Falando com as paredes.

Ninguém convence ninguém de nada. Por mais que você se esforce desenvolvendo uma argumentação persuasiva e a apresente da forma mais cativante, em última instância é impossível entrar na cabeça de outra pessoa e mudar a forma como ela pensa. Poucos esforços na vida são mais fúteis do que os relacionados a convencer outros seres humanos que devem rever suas opiniões e lidar com as coisas de forma diferente. Então… por que estou escrevendo este texto mesmo?

Antes de responder à pergunta, acho importante desperdiçar meu tempo explicando melhor os motivos pelos quais faço a afirmação de impossibilidade de convencimento. A comunicação humana, apesar de suas inúmeras palavras e significados em constante evolução, é fundamentalmente limitada em comparação à forma como pensamos. Não é nem o romantismo de “não ser capaz de colocar em palavras um sentimento”, é um problema técnico mesmo: dentro da sua cabeça, cada uma das ideias está relacionada fisicamente com inúmeras outras. O cérebro armazena e analisa informações através de relações entre opiniões, experiências e informações acumuladas.

Quando eu escrevo ou falo uma frase, na minha cabeça ela é cheia de conexões, mas na hora que ela deixa esse ambiente e é transmitida para outras pessoas, vai completamente “nua”. Por exemplo: quando escrevo um conto sobre um planeta distante e descrevo um cenário alienígena, não dá para passar a minha fascinação pessoal com a ideia de ver com os próprios olhos um lugar tão distante. Não dá para saber que o papel de parede do meu computador de trabalho é uma foto do horizonte visto de Marte por uma sonda espacial. Porque isso é algo que conversa comigo num nível muito pessoal, uma imagem conectada a sentimentos e conhecimentos que eu desenvolvi durante a vida. Por mais caprichada que seja a descrição, ela ainda está limitada às palavras que cabem no texto. Se quem está lendo não tem uma conexão pessoal parecida com a ideia, não consegue sequer imaginar o que está realmente descrito ali.

E se falamos de coisas ainda mais carregadas emocionalmente como relações com outros seres humanos, isso alcança outros níveis de complexidade: como falar de afeto com quem não o experimentou da mesma forma que você? Como descrever a fúria de uma traição devastadora para quem nunca sentiu algo nesse nível? Os grandes contadores de história se diferenciam justamente nessa capacidade de trazer significados muito maiores que as próprias palavras para o que dizem ou escrevem. É um talento raro achar esse lugar comum entre quem fala e quem ouve e transmitir mais do que o significado frio dos conceitos apresentados. E mesmo os poucos que o tem não conseguem fazer isso de forma consistente entre todos que entram em contato com eles, sequer conseguem fazer isso o tempo todo.

Essa separação entre o que se pensa e o que se comunica para o outro é fundamental à interação humana. Uma lei natural tão pervasiva quanto a gravidade: existem formas de desafiá-la, mas seja lá o que você esteja construindo, jamais pode se esquecer que ela existe. Na primeira falha de planejamento ou execução, a gravidade puxa para o chão o que você insistiu em empilhar, ou no caso da comunicação, basta uma frase mal colocada e a outra pessoa vai perder a conexão com você e entender o que você diz de uma forma diferente da esperada. Essa separação entre mentes é a norma, é o que vai acontecer naturalmente caso não se coloque muito esforço no sentido contrário. E quando falamos de convencer outro ser humano a mudar de ideia sobre qualquer coisa, estamos, figurativamente, desafiando a gravidade. Basta um passo em falso ou um tijolo mal colocado para tudo desabar diante de seus olhos.

E é aqui que se torna importante entender o que é convencer o outro: não é entrar na cabeça dele e mudar uma ideia, porque isso é fisicamente impossível. Os neurônios são dele e salvo uma cirurgia invasiva, eles não estão ao seu dispor. Tudo o que tratamos com argumentação e convencimento é na verdade a nossa capacidade de gerar terreno comum com a mente do outro. E o que isso implica é muito mais complexo do que costumamos imaginar: se não tiver nada parecido ou mesmo já estabelecido em relação ao seu argumento na mente do outro, é impossível gerar uma dessas conexões sobre o tema.

Num exemplo mais claro: eu provavelmente consigo te “convencer” com algum esforço sobre o melhor tipo de lâmpada para uma casa, porque você dificilmente gastou muita energia pensando no tema até hoje, e eu consigo encontrar pontos comuns com a sua visão de mundo mais rapidamente. Posso apelar para a sua vontade de pagar um preço justo por um produto de qualidade primeiro, e se tiver sucesso nisso, qualquer asneira técnica que eu escreva depois vai passar fácil pelas suas defesas mentais. Coloquei convencer entre aspas porque na verdade não tinha muita coisa já estabelecida na sua mente sobre o tema (francamente você provavelmente nem liga para a parte técnica disso), e no final das contas, só estava buscando na sua cabeça algo sobre o qual já concordávamos naturalmente. Se eu fosse tentar convencer um eletricista da mesma coisa, seria mandado de volta para o meu canto com o rabinho entre as pernas, porque na cabeça dele já tem muita coisa bem estabelecida sobre o tema.

Em outro exemplo: se eu escrevesse um texto longo e persuasivo sobre as benesses do incesto, você realmente acha que sairia assediando seus parentes próximos? Na maioria dos seres humanos existe uma repulsa natural ao tema que impede encontrar lugar comum entre quem argumenta e quem é exposto ao argumento. As únicas pessoas que cederiam ao ponto de vista seriam aquelas que já pensavam dessa forma, quer estivessem cientes disso ou não. Eu sei que peguei pesado, então numa versão mais light: se o texto fosse sobre comunismo, por exemplo. Eu teria mais de um século de fontes sobre o tema, milhões de pessoas que já acreditam nesse sistema de governo e provavelmente um argumento bem forte para defendê-lo. Você poderia até ceder alguns pontos caso fosse muito bem defendido, mas se não existe um lugar na sua mente disposto a aceitar essa ideologia, ela simplesmente não tem onde “colar”. É fácil refutar uma ideia que nem teve chance de fazer parte da sua visão de mundo.

O que você acha que acontece na maioria das discussões que temos nessa vida? Especialmente naquelas onde duas pessoas estão em disputa direta para ver quem convence a outra? É frustrante tentar fazer outra pessoa mudar de ideia e ver as coisas como você vê, e isso tem motivo: é um exercício inútil. Uma pedra que você está rolando morro acima, só para ver rolar de volta. Sem um ponto comum, a gente nem se entende. Nunca teve a sensação de estar discutindo com um maluco ou uma maluca nesses momentos de discordância direta? É como se a outra pessoa não estivesse vivendo no mesmo mundo que você! Se serve de consolo: ela não está. O seu mundo só se alinha com os de outras pessoas nesses pontos comuns. Onde as palavras evocam significados, memórias e sentimentos parecidos. É só aí que as suas palavras estão espelhadas na mente do outro, numa espécie de entrelaçamento quântico de pensamentos. É nesse momento que se algo muda na sua cabeça, muda na cabeça da outra pessoa também.

Sem o lugar comum, não existe convencimento. Sem o lugar comum, nenhum argumento tem utilidade. O erro mais comum na hora de tentar convencer o outro é achar que existe isso de convencer o outro… a pessoa não vai entender o que você pensa a não ser que faça um caminho mental equivalente. Nem precisa ser o mesmo, Sally e eu somos exemplos claros de pessoas cujo funcionamento da mente difere bastante, mas sempre acham um jeito de se encontrar em algum momento da ideia. Você pode chegar no lugar comum de mil formas diferentes, desde que chegue lá. O que achamos que é o convencimento na verdade é um esforço de mão-dupla: duas visões de mundo precisam evoluir de forma separada para se encontrar em algum lugar.

Por isso não existe texto ou discurso que convença: na verdade, a base está lá ou não. Se você estava preparado para pensar sobre isso comigo hoje, esse texto vai iluminar diversas partes do seu cérebro como uma árvore de Natal. Eu sei disso porque eu estou nesse estado ao escrever. O meio da escrita é curioso nesse sentido, porque não depende de tempo para agir, mas o contexto é o mesmo. Se você nunca tinha pensado sobre o que estou escrevendo agora, mas já tinha algo na sua cabeça razoavelmente parecido, vai ter a ilusão que foi convencido dessa ideia. Mas não foi: a ideia era sua desde o começo. Só tivemos a oportunidade de compartilhá-la no momento que você está lendo. E se você já pensava assim, com o mesmo grau de desenvolvimento que estou usando aqui, a sensação é boa, né? Em tese, deveria ser inútil ler sobre algo que já “sabe” (eu posso estar errado, e você também), mas o cérebro faz questão de nos premiar por isso do mesmo jeito.

Talvez tenhamos sido selecionados evolutivamente para buscar esses momentos, seres humanos que gostam de lugares mentais em comum com outros são bem mais úteis para uma vida social. Talvez seja algo bem mais primal, até animais irracionais parecem mais atentos a você quando você tolamente responde a um latido ou miado… uma necessidade básica de conexão criada por mentes que não querem ficar tão isoladas. E pode até ser que aquela sensação estranha que muitos de nós temos sobre sermos todos uma só consciência tenha um fundamento. Podemos analisar isso de diversas formas, não muda o fato de que encontrar alguém que pensa parecido e concorda conosco seja especialmente agradável.

Mas, no sentido oposto: se você discorda sobre o que estou argumentando aqui, com certeza já tem inúmeros argumentos se formando na cabeça e aposto que também uma sensação meio incômoda, não? Tem algo que parece fundamentalmente errado na nossa existência quando lidamos com alguém agindo, falando ou mesmo escrevendo algo com o qual discordamos totalmente. Pode ter sintomas de diversos outros sentimentos, raiva, desdém, pena… mas tem algo a mais ali, não tem? Aquela opinião tão diversa parece cutucar de forma incômoda a sua própria noção de realidade. A vida em sociedade, tão querida pelos nossos instintos básicos, depende muito de enxergarmos a realidade de forma parecida. Toda bola tem que ser uma bola para os outros, todo cavalo tem que ser um cavalo, todo medo tem que ser medo… quando uma opinião diferente te mostra que outra pessoa olha para a mesma coisa que você e a analisa forma diferente, alguém quebrou o “pacto humano”, você ou ela. Isso tudo só funciona se estivermos vendo as mesmas coisas, oras!

Por mais simples que seja a pessoa, ela faz parte da mesma disputa que todos nós pelo o que configura a realidade. Esse ponto vai muito longe, mas muito longe mesmo, pergunte para qualquer filósofo que ainda não tenha enlouquecido. Existe uma dúvida humana essencial sobre o que é verdade e o que não é. Toda vez que escrevemos sobre os mais diversos temas na nossa sociedade, estamos travando essa batalha para descobrir se o que estamos entendendo do mundo ao nosso redor é verdadeiro ou não. E assim como a limitação que pessoas tem para saber o que se passa na cabeça do outro, é primordial também a dúvida que temos sobre estarmos minimamente certos sobre nossas visões de mundo. Sim, eu escrevi mais um texto sobre como as coisas são mais complicadas do que parecem… mas eu não vou me desculpar, essa é uma das minhas armas para lutar contra essa sensação terrível de não saber.

E tudo isso para explicar por que mesmo assim o Desfavor existe. Mesmo sabendo que não podemos convencer ninguém de nada, que só falamos de verdade com quem já tem alguma base parecida com a nossa e frequentemente só somos apreciados por quem não precisava do Desfavor para ter essa base… escrevemos pelo mesmo motivo que todas nossas fontes de conhecimento escreveram e ainda escrevem: para desenvolver ideias. O lugar comum entre duas mentes é só o começo do processo. Um ponto de conexão com possibilidades infinitas. Acreditar em algo não significa que você tenha a verdadeira noção das implicações disso. Podem faltar informações, pode faltar aprofundamento, podem faltar conexões com outras ideias que modificam sua crença inicial.

E considerando que o estado natural da maioria de nós é de ignorância, precisamos de toda a ajuda que pudermos. Não sei como a sua mente funciona, mas eu já aprendi que a minha precisa falar sobre um tema no mesmo grau de importância do que ouvir sobre ele. Informação que eu não desenvolvo ou mesmo tento explicar para outra pessoa costuma ficar enterrada no fundo da mente, com muito menos chances de ser utilizada ou mesmo confrontada. O que você não expressa não pode ser contestado assim, e as chances de aprendizado desaparecem. Todo bom professor vai te dizer que prefere uma pergunta idiota do que nenhuma pergunta, e é exatamente por isso. Se você não coloca a informação pra fora, ela fica mofando no seu cérebro.

Então, sim, é um esforço inútil tentar convencer os outros, cada um tem sua própria mente e você só fala de verdade com quem já tinha propensão a concordar. Mas não é inútil porque não vale a pena comunicar o que pensa. Muitíssimo pelo contrário: nem todas essas pedras vão rolar de volta.

Para dizer que concordamos em discordar, para dizer que é só desculpa pelos meus textos óbvios, ou mesmo para dizer que as pessoas acreditam nas coisas mais horríveis (pois é…): somir@desfavor.com

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Comentários (10)

  • “Essa separação entre o que se pensa e o que se comunica para o outro é fundamental à interação humana. Uma lei natural tão pervasiva quanto a gravidade: existem formas de desafiá-la, mas seja lá o que você esteja construindo, jamais pode se esquecer que ela existe. Na primeira falha de planejamento ou execução, a gravidade puxa para o chão o que você insistiu em empilhar, ou no caso da comunicação, basta uma frase mal colocada e a outra pessoa vai perder a conexão com você e entender o que você diz de uma forma diferente da esperada. Essa separação entre mentes é a norma, é o que vai acontecer naturalmente caso não se coloque muito esforço no sentido contrário. E quando falamos de convencer outro ser humano a mudar de ideia sobre qualquer coisa, estamos, figurativamente, desafiando a gravidade. Basta um passo em falso ou um tijolo mal colocado para tudo desabar diante de seus olhos.”

    Só Somir mesmo pra ter essas idéias! Isso é uma aula de Teoria da Comunicação muito melhor do que a de muitas faculdades que tem por aí. E é justamente por causa de parágrafos como este que eu gosto tanto de ler o que ele escreve…

  • -Mas filho(a), você já tem quase 30 anos, não tem emprego e passa o dia todo nesse computador.
    -Peraí, mãe. Estou numa guerra cultural contra os fascistas/lacradores que estão destruindo o mundo.
    -Abre o blecaute, pelo menos…

  • (sem chapéu de alumínio desta vez, eu juro)
    Há um tempo cheguei à conclusão de que a verdade não vai mais existir. Cada um acredita no que quer acreditar e hoje em dia tem AIs e softwares pra tudo. É possível ficar bonito, emagrecer, afinar voz, forjar férias em Paris, criar cenários realistas, montar a cabeça de alguém no corpo de uma atriz pornô etc. Se você tem uma simples foto de alguém é possível fazê-la se mexer, desde olhos e lábios até membros, como se fosse um vídeo. Prevejo caos social e judicial.

    • Se dá para notar alguma coisa pela tecnologia, é que a verdade vai ser democratizada. Adicione realidade virtual barata e bem-feita à humanidade e teremos mesmo uma receita de caos. Não só ver o mundo como quer, mas criar e viver nessa realidade…

      Spoiler: é minha teoria preferida de Grande Filtro para não vermos alienígenas. Foi todo mundo para o virtual.

      • A “vida” virtual – com aspas mesmo – só é maravilhosa até a energia elétrica acabar ou alguém puxar o fio da tomada.

  • Texto com temática bacana! Em partes isso flerta com a psicologia, com a linguagem, os estudos linguísticos e até mesmo a filosofia da linguagem.

    Sartre, em l’imaginaire, fala sobre o imaginário, que é essa coisa que a gente constrói a partir de uma dada realidade empírica, e partir de experiências vividas e vai introjetando na memória dita “de longo prazo”. Wolfgang Iser, embora esteja falando no contexto de teoria da ficção, diz sobre os horizontes de expectativa (seja do leitor ou do narrador, ou no caso, daria pra trocar por locutor e interlocutor): só existe diálogo quando ambos compartilham mais ou menos do mesmo horizonte de expectativas em relação a determinado tema, e isso tem a ver também com opiniões, maneiras de pensar, e visões de mundo semelhantes entre pessoas.

    Lacan, em outra ponta, apesar de falar muito sobre o inconsciente, diz que o consciente é essa coisa “dada”, essa narrativa que a gente cria pela experiência empírica e que perpassa pelo “imaginário” que vai se formando em nossa memória.

    A ciência cognitiva, de outro lado, vem apontando, e não é de hoje, essa relação entre memória (enquanto fato vivenciado e guardado em algum lugar do cérebro) e a capacidade do ser humano de “devanear”, de imaginar coisas, tudo através das sinapses cerebrais funcionando.

    Mas, para além disso tudo, tem sempre a linguagem mediando a relação entre o homem e o mundo, e também entre os homens. É nesse sentido que há que se dizer que nunca dá pra chegar exatamente com precisão à experiência subjetiva e individual do outro, dá apenas pra se aproximar por uma espécie de “empatia” e “alteridade”. Mas, para além desses termos, o mais curioso mesmo é que o cognitivismo vem apontando que, quando duas ou mais pessoas pensam de maneira semelhante, acontece as mesmas sinapses cerebrais, nas mesmas regiões do cérebro (especificamente o córtex e área da broca e Werneck).

    Mais dois comentários rápidos: quanto ao caso do incesto, Somir, é algo um tanto exagerado. Diria que tem o limite da ética estabelecido em sociedade, e também – indo por um viés psicanalítico – o limite do superego que, bem grosseiramete, é aquela espécie de “voz” diabinha no teu ombro que diz a ti, “não faça! é proibido!”. Em pessoas “normais” esse superego funciona bem e proíbe de cometer atos que são malvistos pela sociedade, como o incesto ou o parricídio, já em pessoas com o superego abalado, bem…

    E quando tu disse que “duas visões de mundo precisam evoluir de forma separada para se encontrar em algum lugar”, concordo, é bem por aí mesmo. O problema é que as pessoas hoje em dia parecem não estar aptas a um mínimo d esforço pra que esse encontro aconteça.

    • Eu percebi o tanto de temas que estava tentando abordar no meio do texto, deu um certo trabalho finalizá-lo. Talvez o seu comentário ajude as pessoas a relevar alguma ponta solta.

      Sobre a questão do incesto, foi um tiro de doze mesmo: tem coisas que simplesmente não estão disponíveis numa troca de ideias entre pessoas. Na verdade eu ia usar o exemplo de tentar “convencer” alguém a virar pedófilo, mas achei uma pancada muito forte que distrairia do texto.

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