Um soldado e um cabo.

Vem crescendo em redes sociais a hashtag “Um soldado e um cabo”, em uma alusão a uma frase dita pelo filho do Bolsonaro, onde ele explicava com seria fácil fechar o STF, usando apenas um soldado e um cabo. Para muitos é apenas uma forma de protesto contra os desmandos do Supremo, uma forma de dizer “qualquer merda é melhor do que isso”, mas para outros de fato é um desejo legítimo de ver militares intervindo no Estado Democrático de Direito.

Não me refiro a fanáticos ou extremistas de direita. Gente boa, gente consciente, gente inteligente vem falando em depor o STF através de força militar, em fuzilamento dos Ministros e até em Golpe de Estado como algo desejável. Pode acontecer com qualquer um de nós cruzar uma linha por extrema putez (inclusive, se um dia acontecer comigo, peço que me avisem), mas é nessas horas que os amigos e as pessoas que te querem bem devem se aproximar e convidar a dar um passo atrás.

Na semana passada o STF enterrou viva a operação Lava Jato, deslocando a competência do caso para a Justiça Eleitoral. Isso é grave, pois além de dar margem para anular todas as condenações e soltar centenas de presos por corrupção (que certamente vão fugir do país antes de um novo julgamento), também assegura a impunidade desse tipo de crime daqui pra frente. Está bem claro o objetivo: impunidade contra corrupção.

O que aconteceu foi grave, muito grave. Eu entendo perfeitamente a revolta dos brasileiros. Quem é leitor antigo já leu dezenas de textos meus criticando o Judiciário brasileiro e o STF, um tribunal corrupto que não se contenta em aplicar a lei, ele dá interpretações bizarras que o tornam legislativo, violando a separação de poderes e o Estado Democrático de Direito. Walk the Talk: critico e me afasto, já tem alguns anos que decidi não participar mais dessa baixaria, seja como funcionária pública, seja como advogada.

O STF é hoje, no Brasil, o maior perpetrador de ilegalidades, à frente inclusive de todos os políticos corruptos, pois é quem lhes garante legislação favorável, liberdade e impunidade. Todos têm motivos de sobra para estarem revoltados e indignados, mas é preciso saber lidar com esse sentimento, não perder a inteligência e não querer aplacar essa sensação de injustiça a qualquer custo, inclusive com base em outra injustiça.

O STF, que deveria ser o guardião da Constituição (encarregado de declarar inconstitucionais leis que violem a Constituição), é hoje o maior violador da Constituição. Seus Ministros limpam a bunda na maior cara de pau com a lei e, o que é pior, não tem ninguém que lhes coloque limites, pois acima deles não existe mais ninguém.

São a instância máxima do Poder Judiciário e, apesar deles interferirem diretamente no Poder Legislativo e Executivo, não admitem que ninguém interfira de volta. São monstros sem controle destruindo um país através de ilegalidade após ilegalidade. Sim, é preocupante, sim, é assustador. Mas não justifica uma ilegalidade, principalmente uma que não resolveria o problema.

Querer resolver o problema com outra ilegalidade foge ao bom senso e equipara as pessoas que o sugerem ao mesmo grau de canalhice que acusam os Ministros do STF de praticar. Não existe ilegalidade menos ilegal, só porque corrobora com a sua ideologia. Ilegalidade é ilegalidade e se você acha que algo a justifica, bem, sinto dizer, é por causa de pessoas como você que o país está na merda em que está.

Quem diz pelo quê vale praticar uma ilegalidade? Entendo que você ache sua causa boa, nobre e esteja com a melhor das intenções, mas é isso que motiva todos os que cometem ilegalidades: acreditar que seu querer é forte o bastante para quebrar leis, pacto social e passar por cima de um monte de coisas que garantem uma vida social minimamente organizada. “Mas Sally, se o STF não respeita leis, por qual motivo nós temos que respeitar?”. Porque nós não somos psicopatas filhos da puta autoritários. Ou somos?

O STF viola a democracia diariamente e isso é aviltante. Porém, querer fechar o Supremo com um golpe militar ou com qualquer outra forma que atente contra a democracia é do mesmo nível, o outro lado de uma mesma moeda muito da escrota. Além disso, é vergonhoso, pois é algo que não vai acontecer, é uma fantasia do passado, é uma solução de 50 anos atrás para um problema moderno. Simplesmente inviável. Problemas modernos demanda soluções modernas para que seja eficiente.

O brasileiro nunca foi bom de observar problemas novos e criar soluções novas. Ele sempre recorre a algo que já foi feito antes, mesmo que o gap temporal seja enorme, mesmo que a realidade tenha mudado absurdamente. Foi nessa que o PT caiu e virou pó, e, ao que parece, é nessa que a oposição vai tropeçar também. A diferença, para a nossa sorte, é que a ilusão do cabo e do soldado é inviável, o que vai evitar que estas pessoas protagonizem um grandessíssimo vexame.

A culpa pelo país estar como está não é de mais ninguém além do brasileiro. Não vivemos em uma ditadura, há sufrágio universal, há mecanismos de fiscalização, há liberdade de expressão. O brasileiro vem fazendo merda desde 1500 e agora está achando ruim ter que cheirar. Alguém aqui fiscalizou o político no qual votou durante todos estes anos? Foi a reuniões públicas? Tentou apresentar um projeto de lei? Alguém realmente fez algo para que a situação política melhore?

O STF e os políticos brasileiros não são uma cambada de safados alienígenas, que destoam completamente do brazuca simpático e honesto. São um retrato do povo. O preço que se paga por viver em um país com povo ignorante, com mentalidade corrupta e de merda, é essa esculhambação e ilegalidade.

Se você não gosta, tente mudar pelas vias legais ou saia. Mas não, o brasileiro não quer abrir mão de nada, ele quer ficar e quer que as coisas sejam do jeito que ele acha que tem que ser, sem arregaçar as mangas e fazer mudanças estruturais demoradas, ele quer delegar infantilmente a solução para militares, de forma imediatista e na base da força, contra a democracia. Aí não dá, né gente? É demais. É muita inocência achar que se limpa 500 anos de cagada com um paninho militar. Lidem melhor com a impotência e o desespero diante da grande bosta que se tornou o Brasil.

Essa mentalidade delegatória, que hora recai em um “bondoso líder de esquerda que vai salvar os pobres”, hora recai “nos militares que vão nos salvar e tirar os bandidos do poder”, é o problema em si e denuncia a incapacidade de lidar com o fedor da própria merda. Enquanto a solução (ou parte dela) for delegar a sua salvação para qualquer coisa ou pessoa fora de você, o problema não apenas persistirá como ainda piorará.

E nesse ponto, sempre vem uma alma sem luz dizer “Mas eu não votei no Fulano”. Não é sobre um voto, é sobre escolher viver nesse sistema, onde tudo é corrompido, apenas reclamando, dia após dia. É sobre escolher ser peça dessa engrenagem.

Na hora de viver às custas do Estado para trabalhar menos e ganha mais, o brasileiro coloca como prioridade máxima fazer concurso público e ser parte dessa engrenagem. Metade dos brasileiros são concurseiros, apesar de meter o pau no funcionalismo público. Na hora de entrar e ver quão cagado é o sistema, poucos fazem como eu e pulam fora. Ficam, são parte dessa engrenagem, e depois reclamam e querem militar resolvendo algo que não se muda na força, muito menos violando a democracia. “Quero me beneficiar desse sistema, mas quando ele me prejudica, quero que alguém resolva pra mim”. Ah, vá!

Existem dezenas de caminhos, desde ficar e tentar melhorar o país até ir embora, o caminho que não existe é: quero as coisas funcionando do dia para a noite e os militares vão conseguir isso pra mim. Não. Ninguém vai conseguir nada pra você. Ninguém consegue nada de bom ou produtivo na força, com tanques, com armas. E é uma pena que em 2019 isso ainda precise ser dito. É uma pena mesmo. Segurem a onde de vocês, segurem a indignação e voltem a raciocinar.

Como está é péssimo, mas mudar o status com base na força é basicamente a mesma merda. A democracia continua indo pro saco e quem o faz ou apoia só se iguala a aqueles que tanto criticou. Plus: dão razão à esquerda e ainda garantem mais 20 anos deles no poder. Por gentileza, sejam melhores do que isso. Hora de assumirmos responsabilidade pela bosta de país que co-criamos e parar de delegar a solução.

Assim como todos que estão injuriados, afrontados, indignados, eu também estou. Mas não podemos perder a ética nem a sanidade mental. Durante muitos anos combatemos diariamente os excessos da esquerda, agora que o pêndulo virou, estamos aqui combatendo os excessos da direita. Vamos ao menos tentar ser civilizados, centrados e equilibrados? Resolver as coisas com coação, intimidação e medo é apenas criar mais e mais problemas. E, cuidado, um dia isso chega até você e alguém vai solucionar um impasse com você na base de um soldado e um cabo. Não abram essa porta.

O que mais me chateia é ver que pessoas inteligentes acreditam que uma intervenção militar é a única solução. Talvez seja a única na qual as pessoas consigam pensar em um primeiro momento, por estarem tomadas por medo e raiva, por ser a mais fácil, pois delega para alguém “resolver” o problema. Existem outras soluções, mas o brasileiro, com seu eterno complexo de vira-latas, sempre acredita que nada que ele tente possa dar certo. Decreta-se a impossibilidade mentalmente, sem ao menos tentar.

No momento eu não sou a pessoa mais indicada para falar destas soluções, pois, além de ter abandonado o direito com muito orgulho, também estou em processo de abandonar o país, pelo qual nunca nutri nenhum amor ou respeito, então, me perdoem, mas não tenho mais como contribuir. O que não quer dizer que soluções não existam. Inclusive tem muitas delas em textos antigos, quando eu ainda me importava. Se o brasileiro usasse o mesmo empenho que usa para benefícios pessoais em prol do país, seríamos primeiro mundo.

Uma frase polêmica: não existem vítimas. Guardem isso para a vida. Se em algum momento você está se achando vítima de algo, para e repensa sua vida, pois sua mente está na merda. O brasileiro não é um povo “bom, honesto e trabalhador vítima de políticos corruptos”, e a crença nisso é um dos grandes entraves para que as coisas melhorem.

O mais curioso é que o próprio Bolsonaro e Mourão em momento algum sequer acenam com essa possibilidade, muito pelo contrário. Essa militância raivosa de “um soldado e um cabo” são cães latindo para carros. Quando nem o seu líder, conhecido por destemperos e algum grau de falta de noção e desequilíbrio nas ideias, cogita o que você quer, é hora de refletir.

E, por mais que você ache que uma injustiça pode trazer justiça (reveja isso, dificilmente você vai ter paz de espírito na vida com essa mentalidade), é também uma questão de inteligência: a proposta “um soldado e um cabo”, além de inviável, não funciona.

Vamos, por um segundo, pensar no que aconteceria se esse devaneio fosse possível: militares tiram o STF todo do poder, o Congresso todo, a porra toda, até a tia do cafezinho. E aí? O que muda? Quem entra no lugar? Seis por meia dúzia.

Quando a mentalidade é errada, escrota, burra, preguiçosa e corrompida, você tira o lixo e no dia seguinte tem uma pilha de lixo nova. Não é sobre Fulano ou Sicrano, é sobre um sistema que não dá mais certo, é sobre um povo medíocre, corrupto que sempre busca levar vantagem em tudo. E não serão militares a resolver o problema. Não é sobre tirar pessoas, é sobre mudar um sistema, uma mentalidade, uma realidade. E isso não é possível de imediato, nem com a ajuda dos militares, nem dos Power Rangers, nem do Superman.

Acho que o que quero dizer é que se você, assim como eu, “escolheu” ficar em um país cagado, que se cagava mais e mais dia após dia, sendo uma engrenagem desta máquina escrota, não pode agora querer que as coisas mudem na base da ilegalidade. Somos todos cúmplices, seja por não ter contribuído em nada para solucionar o problema, seja por ter ficado. Se quer promover mudanças e melhorar o seu país, poxa, que legal, eu te aplaudo, mas não vai ser do dia para a noite e muito menos delegando para terceiros, na base da força, ameaça e medo. Tá ruim o bastante, por gentileza, não piorem esta bosta de país.

Botem a mão na consciência: o que vocês fizeram efetivamente para tentar melhorar este país e mudar esse sistema burro e corrupto? Estava todo mundo vivendo sua vidinha, pensando no seu umbigo. Quando a merda explode na nossa cara a gente chama pelo papai? Se militares pudessem resolver o problema do país, não estaríamos onde estamos. O problema não é tirar Fulano ou Sicrano e sim quem colocar no lugar, como mudar o sistema e principalmente como mudar a mentalidade do povo.

Um soldado e um cabo não resolvem porríssima nenhuma, apenas aplacam a ansiedade e o medo dos senhores, com uma solução provisória e superficial que, no final das contas, não resolve nada. Em vez de usar tempo e energia para tentar operar mudanças estruturais significativas que de fato contribuam para um futuro melhor, pessoas tomadas pelo desespero estão pegando um atalho improdutivo. Apenas parem, se é nisso que a parcela inteligente da população está se tornando, melhor jogar uma bomba atômica em território nacional e recolonizar com europeu.

Eu entendo, dói aceitar que você não vai viver para ver o Brasil ser minimamente decente, que isso é projeto para, no mínimo, mais 500 anos, mas é preciso aceitar a realidade. Não existem atalhos, não existe mágica. Se, na sua ânsia por punir o STF e conseguir uma pontinha de justiça para o país você topa atropelar a Constituição e a democracia, é hora de respirar fundo e entender que você é parte do problema.

E se você realmente quer que o país mude, comece por você. Pare de ser uma engrenagem para este sistema merda. Vai acontecer em larga escala? Não vai acontecer, porque quase todo mundo que é peça na engrenagem arruma um bom motivo para não deixar de ser peça dela e se eximir de responsabilidade.

No fundo, o brasileiro adora reclamar e culpar o outro do conforto da sua casa: o político é ladrão, o juiz é filho da puta, o delegado é bandido. A culpa está sempre no outro. E nessa se vive, apontando dedos, sem parar para refletir que se o país está como está hoje, é graças a uma escolha do povo. E permanecer em um país com esse povo é ser inserido dentro desse contrato social hediondo.

Além disso, vejo muita gente (não são todos, mas é muita gente) mergulhando full time, de corpo e alma, nessa indignação como forma de se distrair. Sugiro um exercício: quando uma questão externa a você te tomar muito tempo, pare e olhe para dentro. Do que você pode estar tentando se distrair? Você está se sentindo emocionalmente bem? Está realizado? Como estão seus relacionamentos? Como está sua vida profissional? Se preocupar com o país é importante, mas é um pouco desproporcional se preocupar tanto quando tem coisas para resolver dentro de você.

Restam duas opções dentro da coerência e sanidade mental: acreditar que isso aqui tem jeito dentro da lei e dentro do Estado Democrático de Direito, arregaçar as mangas e fazer a sua parte ou acreditar que isso aqui não tem jeito, fazer as malas e ir embora. Qualquer coisa fora disso faz mais mal do que bem ao país e a você. Reflita.

Para dizer que você pauta sua conduta na conduta do outro sem perceber o quanto isso te faz manipulável, para dizer que a solução é devolver o Brasil pros índios ou ainda para dizer que eu sou burra por não usar um discurso inflamado que todos querem ouvir para aumentar a visibilidade do Desfavor: sally@desfavor.com

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Comentários (34)

  • Sally falando em mudar o sistema me lembra muito nosso (infelizmente) colega argentino Che Guevara!
    Viva la revolución, hahá

  • Por isso parei de julgar tanto imigrantes ilegais, às vezes também bate um desespero de vazar de qualquer jeito. Não adianta ter um salário alto pra comprar coisas se você não pode nem sair na rua tranquilo pra desfrutar, a qualquer momento seus bens podem ser socializados à força com um marginalzinho no meio da rua. E triste verdade: latinos que estão na Europa ou América do norte servindo comida, cortando grama e cuidando de criança, no tempo livre devem ter muito mais qualidade de vida do que a gente.

    • Mari, tem situações e situações.

      Se, repetidas vezes argentinos colocassem bombas, atirassem e esfaqueassem gente por todo o Brasil, eu entenderia se brasileiro tivesse ressalvas com argentino ou até fechassem as fronteiras, apesar de nem todos serem assassinos. Eu entendo as nações que buscam se proteger proibindo a entrada daqueles que reiteradamente atentaram contra seu povo.

  • Concordo plenamente, eu desisti do Bostil estou juntando dinheiro para sair dessa latrina e ir morar com meus parentes na Europa, é provável que eu tenha pegar trabalhos bem ruins e sofrer muito no inicio mas hoje em dia eu prefiro servir no céu do que reinar no inferno. Esse país nunca vai mudar, se o Bolsonaro estivesse fazendo TUDO certo demoraria uns 50 anos para isso aqui chegar perto de ser um país decente mas ele não está, percebi que mesmo que eu ganhasse muito dinheiro eu não seria feliz nunca vivendo em um país como esse e que talvez minhas preocupações até aumentassem, no Brasil quem tem dinheiro vira alvo eu teria medo de ter meu carro roubado, um imóvel invadido pelo MTST ou até mesmo sofrer um latrocínio por conta de um celular caro.

    • Eu realmente não me importo de ralar ou recomeçar por baixo, pois em países decentes, se você for bom e esforçado, é certo que vai subir. Faça isso, saia daqui o quanto antes.

  • (…) também estou em processo de abandonar o país, pelo qual nunca nutri nenhum amor ou respeito. Desculpa se eu estiver sendo curioso demais, mas… Posso perguntar pra onde você vai, Sally?

  • Pra mudar todo um sistema corrupto que só tem com objetivo roubar eternamente quem já não tem nada para beneficiar quem sempre teve muito, é preciso antes que a própria natureza/modo de funcionar/mentalidade do brasileiro também mude. Mas sabendo como o brasileiro é e sempre foi, fica difícil ter esperança…

  • “Um cabo e um soldado” em um primeiro instante reflete a indignação e a necessidade de resolução rápida de um problema que provamelmente é um dos mais antigos e enraizados na nossa política, a troca de favores entre os poderes. E também tira o foco de quem realmente deveria ser pressionado, o Senado Federal, único poder capaz de proporcionar a queda de um Ministro do Supremo. O Senado é a chave.

    • Você acha que o Senado pode mudar algo de forma significativa? Eu acho que não… Ou muda o sistema todo ou somos cães correndo atrás do rabo.

      • Eu acredito que sim. Só o Senado pode promover algo como o impeachment de um Ministro do STF e se a queda de figura tão nefasta quanto Gilmar Mendes não for significativa para você…

        Excesso de otimismo? Talvez. Acredito que apesar de tudo, estamos mudando para melhor. Nunca se discutiu tanto política quanto agora, eu vejo isso como algo fantástico. Algumas pessoas, até relativamente bastante jovens, vem se destacando nas redes sociais como ótimos influenciadores e abrindo o pensamento de outras centenas, talvez milhares de pessoas. Não se pode consertar séculos de atraso em poucos anos. Vai levar um bom tempo, talvez nenhum de nós ainda esteja aqui para testemunhar, mas eu acredito que estamos caminhando, ainda que em passos lentos, para um país melhor.

    • Não só o Senado, como todo o Congresso. Se essa turma marcasse posição no sentido de cortar onda no sentido de derrubar as malfadadas MPs e eventuais vetos presidenciais e fizesse seu trabalho a contento, não ia ter espaço pra judiciário sair improvisando e pra esse populismo penal bizarro.

  • Mas pq não dotar a Justiça Eleitoral ou fazer uma integração com a Lava Jato ou o que for? O que eu vejo é que diversos grupos de interesse estão degladiando pelo poder. A republica de Curitiba representa um nicho emergente, Rodrigo Maia um nicho secular, e o STF outro nicho status quo. De outro lado temos o nicho do militarismo (que tem sim ideologia de direita, o que nao deveria) e dos ogros incompetentes do bolsonarismo. Vamos ver até onde este Executivo vai seguir as regras da democracia pra aprovar seus projetos, pq o Legislativo e o Judiciário ja começam a endurecer. Tudo pelo poder.

    • O STF já está ordenando investigação e até busca e apreensão na casa de pessoas que falaram mal deles em rede social. Não dá para ter esperanças.

  • Se as instituições funcionam (mal ou bem) do jeito que são é porque as pessoas se beneficiam com isso. Viver num país organizado requer vontade de obedecer às leis e normas daquela sociedade – se isso não muda, mesmo com tanta gente disposta a “torcer o cidadão” para adequar-se ao país perfeito que inventaram, é porque as pessoas gostam do Brasil do jeito que ele é.

  • Que bom q vai realizar nosso sonho de sair deste lugar. Minha esperança é zero no Brasil e estou me alienando ao máximo possível . Minha única fonte atualmente são vocês e olhe lá. Estava me sentindo estranha Com tudo q estava escutando e resolvi me dedicar ao desenvolvimento pessoal.
    Espero que faça pelo menos aquele encontro antes de partir.
    Te adoro ! Sou sua fã e espero que não nos abandone espiritualmente, q no caso é aqui no desfavor rs.

    • Jamais abandonarei vocês, podem ter certeza, porque não é uma doação, é uma troca muito valiosa que fazemos aqui, onde eu também me beneficio muito.

      Faz isso, investe no seu desenvolvimento pessoal e fica assistindo a este circo de fora, com a mente em um bom lugar, sem se contaminar com essa loucura.

  • E nem pensam na possibilidade de os militares serem subornados pra manter tudo mais ou menos do jeito que está ou pra formar um governo ainda mais corrupto.
    Sabe o que é pior? Ver gente brigando pra defender esses políticos, mesmo que custe sua relação com família e amigos. Preferem abandonar quem os viu crescer e convivem há muito tempo pra ficar ao lado de engravatados que só lembram que você existe se parar de pagar impostos. Povo doente.

    • O problema do Brasil é o brasileiro: seja civil, militar, trans, padre ou o que for. A mentalidade corrupta está em qualquer grupo e está no sistema. Tiram esses, sobrem outros piores ou iguais. Não faz sentido combater pessoas. Ou se combate o sistema ou estaremos sempre trocando seis por meia dúzia.

  • “O STF, que deveria ser o guardião da Constituição (encarregado de declarar inconstitucionais leis que violem a Constituição), é hoje o maior violador da Constituição”.

    Só essa frase já é pra deixar a gente puto da cara e desgraçado da cabeça…

    • Sim. Acho muito válido e compreensível que as pessoas estejam putas em vez de alienadas. Mas tem que saber lidar com a putez sem se perder, sem querer apelar para ilegalidade, achando que chumbo trocado não dói. Somos melhores que o STF, não vamos nos rebaixar ao nível deles.

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