Boicotando Neverland…

Diante de mais informações vindas à tona recentemente, a imagem de Michael Jackson como pedófilo tem tudo para acabar cimentada no inconsciente coletivo de vez. Nem Sally nem Somir defendem o cantor, já morto, mas pensam diferente sobre sua obra. Os impopulares decidem se a questão é preto no branco.

Tema de hoje: vale a pena boicotar as músicas do Michael Jackson por sua vida pessoal?

SOMIR

Não. Se ele estivesse vivo e lançando um novo álbum, eu consideraria outra resposta. Mas Michael Jackson morreu, e com ele, todas as possibilidades de punição possíveis contra a pessoa. Vamos partir do princípio que ele realmente abusou das crianças. Nessa altura do campeonato já é extremamente mais provável que tenha acontecido mesmo do que ser armação. O que ele deixou foi uma vasta carreira musical cheia de canções dignas de fazerem parte da herança cultural humana por muitos séculos ainda. Não que eu seja um fã, música pop raramente me interessa, mas não é necessária nenhuma ginástica mental para defender o talento dele. Todo mundo (e aqui eu finalmente estou sendo literal) conhece pelo menos uma música feita por Michael Jackson. E a imensa maioria gosta de pelo menos uma delas.

Isso não é pouco. Isso é um feito extraordinário que sugere que quando o assunto era música, Jackson jogava numa divisão própria, virtualmente intocável. A questão aqui não é discutir se ele era talentoso, óbvio, mas precisamos guardar essa informação porque ela eventualmente influi na discussão. Sim, estamos falando sobre consumir ou não a obra criativa de um pedófilo. E a resposta dessa questão ética, pelo menos na visão que apresento aqui, pode assumir dois caminhos distintos:

No primeiro, você decide se consome os produtos de uma pessoa que está fazendo mal para crianças. Essa é a hipótese de Michael vivo. Aqui existe sim um dilema: muito embora não seja culpa sua que a música que você gosta foi feita por um pedófilo, oferecer qualquer forma de suporte para essa pessoa soa como um endosso para seu comportamento. Gostar da música dele significa gerar renda e atenção positiva para uma pessoa fazendo algo horrível. Caso ele estivesse vivo, eu faria a escolha de não dar dinheiro para ele, até para evitar que ele tivesse poder suficiente para continuar fazendo as coisas que eu abomino.

Mas, esse argumento pode ir mais longe. Para começo de conversa, o boicote é uma via de mão dupla quando você realmente gosta do que está evitando. Você se pune ficando sem o que quer porque outra pessoa está fazendo algo errado. E na prática, temos polícia e sistema judiciário justamente para tirar de nós a pressão de punir o outro. É culpa de alguém que escuta a música do Michael Jackson que as autoridades com responsabilidade real de coibir o crime que ele cometeu não tenham agido a tempo? Você vai compartilhar a culpa por um pedófilo só porque gostou de uma música? Sagrado direito de cada pessoa consumir produtos legais na nossa sociedade. Ninguém é culpado de um crime do qual não participou, oras. Boicote pela satisfação pessoal, mas saiba que é um argumento muito mais emocional do que racional. Deixar de escutar uma música no Spotify não interfere em nenhum processo legal.

E outra: seres humanos horríveis podem construir coisas belíssimas e/ou úteis. Ad Hominem não é a falácia mais comum de todas à toa, é muito comum que as pessoas confundam quem falou com o que a pessoa falou, ou quem fez com o que a pessoa fez. Uma música não pode ser pedófila (mesmo que faça apologia a isso), músicas não podem cometer esse crime por serem incorpóreas. Uma frase interessante do Hitler não vira um absurdo só porque saiu da boca de um genocida maluco. Uma pessoa negra pode viver feliz da vida dentro de uma casa desenhada por um arquiteto branco racista. Objetos e ideias não são pessoas, não podem fazer o que pessoas fazem. Não sei se a maioria aqui já considerou isso, mas é virtualmente impossível viver a vida sem interagir com as criações de pessoas que você provavelmente detestaria se conhecesse de verdade.

Você já comeu uma coxinha feita por alguém que acha que ateus tem que morrer, já aprendeu sobre uma profissão com alguém que abusou de uma criança, já colocou gasolina com alguém bate na mulher… é tão óbvio que sua vida é feita de dar dinheiro e suporte para pessoas que vão contra tudo o que você acredita que a maioria de nós simplesmente nem entretém a ideia. Você lembra disso às vezes quando o caso é grande o suficiente, mas no dia a dia, estatisticamente falando, apoia tanto gente merda como quem não entra nos boicotes da vez. Claro que você pode argumentar que não tem como saber de tudo e só agir quando tem a informação, mas vamos ser realistas? Duvido que não tenha nada ao seu redor neste exato momento que não tenha sido feito através de trabalho escravo. Você sabe disso. Eu sei disso. Todo mundo sabe disso. Esse é um dos preços do mundo moderno: pessoas horríveis produzem coisas que queremos nas condições que queremos.

E vamos agora ao segundo caso, o caso real, o no qual Michael Jackson está morto. Acabou. As crianças foram abusadas e não há nada que eu ou você possamos fazer para resolver esse problema. Absurdo que isso tenha acontecido, estraga de vez a imagem da pessoa Michael Jackson, mas não muda absolutamente nada no quadro geral das coisas boicotar a música dele. A música não abusou de criança nenhuma. A música não contribui para nenhum abuso futuro. E permitam-me a honestidade: Michael Jackson só conseguiu viver livre do grosso das consequências (ser preso) por ser uma das pessoas mais talentosas do planeta. Pouquíssima gente nesse mundo conseguiria sobreviver ao impacto das primeiras acusações. A carreira dele já tinha acabado, caso alguém tenha esquecido disso. Michael morreu depois de ter sua popularidade reduzida imensamente. Não é como se todo mundo tivesse fingido que não aconteceu nada: Michael de 2009 era um desastre ambulante, drogado 24 horas por dia. Deveria ter ido para a cadeia? Sim. Mas não é como se ele tivesse vivido uma vida feliz depois das primeiras acusações. Um pouco do preço ele pagou. Escutar a música dele não é celebrar alguém que abusou de crianças impunemente, ele passou uns bons 10 anos completamente estragado para a vida depois que as acusações vieram à tona. Ninguém descobriu isso agora, o documentário recente foi a pá de cal.

Quem tinha que boicotar Michael Jackson já boicotou em vida. Quem falhou foi a polícia e o sistema judiciário americano. Pode largar essa culpa, ela não é sua. E só para arrematar: lembra que eu disse que ela foi uma das pessoas mais talentosas da história da música pop e isso contava? Ninguém vai ser capaz de esconder a obra dele das próximas gerações. E com o passar das décadas, a música é mais forte que a memória. Vai ter gente ouvindo as músicas dele daqui a 200 anos sem a menor noção que ele abusava de crianças. E para quem estiver vivo por lá, isso é bom. Obras duram por séculos, milênios até, apesar das coisas horríveis que seus criadores fazem. Porque não é essa a informação que tem que ir pra frente, não é isso que temos que guardar. Se você escolhe ouvir a música do Michael Jackson como a música de um pedófilo, é isso que está guardando. Se escolher ouvir a música e deixar essa pessoa desaparecer, ela desaparece. Vamos deixar ele levar embora com ele a obra que tantos de nós gostamos? Isso é dar poder demais para uma pessoa que abusava de crianças…

Para dizer que a melhor forma de combater a pedofilia é fazer coisas que não tem absolutamente nada a ver com pedofilia, para dizer que vai escutar do mesmo jeito e dizer que boicota para os outros, ou mesmo para dizer que foi abusado por uma música e meu texto é insensível: somir@desfavor.com

SALLY

O documentário “Deixando Neverland”, da HBO, mostrou com riqueza de detalhes um lado obscuro e criminoso do cantor Michael Jackson. Diante das informações reveladas, muitas delas contadas pelas próprias vítimas, empresas, instituições e pessoas pelo mundo todo optaram por boicotar Michael Jackson, de modo a não prestigiar alguém que arruinou vidas de crianças desta forma. Isso fez surgir o tema de hoje: este boicote é válido?

Sim. No que depender de mim, não vou dar dinheiro para pedófilo, ainda que morto. Quando conversei com o Somir sobre o assunto ele disse que “a música dele não abusou de ninguém”, mas se a música é o que lhe garantiu condições de montar uma enorme armadilha para crianças travestida de parque de diversões ou ludibriar a justiça e não responder pelos crimes, não serei eu a financiar isso.

O grande problema do Brasil é o boicote seletivo: pessoas boicotam aquilo que já não gostavam muito diante de denúncias, fazendo um estardalhaço, para posar de boas pessoas. Mas, se é algo que vai gerar um sacrifício, como por exemplo, largar seu iphone feito com trabalho escravo, aí fingem que não viram. Na real, boicote é a única arma que funciona contra pessoas, empresas e instituições muito mais fortes que o consumidor.

Mas brasileróide prefere pintar cartaz (com erro de português) e ir para a rua gritar, enquanto continua consumindo o produto que é nocivo à causa que ele defende: “não quero ficar sem meu iphone, quero que a empresa se adapte ao que EU acho aceitável para que eu possa ter um iphone sem culpa”. Mais infantil impossível. Não estamos mais na década de 80, não se muda nada indo berrar nas ruas, a única coisa que se consegue é mostrar ao mundo quão obsoleto você é.

Se todo mundo boicotasse produtos de origem incorreta ou criminosa, bateria onde dói: no bolso das empresas. Mas, imagina se adultinho adolescente de hoje tem estrutura para se privar voluntariamente de algo que gosta pensando em um bem maior… nem sonhando.

E por boicote, eu quero dizer apenas uma coisa: parar de consumir. Não precisa jogar no lixo o que você já tem, não precisa fazer escarcéu, não precisa nem divulgar que está boicotando. Não precisa de absolutamente nada a não ser parar de consumir, de forma silenciosa e discreta. Se todo mundo fizer isso, a empresa vai sentir no bolso.

Você tem coisas relacionadas a Michael? Ok, pode ficar com elas. O dinheiro já está gasto, já foi para ele. Não precisa atear fogo, repudiar em público, jogar fora. Continue escutando a música que você tem se assim desejar. Mas se lançarem um novo trabalho dele, por exemplo, com músicas inéditas cortadas dos álbuns anteriores, faça um favor à sua coerência: se você entende que ele é um pedófilo, simplesmente não consuma.

Do ato incorreto ou criminoso em diante, não prestigie mais a pessoa/empresa. É o mínimo que se pode fazer para passar o recado de que você não compactua com a prática deste tipo de crime. Não se trata apenas do dinheiro, ao consumir o produto criado por um predador sexual você está aumentando as chances de sua impunidade, banhando-o de dinheiro e prestígio e dificultando que seus crimes sejam punidos. É realmente tão difícil de perceber? Como bem disse um membro da família Jackson uma vez: “Temos dinheiro para neutralizar mais cem acusações se isso for necessário”.

Mesmo morto, acho ofensivo que Michael Jackson tenha saído “limpo” de todas as atrocidades que cometeu, independente do seu grau de consciência no momento em que cometeu os abusos. Quando estava vivo era trucidado, quando morreu foi absolvido. Se eu fosse uma das vítimas, estaria muito triste em ver alguém que cagou a minha vida ser tratado como ícone, como rei, como referências. Por melhor que seja a música dele, não se aplaude pedófilo, pois os aplausos geram impunidade e subsídios para que ele se safe dos seus crimes.

“Ain, mas tem que separar a pessoa da sua obra”. No seu lindo mundo da imaginação, pode ser. No mundo real, foi o fato de vender disco pra cacete que fez com que Michael tenha bilhões para pagar acordos de valores insanos e calar a boca de mais de 12 crianças que foram abusadas. “Ain, mas se aceitaram o acordo problema deles”. Não. Pais aceitaram, as crianças não puderam opinar.

Além disso, o problema não é só dos envolvidos. Se ele tivesse sido preso na primeira acusação, outras 11 crianças (ou mais, pois nem todas querem ir ao tribunal se expor) não teriam sido abusadas. E muito dos que foram não conseguiram reconhecimento judicial disso graças à fortuna que os fãs de Michael asseguraram à família do cantor, que continua rebatendo acusações e usando muito dinheiro para desqualificar as vítimas.

Essa mania de sempre tirar a responsabilidade das mãos e jogar para algo externo é a forma mais nociva de auto perdão que eu já vi. O curioso é que se as mesmas pessoas descobrem que seu vizinho já abusou de 12 crianças, vão fazer o diabo para queimar a pessoa, expulsá-la do prédio e sujar seu nome. Famoso e rico que lhe gera algum lazer pode, o vizinho jamais. Percebem a falta de coerência?

Michael Jackson está morto, mas o dano que ele causou a estes meninos está bem vivo. Ver o mundo cultuar seu estuprador não deve ser nada agradável, vocês conseguem, por um minuto, se colocar no lugar destes meninos? Ver o “mito”, o “rei do pop” renascer depois de morto reduz as chances de que a verdade completa venha à tona, municia a família Jackson com mais dinheiro para financiar impunidade e coloca a opinião pública a favor de Michael.

Curioso que estas mesmas pessoas que não querem abrir mão de nada que gostem são as primeiras a lançar mão do argumento “E se fosse com o seu filho?”. Então, já que são fãs deste argumento, eu devolvo a pergunta: Será que se fosse com o filho delas, abusado sexualmente por um cantor, elas não veriam qualquer problema nas pessoas continuarem consumindo sua música? Em vê-lo crescer novamente, ser endeusado, fechar sua carreira com glória? Mas é claro que veriam. O “E se fosse com seu filho” só vale para desqualificar o argumento alheio.

Não estou sugerindo que se boicote um erro humano corriqueiro. Se o cantor que você gosta levou uma multa de trânsito, paciência, são coisas da vida. Estou falando de uma situação extrema: um predador sexual que montou uma armadilha para abusar sexualmente de dezenas de crianças sistematicamente, por décadas. Uma situação extrema que arruína vidas para sempre. Você consegue fechar os olhos para isso e continuar prestigiando essa pessoa?

“Ain, mas isso não se confunde com a música dele”. E por um acaso eu estou dizendo que você tem que achar a música dele uma merda? A música dele é boa, eu mesma admito isso. Ele era muito bom no que fazia. Porém, mesmo achando o trabalho do sujeito fenomenal, eu tenho a consciência de que consumir isso contribui para impunidade, esquecimento e descaso com os crimes que ele cometeu.

Se todo mundo boicotasse pessoas e empresas que cometem erros deste porte, que violam direitos humanos, que arruínam vidas, as pessoas/empresas teriam mais receio em cometê-los, ou, ao menos, perderiam o poder de cometê-los na primeira informação que vazasse, pois o dinheiro secaria e eles não teriam como fugir de dezenas de julgamentos. Eu me recuso a dar dinheiro para vagabundo escapar da responsabilidade pelos seus crimes.

“Ain, mas Michael está morto”. Sim, mas os processos continuam correndo. Crianças não foram “desestupradas” porque ele morreu. E quanto mais rica e prestigiada for a família Jackson, menores as chances de que justiça seja realmente feita. Além disso, abre um precedente perigoso para outros que estejam pensando em fazer o mesmo: se você conseguir fama e dinheiro, fica tranquilo, pode abusar sexualmente de crianças que as pessoas continuarão consumindo sua arte e ninguém vai te virar as costas.

Não, obrigada. Não vou compactuar com isso. Sem escândalo, sem estardalhaço, simplesmente não prestigio mais.

Para dizer que concorda em tese mas não quer se privar do que você gosta por isso vai fazer uma ginástica argumentativa para se convencer de que não tem problema em continuar consumindo, para dizer que a música dele não era boa ou ainda para dizer que coitado era o Michael Jackson de ter que aturar tanta criança: sally@desfavor.com

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Comentários (29)

  • Olha, eu fico indignado é com os pais dos que foram abusados depois do primeiro caso vir à tona. Quem, em sã consciência, mandaria seu filho pra brincar com o MJ? Só gente atrás de dinheiro ou gente muito, mas muito ingênua mesmo.

    • Mas você acha que na decada de 80, onde tudo era tosco e ele era um idolo acima de qualquer suspeita, era exigível cobrar esse discernimento dos pais? (Pergunta sincera, não sei responder)

      • Se fosse uma Xuxa ou uma Eliana da vida, que trabalhava com o público infantil, até daria pra entender os pais deixarem as crianças passarem um dia de atividades com elas. Mas um marmanjo é pra desconfiar, não?

        • Eu acho que sim, que é para desconfiar muito!

          Mas ele frequentava a casa das famílias, emulava um comportamento infantil, inofensivo, em uma epoca onde nao se falava muito sobre abuso. Talvez pessoas menos esclarecidas nao tenham desconfiado.

  • Caramba. É complicado. Não vi nem verei o documentário, não tenho estômago para isso. Sempre fui fã do MJ como artista, mas… Por mais que eu queira acreditar na inocência dele, tem o “e se…?” e esse “e se…?” me impede de continuar consumindo novos produtos. Tenho muitas coisas dele (da época da mídia física, como CDs, DVDs, discos, etc.) e dessas coisas não me livrarei. Essas mídias já compradas continuarei ouvindo (se ainda conseguir, porque de fato, esse crime é algo que mexe DEMAIS comigo) justamente porque já foi, já paguei mesmo e Inês é morta. Gosto da música e tal, mas comprar coisas novas? Não. Inclusive, não comprei mais nada depois que ele morreu justamente porque ele tinha morrido: mesmo que ele não fosse pedófilo, o dinheiro ia para a família sanguessuga dele de qualquer forma. Vamos lembrar que, de uma forma ou outra, a família (pais e irmãos, pelo menos) também não são lá flor que se cheire, né? Sinceramente. Mas mesmo quando penso no argumento de defesa de que o fato FBI não ter encontrado nada, nem aquele juiz que realmente tentou incriminá-lo não ter conseguido fazê-lo, sempre me passa pela cabeça de que por ser o FBI investigando não quer dizer que sejam infalíveis.
    E outra, se ele era inocente… Por muito tempo, mas muito tempo mesmo, dinheiro ele teve para se tratar. Porque convenhamos, mesmo inocente, não é possível que não tivesse tido UMA PESSOA pra chegar e dar o toque de que alguns comportamentos (como andar pra cima e pra baixo com crianças), fosse, no mínimo, estranho para a sociedade. E pelo que sei, teve MUITA gente dando esse toque pra ele. Como disse um biógrafo dele uma vez: ele diz não ter tido infância, o.k. Mas vamos superar, né? Tem terapia pra isso.
    E se ele for culpado… Cara. Independente dos pais acharem que o abuso do filho tinha um preço, não é justo para com as vítimas. O buraco é muito mais embaixo. Inclusive, caso fique de alguma forma provado que ele era culpado, os pais também deveriam ser processados por serem cúmplices de um crime horrendo desses. E mesmo que as crianças na época tivessem aceitado o acordo (o que não creio ser o caso), caramba, eram CRIANÇAS, vítimas de um predador. Imagina a cabeça dessas crianças? Sem contar que a opinião de uma criança não conta pra muita coisa, mas para aceitar um acordo para ocultar um crime era o.k.? Não justifica. Não sei se me fiz clara aqui, enfim.
    Também fico pensando nos filhos. Porque ele teve DOIS meninos, que conviveram com ele e que, enquanto ele era vivo, passaram pela idade pela qual supostamente o Michael era atraído. Muito complicado (para dizer o mínimo).
    Não sei se meu comentário está coerente, estou com insônia há três dias, então…

    • Não há mais espaço para benefício da dúvida. Não há qualquer chance dele não ser um predador muito do filha da puta e maquiavélico. Se ele estivesse vivo hoje, com a quantidade de provas que reuniram, morreria preso ou seria sentenciado à pena de morte.

      Eu sempre sou a pessoa mais cuidadosa no que diz respeito a punir, condenar ou julgar criminalmente, porque sei a quantidade de baixarias e mentiras que o ser humano é capaz nessa área, mas no caso de MJ, não tem a menor chance dele ser inocente.

  • Concordo q tem q boicotar mesmo morto , e nem acho q é só não consumir . acho válido Ate atos como os dos fãs dos Beatles de queimar discos ou símbolos do MJ. Porém, neste caso eu não participaria se consumisse algo.
    Se fizeram acordo milhionario pra abafar o caso e depois ainda ganhou mais dinheiro pra ir depor em defesa deles o q me garante q agora não estão alterando os fatos por mais dinheiro ? Sem contar q claro q fizeram um roteiro para não ter contradições e explicações para não terem seguido com os processos. Não acredito q ao ser pai ficou atormentado e bla bla bla.
    Pra mim todos os envolvidos com o documentário estão interessados em fama e dinheiro e não os culpo por aproveitarem esta oportunidade, mas não me comove nenhum pouco. Só me da raiva de imaginar pais q não protegem seus filhos por causa de celebridade, ainda mais um cara esquisito desses.

    • Veja o documentário. As pessoas do documentário não fizeram acordo algum e é uma riqueza de detalhes, relatos tão parecidos, provas tão evidentes que não há qualquer possibilidade de ser tudo mentira.

      Eu sou muito desconfiada, sobretudo com imputação de crimes, mas te garanto que não tem como isso ser orquestrado.

  • Se eu gostasse da música dele acho que não ia parar de ouvir. Acordos não inocentam o Michael, mas com certeza minam muito a credibilidade das supostas vítimas. Muita gente prefere simplesmente pagar o dinheiro da outra parte, mesmo sendo inocente, do que enfrentar uma longa batalha judicial.

  • Bom, eu acho que se for pra boicotar produtos oriundos de criminosos, então teríamos que abrir mão de toda a nossa vida moderna. Pois quase tudo que temos é fruto disso. Os avanços tecnológicos foram a partir de armas de guerra. Tecnologia celular, microondas, superbonder, tecidos e uma gama infinita de produtos surgiram dos projetos de genocídio europeu, soviético e americano. Fora os produtos chineses que consumimos, fruto de um regime de governo criminoso. A não ser que o holocausto judeu, as bombas atômicas e os gulags tenham menor importância que pedofilia. Até porque durante a guerra o que mais houve foi estupros por todos os lados, inclusive de crianças. Acho bem complicado relativizar o boicote. MJ está morto, e a verdade nunca saberemos.

  • “E por um acaso eu estou dizendo que você tem que achar a música dele uma merda?”

    Essa é uma parte da mentalidade do brasileiro que parece não funcionar direito. O povão não sabe diferenciar “não consumir” e “achar bom/ruim”. Dá tela azul na cabeça das pessoas quando você diz que reconhece o trabalho de alguém como sendo de primeira e ao mesmo tempo não consome.

    Por conta desse bug mental, além da falta de capacidade de lançar mão de sacrifícios e da impossibilidade de agir de forma coordenada entre um grande número de pessoas, pode-se dizer que o brasileiro não tem a capacidade de boicotar alguma coisa, mesmo que realmente quisesse

  • Eu sinceramente não entendo esse negócio de boicotar artista seja lá por qualquer motivo da vida pessoal ou o que ele disse ou deixou de dizer ou fazer. Foda-se se a Britney surtou, se Madonna chocou, se Lady Gaga vestiu um vestido de carne, foda-se, foda-se! A minha crítica ao pop é justamente essa: ele vive mais da performance do artista, do quanto choca e traz novidades, do que da qualidade da estruturação musical em si. E em termos de estrutura, na verdade, não tem novidade nenhuma, é sempre o mesmo repeteco de 4 acordes com intervalos de 3as ou 5as.

    O que importa (a meu ver) é a música! Eu,como tive uma formação musical desde pequeno, sempre tive o ouvido treinado e atento, sabe? Pra mim importa se o cara soube compor bem a melodia, estruturar bem a harmonia, o baixo, o andamento, enfim… Minha escuta é muito técnica nesse sentido.

    Apreciar o artista enquanto pessoa é diferente de apreciar apenas o objeto artístico que ele fez e, geralmente, as pessoas não sabem separar uma coisa da outra. Me pergunto até hoje o porquê!

    • Se você prestigia um predador sexual voraz, contribui para a impunidade dos seus crimes, silenciados na base do lucro e prestígio que a pessoa adquire.

  • Meu coração tá dividido. Realmente não sei o que pensar numa situação dessas. Ao mesmo tempo que abomino pedófilos (por mim morreriam todos) eu gosto das músicas do MJ. Quem o defende fala que o FBI o investigou por anos (revirando tudo o que tinham direito) e não encontrou nada na casa dele, quem o acusa usa como argumento esse jeitão excêntrico que ele sempre teve (e o fato dele chamar um bando de criança pra Neverland). Sei lá, viu… Como ele já está morto, é quase impossível termos uma resposta definitiva pra esse caso. :S

    PS: Sei que não tem nada a ver com o assunto (e pode parecer até meio besta o que vou perguntar) mas nessa coluna do “Ele disse, ela disse” as opiniões que vocês tem sempre são antagônicas ou vocês escolhem um ponto de vista (contra ou a favor) para dissecá-lo para manter a dinâmica do texto?

    • Veja o documentário, sua ambivalência vai acabar.

      A maioria dos casos nem foi a julgamento porque ele fez acordo com os familiares das vítimas. Foi assim que ele se safou e foi assim que ele perdeu toda sua fortuna.

      Para fazer esta coluna debatemos temas até achar algo que discordemos.

  • Nunca fui lá muito fã do Michael Jackson – gostava mais dele no Jackson Five – e entendo o ponto de vista do Somir, mas eu vou ficar com a Sally nessa. E, como ela, também acho que não é preciso fazer nem escândalo e nem estardalhaço para boicotar algo ou alguém querendo posar de engajado e boa pessoa. É só não consumir mais, silenciosa e discretamente.

  • Declarações de Gene Simmons, do Kiss, publicadas no site Whiplash em 2011: “Não há dúvidas, ele molestou crianças. Sem nenhum pingo de dúvida”. (…) “As únicas referências sexuais de Michael Jackson, que poderiam ser confirmadas por qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, sempre foram por crianças geralmente do sexo masculino, entre 10 a 14 anos de idade, nunca meninas, sempre jovens, e nunca meninos mais velhos”. (…)”Odeio ele como homem. Mas amo a música”.

  • Com certeza não vou deixar de ouvir, nunca idolatrei NINGUÉM que não fossem os meus pais, então não dou a mínima para a pessoa que ele foi. Agora a música e os show, vou continuar ouvindo e assistindo sim.

    Só uma perguntinha, quantas pessoas estão ao menos questionado parte da responsabilidade dos pais?

  • “Na real, boicote é a única arma que funciona contra pessoas, empresas e instituições muito mais fortes que o consumidor.” Mas e no caso de oligopólios? Não adianta boicotar sabonetes Dove por fazer testes em animais mas continuar comendo sorvete Kibon, ambos são da Unilever. Se for puxar o fio, quase tudo que consumimos, mesmo que ajam como marcas rivais, é controlado por meia dúzia de mega corporações.
    É isso que gera a sensação de impotência em pessoas que estariam dispostas a boicotar.

    • Dá sim, pois não existe monopólio, que, por sinal, é proibido por lei. Sempre vai ter outra marca.

      Além disso, se as vendas do Dove despencarem, pouco importa se sorvete vende bem, a empresa vai se mexer para entender o que aconteceu com o sabonete.

      O objetivo não é quebrar a empresa e sim fazer com que ela sinta a rejeição e se adapte ao esperado pelo consumidor.

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