Ansiedade.

Esta semana foi divulgado um estudo que aponta o Brasil como o país com o maior índice de pessoas ansiosas no mundo. Repito: no mundo. Em meio a países com fome, epidemia de doenças e até guerras, o brasileiro é quem mais sofre com ansiedade. Tem algo para ser olhado aí. Este não é um Desfavor Explica, pois a proposta não é tratar sobre a parte técnica do assunto (esse texto virá no futuro), é um texto cuja fonte se resume a: minha opinião.

Se falarmos de ansiedade como uma doença formalmente diagnostica (papo técnico: Transtorno de Ansiedade Generalizada), ela afeta 9% da população brasileira. Pode parecer pouco, mas é três vezes mais do que a média da população mundial. Obviamente, os números são muito maiores do que esses 9%, afinal, quantas pessoas ansiosas que você conhece procuram um psiquiatra para tratar o problema?

Mesmo sem procurar tratamento médico, por ano, os brasileiros tomam mais de 25 milhões de caixas de Rivotril, quase o triplo de dez anos atrás. A maioria toma sem prescrição média, apenas atenuando os sintomas de uma doença que continua lá e que, se não for tratada, tende a progredir. A solução para a ansiedade não é de fora para dentro, tomando um remédio, ainda que em casos extremos ele seja necessário temporariamente. A solução é de dentro para fora, e todo mundo pode superar este problema.

Existem muitas formas e muitos caminhos para dar essa resposta, e ela é complexa, vem em várias camadas de compreensão. Não adianta dar um salto para o objetivo final e dizer que a pessoa precisa parar de criar expectativas e tentar controlar o futuro, quem está imerso na ansiedade simplesmente não vê isso como algo possível. É como se a sua casa estivesse pegando fogo e a orientação fosse: apague o incêndio. COMO? Como apagar um incêndio que não para de crescer e aparentemente você não controla? Chega a ser cruel esse tipo de orientação.

Então, hoje vou falar do que considero um primeiro passo, de uma jornada rumo à diminuição drástica de ansiedade na sua vida. Não quer dizer que o que vou dizer sirva para todos, mas, de coração, espero que ajude alguns. Nada do que você vai ler aqui tem qualquer embasamento científico, espiritual ou de qualquer natureza. É direto da minha cabeça, do meu achismo, para a sua casa. Portanto, pegue o que te servir e o que não te servir descarte, pois eu estou longe de ser a dona da razão.

Ansiedade pode ser resumida como excesso de futuro no presente: a mente sai do momento presente e começa a pensar no futuro, tentando antever o que pode acontecer, tentando entender quais seriam as consequências dos piores ou melhores resultados, tentando controlar o futuro, causando uma angústia extrema. Pessoas ansiosas fazem do futuro seu presente, não apenas deixando de viver o presente, como também se colocando constantemente em uma situação de incerteza, afinal, não sabemos e não controlamos o que acontece no futuro. É uma batalha que já nasce perdida, mas mesmo assim, é muito difícil de sair dela.

Além de gerar muita angústia e sofrimento, gera um gasto de energia absurdo com nada: ficar preso nos próprios pensamentos sobre coisas que ainda não aconteceram e não estão sob o seu controle é uma forma muito cruel de tortura mental que detona a disponibilidade emocional e intelectual da pessoa. A mente fica improdutiva quando está presa no futuro e focada em tentar antever ou controlar esse futuro, gastando valiosos recursos de energia e disponibilidade em algo completamente inútil.

Por isso muitas vezes vemos uma pessoa quietinha, que parece estar ok, mas que no dia a dia não tem energia nem disponibilidade para nada: mesmo em silêncio, a mente da pessoa pode estar presa nessa armadilha, sugando muito de seus recursos. Nunca julguem uma pessoa achando que ela não tem motivos para estar exaurida pois “não faz muita coisa”. Você não sabe o que aquela mente faz e demanda. Cansaço não é só físico, é, principalmente, mental. Lutar contra a própria mente, agitada, ansiosa, jogando o tempo todo você para o futuro, é exaustivo. É no presente que se vive bem, viver no passado e no futuro é viver em sofrimento.

“Mas Sally, você quer que eu viva a vida como um hippie piolhento que não se planeja e não pensa no seu futuro”. Não, não quero e inclusive desaconselho fortemente a que você viva assim. Não é sobre não pensar no futuro, é sobro o lugar desde onde você pensa. Você pode pensar no futuro estando com a mente no presente, estando senhor da sua mente, fazendo-o por escolha. É bem diferente de ser sugado por pensamentos de uma mente que você não controla e ficar em um looping de problemas futuros.

Evolutivamente, a ansiedade tem raiz em um mecanismo de sobrevivência: quando éramos mais bicho do que gente, havia ameaças constantes que poderiam acabar com a nossa vida: predadores, fome, etc. Sobreviveram para passar os genes adiante aqueles que tinham a maior capacidade de antever problemas. Só que a realidade mudou muito e hoje esse mecanismo de antever problemas parece ter saído do controle, a ponto de deixar de ser uma proteção e passar a ser um dos principais geradores de problemas da atualidade.

A ansiedade tem origem no medo, nesse medo ancestral que nos fez sobreviver, mas ela não é exatamente medo. Medo ocorre no presente, mas quando o medo é sentido com base no futuro, se torna uma forma de ansiedade. Repare que, mesmo quando falamos de ansiedade sobre coisas “boas”, tem medo embutido. Por exemplo, a pessoa que espera ansiosa pela sua festa de aniversário tem algum grau de medo que as coisas não saiam como ela quer. Se a pessoa tivesse a certeza absoluta de que tudo vai dar certo, vai sair conforme o esperado, vai ser da melhor forma possível, a ansiedade desapareceria na hora.

Então, podemos dizer que a ansiedade é uma forma de medo futuro, fruto da intolerância à incerteza, ou, em termos mais bonitinhos, à impermanência. Quando confrontado com a incerteza, o ansioso tende a sentir medo, entrar em um estado de hipervigilância (pensa muito nisso, isso afeta seu dia a dia, não dorme direito, sente estresse, tem dificuldade em relaxar, etc) e isso leva a uma supervalorização do medo (se você pensa nisso o tempo todo, aos poucos a coisa vai ganhando uma importância ou dimensão maior do que a que ela realmente tem, gerando um medo futuro ainda maior).

Este combo tóxico vai, aos poucos, minando o emocional e até a capacidade cognitiva da pessoa, pois afeta o físico também, jogando hormônios do estresse no corpo, gerando um círculo vicioso muito difícil de sair. Tente ficar semanas, meses ou anos dormindo mal e com o corpo encharcado de cortisol e você verá como seu rendimento em todas as áreas tende a cair. Chega um ponto onde viver se torna difícil e um esforço.

Justamente por ser difícil de sair, o estado ansioso acaba ganhando uma falsa cara de normalidade, até que a pessoa desiste de lutar contra ele e considera que é normal se sentir assim o tempo todo, sem perceber o mal que isso faz. Mergulhada até a raiz dos cabelos nesse estado, isso passa a ser um modo de funcionar, a pessoa não está mais ansiosa, agora ela é ansiosa. A boa notícia é: estamos em uma via de mão dupla, você pode deixar de ser isso quando quiser. Parece que não, mas te garanto que sim. Como? Calma que chegaremos lá.

O que você vai ler por aí é que as principais causas para ansiedade são falta de dinheiro, insatisfação com relacionamento, violência, excesso de trabalho e outros. Será? Ansiedade, da forma como eu vejo, é uma desconexão com você mesmo. E quando você se desconecta de você mesmo, qualquer coisa pode ser estopim para ficar ansioso. Tenho para mim, e é apenas uma opinião, que na ansiedade reside a raiz da maior parte dos problemas modernos, como por exemplo a depressão: a ansiedade se torna tão severa, tão insuportável, que a mente “desliga”, desiste de tudo por exaustão.

O termo é vago: desconexão com você mesmo. E é realmente difícil de explicar. O que você é em essência não é aquilo que você apresenta socialmente. Para viver em sociedade vestimos muitas máscaras, fazemos muitas concessões, nos acostumamos a muitos desconfortos. Vivemos assim por tanto tempo que pode chegar num ponto onde você já não sabe o que é você, o que é uma máscara. Quem não sabe qual é a sua essência não sabe como se manter fiel a ela, e por isso pode sistematicamente fazer coisas que atentem contra si mesmo, contra sua essência, se causando um mal progressivo sem perceber.

Aí vem a pergunta de um milhão de dólares: como resolve? Se você aderir à minha premissa de que ansiedade é desconexão com você mesmo, a solução é se reconectar com você mesmo, o que esclarece basicamente porra nenhuma, pois se a pessoa soubesse como se reconectar, não teria se desconectado em primeira instância, não é mesmo? Vou tentar me fazer entender, se não conseguir, você por favor me pergunte mais nos comentários.

Você vai encontrar mil doutrinas, filosofias ou religiões que usem as mais diversas alegorias para tentar de alguma forma explicar esse “caminho de volta”, essa reconexão. É algo realmente muito abstrato para se falar de cara limpa, mas como eu odeio alegorias, vai ser o caminho que vou tentar. Não se preocupe em “entender” o que vou dizer, apenas leia e tente lembrar de quando você se sentiu assim. E como quem está imerso em ansiedade não tem disponibilidade e energia para muita coisa, hoje vou falar de um único passo. Com o tempo, se vocês quiserem, falamos do resto da jornada.

Seu guia inicial para saber se você está se conectando ou se desconectando com você é: sua sensação interna. Ela me parece a forma mais eficiente de começar a trilhar esse caminho de volta. Sim, começar, tem mais depois que você aprender o básico, mas, se te serve de consolo, tudo fica muito mais fácil quando dado este primeiro passo.

Estamos acostumados a não ouvir nossa sensação interna, afinal, o mundo moderno é basicamente uma eterna obrigação de fazer concessões: aturar pessoas que nos desagradam, trabalhar com algo que estamos de saco cheio, fazer social quando estamos cansados, etc. A gente tende a desligar essa “voz” pois ela nos atrapalharia a viver nesse esquema de mundo atual. E muitas vezes pode ser realmente uma opção desligar essa voz interna.

Óbvio que não dá para viver fazendo só o que a gente quer, mas se você desligou essa voz interna ao ponto de chegar a um estado ansioso que te prejudica, é hora de religar essa voz e escutar o que ela tem a te dizer. Você perdeu o equilíbrio e está se sufocando a ponto de se fazer mal. Para sair disso não é com religião, com gurus, com doutrinas, com coaching: a resposta está dentro de você e quem te diz o contrário ou tenta te dar uma resposta pronta é estelionatário – mantenha distância.

Por estarmos desconectados de nós mesmos, muitas vezes esquecemos como perceber esse estado interno, que teria que ser nosso guia. Silenciamos essa voz, como quem tira o som da TV com um controle remoto e esquecemos que tem como religar. E para religar não é preciso nenhuma técnica, ritual ou curso, é seu estado natural, você pode voltar a ele na hora em que quiser. Mesmo que inicialmente se sinta alguma dificuldade, dá para voltar rápido, justamente por ser um estado natural.

O que eu recomendo, mas não é a única forma: crie o hábito de se observar, observar o que você está sentindo. E isso não se resume ao emocional, como eu disse, há várias oitavas de entendimento. Tente parar várias vezes por dia e perceba seu estado interno e, se possível, o que gerou esse estado interno, seja ela bom ou ruim.

Para os mais pragmáticos, o corpo dá sinais. Algumas pessoas quando estão indo contra elas mesmas sentem um frio na barriga, outras sentem uma dor no peito, outras um nó na garganta… Observe-se e perceba como seu corpo reage cada vez que você se submete a uma situação. Este mal estar físico é muito mais fácil de identificar do que os sintomas emocionais, que são mais sutis e é um dos primeiros indicativos para avaliar se o caminho que você tomou converge para a conexão ou para a desconexão com você mesmo.

Sentiu uma sensação boa, uma paz, um ânimo? Olha de onde vem. Podem ser pequenas coisas, como conversar com uma pessoa que te faz bem, um passatempo ou até uma atitude aparentemente sem importância. Da mesma forma, sentiu uma sensação ruim, avalie de onde vem. Ao fazer um diário mental desses sinais do corpo você acaba entendendo o que está alinhado ou desalinhado com a sua essência, como quem faz um diário alimentar para descobrir o que lhe causa alergias.

Se você conseguir detectar sintomas emocionais, maravilha. Eles também funcionam tanto para mostra o caminho que te faz bem, como o caminho que te faz mal. Sabe quando você faz algo que te deixa feliz, que recarrega sua energia, que te faz perder a noção de tempo? Provavelmente é uma atividade alinhada com você, sendo ela trabalho ou não, ela te reconecta com você mesmo.

Porém, quando algo que, aos olhos do mundo, parece muito certo e muito nobre, te causa um mal-estar, exaure sua energia, te cria resistência, pergunte-se se é realmente necessário levar isso adiante. O corpo e a mente avisam que não é por aí, mas se a sociedade pressiona estipulando aquilo como uma coisa boa, a gente tende a desligar os avisos e se forçar a fazer. Você sabe melhor do que a sociedade, que por sinal, anda doente demais para aconselhar alguém. “Tem que sair para se distrair”, “Tem que parar de chorar”, “Tem que fazer tal coisa”. Com o perdão da grosseria, tem porra nenhuma. Tem que ser fiel a você mesmo e fazer aquilo que sua sensação interna te indica como sendo algo bom.

Claro que existem coisas que são negociáveis: um trabalho que você não gosta, um relacionamento que te faz mal, um lugar onde você não quer morar… tudo pode ser mudado, com um pouco de tempo e de planejamento. Só o fato de você estar disposto a mudar e se mexendo para isso abre portas e melhora seu estado interno.

E minha sugestão é que você modifique tudo que for modificável, pois isso já vai tirar um peso enorme e reduzir drasticamente o estado ansioso. Deixe sua sensação interna te guiar que com o tempo essa voz fica cada vez mais forte e mais clara. Ouça e vá cortando ou mudando tudo aquilo que te gera uma sensação interna ruim. Isso vai te dar forças para carregar o peso daquilo que, por enquanto não pode ser mudado. Digo por enquanto, pois a pessoa ansiosa está fragilizada e tem que escolher suas batalhas. Num futuro, tudo pode ser modificado. Mas… um passinho de cada vez.

Para as coisas que não são negociáveis, também há solução. Se a pessoa é HIV positivo, por exemplo, até segunda ordem, ela tem que tomar uma série de remédios para o resto da vida, não importa o que sua sensação interna lhe diga. Resistir a isso só vai gerar mais sofrimento e ansiedade. Para estas, não tem outra opção do que ressignificar, tentar olhar para a situação com outros olhos.

Mas, só considero isso possível se antes você retirar todo o peso que puder fazendo o sugerido no parágrafo anterior, eliminando o fardo daquilo que é negociável. Caso contrário, me parece muito peso para carregar e corre-se o risco de ressignificar da boca pra fora e por dentro continuar sentindo essa sensação interna ruim. Então, antes de mais nada, livre-se do que pode ser negociado, e só depois tente ressignificar o que ainda não pode ser negociado.

Tem também o reforço positivo de desenvolver novos hábitos, hobbys e rotinas que te gerem uma sensação interna boa. Provavelmente serão coisas alinhadas com o que você é, que te farão bem e podem ajudar a diminuir a toxicidade do resto que te faz mal. Já viram o filme “Melhor Impossível”? Um simples cãozinho pode fazer toda a diferença para melhorar a vida de uma pessoa.

Mas, só se descobre isso tentando: pinte um quadro, cuide de um jardim, adote um pet, escreva um blog, tire fotos, experimente fazer coisas novas, sempre de olho na sua sensação interna. Ela vai te guiar para aquilo que te ajuda a se reconectar consigo mesmo. Invista em tudo que te trouxer uma sensação interna boa, pois está te levando a se reconectar com você mesmo.

Muito se fala de meditação. Não tiro o valor da meditação, mas eu sinceramente acredito que pessoas em estado de ansiedade extremo não conseguem entrar em estado meditativo, apenas um relaxamento profundo. Meditação requer silenciar a mente, o que é algo extremamente difícil para um ansioso. Então, o custo de ficar se forçando a isso me parece alto demais, bem como a sensação ruim de eventualmente não conseguir. Repito: meditação é um recurso muito bom, mas não é o único. É hipervalorizado, virou modismo. Nem todo mundo acalma a mente meditando, e tá tudo bem, existem outras formas. Não se obrigue a meditar se não for algo que flui com leveza e prazer.

Na real? Tente se obrigar ao mínimo de coisas possíveis. Quanto mais concessões você faz, mais se desconecta de si mesmo, tornando o mundo um lugar ruim, chato e assustador, levando a mente a ficar paranoica com um futuro assim, igualmente ruim, chato e assustador, focada nisso em looping para tentar resolver essa desgraça de realidade que você criou para você mesmo.

Quando se pensa o tempo todo no futuro, você transforma esse futuro no seu presente. Por mais que ele não esteja acontecendo, é isso que você está vivenciando no momento, no seu corpo, na sua mente, ocorrem danos como se aquilo estivesse de fato acontecendo. E quando se pensa o tempo todo em um futuro ruim, assustador, desagradável, você potencializa o que já tem de ruim no seu presente.

A solução não está no futuro, ela está no presente. Comece a corrigir seu presente, no sentido de permitir que sua sensação interna te guie sobre o que fazer, descartando aquilo que te faz mal, e isso vai transformar o seu futuro. Não vai resolver tudo, mas é um primeiro passo para, em um futuro, dar outros em direção a uma sanidade mental maior.

Espero que ajude, mas se não ajudar, não desanimem. Existem muitos caminhos e você vai encontrar o seu.

Para dizer que discorda mas vai tentar, para dizer que sua voz interna só pede comida ou ainda para dizer que não entendeu absolutamente nada: sally@desfavor.com

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Comentários (12)

    • Assuntos que a gente acredite que podem melhorar a qualidade de vida e a saúde mental de quem lê. Vamos ver se agrada.

  • É um tema bem pertinente (ainda mais pros dias de hoje). Infelizmente sofro deste mal. É bem difícil fingir calma e tranquilidade por fora quando por dentro você quer explodir (e o corpo paga por isso).

  • Gosto bastante da frase “Não tenhais medo” e penso nela em certos momentos de apuros. Apesar do contexto original ser um bocadinho diferente, e talvez religioso demais pro gosto do impopular médio, é simplesmente isso. Não tenhais medo.

    • Sim, é uma frase boa. Para não ter medo é necessário não ter expectativas, estar aberto a o que quer que aconteça, confiando que, o que quer que seja, será a melhor das possibilidades. Se a gente cria expectativas, se só serve se acontecer do nosso jeito, gera ansiedade, preocupação e medo (de não acontecer o que a gente pretende). É um grau de desapego alto, mas é possível de se conseguir se a mente for trabalhada.

  • Se o problema é geral, é hora realmente de averiguar o porquê. Será que é por causa das gerações ditas “x, y, z”, dos anos 90 pra cá, que cresceram todas mimadinhas e não sabem fazer nada direito sem os pais, nem sabem lidar com as frustrações da vida e querem tudo pra agora, pra ontem? Ou não tem nada a ver?

    Refletindo sobre mim mesmo, eu já reparei que tenho tendência a ficar ansioso sempre que o assunto é dinheiro, ou quando há qualquer assunto que não foi resolvido por completo no dia anterior. Chego a perder a noite de sono pensando naquele problema mal resolvido, e tentando achar alguma solução pra ele.

    Mais do que isso, eu tendo a perceber que me sinto bem e tal, em paz comigo mesmo, quando vejo que está tudo certo, tudo no seu devido lugar como deveria estar. Mas, se algo sai errado, ou há a mínima ameaça de que saia errado, saia do controle, daí já fico ansioso e começo a me sentir mal por dentro.

    Isso inclui, também, questões sobre dinheiro, e não falo de lucros e rendimentos extras não. Falo de ter que passar pela situação de ter que se virar com bicos e freelas do jeito que dá pra minimamente juntar dinheiro pra pagar o aluguel, e ficar naquela neura de pensar que talvez eu não consiga, talvez eu receba uma ordem de despejo, talvez eu vá para o meio da rua e nem tenha o que comer direito amanhã, enfim. Imagino que, talvez, essa seja a mesma situação de muita gente por aí.

    • Mas eu acho que o porquê é a desconexão da pessoa com ela mesma. Todo o resto (falta de dinheiro e cia) são apenas um estopim.

    • Acho bastante razoável se preocupar muito com dinheiro, considerando que você é classe média (uma classe muito frágil) e vive num país subdesenvolvido que abandona gente pobre. Talvez num país que tem um sistema de bem-estar social decente como suporte pra quem precisa, não deva haver essa ansiedade. As chances de você ir parar na rua com fome são mínimas.

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