O assunto estará morto e enterrado até sábado, portanto, como não vai render um Desfavor da Semana (Coronavírus monopolizando os temas), vamos falar sobre ele hoje, o caso Suzy.

Para quem não sabe, um programa da Globo fez uma reportagem sobre a solidão das pessoas trans presas, mostrando a dura realidade e abandono que muitos enfrentam. Uma delas, um travesti que responde por Suzy, comoveu o espectador. Sem receber visitas há oito anos, ela conversou com o médico Drauzio Varella, que lhe deu um abraço em uma matéria bem piegas.

A história comoveu muitas pessoas. Escolas fizeram com que crianças enviem cartas com desenhos e demonstrações de carinho para Suzy, pessoas se comoveram e enviaram cartas de apoio, fizeram inclusive uma vaquinha para arrecadar dinheiro para Suzy. Uma corrente de compaixão e amor como poucas vezes se viu. A reportagem foi bem tendenciosa, dando a entender que as pessoas fazem questão de marginalizar trans, contando o quanto elas são vítimas de preconceito. Nas redes sociais, terra dos Lacro Land, o discurso foi ainda mais exacerbado. Coisas como “o crime de Suzy foi ser negra, pobre e trans”.

Em algum momento, no meio dessa comoção (não foi apenas lacre, o povão de fato se comoveu), veio à tona o motivo pelo qual Suzy estava presa. Curiosamente, foi uma instituição lacradora que foi acionada para ajudar a tirar Suzy da cadeia e disse “não, obrigada”, pois não queria arcar com a repercussão que isso geraria, por causa dos crimes que ela cometeu. Foi aí que as pessoas começaram a se perguntar qual crime ela teria cometido, para que instituições lacrantes não queiram se envolver com ela.

Suzy sequestrou um menino de 9 anos que morava na sua vizinhança. O levou para sua casa e o estuprou de diversas formas, das quais eu vou poupá-los, mas os detalhes estão públicos no processo, que foi divulgado. Quem quiser procure e leia com riqueza de detalhes todas as atrocidades cometidas. Depois de uma rodada de estupros variados, Suzy estrangulou o menino de nove anos e o matou lentamente por sufocamento. Não contente, manteve seu corpo em sua casa por dias. Quando o corpo do menino começou a apodrecer, Suzy o deixou na porta da casa dos pais da criança.

Obviamente o telespectador ficou muito irritado ao ter ciência destas informações e se sentiu traído pela forma como a Globo apresentou o caso. Começaram a surgir críticas contundentes. As pessoas ficaram putas por “gastar” sua comoção, simpatia e compaixão com alguém que, do ponto de vista delas e social, se convencionou que não merece.

E aí, o pessoal da bolha começou a atacar quem criticava Suzy, o programa e o médico Drauzio Varella, dizendo que era transfobia. Complicado. A reportagem fez parecer que por ser trans a pessoa foi marginalizada e acabou presa e isolada do convívio social. Porém, ao que tudo indica, ninguém se afastou de Suzy por ela ser trans e sim pelos crimes hediondos que ela cometeu, e que de fato afirma que cometeu. Não é algo imputado a ela, é algo que ela admite. E foram esses atos que provocaram rejeição social.

Então, pouco importa se era hétero, branca, alien, azul. Pedofilia e assassinato são crimes severamente repreendidos na sociedade atual. Pedófilos brancos, pretos, roxos ou verdes sofrem severa rejeição. Talvez sejam os dois crimes que mais provocam a ira do povo, sobretudo quando cometidos com requintes de crueldade. Qualquer pessoa, de qualquer cor, credo ou orientação sexual sofreria rejeição.

Não que trans não sejam vítima de preconceito, certamente são. Mas essa, em específico, sofreu abandono de parentes e amigos por estuprar e matar um menino de forma cruel e violenta, não por ser trans como se insinuou. E, ao enganar o público desta forma, fazendo-o acreditar que Suzy era uma vítima do preconceito, o espectador se sentiu traído.

Com isso, a Globo reforçou a ideia de que não temos que ter compaixão por ninguém, que quem está preso tem mais é que se foder pois deve ter feito algo horrível e que trans são mesmo criminosas. Não sinta compaixão, você vai se arrepender, algo horrível da pessoa vai vir à tona! Para conseguir audiência, a Globo prestou um enorme desserviço a todos, inclusive às trans. Uma pena que um sentimento tão bacana se amor e perdão tenha saído pela culatra e voltado com o dobro de intensidade na forma de ódio. Parabéns aos envolvidos.

E aí, como costuma acontecer no Brasil, quando a merda fedeu, reviraram a merda mais, mais e mais, até ela ficar dez vezes mais fedida. O brasileiro médio obviamente ficou com ódio do Drauzio Varella, da Globo, da Suzy e de todas as trans. Como mecanismo de defesa, se voltou para o outro lado da moeda: se o que se pretendia apresentar era que trans eram vítimas, agora eles decidem acreditar que trans são sempre vilãs. Trans, presos ou qualquer grupo marginalizado: demonstre compaixão e você vai se arrepender, pois essas pessoas não merecem. Isso é um retrocesso social horrendo.

Drauzio Varella, por sua vez, emitiu um comunicado dizendo que ele é médico, não juiz, e que prefere não saber dos crimes que as pessoas que ele atende cometeram, para não comprometer sua imparcialidade. Ou seja, Drauzio Varella meteu no cu da Globo, pois, se ele não sabia (spoiler: sabia sim), a culpa é toda da Globo que pintou Suzy como uma vítima da sociedade e não como um predador sexual de crianças. Para quem acha este senhor um ser de luz, tenha em mente a saída covarde que ele fez pela tangente.

O pessoal do lacre também não decepcionou. Além da repetição da frase “o crime de Suzy foi ser negra, pobre e trans” ficaram marretando outras frases escrotas, daquelas que garantem a eleição da família Bolsonaro até o ano 3000. Inclusive começaram a comer estranhos no esporro dizendo que “não interessa qual crime ela cometeu, o importante é que ela seja tratada como ELA, pois trans tem o direito de ser chamada pelo pronome feminino. Sim, sim. É ISSO o importante. Meu anjo, a criatura sequestrou, estuprou e matou um menino de 9 anos, jura que é isso que você acha importante defender?

A família tradicional brasileira rebateu a lacração contumaz com “bandido bom é bandido morto”, “pedófilo tem que ser torturado” e muitas outras frases de efeito no mesmo estilo. Todo mundo bateu na Globo, como sempre, e a Globo, como sempre, não se desculpou e continua com índices de audiência ótimos, muito obrigada.

A pancadaria em redes sociais só serviu para uma coisa: para fomentar a polaridade, para criar lados inimigos que se odeiam e se agridem. Não surgiu um bom debate, socialmente produtivo, dessa babaquice lastimável que a Globo fez. Como sempre, surgiram dois lados extremistas, cada um deles gritando que tem razão e que o outro é burro, sem refletir por um segundo. Ou seja, mais uma vez a mídia fomentando a discórdia e mais uma vez o povo burro mordendo a isca.

Sabe o que seria um bom debate? O que fazer com essas pessoas. Pedofilia é uma doença, portanto, a pessoa não escolhe ser assim. Não é uma preferência. Não é uma questão de força de vontade. Não é de sacanagem para ferrar com a vida de uma criança. É uma compulsão contra a qual nem sempre a pessoa pode lutar. Faz o que? Prende? Mais cedo ou mais tarde vai ter que soltar e essa doença não tem cura, sai com a pessoa do presídio. Parece uma boa saída?

Também teria sido muito legal discutir o quanto o sistema penitenciário brasileiro se propõe a ressocializar o preso, mas não ressocializa. Com isso, se coloca o preso na rua muito antes do cumprimento total da sua pena, presumindo que ele está ressocializado, ou seja, soltam monstros na sociedade. Não seria o caso de admitir que o Brasil fracassou na ressocialização e instituir um sistema apenas punitivo? Não há capacidade de ter um sistema que ressocialize, assim como não há capacidade de ter nada de primeiro mundo aqui. Não seria melhor um retrocesso (o sistema meramente punitivo é de fato mais atrasado), porém mais realista e viável quando pensamos na realidade igualmente atrasada do Brasil?

Outro tema interessante: o jovem emocionado que fica gritando “Globo lixo” e, horas depois, está comentando o BBB. Quando a gente acha algo um lixo, não consome. Se consome, melhor calar a boquinha se achar um lixo, pois depõe contra você bradar aos quatro cantos que consome lixo. É como aquela pessoa que fala mal do próprio parceiro, a torto e a direito. Só a própria pessoa se queima com isso. Entretanto, o povo tem uma flexibilidade moral espantosa: Globo lixo, mas vou continuar assistindo. Tá faltando vergonha na cara, minha gente.

Também seria bacana que a Globo sinta que, ao enganar o telespectador dessa forma, pintando uma história comovente de discriminação e exclusão social por ser negra pobre e trans, quando na verdade o real motivo foram crimes bárbaros, ela perde audiência. Pois bem, aconteceu justamente o contrário: ela ganhou audiência. Tudo aquilo em que você coloca seu foco, expande. Mesmo que seja para falar mal. Não gostou? Toca sua vida, nunca mais vê, nunca mais fala a respeito. As pessoas precisam entender de uma vez por todas que falar mal é promover quem quer que seja: Globo, Lula, Bolsonaro… e parar de fazer publicidade gratuita para seus desafetos.

Mais um assunto que renderia um bom debate: aqueles que pregam que erros devem ser perdoados, crimes devem ser perdoados e que solidariedade e compaixão não podem ser seletivos, estão prontos para perdoar a lavagem de dinheiro dos filhos do Bolsonaro? Pois é, se compaixão com crime não pode ser seletiva, tem que perdoar TODO MUNDO. Seguem seu próprio discurso? Não seguem. São hipócritas.

Muitos chegaram ao cúmulo de dizer que se você não viu o crime acontecendo, não pode condenar Suzy, pois podem haver erros no processo (além de Suzy confessar o crime, diversos familiares seus também confirmaram). Os mesmos que por muito pouco ficam berrando que Bolsonaro matou Marielle. Aí eu te pergunto: se Eduardo Bolsonaro fosse preso sob acusação de estuprar e matar um menino de nove anos, essas pessoas teriam compaixão e diriam que não pode condenar a menos que você veja o crime? Coerência. Ou todo mundo merece o benefício da dúvida, ou ninguém merece.

Não vou entrar no mérito sobre se devemos ter compaixão e solidariedade com criminosos, não é esse o objetivo do texto. O ponto em destaque é: sagrado direito seu ter ou não ter compaixão, mas tem que valer para todos. Ou não julga ninguém ou julga a todos. Ou um governo pode matar as pessoas por seus motivos (estilo Cuba e seu paredão de fuzilamento ou Hitler) ou ninguém pode. O que não dá é achar que quem comunga com a sua ideologia pode tudo e quem não comunga não pode nada. “Se matar tal grupo pode, se matar este outro grupo não, aí é imoral”. Não dá. Isso é pensamento de criancinha de cinco anos de idade. Adultos devem ser capazes de compreender e colocar em prática o conceito de coerência.

Por fim, o último grande desfavor dessa tsunami de bosta: faz parecer que todos progressistas, que todos esquerdistas, que toda a oposição é a favor de quem estupra e mata um menino de nove anos e que é isso que vai acontecer em larga escala se a oposição subir ao poder. Nesse ritmo, a família Bolsonaro se elege até o próximo século. Não dá para não imputar responsabilidades a uma pessoa pelo simples fato dela ser trans. Aconteceu uma coisa grave, que se você condenaria em um branco hétero, tem que condenar em uma trans também. Não é sobre quem faz, é sobre o que se faz.

Imagina o alvoroço das Tias do Zap quando essa notícia e os comentários da lacrolândia defendendo Suzy forem divulgados. Quando os comentários mariadorosarianos de políticos de esquerda dizendo que Suzy é uma vítima da sociedade foram divulgados. Minha Nossa Senhora da Bicicletinha, calem a boca! Não cansam de ser cabo eleitoral do Bolsonaro não? Se não por coerência, calem a boca por estratégia!

Enfim, a merda está feita, está fedendo e todos nós somos obrigados a cheirar. Suzy ganhou uma polpuda vaquinha em dinheiro, deve estar esfregando as cartinhas e os desenhos das crianças no pau e o povo está cada vez mais convicto que a melhor dinâmica social é o ataque e a defesa. Só piora. Parabéns aos envolvidos.

Para dizer que este texto é transfóbico, para dizer que este texto passa pano para trans ou para dizer que acha tudo muito bem feito para todos: sally@desfavor.com

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Comentários (46)

  • O problema de afrouxar valores e relativizar o que é certo e errado é acabar virando o mundo de ponta cabeça. Começam tratando pedófilo com menor punição, acabam soltando “ele não é tão errado assim, não é tão culpado, coitado dele”, no final vai virar normal. Tenho nojo.

  • O jornalismo da Globo se divide entre os jornalistas mais velhos que se julgam os “sobreviventes de 1964” e os mais novos, que passam o curso de Jornalismo inteiro fazendo sarau de dedo no cu e sendo doutrinado por professores sindicalistas, o que sai da faculdade é um homúnculo que grita Lula Lá e Helenão. Os mais velhos se dividem nos núcleos PSDB-PT e os mais novos costumam ser militantes do PSOL.

    Em comum os dois tem uma coisa: subestimam e desprezam o telespectador. O jornalista mais velho simplesmente não entendeu que as coisas mudaram com a internet e ainda vivem num mundo onde todo mundo depende dele pra ficar sabendo das coisas. No caso do travesti, eles pensaram que ninguém seria capaz de chegar no inquérito do cara porque eles não estavam dando as ferramentas pra isso.
    Já o jornalista mais novo é incompetência mesmo. Vêem a oportunidade de lacrar e ignoram todo o resto.

    • “(…) Já o jornalista mais novo é incompetência mesmo”. Nem me fale! O que eu já passei de raiva com essa cambada em redações – ou mesmo só lendo em casa as asneiras que eles escrevem – não tá no gibi… E quanto a esse bando de jornalista mais velho que “não entendeu que as coisas mudaram com a internet” e se julga “sobrevivente de 1964”: tive aula com alguns desse tipo na faculdade, ainda no SÉCULO PASSADO e DEPOIS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM E DA URSS! E já naquela época a postura deles era uma coisa tão anacrônica…

      • A história moderna do Brasil no universo acadêmico gira em torno única e exclusivamente da ditadura de 1964. O que teria levado a ela, como era a vida durante a ditadura (segundo os professores praticantes de petofilia, era uma versão ainda mais opressora do 1984 de George Orwell), e seus reflexos na atualidade.

        O filho de um amigo meu teve seu primeiro dia de aula nessa segunda-feira na Universidade Estadual de Londrina. Começou o curso de Direito, e a primeira “aula” é uma apresentação do curso num dos auditórios da universidade. O pai dele me mostrou o folder do evento e as anotações que o filho fez, e basicamente os temas giravam em torno da ascensão da extrema-direita no Brasil, de como o povo está sendo enganado pelo Bolsonaro, e de como o Bozo está destruindo a educação e o jornalismo no Brasil.

        Eu mesmo estudei lá durante o governo Lula, e sem brincadeira, segundo os professores, o Brasil deveria deixar de dividir o calendário em Antes e Depois de Cristo e dividir em Antes e Depois de Lula. Segundo o material bibliográfico que nos era apontado, antes do Lula assumir o Brasil estava na Idade Média, como se a população fosse dividia entre 99% de indigentes e 1% de burgueses. E a ditadura, claro, não ficava devendo nada à Alemanha Nazista, e quem ousasse dizer algo como “eu acho que os pobres deveriam ter uma vida digna” era capturado pela polícia e levado a um campo de concentração pra ser torturado até a morte.

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    Geraldo Renato da Silva

    O que está acontecendo basicamente é que o vitimismo está tomando conta de tudo; há alguns anos, todos nós éramos seres humanos, mas hoje, somos divididos por uma série de rótulos e coitado de quem tentar defender que somos iguais…
    Se uma pessoa não consegue algum objetivo, ao invés de aceitar o seu fracasso e seguir em frente, culpa a sua condição sexual, racial, social, etc. O mérito fica sempre em último lugar.
    E para terminar, não culpem a Globo: esta TV morreu com seu fundador, há cerca de 20 anos.

    • Concordo! Tem sempre um fator externo para justificar, a pessoa nunca assume responsabilidade por sua vida, suas escolhas. Mas a Globo não morreu, ela continua faturando bilhões…

  • Finalmente Dráuzio Varella recuou, pediu desculpas e justificou-se. A Globo, idem, juntando-se à hipocrisia do bando de escrotos que babam ovo numa mulher trans presa num dia, e que depois recuam, mesmo sabendo que todo preso merece (em tese) ressocialização.

    Sally, nesse ponto, está corretíssima: se você é esperto, de fato, pede interdição judicial do criminoso. Deixa ele trancado, até que um médico diga que esse cara é são (dica: nunca ele fará isso).

    Agora, espero que algum jurista renomado diga o óbvio: Suzy também merece voltar ao convívio social… ninguém vai dar a mínima, todos vão crucificar o cara, mas ele estará do lado da legislação. E aí?

    • A Globo se desculpou mais ou menos… aquela desculpa que na verdade foi um ataque, né? Deu uma baita alfinetada no final, dizendo que ao contrário de outro, não se pronunciou pois não podia falar. Achei escroto demais.

  • Sally, pergunta aqui: será que dá pra pensar, ou associar de alguma maneira, a incoerência do brasileiro com a hipocrisia socialmente institucionalizada? Digo pensando num sentido histórico e social amplo, já que essas incongruências não vem de hoje… Mais do que isso: onde foi, em que ponto aconteceu que brasileiro se tornou tão burro pra pensar o mínimo, deixar de ter empatia e querer discutir (polemizar, lacrar…) com praticamente qualquer coisa?

    • O brasileiro é uma mistura desgraçada, desde sua origem: portugueses corruptos e cagões que vieram para cá fugindo para não levar um pau + índio cuzão (os índios guerreiros, conquistadores, valentes, estavam todos mais pra cima do mapa, onde tivemos as grandes civilizações nativas como os Incas e os Maias) + escravos trazidos da África em condições desumanas, que não queriam estar aqui e que eram obrigados a trabalhar mediante violência física.

      Tem como esse mix de pessoas dar em um povo bacana?

      Corruptos do mesmo jeito da família real em fuga
      Covardes e preguiçosos do mesmo jeito dos índios acomodados
      Trabalhando de má vontade do mesmo jeito que os escravos faziam

      Não tem qualquer condição do Brasil dar certo e melhorar. É estrutural. Espero não ser presa por esta resposta.

      • Eu sempre queimei minha cabeça tentando achar a causa do caráter br, agora vc matou a charada! Só pode ser isso, a origem, dna ruim. Porque vc olha pra outros lugares e vê que ser humano não é ruim, é só o brasileiro! Isso tinha que ter uma razão. Pior que isso não tem como resolver, né?

        • Não é só o DNA, são as condições nas quais as pessoas chegaram aqui e construíram o país.

          Os portugueses corruptos vieram fugindo, em uma dinâmica de medo, de putez por não poder estar em suas terras. Os índios foram oprimidos, dizimados, sacaneados. Os escravos então, imagina o sofrimento. Quem trabalharia com esforço e excelência acorrentado e recebendo chibatadas? A mentalidade, desde sempre, foi a pior possível. Uma sociedade de gente puta, com medo revoltada. Podia dar certo? Claro que não.

  • Ainda que o caso Susy seja esquecido antes da eliminação do próximo BBB, acho ele icônico pois mostrou que a informação mudou de lado. A Globo quis passar uma ideia, uma cena apelativa, esperando que ninguém conseguisse informações sobre o caso, uma vez q quando ocorreu o assassino era casado e ainda homem.
    Se eu fosse trans estaria muito puta com a Globo, pois eles conseguiram piorar o preconceito. Parabéns aos envolvidos!

    • Lica, eu acho muito previsível que o que Suzy fez vazaria. Acho que a Globo fez premeditado mesmo, sabendo que ia vazar e ia gerar polêmica, para conseguir visibilidade. O que torna tudo ainda pior, usaram a infeliz de uma forma que provavelmente arruinou ainda mais sua vida.

  • eu fui abusada sexualmente aos 17 anos por um homem de 33, fui drogada e torturada, cheguei em casa machucada, sangrando, fiquei cheia de hematomas e arranhões, a minha calcinha estava ensanguentada. e quer saber quem me ajudou nessa hora? NINGUÉM, absolutamente ninguém.
    aminha mãe duvidou da minha palavra mesmo eu ainda estando chapada, sangrando e tendo crises de pânico na frente dela, eu fui humilhada dentro de casa, escutei por semanas como eu era uma “vagabunda”, tranquei o colégio e passei 3 meses sem conseguir chegar na porta de casa.
    o meu estuprador me mandou mensagens horríveis no dia seguinte e me bloqueou em seguida, o homem sumiu do mapa e sabe-se Deus onde está agora. e vocês querem falar da ressocialização de uma pessoa assim? o meu estuprador era meu amigo, trabalhava, frequentava a minha casa conhecia a minha mãe. era um homem saudável e “normal” do tipo que você encontra facilmente na rua, estupradores e pedófilos NÃO estão doentes. eles não são débeis, SABEM o que fazem, e fazem com gosto.

    • Não consigo nem imaginar por tudo que você tenha passado, nem defendo que todo estuprador é doente, muito menos que não sabe o que faz. Mas pedofilia é considerada uma doença, quero dizer, o fato de se sentir atraído por uma criança é uma patologia. Isso não está nas mãos da pessoa mudar, portanto, ela vai ser assim para o resto da vida. Ai eu te pergunto: como colocar de volta na rua alguém que vai ser assim para o resto da vida e vai fazer isso novamente?
      Por esse motivo eu acho que legalmente deveriam ser tratados como doentes: há um limite de tempo para ficar preso no Brasil, depois a pessoa é obrigatoriamente solta, mas não há limite para internação de pessoas consideradas doentes que cometeram crime, esses podem ficar trancados para o resto da vida. Então, na intenção de que essas pessoas não retornem à sociedade, eu defendo que sejam enquadradas como doentes.

      • Sinto por você, anônima. Fiquei com o coração na mão quando li.

        Sally, o que você acha de prisão perpétua? Até países desenvolvidos a utilizam.

        • Eu acho que certos casos irrecuperáveis não tem outra solução a não ser o afastamento da sociedade para sempre. A merda é o contribuinte ficar pagando para sustentar uma massa “irrecuperável”. Ao mesmo tempo, pena de morte não me cai bem. É uma questão para a qual não tenho uma solução satisfatória…

      • Foi o que aconteceu com Febrônio índio do Brasil “O Filho da Luz”. Ele ficou encarcerado de 1935 até 1984, ano de sua morte, aos 84 anos.

        • Independente das minhas convicções pessoais, eu acho que o melhor para a sociedade que uma pessoa que estupra e mata uma criança fique fora do convívio social o resto da sua vida. É uma forma torta de forçar uma prisão perpétua…

      • foi há 3 anos, estou fazendo terapia mas até hoje nunca mais fiquei 100% a vontade perto de homens, é frustrante ver essa cobrança de perdoar e ressocialozar quem não merece porque temos que ser “civilizados”. não acho que ressocializar assassino e abusador vai transmitir uma boa mensagem pra sociedade, sabe…

        • Você não “tem que” NADA.
          Não tem que perdoar, não tem que seguir vida normal, não tem que isso, não tem que aquilo. Só quem passou sabe e cada pessoa lida de um jeito. Dentro das suas possibilidades, você vai fazer o melhor que conseguir e, qualquer que seja o resultado, ninguém pode ou deve julgar.

          Espero que em algum momento ao longo da sua vida você consiga, de alguma forma, retirar importância e significado desse evento e dessa pessoa, não permitindo que isso afete tanto a sua vida. Se estiver ao seu alcance, não permita que um ser humano tão horrível e desprezível tenha tanto poder.

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      Mito dos Lacres

      17 anos pedofilia? É o caralho!
      Pra efeitos de legislação a idade de consentimento na maioria dos países varia entre 14 e 16 anos, sendo que aqui vigora o valor de 14 anos.
      Isso NÃO torna o abuso sexual menos pior, mas a tendência da falta de apoio em tais queixas se deve seja a dificuldade ou quase impossibilidade de identificar e reter os suspeitos (o banco de dados da polícia aqui se limita quase que só a digitais e a registros grafotécnicos, sendo a biometria uma implementação recente) e a tendência a que em boa parte dos casos haja retirada das eventuais queixas.
      Momento desfavor: Foram dizer que sexualizar a Greta é pedofilia, mas lá na Suécia, se ela e um eventual peguete quiserem fazer sexo consensualmente, os dois podem.

  • Valeria o ingresso se a Suzy tivesse dado uma dedada no furico do Dráuzio durante o abraço. Enfim, coisas que só acontecem na imaginação.

  • Globo investiga até os peidos que o Bolsonaro solta e jura que não sabia o crime que a “””””””””Suzy”””””””” cometeu? Não fode! Brasileiro pode ser ignorante pra muita coisa, mas não é burro a esse ponto.

    Triste foi ver a mãe do menino assassinado falando que nunca recebeu um abraço, um prato de comida, uma palavra de apoio e teve que ver o monstro que matou o filho dela ganhando abracinho e afago de doutor (e da mídia) em rede nacional. Revoltante!

    • Sabia sim, claro que sabia. Não existe fazer uma reportagem em um presídio e não saber o que o preso fez. Sabia o que ela fez e sabia que isso ia vazar. Foi uma polêmica programada.

  • Passamos por crises, morremos em guerras e construímos uma civilização sólida; tudo isso para a nova geração cagar tudo. O ser humano necessita de conflito. Quando não há conflito, ele combate à si mesmo. A depressão e o niilismo nunca estiveram tão em alta.

  • Não descartaria a idéia de que o tal Suzy criou essa identidade trans justamente para que não associassem ele ao crime que cometeu, porque ele sabe o que acontece com pedófilos e estupradores na cadeia. Questão de tempo até que ele apareça morto, porque agora todo mundo, incluindo presos e policiais, vão saber da abominação que esse cara fez.

    • Se não morrer, pode ter certeza de que todas as portas estarão fechadas para ela aqui fora, quando sair (é questão de tempo).

        • Exato! Se essa “Suzy” tivesse sido um pouco mais inteligente não teria aceitado participar desse teatrinho da Globo. Não que Esteja com pena, mas fosse eu no lugar “dela”, depois de ter destruído a vida de um terceiro inocente e a própria vida também, arranjaria um jeito de subverter as leis da física e ficar invisível literalmente. Agora todos sabem quem e como ela é e quando ( e não se) ela for morta, a Globo não vai estar nem aí.

          • Será que Suzi sabia exatamente como isso seria montado? Será que ela tinha ideia da manipulação que a Globo ia fazer?
            Ficar quase uma década preso te tira noção da realidade e da sociedade, provavelmente Suzy não tem a menor ideia de como está a dinâmica social agora.

  • Antes de comentar deixe eu colocar meu chapéu de alumínio…

    A meu ver a Globo sabia a bosta que ia dar e viu que isso ia refletir em audiência.
    Eu mesmo, que a anos não vejo Fantástico e nem vi a reportagem, estou sabendo todos os pormenores do caso.
    Lacradores e mitadores vão passar mas a Globo ainda vai ficar por aqui…

    (Tirando o chapéu)
    Agora já podem trazer a camisa de força.
    Tamanho M, por favor.

    • Eu acho que a intenção é gerar mídia mesmo. Criar polêmica, ser falado, ser lembrado.
      A audiência deles aumentou depois disso. Compensa fazer esse tipo de coisa.

      • Nas últimas semanas, a Vera Megalhães começou a usar a estratégia do clickbait pra gerar engajamento nas redes sociais. Ela faz, de propósitos, declarações absurdas e controversas justamente para que a galera fora da bolha de cu e lacre as encontrem e reajam agressivamente contra ela.

        Talvez essa postura da Globo indique que eles vão entrar no caminho do jornalismo clickbait.

    • Se sobrar um pouco no rolo de alumínio, passa pra mim…

      Assim que eu vi a repercussão da matéria, enquanto ainda falava-se da pobre Suzy, eu achei arriscado fazer tudo aquilo sem saber o crime que a pessoa tinha cometido.

      Impossível que ninguém na Globo tenha se tocado disso durante o LONGO processo entre gravar, editar e veicular a matéria.

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