Golpistas…

Não tem só uma notícia. Enquanto Brasília está em pé de guerra entre os poderes, com bravatas voando para todos os lados, o Brasil vai ganhando posições no ranking de contágio e letalidade do Covid-19. Desfavor da semana.

SALLY

O brasileiro não tem um minuto de sossego. Mesmo sendo epicentro de uma pandemia, mesmo sendo o primeiro colocado mundial em número de mortes diárias, mesmo sendo o primeiro colocado mundial em número de contágios diários, ainda tem que lidar com descontrole daqueles que estão no poder e sobre o efeito enorme que causam no povo. Haja paciência para abrir qualquer rede social e ver dementes falando que o Brasil está sob ameaça de “golpe”. Sério, gente. Vão dar meia hora de cu.

O texto de hoje não é muito diferente do texto de sábado passado, e, provavelmente, por um bom tempo, o fio condutor de todo Desfavor da Semana que eu escreva vai ser o mesmo: é indecente focar em qualquer outra coisa que não seja um esforço para controlar os danos causados pela pandemia do novo coronavírus no Brasil. Estão morrendo mais de mil pessoas por dia e a situação está piorando.

Além disso, essa comoção com uma suposta ameaça me ofende. Desde sempre Bolsonaro usa a mesma tática: se tem algo ruim acontecendo, ele vai e fala algo pior ainda, para que esse pior ainda vire o foco e as pessoas falem sobre o factóide que ele criou. O problema é: com uma pandemia, todo dia tem coisas muito ruins acontecendo, principalmente quando o país é o epicentro mundial. Então, todo santo dia Bolsonaro tem que jogar no ar algum disparate para ofuscar a grave crise sanitária pela qual passa o país.

O brasileiro teria a opção de ignorar, ciente de que é uma estratégia (muito da manjada, por sinal) ou de cobrar uma punição para que o sujeito perceba que se continuar tumultuando as coisas vai sofrer sérias consequências. Mas não. O brasileiro cai na Pilha. O brasileiro fica indignado e vai escrever textão, vai xingar em redes sociais, vai felipenetar e dizer que se você não falar exaustivamente sobre isso é um fascista que acoberta o Bolsonaro.

Tudo que não se deve fazer é reverberar as bostas do Bolsonaro. Percebam que no último ano de desfavor evitamos ao máximo dar realidade para as titicas que ele fala. Deixa falar, não é o Presidente da República quem manda no país. Colocou Cloroquina como protocolo? Tá tudo bem, os médicos, em sua maioria, concordaram em não prescrever e a palavra final é deles. Disse que o comércio não tinha que fechar? Tá tudo bem, quem decide são os governadores e quase nenhum está alinhado com ele. Deixa o tiozão latir sozinho.

Mas não. O brasileiro insiste em jogar um holofote no que não presta. A última dessa semana foi ameaçar de alguma forma a democracia com os latidos vazios de sempre. Os próprios militares reagiram com pena e constrangimento à fala de Bolsonaro, mas o povo vai e amplifica o que ele fala. Os odiadores do Bolsonaro são seus maiores cabos eleitorais.

Até o vice dele, que além de tudo é militar, o trata como o idiota do bairro, sem dar qualquer moral. Palavras do Mourão: “Quem é que vai dar golpe? As Forças Armadas? Que que é isso, estamos no século 19? A turma não entendeu. O que existe hoje é um estresse permanente entre os poderes. Eu não falo pelas Forças Armadas, mas sou general da reserva, conheço as Forças Armadas: não vejo motivo algum para golpe”.

Entendam uma coisa: quando você alça alguém à categoria de “inimigo”, de pessoa que precisa ser combatida, dá um status muito grande a essa pessoa. Confere importância ver alguém como ameaça. Não quer dar status ao Bolsonaro? Não o levem a sério, ignorem, riam do que ele fala, ridicularizem. Mas o brasileiro tem essa compulsão por ser militante, ele tem que ir para rede social mostrar como ele é democrático e repudia isso. Ô povo infantil.

Vamos deixar bem claro, por se alguém ainda não percebeu: quem manda no país é o STF, que pode, inclusive, dar um peteleco no Bolsonaro e jogá-lo na lata do lixo. Então, pouco importa o que ele ou seus filhos digam, são inofensivos desde que o povo não dê realidade a isso, não infle, não repercuta o que ele fala. Bolsonaro sempre teve sugou o poder de quem batia boca com ele, desde o travesti do Superpop até você.

A partir do momento em que o povo leva o Bolsonaro a sério, se deixa afetar pelo que ele fala e faz isso reverberar, aí sim temos um problema. Começam surtos de raiva, de medo, de descontrole. A instabilidade que antes estava apenas na mente do Presidente, começa a se espalhar por mais e mais pessoas. E pessoas instáveis são um perigo, sobretudo em um momento delicado como o que passamos.

Quando o medo e o descontrole se alastram, o povo perde a estabilidade. Quando há uma pandemia de pano de fundo, tudo fica potencializado. Aí sim temos uma receita explosiva. Pode dar merda e sair do controle. Mesmo que seja uma meia dúzia se estapeando, é over para o momento que o país passa. Qualquer pancadaria, discordância ou briga é over no momento.

Até segunda ordem, todo o foco e esforço tem que ser voltados para evitar que mil pessoas (e subindo) morram todos os dias. Que tipo de palhaços são os brasileiros que, liderando o número de casos e de mortes diárias estão preocupados com o que um anencefálico bravateia? Parem de levar maluco a sério e vão se dedicar ao que é urgente: salvar vidas. Spoiler: vocês estão sozinhos, se vocês, como povo, não encontrarem um jeito de controlar a pandemia, ninguém o fará.

E, ainda que, em um devaneio muito distante, Bolsonaro tivesse poder, competência e apoio para promover algum tipo de golpe… Pessoas gritando em redes sociais não fariam a menor diferença. Se você quer destronar, anular, tirar o poder do Bolsonaro, o caminho não é por aí.

Entendam de uma vez por todas: Bolsonaro tem CARGO, mas não tem poder. Se tivesse, não estava com os dois filhos investigados, correndo um risco real de serem pegos. “Mas é o Presidente”. Parafraseando o clássico trote da Telerj do Luis Pareto (sim, sou velha), grandes merda ser Presidente! Ele só pode fazer isso mesmo, bravatear, ameaçar. E se ninguém der bola, fica totalmente desmoralizado e falando sozinho. É assim que se lida com idiota, não dando atenção.

Só resta maluco (Sara Winter e cia) e drogado (Pilha e cia) fazendo o papelão de minimizar esta pandemia. Não se discute nem com maluco, nem com drogado, apenas se deixam estas pessoas de lado, falando sozinhas. Não percam o tempo de vocês com irrelevantes, sobretudo quando tem algo grave, urgente e importante acontecendo.

Para dizer que acha o STF pior do que os militares, para dizer que é por esse tipo de coisa que a família Bolsonaro vai se reeleger até 2050 ou para dizer que o Brasil bem que está precisando de tanques na rua para ver se essa gentalha fica em casa: sally@desfavor.com

SOMIR

É demonstrável: o Brasil tem uma das piores, senão a pior reação ao coronavírus do mundo. Desde o começo, o governo federal fez questão de antagonizar as estratégias utilizadas ao redor do mundo, mas não tinha autoridade ou sequer respeito de boa parte da população. Na prática, acabamos com uma estratégia mista que não priorizava nem isolamento, nem imunidade de rebanho. O que acabou sendo o pior dos mundos.

Porque até mesmo os países que tentaram a imunidade de rebanho, por fazer isso de forma minimamente coordenada, tiveram acesso aos números rapidamente e puderam mudar de ideia. Não se demonstrou eficiente simplesmente deixar o vírus correr solto, mesmo que sua taxa de mortalidade não seja suficiente para inviabilizar a existência de um país, ainda é extremamente danosa para a confiança do povo nas suas instituições. O ser humano precisa de alguma resposta do Estado nessas situações.

Os que apostaram em isolamento tiveram um sucesso maior em estabilizar a crise e recolocar o país num rumo de recuperação, como estamos vendo acontecer aos poucos na Europa. O aumento do número de casos que já vemos em países que estão reabrindo sua economia nos sugere que a pandemia não vai embora tão cedo, mas antes de termos uma vacina eficiente, controlar a situação com quarentenas parece a estratégia mais razoável no momento. Provavelmente vamos ver períodos de abertura e fechamento nos próximos meses, e talvez anos.

O Brasil não fez uma coisa, nem outra. Fomos incapazes na coordenação, e acabamos com números imensos de infectados e mortos… e nenhuma lição aprendida. Defensores da reabertura da economia e de finalmente fazermos um isolamento decente discutem num campo quase teórico, afinal, não há nenhuma previsão de ação conjunta das esferas do poder na estratégia contra a doença. E embora não possamos aliviar a barra de prefeitos e governadores que não tomaram medidas sérias o suficiente mesmo com o aval do STF há meses, não podemos ignorar o elefante na sala: Bolsonaro e seu circo.

Sufocado numa guerra que ele mesmo criou contra o Legislativo e Judiciário, usa o Executivo para causar o máximo de confusão possível, tentando manter sua base de defensores radicalizada. Os arroubos ditatoriais e a fúria constante são sua única alternativa no momento: se o terço da população que ainda o defende sentir que sua energia está se esvaindo, é bem provável que as forças agindo contra seu governo vençam, e ele se torne um fantasma de faixa como Dilma e Temer foram antes.

Para sustentar uma imagem forte e manter a base mobilizada, o suficiente para assustar quem tentar atacar seu poder, vemos uma escalada constante do discurso antidemocrático. Eu concordo com a Sally que é um bando de bravateiros gritando que tem poder como mecanismo de defesa contra sua fragilidade, mas enxergo um problema a mais: animais acuados eventualmente atacam.

A pandemia e a economia aumentam o grau de estresse sobre os governantes dia após dia. Ao redor do mundo, a maioria percebeu que mesmo sem certeza absoluta sobre como lidar com isso, o mais inteligente era formar uma coalizão de crise e tocar o barco mantendo o povo relativamente confiante que seu país tinha uma direção. Por mais confusão que esteja acontecendo nos EUA agora, não é uma baseada em disputa política direta. Até Trump e sua oposição resolveram baixar o tom nesse campo enquanto o coronavírus estava correndo solto.

Como no Brasil isso não aconteceu, estamos vendo uma radicalização da base de apoio de Bolsonaro ao mesmo tempo que a oposição renasce e volta a ganhar voz. A última pesquisa do Datafolha já demonstra esse movimento: embora Bolsonaro tenha mantido sua aprovação, boa parte das pessoas está se movendo sua análise de razoável para ruim/péssima. Isso aumenta a pressão sobre o presidente e sua base, o que explica a subida de tom recente. Bolsonaro está acuado, negociando com deus e o diabo nos bastidores e berrando diante das câmeras.

E é muito por isso que eu não ignoro a possibilidade de um golpe. Podemos ver um plano se desenrolando com a militarização do Executivo. E por mais que os generais no poder atualmente pareçam não ter o menor interesse nesse tipo de aventura, não podemos nos esquecer que quem pega em arma mesmo como soldados e policiais estão quase todos dentro dessa base de um terço da população que ainda defende Bolsonaro. Mas antes que este parágrafo saia de controle: não estou dizendo que seria um golpe de sucesso. É muito difícil começar um processo desses, e é um processo sem volta: ou ganha ou morre. As outras instituições do poder não estão fracas o suficiente para perder agora. O que não quer dizer que alguns malucos não queiram tentar e causar mais confusão e aglomeração.

O que me preocupa não é uma ditadura bolsonarista, o caminho não está aberto e seria o fim do seu poder em questão de horas. O que me preocupa é a situação criada aqui durante a pandemia: ignorar a realidade da doença está sendo normalizado. Se tem tempo para ficar discutindo tomada de poder e fechamento de STF e Congresso, é porque isso deve ser a coisa mais importante acontecendo no país. A pandemia virou chuva, ato divino incontrolável que acontece enquanto os poderes disputam.

E são todos responsáveis por essa escalada: Brasília que simplesmente não está nem aí, mais preocupada com quem vai ficar com o poder, governadores e prefeitos que estão com medo de se posicionar, fingindo que estão fazendo quarentena, fingindo que estão abrindo a economia, seguindo ao sabor do vento de acordo com o que acreditam ser mais popular. Não tem ninguém no volante. Até mesmo a discussão sobre qual a melhor forma de lidar com o coronavírus é virtual: estão tentando o quê? Estamos vendo os números de contágios e mortos de um povo que está dividido entre ficar em casa com medo da doença ou sair de casa com medo de não ter dinheiro, tendo que decidir sozinhos a cada dia o que é melhor para o coletivo.

E aí… vamos correndo em direção à liderança mundial de casos e mortes. Não porque nossas decisões técnicas estavam erradas, e sim porque nada foi técnico até agora. Quando é cada um por si e o governo contra todos, a curva sobe desse jeito.

Para dizer que não vai ter golpe, para dizer que deve ter golpe, ou mesmo para dizer que eles que se fodam: somir@desfavor.com

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Comentários (18)

  • Aqui não para presidente, mal entra já enche de pedido de impeachment, exatamente porque eles não mandam nada, se mandassem não aconteceria!
    E esse povo é tão inconstante, fala que BR é raça desgraçada, que devia vir o meteoro, aí quando o Universo concede o desejo e elimina em massa, ficam sentimentais, aff.
    Baile funnk aos fds tá rolando, bocas de fumo abertas e eles vão é pro SUS, não se salvam não! O meu padrinho idoso só sobreviveu porque foi pro particular e deram a medicação que não se pode dizer o nome.

    • Como já disse no passado, a valência de Bolsonaro é bancada evangélica e ainda assim é por convergência de interesses, passando longe de ser um apoio incondicional.
      O flerte dos Bolsonaro com o Crivella e a rivalização com o Witzel tem como fundo a tentativa de viabilizar o Crivella como candidato ao governo do estado em 2022, diminuindo a pressão sobre Bolsonaro pela vaga de vice-presidente (dado que pelo andar da carruagem, é bem provável que o Mourão pendure as chuteiras). Mas ainda assim, essa vaga preciosa, que dá uma margem enorme para viradas de mesa para grupos com certo nível de articulação política, ainda não saiu da mesa de negociações.

  • Ahhhh o trote da telerj. Já passei dias ouvindo e rindo disso.. Sally, vc sabe que tem um médico influencer famoso (com mais de 1 milhão de seguidores) minimizando a pandemia e apoiando o Bolsonaro né? Até ser ministro da saúde ele tentou…

  • Minha primeira pergunta não tem totalmente a ver com o texto, e vai pro Somir:
    Sou aqui de Campinas tb Somir, e gostaria de saber o que vc tá achando da gestão do Jonas Donizete por aqui nessa pandemia… Eu moro aqui próximo ao Shopping Dom Pedro, é uma localização relativamente boa, mas mesmo assim hoje aqui na minha rua já estavam tendo 2 festas rolando em casas diferentes, e cheias de gente… o Brasil é realmente decepcionante…
    Minha segunda pergunta é pra Sally, você acha que tem alguma possibilidade de sair do país a essa altura do campeonato?
    Obrigada a vocês pelo ótimo conteúdo!

    • Já é tradição só lembrar que Campinas tem prefeito a cada 4 anos. E não estou vendo nada de muito novo dessa vez… pra mim ele não fede nem cheira. Em tese, fez o certo não reabrindo a cidade na segunda-feira agora, mas só empurrou uma semana pra frente. Até onde eu percebi, está sendo tão macho quanto o prefeito de SP, o que o Bruno faz, ele faz.

      Ou seja: preste atenção na capital. O máximo que acontecer por lá é o máximo que vai acontecer por aqui.

      E tenha um plano de saúde: o SUS já lotou.

  • Ah, achei que ia ser sobre Minnesota. Parece que a guerra racial (coloque aspas se quiser) vai piorar muito nos Estados Unidos, e ainda tem muita gente de “movimentos sociais” brasileiros querendo importar essa merda pra cá.

    Mas voltando ao assunto, é impressionante como os parlamentares se esforçam, todo dia, pra piorar a vida do brasileiro. Não tem um projeto que presta, é cada dia uma merda. Sinceramente não sei por que tive que nascer num país tão CU

    • Quando se trata de se chafurdar na merda, o brasileiro não cansa de mostrar que sempre dá pra se lambuzar mais um pouquinho…

    • Claaaro que “importar” o conflito é indevido, afinal no Brasil não existe racismo, não existe violência policial… tudo mentira dos “esquerdopatas”! Aliás, é de se duvidar até da existência da escravidão, não é mesmo?

      • Repita até entender: O BRASIL NÃO É OS ESTADOS UNIDOS, O BRASIL NÃO É OS ESTADOS UNIDOS
        Países com história e cultura diferentes, que necessitam de coisas diferentes. Mas essa elite de jovens americanizados e fora de realidade não entendem isso e depois não sabem por que perdem eleição.

        • São diferentes, mas e daí? Se o senhor quer negar a história do país simplesmente diferenciando-o dos Estados Unidos, a opção é sua. No mais, parabéns por ignorar a realidade do racismo e da violência policial. Infelizmente para o Brasil, jamais esse dois itens foram combatidos da forma necessária.

      • Usou sarcasmo porque não tem argumentos e só quer pentelhar no blog alheio, mesmo. Por isso nem vou me dar o trabalho… Passar bem…

        • Traduzindo: não tem argumentos então tem que demonstrar arrogância ao dizer que “não vai se dar ao trabalho” para reafirmar a suposta superioridade da própria burrice. Parabéns.

    • Sobre os EUA, eu colocaria aspas sim. O componente racial existe por causa de abusos da polícia, mas o que não falta é oportunista entrando no quebra-quebra. Não acho que o Brasil tem clima para isso agora, espero estar certo, porque daqui a duas semanas vamos ver quanto custou na pandemia toda essa gente na rua.

    • Já importaram… NA DÉCADA DE 2000.
      Ainda tá suportável porque a gente lida na base do deboche e tira um mó sarro dessa cambada de pilantra que se paga de defensor do çociau querendo gerar antagonismo em torno disso, mas que no primeiro pingo de água, vai lá lamber as botas do coroné Luiz Inácio.
      E se Bolsonaro foi eleito, bem, foi justamente pra demonstrar pra esse bando de filha da puta (Felipe Neto incluso) que eles não mandam na bagaça aqui não.

      • Pelo visto o senhor faz questão de repetir as mesmas asneiras em várias postagens, a começar pelo reducionismo patético de quem a dignidade de não se subordinar a estupidez reacionária do presidente.

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