Chuva de críticas.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) publicou nesta terça-feira (5) em sua conta oficial no Twitter um vídeo de uma cena que causou polêmica no Carnaval paulistano. Um homem aparece dançando sobre um ponto de táxi após introduzir o dedo no próprio ânus. Na sequência, surge outro rapaz que urina na cabeça do que dançava. LINK


Já tínhamos decidido que era o tema ANTES do Bolsonaro compartilhar. Mas a participação presidencial só torna isso ainda mais desfavor da semana.

SALLY

Este vídeo lamentável é apenas um, entre muitos nesse estilo, amplamente divulgados em redes sociais durante o carnaval. Divulgados com orgulho, por pessoas que parecem ter como propósito de vida agredir a sociedade. Não estamos falando de pessoas exercendo direitos ou cidadania, e sim fazendo coisas totalmente desnecessárias, como enfiar o dedo no próprio cu no meio da rua ou urinar no couro cabeludo do colega ao lado.

Quem faz esse tipo de coisa sabe que vai chocar, que vai afrontar, que vai causar mal estar em uma boa parcela dos que assistem. Até mesmo pela postura você vê que a intenção é afrontar, agredir, desafiar. Chego a sentir um pouco de pena… Pensa, quão desempoderado você tem que ser para precisar buscar poder em atitudes como urinar na cabeça do seu coleguinha, de modo a ter uma falsa sensação de que conquistou algo.

São coisas que a sociedade convencionou que não se fazem em público, não é nada pessoal. Sejam brancos, negros, gays, heteros ou qualquer outra classificação que se queira dar ao ser humano, foge do pacto social que temos enfiar o dedo no cu no meio da rua ou urinar em outra pessoa. Não é sobre preconceito, não é sobre homofobia, não é sobre ser de direita ou de esquerda, é a convenção na qual todos vivemos.

Não quero com isso dizer que todos devemos ser escravos de convenções sócias. Esses pactos devem e precisam ser revistos de tempos em tempos, para acompanhar as mudanças sociais. É bom para todos que sejam debatidos, questionados, sugeridos novos caminhos. Mas pelas vias da civilidade, do diálogo, da informação. Pela via da agressão nunca, porque causa efeitos ainda mais nocivos. Empurra automaticamente a sociedade para o lado oposto: qualquer pessoa com bom senso vê esse vídeo e pensa “ok, fato, eu sou de direita”. Não queremos empurrar a sociedade para esse lado, certo?

Agressão não é apenas dar um tapa na cara de alguém, é qualquer tipo de ataque deliberado ciente do dano que vai causar no outro. Sim, este tipo de conduta que pipocou em vários carnavais pelo Brasil é uma agressão, perpetrada por pessoas que dizem defender liberdade de expressão e minorias. Curiosamente, se portar desta forma causa justamente o efeito contrário. Só estão fechando um cerco contra si mesmas e jogando o nome das supostas minorias na lama.

A imagem é tão marcante, tão chocante, tão agressiva, que é isso que fica na cabeça do brasileiro médio. Quando um filho conta a um pai que é gay, boas chances do cidadão imaginar que ser gay é sinônimo desse tipo de comportamento. São anos de ativismo sério lutando pelo fim do preconceito e estereótipos ofensivos jogados no lixo, em troca de sentirem um pouquinho de poder, de cinco minutos de fama, da sensação malandrona de ser um transgressor. Essas pessoas não percebem, mas estão causando um mal social imenso.

Para sentirem algum resquício de poder os desempoderados estão indo cada vez mais longe, “afrontando” a sociedade de forma cada vez mais agressiva, acentuando uma polaridade que já estava maior do que o desejado. Até onde isso vai? Cada vez que alguém faz uma coisa dessas, se empurra a linha um pouco mais para frente e o próximo que queira chocar, afrontar ou agredir, terá que fazer algo pior. Percebem para onde caminhamos?

Enquanto isso, no meio desta mudança de paradigma (se é que podemos chamar assim), a sociedade ainda assiste calada a este tipo de espetáculo, um pouco pelos 15 anos de espiral de silêncio, onde estas pessoas não podiam ser questionadas sem que você automaticamente virasse um preconceituoso, outro pouco porque esta divisão de “lados” permite que a pessoa se enquadre em um grupinho contra isso, sinta pertinência e se sinta amparada. Ou seja, quem deveria estar combatendo isso, os predadores naturais deste tipo de imbecilidade, estão calados.

Muitos dos que estão do “lado” destes lacradores conseguem ver o excesso e o desfavor que isso causa, é Bolsonaro 2022 com certeza. Mas calam a boca também, porque se convencionou tratar política como religião: ninguém questiona seu Deus. Fosse o filho do Bolsonaro urinando em alguém, ou enfiando o dedo no próprio cu, choveriam críticas e comentários pejorativos. Mas é proibido questionar, criticar ou discorda de alguém que está do seu “lado”. E assim, neste pacto tácito de silêncio, essas pessoas que acham que são “resistência” continuam testando os limites.

Nesta grande cegueira social, todos se calam e observam a involução humana que toma conta da sociedade, em troca de uma micro sensação de poder (falsa e momentânea). E, sinceramente, é um desfavor com os próprios protagonistas dessa palhaçada, que claramente não estão com a mente em um bom lugar. Se eu vejo uma amiga minha fazendo uma coisa dessas, chamo na hora e tenho uma conversa séria, apontando os danos que ela está causando para a sociedade e para si mesma.

Não se enganem, em última instância, esses protagonistas desses vídeos serão os maiores prejudicados. A internet não esquece. Cada relacionamento novo, cada entrevista de emprego, cada pio que essas pessoas derem em redes sociais… sempre serão lembrados por estes vídeos, mesmo que já tenham caído na real e que sua postura tenha mudado. É uma tatuagem virtual que acompanhará a imagem deles para sempre.

Amigo de verdade não apoia tudo, amigo de verdade te adverte quando você está fazendo mal a você mesmo. Estas pessoas não têm amigos, ou, se tem, estão tão ruins de cabeça quanto eles. Quem assiste calado uma pessoa querida se maltratar dessa forma, cega pelo equívoco de que isso é contestação, revolução ou resistência, não é amigo. Não é resistência, é autolesão, autoflagelo, autodestruição.

Atitudes infantis e desnecessárias que mostram falta de amadurecimento, falta de preparo emocional para lidar com frustrações da vida e incapacidade de adaptação, que hoje, é um dos maiores problemas que a pessoa pode ter. Em um mundo em constante mudança, quem não tem a maleabilidade de aprender, desaprender e reaprender, quem não consegue se adaptar (e para isso não precisa virar gado), está muito, mas muito ferrado e vai sofrer demais.

Os poucos que não se calam, falam para antagonizar com essas pessoas, esculhambá-las, ridicularizá-las. Outro desfavor, isso é apenas jogar o jogo. Estão dando a elas o que elas buscam, a sensação de “resistência”. Pessoas que protagonizam vídeos como este são pessoas dignas de pena. Uma pessoa que urina na cabeça do coleguinha não precisa de ninguém detonando, ela está se detonando sozinha. Hora de não jogar esse jogo e não dedicar seu dia a jogar pedra nessas pessoas. Se nós cortarmos esse ciclo, se não tiver plateia, não vai mais ter show.

Não seja uma pecinha nesta engrenagem. A tentação de apontar, rir, ridicularizar e detonar é enorme. Mas só alimenta esse tipo de comportamento. O que não quer dizer que não possam ser criticados. Podem e devem, mas com maturidade, com equilíbrio e de forma construtiva. Se você jogar merda em quem se alimenta de bosta, a pessoa só vai crescer.

Para dizer que achou o texto muito bonitinho mas vai dar pedrada sim, para dizer que é hora de sair do país ou ainda para dizer que a família Bolsonaro vai ficar no poder por décadas graças a essa gente: sally@desfavor.com

SOMIR

Sally e eu já tínhamos certeza que esse seria o desfavor da semana quando recebemos o vídeo pela primeira vez. Por isso, ela fez a análise “limpa” como teríamos feito originalmente, e eu vou ficar com as consequências pós replicação pelo Bolsonaro. Porque a Indústria do Lacre, que estava quietinha após a cena dos coleguinhas se exibindo em público, entrou em furor após ver a manifestação do presidente.

E como era de se esperar, defendendo 100% o ato realizado pelos dois rapazes e atacando 100% o Bolsonaro. Não tem meio termo no cenário político atual: se Bolsonaro criticou é porque os dois estavam certíssimos. O modo de contenção de danos começou imediatamente: uns batendo no Bolsonaro por postar isso na conta oficial do presidente, outros dizendo que era repressão contra a sexualidade alheia, e muitos dizendo que heteros também fazem putaria no carnaval.

Foi macaquice do Bolsonaro (ou seu filho) postar um vídeo claramente pornográfico no mesmo lugar que usa para se comunicar oficialmente como presidente do Brasil? Foi. Zero decoro, irresponsável e de mau gosto. Mas tem todo esse fator Trump nele: foi eleito por ser um sem noção que bate nas coisas que a maioria dos brasileiros quer bater. Gostem ou não, esse é o presidente que a maioria escolheu, presidente que NÃO teria a maioria se o PT não tivesse sabotado toda a esquerda forçando a candidatura do Lula. Não adianta fazer pose de inocente nessa história: os dois lados da briga são responsáveis pelos Bolsonaro no poder, agora vamos ter que aguentar.

Esse é o tamanho do cérebro do nosso presidente: não viu nada de errado em postar esse vídeo na sua conta. Mas, vejam só, esse é o tamanho do cérebro do brasileiro médio de direita e de esquerda. Pouca gente realmente bateu na tecla do decoro. Basicamente a imprensa um pouco mais intelectualizada. O resto dos críticos bateu nele por achar que ele estava oprimindo gays e/ou pessoas que gostam de atos sexuais com urinação. Oras… contexto vale muito aqui. Bolsonaro não postou um vídeo de duas pessoas fazendo isso em sua privacidade, ele postou o vídeo de duas pessoas fazendo isso em via pública, em cima de um ponto de táxi para visibilidade total dos transeuntes (adultos e crianças).

“Tudo na vida é sobre sexo, menos sexo; sexo é sobre poder.” – Essa frase, de Oscar Wilde, traduz bem o que entendo sobre o ato filmado no carnaval paulistano. Me parece óbvio que aquela cena existe muito mais como uma manifestação cultural do que um ato sexual qualquer. Milhões de pessoas no mundo tem esse tipo de fetiche (uma pesquisa do PornHub que saiu recentemente diz que é um dos campeões de pesquisas de pornografia em vários países do mundo, inclusive entre mulheres), e não existe nenhum movimento real tentando reprimir o “Golden Shower” – adoro como Globo e Folha fizeram matérias sobre isso após o Tweet do Bolsonaro.

Mas na sanha de lacrar e ser da resistência, o exército das marquinhas azuis no Twitter e boa parte da mídia quiserem tratar o tema assim. Não acho que está acima do Bolsonaro implicar com o fetiche alheio, mas nesse caso, claramente não era o tema. A maioria das pessoas costuma concordar que o que dois adultos fazem de forma consentida entre quatro paredes é problema exclusivo deles, mesmo num país com tanta repressão cristã como o Brasil. É ridículo achar que é uma guerra contra o fetiche de algumas pessoas, é sobre ter feito isso EM CIMA DE UM PONTO DE TÁXI NO MEIO DE UMA RUA LOTADA.

Aí deixa de ser fetiche e passa a ser uma declaração política. Vamos parar de tapar o sol com a peneira: sabiam que estavam em público, tinham orgulho de estar “enfrentando a sociedade”. Quando os lacradores começaram a postar vídeos de casais fazendo putaria em público, normalmente eram cenas de pessoas muito bêbadas esquecendo que estavam em plena vista. Não é muito mais digno, mas com certeza não tinha nenhuma sugestão de ser uma performance com conotações políticas.

Quer mijar no coleguinha? Poxa, a vida é curta, realize suas fantasias! Mas não venha fingir que não sabia onde estava e não estava fazendo aquilo justamente para chocar e emputecer aqueles que votaram no candidato que você não gostava. Se fosse um vídeo de um flagra de dois caras fazendo isso na rua mas no mínimo tentando ter um pouco de privacidade num beco ou atrás de um carro que seja, poderíamos tratar só como bêbados sem noção. CERTEZA que não seria republicado pelo Bolsonaro. Foi um ato tão político que o Bolsonaro usou para empurrar sua agenda política. Só naquele vídeo, foram mais uns 500.000 votos garantidos na reeleição.

E se eu fosse um ativista dos direitos dos gays, eu estaria PUTO com esses dois rapazes. Porque isso desfaz muito do árduo trabalho de fazer o povo parar de ver gays como selvagens sexuais sem pudor ou respeito pelas outras pessoas. Ou você quer ser visto como só mais uma pessoa que sente atraído pelo mesmo sexo, ou você quer ser o lacrador que enfia o dedo no cu e mija nos outros em público. Se você quer ser o primeiro caso, demora, mas o povão acaba te aceitando. Se você quer ser o segundo, vai ser esmagado pela maioria na hora. Se os heteros não podem agir feito animais na rua, ninguém mais pode, oras. E pelo o que eu conheço dos gays, a imensa maioria não tem nada a ver com essa baixaria toda. São como quase todos nós, deixando a putaria para os locais e públicos que querem participar disso.

Bolsonaro nem deve saber direito no que está batendo, mas está acertando num alvo razoável: não vai ser com essa criancice de ficar pintando parede e quebrando vaso que a turma do lacre vai receber atenção positiva. Não tem como aquela cena não ser um ato deliberado de confrontamento, e se todo mundo esquecer o bom senso para fazer pose de politicamente correto, os malucos do movimento pelos direitos dos gays vão chamar mais atenção do que as pessoas com um mínimo de cérebro e jogar no lixo o trabalho de integração social. Gente descompensada tem que ser reprimida, é o que faz a sociedade continuar minimamente funcional.

A regra é clara: se forem adultos e consentirem, façam o que quiserem dentro de quatro paredes. Mas assim que você vai pra rua, pode e deve ser criticado pela sua escolha de esfregar isso na cara dos outros. Se fosse um casal heterossexual no mesmo lugar, pode ter certeza que seria político também, não tem como não ser da forma teatral que foi realizado. Bolsonaro tem dois neurônios por ter usado a conta presidencial para divulgar o vídeo, mas deveria sim prestar atenção em todo e qualquer ato político realizado no país para o qual foi eleito como presidente.

Golden Shower é fetiche, a cena do vídeo é política.

Para dizer que só se diverte com a insanidade da política moderna, para dizer que os estagiários do jornal devem ter visto muita coisa traumatizante nas pesquisas que fizeram, ou mesmo para dizer que nós somos reprimidos por criticar: somir@desfavor.com

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Comentários (42)

  • O Brasil esta sendo governado pelos militares e a familia Bolsonaro faz o mesmo papel inutil e representativo da familia real britanica (sendo q lá pelo menos de uma forma mais positiva). As vezes acho q o país nunca esteve tao bem representado, de uma hora pra outra viramos um bananal de país, acho q nem na era Sarney era um país tao caricato. É mta burrice por m2. Socorro!

  • Se ele fizer uma consulta no psiquiatra, ele sai do Palácio do Planalto diretamente para o Instituto Philippe Pinel. Esse senhor tem que ser interditado pra ontem.

  • Eu sei que o Brasil é merda, mas… Na Rússia esses caras seriam presos. Na Chechênia então… Nunca mais seriam vistos. Isso pq nem tô mencionando países islâmicos. Lacradores ocidentais não reconhecem a liberdade que têm…

  • O brasileiro médio detesta Carnaval. Odeia a festa, mas tolera as toneladas de hormônio sendo cuspidas pelas ruas das cidades porque gosta do feriado – para fazer nada, ou ganhar hora extra.

    Quem quer elogiar “festa profana” é a elite, que se gaba de conhecer o povo mas nunca comeria nem 100g de sal com um pobre, a fim de conhecê-lo de verdade. Bolsonaro é uma ostra, mas sabe quem é seu eleitor – e, por isso, ganhará todas as batalhas contra a “mídia esquerdista” até o fim de seu mandato.

    • Será que detesta mesmo? Eu tento não presumir que minha “bolha” de conhecidos represente a média da população.

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    Wellington Alves

    Minha tese, desde o período eleitoral, é que Bolsonaro é como o Mr. Magoo. Sai andando tranquilamente sem se preocupar com os perigos a frente e acaba chegando no seu destino são e salvo.
    Durante a campanha ele dizia alguma coisa e a imprensa caía de pau em cima, servindo apenas como ponte para que ele chegasse do outro lado. Depois vinha ele com outra declaração e, enquanto os adversários tentavam usar contra ele, ajudavam a levá-lo ao próximo nível.
    Neste caso do vídeo foi a mesma coisa. A imprensa esquerdista, mesmo sendo a favor de tudo aquilo que estava no vídeo, Correu salivando achando ter encontrado a oportunidade de ouro para desgastá-lo. Ao perceberem que o feitiço havia virado contra o feiticeiro, ou seja, que as pessoas estavam apoiando o presidente, entendendo se tratar de uma denúncia de algo que elas repudiam, e que estavam ajudando a queimar sua querida militância LGBT, trataram de mudar a narrativa. Dois dias depois já estavam dizendo que não se tratava de pornografia, mas sim de uma performance artística de um ato político. Até entrevista com especialistas em golden shower foi feita para dizer que se trata de uma prática normal que pode ser feita entre 4 paredes.
    Mais uma vez o nosso Mr. Magoo passou incólume pelo campo minado, deixando a imprensa espumando de raiva e com cara de cu.

  • Achei absurdamente desnecessário um presidente da república postar esse tipo de vídeo. Não preciso de ninguém me lembrando do que se trata o carnaval de rua, todo ano vídeos no youtube e grupos de whatsapp me fazem esse “favor”. De um perfil oficial de um presidente, espero comunicação sóbria e decorosa sobre assuntos oficiais. E só isso.

    Em contrapartida, hilário ver a esquerda tão empenhada no Projeto Bolsonaro 2022, novamente sem se dar conta disso

  • Eu já estou tão “calejada” das macaquices ditas afrontosas do pessoal do lacre que nem me surpreendi com a existência do vídeo. Achei extremamente deselegante e vergonhoso que ele fosse postado pela conta do presidente da república em uma rede social sim, mas não chega a ser uma surpresa do tamanho do escândalo que algumas pessoas do meu convívio social fizeram. O que mais me passou pela cabeça pelo ato em si foi exatamente o que o Somir disse, que esse tipo de coisa é um desfavor para pessoas que só querem se relacionar com outras do mesmo sexo em paz. Por isso que tenho visto cada vez mais amigos LGBT concordando que quem não tem nojo de militante não tem uma noção muito boa da realidade.
    Para mim, o pior disso tudo é que as pessoas estão fazendo um barulho imenso e tendo brigas homéricas por causa de uma coisa que no final é só pagação de mico e se esquecendo de coisas mais graves, como o aumento nos gastos do cartão corporativo da presidência, as alterações e os trâmites da reforma previdenciária, as investigações de corrupção que estão acontecendo… isso tudo vai nos impactar a longo prazo, mas o dedo no cu e a gritaria desviaram a atenção.

    • Até para quem é totalmente libertário, a ideia de existir algum tipo de repressão ainda é válida: se não segurar os lacradores selvagens, os gays que só querem viver em sociedade sem preconceitos exagerados (um pouco sempre vai existir, pessoas demoram para entender outras pessoas) que vão pagar o preço. Gente maluca pode ser útil para gerar os primeiros choques numa guerra cultural, mas precisam ser controladas assim que qualquer grupo quiser se integrado na sociedade. Se os lacradores moderados não segurarem os malucos, vão perder tudo o que as gerações anteriores lutaram para conseguir.

        • Dá sim, os lacradores não são novidade. Em dado momento, tinha lacrador na Inglaterra falando sobre o fim da escravidão no mundo e enchendo o saco de todos, não porque tinha pena dos pobres africanos, mas porque pegava bem com as menininhas e dava aquela descarga de endorfina de se sentir melhor que os outros… um pouco de lacradores não faz mal, eles TENDEM a defender pontos de vista mais humanistas. O problema, pelo menos pra mim, é como a internet tornou o terreno tão fértil para esse tipo de gente começar a controlar toda a narrativa cultural do começo deste século.

  • Um presidente de um país, seja qual for, não deve publicar este tipo de conteúdo. O cargo exige a compostura e a seriedade que um candidato não precisa ter. Será que ele não se deu conta que já se elegeu e que os objetivos agora são outros?

    • Quanto mais eu vejo o governo dele avançar, mais eu percebo como ele não tinha a porra da menor noção do que ia fazer quando eleito. É tipo cachorro correndo atrás de carro: quando o carro finalmente para, o cachorro fica confuso. Seguindo a lógica do “vamos ver o circo pegar fogo para acelerar uma mudança verdadeira no país”, eu digo que meu voto nele está mais do que justificado.

  • Falando por observação, encontrei lacradores de diversas faixas etárias. Não sei se isso se deve a uma geração em específico. independentemente da idade, quem apoia isso me parece ter mais medo da repressão social e da perda de benefícios em si, porque né, quem é bolso assumido já entra na categoria dos maus, elitistas, ciclistas, nazistas etc. O grupinho do lacre está perdendo credibilidade.

    • A lacração depende muito da internet, sem o apoio dos millenials, os lacradores ficariam enroscados eternamente em grupos de WhatsApp e posts ignorados no Facebook. Claro que o caminho ideológico vem de gerações mais antigas, mas acho que sem os jovens eles não teriam coordenação para encher tanto o saco assim.

  • Essa publicação dele é só um detalhe perto da falta de traquejo que ele tem. Se os rapazes cometeram um desserviço a causa gay por exiberem ao público aquilo que só deve ser feito a quatro paredes, Bolsonaro agiu pior, pois em se tratando de um presidente deveria portar-se como tal e agir com decoro. Assim, o que um presidente faz ou deixa de fazer tem muito mais peso que a putaria explícita dos gays.
    Expor a putaria que é o carnaval no Brasil não é novidade pra ninguém, aliás, é assim que a festa é vendida no exterior, infelizmente.
    Bolsonaro está brincando de ser chefe de estado/governo e isso me preocupa muito, porque não sei até onde as atitudes “impensadas” dele podem prejudicar o país no cenário internacional. Espero que ele pare com a gracinha.
    Obs.: não votei no pocket, mas sou a favor que ele termine esse mandato, ainda que tudo que venha dele e de seu clã me cause preocupação e desconforto

  • Como esse carnaval foi da turma do lacre, onde em quase todos os blocos havia críticas ao Bolsonaro, esse resolveu se vingar mostrando esse vídeo no intuito de generalizar todos os blocos, como se em todos houvesse esse tipo de coisa. Tipo: “Olha aí o tipo de gente que não gosta de min”.

  • Acho que o Pocket errou bastante ao dar visibilidade e compartilhar isso. Um pouco mais de senso, vários líderes mundiais acessam o twitter dele diariamente e agora vão pensar “O carnaval no Bostil é assim, não vamos.”
    Sally, viu que a um advogado vai pedir o impeachment dele, junto com a OAB?
    Só quero ver a merda que vai dar.

  • Já imaginava que esse seria o desfavor da semana. Concordo com o que a Sally disse, a dita esquerda lacradora, a viadagem toda está cavando sua própria cova. Não é assim que se faz militância!

    Até havia comentado no twitter que achei “tão normal”, afinal, o que tem um dedinho no cu? E certamente me compreenderam mal, porque… né? rs
    Na verdade, apenas quis apontar pro aspecto da hipocrisia da coisa, já que tem um monte de gente tão chocada com isso, e isso é só o básico do que acontece no carnaval por aí. Tem coisa muito pior!

    Aliás, gostei quando a Sally disse “Atitudes infantis e desnecessárias que mostram falta de amadurecimento, falta de preparo emocional para lidar com frustrações da vida e incapacidade de adaptação, que hoje, é um dos maiores problemas que a pessoa pode ter.”

    Eu tenho uma hipótese curiosa sobre isso: acho que a geração de lacradores (bem especificamente: a turminha da minha geração anos 90, que tem entre 25~30 anos hoje, e que cresceu vivendo mais ou menos o mesmo script: escola + alguma atividade extra + mãe/pai que trabalha o dia inteiro + tv + internet + gente mimadinha e o combo todo) é a que mais se encaixa nsesa leva de gente que não tem amadurecimento e falta de preparo emocional. Ou seja: houve um erro, eu diria, em grande escala, na educação de toda uma geração.

    • Veio à tona o que já acontecia faz tempo: a postura animalesca do brasileiro no carnaval. Mas é bom que tenha vindo à tona, assim podemos discutir e tentar melhorar

  • Realmente não sei o que pensar disso. Por um lado achei bem feito o Bonoro ter mostrado a merda que o Carnaval é, mas por outro lado acho que ele tem que se portar como presidente (quando se é a maior autoridade do país fica feio postar certas coisas na internet. Aquele tweet perguntando sobre golden shower eu achei um horror).

    Enfim, se não queriam ser expostos, que não fizessem essas merdas na rua. Agora aguentem.

    • Poket foi eleito justamente por não ter decoro e formalidade. Elegeram um cara que falava “num vô, tô cum bolsa de cocô, tá ok?”. É isso aí que o povo pediu, é isso aí que o povo tá recebendo.

      Ninguém pode dizer que foi enganado. Eu votei nele por querer isso: esculhambação e sincericídio. Tô achando lindo cada tacada de merda no ventilador que ele dá.

  • Antes os malucos eram internados e tratados, hoje eles recebem aplausos. E ai de você se criticar.
    Hoje em dia muitas pessoas não tem personalidade nem habilidades e precisam fazer de tudo um grande evento. Tingiu o cabelo de colorido? É pra chocar a sociedade. Pintou um quadro com a buceta? É um ato político. Está desleixado com a própria aparência? É revolução. Fez peça de teatro enfiando o dedo no cu do colega? Tem todo um contexto de manifestação por trás disso. Vão arrumar o que fazer, meu.

  • Ano 2050, Laurinha Bolsonaro é coroada e se torna a nova imperatriz do Brasil.
    “Não, meu netinho, não faço ideia de como a dinastia Bolsonaro subiu ao poder.”

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