Novos feriados: Dia de Sísifo

Suellen e Lilith, as vencedoras do Bolão 2018, ganharam um prêmio especial: as duas poderiam adicionar um feriado nacional na nossa Constituição por 10 anos. Sim, 10 anos. Escolhem o tema e a data, e nós temos que comemorar por uma década. Hoje, vamos conhecer o feriado escolhido por Suellen, para complementar o de ontem da Lilith.

Dia de Sísifo

São Paulo, 26 de abril de 2019.

Exmº(s) Senhor(es)
SALLY SOMIR E TIAGO SOMIR
Presidentes da República Impopular do Desfavor
30 Plutostraat
Paramaribo, Suriname

Dirijo-me a V. Exa(s) para encaminhar, a título de sugestão de iniciativa legislativa, texto elaborado pelo Comitê Interamericano de Terapeutas Ocupacionais – COITO, que dispõe sobre proposta de emenda ao artigo 7° da Constituição da República Impopular do Desfavor, promulgada em 23 de novembro de 2011.

Trata-se de sugestão de decretação do feriado no último domingo de agosto como Dia do Sísifo, em celebração a iniciativas inúteis pelo mundo.

Colocamos nossa entidade à disposição da Presidência para o debate do assunto.

Atenciosamente,

SUELLEN SOVERAL
Presidenta do COITO

SUGESTÃO

ASSUNTO: Proposta de Decretação de Feriado no último domingo de agosto – Dia do Sísifo.

TEXTO DA SUGESTÃO:

O dia do Sísifo é para comemorar iniciativas inúteis pelo mundo, mas que, ainda assim, continuam a ser realizadas. A data proposta (último domingo de agosto) reflete a inutilidade que o feriado pretende celebrar não só por ser em um domingo, como também por estar longe de qualquer outro feriado que pudesse ser emendado com a data proposta. Talvez tenha alguma utilidade para quem trabalha aos domingos ter que lembrar a cada ano em que data será o último domingo de agosto.

Como exemplo de iniciativas inúteis, temos o Festival do Pênis realizado todo ano no Japão, em homenagem às divindades shintoístas da fertilidade, da concepção e da proteção das doenças de transmissão sexual. Veja foto abaixo:

Os fundos arrecadados com as vendas de produtos fálicos serão destinados à pesquisa sobre a aids.

Trata-se de um festival inútil, se considerarmos a taxa cada vez menor de natalidade por lá, cuja origem pode ser atribuída a uma pesquisa realizada em 2016 que apurou 40% dos adultos entre 18 e 34 anos eram ainda…virgens. O fato dos fundos arrecadados com a venda de produtos fálicos para pesquisa sobre a Aids revela ainda mais a inutilidade, ante a preferência crescente dos japoneses pelo sexo com bonecos.

JUSTIFICAÇÃO:

A mitologia grega conta que Sísifo, por amar a vida e menosprezar os deuses e a morte, foi condenado a realizar um trabalho inútil e sem esperança, por toda a eternidade. Devia empurrar, sem descanso, enorme pedra na direção do alto de uma montanha, ciente de que não alcançaria o objetivo, pois ela rolaria abaixo novamente para que o absurdo herói mitológico descesse em seguida até a planície e empurrasse mais uma vez a enorme pedra para o alto, e assim continuar numa repetição monótona e interminável através dos tempos. O inferno de Sísifo era a trágica condenação de estar realizando algo, sem esperança e que a nada levaria. Algo semelhante a investir na educação no País.

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Comentários (4)

  • Constituição promulgada? Não seria outorgada? Pior que eu fui ver lá na constituição e realmente está escrito promulgada… e várias edições também.
    Mas isso parece ser engraçado. Gostei que escolheu um mês que não tem feriados.

    • Outorgar é conceder poderes a alguém, promulgar é publicar oficialmente. Suellen, como se diz no jargão jurídico, “manja dos paranauê”.

  • “O inferno de Sísifo era a trágica condenação de estar realizando algo, sem esperança e que a nada levaria. Algo semelhante a investir na educação no País.” Gostei do texto da proposta. Mas essas duas últimas frases me deixaram triste…

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