soldados argentinos foram expostos (muitas vezes partindo de seus próprios superiores hierárquicos). Vamos apenas a uma sinopse da vergonha mundial que a Argentina passou.

Como todos sabem, nesta guerra a Argentina levou um pau histórico. Até hoje existe uma expressão no país para descrever uma derrota monstruosa que diz “perdimos como en la guerra”, em uma referência à sova que tomaram. Esta derrota se deu basicamente por imbecilidade daqueles responsáveis pela logística e estratégia: sim, os militares, cuja única função é essa, fizeram uma lambança horrorosa. Tanto é que a guerra foi bem rápida para os padrões mundiais: começou em 2 de abril de 1982 e terminou em 4 de junho do mesmo ano.

Primeiro que não era para ter declarado guerra, queimaram instâncias. Deveriam ter tentado retomar as ilhas de forma diplomática antes, alegando tudo que eu já falei sobre as ilhas e a população: havia identidade cultural, eram amparadas pelo governo argentino, etc. A comunidade internacional teria visto com bons olhos, a ONU já tendia para o lado argentino e pegaria bem mal para a Inglaterra não devolver, sobretudo quando fosse levado a público a forma furtiva que o país usou para tirar as ilhas das mãos da argentina.

E, mesmo que não fosse solucionado de forma diplomática, não tinha que ter entrado em guerra pelo simples motivo de não ter poderio militar para encarar a Inglaterra, um país mais desenvolvido, com aliados fortes (os EUA, por exemplo, deram uma ajuda bem relevante, pois eram aliados da Inglaterra na OTAN) e com uma tradição naval fortíssima, afinal, o país é uma ilha. Enquanto isso, a Argentina… coitada, recebia como ajuda três aeronaves da EMBRAER do Brasil. Quando seu respaldo são aviões da EMBRAER, recusa, meu anjo, que você não tem poderio militar.

Porém declararam guerra. Não só declararam guerra como ainda acharam que daria certo que 90% dos soldados enviados fossem jovens entre 16 e 20 anos, com o plus de que muitos deles nunca haviam sequer pegado em uma arma. Para vocês terem uma ideia do amadorismo, a Inglaterra, mesmo muito mais distante, enviou mais de 28 mil combatentes experientes, quase o triplo de efetivo enviado pela Argentina.

Além de dizimar uma geração de jovens, colocaram rapazes inexperientes com armamento inferior para serem massacrados por soldados experientes com melhor armamento. Nem preciso dizer que a grande maioria dos soldados argentinos morreram como moscas em batalha, trucidados por um massacre onde o maior culpado não foi a Inglaterra e sim o governo argentino.

Em Ushuaia, última província argentina antes da Antártida, que fica pertinho das Malvinas, existe um grande memorial para as vítimas da guerra, com muitas fotos e informações. É muito triste, você vê que os soldados eram meninos, quase crianças, com cara apavorada, sem saber o que estavam fazendo. Você vê o medo, a inexperiência e a precariedade em cada foto exposta no local.

Em uma das fotos, inclusive, se pode ver claramente que um soldado segura a arma de forma visivelmente errada. Esse era o grau de despreparo. Morreram para nada, em uma guerra que qualquer idiota sabia estar perdida no momento em que começou. Basicamente ceifaram toda uma geração de jovens por mera burrice e/ou para tentar criar um factoide que garantisse aos militares mais tempo no poder.

Para piorar um vexame que, por si só já seria péssimo, as notícias chegavam ao país manipuladas: os argentinos acreditavam que estavam indo muito bem na guerra e que venceriam. Enquanto isso, seus filhos morriam de hipotermia, tiro ou sofriam abuso sexual de seus comandantes. Em uma época sem internet, a mídia ainda conseguia manipular e monopolizar as informações.

Quando a verdade veio à tona, os militares perderam todo o apoio e respeito da população e sua permanência no poder se tornou inviável. Ao menos algo de bom veio dessa podridão toda, em 1983 chegava ao fim o período de ditadura militar, graças, majoritariamente à cagada que fizeram com as Malvinas. Não, não foram revolucionários nem militantes que derrubaram a ditadura, eles foram tão incompetentes que derrubaram a eles mesmos com esta escolha absurdamente errada de declarar guerra.

Com esta derrota retumbante, a Argentina perdeu não só as Malvinas, como também o direito de reivindicar diplomaticamente as ilhas de volta. As Malvinas, na verdade, as Ilhas Falkland, pois sim, elas pertencem à Inglaterra, hoje são inglesas de forma irreversível.

Posteriormente até foi feito um plebiscito com o povo das Malvinas perguntando se eles queriam continuar sendo uma colônia inglesa ou se queriam voltar a fazer parte da Argentina. O povo votou massivamente para continuar sendo uma colônia inglesa, o que, na época, acabou sendo interpretado de forma errada. Para entender este resultado é preciso conversar com nativos locais.

Não é que o povo se sinta inglês ou goste dessa situação, o voto na verdade significa “deixa como está, porque não queremos outra guerra”. É que se o plebiscito tivesse como maioria de votos o desejo de retornar à Argentina, isso de forma alguma obrigaria a Inglaterra a “devolver” as ilhas de forma pacífica, coisa que eles declararam várias vezes que não estariam dispostos a fazer, por causa do seu direito consolidado. Então, se o povo votasse pelo desejo de ser argentino, provavelmente causaria uma nova guerra e de forma alguma os moradores queriam isso.

Por se tratar de uma guerra recente, o povo das Malvinas ainda carrega marcas e cicatrizes de todo o sofrimento que ela provocou e não queriam de forma alguma mais violência em seu território. Sim, as Malvinas ainda têm que lidar com sequelas da guerra. Por exemplo, os campos minados nos arredores de Port Stanley.

Durante a guerra, as topas argentinas instalaram artefatos explosivos feitos de plástico no solo, o que dificulta a detecção das minas, uma vez que normalmente ela é feita buscando por metal. Por isso, não é possível precisar exatamente onde essas minas terrestres estão. Resultado: algumas áreas são isoladas e interditadas até hoje, ninguém pode pisar, sob o risco de ser explodido.

Mas, então, o que querem os moradores das Malvinas? Muito se briga dizendo que as Malvinas são argentinas ou que as Falkland são inglesas, mas ninguém vai perguntar para os moradores o que de fato eles querem. Eu fui. Na realidade, faz tempo que as Malvinas querem sua independência. Não querem nem ser colônia, nem ser argentinos, querem ser independentes, ser um país autônomo. Pessoas se autoestima elevada… não quis perguntar se eles conseguiriam sobreviver comendo apenas cocô de albatroz pois achei rude. Se eles acham que conseguem se manter como país, vamos tentar respeitar.

A grande piada é que as Malvinas dão um tremendo prejuízo para a Inglaterra. Apesar de muitos recursos naturais valiosos (como petróleo, por exemplo), elas não se pagam. Porém, todos os meios diplomáticos foram exauridos e, mesmo que a Inglaterra quisesse devolver, a Argentina está quebrada e provavelmente não teria condições de reaver o arquipélago. Um desfecho imbecil para uma das guerras mais imbecis da história, como bem definiu o escritor argentino Jorge Luis Borges o conflito foi como “dois carecas lutando por um pente”.

E Brasil nisso tudo? Bem, o Brasil adota o princípio da solidariedade com o país vizinho. Ele e os outros países do Mercosul somente utilizam o nome “Malvinas” para designar o arquipélago e, em dezembro de 2011, concordaram em proibir que barcos com a bandeira das Falklands atraquem em seus portos, em uma versão soft de bloqueio comercial.

Tecnicamente, a questão está resolvida: as ilhas Falkland são inglesas. Mas emocionalmente, os argentinos ainda não superaram. Se um dia o país se reerguer (ao que tudo indica, vai ser asfaltado e virar um estacionamento do Brasil) é provável que os argentinos cumpram sua eterna promessa: voltarão para reaver as ilhas.

Para dizer que o Brasil é o maior pé-frio de guerras de todos os tempos, para dizer que se aborrece argentinos você é a favor ou ainda para dizer que as Malvinas são basicamente dos pinguins: sally@desfavor.com

Se você encontrou algum erro na postagem, selecione o pedaço e digite Ctrl+Enter para nos avisar.

Etiquetas: , ,

Comentários (42)

  • Vale lembrar que essa seleção foi para a Copa de 1982 como a então campeã mundial – havia vencido em casa quatro antes sob suspeita de ter sido “ajudada” pela ditadura – e tendo viajado para a Espanha justamente durante a guerra. A rendição aconteceu um dia antes do primeiro jogo, em que Maradona e sua turma acabaram sendo derrotados por 1 x 0 pela Bélgica.

      • Sim. Por isso que eu disse: “como a então campeã mundial – havia vencido em casa quatro antes sob suspeita de ter sido “ajudada” pela ditadura “ E ninguém me tira da cabeça que aquele 6 x 0 contra o Peru foi armado…

    • Eu entendo. Quando o povo de lá diz que as Malvinas São Argentinas, não estão negando uma derrota na guerra. Estão dizendo que um Zé Ruela que não foi democraticamente eleito pelo povo e que não representava a vontade popular se meteu em uma guerra que a nação não queria, por interesses próprios e por isso o país perdeu um território. Eles entendem que as ilhas foram perdidas na guerra, mas entendem também que a origem dessa disputa foi imoral, com uma ilegalidade enorme cometida pela Inglaterra.

  • Seleção argentina posando para foto oficial para a Copa do Mundo de 1982 exibindo uma faixa com os dizeres: “Las Malvinas Son Argentinas”.

  • O irônico é que a Thatcher havia começado um ano antes a desmantelar a Marinha, sobretudo a frota da Antartida, mesmo com a iminência de uma invasão argentina, recusando-se sequer a receber pessoalmente qualquer Almirante para rever sua decisão.

    Para sorte dela, a invasão ocorreu um mês antes da retirada programada do principal navio de patrulha da região.

    Além disso, Reagan forçou Thatcher a negociar com a Junta um status para a ilha junto a ONU. Só que os ingleses se depararam, segundo documentos liberados em 2012, com “uma teimosia maior do que a da primeira ministra”…

    • E a informação sobre a saída de serviço do referido navio era pública. Ainda assim, os argentinos optaram por atacar logo, em vez de aguardar.
      Outro fato interessante é que houve vários outros navios britânicos atingidos pela força aérea argentina que, entretanto, quase não sofreram dano, porque as bombas empregadas batiam no convés, ricocheteavam e acabavam por explodir no mar.
      Este fato foi noticiado pela imprensa britânica à época; ainda assim, os hermanos não corrigiram a espoletagem das bombas.

  • Meio off topic, mas vamos lá.
    Sally, viu o que o babaca de olho azul (Mais conhecido como Macri) está fazendo com a Argentina? Praticamente o povo inteiro tá puto, chamando ele de boludo pra baixo em suas postagens oficiais.
    Está querendo invadir a Venezuela para “reaver a democracia” enquanto circulam vídeos de idosos, crianças e até famílias INTEIRAS caçando comida em lixeiras. Os argentinos não sabem mais o que fazer, estão chegando ao cúmulo de pedir pra que pelo menos os prefeitos desinfectem as lixeiras pra não criar mais doenças.
    Como especialista em direito, acha que isso daria um impeachment? (Se for uma hipótese muito absurda, corrija a leiga.)
    Queria ver se todos estão dispostos a ir pra guerra passando fome!

    • Não desgosto do Macri não… ele pegou um país muito fodido pela Cristina e a bomba explodiu toda na cara dele.

      Não sabia que ele estava querendo invadir a Venezuela… de fato, desnecessário fazer isso, a Argentina não dá conta do que ela se tornou, não tem condições de resgatar ninguém. O país implodiu, foi invadido por imigrantes de todos os lados e não conseguiu suportar o baque, hoje é uma grande favela. Alguém tinha que ter feito um muro, o país ainda seria um pedacinho da Europa nas Américas. Veja bem, não é sobra as pessoas que entraram e sim sobre não poder suportar essa quantidade de pessoas, quaisquer que elas sejam…

      • Pra você ver como a civilização é algo mais frágil do que parece… e ainda querem criticar quem deseja preservar seus países através do controle/redução da imigração.
        Será que essa coisa de globalização multicultural vai conseguir se sustentar? Ou aquela frase polêmica “import the 3rd world, become the 3rd world” vai se provar verdadeira a longo prazo?

        • Acho que alguns países suportam bem, outros não. É preciso que aqueles que não tem estrutura para suportar tenham consciência e se preocupem com o que é possível mais do que com lacre ou aparências.

        • Eu gostaria de saber porque os lacradores insistem tanto em “apropriação cultural” mas adoram invadir país alheio. Parasitas, se forem pra ser imigrantes, que pelo menos ajudem a reconstruir o país!
          (Também estou crendo na teoria do estacionamento)

      • Argentina teria recursos militares pra isso? Porque a Venezuela está sempre recebendo uns presentinhos bélicos da Rússia e do Irã. Acho que a Venezuela poderia subjugar toda a América latina se quisesse.
        E se construírem muros, túneis serão feitos, documentos falsos serão feitos, sempre vão adaptar as estratégias.

        • Não sei se a Argentina tem recurso militar não, mas te garanto que a Venezuela não tem nenhum. Além disso, o Laranja já falou que o primeiro que a Venezuela agredir, parte pra cima deles com tudo…

          Fechar a política de imigração dificulta em muito. Vai desculpar mas dá para conter bastante o problema.

  • A história da humanidade é podre e quanto mais se sabe mais dá nojo saber(sobre o que fizeram com soldados argentinos). Eu já tinha ouvido falar que essa guerra foi um apelo de união entre os argentinos contra um mal externo, o que eu desconhecia era a incompetência. Lendo sobre a Argentina me faz lembrar tanto sobre a estupidez brasileira… Será que todos os sul-americanos estão fadados à incompetência e à falta de escrúpulos, porque eu não consigo pensar em ninguém das bandas daqui que ande na linha?

    • América do Sul tem países mais “recentes” da forma como conhecemos a civilização ocidental. Isso nos torna bebês, crianças sem experiência. E crianças fazem merda mesmo. Vai demorar séculos para que estes países aprendam com seus erros, se corrijam, amadureçam, evoluam. Se você olhar como estavam os países europeus quando tinham apenas 500 “anos de vida” vai ver que também não eram exatamente exemplos do que fazer…

      • Eu consigo compreender que ainda estamos vivendo na infância como civilização mas, ao mesmo tempo, encaro isso como desculpa para as nossas negligências como povo. Sei que não só o peso da juventude como país conta para que ainda muita coisa seja feita à moda *aralho, mas também todo um passado de exploração e governantes corruptos contribuíram para que tudo esteja como está. O que me parece é que precisamos passar por um caos social, político e natural para nos organizamos de verdade. Em algum texto seu ou do Somir, já não me lembro mais, havia alguma coisa do tipo de se preparar para o pior para poder sobreviver. Países que passaram por guerras e desastres naturais seriam mais organizados porque o perigo e o medo de passar por situações ruins seria uma lembrança constante. O Brasil, ao contrário, por não ter um passado recente de guerras e de grandes catástrofes ambientais não tem responsabilidade para ser precavido e organizado, afinal com jeitinho tudo dá “certo”.

  • (…) entre 1976 e 1983 houve uma severa ditadura militar no país, que praticou atrocidades que fazem a ditadura brasileira parecer um show do Patati Patatá.

    De fato, Sally. Não era exatamente na Argentina que aconteciam nessa época os tais “Vuelos de la muerte”(“Vôos da Morte”)? Se me lembro bem, os mortos contavam-se aos milhares e as vítimas – “subversivos” em geral e até líderes das Mães da Praça de Maio – , eram dopadas e depois atiradas ao mar de aviões cargueiros militares que sobrevoavam o litoral. Os cadáveres depois apareciam boiando na costa e muitos eram sepultados sem identificação. Quem promovia esse autêntico genocídio era a ESMA (Escuela Superior de Mecânica da Armada), destinada à formação de suboficiais especialistas em mecânica e engenharia de navegação para a Marinha da Argentina.

    Vejam um testemunho do capitão-de-corveta Adolfo Francisco Scilingo, que está em um trechinho do livro “O vôo”, do jornalista Horácio Verbitsky, citado no verbete sobre esse escabroso assunto na Wikipédia:

    Qual foi o seu primeiro conhecimento sobre os voos da morte da ESMA?
    Os voos foram comunicados oficialmente por Mendía (vice-almirante da Armada) poucos dias depois do golpe militar de Março de 1976. Informaram que o procedimento para a gestão dos subversivos na Armada seria sem uniforme. Foi explicado que na Armada os subversivos não seriam fuzilados, pois não se queria ter os problemas sofridos por Franco na Espanha e Pinochet no Chile. Também não se podia ir contra o Papa, mas a hierarquia eclesiástica foi consultada e foi adotado um método que a Igreja considerava cristão, ou seja, pessoas que despegam num voo e não chegam ao destino. Perante as dúvidas de alguns marinhos, foi esclarecido que os subversivos seriam atirados em pleno voo. Após os voos, os capelães tratavam de os consolar recordando um preceito bíblico que fala de “separar a erva má do trigal”.

  • “Para dizer que o Brasil é o maior pé-frio de guerras de todos os tempos” Batalha das toninhas feelings.
    Eu nunca tinha lido a fundo sobre essa guerra e não sabia dessa série de estupidezes dos militates argentinos. Ficaram pau a pau com Solano Lopez.

    • Sim! Foi um vexame, um show de arrogância, uma vergonha mundial. Na essência, a Argentina está certa em querer as Malvinas, mas acabou perdendo por incompetência

  • Não foi nessa guerra que usaram maciçamente um míssil chamado Exocet, que virou até gíria e foi citado em letra de música do Fausto Fawcett? Tinha um trecho da letra – regravada depois pela Fernanda Abreu – de que dizia assim: “Alô, polícia!/ Eu tô usando/ Um Exocet/Calcinha!”

    Só achei o videoclipe da versão da Fernanda Abreu no Youtube. Aí vai: https://www.youtube.com/watch?v=xcKIGQ7rLMw

    • Sim. Porém quando a Argentina comprou esses mísseis da França, eles vieram com uma parte faltando (a ponta, ou “cabeça”), sem os quais seriam inúteis. Foi uma cilada, proposital ou sem querer.

      No final das contas, a Argentina conseguiu os pedaços que faltavam na clandestinidade, com o então ditador Muamar Kadafi.

  • Eu era criança na época mas já conhecia essa história, embora sem conhercer num um milésimo dos detalhes narrados aqui. Caramba, Sally! Já imaginava que teria mesmo acontecido muita estupidez – especialmente por parte dos milicos argentinos -, mas não pensava que fosse tanto assim. Vão ser burros assim lá na casa do caralho, viu?

  • Eu acho nada a ver essas ilhas super distantes do território pertencerem a países como Reino Unido e EUA. O terreno está em outro continente! Realmente parece colonialismo. Tinha que pertencer a quem está mais próximo ou deixar ser um país independente.
    Quanto a ajudinha brasileira: desconfio que foi apenas para não ficar mal com ninguém. Seria interessante explicar a origem do nome.

    Mas falando de história, você diz que é um daqueles assuntos que todo mundo fala, mas ninguém explica. Isso não se deveria as aulas na escola serem muito repetitivas, focadas mais no que acontece na Europa do que aqui do lado? Dizem que antigamente havia aulas sobre história da América.

    • Lauris, triste por um lado, mas aprendizado por outro. Adoro olhar para a história e prgar os erros alheios como aprendizado pessoal. Não se parte pra a porrada quando existe chance de solução diplomática.

Deixe uma resposta para Ruan Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Relatório de erros de ortografia

O texto a seguir será enviado para nossos editores: