Primeiros Socorros – Radiação.

Este é aquele tipo de texto que a gente torce para nunca ser necessário, mas que precisa ser escrito. É o tipo de coisa que a gente acredita que nunca vai vivenciar, mas infelizmente a qualquer momento pode ser necessário lidar com isso, em maior ou menor escala. Desfavor Explica – Primeiros Socorros: Radiação.

Radiação, simplificando absurdamente, é a propagação de energia de um ponto ao outro. Nem sempre ela é nociva, algumas modalidades não fazem mal ao ser humano, como calor e luz. Existem diversos tipos e classificações para radiação, neste texto vamos nos limitar a tratar daquela que normalmente causa danos a organismos vivos (papo técnico: radiação ionizante).

Normalmente entramos em contato com ela através do que chamamos “elementos radioativos”, aqueles que emitem radiação. Basicamente, a radiação provoca dois tipos de danos ao corpo humano: as células são destruídas pelo calor que a radiação gera (normalmente é visível através de severas queimaduras) ou as células são fragmentadas ou divididas (normalmente é visível por mutações genéticas que causam doenças e má-formação em bebês).

O processo se dá da seguinte forma: as partículas radioativas têm alta energia cinética, ou seja, se movimentam rapidamente. Quando tais partículas atingem as células dentro do corpo, essa movimentação frenética provoca calor que queima por onde passa ou a quebra das células, ambos muito nocivos para o corpo humano. Por isso, como é do conhecimento de todos, devemos nos manter afastados de elementos radioativos.

Estes elementos não estão apenas em usinas nucleares, eles podem ser encontrados em locais mais comuns, como hospitais e clínicas. Então, basta que um hospital não cuide direito da manutenção necessária para que pessoas como eu, que vivem ao lado de um hospital, sejam diretamente afetadas. O grande problema é: radiação é invisível, por isso é fundamental que todos estejam cientes dos sintomas e do que fazer caso seja de alguma forma contaminado.

Por mais que pareça distante da realidade brasileira, o país protagonizou o maior acidente nuclear do mundo fora de uma usina ou instalação nuclear. Um acidente de nível 5 (em uma escala que vai de zero a 7), que só foi tão grave pela desinformação e falta de bom senso dos envolvidos. Em 1987 catadores de lixo encontraram uma máquina de teleterapia (um tipo de radioterapia) e acharam que, apesar da caveira pintada no aparelho, seria uma boa ideia desmontá-la e revender as peças.

Do lado de dentro, encontraram uma cápsula contento Césio 137, um elemento radioativo. Seu brilho verde-azulado chamou a atenção de todos, que, maravilhados pelo material exótico, resolveram levar um pouco para casa. Daí em diante foi um festival de horrores: mulheres passando nas pálpebras como se fosse maquiagem, vizinhos levando um punhado para casa nos bolsos para mostrar para os amigos, bebês brincando com o pó. Se na época existissem redes sociais, teríamos visto inúmeras fotos do brasileiro médio brincando com material radioativo esfregando-o no corpo.

Quando perceberam que quem entrava em contato com o pó não estava passando muito bem, já era tarde demais. Levaram a cápsula para um posto de saúde, para avaliar o material. O acidente poderia ter sido bem pior, pois um bombeiro pegou a cápsula contendo o material radioativo e ia jogá-lo em um rio. Felizmente ele foi impedido pelo físico Walter Mendes Ferreira, que salvou milhões de pessoas percebendo do que se tratava e impedindo que o material fosse atirado no rio. Ainda assim, os estragos foram enormes.

Mais de 112,8 mil pessoas tiveram que ser monitoradas (129 estavam gravemente contaminadas) e 6 mil toneladas de material contaminado precisaram ir para um depósito especial. Oficialmente, quatro pessoas morreram devido à exposição à radiação mas, de acordo com a Associação de Vítimas do Césio-137, o número de vítimas é bem maior e chega a 80.

Até hoje, 30 anos depois, mais de 900 pessoas continuam monitoradas. Então, não é preciso uma guerra ou uma usina, basta um deslize, um erro humano, um vacilo, que a coisa se espalha de forma rápida e letal. E, como no Brasil periga um bombeiro jogar material radioativo em um rio, é bom que você saiba o que fazer.

Vamos começar pelo básico: você está ciente de que houve um vazamento radioativo. A primeira coisa que você deve saber é que os efeitos da radicação são cumulativos, ou seja, quanto mais tempo você ficar exposto a ela, maiores serão os danos. Por óbvio, afaste-se do local imediatamente. Quanto mais longe você estiver, menor será sua exposição à radiação. Fuja, vá para o local mais distante do vazamento que puder e, chegando lá, procure por socorro médico informando o ocorrido.

Pode ser que a orientação do Poder Público seja não sair de onde você está, pois é comum que isolem a área e mantenham as pessoas confinadas por lá. Não é muito correto dizer isso mas… se possível, não obedeça. Se conseguir fugir, fuja. Você corre o risco de contaminar mais pessoas, mas isso aumenta suas chances de sobreviver.

Em se tratando de Brasil, é bem provável que, apesar de um isolamento da área, você consiga sair dali sem problemas. Rápido, cada hora conta. Esqueça pertences, bens, nem pense em fazer as malas. É da sua sobrevivência que estamos falando. Fuja no minuto em que perceber que está em uma área exposta a radiação, e quando estiver bem longe, procure por ajuda médica.

Caso não possa sair, existem coisas que minimizam os danos, porém esteja ciente de que danos existirão.

Se você estiver do lado de fora, nas proximidades de onde ocorreu o vazamento, use o que tiver disponível para cobrir nariz e boca, de forma que o tecido possa atuar, ainda que parcialmente, como um filtro. Vale tudo, até papel higiênico. Corra para algum local onde possa se abrigar.

Se você está do lado de dentro, feche todas as portas e janelas, para tentar que o mínimo possível de radiação chegue até você. Além de fechar tudo, também desligue qualquer sistema de ventilação externa, como ar condicionado ou aquecedores, que puxam o ar de fora. Tente isolar o local colocando panos ou roupas por todas as frestas por onde pode entrar ar.

Se você pode ter sido exposto à radiação, assim que possível tire suas roupas, coloque-as em um saco plástico fechado bem distante de você, de preferência do lado de fora do local onde você esteja abrigado (casa, carro, etc). Ao remover as roupas, evite tirar qualquer peça pela cabeça, tire tudo por baixo, para que o material contaminado não chegue perto de nariz, boca e olhos. Se não for possível, corte as roupas. Se não puder de jeito algum remover as roupas a menos que seja pela cabeça, feche os olhos, feche a boca e não respire quando as roupas estiverem próximas do seu rosto. Tire tudo. TU-DO.

Após remover as roupas, entre imediatamente no banho. Não use água muito quente, pois ela pode aumentar a absorção do material radioativo. Água morna, apenas morna. Não esfregue o corpo pelo mesmo motivo. Lave o cabelo apenas com shampoo, não passe condicionador, pois ele pode ajudar a “colar” as partículas radioativas em você. Lave-se de cima para baixo, de modo a que a maior parte possível de material radioativo escorra para baixo. Pode utilizar sabonete, desde que não esfregue sua pele. Lembre-se que a radiação é invisível, portanto, não procure por indícios visíveis dela, pois você não vai encontrar.

Se você não tiver acesso a um chuveiro, faça este procedimento em uma pia ou similares, da melhor forma que puder. Tudo é melhor do que ficar como está, até mesmo passar lenços umedecidos para se limpar. Evite ao máximo levar a mão à boca, aos olhos ou qualquer mucosa, pois estas áreas absorverão a radiação com mais intensidade.

Outro detalhe importante é usar água corrente para se limpar, não uma piscina ou qualquer outra “água parada”, que pode estar contaminada pelo vazamento, piorando sua situação em vez de ajudar. O mesmo vale para seus animais de estimação, não adianta se limpar e não limpá-los. Todo ser vivo que estava exposto ao local do vazamento deve tomar seu banho.

Caso não consiga evacuar o local, tente não comer nada que esteja exposto no momento do vazamento. Se o vazamento foi ao ar livre, por exemplo, evite legumes, verduras, etc. O que está na sua geladeira é mais seguro, bem como alimentos mantidos em recipientes fechados. Qualquer barreira física entre você, o alimento ou o que quer que seja e a radiação atenua o problema.

Existem alguns paliativos para tentar minimizar os efeitos da radiação, como por exemplo a ingestão de comprimidos de iodo de potássio. Tente entrar em contato com algum médico ou alguém da área biomédica e procure orientação sobre o que fazer. É possível que as autoridades locais informem e até distribuam estes paliativos para a população, mas eu não contaria com isso. Corre atrás você, que é mais garantido.

Caso precise sair de onde está para uma área onde pode haver radiação (mesmo que seja por dez segundos para entrar no carro e evacuar a área), cubra seu nariz e boca com um pano ou com o que tiver por perto. Faça o mesmo com crianças e pets, sempre tomando cuidado para não apertar demais e não sufoca-los. Não respirar esse ar contaminado pode fazer toda a diferença.

É esperado que as autoridades locais orientem as pessoas sobre o melhor a ser feito, então, fique atento aos meios de comunicação, mas, novamente, estamos em um país onde um bombeiro quis jogar césio em um rio, portanto, se puder pesquise sobre a substância que vazou, busque informação, peça socorro. Se puder, apure o quanto de radiação vazou, para saber a quanta radiação seu corpo foi exposto, isso é determinante para mensurar quais serão os efeitos no seu organismo. E, na primeira oportunidade que tiver, saia da área contaminada.

Uma vez longe da área contaminada e com cuidados médicos, não há mais nada que você possa fazer além de fornecer aos médicos os dados mais precisos possíveis sobre o material vazado, a quantidade de radiação vazada, o tempo ao qual você ficou exposto, etc. Com estas informações seu tratamento vai ser mais assertivo.

Desagradável dizer isso mas… de um certo ponto de radiação em diante, a morte é certa. Certa e dolorosa. Se você tiver curiosidade mórbida, clique aqui e entenda o que estou falando. Se isso for o seu destino (é mensurável pelo tempo e grau de radiação ao qual você foi exposto), eu recomendo que você encontre uma forma de providenciar uma eutanásia antes de chegar a esse ponto. Existem formas de fazer isso sozinho no Brasil, não vou me estender pois não é o tema do texto.

Agora vamos trabalhar com o pior cenário: há um vazamento radioativo em algum lugar e ninguém sabe. Você vai ter que perceber sozinho, avaliando seus sintomas e os sintomas das pessoas que te cercam, para alertar as autoridades públicas. Como saber se você está sendo exposto a radiação? Esteja atento aos sintomas a seguir, eles são os mais comuns quando falamos de seres humanos expostos à radiação.

O sintoma mais comum, em um primeiro momento, são náuseas. Náuseas, vômito e perda de apetite e/ou diarreia podem ocorrer minutos, horas ou até dias após o contato com a radiação. Geralmente aparecem logo depois, cerca de uma hora após a exposição. Por isso, não raro se confunde exposição a radiação com intoxicação alimentar, aconteceu no incidente em Goiânia. A diferença é que a intoxicação alimentar começa muito ruim e vai melhorando progressivamente até sumir por completo. No caso da exposição da radiação não é assim que acontece.

Em um período que costuma variar entre 24 a 36 horas após a exposição, há uma melhora repentina, um período sem qualquer sintoma (papo técnico: fase latente) que pode durar por até uma semana. A pessoa se sente muito melhor do nada. Nessa fase, as células “contaminadas” estão morrendo. O grande problema é: elas não serão substituídas, pois o dano acontece na matriz. Assim, é uma questão de pouco tempo até que a pessoa se sinta muito mal novamente tão “do nada” como melhorou. Além de ajudar a detectar a radiação, esta peculiaridade também ajuda a mensurá-la: quanto menor a fase latente, maior foi a dose de radiação.

É algo traiçoeiro, pois a pessoa pensa que melhorou, o que faz com que muitas vezes desista de procurar ajuda médica, mas, na verdade, a radiação continua agindo. A pessoa se sente saudável, mas isso não dura muito, logo depois vem uma nova fase de fadiga, perda de apetite dificuldade em respirar, fraqueza geral, palidez, febre, náuseas, vômitos, diarreia (muitas vezes com sangue) e coisas piores. Daí para frente, a pessoa só piora. Neste ponto, é fácil detectar o estrago através de um exame de sangue (papo técnico: queda no número de hemácias).

Outro sintoma muito comum em pessoas expostas a radiação são danos na pele. Podem ocorrer queimaduras que muitas vezes são confundidas com alergias, pois vem acompanhadas de inchaço, coceira e vermelhidão. A pessoa percebe que não é uma alergia quando as lesões não melhoram, apenas pioram com o passar do tempo. Isso também ajuda o erro de diagnóstico, pois se atribuí o combo vômito e diarreia e vermelhidão na pele a algum alimento estragado.

Confie nos seus instintos, todo mundo aqui já teve uma intoxicação alimentar, já comeu algo estragado e sabe como se sente quando isso acontece. Você vai se sentir diferente. Em algum lugar, você vai saber que não é uma comida estragada. Acredite do seu corpo, médicos erram o tempo todo, nosso corpo não erra nunca.

A radiação é invisível, qualquer um de nós pode ser exposto a ela sem se dar conta. Por isso, se você está experimentando estes sintomas, é altamente recomendável que procure um médico. Uma série de exames podem detectar a presença de radiação no seu organismo e, quanto antes você for tratado, melhores os resultados, uma vez que quanto antes se entender de onde vem essa radiação, menor será seu tempo de exposição a ela. Se ninguém acreditar em você, peça um exame de sangue que faça uma contagem das suas hemácias, o resultado pode chamar a atenção dos médicos.

Mesmo que você tenha sido exposto a um grau baixo de radiação (existem tabelas na internet relacionando a quantidade de radiação com seus prováveis efeitos ao ser humano), saiba que é possível que, mesmo que não sinta nada no momento, necessite de acompanhamento para o resto da vida, pois a radiação também pode gerar efeitos a longo prazo (papo técnico: tardios). Nosso corpo possuí vários mecanismos para reparar células danificadas, mas há um limite do que ele pode fazer. Portanto, não descuide da sua saúde até o fim da sua vida.

Para terminar, os incidentes com radiação que ganham fama são os mais terríveis e com muitas vítimas letais e sofrimento, porém, a regra é que as pessoas sobrevivam. Portanto, se for exposto a algum tipo de radiação, procure manter a calma, não se deixe tomar pelo medo e lembre-se disso: é muito mais provável estatisticamente que você sobreviva, se seguir as recomendações básicas.

Na dúvida, pesquise. A internet tem toneladas de informação sobre radiação e acidentes radioativos.

Para dizer que não deveria ter clicado no link, para dizer que vai comprar um Medidor Geiger no Mercado Livre ou ainda para dizer que é uma questão de tempo para a usina de Angra explodir pelos ares: sally@desfavor.com

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Comentários (19)

  • “eu recomendo que você encontre uma forma de providenciar uma eutanásia antes de chegar a esse ponto. Existem formas de fazer isso sozinho no Brasil, não vou me estender pois não é o tema do texto.”

    É possível fazer uma postagem sobre isso? Ficarei muito grata.

    • É possível sim, só tome cuidado pois pode ser considerado crime, então, seja discreta quando falar sobre o assunto com alguém.

  • Mas gente por que mantiveram aquele japonês vivo em coma sofrendo daquele jeito?? O homem estava só carne viva e ossos… To chocada. Obrigada por mais essa informação sally. Infelizmente a educação macaquita não nos informa ou adverte sobre isso.

    • Pois é, também acho cruel.
      Não contem com qualquer tipo de eutanásia vinda de médico brasileiro, porque aqui vocês não vão ter. Providenciem vocês mesmos…

  • Sempre perco os lados com a macaquice dos bostileiros envolvidos no caso do Césio. Roubam um negócio estranho que nunca viram na vida, rompem o lacre (o que não deve ter sido fácil por algum motivo) e passam o conteudo igualmente estranho no rosto! Se não fosse a esposa de um dos macaquitos se tocar que a família começou a adoecer quando o negócio entrou em casa só deus sabe o que mais podia acontecer.

    • Eles até estão errados de invadir o local e levar um objeto que não é deles e ainda acabar prejudicando a cidade toda. Mas daí a botar a culpa exclusivamente em um bando de coitados sem instrução, sem dinheiro, não dá. O dono do estabelecimento tinha que providenciar a remoção do material que ele sim sabia ser perigoso. O governo deixa, não impõe multa nem nada, não tinha segurança no local para evitar o furto.
      Vocês gostam é de reclamar pra caramba.

  • A maioria desses sintomas são idênticos ao que eu sinto durante minhas crises de enxaqueca, nunca saberia distinguir… só posso torcer pra nunca acontecer, mesmo.

    • Mari, a crise de enxaqueca tem uma duração menor, os efeitos da radiação continuam, esse é norte para que você perceba: o problema simplesmente não passa.

  • Lembro que na minha escola houve uma semana em que os professores mostraram para nós vários filmes e documentários sobre radioatividade – Césio 137, Hiroshima, Chernobyl, a ficção apocalíptica “The Day After”, etc. – e ficamos todos apavorados com as conseqüências da contaminação por radiação. Nenhum desses filmes, no entanto, nos dizia o que fazer em um caso real e confesso que, até agora, eu não saberia muito bem como agir se algo acontecesse. Só aprendi mesmo alguma coisa a respeito te lendo hoje, Sally. Por isso, te agradeço e digo que as informações deste texto são pra guardar e, espero, nunca precisar…

  • Antes de terminar de ler o texto, achei necessário contar um caso aqui, para exemplificar como uma contaminação por radiação não é tão difícil assim de acontecer:

    Numa quinta-feira, por volta das 15:00, entra um sujeito na empresa pública de saneamento (na qual eu trabalhei e meu marido ainda trabalha). A empresa cuida do tratamento de água, e gere o contrato terceirizado da coleta e destino dos resíduos sólidos. Pois bem. O sujeito vai até o balcão, coloca um artefato diante do atendente e diz que aquilo é radioativo, e que a empresa precisa destinar. O atendente liga para a diretoria de Resíduos, que diz que a empresa não faz destinação nem coleta de material radioativo, e pede que ele vá embora com o objeto. Ele se recusa, abandona o objeto no chão e sai.

    NINGUÉM FEZ NADA. Nem a diretoria de resíduos, nem a segurança do trabalho, nenhum assessor. Todo mundo olhou no relógio, viu que faltava 1:40h pra encerrar o expediente e preferiu deixar para o dia seguinte, mesmo havendo um escritório da CETESB a 500 metros da empresa. Em um raio de 5 km, há uma escola de educação infantil, uma escola de fundamental e médio, restaurantes, a prefeitura da cidade, a estação de tratamento de água que fornece a água de metade da cidade, sem contar que era horário de atendimento ao público e o artefato foi deixado no saguão da empresa, de livre trânsito de pessoas.

    Apenas na manhã seguinte, após o início do expediente, alguém resolveu ligar para a polícia e evacuar o prédio. Quando o IPEN avisou que seria necessário suspender o expediente do dia, a diretoria mandou TODO MUNDO VOLTAR PRA DENTRO DESLIGAR OS COMPUTADORES. Todos os funcionários foram mandados para casa, sem nenhum exame para conferir se estavam seguros.

    Felizmente, o artefato estava selado e não houve vazamento de radiação. Mas imagina se tivesse.

    • Um horror o grau de brasilidade dessa história.

      É por isso que todos devem estar muito cientes do que fazer em qualquer emergência, não dá para contar com o Poder Público.

    • No acidente de Goiânia, a cápsula com o césio ficou na Anvisa 2 dias largada numa cadeira antes de investigarem o material.

      Numa reportagem do CQC realizada em Angra perguntaram aos moradores se eles sabiam os procedimentos a serem seguidos em caso de acidente na usina. Foi um misto de horror e pena.

      Definitivamente, o problema do Brasil não é a corrupção, e sim a incompetência (compreendi isso aqui no Desfavor).

    • Talvez isso soe como “viralatice” da minha parte, mas por mim nem usina nuclear teria por aqui. Já li várias reportagens e documentários sobre o caso Césio 137 e fiquei horrorizada com tamanha falta de informação, negligência e ignorância de todos os envolvidos (aliás, me surpreende que existam pessoas na casa dos 30/40 anos que sequer ouviram falar desse acidente. Até o “Linha Direta” fez uma dramatização do caso anos atrás).

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