JigCU – Junho – Parte 1

Junho é mês de festa junina, o Brasil vira caipira. Para celebrar este período, nada melhor do que fazer Sally e Somir submergirem no mundo sertanejo que, sabemos ser algo que ambos odeiam.

Reparei que já faz algum tempo que eles não analisam clipes de músicas, o que me levou a crer que de alguma forma estão sem vontade de fazê-lo. Então, unindo o útil ao agradável, a punição deste mês será a imersão em uma dupla sertaneja, analisando um clipe do começo da carreira da dupla e um clipe recente da mesma dupla, ao final, fazendo uma comparação de sua evolução com o passar dos anos.

É aquele tipo de punição que fica melhor se a escolha for deles, assim terão que pesquisar muitos vídeos, conhecendo melhor o mundo da música sertaneja até encontrar um material que renda texto. Por isso, deixo as duplas sertanejas a critério dos dois.

Cada um deles deverá falar sobre uma dupla diferente, criticando e comparando os clipes no final. Quando mais detalhes sobre, mais feliz eu ficarei, o que, quem sabe, pode influenciar na escolha da punição de Julho.

Concordei que eles separassem o material em dois dias, Sally na quinta-feira e Somir na sexta-feira. Se um deles deixar de postar ou desobedecer as regras, ambos serão punidos.

JigCu


SALLY

Antes de mais nada quero dizer que se esta punição parece fraca para você, é porque você não entendeu o que tivemos que fazer nos bastidores: ver dezenas de clipes sertanejos até achar uma dupla que tenha clipes antigos e novos que rendam uma postagem. Foram horas assistindo todo tipo de tosqueira até chega a um material utilizável. Saudades de quando tudo que eu tinha para fazer era comentar fotos prontas, o trabalho de pesquisa é especialmente doloroso.

Bom, vamos lá: conforme exigido, escolhi uma dupla sertaneja e comentei um clipe antigo e um clipe novo, fazendo ao final uma comparação da evolução da dupla com o passar dos anos. Meus pêsames para quem vai se violentar assistindo.

É O AMOR – ZEZÉ DI CAMARGO E LUCIANO


Confesso que estou chocada, é o maior sucesso do Zezé Di Camargo e Luciano e talvez do mundo sertanejo e o clipe é uma várzea. Sei que o clipe é antigo (1991), mas isso não é justificativa para esse layout bizarro.

Se você pegar um clipe do Pilha, que provavelmente é anterior a essa data, verá que ele está bonito e atraente, apesar dos cabelos e roupas. Quando a pessoa está horrível no auge do seu potencial físico, na flor da idade, é sinal de uma feiura nata, genética e irreparável. Os Zezé Di Camargo e Luciano (dupla sertaneja, para mim, é uma pessoa só) são horríveis mesmo jovens, não é todo dia que se vê uma coisa dessas.

O cabelo mullet é algo digno de nota: parece um algodão doce ensebado. As roupas também merecem ressalvas: calça com a cintura na altura do peito, camisa com mangas do tamanho de um lençol. Vamos lá, não eram mais os anos 80, era perfeitamente possível não se vestir como um palhaço de circo. Não foi imposição da época, foi péssimo gosto mesmo.

O clipe começa com um córrego marrom muito xexelento que pode tranquilamente ser um escoamento de esgoto. Os Zezé Di Camargo e Lucianos estão andando na beira do córrego escuro, um deles vestido de garçom.

A dinâmica continua a mesma dos dias de hoje: o Zezé Di Camargo e Luciano com mullet “canta”, na verdade, grasnando e soltando falsetes que provocam enxaqueca, enquanto seu irmão apenas mexe a boca, pois canta tão mal que nem para segunda voz serve.

Depois segue uma sequência brega-country deles rolando na grama com umas mulheres e cavalgando. Uma constante durante todo o clipe é que o Zezé Di Camargo e Luciano mulherengo, o do mullet, está constantemente tirando uma casquinha da caipira que faz par com ele, enquanto o outro Zezé Di Camargo e Luciano, o gay, está sempre com um pouco de nojinho da mulher ou até destratando-a.

Na cena deles rolando no pasto com as moças podemos ver, aos 26 segundos de clipe, a forma como o Zezé Di Camargo e Luciano gay leva a mulher ao chão: com um golpe de MMA. Enquanto o Zezé Di Camargo e Luciano hetero dá uma passadinha de mão discreta no peito e depois na cintura da moça, o outro, todo trabalhado no ódio, derruba a mina no chão com uma violência digna de Lei Maria da Penha. Provavelmente ele deu um soco na boca da mulher depois que ela caiu no chão e cortaram na edição.

Aos 1 minuto e oito segundos de clipe, o Zezé Di Camargo e Luciano de mullet aparece brincando de sacudir um pedaço de pau, enquanto o outro Zezé Di Camargo e Luciano olha para o pedaço de pau com cara de desejo. Talvez eu seja preconceituosa? Talvez. Mas quando sua ex-mulher vai para as redes sociais te chamar de “Lucigay”, não há muita reputação hetero a zelar, não é mesmo?

Reparem que a mocinha que faz par com o Zezé Di Camargo e Luciano pegador está no topo de um galho, tentando se manter afastada da mão boba e das encoxadas do anão sertanejo, enquanto que a que faz par com o outro tá de boas, relaxadona, tipo amiga que lancha com outra amiga no shopping. Ela sabe que não há nada a temer.

No refrão da música, eles aparecem sentados em uma carroça, batendo palmas feito uns retardados. A mocinha novamente se mantém distante do Mr. Mullet, e preferiu sentar-se ao lado do outro irmão. Em determinado momento (1 minuto e 28 segundos de vídeo), um Zezé Di Camargo e Luciano pula e vai para a frente da carroça, passando a nítida impressão de que ele seria o animal de tração que iria puxá-la.

Não adiantou muito. 1 minuto e 36 segundos de vídeo: o Zezé Di Camargo e Luciano tira a moça da carroça pela cintura e coloca ela no chão depois de esfregar a moça pelo seu corpo. Enquanto isso, seu irmão rapidamente se afasta com muita ênfase da outra moça que ficou na carroça com ele. Aos 1 minuto e 45 segundos os dois casais caminham lado a lado, o irmão hetero cheirando o pescoço da mina, o outro fazendo um cafuné na cabeça da sua parceira semelhante ao que eu faço no meu cachorro.

O clipe segue na mesma vibe “gravado no quintal do meu avô” e, aos 2 minutos e 06 segundo, vemos os rapazes e as moças passeando e cavalgando. O Zezé Di Camargo e Luciano de azul até que cavalgam bem (deixo a critério da imaginação de vocês o motivo), mas tem uma moça ali que parece ter sentado em uma britadeira.

A mulher está sentada na posição da rã, com as pernas abertas sem qualquer firmeza na sela. Não sei quantas hérnias de disco a coitada deve ter adquirido depois de cavalgar na base desses solavancos. Podiam ao menos ter treinando a mocinha por meia hora, para não ficar tão feio.

Aos 2 minutos e 35 segundos voltamos para a carroça. O Zezé Di Camargo e Luciano primeira voz canta de pé enquanto seu irmão e as duas moças se balançam na parte traseira da carroça, que parece prestes a desabar. Será que o sobrepeso dele começou desde aquela época?

Muita atenção agora. Está se sentindo feia? Está com a autoestima baixa? Pause este vídeo aos 2 minutos e 39 segundos e veja que você é mais bonita do que a mocinha escolhida para estrelar o clipe de uma das músicas mais famosas do mundo sertanejo. A moça parece um boneco de ventríloquo e tem a sensualidade de um pão mofado.

Aos 2 minutos e 53 segundos vemos o que parece ser uma fuga de um cativeiro, mas, em um olhar mais atento, percebemos que são apenas eles cruzando uma ponte. O Zezé Di Camargo e Luciano Mullet trata logo de pegar a mocinha no colo com uma mão boba na bunda (a mão esquerda). Mão na bunda é pouco, isso tá mais para dedada Spider-Man! O outro corre feito uma gazela, ignorando completamente sua parceira de clipe.

Obviamente esse inferno desse refrão colou na minha mente e vou passar uma semana cantando isso. A conclusão é simples: era muito fácil ser bem-sucedido nos anos 90, qualquer merda emplacava.

ZEZÉ DI CAMARGO E LUCIANO – REGGAE IN ROÇA


Quase 30 anos depois, vamos analisar de forma comparativa a “evolução” da dupla.

Antes de mais nada, parabéns por terem saído do sertanejo puro, mas meus pêsames por terem caído pro lado do reggae, um dos ritmos mais chatos que existe. Dá pra ver que a produção melhorou bastante, mas o Toque de Merdas, esse continua. É um clipe merda, porém bem mais caro.

A primeira coisa que chama a atenção na dupla é a quantidade de procedimentos estéticos realizados. O Mullet não existe mais, em seu lugar, um rosto mais preenchido do que a fatura do meu cartão. O outro arriscou um moicano crespo que, não fosse seu sobrepeso, o deixaria com aparência de cracudo.

Para minha surpresa, uma das mocinhas do clipe é uma ex-dançarina de axé com a qual já dancei. Como o mundo dá voltas… Ela e uma menina vesga ídolo de adolescentes compõe a dupla que vai protagonizar o clipe. Se eu surtei ao ver as roupas do primeiro clipe, neste a coisa piorou: casaco de plumas no meio do mato, roupa cor mostarda e outras hediondezas povoam o cenário.

O clipe parece ter sido gravado em momentos separados: cenas dos cantores x cenas das mulheres. Talvez o tratamento dado pelo Zezé Di Camargo e Luciano pegador às outras mulheres nos clipes tenha desencorajado as moças a atuar diretamente com eles. Agora os Zezé Di Camargo e Lucianos não são mais protagonistas, são pano de fundo de seu próprio clipe.

Aos 1 minuto e 20 segundos nos deparamos com o que parece ser uma festa, mas que, no meu conceito, é um acampamento tosco. Antes de mais nada, meus parabéns ao figurinista, que conseguiu a proeza de fazer a ex-dançarina de axé parecer gorda com esse vestido e essa jaqueta, mesmo ela tendo um dos corpos mais bonitos que eu já vi na vida.

O clipe continua, muito mais inocente do que eu esperava. Quando vi o título “Reagge in Roça” achei que fosse um trocadilho e que ia ver o Zezé Di Camargo e Luciano hetero roçando em um bando de mulheres. Mas não… tem mocinha comendo pipoca, pessoas dançando afastadas umas das outras e um clima muito família.

Aos dois minutos de clipe vemos um momento vergonhoso: um merchan descarado das rosquinhas Mabel. Sério Zezé Di Camargo e Luciano? Estão precisando disso? O um zilhão de reais que vocês têm não deu para alugar um terreno e duas subcelebridades? Obviamente, o Zezé Di Camargo e Luciano gay mete logo a mão e pega as rosquinhas para ele.

ANÁLISE COMPARATIVA

Os Zezé Di Camargo e Lucianos raíz eram mais autênticos: era mão na bunda, rosto natural, gritos estridentes sem Auto-Tune… Porém não seriam bem aceitos nos dias de hoje. Consigo entender que tenham mudado. Melhor essa versão assexuada de pano de fundo de clipe do que ser um tiozão que ainda quer posar de galã, mas, teria sido mais honesto mudar sem perder sua essência.

Musicalmente a evolução foi zero, o que evoluiu foi a tecnologia, para tentar melhorar a voz dessa gralha maldita. Se é possível fazer algum elogio, é que ao menos ele parou de berrar durante as canções. O outro eu nem comento, pois só mexia a boca na década de 90 e só mexe a boca agora.

A aparência evoluiu por um lado (o cabelo de um deles melhorou) mas por outro piorou: o sobrepeso, a cara toda desfigurada de procedimentos estéticos e os dentes artificiais, as sobrancelhas depiladas… sei lá, acho que não combina muito com o visual rústico sertanejo que sempre foi a marca registrada da dupla.

Obviamente o clipe é mais bem feito, porém ficou muito gourmet. Prefiro o primeiro, é mais sincero. Se você colocar uma música sertanejo universitário, um forró ou um pop nesse clipe, também se encaixa, ou seja, é um enlatado sem qualquer personalidade.

A conclusão é que, assim como todo o resto, o sertanejo também se rendeu ao politicamente correto, ao padrão de estética, a aquilo que é seguro e rentável. Logo a dupla Zezé Di Camargo e Luciano, atolados em escândalos (ambos) e baixarias em redes sociais fazem um clipe desses?

Ah, me poupem! Quando sua filha dá uma surra na madrasta em um evento público, quando você quebra o pênis com sua amante e a imprensa descobre, quando você briga em redes sociais no nível “Sou rico, famoso e tenho um pau que não cabe na sua boca” não me parece compatível fazer um clipe bobo alegre sorridente segurando rosquinhas Mabel.

Se estavam tentando se limpar, não deu. Ficou feio, artificial e sem graça. Se você não tem competência para esconder os seus barracos do grande público, fica na moral e não tenta posar de tiozão bacaninha alto astral.

Para dizer que quer uma postagem só sobre os escândalos da família Camargo, para dizer que agora entende a baixa autoestima de WC, ou ainda para dizer que os anos 80/90 foram imperdoáveis: sally@desfavor.com

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Comentários (14)

  • Só a título de curiosidade: “É o Amor” (É o amoooooooorrrrrrrrrrrr!!!!) pode ter sido o primeiro e maior sucesso de Zezé Di Camargo & Luciano, mas talvez não seja o maior hit do sertanejo. Pelo menos não o dessa versão pós-moderna surgida do fim dos anos 80 pra cá. Acho que esse “título” pertence a “Pense em Mim”, de Leandro & Leonardo, cujo sucesso sem precedentes dentro da “música caipira” tomou de assalto as FMs e TVs há quase três décadas. De repente, o sertanejo ficou “cool” e, claro, passou a faturar muito dinheiro. Eu era criança na época, mas me recordo de ter visto muita matéria em jornais e revistas tentando entender esse “fenômeno”. Segundo minha rápida busca no Google, “Pense em Mim” foi lançada em janeiro de 1990 e “É o Amor” em abril do ano seguinte.

    Como “nada se cria e tudo se copia”, foi depois da febre iniciada com “Pense em Mim” que surgiu um monte de outras duplas tentando surfar nessa onda, incluindo os próprios Zezé & Luciano. Os “filhos de Francisco” depois ficariam até mais populares e vendendo mais discos que seus antecessores. Lembrando também, que, apesar de muitos puristas torcerem o nariz, uma outra dupla, Chitãozinho & Xororó, já vinha tentando “modernizar” o sertanejo desde os anos 70, mas ainda sem o mesmo alcance que “Pense em Mim” teria posteriormente. Por fim, antes de estourar como cantor, o Zezé até que fazia algum sucesso como compositor, tendo emplacado uma meia-dúzia de músicas nas vozes de outros artistas do dito “meio sertanejo”.

  • Sinto muito , mas vou compartilhar do sofrimento de vcs. Nada de assistir esses clipes toscos. Boa sorte Sally com a próxima punição.

  • Queria saber por que cantores sertanejos tem voz de galinha cacarejando, parece que tão apertando os testículos.
    Aposto que vcs entravam nas comunidades do Orkut Odeio serta_nojo hahaha

  • o Reggae in Roça eu comecei assistindo naquele misto de consternação e meio riso de quando a gente vê um vídeo de um homem tomando uma porrada no saco. Mas quando apareceram as rosquinhas Mabel eu perdi tudo.

    • A atual mulher do Zezé, Graciele Lacerda. Levou uma sova, salvo engano, em uma festa, pois era amante do cantor enquanto ele ainda era casado com a mãe de WC, então, ninguém da família gosta muito dela.

  • hahaha! É isso aí, CU! Variando os gêneros musicais.
    Mas Sally, esse não foi o primeiro sucesso deles? A gravadora não deveria estar a fim de gastar.
    Achei que você ia comentar sobre as botas brancas de uma das mulheres. Aquela lavagem na calça jeans, muito feia. E de Zezé se achando o maestro na carroça. Tá bom até demais. Teve até troca de figurino!

    Segundo clipe já começa mal: participação de Larissa Manoela. Reggae in roça nada, isso aí tá mais pra forró mesmo. Bob Marley e Peter Tosh se reviram na tumba. Que bosta, propaganda de biscoito no meio do clipe. Não compro mais! Assando marshmallows, desde quando isso é comum por aqui? Quase vomitei nesse.

    Não adianta, o sucesso não retorna. Preferi o primeiro também.

    CU, depois manda eles analisarem o filme deles (2 filhos de Francisco), igual aquele que eles fizeram da Carla Perez?

    • Eu suponho que o clipe só foi feito depois que a música estava estourada, não creio que alguém fosse filmar o um clipe de dois desconhecidos, então, a tosqueira do primeiro clipe eu credito ao péssimo gosto deles mesmo…

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