Você está humanizando seu cão?

Um bom tutor tenta sempre fazer o melhor para o seu cachorro, porém, nem sempre boas intenções bastam para criar um cão feliz, saudável e equilibrado. Muitas vezes, na melhor das intenções, fazemos coisas que prejudicam nossos cães e não nos damos conta disso.

É fácil detectar um erro quando falamos em maus tratos grotescos, aqueles que qualquer pessoa média é capaz de perceber o quão nocivo é para o cão, como é o caso de um tutor que retira a tigela de água de seu cão como castigo, por exemplo. Um verdadeiro absurdo. Porém, erros cometidos com amor são quase que impossíveis de identificar quando se está dentro da situação.

Por isso, resolvi escrever o texto de hoje. Não é para te criticar, não é para te chatear, não é para te acusar. Quero apenas fornecer informação, um novo ponto de vista que você talvez ainda não tenha percebido sobre a forma como se interage com um cão. Por favor, não se ofenda.

Provavelmente o maior erro “por amor” que as pessoas cometem é humanizar o animal, por isso, é sobre ele que vamos falar hoje. Por mais que você ame seu cãozinho, ele continua sendo um animal, e não um humano. Tratá-lo como humano pode te fazer sentir bem, pois gera a falsa sensação de que você está elevando o status dele, mas é muito, muito ruim para ele. Humanizar um cão cria um animal angustiado, neurótico, desequilibrado.

Já falamos disso em outros textos, mas vou repetir brevemente: seu cão estará muito mais feliz e relaxado se sentir que você está no controle, que você toma as decisões, que você é um porto-seguro no qual ele pode confiar e se apoiar. Ele pode simplesmente ser um cão, sem maiores preocupações, pois as decisões difíceis serão tomadas por você, o humano. Quando você iguala o status dele ao seu, o sofrimento dele começa.

Se você permite que seu cão decida tudo, ele começa a se sentir responsável por você e pela casa, o que é um peso enorme para um cachorro, com o qual ele dificilmente não lidará bem. O cão não quer decidir tudo, quando ele fica nesse papel ele vive tenso, preocupado, sempre alerta. O cão, para estar feliz e equilibrado, tem que ser apenas um cão.

“Mas Sally, se ele não gosta, por qual motivo ele quer decidir tudo?”. Cães podem testar a liderança, para ter certeza de que estão nas mãos de alguém realmente… competente. Pode ser que de tempos em tempos seu cão faça o louco e tente querer mandar em algo. O melhor que você pode fazer por ele é, com serenidade e calma, não permitir. É você quem escolhe a hora na qual ele come, é você que escolhe a hora na qual ele passeia, é você que escolhe o trajeto do passeio, etc. Acredite, isso vai deixar seu cão muito feliz e relaxado.

Humanos ficam muito felizes quando deixam eles fazerem tudo que eles querem, se você quer ver um humano feliz, basta dar poder a ele. Mas cães não são humanos e, se sentirem que eles estão no comando, ficam nervosos, reativos, tensos. Latem para tudo, podem ficar agressivos e apresentam comportamento desequilibrado em função da tensão e do estresse dessa responsabilidade que, acredite, ele não quer.

Então, regra número um: seja o dono do seu cão, não permita que seu cão seja o seu dono. Essa hierarquia não ofende nem desmerece o cachorro, para que ele seja feliz, vocês não podem ser iguais. Querer igualar o cão a você, ou pior, permitir que ele tome as decisões, é humanizar o cachorro. Humanos tomam decisões pois tem discernimento para isso (ou ao menos deveriam ter), cães não. Estando no comando você proporciona uma vida onde o animal se ocupa de ser o que ele é, um cão, que corre, brinca e dorme sem maiores preocupações.

A regra de ouro para não humanizar um cão é sempre repetir o mantra: por mais que você o veja como membro da família (e pode ser, não há problema nenhum nisso), ele é um cachorro, não um humano. Cachorros gostam e precisam de coisas diferentes de humanos e não respeitar isso é sim sujeitar seu cachorro a maus tratos, mesmo que seja com todas as boas intenções, com todo o amor do mundo.

Amar é respeitar. Respeite as características e necessidades do seu cão em vez de suprir necessidades humanas que ele não tem. Nunca atribua características humanas ao seu cão, pois isso vai prejudicar a forma como você deve tratá-lo e educá-lo. O bem-estar canino depende de que você entenda essa diferença e a respeite, caso contrário, o cão vira um veículo para suprir as suas carências e todo esse “afeto” se revela um grande egoísmo.

Muito genérico? Sim, existem zonas cinzentas. Vamos analisar algumas das situações mais comuns e entender, caso a caso, o que é nocivo para o seu cachorro e o que não é.

Chamar meu cachorro de “filho” é humanizar o animal?. Não. Pode chamar do que quiser. O grande problema está nos atos. O cachorro não entende o significado da palavra “filho”. Com um tom de voz afetuoso, tanto faz chamar ele de “filho”, “ornitorrinco” ou “Rafael Ilha”. Mas não trate ele como filho, ele não é um humano, ele é um cachorro.

Posso botar roupinha no meu cachorro? Depende. Se houver uma necessidade física, como frio, por exemplo, você pode e deve colocar um agasalho no seu cachorro. Seria crueldade deixar o cachorro tremendo de frio, não é mesmo? Mas, se estamos falando de roupinhas recreativas, decorativas, desnecessárias, o ideal é que não coloque. Normalmente cães não gostam, se sentem desconfortáveis. Sujeitar o cão a um desconforto para vocês recebam olhares, elogios ou para que você possa dar vazão a um desejo de enfeitar algo é egoísmo. Compre um boneco e vista o boneco.

Festinha de aniversário é humanizar o cachorro? Sendo bem sincera, o cachorro não vai entender absolutamente nada do que está acontecendo, então, em princípio, não. É apenas uma perda de tempo e dinheiro, que provavelmente seria mais bem investido em um psicólogo. Porém, não pode gerar desconforto para o cão e, no geral, essas festinhas têm rituais humanos que estressam os cachorros, como cantar parabéns e outras coisas que estressam até a mim. Nesse caso, se trouxer qualquer estresse ou desconforto para o cão, não é amor, é seu ego que está te movendo. Não faça.

Um quarto na casa só para o animal é humanizar o cachorro? Não. Acho aberrante e motivo para procurar ajuda psicológica o mais rápido possível, mas nocivo para o cão não é. O cachorro não vai entender o significado do tutor destinar um quarto só para ele, com caminha, armário e tudo mais. Apenas o humano compreende o que isso significa. O cachorro vai transitar por ali como se fosse mais um cômodo da casa. O que é nocivo é obrigar o cachorro a ficar ali “porque é o seu quartinho”. Cães não lidam assim com espaços, não o obrigue a interagir como se fosse um humano.

Achar que o cachorro te entende perfeitamente é humanizar o cachorro? SIM. Não me refiro ao fato de você pedir pela bolinha e ele trazer a bolinha, cães são capazes de entender muitas palavras, me refiro a sentimentos. Um erro muito comum é ver tutores dizendo “Ele fez para me provocar”, “Ele fez para se vingar” ou “Olha a cara dele, ele sabe muito bem que fez merda”. NÃO, NÃO e NÃO. Vamos falar com calma sobre isso, pois é algo que as pessoas relutam muito em entender.

Cães não tem esse nível de complexidade mental a ponto de armar vinganças, guardam rancor ou te ensinar uma lição. “Ah, mas você fala isso porque não conhece meu cachorro, Sally”. Não, eu falo isso porque é verdade, você é que não sabe interpretar o seu cachorro.

Cães não são capazes de sentimentos que dependam de construção social como vingança, mágoa, ciúme e outros sentimentos complexos. Nós é que projetamos isso neles, presumimos de forma errada que esta é a motivação e, por esse equívoco, reagimos de forma igualmente errada em sua educação. Presumir que seu cão tem sentimentos humanos é humanizá-lo e vai te fazer errar muito e cometer muitas injustiças com ele na convivência.

Um exemplo clássico: você sai de casa, seu cachorro “fica magoado” e “como vingança” destrói uma almofada. Você chega e o cachorro imediatamente se esconde, corre, faz cara de culpa, olha com cara de preocupação. É natural do humano desenhar a cena desta forma. Mas não é. Ele não destruiu a almofada para se vingar e não tem a menor ideia do que fez de errado tanto tempo depois, quando você chega em casa.

A janela de entendimento do cachorro para uma bronca é de apenas cinco segundos depois do cachorro fazer o que não deveria. Em caixa alta, para ajudar na fixação da informação: CINCO SEGUNDOS.

Após cinco segundos, o cão não tem a capacidade de relacionar a bronca com o que ele fez de errado. Mas tem a capacidade de entender que tem algo ali que vai enfurecer o dono. Ele vai olhar com cara de culpado sim, pois ele entende sua linguagem corporal, seu tom de voz e o entorno, mas não vai de forma alguma relacionar a bronca com o que ele fez. Isso deixa o cão muito angustiado e preocupado, pois ele sabe que está sendo repreendido, mas não sabe o motivo. Dar uma bronca em um cão sem pegá-lo no flagrante é, na verdade, extravasar sua raiva e frustração, gerando apenas angústia no animal – e não educar.

Tem centenas de experimentos para desmentir o “olha a cara de culpa dele, ele sabe o que fez”. O tutor deixa um cão em casa, manda ele não mexer em algo e sai. Uma pessoa mexe naquilo escondido e, quando o tutor volta, o cachorro se esconde, faz cara de culpa etc. Ele fez merda? Não. Mas ele sabe que o tutor vai ficar bravo. Não significa que ele compreenda qual foi o erro, significa que ele está assustado e preocupado. Então, presumir que seu cachorro te entender e segue as mesmas regras sociais e emocionais que você é humanizar o cachorro e faz você torturar seu cachorro psicologicamente com broncas que ele não entende.

“Mas Sally, se não é para se vingar, por qual motivo meu cachorro só faz merda quando eu saio?”. Provavelmente porque ele fica nervoso, ansioso, com excesso de energia e acaba se descontrolando e dando vazão a isso desta forma. Geralmente é uma combinação de excesso de energia e ansiedade de separação. A mente do cão jamais vai elaborar algo tão sofisticado como os humanos presumem: “ele fez de sacanagem, porque não queria ficar sozinho”. Não. Não foi premeditado, não foi para se vingar. Foi um descontrole que, se o cão pudesse evitar, ele teria evitado.

Cães NÃO SENTEM CULPA, por mais que você veja isso no seu cachorro, é uma projeção sua. Não projete sentimentos humanos no animal. Cães não sentem culpa, inveja, ciúme, vergonha e outros sentimentos complexos. Essa é uma leitura que VOCÊ faz, baseada nas suas crenças. Cães tem os seguintes sentimentos: medo, raiva, felicidade, tristeza, nojo e surpresa. Só. Passe a olhar para o seu cão com esses olhos e você vai compreendê-lo melhor.

Se eu brincar o dia todo com meu cachorro estou humanizando? Sim. Humanos adoram lazer, mas cães tem outras necessidades. Poucas pessoas cuidam do cachorro como deveria: um terço do tempo com passeio, um terço do tempo com adestramento e um terço do tempo com brincadeiras. Normalmente os tutores focam só nas brincadeiras, por acharem que é o que vai deixar o cão mais feliz. Não é.

Cão precisa passear, todos, de todos os tamanhos, mesmo que morem em uma casa com quintal enorme. Cães precisam de novos estímulos, novos ambientes e reforçar o vínculo com o dono em passeios. Um bebê ou uma criança humana podem ficar muito bem o dia todo em casa, desde que recebam atenção, afeto e brincadeiras, cães não. Para estar bem um cão PRECISA passear, gastar energia, explorar novos estímulos. É inegociável. Presumir que ele, assim como uma criança, vai ficar bem recebendo atenção dentro de casa é humanizar o cachorro.

Cães precisam de adestramento para estabelecerem uma linguagem com seu dono, não é maldade ou forçar o animal a nada, ele fica mais seguro se houver essa sintonia e ele entender bem os comandos, compreender o que você quer dele. Caso contrário ele fica o tempo todo angustiado tentando decifrar. É um vínculo importante que deixa o cão mais seguro e reforça que ele não tem que se preocupar com nada, que você está no comando e que ele saberá quando você precisar dele para algo, não precisa ficar o tempo todo adivinhando.

Carrinho de bebê é humanizar o cachorro? Sim. O cachorro, por sua natureza, precisa caminhar, farejar, interagir com o ambiente. Sair com um cachorro em um carrinho de bebê é ir contra as necessidades básicas desse animal e privá-lo de algo que é necessário para que ele seja equilibrado. Salvo por motivos de doença que impeçam o cão de andar, carrinho de bebê é um cerceamento de uma das atividades mais importantes que o cão deve praticar.

Outro erro muito comum é presumir que seu cachorro está apto a entender exceções. Não está. A regra tem que ser clara: ou pode subir no sofá, ou não pode. Ponto final. “Ah, mas eu só quero que ele suba quando não tiver visita em casa”. Você está esquizofrenizando seu cachorro. Dificilmente um cão vai ter esse grau de compreensão, e mesmo que eventualmente tenha, será um desgaste e uma angústia muito grande até ele ligar os pontos. O cão pensa de forma simples, por associação, não tente impor regras complexas: ou pode sempre, ou não pode nunca.

Fizeram um estudo sobre o principal motivo que faz o cão escolher ter um vínculo maior com determinado tutor, quando há várias pessoas na casa. Vocês devem saber que uma casa com várias pessoas, normalmente o cão escolhe uma para ser seu “dono”, certo? Como ele faz essa escolha? Segundo o estudo, não é quem dá comida, não é quem dá mais carinho, não é quem brinca mais. O cão abraça a pessoa mais coerente, mais consistente. A pessoa que ele sabe que se pode, pode, se não pode, não pode. A pessoa mantém regras fixas e lógicas. Isso gera tranquilidade e confiança no animal.

Sapatinho é uma forma de humanizar o cachorro? Sim. E bem perigosa, por sinal. O único lugar pelo qual os cães transpiram é pelas almofadinhas das patas (cães não transpiram pela língua, ok?). Se você calça um sapatinho para poder passear com ele em um dia quente para ele “não queimar a patinha no chão” você está arriscando que seu cão tenha uma hipertermia, que seu corpo aqueça demais. Ele pode até morrer por causa disso. Cães não usam sapatos, salvo situações muito excepcionais como cães de resgate que tem que pisar em destroços. Passeie com seu cão antes do sol nascer ou depois do sol se por.

Deixar o cão sozinho em casa é humanizar o cachorro?”. SIM. Ao contrário de humanos, cães não ficam bem muito tempo sozinhos. Deixar algumas horas ok, mas deixar o dia todo? Sair para trabalhar de manhã e voltar no final do dia? Não existe cão algum, de raça alguma, mediante treinamento algum que seja feliz diante de um cenário desses. Se esta for a rotina que você vai dar para o seu cachorro, não tenha. Se já tem, mexa na sua vida para não ficar mais do que 3 ou 4 horas fora de casa.

“Mas Sally, eu não posso, meu trabalho bla bla bla”. Vê aí o que você quer priorizar, não tem para onde correr, um cão que fica o dia todo sozinho será desequilibrado e infeliz. Se você consegue botar a cabeça no travesseiro e dormir sabendo disso (eu não consigo) e pretende continuar deixando o cão sozinho, ao menos tenha a decência de comprar/adotar um segundo cachorro para que não seja tão tortuoso e de promover um enriquecimento ambiental top (farei um texto sobre isso) para que a experiência seja menos ruim. MENOS RUIM, sim, vai continuar sendo sofrido para o seu cão.

Dormir na cama com o tutor é humanizar o cachorro? Por incrível que pareça, não. Há muitas questões de desconforto e higiene a serem discutidas, mas nocivo para o cachorro não é. Cães dormem com a matilha, todos juntos, por isso dormir com os donos não implica em um comportamento antinatural, muito pelo contrário, reforça laços e gera até alguns benefícios para os próprios humanos.

Porém, tem que ser uma escolha do cão (meu cachorro prefere dormir na caminha dele e eu respeito). Vale lembrar novamente a questão da consistência: seja qual for a escolha, precisa ser uma constante. Não pode dormir com o cachorro na cama durante a semana, mas quando o namorado vai para sua casa no final de semana pretender que o cachorro durma em outro lugar. Ou pode sempre, ou não pode nunca.

Falar com voz de bebê é humanizar o cachorro? Não. Um tom de voz suave, amistoso, é benéfico para o cachorro. O tranquiliza e ele consegue compreender melhor o que você está tentando passar. Mas, cuidado: voz de bebê não é uma voz aguda, carregada de ansiedade, uma fala rápida e alta que agita o cachorro. Tem que ser um tom de voz sereno, baixo, afetuoso, que gere tranquilidade e não ansiedade e agitação.

Dar a nossa comida é humanizar o cachorro? Sim. Cães tem necessidades nutricionais muito diferentes da dos humanos. Muitas coisas que comemos, aparentemente inofensivas, como chocolate, uva e temperos podem ser letais para um cachorro. O ideal é que seu cão coma apenas ração e sentir “peninha” dele por isso é humanizar o cachorro.

Esse prazer que você tem em se sentar à mesa e degustar um prato é algo humano, cães comem para se nutrir. Óbvio que se sentem o cheiro de algo atraente eles querem provar, mas sua vida não é infeliz se eles comerem apenas ração. É um erro se colocar no lugar do cachorro e presumir que ele está sentindo o que você sentiria, você é um ser humano, ele é um cachorro, são mentes diferentes.

Deixar de castrar o animal por “pena” é humanizar o cachorro? Sim. Castrar é salvar a vida do cachorro. Sexo para os cães é um instinto reprodutivo, não um lazer como é para o ser humano, não projete seus sentimentos no cão. Cães não castrados que não cruzam ficam frustrados, fêmeas não castradas podem desenvolver câncer. Apenas cães reprodutores de criadores sérios que não exploram animais deveriam reproduzir. E já te adianto: filhote de cachorro não dá dinheiro, pois se você cuidar de verdade, os gastos com gestação e parto são exorbitantes. Pode castrar sem pena, que você está fazendo um bem para a saúde do seu animal.

Se você ama seu cão, não se coloque no lugar dele e sim aprenda a pensar como ele pensa, só assim você vai entender como ele se sente e do que ele precisa.

Para dizer que eu não sei o que é amor, para dizer que é hora de falar do Flamengo e não de cachorro ou ainda para dizer que este texto foi um sopro de frescor depois da última semana: sally@desfavor.com

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Comentários (26)

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    Geraldo Renato da Silva

    Tratar cachorro como se fosse gente é algo que não pode ser considerado normal. Longe de mim ficar cagando regras, cada faz o que achar melhor, desde que não atrapalhe a vida de outrem, mas tudo deve ficar dentro do bom senso e do aceitável.
    Uma vez, vi numa reportagem que estavam passando perfumes nos cachorros: isso estava os deixando completamente perdidos, pois o sentido mais desenvolvido deles é o olfato. Noutra vez, uma mulher estava montando um enxoval para o seu cachorro e o chamava repetidamente de “meu bebê”.

  • Sim e não. Quem mais humaniza cães e gatos são os filhos da puta que fabricam raças artificiais. O melhor caminho para eles é de parar de criar produtos vivos e pensar em aumentar suas inteligências, torná-los menos ultra dependentes de ”nós’, acabar com o comércio e com a facilidade de tê-los, sim, PROIBIR que certos tipos possam pensar nisso…

    • Raças de cães são um problema quando geram sofrimento para os próprios cães, como por exemplo os de focinho muito curto, que tem dificuldades para respirar. Fora isso, não vejo problemas em criar de forma ética e responsável cães de raça.

  • Uma coisa é você ter um cachorro/gato/whatever e tratá-lo como um companheiro (i.e., dando-lhe carinho, atenção e cuidados apropriados) sem esquecer do que ele é: um cachorro/gato/whatever. A outra é você ter um cachorro/gato/whatever e beijar seu focinho, lamber seu cu, comer do mesmo prato e botá-lo pra foder sua mulher de quatro. Isso é doença mental, tão séria e perigosa quanto ser feminazi, lacrador(a) ou extremista de qualquer coisa. Sugiro que adeptos destas práticas grotescas e hediondas se internem (se ainda lhes sobrar consciência para tanto) ou se tornem definitivamente um deles (como já existe ex-gente fazendo, descrita aqui mesmo no Desfavor). No segundo caso, é favor se retirarem do convívio humano e se homiziarem em guetos apropriados, longe das cidades e centros urbanos.

    • Sacanagem com o bicho. A pessoa tem carências e problemas emocionais e quem sofre é o animal.

      Cansei de ver mongolóida que só falta te bater se você tiver um cachorro de raça mas trata seu vira-lata de forma doentiamente humana. Não adianta nada adotar um cão e humanizá-lo, o bicho seria mais feliz e saudável na rua.

  • Eu gosto de chamar meu cachorro de coisas absurdas às vezes, mas com tom carinhoso, tipo ‘pepino do mar da tia!’ (ele eh da minha irmã)… para ele é tudo a mesma coisa… a única coisa que ele atende é o nome dele (e só quando eu chamo, porque minha mãe e minha irmã tem a coerência de um feijãozinho no algodão). Ou seja, toda a parte chata, tipo passear, veterinário, fazer obedecer, quem tem que fazer sou eu… e como você disse, culpar o animal e achar que faz as coisas de propósito é coisa de gente burra… ele já pisoteou meus pés, naquela alegria de me ver (é um chow chow, é pesadinho), quase me aleijou, mas eu vou dar um tapa na orelha dele? Claro que não. Ele não faz por mal, não percebeu, e o principal, não tem culpa que humanos são feitos de gelatina com uma capa de plástico filme, coisa sem resistência que somos. Nossas únicas vantagens no universo são polegares oponíveis e um cérebro maiorzinho.

    Festa de aniversário, roupa, tintura e manicure, transsexualidade animal (sim, tem donos que acham que a cadela ‘se sente um cachorro’ ou vice versa, não sei, é falta de rivotril) são viagens de gente que não tem maturidade para filhos e quer antropomorfizar o pobre cachorro… tem até um canal na Net para cães. Nunca vi que diabos passa… frango assando, acho.

  • Sally, aproveitando o tema e o teu conhecimento, preciso fazer uma pergunta. Tenho dois pugs e a fêmea chegou para companhia do machinho. Busquei por uma fêmea por achar que seria mais fácil o convívio (ambos castrados só para deixar claro que de forma alguma o objetivo era procriar).
    A Capitu é a mais nova e acaba sempre tentando assumir o lugar do Dom na matilha e demonstrar a ele que ela é quem manda. Ela está sempre nos testando também. Como eu falhei quanto a isso contratei adestradores.
    A técnica para ensinar e corrigir o comportamento inadequado se deu após o ensinamento de alguns comandos básicos como senta e deita, e era a seguinte: usando um colar de elo, fechar com certa força o mesmo e dizer incisivamente o não.
    Depois de um tempo, a Capitu acabava urinando em algumas repetições. Abandonei o adestramento porque me parecia estar apenas “traumatizando” a bichinha. O Dom se encolhia só de ver o colar. Na internet vi que não seria mais uma técnica utilizada, mas aqui é meio roça e algumas coisas demoram a ser atualizadas, além de os veterinários conhecerem a equipe de adestradores e evitarem dar orientação. Tu sabe algo sobre a técnica? (Desculpa o texto no comentário, queria contextualizar)

    Ah, e proibiram também dormir com os pets, por entenderem que o líder da matilha não deveria partilhar da mesma cama. E sempre li o contrário, como você citou. Me deixou mais intrigada ainda com a abordagem dos adestradores.

    • Não faça mais isso. Isso não funciona.

      Essa coisa de dominância e líder da matilha foi recentemente desmentida. A forma de interpretar o comportamento dos cães hoje é outra.

      Há outras formas de educar. Muitas outras. Assiste ao canal da Halina Medina no Youtube, chamado “Tudo sobre cachorros” (ela também tem um blog), ela é hoje, na minha opinião, quem tem a melhor visão e a melhor didática para te ajudar.

  • Pode fazer um texto semelhante a esse, mas para gatos?

    Pode fazer uma semana temática de animais de estimação aqui no Desfavor?

    • Claro, posso fazer sim. Adoro a ideia de uma semana pet, mas não sei se o Somir vai ter interesse em escrever sobre isso, vou conversar com ele.

      • Poderia ser engraçado, até pq nós sabemos o gosto dele por animais de estimação bizarros tipo o cão Satanás, o gato Putaqpariu, entre outros….

  • Cadê a foto do seu cachorro pra gente babar? *–*
    Eu mandava foto do meu se o comentário permitisse incorporar fotos, mas…

  • Festa de aniversário pra pet é o mesmo que aniversário de 1 ano pra criança. Não vão entender porra nenhuma, mas a festa é pra nós, não pro pet nem pra criança!

    • Sim, e na maior partes das vezes o aniversariante claramente não quer estar ali, está de saco cheio, com sono ou irritado.

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