Not guilty.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (6) que o processo de impeachment que enfrentou no Senado americano “é uma vergonha, uma grande injustiça”. O pronunciamento na Casa Branca acontece um dia depois que o republicano foi absolvido pelo Senado americano em um processo de impeachment aprovado pela Câmara. Ele era acusado de abuso de poder e obstrução ao Congresso. LINK


Muito barulho, pouco resultado. A oposição americana dá uma aula de como não fazer as coisas, mas temos certeza que ninguém vai aprender com isso por aqui. Desfavor da semana.

SALLY

Como era de se esperar, o impeachment do Trump não saiu. Era previsível, era lógico, era matemático que ele não sofreria um impeachment, ainda assim, a oposição escolheu entrar em uma briga para perder – e fazer dela um circo. Parabéns, fortaleceram a imagem de Trump em uma escolha idiota que pode ser determinante para que ele passe mais quatro anos no poder.

Ter uma pessoa como Trump no comando de uma das nações com maior poderio no mundo deve ser bastante desagradável para quem ainda tem a coragem de levar esta vida a sério, porém, a pior parte dessa história não é essa. Trump no poder afeta muito pouco o Brasil, salvo os emocionados que acreditam que o Brasil tenha alguma relevância internacional, todo mundo sabe disso.

O grande desfavor é que a oposição brasileira está recebendo um manual de instruções do que não fazer, sem precisar cometer esses erros para ter a oportunidade de aprender, e não está aproveitando a oportunidade.

É como se viesse uma pessoa do futuro e dissesse: “se você for por tal caminho você vai terminar em tal destino”, no caso, um grande fracasso. Em vez de escutar, observar e corrigir seus erros com base no que está estampado na sua frente, o macaquito nacional continua gritando, polarizando e usando das mesmas estratégias falidas que fortalecem pessoas como Trump e Bolsonaro. Me admira que não tenha gente em manifestações segurando um fêmur humano e pulando.

Em um mundo ideal, eu recomendaria que não se entre em batalhas, mas, se quiserem fazê-lo, que seja para vencer o inimigo. Uma vitória se calcula através de observação do que aconteceu, pela avaliação da realidade de forma imparcial, pela ponderação dos prós e dos contras. Mas, ao que tudo indica, essa geração militante, emocionada e polarizada só consegue ver o que sua bolha ou suas crenças determinam: se tal coisa lhes parece justa, não tem como dar errado.

Pois adivinha só? Tomar decisões com base no subjetivismo, no achismo pessoal, com base nas próprias opiniões (e da sua bolha) é uma péssima estratégia. Não surte efeito, faz passar vergonha por dar a impressão de despreparo e desconexão com a realidade e acaba fortalecendo aquele que se pretende atacar. Quando quem ataca parece incoerente, resta ao atacado o papel de coerente. Parabéns aos envolvidos.

Vemos esse tipo de burrice emocional acontecer no Brasil desde a era Dilma. “Não vai ter impeachment”. Teve, a Mulher Sapiens ganhou um “tchau querida” e foi tocada para fora. “Se Lula for preso vai ter derramamento de sangue”. Lula ficou um bom tempo preso e nada aconteceu. “Não passarão, Bolsonaro não vai se eleger”. Se elegeu com folga. Até quando, gente? Até quando quem deveria ser oposição vai continuar agindo como retardado emocional e fortalecendo quem está no poder?

Se não pelo vexame que protagonizam, de não perceber um mecanismo básico de funcionamento da sociedade atual, que seja pelo bem social, para não perpetrar no poder pessoas tão baixas. O resto da sociedade não tem que pagar por meia dúzia de emocionados barulhentos que acham que no grito vão conseguir alguma coisa. Não são apenas os militantes que precisam entender que essa estratégia não dá certo, o resto da sociedade precisa entender que essa militância é nociva e se encarregar de não dar palco, não antagonizar, não incentivar.

Não dar palco significa não lutar contra. Um exemplo pequeno: não passa uma semana sem que eu exclua algum comentário aqui no Desfavor nos acusando de ser a favor do Bolsonaro pois não batemos nele com a mesma força que batíamos na Dilma e no Lula. Não, não somos bolsonaristas, somos pessoas conscientes que perceberam que os tempos mudaram.

Tivemos a capacidade de adaptação a essas mudanças e ainda propagamos de forma aberta e repetitiva quais foram as mudanças e quais estratégias não funcionam mais, nem para a política, nem para a vida. E não vamos dar voz contestando o que essas pessoas acham ou a classificação na qual nos enquadram. Gritarão em silêncio, sozinhas.

Adiantava bater na Dilma. Os tempos mudaram. Bater no Bolsonaro dessa mesma forma não adianta mais, só o fortalece. Quantas vezes ele vai ter que se reeleger ou eleger seus filhos até a ficha cair? Como pode o brasileiro ser tão torpe, tosco, burro e se deixar cegar por suas emoções? Símios com os nervos à flor da pele, imbecis que desconhecem estabilidade emocional, manada de retardados que provocam o efeito contrário do desejado e sequer se dão conta. Macacos barulhentos e irracionais, que deveriam parar de gritar por dez segundos e dar uma olhada com neutralidade à sua volta.

Vai acontecer? Não vai acontecer, pois o brasileiro precisa levantar bandeiras compulsivamente para ter alguma sensação de pertinência, de utilidade, de propósito, pois é um povo desempoderado, excluído e com complexo de vira-lata. Foda-se, deixa gente merda no poder o tempo que for, pois para ser herói é preciso ter um vilão.

Perpetrem o vilão para se sentirem heróis militando em rede social, vomitando sua “sabedoria” incompatível com a realidade, para se distrair de suas vidas medíocres buscando sempre algo fora de si para apontar. Tá certinho, continua assim, o fato do Brasil ser um dos países mais infelizes do mundo, com maiores índices de ansiedade e maior uso de Rivotril indica que estamos em um ótimo caminho!

Verdade verdadeira? A oposição tem um ganho secundário enorme para seu ego com o Trump ou o Bolsonaro no poder. Cada vez que algum deles fala ou faz uma merda, a oposição bate no peito e grita “Tá vendo? EU disse, EU avisei, EU sabia”, se gabando de como estavam certos. Que ego frágil, puta que pariu.

Isso lhes dá uma sensação de donos da razão, de falsa superioridade e de pertencimento a uma elite intelectual que é arauto da verdade. Pois são uns bostas que precisam desse mecanismo infantil e tosco para se sentirem bem consigo mesmos por alguns segundos. E causam um dano enorme à sociedade.

Priorizar o ego em detrimento do país e da sociedade só mostra que vivemos em um país cheio de adultinhos com cabeça de adolescentes e expõe a fragilidade emocional desse grupo. Vai demorar, mas vai chegar um momento onde todos, até o brasileiro médio, irão perceber o transtorno que essas pessoas provocam ao coletivo. E aí, o empoderamento vai acabar, a falsa superioridade intelectual vai acabar, a capa de herói vai cair. Haja Rivotril para esses dependentes de militância como propósito de vida. Pena deles quando descobrirem que qualquer propósito que se escolha que seja externo leva à frustração e infelicidade.

Enquanto isso, quem tiver consciência do que está acontecendo sabe que no momento não resta opção a não ser assistir de fora o que está acontecendo. Para se manter saudável na atual dinâmica social é preciso não tomar lados, não aderir à polaridade, pois ambos os extremos são sintomas, são doentios e nocivos. Então meu conselho, em meio a esse mar de merda é: seja apenas um espectador desse espetáculo deprimente, não se envolva, não se emocione, não tome lados ou brigue. Nada disso é saudável, nada disso é a solução, muito pelo contrário, é pedir para passar vergonha. No máximo, riam e façam piada. Não levem a sério quem não merece ser levado a sério.

Para se ofender, para continuar nos acusando de ser Bolsominions ou ainda para continuar com o discurso ultrapassado se “lutar contra”: sally@desfavor.com

SOMIR

A absolvição de Trump era uma certeza, não por não ter coisa estranha nas ações dele, mas porque o cenário político americano simplesmente não permitiria o avanço do processo. Em tempo de dualidade, o Congresso com maioria Democrata sempre votaria a favor do impeachment, e o Senado com maioria Republicana sempre votaria contra.

Foi um grande circo que travou recursos do Estado e criou instabilidade, mesmo todos sabendo que não daria em nada. É quase como se todo o processo tivesse sido um mero chilique. E eu digo isso porque no dia anterior a líder dos Democratas prestou-se ao papel ridículo de rasgar um discurso de Trump ao vivo, logo atrás dele, durante um dos eventos políticos mais importantes da nação. Aparentemente, como retaliação por Trump ter deixado ela no “vácuo” na hora do cumprimento protocolar.

Adultinhos no poder. Só faltou mostrar a língua e ficar fazendo caretas. Claro que temos vários problemas muito mais imediatos para resolver no Brasil, mas vale a pena prestar atenção no que acontece lá nos EUA. A quantidade de paralelos entre a situação deles e a nossa é considerável, com o grau de esculhambação esperado da versão brasileira. Faz tempo que eu digo que em linhas gerais, basta olhar os Estados Unidos para descobrir o que vai acontecer em alguns anos no Brasil.

E por lá, o tiozão maluco ganhou o poder dois anos antes do nosso. Ninguém esperava do mesmo jeito. Isso é, ninguém que não estava percebendo a virada que a cultura mundial estava experimentando abaixo das luzes brilhantes da grande mídia. O cidadão médio estava ficando de saco cheio de ser criticado por seus hábitos enquanto continuava na merda. O que não quer dizer que muitos dos hábitos desses cidadãos não mereciam crítica, mas sim que tem um limite de quanto você pode chamar uma pessoa pobre de opressora e esbanjadora antes que ela fique de saco cheio.

Imagine só, você não tem poder para basicamente nada na vida, está sempre cheio de dívidas e problemas, e uma atriz milionária de Hollywood aparece na sua TV dizendo que você é o problema por controlar demais os outros e que deveria parar de consumir o pouco que pode para salvar os ursos polares… uma pessoa razoável sabe que é para respeitar direitos humanos e não destruir o ambiente, mas a falta de tato dessa turma lacradora é tanta que acabam envenenando mensagens teoricamente positivas. O resultado é uma putez que fica escondida no cidadão médio até a hora do voto.

E acabamos com piadas prontas como Trump e Bolsonaro no poder. Ao invés de perceber o erro, essa gente que praticamente elegeu os dois aumenta a aposta e fica ainda mais agressiva na tática que obviamente deu errado. Não tentam angariar mais simpatizantes, tentam fortalecer suas bases e passar a imagem que são vítimas de uma maioria de fascistas, nazistas e estupradores. Acabamos então com uma esquerda que só sabe fazer barulho e repetir a tática de exclusão sem sucesso.

A direita, que nunca foi flor que se cheire, aceita a briga. Eles adoram esse ambiente, nada melhor para empurrar conservadorismo do que uma sociedade caótica. O que os americanos nos ensinam com seus erros é que o resultado dessa palhaçada toda é a definição cada vez maior entre os lados, com um grau de radicalização de posições nunca antes visto no país. É uma guerra que só se vence por números: quem tiver a maioria passa qualquer coisa para frente. Quem tiver a minoria sempre perde. Acabou a conversa, acabou a lógica básica da democracia.

Pergunte para os Democratas e foram os Republicanos que causaram tudo isso. Pergunte para os Republicanos e foram os Democratas que causaram tudo isso. Ninguém aprende nada. O Brasil ainda não tem uma oposição política com força o suficiente, mas com o passar dos anos, as pessoas vão esquecendo porque o PT saiu do poder, e o lulismo pode conseguir força o suficiente para criar essa situação de divisão nos poderes por aqui. E alguém vai lembrar do caso americano e dizer “temos que fazer melhor”? Claro que não. Vai ser o mesmo festival de briguinhas infantis, e tudo isso num país com muito menos estabilidade institucional. O Brasil teria tudo para seguir para um regime totalitário assim que uma maioria se estabelecer.

Teria, porque o nosso único alento é o grau de incompetência do político brasileiro médio. Bolsonaro adoraria uma ditadura, mas é completamente incapaz de organizar um piquenique, quanto mais uma tomada de poder. Lula e cia. também não conseguiram com sua tática de subornar todo mundo, esqueceram de pagar algumas pessoas chave.

Mas isso não impede que durante esse processo, vejamos a política brasileira adicionar mais elementos à piada que já é, incentivada pela infantilização do processo que os EUA estão capitaneando atualmente. Eles tem condições de ficar com a política refém de briguinhas por algumas décadas, mas será que nós temos?

Para dizer que quer ver o circo pegar fogo mesmo, para dizer que Trump foi a trollagem do milênio, ou mesmo para dizer que por aqui tudo se resolve em salas fechadas: somir@desfavor.com

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Comentários (4)

  • Coisa mais infantil rasgar discurso do Trump pelas costas dele! O que viria depois? Fazer chifrinhos com as mãos quando fossem fotografá-lo?

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    Geraldo Renato da Silva

    O que aconteceu é que os democratas deram mais força ao Trump. Com a economia em alta e com a decisão de construir o muro (se você tem um vizinho complicado, não vai querer o mesmo?) foi um suicídio político tentar o impedimento do presidente. Os democratas ainda embevecidos com Obama (que foi mais manchete que notícia) acreditaram que desgastariam a imagem de Trump: erraram feio. Trump sai fortalecido e com a bagunça entre os possíveis candidatos democratas (alguns em estado de senilidade) nunca esteve tão fácil ganhar as eleições em novembro.

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    Mito dos Lacres

    Viram o LacrOscar? Só caindo de rir.
    A melhor foi ver aquele “Democracia em Transe” (que deveria se chamar Lulismo em Transe) perder praquela trama água com açúcar chamada “American Factory”.
    E a diretora ai toda se achando lá, citando manifesto comunista. Ora, tolinha… Acha mesmo que chinês iria topar de investir em planta industrial nos EUA com o monte de restrições ambientais e com o fato de que o custo de um funcionário nos EUA é bem maior que o custo de um funcionário na China ou em algum país próximo no sudeste asiático não fossem as tentativas de embargo por parte do Trump? Tá de brincadeira!
    Seria mais fácil montar uma planta lá no México, se bem que isso renderia um seriado e tanto pra Netflix… Imagina as implicações na relação dos chineses com o crime organizado do México (que faz as milícias do RJ parecerem amadoras) e com os políticos locais (corruptos como os daqui) e os efeitos disso sobre o Rio Grande/Bravo do Norte, que fica na fronteira entre os dois países. Pra ficar perfeita a obra, instalaria a planta industrial nos arredores de Ciudad Juarez, só pra ter mais um toque de merdas que seria altos índices de cromo contaminando o rio.

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