Semana Pandêmica: Gripe Espanhola

A Gripe Espanhola ou Gripe de 1918, foi a pandemia mais mortal do século XX. Causada pelo vírus influenza, no período de dois anos infectou 500 milhões de pessoas, o que à época, correspondia a cerca de um quarto da humanidade. Estima-se que o número de mortos possa ter chegado aos cem milhões de pessoas.

Assim como a pandemia de Poliomielite, a de Gripe Espanhola também deixou um legado importante para os tempos atuais: aprendizados cruciais para lidar com outro vírus respiratório que nos atormenta atualmente, o covid-19, que vamos entender ao final do texto.

É possível dizer que a Gripe Espanhola foi uma “tempestade perfeita”: um vírus de fácil contágio e alta letalidade encontrou um ambiente que favorecia o contágio, com pessoas cujos sistemas imunológicos estavam em más condições. O resultado foi pavoroso.

Matou em 24 semanas mais do que o HIV matou em 24 anos. É possível dizer que, até onde se sabe, em toda a história da humanidade, nenhuma pandemia matou tanta gente em tão pouco tempo. Varíola e Peste Negra podem ter matado mais em quantidade, mas demoraram muito mais tempo para conseguir essa façanha.

Normalmente as gripes costumam atacar com mais força idosos, porém, nesta pandemia morreu mais gente jovem. Há quem atribua isso às condições sociais da época (sobre as quais vamos falar daqui há pouco) e há quem atribua a uma característica desse vírus, que desencadeava um dano maior ao sistema imunológico de adultos, provocando neles uma reação exagerada (papo técnico: tempestade de citocinas).

Essa reação exagerada prejudica os mais fortes. Quanto mais forte é seu sistema imune, pior o estrago se ele surtar e sair destruindo tudo que vê pela frente. O fato é que esta pandemia matou predominantemente adultos jovens, o que causou também um estrago social enorme, eliminando força de trabalho da sociedade.

A Primeira Guerra Mundial foi decisiva para a disseminação da doença, por fatores como más condições em frontes, trincheiras, ambientes lotados de gente (quartéis, barcos, aviões, hospitais e etc.), muito deslocamento de pessoas e sistema imunológico comprometido por estresse e má alimentação.

Quando uma pessoa infectada tossia ou espirrava, ela podia jogar mais de meio milhão de partículas do vírus no ambiente e em pessoas próximas. Agora imagina isso em ambientes abarrotados, com pessoas mal alimentadas, estressadas e/ou feridas.

Além disso, o fato de haver uma grande guerra acontecendo levou muitos desses fatores para o resto do mundo. Não foi exatamente um período de fartura na humanidade, o estresse e má alimentação tomavam conta de boa parte dos países que não eram palco da guerra, deixando suas populações mais propensas ao contágio.

Se a guerra era parte do problema, o fim da guerra também foi. Com a desmobilização dos exércitos envolvidos, uma enorme quantidade de soldados infectados voltou para seus respectivos países, levando consigo o vírus e disseminando ainda mais o que já começara a se espalhar.

A origem da doença é controversa. Há muitas versões, porém, a mais aceita é a de que gripe teria surgido no Kansas, onde ficavam as bases militares dos EUA para treinar soldados que lutariam na Primeira Guerra Mundial. A primeira morte confirmada pela doença foi de um cozinheiro do exército, de uma dessas bases militares, em 4 de março de 1918.

Uma curiosidade: apesar do nome, não há qualquer chance da doença ter surgido na Espanha. A Espanha não era sequer um país que estava na Primeira Guerra. Entretanto, levou injustamente essa “homenagem” no nome, em uma gripe que deveria se chamar “Gripe Americana”.

Sobrou para a Espanha por questões políticas: ela era um dos poucos países europeus que, por não estar em guerra, não precisava mentir para o povo, fazer propaganda de guerra, ocultar informações. Por isso, não tinha a imprensa censurada. Então, os jornais espanhóis eram um dos poucos que informavam da pandemia, o que levou boa parte do mundo a crer que era algo que só acontecia na Espanha. Acontecia no mundo todo, mas só a Espanha divulgava.

Jornais de países em guerra ficavam com medo de afetar a moral das tropas, das pessoas começarem a se recusar a ir lutar e até de causar histeria na população, por isso ocultavam a doença. Além disso, um dos casos mais famosos de Gripe Espanhola (que se tornou público) foi o do Rei Alfonso XIII.

O surgimento do vírus é uma história bem familiar: ele saltou de um animal para humanos, ao que tudo indica, de um porco. Especula-se, inclusive, que tenha ocorrido algo muito raro, uma fusão total dos genes do vírus da gripe do porco com os do vírus da gripe humana. Quando isso acontece os genomas se quebram e forma-se um terceiro organismo, um híbrido, para o qual ninguém tinha anticorpos, por isso os efeitos são devastadores.

A pandemia de Gripe Espanhola é chamada da “primeira pandemia mundial” pois ocorreu após a segunda revolução industrial, o que significa que ocorreu quando boa parte do mundo tinha ferrovias, transatlânticos, mais comércio, mais viagens… mais condições de espalhar o vírus pelo mundo. A humanidade tinha transporte, tinha mobilidade, tinha interligação mundial, todos se comunicavam, trocavam conhecimento (e vírus!). Some-se a isso o grande deslocamento de soldados por causa da guerra.

Comparando com outras grandes pandemias, o potencial devastador de disseminação fica visível: a peste negra demorou três anos para sair da Itália e chegar na Dinamarca. A Gripe Espanhola, em questão de meses, havia se espalhado pelo mundo todo. Em menos de dois anos o vírus infectou cerca de 500 milhões de pessoas, ou seja, um quarto da população mundial.

Desses, algo entre 20 e 100 milhões de pessoas morreram. Uma margem bastante elástica, não? Você vai ver muitos números conflitantes quando se estima a quantidade de mortos, pois na época não foi possível contar com precisão. Muitas mortes acontecendo em um curto período de tempo geram caos, não era fácil entender a causa da morte ou sequer computá-las, ainda mais em meio a uma guerra. A verdade é que nenhum país conseguiu contar seus mortos, pelo excesso deles.

O número de mortos era impossível de lidar. Por diversas vezes os serviços funerários foram paralisados por seus funcionários estarem doentes ou simplesmente não conseguiam atender a demanda. Muitas pessoas foram sepultadas em massa, com a ajuda de escavadeiras. Cemitérios cheios, sem mais lugar para enterrar mortos, forçavam covas rasas por todos os lados.

No Brasil, as estimativas são de cerca de 35 mil mortes. O número parece baixo, principalmente quando comparado ao covid-19, que já matou pelo menos o dobro, mas a população naquela época era menor, então, o estrago foi grande. Só para colocar as coisas em perspectiva: no Rio de Janeiro (então capital do país) cerca de dois terços da população adoeceu.

No início, a doença não foi levada muito a sério. O mundo nunca havia entrado em contato com nada parecido, tanto é que o mundo levou 15 anos para descobrir qual era organismo que causava aquela doença: apenas em 1933 conseguiram isolar o vírus influenza. Os lugares que fecharam cedo e promoveram um isolamento social eficiente foram menos afetados. Os que seguiram outro caminho, sofreram um massacre.

No Brasil, só para variar, se menosprezou a doença. Muitos chegavam a afirmar que não havia contágio de pessoa a pessoa, e foram contra fechar igrejas, escolas, comércio e colocar a população de quarentena. Demoraram demais para adotar medidas de isolamento e quando adotaram, foram bem cagadas. Cerca de 65% da população brasileira se contaminou e, mesmo assim, havia quem duvidasse do vírus.

Tanto no Brasil, como nos EUA tinha de tudo em matéria de negacionismo, protestos contra a obrigatoriedade de usar máscaras, recusa no fechamento do comércio, gente dizendo que o vírus não era tão perigoso como se falava e até gente dizendo que o vírus era uma invenção. Uma curiosidade: a doença matou o avô do atual presidente dos EUA, Donald Trump. Ele, melhor do que ninguém, deveria saber o poder de ceifar vidas que uma pandemia de doença respiratória tem.

A diferença é que nos EUA, apesar do negacionismo, o Poder Público tomou a frente, mais cedo ou mais tarde, e houve uma fiscalização eficiente. Por humanidade ou por ser um governo responsável? Não. Para assegurar que a produção de guerra não fosse paralisada. Havia multas pesadas (o equivalente a 170 dólares atuais) para quem saísse sem máscara na rua e outras medidas severas. Mas, mesmos nos EUA, quando os casos diminuíram e aboliram as restrições, deu ruim. Pelo afrouxamento das medidas, veio uma segunda onda do vírus que foi a mais letal até hoje vista pela humanidade. Graças a esse afrouxamento, nos EUA, morreu mais gente de Gripe Espanhola do que a vítimas somadas das duas guerras mundiais, guerra da Coreia e do Vietnã.

No Brasil, negacionistas foram alimentados por comerciantes, que não queriam fechas as portas e ter prejuízo. Durante muito tempo teimaram que não havia necessidade de quarentena nem de máscaras, mesmo morrendo muita gente. Corpos se empilhavam em hospitais e os negacionistas continuavam dizendo que era histeria, sensacionalismo e exagero.

Até que morreu alguém que chamou a atenção: o presidente eleito, Rodrigues Alves. Pois é, depois que a doença atacou o presidente da república não teve mais como negar que ela existia. E como ele morreu, também não deu mais para negar que ela era grave. Mas, mesmo assim, o tempo todo haviam tentativas de burlar as proibições. Tá achando parecido com os dias de hoje? Calma que piora.

Apesar de todos os horrores narrados, a Gripe Espanhola não fez história como uma grande tragédia. É considerada “menos grave” do que outras pandemias como a Peste Negra, pois teve seus efeitos diluídos pela guerra. Como foi ocultada em diversos países, se creditaram todas as mortes que ocorreram no período da guerra à guerra, fazendo com que a pandemia pareça menor do que realmente foi. Por isso muitos se referem a ela como “A pandemia esquecida”.

Há muitos pontos em comum entre a Gripe Espanhola e o Coronavírus, que fizeram com que dados e medidas da época possam servir de balizador sobre como lidar com o covid-19 hoje. O país que disser que não sabia o que fazer por nunca ter passado por nada parecido antes está mentindo.

Os sintomas são parecidos, a taxa de letalidade é parecida e a forma de contágio também. Bastava olhar para o passado, para a forma como cada país reagiu à Gripe Espanhola, que seria possível estimar as melhores estratégias. E, adivinha só: aqueles que se fecharam em uma quarentena rígida de forma precoce, foram os países que mais rápido retomaram e economia e perderam menos vidas. Quem mais demorou a fechar foi quem teve os piores prejuízos econômicos.

Assim como o corona, não existia remédio para a doença, pois eles nem sequer sabiam que era um vírus o responsável por sua transmissão. Adivinha o que aconteceu? No Brasil, surgiram muitos remédios falsos, fruto de espertos que exploravam o medo alheio.

Médicos de todas as partes do mundo precisaram escolher quem eles tratariam e quem eles deixariam morrer. Muitos foram infectados, e deixaram relatos indignados sobre como eles arriscavam a vida para salvar idiotas que se recusavam a cumprir as medidas de isolamento. Todos os profissionais de serviços essenciais foram muito castigados. Em muitas cidades, todos os coveiros morreram da doença, uma vez que, assim como o covid-19, também era possível se contaminar a partir de pessoas mortas. Obrigaram os presos a cavar as covas, e também morreram milhares deles.

Essa pandemia foi até o fim: só parou quando contaminou todo mundo que poderia contaminar. Morreu muita gente, mas ela deixou um importante legado.

Deixou legados palpáveis, como por exemplo a criação do Departamento Nacional de Saúde Pública (que mais tarde viraria o Ministério da Saúde) e… a caipirinha. Sim, correu um boato que a combinação de pinga com mel e limão impediria o contágio da doença, pois mataria os germes quando eles entrassem pela garganta. A bebida virou moda e era tomada como algo terapêutico.

Porém, ao contrário da pólio, o grande legado que ficou da Gripe Espanhola foi o conhecimento. Foi aí que a humanidade aprendeu o que fazer e o que não fazer quando aparece um vírus respiratório com potencial para causar problemas significativos.

Como eles não sabiam o que estava acontecendo, muitas vidas foram perdidas por erros como acreditar em remédios falsos, estabelecer uma falsa dicotomia entre salvar vidas ou a economia, negar a seriedade da doença, acreditar que apenas o uso de máscaras bastaria e não seria necessário isolamento social, antecipando uma abertura de comércio que causava uma segunda onda ainda mais letal. Mas graças a tantas mortes, nós ficamos com um manual de instruções pronto.

Um caso de estudo interessante foi observar duas cidades americanas que se portaram de forma antagônica: Filadélfia x Saint Louis. Filadélfia se recusou a fechar alegando que as pessoas morreriam de fome e, em algum tempo, o sistema de saúde colapsou e não conseguia mais atender os doentes. O comércio fechou forçado, pois não havia pessoas para trabalhar nem para consumir. Acabou com 16 mil mortos e demorou muito mais para se recuperar, inclusive financeiramente.

Saint Louis fechou imediatamente (dois dias após o primeiro caso) e fechou tudo: escolas, igrejas e comércio, fiscalizando de forma eficaz a população. O saldo final foram 700 mortos e uma recuperação econômica muito mais rápida.

A Gripe Espanhola ensinou (ou deveria ter ensinado) à humanidade foi o risco da segunda onda. Ela teve um surto que foi razoavelmente controlado e, afrouxando os cuidados, veio uma segunda muito mais letal, que acabou matando muito mais gente do que a primeira.

Quando o corona chegou, já estávamos cientes de que vírus respiratório de alto contágio se comporta assim: aparece, infecta muitas pessoas, dá a falsa sensação de que desapareceu e volta meses depois com mais força ainda. Isso fez com que as reaberturas no coronavírus sejam mais cautelosas e cuidadosas – e, ainda assim, estão falhando na maior parte das cidades densamente populadas, imagina a tragédia que não seria se fossem feitas de forma abrupta.

Ela também ensinou que quando pessoas são confrontadas com uma doença letal, aparecem dois grupos nocivos: negacionistas e iludidos que acreditam terem encontrado um remédio milagroso que vai fazer tudo passar e trazer de volta a vida como era antes. No Brasil, por exemplo, vários “remédios infalíveis” foram divulgados (principalmente por comerciantes que queriam reabrir).

A população, assustada e louca para se sentir segura, acreditou em um monte de besteiras, o que gerou muitas mortes além do necessário, de pessoas que se sentiam protegidas. Além da cachaça, também se dizia que prevenia ou curava a Gripe Espanhola tabaco, balas de ervas, alguns tônicos (que obviamente eram manipulados e vendidos a um preço caríssimo) e até queimar alfazema para “purificar o ar”.

Curiosidade: um dos tratamentos não eficientes mais divulgados na época era a ingestão de “sal de quinino” um remédio, adivinha só, usado no tratamento contra a malária, mas totalmente ineficaz, assim como a Cloroquina hoje em dia. Dá um desânimo ler isso, né? Triste perceber que o país comete os mesmos erros, cem anos depois. Não há evolução no Brasil. Na verdade, há involução, pois quando a coisa ficou feia na Gripe Espanhola, as pessoas, por conta própria se trancaram em casa e ficaram com medo de sair. Hoje, pelo que posso ver daqui, nem isso.

A Gripe Espanhol também fez com que a humanidade entenda melhor como se dá o contágio de doenças respiratórias e as principais medidas que podem evitar o contágio delas, todas informações cruciais para que possamos lidar melhor com a pandemia de covid-19. Eles tiveram que descobrir do zero, por tentativa e erro, nós entramos sabendo o que precisava ser feito, quem não o fez, não foi por falta de informação.

E, por fim, um legado importante: imunidade. Por total desconhecimento à época, a Gripe Espanhola acabou infectando todo mundo que podia ser infectado. Foi uma tragédia, mas hoje podemos tirar um lado positivo. O vírus influenza ainda circula na humanidade, mas raramente mata. O vírus ficou mais fraco? Não. Quem era mais vulnerável a esse vírus morreu entre 1918 e 1920, os humanos que sobraram e reproduziram eram naturalmente mais resistentes ao vírus da gripe. Justamente por isso alguns povos são muito suscetíveis a gripe, como os índios: eles não passaram pela grande peneira da Gripe Espanhola.

A moral da história é: o mundo todo já havia passado por um surto de um vírus respiratório de fácil contágio. Então, quando o corona chegou, todo mundo tinha o know-how para saber o que fazer, inclusive o Brasil, que além de ter meses de vantagem sobre outros países em matéria de covid-19, passou pela Gripe Espanhola e errou ao subestimá-la.

Todo mundo sabia o que funcionava para conter um vírus respiratório, não tem desavisado nessa história. E, ainda assim, tem muitos países que, por incompetência, burrice ou arrogância, cometeram e cometem os mesmos erros. Alguns lugares simplesmente não evoluem. Faça o possível para não morar em um deles.

Para dizer que só quer saber do corona presidencial, para dizer que está putíssimo em ver que o Brasil é um eterno vexame ou ainda para imaginar qual seria o tamanho da subnotificação de casos e mortes à época: sally@desfavor.com

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Comentários (16)

  • Sempre gostei demais dos textos de vocês, mas os dessa semana pandêmica estão dando show! Conteúdo bom, muito bem escrito e bastante informativo! Parabéns!

  • NÃO PRECISA ACEITAR.
    Como não falaram até agora, acho que tem uma correção a fazer: no 1. parágrafo está gripe de 1928. O correto seria 1918, não?

  • Uma dúvida: Toda pandemia não é assim mesmo, contaminar o máximo possível até não ter mais quem o vírus parasitar e desaparecer? Por que a OMS tá falando que Covid será endêmica? Essa vacina de Oxford parece ser uma merda que só dura 1 ano, mas a da China eles afirmam que a imunidade dura. Nada mais esperado, se o vírus é chinês, eles que tem que limpar a cagada.

    • Não necessariamente um vírus contamina todas as pessoas que poderia. Antes disso pode surgir uma vacina, por exemplo. Ou, se o corpo humano não conseguir produzir anticorpos protetivos, fica pior ainda: não existe contaminar todo mundo que podia, pois quem já foi contaminado pode ter a doença novamente.

      Ainda não se sabe ao certo se os anticorpos contra covid-19 são protetivos e por quanto tempo são protetivos.

  • Vcs não acham que as pessoas deveriam parar de comer bichos?
    Todas desgraças vem de bicho pra humanos. Chinês come tudo que se mexe e viu a merda que deu! Parem de fazer criação, se misturar com bichos sujos, deixem eles na natureza!

    • Não, eu não acho. Eu sou entusiasta de comer bicho, acho que NADA substituí a proteína animal em termos de nutrição e que esse tipo de vírus pode pular de animais para humanos sem que o ser humano coma o bicho, mas pelo simples convívio.

      • Não é só tatu não, brasileiro caça e come um monte de bicho estranho, desde capivara a calango. Ainda mete bicho bizarro na garrafa de pinga e depois bebe.

  • “Como eles não sabiam o que estava acontecendo, muitas vidas foram perdidas por erros como acreditar em remédios falsos, estabelecer uma falsa dicotomia entre salvar vidas ou a economia, negar a seriedade da doença, acreditar que apenas o uso de máscaras bastaria e não seria necessário isolamento social, antecipando uma abertura de comércio que causava uma segunda onda ainda mais letal. Mas graças a tantas mortes, nós ficamos com um manual de instruções pronto”.

    O parágrafo isolado é tão perfeitamente atemporal que deixa dúvidas: também se aplica(rá) à Covid-19? Ou vai para a próxima pandemia mesmo?

    E não nos esqueçamos da Gripe Asiática (1957), que matou um milhão, nem da Gripe de Hong Kong, em 1968, que matou de um a quatro milhões.

    • A Ásia tem uma forte “tradição” de doenças respiratórias, por isso reagiram tão bem à pandemia. Eu sinceramente acho que o hábito da máscara quando a pessoa estiver com alguma doença contagiosa transmissível pela via oral tem que ficar, mesmo depois da pandemia.

  • “Alguns lugares simplesmente não evoluem. Faça o possível para não morar em um deles.”
    O provável preconceito que a pessoa vai sofrer por ser imigrante compensa a suposta qualidade de vida? Nunca saí do Brasil, mas sempre pensei que vale mais a pena se esforçar pra ter uma vida digna por aqui do que arriscar tudo pra ir sozinho pro outro lado do mundo. Porque, gostando ou não, você cresceu no Brasil e está completamente integrado na cultura e no idioma do Brasil. Difícil começar isso do zero.
    E desculpe por fugir do tema principal.

    • Depende do lugar. Ir para os EUA é masoquismo no momento, pois é um país que já deixou claro que imigrante não é bem-vindo. Mas existem outros países que precisam e até estimulam a imigração.

      Estar integrado a uma cultura é questão de tempo. Depois de mais ou menos um ano em qualquer lugar você já entendeu as regras locais e já consegue se adaptar. O melhor que pode acontecer a um brasileiro é se descolar dessa cultura e aderir a outra um pouco mais civilizada.

    • Não é impossível se integrar numa cultura mais civilizada, até porque somos seres muito adaptáveis, mas entendo sua colocação. Eu também estava pensando em sair do Brasil, porém, eu sempre acho que não valeria a pena a longo prazo. Conheço pessoas que moraram fora por 10/15 anos, obteram o visto de “permanência” e retornaram sem nenhuma garantia, apenas com experiência de trabalho (técnico), mas que precisaram estudar novamente no Brasil pra conseguir um bom emprego. O problema também é que dificilmente vc será integrado na sociedade 100%, imigrantes não podem trabalhar em alguns setores, e no caso dessa pandemia, caso vc fique doente a prioridade de leito não será do imigrante. Desculpe o longo comentário, o objetivo não é amedrontar, tem exemplos de pessoas bem sucedidas. Mas cada caso é um caso.

      • Tudo isso depende do país escolhido. Recomendo que se escolha um país que está chamando imigrantes e assegurando boas condições de vida e até benefícios, por precisar de pessoas.

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