Inversão de Valores.

O anúncio de que a artista americana Halle Bailey , de 19 anos, será a Ariel no live action de “A Pequena Sereia”, da Disney , vem movimentando as redes sociais nesta semana. Afinal, a escalação de uma atriz negra para viver uma personagem originalmente branca é uma atitude pouco comum em refilmagens de Hollywood e foi comemorada por grande parte dos fãs nas redes sociais. LINK


E como sempre, as reações malucas nas redes sociais garantem o complemento do desfavor da semana.

SALLY

Para quem não sabe, “Live-Action”, resumindo apenas para contextualizar este texto, é a versão “real” de uma animação. Pega-se um desenho como “A Bela e Fera” e colocam-se atores de carne e osso para encenar a história. Graças à crise criativa que estamos vivendo, os Live-Action viraram uma febre: refilmar o que já foi contado parece ser a única forma do cinema lucrar ultimamente.

Pois bem, o Desfavor da Semana está relacionado às filmagens de um Live-Action do desenho “A Pequena Sereia”, protagonizado pela personagem Ariel, uma menina branca e ruiva. Ocorre que escolheram uma atriz negra para interpretar a pequena sereia, e daí uma sucessão de desfavores aconteceram.

Se colocar brancos para interpretar negros é tão abominável que gera acusações de racismo e boicote, não compreendo por qual motivo é aceitável fazer o inverso. Parece que a regra não é ser fiel à história ou à personagem e sim sempre favorecer ou enaltecer negros sem qualquer compromisso com lógica ou coerência. É como se colocassem uma loira de olhos azuis para interpretar a Mulan, uma obesa para interpretar a Cinderela ou uma idosa para interpretar a Lilo (criança do desenho Lilo e Stitch): simplesmente não encaixa com a personagem.

Não há racismo em ser fiel às características da personagem. Por sinal, é isso que se espera de um Live-Action: ver recontada uma história já conhecida, com personagens conhecidos. E, francamente, se pegassem qualquer personagem negro e transformassem em branco, o escândalo seria enorme. Mas, estamos diante de um caso de dois pesos e duas medidas, e essa nem é a pior parte da história.

Vi um pessoal de movimento negro fazendo aquele deboche típico de quem tem autoestima baixa: “Nossa, os brancos fazendo essa gritaria por causa de uma sereia negra kkkkkkkkk”. Não, meu anjo. Ninguém está gritando. Eu sei que décadas em senzalas fizeram a autoestima de vocês ficar no pé e que vocês se sentem importantes quando conseguem despertar alguma reação dos brancos, que tanto os ignoraram historicamente, mas gostaria de dizer que vocês não precisam disso.

Vocês têm tanto mérito como qualquer outro ser humano e podem ser pauta de atenção, discussão e admiração de brancos ou de seres humanos de qualquer cor sem precisar desse tipo de recurso, muito menos desse tipo de postura. Por exemplo, ganhando um Nobel, mostrando trabalhos intelectuais de mérito, etc. Não seria mais legal? Eu acho muito mais digno ter o nome ou a cor lembrados por mérito do que por um diretor que decidiu mudar a cor de uma sereia. Na verdade, acho até meio vergonhoso se vangloriar de uma Ariel negra.

Acreditem, por mais difícil de engolir que este texto seja, ele defende muito melhor o movimento negro do que esse circo agressivo e polarizado que estão fazendo. Quem está fora da bolha lacradora sabe, percebe e vê que colocar uma negra no papel de uma personagem branca feito um giz e ruiva não é nada além de pena, de uma compensação, de migalhas para que, com tão pouco, se sintam empoderados. Acho ofensivo. Mas, infelizmente, as pessoas ficam de quatro e lambem migalhas do chão, o que faz com que migalhas continuem a ser jogadas. Em minha opinião, é uma nova forma de racismo: essa pena-compensatória humilha mais do que acorrentar pessoas em navios.

O pior é que aqueles que criticaram a situação também pisaram na bola vergonhosamente, logo, podemos dizer adeus a qualquer tentativa saudável de debate. Vi muita gente dizendo “Não existe sereia negra”. Meu anjo, não existem sereias, ponto final. Vi muita gente fazendo piada sobre como seria a clássica cena da Ariel penteando os cabelos com um garfo, debochando do cabelo da atriz. São pessoas atirando de volta, e nessa, a polarização não tem a menor perspectiva para acabar. Alguém tem que baixar as armas e deixar o outro lado gritando sozinho, feito um palhaço. Bem, parece que nem tão cedo isso vai acontecer.

E, se é para aconselhar a baixar as armas, eu aconselho que parta dos movimentos negros, pois não se consegue inclusão na base da porrada, hostilizando quem é diferente ou pregando a superioridade negra como ando vendo fazer. Ninguém é superior ou inferior a ninguém, todos devem se tratar bem e com respeito, a cor da pele não tem que ser sequer uma questão. Nem cor da pele, nem orientação sexual nem nada, somos todos seres humanos.

Quem pleiteia igualdade tem que se portar conforme o que prega. Seja a mudança que você quer ver no mundo, ou assuma que não quer igualdade, quer vingança. Mas, ao que tudo indica, a escolha das pessoas é por buscar cada vez mais coisas que nos separem em vez de nos unir. O desfecho disso não será bom. E, se é para apostar em alguém nessa batalha totalmente ridícula e despropositada que eu não gostaria de ver acontecendo, eu aposto em quem teve mais tempo de poder na mão.

Querendo ou não, sendo justo ou não, concordando eu com isso ou não, o homem branco tem um histórico de poder muito complicado e nunca hesitou em passar por cima de quem o ameaçava. Não acho inteligente comprar briga, mas, enfim, façam o que acharem melhor, só não venham cobrar dívida histórica se forem escrotizado em algum momento, pois desta vez escrotizaram antes. Neste mundo polarizado, a resposta (infelizmente) vem.

O assunto já é piada na internet. Infinitos Memes desrespeitosos nos mais diversos níveis expõem como esse tipo de coisa não é uma conquista e sim um prêmio de consolação. Mudaram a sereia de ruiva para negra? Pra que essa festa se no final do mês negros recebem salários menores, são maioria na cadeia, estão em maior número desempregados? Se você acha que vai mudar o mundo mudando a cor de personagem de desenho, procure um psicólogo, para parar de perder energia com causas que não te acrescentam absolutamente nada, muito pelo contrário, te humilham.

Tem uma frase que eu gosto muito: “Para que as coisas continuem como estão, é preciso que mudemos”. É isso que está acontecendo. Um movimento negro extremamente carente e com baixíssima autoestima começou a reclamar, era preciso um “cala a boca” pirotécnico, que não muda em nada sua realidade, apenas sua vaidade, e isso está sendo distribuído.

“Empoderamento”, eles convencionaram chamar. Eu chamo de pirotecnia. Um afaguinho no ego para que, no final do mês, negros continuem ganhando menos do que brancos, porém com o maior orgulho do empoderamento negro, “esfregando na cara do branco” que a sereia é negra. Acorda, minha gente, pois vocês já estão ficando com fama de burros por de gabar tanto de pequenas migalhas. Merecem mais, muito mais. Queiram mais.

Na minha vida indefere se Ariel é branca, preta, azul ou cinza. Na vida de qualquer adultinho deveria ser indiferente. Tirar onde com isso é medíocre, por favor, mostrem resultados reais, que dependam do mérito de vocês. Vamos lá, vocês conseguem: um Nobel, uma descoberta científica significativa, qualquer coisa que seja mérito e não presente pirotécnico. Acredito em vocês.

Para fazer piada com “Ariel lava mais branco”, para fazer qualquer outra piada que fora daqui daria cadeia ou ainda para dizer que adorou as entrelinhas deste texto: sally@desfavor.com

SOMIR

Já começo dizendo que acredito no valor da representatividade e não discuto que havia sim racismo envolvido no fato de até poucas décadas atrás, a imensa maioria da indústria cultural ser dominada por atores e atrizes brancos. Ainda mais considerando que tanto desse ambiente cultural tenha sido exportado para o mundo pelos EUA, onde a segregação racial era institucionalizada até boa parte dos anos 60 do século XX.

Pelas cabeças daqueles que dirigiam a indústria de filme e televisão naqueles tempos, pessoas de outras cores que não as suas eram um detrimento para o produto: consideravam que as pessoas que consumiam seus produtos não queriam ver protagonistas diferentes de si. Tratavam negros e outras raças em geral como personagens secundários, isso quando saíam do seu caminho para colocar alguém assim. O mercado funcionava bem só com brancos, então não havia motivos para se mexer.

E por mais que seja inegável que até pouco tempo atrás éramos muito mais racistas como espécie, e que só recentemente as pessoas foram incentivadas a rever esses conceitos (a maioria aqui deve ter pelo menos um avô ou avó que fala ou falava coisas impensáveis atualmente sobre outras raças), existia um motivo prático também, triste, mas prático: o dinheiro e o poder estavam quase que exclusivamente com os brancos. Não era rentável focar em outros públicos, porque eles raramente tinham a renda extra necessária para gastar com entretenimento desse tipo. E talvez até mais importante: não tinham dinheiro para consumir o que a publicidade envolvida estava vendendo.

Ainda há uma desproporcionalidade considerável no fator financeiro, mas ela já está num ponto minimamente aceitável para as indústrias do entretenimento – e por tabela a publicidade – começarem a buscar essa renda disponível. Excelente! Então está na hora de começar a produzir conteúdo novo que já reflita essa nova mudança social, não? Não. Pelo visto, não era sobre representatividade, era sobre bater de volta naqueles racistas de várias décadas atrás. Ninguém quer criar um novo cenário cultural, parecem querer apenas colocar pessoas negras nas histórias do passado como autoafirmação.

E isso acontece por dois elementos trabalhando juntos: um movimento pelos direitos dos negros cooptado por lacradores, que não querem evolução dos paradigmas sociais e sim fazer barulho em redes sociais; e do outro lado uma indústria do entretenimento que notou que poderia pagar de progressista dando esmolas para esse grupo. Já que tudo isso ocorre na superficialidade de uma protagonista de filme ficcional, ficou fácil para empresas como a Disney. “Ah, era SÓ isso que vocês queriam para continuar me dar dinheiro?”.

Eu nunca vi A Pequena Sereia nem nunca vou ver, deve ser lindo para quem gosta, mas eu nunca fui o público alvo. Ariel poderia ser de qualquer cor que não mudaria minha vida. Mas é um mero exemplo do processo e sua insanidade inerente: a personagem já existe e já tem um visual. A Disney já gastou milhões e milhões para colocá-la na mente de crianças e adultos do mundo todo, não faz sentido nem econômico mudar isso, faz? Bom, faz se você não estiver pensando em representatividade. A marca provavelmente estava enfraquecida, dando pouco dinheiro. Então, é quase como se depois que os brancos não queriam mais Ariel, eles pegaram a personagem e deram para os negros para ver se dava dinheiro.

Quem controla os estúdios, quem escreve as histórias e quem produz a coisa toda não são negros. Não existe representatividade onde realmente conta. Essa história toda só demonstra como nada realmente mudou, ninguém se importa igualmente com negros na indústria cultural, mas com esse ambiente de lacração nas redes sociais, dá para arrancar um dinheiro extra entregando produto requentado para negros. Isso é papo furado, eu não compro a ideia de representatividade aqui. A Disney achou uma forma de explorar o ambiente cultural sem realmente entregar nada em troca.

E eles contam com o fato de que lacradores de todas as cores vão rosnar na internet e empurrar a narrativa de que toda crítica a quem não é branco é literalmente nazismo. É assim que dá para continuar ignorando negros nas posições que realmente fazem a diferença e fazer esse showzinho de marionetes para o resto do mundo. Representatividade em protagonistas de histórias criadas e mantidas por brancos é uma furada. Ou contratam roteiristas, diretores e produtores negros, ou isso é golpe.

E como a Sally bem disse, contam muito com a terrível autoestima desse público para vender essa palhaçada como alguma forma de evolução. Esses imbecis no Twitter batendo palmas e chamando de racistas todo mundo que enxerga por trás do golpe são mais danosos para a causa da igualdade do que qualquer nazista de verdade. Estão normalizando essa preguiça da indústria do entretenimento e se contentando, novamente, com muito pouco. Isso é migalha, eu teria vergonha de comemorar isso.

Especialmente porque não estão criando novas histórias focadas em personagens negras. Não se esqueçam que Pantera Negra é uma personagem dos anos 70, criada por brancos para explorar um movimento para vender mais histórias em quadrinhos (e não vendeu bem… surpresa, surpresa…). É bizarro mudar personagens que deveriam ser brancas para colocar atores negros assim como eu achei um horror colocarem a Scarlett Johansson para fazer o papel de uma oriental em Ghost in the Shell (eu acho ela muito bonita e sou fã do desenho original, mas não fui ver pela palhaçada que foi essa escolha). É sobre a história, e se a história pede um visual da personagem, o mínimo que se faz é ser fiel a isso.

Mas nesse mundo de lacração, é tudo sobre a superficialidade, a única coisa que esses chatos conseguem entender. Enquanto for só a cor da protagonista, não avançamos em nada e só dividimos mais as pessoas…

Para dizer que eu sou nazista, para dizer que não entendeu e por isso eu sou nazista, ou mesmo para dizer que defender representatividade de verdade para negros é algo que um nazista faria: somir@desfavor.com

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Comentários (20)

  • Oi Sally! Eu sou mestiça até a medula, como quase toda brasileira, e não acho que quem reprova a escolha da atriz negra é necessariamente racista. Concordo que a Disney não poderia se importar menos com a causa negra e que seria melhor ter representatividade onde realmente importa. Enfim, foi muito interessante ler duas opiniões tão diferentes do mainstream, e entendo o que quiseram dizer, mas discordo dessa teoria de que deram esse papel a uma atriz negra por pena. No cinema, é muito comum os grandes estúdios mudarem a etnia, o nome e até partes da história, pensando no que pode ser mais rentável em determinada época e para um determinado público. Eles fazem isso até com filmes baseados em fatos reais, como é o caso de A mighty heart, em que a Angelina Jolie interpretou a Marianne Pearl, uma mulher bem mestiça, com cara de brasileira típica, sendo que a Jolie não tem nenhuma característica negra ou ameríndia. Também foi assim com The social network (O brasileiro Eduardo Saverin foi interpretado pelo britânico Andrew Garfield; um dos personagens era italiano e foi interpretado por um indiano). No filme 21, Jim Sturgess, Kate Bosworth e Kevin Spacey interpretaram pessoas que eram asiáticas na vida real. Os estúdios gastam uma fortuna pra produzir um filme e preferem trabalhar com atores mais famosos, que sabem que vão vender bem, do que arriscar contratar alguém que pode não ser tão popular assim, só para se manterem fieis à narrativa original.

    Dito isso, a Halle Bailey tem uma voz linda e já atuou em A wrinkle in time e Grown-ish, então ela já tem um histórico com a Disney, já é popular com o público-alvo do filme, tem um canal bem-sucedido no youtube e possui uma beleza inocente, que se aproxima bastante do padrão das princesas em geral. Pra mim, ela foi escolhida por esses motivos e também porque a polêmica em torno do casting funciona como uma publicidade gratuita pro filme. É uma maneira de fazer pessoas mais velhas assistirem o live action da Pequena sereia, o que é ótimo pra saúde financeira da Disney. Não tem nada a ver com a causa negra, nem com migalhas para minorias. É só sobre dinheiro mesmo.

    Enfim, espero que vocês continuem postando textos tão mentalmente estimulantes. Eu nem sempre concordo com vocês, mas sempre aprendo algo novo com a leitura.

  • O que eles chamam de “Representatividade” ou chamo de “favor”. Unhéé…Unhéé… Tem que botar negro senão é racismo… unhééé… tem que ter mulher… mimimi… tem que ter gay… buah buah… tem que ter qualquer minoria senão eu vô ficá tristinho e cholá na internet… huuuurrrrr…

    Quão deprimente e patético deve ser alguém que só consegue ser admirado e gostado por “pena” ou “pra não magoar/ofender”. É isso que eu percebo toda vez que fazem qualquer coisa pra beneficiar alguma “minoria” hoje. Forçam demais.

    • Quem quer se dar bem via paternalismo e vitimismo perde a dignidade e fica mendigando essas migalhas, pois se convence de que é um direito e não uma esmola.

  • Minha primeira impressão no começo do post foi “lá vem eles reclamar de lacradores de novo” e rolar os olhos, mas mais uma vez o Desfavor surpreende com novos inputs. Excelentes textos, mas infelizmente tem gente que prefere continuar cega e surda do que admitir que pode estar errado sobre alguma coisa.

  • “Graças à crise criativa que estamos vivendo, os Live-Action viraram uma febre: refilmar o que já foi contado parece ser a única forma do cinema lucrar ultimamente”

    Não acho que seja crise de criatividade, li em algum lugar (juro que vou procurar a fonte) que em Hollywood são lidos 4000 roteiros por ano, não é possível que não se consiga tirar pelo menos 120 ( 10 filmes/mês) boas ideias. Mas acredito que seja pela aposta no sucesso imediato devido essa onda toda de nostalgia que se vive nos últimos 10 anos.

    Eu sou negro e cada vez que vejo uma notícia dessa fico puto. Explico. Não suporto cota, assistencialismo e muleta. Querem colocar mais negros, azuis, amarelos no cinema? CRIEM novos personagens, deem a eles histórias e aprofundamento.

    Um dos meus personagens favoritos no cinema é James Bond, nos quadrinhos o Batman e se um desses aparecer no cinema como dois negões, abandono os personagens na hora.

    Quanto a dona Disney, abandonei com alegria depois de Toy Story 3 por causa do final ridículo e não me arrependo.

    Por este e outros motivos eu abandonei o cinema. Os filmes atuais – salvo raríssimas exceções não são mais para mim – Prefiro ficar em um loop eterno assistindo à produções feitas até 2010, a toda vez que for ver um filme ficar esperando o momento lacração.

    Beijos no coração de todos

  • Sinceramente, eu acho que essa escolha tem mais a ver com outra coisa.

    A mocinha aí que será a Ariel é produzida pela Beyoncé. Não duvido nada que, pra aceitar o papel de dubladora da Nala (esse sim o filme que vai arrasar nas bilheterias, com vozes negras nos papéis principais), ela tenha colocado no contrato colocar a pupila dela no papel da Ariel ou qualquer outra princesa originalmente branca.

    A cara da Queen B fazer isso!

      • Ou porque este é o país do jeitinho e do tirar vantagem, logo a cota é uma forma de obter vantagem de forma “esmolástica” mas ainda sim uma esmola conveniente pois confere vantagem…

  • Podem me chamar de lacradora, mas sendo uma história que se passa no litoral, até que faz sentido um elenco mais bronzeado. Um remake não precisa ser 100% fiel porque é a interpretação da pessoa que está fazendo a releitura (no caso o diretor ou sei lá). O original sempre estará lá pra quem se interessar.

    De qualquer forma, não tenho interesse nesse filme, Ariel nem era minha princesa favorita na infância :P

  • O pouco dessa polêmica que chegou até a mim envolvia o fato de que muitos personagens que eram originalmente ruivos estão sendo interpretados por atores negros em live actions. “Hollywood erasing redheads”, ou algo assim, Google é seu amigo. Pra mim se deve pelo fato de que já é raro encontrar ruivos, ainda mais ruivos com interesse/habilidade em atuação, mas talvez seja uma discussão válida. Afinal, como bom leitor do Desfavor estou ciente da história de perseguição dos ruivos na humanidade.

  • Contanto que essas pessoas fiquem reclusas à sua bolha da lacranet sem atingir o mundo real, por mim podem brincar de “sambar nos brancos” à vontade. Eles continuam sendo negros.

  • Triste é ver brasileiro copiando essas pautas americanas de segregação racial que nunca existiu no Brasil no mesmo grau que nos Estados Unidos. O povinho café com leite se achando africanos puros por causa do cabelo crespo é que nem os sulistas de pele clara: um bando de mestiços que, se forem pro continente que dizem ser seu pedigree, seriam esculachados pelos locais. Você é brasileiro, aceite sua realidade.

    Por fim, foda-se a Ariel, a Disney e esses millennials de rede social que acham que representam alguém além deles mesmos. Vou só deixar isto aqui: https://ceticismo.net/ceticismo/o-teste-do-busao/ Vale a leitura, nestes tempos insanos que vivemos.

    • Real! Eu tenho dupla cidadania, fui tratada que nem cachorro na terrinha do meu pai, só não foi pior porque estava amparada pela família, se não fosse isso, acho que teria apanhado na rua. E outra coisa, parem de pagar pau para um povo que não escova os dentes e nem toma banho, o francês tem uma inhaca de petrificar as fossas nasais. Uma gente com a dentição toda prejudicada, sem noção de higiene, com a mesma mão te dá o troco pega a baguete. Pelo amor de Deus. Eu não aguento ver essas meninas que fazer au pair/intercâmbio pagando pau pra gringo. Mentira, entendo sim, o homem brasileiro é pior.

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