O mundo mudou.

Graças ao Coronavírus o mundo mudou e mudará muito – e muito rápido. Vale a pena fazer uma reflexão sobre o assunto, pois quem não entender e se adaptar a esta nova realidade, vai passar por muito sofrimento. A regra é: desapegar de tudo que você sabia, conhecia ou aderia em matéria de conceitos sociais. Saiba desaprender para reaprender o que está por vir, pois o mundo, como o conhecíamos, já era.

Começo com um exemplo meu: vocês sabem, já faz muito tempo que eu queria sair do Brasil. Foram muitos meses de estudo, entendendo as oportunidades do mercado de trabalho, segurança, prestação de saúde pública, cultura e outros fatores de diversos países. Foi uma decisão muito estudada e pensada. Quando os fatores que me prendiam ao Brasil não estavam mais presentes, chegou a hora de partir.

Meu local de escolha era Europa, que, até o ano passado, era de fato um dos melhores lugares do mundo para se viver. Porém, tudo mudou muito rápido e a Europa, principalmente a Itália, país europeu que eu mais gosto, subitamente se transformou em um dos piores lugares do mundo para se viver. Algo que era uma certeza há muitos anos, ruiu em questão de meses. Os planos tiveram que ser mudados às pressas, mesmo com passagens compradas, mesmo com todo o estudo e cautela da minha escolha.

Isso está acontecendo com todo mundo, e vai acontecer muito mais. Se ainda não aconteceu com você, saiba que vai acontecer. Esteja aberto, esteja ciente da impermanência master na qual passaremos a viver. O que você queria ou planejou não deu certo? Tá tudo bem. Não se aborreça, não esperneie, não se frustre. Se não aconteceu, não era para acontecer. Talvez algo ainda melhor esteja esperando por você. Talvez as coisas dariam terrivelmente errado se você se mantivesse agarrado ao plano original. Vá fazendo sua cabeça para lidar com a impermanência a todo momento.

Estamos vivendo um período onde o mundo, as regras sociais e nossas vidas estão de cabeça para baixo. Se antes eram os pais quem cuidavam dos filhos, hoje são os filhos que cuidam dos pais, brigando cada vez que um deles quer sair de casa. Idosos tem menos flexibilidade para mudanças, geralmente se apegam a uma rotina e se sentem seguros nela. Dá trabalho aniquilar a rotina de um idoso e fazê-lo entender que, a essa altura da sua vida, tudo tem que mudar. Sim, ir à lotérica é um risco, ir ao mercado é um risco, sair de casa é um risco. Essa é a realidade que nos foi dada, não adianta lutar contra ela. Por agora, não está ao nosso alcance modificá-la.

Como vimos no meu exemplo, lugares que eram considerados bons lugares para se viver estão se tornando péssimos lugares para se viver. O sonho dourado do brasileiro de viver nos EUA se tornou um pesadelo, graças à alta propagação do Coronavírus somado à precariedade do sistema de saúde do país.

Europa também é um barril de pólvora, o que explodiu na Itália está se alastrando e já começa a contaminar Portugal e Espanha em proporções assustadoras. Mesmo em países muito desenvolvidos e civilizados, como a Alemanha, se espera que 70% da população seja contaminada pelo Coronavírus e se sabe que não haverá atendimento médico de qualidade para essas pessoas.

As relações sociais estão mudando. Acabou essa história de conhecer pessoas por aplicativo, de se envolver casualmente com alguém na balada ou no barzinho, de contratar uma prostituta para aliviar seus desejos sexuais. Relações descartáveis hoje representam um risco. Múltiplos parceiros representam um risco. Ou adultinho fecha uma parceria para a vida, uma relação sólida com alguém, ou vai ter que passar um bom tempo sozinho. A promiscuidade tão comum ao Brasil está encontrando um freio biológico, quem persistir nela, vai morrer ou matar seus pais e seus avós e muitas outras pessoas.

A ideia de diversão vinculada à aglomeração, também muito comum no Brasil, precisará ser repensada. Shows, praias e até cinemas são um risco que não vale a pena se correr. Lazer coletivo está inviabilizado e as pessoas estão colapsando por não saber lidar com isso. Para muitos, isso significa ter que passar bastante tempo consigo mesmos e a ideia desagrada. Quando você não trabalha o interno, só o externo, realmente deve ser muito ruim ter que ficar consigo mesmo. É como ser obrigado a morar em uma casa precária, sem infraestrutura.

A ideia do Governo como uma entidade que protege o cidadão também está ruindo lindamente. Sabemos que nunca foi verdade, mas muita gente acreditava nisso. Há uma tendência nacional a pensar no Governo de forma paternalista, como uma entidade que tem a obrigação de resolver os seus problemas. Se tudo mais der errado, se a coisa ficar realmente feia, um Governo não vai permitir que seus cidadãos morram como moscas, certo? Errado. Até países mais patriotas como os EUA estão com dificuldades de proteger os seus.

O Governo brasileiro nem se fala… joga contra a vida das pessoas, ou cada um se faz responsável por sua vida, ou vai morrer esperando uma atitude eficiente do Governo. Acabou, não dá mais para tapar o sol com a peneira, você é o único responsável por seu futuro. Suas escolhas, suas atitudes, seu senso de sacrifício determinarão se você vai morrer velhinho dormindo em uma cama confortável ou jogado em uma maca em um corredor de hospital transbordando de doentes, sofrendo e em isolamento. Cuidem-se, não é exagero, é indispensável se cuidar agora, é isso que vai definir sua vida ou morte, a vida ou morte dos seus familiares.

E não me refiro apenas a cumprir uma quarentena. É no geral. Na Itália, um dos fatores para a alta letalidade do Corona é o grande número de fumantes. Se você fuma com uma pandemia mundial que ataca os pulmões de forma impiedosa, saiba que Darwin está de olho em você. A forma como cada um cuida da sua saúde e imunidade (alimentação, horas de sono, uso de álcool, uso de drogas, etc.) vai ser crucial para definir quem vive e quem morre, pois, meus queridos, desculpa a sinceridade, infectados quase todos nós seremos. E muitos jovens estão morrendo, mesmo sem condições preexistentes.

Isso quebra a crença que temos desde sempre sobre jovens serem imunes a doenças, pois seu corpo se recupera rápido. Até então, salvo exceções que chocavam todos à sua volta, jovem morria de acidente de carro ou outra fatalidade externa. Acabou a imunidade. Além disso, jovens agora são vetores de transmissão, portanto, mesmo que não morram, podem matar seus pais, seus avós, seus vizinhos. Taí uma responsabilidade que o jovem brasileiro nunca enfrentou.

Agora vai ter que enfrentar, provavelmente sem estar preparado. Muitos negarão, acharão que nada vai acontecer e terão que lidar pelo resto da vida com as consequências se algo der errado e eles forem responsáveis pela morte de um ente querido. Muitos não suportarão o peso da responsabilidade ou das restrições e sucumbirão a depressão, levando, quem sabe, ao suicídio. Poucos passarão com a cabeça erguida por essa pandemia, pois não tem casca, não tem noção da realidade, não tem dimensão de problemas reais.

Então, apesar do Coronavírus ser vinculado a idosos, acredito que os mais impactados serão os jovens. Não por mortes, mas por ter sua realidade, suas crenças, brutalmente desfeitas sem ter ferramentas para lidar com isso. Não pode mais ser promíscuo, usar qualquer substância recreativa se tornou um risco pelos danos causados ao sistema imunológico, sair de casa para se anestesiar não é mais uma opção, mimizar diante de uma pandemia não vai ser endossado pois tem gente com problemas reais no mundo todo. Uma juventude sem senso de sacrifício vai ser exposta, de uma hora para a outra, a restrições imensas com força policial que as obrigue a cumprir. Vai ser um choque.

Já se vê que é uma gerção mimizenta e sem senso de sacrifício pelo grau de reclamações sobre “ficar preso em casa”. Esta semana vi uma entrevista com uma pessoa que lutou na guerra das Malvinas e contou que ficou 15 dias em uma trincheira, em um buraco úmido no chão, em um frio do cacete, bebendo água suja para sobreviver, com um fuzil nas mãos, esperando ser atacado a qualquer momento, tremendo de frio e passando fome, mandando que essa juventude de merda tenha vergonha na cara e não se queixe de ficar um tempo dentro de suas casas, com banheiro, cama e outros confortos. É bem isso, quem nunca fez sacrifício algum não tem ferramentas para lidar com isso.

Ficar confinado não é agradável, mas está longe de ser o pior cenário. Essa pandemia vai ensinar muito a essa geração lacradora vitimista. Agora surgiu um problema real. Agora não dá mais para reclamar do nome “tomara que caia” ou se revoltar por alguém se recusar a escrever em “linguagem inclusiva”. Suas causas (portanto, seus holofotes) foram todos para a casa do caralho. Sua gana, sua garra, sua militância também. Estão todos se cagando escondidos debaixo da cama dos pais. Bem vindos ao mundo real, a problemas reais. Será que terão estrutura para encarar essa?

E tem muito mais coisa para acontecer. Com tantas pessoas em quarentena e/ou fazendo home office no mundo é possível que haja uma crise, uma pane na internet. Já pensou? Preso em casa sem internet? Ter que conversar com a sua família? Ter que escutar o que sua mente te diz quando o quarto ficar no silêncio? Mas calma, que esse nem é o maior dos problemas.

Muitas empresas e instituições vão falir. O que ontem tinha muito valor, como ouro ou dinheiro, talvez amanhã não tenha. Quem acumulou riquezas depositando sua segurança nisso, pode aprender do pior jeito de que sua segurança nunca pode ser depositada em nada fora de você. O Coronavírus matou o presidente do banco Santander, então, acho que dinheiro não é mais garantia de nada. Quando todos os leitos de todos os hospitais particulares estiverem abarrotados, você pode jogar maço de dólar na recepção que morre do lado de fora do mesmo jeito.

Se espera uma grande recessão mundial e uma quebra em massa de pequenas e até médias empresas. “Mas Sally, sempre vai ter uma grande empresa para nos prestar serviços”. Sim, o problema é que, hoje, no mundo, pequenas e médias empresas são responsáveis por 70% dos empregos. Então, veremos um desemprego como nunca antes visto. Isso vai mexer com a dinâmica de trabalho, com o mercado financeiro e com muitos outros fatores.

Muita gente está passando por estes tempos difíceis se escorando na certeza de que, em algumas semana ou meses, o mundo voltará a ser o que era antes. Não voltará, como nunca voltou, desde sempre o mundo muda, em maior ou menor proporção, mas nunca retrocede. Grandes eventos como esse modificam o mundo, a dinâmica social e tudo que nos cerca de forma significativa. Não esperem que o mundo volte a ser o que era antes, o que veremos daqui pra frente é um novo mundo, com novas regras e novas dinâmicas. E talvez isso assuste mais do que pegar a doença em si.

Como é sua capacidade de adaptação? Como anda sua flexibilidade? Comece a trabalhar esses aspectos na sua mente. O que mais está desestruturando as pessoas é a falta de certezas. Coisas que eram dadas como certas, por exemplo, saber que tinha o sagrado direito de sair para tomar um chopinho com os amigos, ruíram. Sem certezas quem não mantém a mente em um bom lugar se desespera. Essa necessidade de ter controle de tudo, de acreditar que certas coisas são eternas, imutáveis, garantidas, vai levar muita gente à ruína, à loucura ou à morte.

Não sejam essa pessoa, estejam abertos para se adaptar a o que quer que aconteça e não tenham expectativas sobre o que vai acontecer: apenas se mantenham neutros e abertos, recebam a novidade e adaptem-se a ela. É isso que vai assegurar a sua sanidade mental nesses tempos difíceis que nos esperam.

Não sejam essa pessoa que pede o almoço, come o que quer e depois não quer pagar a conta. Nós, como humanidade, fizemos escolhas muito erradas por muitas vezes. Todos nós. A conta está chegando. Parem de choramingar, espernear, e se sentirem injustiçados. Não somos vítimas. Vamos encara a conta que chegou com o máximo de graça e dignidade que seja possível?

Os deixo com uma pichação em um muro de um país asiático castigado pelo Coronavírus: “Não podemos voltar ao normal, porque o normal era exatamente o problema”.

Sem medo, sem tristeza, sem desespero. Neutralidade. Aceitem o que não pode ser mudado e aprendam a conviver com isso. Aqueles que se mantiverem mentalmente sãos, são os que farão a diferença no mundo. A grande riqueza, daqui pra frente, é você dominar sua mente, e não ela a você.

Para dizer que não admite que o mundo mude, para dizer tá achando bacana ver o circo pegar fogo ou ainda para dizer que tudo isso é fantasia: sally@desfavor.com

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Comentários (39)

  • O filosofo Luiz Pondé resumiu bem: “O Brasil vai ter que encarar que enfim a festa acabou”. Quem vive de festas vive fora da realidade. Agora vamos encarar a realidade da falta de dinheiro do governo e das pessoas, de saneamento, de projeto de país, de civilidade… Concordo que estamos indo em direção a vida animal, de cada um por si, e que essa ideia de que uma parcela da sociedade tem que viver sustentando a outra por meio do Estado nao é suficiente.

    • Temos que destacar que nossa desumanidade dos ultimos tempos, seja em redes sociais, seja na morte de refugiados no mar e imigrantes em fronteiras, merecia uma freada. Natureza mostrando que a morte não é apenas alheia.

  • Meu sobrinho de 4 anos chegou em casa e ao invés de vir me abraçar para pedir “bença” como sempre faz estendeu a mãozinha e disse “já passei álcool tia”. Foi meu momento de certeza que o mundo mudou.
    Depois de uma primeira semana bem improdutiva estou colocando coisas em dia e revendo vários planos. Mas admito que manter algum otimismo está quase impossível.

  • Queria viver isolado das notícias tbm, mas acho q só vou conseguir isso se um dia eu sair do Brasil e for pra um lugar pacífico, pq aqui me dá a impressão de q a qualquer momento pode acontecer uma catástrofe q vai me matar., queria ir pra um lugar bom e distante e nunca mais me preocupar com isso, é cansativo e desgastante.

  • Na verdade acho que o mundo precisava mesmo de uma crise dessas, chega de gente com o rei na barriga!
    Como você disse: nada como um problema real pra afastar os lacradores, tava insuportável.

  • Sally, mas se tu for pra Europa mesmo, o desfavor vai continuar?
    E sobre o texto, bem… Pois é, to chocado com o monte de gente surtando tendo que ficar dentro de casa, supostamente sem fazer nada, entediados e tudo mais, porque não conseguem ou não aguentam ficar quietos, não conseguem ouvir sua voz interior, tem sempre que ter barulho externo, uma tv ligada, uma distração. Mais do que isso, tem sempre que se sentir útil, fazendo alguma coisa, rendendo, afinal, não pode parar, o comércio, a economia, enfim. Esse tipo de pensamento utilitarista só me leva a pensar como a sociedade está doente, e como esse molde (seja lá que nome dar pra isso, capitalista, neoliberal, enfim) nos afeta sobremaneira.

    Sobre os relacionamentos, tendo a pensar que ainda vão existir tinders e apps da vida e relacionamentos de plástico por aí, viu? Se bobear, até o tal do sexo virtual com direito a simulações por vídeo transferências e objetos que vibram, enfim…

  • Então existe pessoa mais azarada do que eu! Vc se preparou tanto e na hora de sair da selva, seu país escolhido acabou. Quanto tempo vc acha que o Brasil aguenta parado? Porque já soltaram detentos, agora a previsão de 40 milhões sem emprego. Viveremos num the walkimg dead dos arrastões! Podia isolar só o grupo de risco igual fez Israel.

    • Depende do ponto de vista. Me considero sortuda por ter explodido antes que eu estivesse lá…

      Não tenho ideia de quanto tempo o Brasil aguenta, todos os dados divulgados são falsos, mascarados, não tem como fazer previsão.

  • Se o brasileiro médio, até hoje, não tinha desenvolvido senso de coletividade e, principalmente, responsabilidade individual, chegou a hora de desenvolver nem que seja à força (embora eu ainda duvide muito – ainda creio que vai chegar um momento em que vão ligar o ‘foda-se’ e sair de casa porque “num vai dar nada não, já peguei coisa pior e num murri”).

    Eu compreendo até certo ponto a agonia do pessoal ficar trancado em casa, mas as vezes também acho que é puro drama e vontade de dar show na internet (principalmente celebridade gringa).

    • Tem gente em baile funk, tem gente em rave, tem gente dizendo que ir à praia vale o risco de se contaminar.
      O brasileiro é o principal predador do brasileiro.

  • Em dezembro do ano passado, tive a informação do deferimento do meu pós doutorado em Montpellier na França e, claro, fiquei exultante! A realização de um sonho…mas nem tudo é como a gente espera, né? A Europa, como tu bem disse – Sally -, está terminantemente vedada. O Governo Federal não está mais liberando para o trabalho presencial que dirá para o deslocamento internacional. Falando nisso, a classe dos servidores públicos é uma das mais teimosas e atreladas ao _status quo_, acostumada a dinâmica que está em franco processo de extinção. Tenho alertado meus colegas de trabalho quanto a isso (inclusive acabei de compartilhar seu texto com diversos deles) e sobre a necessidade de se preparar para as mudanças mas a grande maioria deles não liga (Darwin mandou um oi!…rs).
    Só resta mentalizar que processos de transição costumam ser tão dolorosos quanto necessários.

    • Temos que encarar essa pá de merda que está acontecendo como adubo para que, quem sabe, venha a nascer algo novo e melhor.

  • O fato de o Japão (97% da população é japonesa) ter conseguido conter a epidemia em seu território desbancou o “diversity is our strength”. Além disso, o Japão sempre está no ranking de lugares mais seguros do mundo. Em contra partida, a maioria dos moradores de uma das cidades mais diversas do mundo gostaria de se mudar: https://exame.abril.com.br/brasil/mais-de-60-dos-paulistanos-dizem-que-mudariam-de-sp-se-pudessem/

    A verdade é que diversidade é uma merda e só gera conflito, violência e narcisismo. E fazer o mundo girar em torno de meia dúzia de metrópoles foi um erro, tomara que considerem descentralizar a economia e essa aberração de amontoar milhões de pessoas numa cidade só acabe.

  • Sally, refleti sobre essa questão de precisar aceitar as mudanças ontem enquanto assistia BBB. No início, um grupo era o predileto, mas, aos poucos, foi perdendo o favoritismo e o outro grupo, no momento, se apresenta como o novo favorito. O grupo antes favorito já teve todos os indícios lá dentro de que a maré virou mas se recusa a mudar de estratégia, vive em negação. Vão perder feio. E aqui fora a mesma coisa: a vida nunca mais ser a mesma, resta aceitar.

    Tenho pensado bastante em tudo que você já escreveu a esse respeito por aqui. Juntamente com a minha terapia (que agora é online rs), o material do Desfavor tem me ajudado a manter a cabeça e o coração no lugar. Obrigada.

    • Que bom, Maya!

      Aos poucos vamos educando nossa mente e começamos a ver as coisas por novos pontos de vista, reduzindo o medo e o sofrimento.

  • O hedonismo dessa geração é a causa de muitos males mentais e sociais do mundo atual. É uma geração incapaz de lidar com uma mínima privação de prazer superficial e imediato, precisa estar o tempo todo imersa em uma falsa euforia e recebendo aprovação social. Isso vira um vício e uma paranóia. A pessoa simplesmente não sabe ter uma vida normal, madura e soberana. Acredita viver para si, mas na verdade é escrava do meio e de seus instintos primitivos. É uma vida animalesca e extremamente fútil.

    Mas tem o outro lado também – o que resta pra essa geração? A oportunidade que eles têm de viver uma vida “normal, madura e soberana” é a mesma de antes? Claro, eles têm mais tecnologia e quinquilharias, mas e acesso a empregos estáveis, imóveis, formação de família, etc?

    • Resta aprendizado. Vão aprender pelo sofrimento, o que é uma pena, mas ninguém vai sair dessa crise do mesmo jeito que entrou.

      • “(…) ninguém vai sair dessa crise do mesmo jeito que entrou”. Verdade. Mas eu temo que muitos – se não a maioria – vão sair ainda pior…

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    comunofascista liberal

    o mundo pode ficar tranquilo pq a china vai parar de comer morcego, cérebro de macaco e barata. agora eles compram toda comida que produzimos e o brasileiro nobremente vai morrer de fome pra salvar o povo chinês

  • O Coronavírus foi a pá de cal no ocidente. A China vai dominar o mundo. Eu arrisco a dizer que a China sairá dessa crise pandêmica global como os EUA saíram do pós guerra em 1945.

      • Acho que sim Sally, morei 1 ano e meio na China trabalhando em um Estaleiro para dar suporte em um navio-plataforma, e teve uma crise financeira neste estaleiro, a solução foi reduzir em 40% todos os salários. Os empregados ao invés de reclamar e protestar ( lá eles poderiam sair deste emprego e facilmente achar outro) criaram um outro turno noturno funcionando por 24h, o estaleiro se recuperou em 3 meses e os salários voltaram ao normal e ainda foram pagos os retroativos. Quando perguntava aos operários se eles não ficavam meio desanimados com a redução salarial eles me respondiam com sorriso no rosto, que se a empresa estava com problemas eles também tinham que ser parte do problema e ajudar a resolver.

  • Ou seja, submeta-se e aliene-se, admita sua impotência e se torne um empedernido individualista “neutro”, seja lá o que isso for. Como se as estruturas do capitalismo baseado no dinheiro fossem deixar de dominar o planeta…

  • Parabéns pelo texto, Sally! De coração. Em meio a tanto disse-me-disse, tanta bobagem, tanta reclamação por coisa pouca, é um alento ler coisas como as que você escreveu hoje. Pessoas como você, que consegue manter a cabeça no lugar em meio a uma crise e ainda incentiva outros a fazer o mesmo, são raras, e por isso, tão preciosas.

    Tudo em nossas vidas muda – sempre e todos os dias – e, querendo ou não, é preciso mudar junto. E para os que acham que o que está acontecendo agora é o fim do mundo, deixem-me dizer uma coisa: COM OU SEM CORONAVÍRUS, O MUNDO SEMPRE ACABA! TODOS OS DIAS! Isso mesmo!

    Pensem comigo um pouquinho: a gente cresce, vira adulto e aquele mundo em que vivíamos quando criança se acaba. Nós nos formamos na faculdade, passamos a trabalhar e aquele nosso mundo bem mais simples de estudante se acaba. Alguém de nossa família morre e o mundo que compartilhávamos com essa pessoa se acaba. Essa sucessão interminável de mudanças – das quais não percebemos algumas de tão sutis e breves enquanto outras simplesmente nos deixam malucos – acontece apenas e tão-somente porque o tempo passa. Por isso é que que ninguém pode se dar ao luxo de desperdiçar tempo: é a única coisa em nossas vidas que, quando perdida, não se pode recuperar.

    • Acredito que quando você compartilha algo com alguém expande isso, não apenas para os outros, mas dentro de você. Ter a oportunidade de compartilhar o que eu penso com vocês é a minha garantia de sanidade mental.

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