Este texto vai parecer uma sessão de terapia no começo, mas eu prometo que se você resistir, existe um ponto para ser argumentado no final. Vamos lá? Eu comecei a ficar incomodado com casais formados por homens negros e mulheres brancas na mídia em geral. Filmes, séries, propagandas… onde quer que aparecessem, eu tinha a sensação de que algo estava errado.

Se eu fosse famoso, estagiários de jornalismo do país todo já estariam salivando neste momento, copiando e colando a introdução sem contexto nenhum em seus artigos e só esperando a chuva de cliques e o inevitável linchamento social. Mas, por sorte, eu sou um Zé Ninguém e posso tentar me redimir nos próximos parágrafos.

Importante mencionar, especialmente para os leitores mais novos, que eu nunca fui conservador; na verdade, para os padrões de polarização atuais, boa parte dos textos que eu escrevi aqui são de “turma dos direitos humanos” para baixo. E no contexto inverso, nossa posição menos fanática sobre questões mais progressistas acabou nos fazendo ser acusados de bolsominions também. Complicado ficar no meio desse tiroteio.

Complicado não só pelas críticas alheias, mas também para encontrar uma linha guia interna. O ruído de ambos os lados fica ensurdecedor. E voltando ao tema deste texto, gerou uma dissonância cognitiva das grandes me ver cismando com casais inter-raciais. Eu nunca fui disso. Fazia pouco de quem tinha esse tipo de encanação racista, chamava de burro ou pior. E daí a cor das pessoas de um casal?

Digo mais: toda vez que convivi (vida real mesmo) com um casal de raças diferentes, não senti nada disso. Não bati palma nem critiquei, porque ambos os casos são sinal de problema na cabeça. Claro que você nota, duvide muito de quem diz que não vê cor de pele (a não ser que seja cego), mas é meio como julgar um casal pelas cores dos cabelos de ambos: não vale as calorias gastas pelo cérebro.

Mas, para minha surpresa, aquelas imagens de casais de cores diferentes foram lentamente pedindo passagem no meu limitado foco de atenção diário. Saltava à vista, como meu inconsciente estivesse percebendo alguma coisa que ainda não conseguia transformar em pensamento coerente. Só que sou humano, falho por natureza. A decisão foi suprimir isso pelo máximo de tempo possível, como se eu fosse ganhar essa batalha e restaurar minha posição anterior de não ligar para isso.

Eu com certeza não precisava de mais uma coisa me incomodando sobre o mundo moderno, e evidente, não queria olhar para dentro e descobrir que eu era um babaca inseguro e racista. Porque normalmente isso vem no pacote de ficar reclamando de casais entre brancos e negros. Justo eu? Eu me achava tão melhor que isso. Então, o plano foi traçado: toda vez que viesse essa sensação, eu me chamaria de babaca internamente e prestaria atenção em outra coisa. Iria passar.

Claro que não deu certo. Com o passar do tempo, aquelas imagens ficavam mais e mais nítidas para os olhos. Reprimir costuma ser uma péssima solução. Então, chegou a hora de ser adulto e lidar com a situação. Vamos lá, vamos pensar no que é isso, e seja lá o que estiver me incomodando, vai ser confrontado! Como eu não sou uma pessoa divertida em festas, desenvolvi duas hipóteses e fiz uma autoanálise. Na hipótese um, eu era um racista no armário e não queria ver a raça branca misturada com outras. Todo aquele papo de chamar racistas de burros era só uma defesa para não me sentir culpado.

A hipótese um explicava a reação, mas não o sentimento. Continuo argumentando que todo mundo é muito mais racista do que gosta de dizer, seja lá a cor que tiver, não faltam exemplos de negros, orientais e todas as outras combinações possíveis exibindo o comportamento. Faz parte do ser humano julgar tudo por padrões e se organizar em grupos de características parecidas. Então, mesmo admitindo o meu racismo “inevitável”, ele não era forte o suficiente para isso. O meu desinteresse por pureza racial continuava… puro.

Então, era hora de hipótese dois: reserva de mercado. Uma espécie de possessividade sobre as mulheres brancas em geral. Essa hipótese também pode ser chamada de masculinidade frágil e insegurança ridícula também. Só faltava querer que mulheres sejam obrigadas a ficar com você por conta de algo que nem escolheu. Com certeza não quero ser um desses homens fracos, mas se a verdade era essa, o único caminho para não ser um banana era lidar com o problema.

Mas, novamente, não era o sentimento certo. Estava chegando mais perto, isso era claro, mas não perto o suficiente. Não era como se eu estivesse com inveja: ser branco tem muitas vantagens nesse mercado amoroso. É que nem candidato nas eleições: mesmo que você não tenha muita gente que prefira exclusivamente você, só o fato de ter pouca rejeição já te coloca numa posição muito boa. A forma como essa vantagem foi conquistada não foi justa, mas que ela existe, existe.

Por algum tempo, fiquei nesse impasse. As duas hipóteses avançaram o processo, mas não o suficiente para me dar uma resolução. Continuava com aquela coisa mal resolvida na vida. Foi quando uma imagem aleatória num comercial abriu os caminhos da mente. Eu notei um recorte meio preguiçoso no cabelo da mulher, algo que só alguém que conhece bem a parte técnica notaria, irrelevante para o cidadão comum. E isso fez toda a diferença. Por quê? Porque era um homem branco com uma mulher negra na arte.

Explico: o fato de não ter dado a mínima para a cor das pessoas e ter ido pegar um probleminha técnico quase imperceptível no trabalho de quem fez aquele comercial me dizia que o bom e velho desinteresse na raça das pessoas de um casal estava de volta. Não sabia o que tinha feito para conseguir aquilo, mas curti aquele momento do mesmo jeito. Pronto, resolvido!

Até ver um casal de homem negro e mulher branca na mídia novamente. Parecia de volta à estaca zero, pois me incomodou. Mas, o trabalho de pensar nisso e formular as hipóteses pagou seus dividendos: agora eu tinha dois casos para comparar. Por que um me incomodou e outro não? A diferença era a cor da mulher? Ou… peraí…

A diferença era que de cada 100 casais inter-raciais na mídia, 99 são formados por homens negros e mulheres brancas. Eu não me lembrava de muitos exemplos de combinações diferentes. Branca e asiático? Raríssimo. Indiano e branca? Não é comum. Negra e asiático então? Se lembrar de um está no lucro. A representação de casais de homens negros e mulheres brancas é muito maior que as outras! Muito mesmo! E desconfio que deva estar muito próximo dos números de casais de negros na mídia.

O sentimento bateu. Era exatamente isso. Meu cérebro estava me avisando de um padrão estranho sim. Ele não vinha com um sentimento de inadequação ou derrota como eu estava tentando forçar com as hipóteses, na verdade, era bem mais simples: “ei, já notou como esse padrão está se repetindo cada vez mais?”. Ao invés de só olhar para isso e tentar fazer sentido, eu acabei me enrolando em narrativas super complicadas sobre a psique humana e meu medo de ser um escroto inseguro.

E o inconsciente vai mais longe. Não só estava me dando uma percepção bem simples sobre um fato que acontece na mídia moderna, como também estava passando junto o interesse por desenrolar a história com o incômodo que vinha junto. Não, não era um problema com o fato de duas pessoas cuja cor de pele é diferente formarem um casal, é o uso dessa imagem como ferramenta de propaganda política; e uma das mais burras.

Talvez você não tenha essa mesma impressão, mas depois de ler este texto, eu garanto que você vai começar a ver esse desequilíbrio. Para a mídia dos dias atuais, promover relações inter-raciais significa na sua imensa maioria gerar uma combinação bem específica entre um homem negro e uma mulher branca. Esse é o símbolo da mistura entre raças. E isso é um problema…

Um problema porque há um símbolo, para começo de conversa. Diversidade não é contratar só mulher ou fazer um filme só com atores negros, diversidade é tentar representar igualmente as diversas combinações possíveis da humanidade. E com certeza há algo de muito nobre nessa busca. Podemos fazer melhor que a branquidão infinita da mídia ocidental até poucas décadas atrás. Mas, como estava dizendo, por mais que diversidade tenha seu valor, ela não pode vir com esse tipo de vício ideológico.

Porque isso denota que tem algo muito podre por trás do processo: não é exatamente sobre promover imagens saudáveis da mistura do ser humano, é muito mais sobre tentar mexer com pontos fracos do inimigo. E é aqui que eu digo que toda aquela enrolação da primeira parte do texto tem função: se você não é um homem branco, provavelmente não tem aquelas ideias tão internalizadas como eu (e muitos de nossos leitores). A combinação exata de homem negro e mulher branca mexe em especial com a mente do homem branco, vulgo o grande vilão dos lacradores.

E são esses lacradores que estão produzindo boa parte da mídia que consumimos. Seja nos filmes, séries ou mesmo anúncios, pode apostar que a maioria dos criativos envolvidos fazem parte de um mesmo grupo ideológico. Não é uma conspiração da URSAL, é só uma tendência entre o tipo de pessoa que segue essas carreiras. E conhecendo pelo menos a mente das pessoas da área publicitária, posso te dizer que isso nem é tão consciente assim. Surge com naturalidade na cabeça dessas pessoas, é uma chance de “sambar na cara do opressor”. Essas pessoas sabem que os homens brancos na parte de baixo da cadeia alimentar ficam furiosos ao ver essa combinação entre homens negros e mulheres brancas.

A pessoa está avançando sua agenda de diversidade, mas não está se furtando da diversão de ir mexer com as inseguranças de público que considera inimigo. Junte milhares de criativos ao redor do planeta querendo unir o útil ao agradável e você vai ter essa representação exagerada de apenas um arquétipo de casal inter-racial. Eu poderia lavar minhas mãos aqui e dizer que não atrapalha minha vida e quem fica irritado vendo isso merece sofrer mesmo, mas nunca é tão fácil assim.

Não existe isso de ser responsável só se divertindo. Existem efeitos colaterais para essa gracinha de irritar o adversário custe o que custar, e um dos piores é transformar o homem negro com a mulher branca numa espécie de fetiche. Não ajuda na questão do racismo toda essa ideia de que o homem negro “rouba” a mulher do branco. Pode ser hilário para as lacradoras produzindo o conteúdo, pode ser excitante para os homens com fetiche de ser cornos; mas desvaloriza a contribuição intelectual e a função social de uma raça toda. Eu tenho quase certeza que esse não é o objetivo dos lacradores… quase.

Porque, surpresa, não são os brancos que vão pagar esse preço. A presunção de brinquedo sexual não facilita a mobilidade social de homens negros. Quando alguém olha para você e acha que sua família é uma tara alheia materializada, fica complicado ser respeitado. Estou exagerando para estabelecer o ponto: não deixa de ser uma forma de escravizar um povo inteiro, posando de aliados e dando uma facada nas costas. “Vou te usar para atacar meu inimigo, mesmo que isso te desumanize”.

E percebam que eu só posso falar desse problema pelo exagero nessa representação. Se outras combinações fossem tão populares quanto na mídia, toda essa questão de fetiche ficaria isolada em nichos bem limitados, para quem quisesse ver relações entre raças diferentes dessa forma e não como só mais um fato da vida do século XXI. Parece conversa conspiratória, mas eu honestamente não vejo sequer a capacidade dessa gente de se organizar de tal forma, é mesmo uma confluência de gratificações instantâneas com uma consequência nefasta.

Mas é claro, se alguém desse grupo de criativos ler este texto, vai escolher dizer que é minha masculinidade frágil dando desculpas esfarrapadas. Ninguém gosta de olhar para dentro e descobrir que é egoísta e basicamente tão podre quanto quem critica. Não vai ter lacrador formulando hipóteses e tentando descobrir onde está errado, porque a presunção de comportamento correto é uma defesa poderosa contra as besteiras que todos nós fatalmente fazemos.

Só dividi tanto do meu processo mental neste texto porque acredito, de verdade, que vencer o medo de enxergar algo feio dentro de você ajuda muito a esclarecer a mente. Eu me considero curado, voltei a não dar a mínima para imagens de homens negros com mulheres brancas na mídia.

Aliás, minto. Uma coisa mudou: agora eu olho para o homem e acho meio sacanagem com ele…

Para me chamar de racista, para me chamar de macho frágil, ou mesmo para dizer que só o coronavírus importa agora: somir@desfavor.com

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Comentários (22)

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    Wellington Alves

    Essa hipocrisia ficou bem clara numa declaração em que a atriz Fernanda Montenegro deu quando tentava explicar o fracasso da novela Babilônia. Ao dizer que a novela Valorizava a negritude, não os colocando em posições subservientes, abriu um parênteses para explicar que o único que usava uniforme era o motorista, mas que ele pegava a patroa branca. Ou seja, se fosse o patrão pegando a empregada negra, seria um caso clássico de branco opressor, Mas como no caso era a patroa branca que dava para o empregado aí era positivo. pois é como se fosse uma vingança, o negro sujeitando uma branca. não por ser negro, mas por ser o homem.
    Para defender uma narrativa de preconceito racial, a Atriz, convenientemente, atropela o feminismo e deixa o discurso de lado.
    Segue o trecho:
    “Babilônia, de Gilberto Braga, tem uma importância histórica muito grande. O beijo gay do qual tanto se falou não foi um beijo lambido, chupado, uma comendo a boca da outra. Foi a expressão de carinho de duas mulheres de 80 anos que há 40 estão juntas. Mulheres que representam uma elite. Não são ripongas. São bem-sucedidas e responsáveis. Habitam bem, comem bem. Um beijo carinhoso causou todo esse escândalo? Para mim, foi uma manta protetora, para distrair a atenção. Porque a novela foi histórica por outra coisa. Pela afirmação da negritude. Negros, mulatos, pardos, todos se afirmaram pela atitude. Ninguém era subserviente. Ninguém de uniforme, servil. O único de uniforme foi o motorista negro, amante da patroa, e assassinado no começo. Glorinha (Pires) ficou louca de desejo por um homem de outro estrato social. Essa foi a verdadeira revolução da novela. Nunca tantos negros se casaram com brancos, nunca houve tanta miscigenação. A negra que se forma advogada, o que tem sua barraquinha. Isso foi o que incomodou. O resto foi pretexto.”

  • diversidade é tentar representar igualmente as diversas combinações possíveis da humanidade.

    Impossível. Toda semana surge um rótulo novo.

    • A lacração é sua pior inimiga.

      Ou, pior, faz o que faz para não perder a relevância. Pior coisa para eles é um mundo sem rótulos…

    • O FUTURO É COR DE PAPELÃO!

      Quero saber o que vão inventar para sugerir supremacia quando todo mundo for da mesma cor…

  • Por que personagens ruivos são sempre substituídos por negros nos remakes e live-actions? Não é fácil achar um ruivo por aí, quanto mais um ruivo ator, mas isso acontece até em animações (tipo o Bow do desenho da She-ra, uma googlada em inglês te aparecem mais exemplos)

    • Os europeus pegam no pé dos ruivos há muitos e muitos séculos. A Sally tem um texto sobre isso, acho que é só pesquisar por “ginger” aqui no desfavor.

      Mais um tiro no pé, contanto.

  • Por mais que brancos sejam minoria em números, a ‘hegemonia branca’ vai continuar por muito tempo e talvez nunca acabe. Cada vez mais surgem cosméticos e tratamentos estéticos pra alisar e clarear cabelo, afinar nariz, clarear pele, mulheres asiáticas e africanas de classe média ou alta estão comprando esperma de homens brancos ocidentais pra fazer produção independente… E ainda há a possibilidade das pessoas poderem customizar cada detalhe da aparência de seus filhos num futuro relativamente próximo. Não estou julgando as escolhas de ninguém, só constatando. No fim, neandertais não foram derrotados :P

    • Talvez nunca mais dê tempo de desfazer padrões de beleza baseados na imagem dos brancos. Vai ser engraçado um futuro distante onde todos os pobres podem ser branquinhos…

  • Isso também é péssimo pelo reforço da mentalidade de que casar com uma pessoa branca é um status para pessoas não-brancas. “Veja, se você se casar com uma pessoa branca você vai ter mídia e fotinho no outdoor, se você se casar com uma pessoa não-branca igual a você, não vai ter tudo isso”. Lembrem-se, o ser humano médio gosta de atenção e aprovação, redes sociais não são os locais mais frequentados da internet à toa. E por aqui ainda tem aquela mentalidade de “embranquecimento populacional”. Quem aí é “branco brasileiro” e tem avós ou bisavós negros já deve ter ouvido cada coisa bizarra… minha mãe (branca) me conta que quando se casou com meu pai (filho de uma negra e um branco), minha avó falou “Finalmente tem mais branco nessa família” (os irmãos do meu pai são casados com pessoas morenas ou negras). Pois é…

    Na prática, a maioria das pessoas ainda vai se envolver com pessoas parecidas com elas (não digo mesma raça porque, bem, Brasil…). Pode ser atribuído a preconceitos (“não quero filho de cabelo ruim”), mas tem mais coisa envolvida além de cor da pele:
    1) proximidade geográfica, pois nem todo mundo pode viajar pra conhecer o webnamorado que mora do outro lado do mundo
    2) proximidade cultural, vamos falar a real, pessoas que compartilham a mesma cultura tendem a conviver e cooperar melhor. E quem acredita que opostos se atraem é imbecil lobotomizado por filmes de comédia romântica.
    3) classe social, já que a tendência é você se envolver com pessoas de renda parecida com a sua, e já sabemos quais as cores mais comuns na base e no topo da pirâmide, respectivamente…
    4) preferência. Sim, cada um possui suas preferências e isso não é da conta de ninguém. Forçar uma pessoa a trepar com quem ela não quer é literalmente um crime. Pior coisa que aconteceu na história recente foi essa hipnose coletiva de acharmos que temos que nos curvar a lacradores, malditos NPCs…

    • Sim, batem em todo mundo por racismo, mas na primeira chance de reforçar estereótipos, pulam de cabeça.

      E sempre divertido lembrar sobre brasileiro discutindo se é branco. Eu que sou transparente tenho um bisavô negro. Aqui ninguém é de ninguém.

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    Mito dos Lacres

    Engraçado é ver como esses caras em relacionamentos interraciais assim são chamados de palmiteiros pela turminha que vem chorar “a solidão da mulher negra”.
    Pura vergonha alheia.

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    Satori Gomi sem sunga

    Somir, fique com negras, asiáticas, indígenas, mestiças, e verá que são todas mulheres (menos as que cantam em boy bands de k-pop). Depois que eu mergulhei nessa salada étnica, as cores se diluíram. Espante o fantasma do “Mandingo” de sua vida.

  • Acho que muita gente (eu incluso) passou por uma fase reacionária naquela época de crise de refugiados e epidemia de atentados na Europa (que continuam, aliás, só é menos noticiado). Minha teoria é que as pessoas ficaram inconscientemente chocadas por terem sido lembradas de que o estado natural do ser humano é a violência e a falta de educação, e que a civilização é mais frágil do que parece.

    Eu já estive inclinado a acreditar nessa teoria de que judeus conspiram para destruir o mundo, mas um dia percebi que não eram os judeus, mas sim mulheres e homens fracos. Não tem nada a ver com etnia ou religião, se todos os judeus fossem exterminados, eles seriam rapidamente substituídos por machos beta sociopatas e mulheres feias de qualquer lugar do mundo que querem punir toda a humanidade por terem sofrido bullying na escola.

    “Ah mas por que tantos movimentos e associações progressistas têm judeus envolvidos?”
    Pelo mesmo motivo que existe cristã feminista: gente que foi criada sob uma determinada cultura religiosa e se diz pertencente à essa religião por hábito, mesmo não pratique nada da religião e defenda coisas que contrariam seus preceitos.

    “Ah mas por que tem tanto judeu por trás de empresas e do entretenimento?”
    Porque a cultura judaica valoriza estudo e trabalho duro, e geralmente quem faz essas coisas ascende financeiramente.

    E vale invocar a boa e velha navalha de Hanlon: Nunca atribua à malícia/maldade o que pode ser adequadamente explicado pela estupidez.

    • Não poderia concordar mais com você. A humanidade não depende de uma pessoa só para se movimentar, são bilhões de interesses em conflito diariamente.

  • Por que é sempre o preto com uma branca e não o branco com uma preta? Qual a jogada por trás dessa forçada de barra?

    • Porque na cabeça desse povo (lacradores e racistas raiz), homens estão disputando um recurso na figura das mulheres da sua raça. Se um homem rouba a mulher do outro, tecnicamente é vencedor. A combinação de homem branco e mulher negra não geraria o mesmo incômodo na mente dos homens que ficam reclamando dessas coisas.

      E se você continuou não entendendo nada, fique feliz: você tem uma mente evoluída.

  • Além do ponto que vc levantou, os oprimidos não querem igualdade, querem a chance de serem opressores. E para o caso inverso (representação na mídia de casal de homem branco+mulher negra) existe sempre aquela desculpa para evitar esse pareamento (“homem-branco-europeu-colonizador-senhor-de-engenho-abusador-das-escravas”).

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