Primeiros Socorros – Sobrevivendo a uma facada.

Facada é tendência, até o Presidente da República levou. A maior parte das lesões corporais do Brasil é fruto de objetos cortantes, portanto, acho prudente que tenhamos alguma noção sobre esse tipo de ferimento e sobre como socorrer alguém que foi vítima dele. Desfavor Explica – Primeiros Socorros: sobrevivendo a uma facada.

Ferimentos com objetos afiados (papo técnico: perfurocortantes) costumam ser mais graves do que ferimentos ocasionados por objetos não-cortantes (papo técnico: perfuro-contundentes). Quando você corta tecidos humanos com um objeto afiado, abre veias e artérias, provocando uma grande perda de sangue, ao passo que se você dá uma pancada em um tecido humano, apesar do impacto causar danos, ela acaba “esmagando” também veias e artéria, promovendo, sem querer, algum grau de estancamento do sangramento.

Assim, a principal preocupação quando falamos de ferimentos a faca (ou qualquer objeto similar: tesoura, navalha, etc.) é o sangramento que ele pode provocar. E, como sabemos, sangramento é um processo rápido, portanto, o socorro tem que ser imediato. Existem algumas artérias no corpo que, se cortadas, podem levar à morte em questão de minutos, algumas vezes até de segundos, como é o caso da artéria coxofemoral. Portanto, neste evento, o fator determinante vai ser a rapidez do socorro.

Por se tratar de uma corrida contra o tempo, antes de mais nada, chame por socorro: SAMU, Bombeiros, ambulância particular… qualquer coisa que esteja ao seu alcance. Se você mora em um local decente onde socorro chega rápido, é melhor chamá-los e prestar os primeiros socorros à vítima enquanto eles chegam. Se você mora em um lugar onde eles demoram horas para chegar, será inevitável transladar a vítima para um pronto-socorro. Em qualquer um dos casos, você terá que prestar alguns socorros imediatos para tentar salvar a vida do esfaqueado.

“Mas Sally, eu tenho pavor de sangue”. Quando passamos por uma situação de grande estresse, nosso corpo libera hormônios que nos dão “superpoderes” para lidar com aquilo. Mães levantam caminhões para tirar seus filhos atropelados de baixo. Então, não será você a socorrer a vítima, será uma super-versão de você. Vai por mim, na hora um corpo inundando de química acaba dando conta. Tente esquecer que tem uma pessoa ali, despersonifique a vítima, foque na tarefa mecânica de reparar a ferida. Se você tem fobia a sangue, faça o que tem que ser feito tentando não deixar a emoção entrar.

Primeira providência é deitar a vítima no chão, de preferência, de barriga para cima se ela estiver consciente ou de lado se ela estiver inconsciente. Isso ajuda a estabilizar o corpo da pessoa: quanto menos ela se mexer, melhor, menos ela sangrará. Mesmo depois de estancado o sangramento, mantenha a pessoa imóvel até a chegada do socorro, nunca se sabe quando ele pode voltar a abrir. Não deixe a pessoa se mexer por pelo menos dez minutos a contar do momento em que o sangramento foi estancado.

Deitar a pessoa também previne problemas maiores, caso ela desmaie ou fique tonta e caia no chão. Se possível, estabilize a cabeça da pessoa com qualquer pano, tecido ou objeto macio que encontrar. Estes conselhos valem apenas para situações onde o ferimento não será agravado se a pessoa deitar, então, por gentileza, ninguém me deite uma pessoa com uma faca cravada nas costas de barriga para cima.

Se a pessoa estiver consciente, converse com ela. Mantenha-se calmo e tente acalmar a pessoa também: quanto mais rápido o coração bater, mais sangue será bombeado e mais sangue ela vai perder. Se necessário minta, atenue a extensão dos ferimentos. Assegure que vai ficar tudo bem. Uma boa técnica para acalmar as pessoas é fazer perguntas, pergunte coisas (com um mínimo de pertinência, né?) para que a pessoa foque nas respostas e não no medo.

Enquanto conversa com a pessoa, avalie o estado da ou das perfurações, para entender o tamanho do problema. Mas, como já dissemos aqui, é jogo rápido: se preciso, corte ou rasgue a roupa da pessoa. Quanto antes você entender o cenário, antes você pode começar a agir e, neste tipo de ferimento, minutos podem ser diferença entre a vida e a morte.

O ideal seria socorrer a pessoa usando luvas de borracha, mas sabemos que ninguém anda com luvas na bolsa (deveriam!), portanto, tente se proteger da forma que for possível. Sim, eu estou pensando em VOCÊ pegar uma doença da pessoa! Vale tudo para não entrar em contato com o sangue da vítima, menos contaminar o local: saco plástico na mão ok, saco de lixo sujo na mão não ok. Evite que sua pele entre em contato com o sangue da vítima.

Sendo muito sincera aqui: se for uma vítima desconhecida e você não tiver como encostar nela sem entrar em contato com seu sangue, eu te recomendo que não faça nada e espere o socorro chegar. A pessoa pode morrer? Sim. Mas você também pode ficar seriamente doente se entrar em contato com um sangue contaminado, é uma loteria que, a meu ver, não vale a pena. Claro que se a vítima for algum ente querido como seu pai, seu marido, seu filho, dane-se o protocolo, bota a mão no sangue alheio, se possível limpando a sua mão de alguma forma antes, pois aí a preocupação principal passa a ser salvar aquela vida.

É um tipo de ferimento que provoca muita dor, portanto, durante todo o processo, manipule a pessoa com o máximo de cuidado possível. Depois de remover as roupas que estão obstruindo a(s) área(s) afetada(s), observe se o objeto que provocou o ferimento ainda está enterrado na pessoa. Se estiver cravado, não mexa. Por mais assustador que pareça, uma faca no peito provavelmente ajudará a estancar o sangramento.

A faca provavelmente está tapando veias e artérias, funcionando como uma barragem, impedindo uma perda massiva de sangue. Se você a remove, a pessoa pode sangrar mais ainda até morrer. É tarefa para um médico decidir se remove, quando remove e como remove. Não mexa. Não puxe. Não empurre, não entorte. Não movimente a vítima de forma que o objeto se mexa.

O máximo que você pode fazer caso haja um sangramento contínuo é tentar aplicar um curativo no local em volta da faca exercendo uma leve pressão. Porém é preciso que você tenha total certeza de que 1) não vai mover a faca de lugar ; 2) não vai mover a pessoa de lugar. Se você tiver dúvidas se pode fazer isso, não faça. Melhor esperar por socorro.

Caso o objeto não esteja mais na pessoa, você deve avaliar a extensão dos danos para decidir se o caso é urgente o suficiente para que um leigo meta a mão numa ferida, algo que só se recomenda em último caso.

Em um resumo bem grosseiro, você sabe que uma lesão a faca é grave quando há um sangramento constante, algumas vezes até esguichos de sangue (sinal de que uma artéria foi perfurada). Um sangramento que não estanca em cinco minutos é preocupante. Essa lesão não pode esperar, você tem que tomar providências na hora.

Vale lembrar que este não é o único medidor, é apenas o mais evidente. Uma lesão que sangra por mais de cinco minutos precisa de atenção médica urgente, porém podem existir lesões extremamente graves onde não existe sangramento aparente, como foi o caso da facada desferida contra Jair Bolsonaro: não se via sangramento aparente, mas a hemorragia interna o fez perder mais de 2 litros de sangue. Dá para ter alguma noção do dano se você tiver acesso ao instrumento que causou a perfuração, quanto maior ele for, maiores as chances de que órgãos vitais tenham sido atingidos.

Diante das circunstâncias e da provável precariedade na qual você se encontra, a melhor forma de salvar a pessoa é tentando estancar o sangramento pressionando a ferida com algum material absorvente. Em um mundo ideal, seria algum material estéril, como gaze, mas nessa realidade, serve basicamente qualquer coisa, até mesmo uma peça de roupa.

Pressione suavemente contra a ferida para tentar conter o sangramento. Se a hemorragia for muito intensa, é provável que uma grande artéria tenha sido atingida. É difícil, mas leigos podem tentar detectar a origem do grande sangramento utilizando a visão e o tato. Se você conseguir localizar essa artéria, pode promover um tamponamento manual, pressionando-a para que ela pare de “vazar” sangue. Há casos onde se tampa com o dedo mesmo, e com sucesso.

Caso o tecido usado para conter a hemorragia fique encharcado, troque por outro seco. Às vezes é necessário repetir esse processo várias vezes. Continue pressionando o local, de forma moderada, pois isso ajuda na coagulação.

Uma exceção: feridas no peito. Como não temos visão de raio-x, não sabemos exatamente quais órgãos foram perfurados, portanto, no caso de feridas no peito sempre há a possibilidade do pulmão ter sido atingido. Se isso acontecer, o pulmão pode se encher de líquido e a pessoa “se afoga”. Por isso, se a ferida for no peito é recomendado que ela não seja totalmente vedada, deixe ao menos um terço dela aberta.

Quando não dá para tapar o vazamento, reduzir o fluxo pode ser uma opção. Você pode tentar identificar de onde vem o sangue e tentar fazer com que vá menos sangue para essa parte do corpo. Se você impede a água de chegar no cano que está furado, o vazamento será menor, certo? Para isso seria preciso uma noção mínima de anatomia, para conhecer os chamados “pontos de pressão”, os pontos onde passam as principais artérias que “alimentam” cada parte do corpo.

Uma busca rápida no Google vai te dar a resposta, por exemplo, para sangramentos no braço, pressione a parte interna do braço acima do cotovelo ou abaixo das axilas, ou, em uma lesão na perna, pressione a parte de trás do joelho ou a virilha. Peça ajuda a transeuntes ou a pessoas que estejam com você para pesquisar quem fornece sangue para essa parte do corpo e tente reduzir o fluxo de sangue para lá.

Dependendo da situação, você pode pressionar manualmente ou fazer um torniquete, enquanto espera por socorro. Mas, vamos repetir pela milésima vez, tem que se jogo rápido, nem pense em deixar uma pessoa horas com um torniquete. Aliás, levem algo para a vida: o torniquete é muito badalado em seriados e filmes, mas não é algo tão inofensivo quanto parece: seu uso inadequado pode causar danos severos, desde a perda do membro até coisa pior. É uma medida desesperada para a pessoa não morrer, e não uma solução do problema com a qual a pessoa pode levantar e sair andando.

Outra medida que pode te ajudar a conter o sangramento é posicionar a vítima de forma a que a ferida fique acima do nível do coração, para obter uma forcinha da gravidade: quanto mais alto, mais difícil de bombear, portanto, menor o fluxo de sangue.

Esteja sempre atento aos sinais vitais. Monitore se a pessoa está respirando e se a pessoa tem batimentos cardíacos. Caso ela colapse, faça a massagem cardíaca e a respiração artificial (papo técnico: Ressuscitação Cardiopulmonar, ou RCP, para os íntimos), já explicados em textos anteriores. Apenas observe a melhor forma de realizar o procedimento, sem aumentar a extensão da ferida. Existem várias posições nas quais pode ser feita a RCP, inclusive com a pessoa de costas. Avalie a situação e faça seu melhor.

Também observe se a pessoa não está entrando em estado de choque por causa da perda de sangue. Caso a pessoa se encontre em choque (não psicologicamente falando, e sim em estado de choque em decorrência da perda de sangue), siga as orientações do texto específico sobre o assunto enquanto o socorro não chega, que seriam basicamente afrouxar as roupas, tentar mantê-la calma e aquecê-la.

Caso a pessoa fique inconsciente, é importante deitá-la na chamada “posição de segurança” ou “posição de recuperação”: de lado, e sempre de forma que não piore sua lesão. Isso se torna necessário para evitar que a vítima se sufoque com sangue ou até com seu próprio vômito (papo técnico: bronco-aspiração). Porém, se houver suspeita de qualquer lesão na coluna, não vire a pessoa, nem sequer mova a pessoa de qualquer forma, apenas monitore de perto sua respiração.

Agora o pior cenário: não há socorro vindo, ou não há socorro vindo tão cedo. A pessoa levou uma facada no alto de uma montanha em uma região deserta. Você sabe que não dá para contar com socorro imediato. Respire fundo e se prepare para fazer da melhor forma possível o trabalho de um médico.

Vai ser preciso limpar a ferida. Não vai ser agradável para quem está ferido. Isso te coloca com uma série de problemas nas mãos: como limpar e como manter a pessoa imóvel enquanto você limpa. Na precariedade, caso não tenha água e sabão, você pode tentar limpar com uma solução salina (uma colher de sopa de sal para um copo de água morna).

Se nem isso você tem, que seja apenas com água limpa. Explique para a vítima que vai doer, se ela descobrir isso na hora, vai pular por instinto. Ciente disso, ela pode tentar refrear esse instinto. Se você perceber detritos, sujeira, coisas como terra e grama na ferida, remova manualmente, com muita delicadeza.

O ideal é fazer isso em um hospital, com a área anestesiada, para limpar bem por dentro e fora, portanto, se você souber que o socorro está chegando, não precisa fazer nada além de remover o grosso da sujeira que está do lado de fora, os médicos limparão da forma mais adequada o lado de dentro. Porém, se não houver previsão de socorro… faça o seu melhor para limpar a maior área que conseguir, só não jogue água com sabão, álcool gel ou nada que não seja água pura dentro da cavidade. Deixe os químicos apenas para o lado de fora.

Depois que tiver limpado a ferida da melhor forma possível, enfaixe o local. Não é para tamponar, vedando a vácuo, é apenas para promover uma proteção de modo a que mais sujeira não entre no local, digamos, cobrir a ferida. Se possível, molhe na solução salina o tecido que você vai utilizar para o curativo. Importante: não feche uma ferida que ainda está sangrando, estanque o sangramento primeiro e só depois feche.

Tenha cuidado para não fechar o curativo apertado demais, para não causar o mesmo efeito do torniquete. Não queremos que a pessoa perca sangue até morrer, mas, uma vez estancado o sangramento, é fundamental que o sangue volte a circular pela área afetada, pois ele será vital para sua cicatrização.

Observe o curativo, que muitas vezes envolve a circunferência de um membro por completo, pois é possível que você tenha feito um curativo não muito apertado, mas que o membro ou a região inche e, por isso, o curativo passe a impedir a circulação no local. Se for este o caso, afrouxe o curativo. Lembre-se: sem sangue circulando não há uma cicatrização saudável e a pessoa pode até perder um membro.

Já vi pessoas aconselhando a fechar a ferida costurando ou até com cola, porém fechar algo que não se tem a absoluta certeza de estra 100% limpo pode matar a pessoa. Não me parece razoável que um leigo costure ou cole alguém. Cubra a ferida e deseje com força que o corpo da pessoa dê conta dessa cicatrização. O corpo humano funciona voltado sempre para um propósito: sobreviver. Portanto, o organismo da pessoa está jogando no mesmo time que você.

Se, por um acaso, você tiver algum tipo de antibiótico com você, dê para a vítima. Mesmo que seja uma pomada antibiótica, é melhor do que nada, passe no local três vezes ao dia, vai ajudar a prevenir infecções. Em situações precárias o que se recomenda é trocar o curativo cada vez que ele estiver molhado, fazendo o seu melhor para manter a área bem seca nas 48 horas seguintes à perfuração. Depois desse período já é possível lavar a região duas vezes por dia com o que você tiver à mão, inclusive com água e sabão, mas com muita delicadeza.

Se, no decorrer da cicatrização a área ficar vermelha, inchada, dolorida, aparecer pus, febre ou outros sintomas que geram desconforto, é sinal de infecção. Nesse caso, dê um jeito de levar a pessoa até um médico, pois nem sempre o corpo dá conta do recado sozinho. E, independente de infecções visíveis, é importantíssimo que a pessoa receba atendimento médico, pois esse tipo de perfuração pode ser a porta de entrada de doenças como tétano, botulismo e outras que podem acabar matando.

Sei que não é agradável de escutar, mas todas estas regras se aplicam se você for o ferido. Tudo aquilo descrito neste texto que esteja ao seu alcance fazer deve ser feito, pois pode contribuir para salvar a sua vida. Espero de coração que nunca precisem, mas, se precisarem, já tem alguma noção do caminho a ser tomado.

Para dizer que o brasileiro adora se lesionar a golpe de peixeira, para dizer que se a facada não sangrar é câncer no estômago ou ainda para dizer que este texto é inútil pois na primeira gota de sangue você vai desmaiar e quem vai precisar de socorro é você: sally@desfavor.com

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Comentários (16)

  • Eu tô com medo agora é da Doença do Pombo, tá se espalhando e li notícias que tá matando. Como se previnir dessa merda?

  • Há uns anos atrás tive a idiota ideia de reagir a um assalto a mão armada e o cara tava com uma faca na mão. Resultado… direto na barriga! Mas, no meu caso, diferentemente da facada do Bolsonaro, não foi um corte tão profundo que causasse hemorragia interna, daí foi uma sanguera danada! Mas ainda bem que foi só um susto dolorido. O cara fugiu e eu fiquei lá, no chão, com a barriga pra cima, tentando pressionar como podia enquanto esperava por socorro. Naquela hora eu pensei, bem, talvez um torniquete não vá solver, eu tentar tirar a blusa tb não, então só me resta ficar de barriga pra cima pra tentar jorrar menos sangue.

    E sim, a recuperação é bem chatinha, porque arde por fora e por dentro, coça, pinica e tudo mais, e tu tens que ficar de olho sempre pra ver se não infecciona. Dá uma sensação as vezes de que uma esponja felpuda e áspera está passando na tua pele, ao mesmo tempo que, do lado de dentro, é como se tivesse passando fogo, dá aquela sensação de dor aguda no mesmo ritmo da tua respiração.

  • Eu adoro lâminas esteticamente, mas tenho pavor de sangue. Já cheguei a desmaiar fazendo exames, já desmaiei por causa de um cortezinho muito pequeno e superficial. Ler esse texto – e li até o fim – já me deixou um pouco nervosa. Porém, reparei que só chego a passar mal de maneira incapacitante se tiver gente por perto pra me ajudar. Me preparando para mudar de apartamento esses dias, quebrei uns copos e tive uns cortes profundos nos dedos, que sangraram muito. Mesmo assim consegui limpar, estancar e fazer um curativo. Não deixei de ficar nervosa, mas dei conta. Nas poucas vezes em que lidei com gente ferida, também consegui ficar calma o suficiente para fazer o que deveria. Costumo surtar quando imagino esse tipo de situação ou quando não é grave, mas esse mecanismo mental de sobrevivência que a Sally menciona é muito real pra mim. Se for urgente, a gente vai lá e faz o que é preciso.

  • Informações valiosas como sempre, Sally. Mas eu temo que, dependendo de onde for o corte e da extensão do ferimento, nem haja muito o que fazer porque simplesmente nem dá tempo. Não sou médico e é claro que se deve fazer todo o possível, mas hemorragias são difíceis de conter, com perda muito rápida de sangue e conseqüências terríveis para a vítima. Isso sem falar que nem sempre o corte fatal precisa ser produzido por facas, tesouras ou similares. Por aqui, até coisas muito mais prosaicas e aparentemente inofensivas como linhas de pipa já podem matar. Creio que você já ouviu falar de “cerol”, “linha chilena” ou “cortante” – o nome varia de região para região – e do enorme estrago que elas podem causar. Há muita gente sem noção que, para “cortar” as linhas das pipas de rivais, amarra deliberadamente de um poste a outro atravessando a rua uma outra linha, tão fina que é quase invisível, preparada com uma mistura perigosíssima de vidro moído até virar pó e cola. Essa linha cortante acaba ficando fixada bem na altura da garganta de quem passa de moto. Agora imaginem o que acontece quando uma pessoa dirigindo em alta velocidade bate com o pescoço nessa linha! Vezes sem conta já vi histórias de motoboys que morreram com a carótida ou a jugular cortadas e o sangue esguichando feito torneira aberta. Por isso – e também pela notória ineficácia das “campanhas de conscientização” – é que diversas empresas fabricantes de acessórios tiveram que desenvolver produtos para tentar salvaguardar a vida de quem trabalha com moto. Dois exemplos: um protetor de pescoço com malha de aço: https://http2.mlstatic.com/protetor-mascara-pescoco-anti-cerol-pipa-linha-aco-frio-moto-D_NQ_NP_890980-MLB28457086640_102018-F.webp e uma antena corta-pipa: https://www.motonline.com.br/noticia/wp-content/uploads/2015/07/Cerol_armada-620×418.jpg

    • Outras coisas que também podem causar lesões cortantes fatais são vidro quebrado – lembram do que aconteceu com o Bozo que quase morreu no box do chuveiro? – e estilhaços de porcelana de vasos sanitários que “estouram” por terem peso demais colocado em cima. Assim, obesos mórbidos têm que ter cuidado redobrado ao usar a privada ou então trocar por versões reforçadas feitas de aço inox como esta: https://www.aecweb.com.br/cls/anuncios/pes_24393/draco-den233-2-gran.jpg, que são comuns em presídios americanos para evitar depredações e “uso indevido” em rebeliões.

    • É verdade, dependendo do local e da profundidade do corte, muitas vezes os próprios médicos não conseguem conter a hemorragia. É uma lesão muito perigosa.

  • Tenho uma amiga que foi esfaqueda pelo ex. Não me lembro exatamente quantas facadas foram, mas sei que foram várias. Estavam no apartamento dela e ele deixou a porta entreaberta.
    O fator definitivo para o desfecho foi o fato de ela ser médica… ela se fingiu de morta e quando percebeu que ele saiu ela já deu uma avaliada na situação: percebeu um sangramento abundante em uma das pernas e já colocou o dedo na ferida mesmo para estancar… disse que manteve as pernas dobradas (para diminuir um pouco a circulação) até perceber, em segundos, que a porta estava aberta… foi se arrastando até o elevador e foi vista pelas imagens da câmera já inconsciente. Ela morava pertissimo do hospital e conseguiu ser levada rapidamente. Ela mesma admitiu que fez tudo isso movida pela força do ódio e por pensar “Não vou morrer assim”…

    • O corpo quer sobreviver, mesmo quando a mente não quer, não quer, tanto é que muitos suicidas falham ao tentar se matar. O corpo vai te ajudar a sobreviver sempre, por isso é importante que todos tenham em mente que, por pior que seja a situação, vale tentar, às vezes verdadeiros milagres acontecem.

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    Orgasmo de Cavalo

    Isso se a tal facada foi verdade mesmo. Pra mim aquilo tudo foi um circo arquitetado por aquele astrólogo débil mental que usa fraldão geriátrico(isso é sério mesmo, o Olavo já usa fralda geriátrica) do Orgasmo de Cavalo ops digo Olavo de Carvalho o repetente da quarta série que não tem primeiro grau completo e pelo clã Bolsonaro. Com aquilo tudo foi fácil para o nazista ter um motivo(bem idiota diga-se de passagem) para fugir dos debates. E se foi realmente verdade, esse Adélio Bispo é um atrapalhado, ele poderia ter dado uma facada certeira e não uma que só furasse as tripas daquele nazista filho da puta. Senti pena é da faca tadinha, furar a barriga de um filhote de Hitler.

    • Eu não sou fã do Bolsonaro, mas não podemos permitir que nosso sentimento pessoal turve nosso discernimento. A facada foi real, atestada por todos os socorristas, por todos os médicos da Santa Casa e pelos médicos do Albert Einstein. É preciso ter muita vontade de ser especial e detentor de uma informação privilegiada para questionar a veracidade da facada do Bolsonaro.

      • Repetindo um comentário meu da época da facada no Bolsonaro: “Sally e Somir: sei bem que ambos não gostam nem um pouco de redes sociais – e entendo perfeitamente os motivos e até concordo em parte com vocês – , mas gostaria de destacar um raro comentário sensato sobre o caso que está circulando no Facebook: “Não importa se você é de direita ou esquerda. Se você comemora a tentativa de assassinato de um homem, seu caráter me assusta!”

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