Forma do conteúdo.

Com a popularização da internet, o ser humano médio tem acesso a uma quantidade de conteúdo imenso todos os dias. Sally e Somir são ávidos consumidores, mas discordam quando escolhem a melhor forma de acumular todo esse conhecimento. Os impopulares produzem respostas.

Tema de hoje: qual a melhor forma de consumir conteúdo, áudio, vídeo ou por escrito?

SOMIR

Vídeo. Não que eu seja contra outras formas, afinal, escrevo num blog diariamente há mais de uma década. Mas se for para definir qual é o pináculo da comunicação humana, temos que ir com o meio audiovisual. Dois sentidos são melhores que um.

O importante nesse tipo de discussão sobre o que é melhor é ter parâmetros. Melhor por melhor não significa nada além de um gosto pessoal, cada um de nós pode ter uma visão diferente baseada em inúmeros fatores muito pessoais, mas o que mais se aplica à sua rotina e particularidades não é sinônimo de melhor para todos. Em linhas gerais, conteúdo deve ser capaz de expor ideias de forma clara e permitir que sejam fixadas por quem o consome, prendendo sua atenção.

E se a evolução da tecnologia de cultura e entretenimento nos ensinou algo, é que engajar mais do que um sentido no compartilhamento das informações é uma receita de sucesso. E isso não foi inventado junto com o cinema, já era parte do nosso processo há milênios: não é à toa que mesmo depois do desenvolvimento da escrita continuamos ensinando as pessoas em aulas presenciais. Algo que não fica claro na fala pode ser completado pelo escrito, e vice-versa. Visão e audição são uma dupla imbatível nesse processo de acúmulo de conhecimento. E se você conseguir colocar mais sentidos nessa equação, o resultado é ainda melhor: o complemento perfeito para o conhecimento é a experiência. Uma aula prática faz maravilhas para fixar informação, afinal, traz o processo completo.

Não é realista tornar toda a produção do conteúdo em aulas práticas, mas como já disse, dois sentidos já ganham de um. O vídeo tem essa vantagem que nenhum dos dois outros meios pode competir. Ouvir alguém falando sobre um assunto ativa algumas partes do cérebro, ver imagens ou ler um texto ativa outras, o vídeo lida com ambas. Não podemos fugir dessa verdade fundamental nessa discussão: o potencial do vídeo vai mais longe que o potencial de outros meios.

Quer dizer que eu estou batendo no formato escrito, que uso neste momento? Sim e não. A escrita tem um poder incrível e a possibilidade de fazer sua imaginação preencher as lacunas, mas assim como muitas outras invenções brilhantes da humanidade, é fruto de limitações. O Desfavor existe nesse formato de texto porque é a única forma realista de entregarmos a qualidade que queremos para vocês. Basta um editor de texto e algum tempo livre para fazer algo de nível aceitável. Podemos voltar e editar as ideias antes de apresentá-las a vocês, podemos reorganizar as informações de forma mais intuitiva, podemos definir um tom para cada texto que independe do nosso humor momentâneo… e especialmente no meu caso, evita que eu me perca em tangentes infinitas.

Mas não é o potencial máximo do conteúdo que produzimos aqui. Esse eu acredito que só possa ser alcançado com tempo e recursos para produzir vídeos de pelo menos meia hora. Mas, novamente, limitação: mesmo com uma grande equipe, produção de vídeos com alta qualidade demanda tanto tempo que seria impossível uma produção diária realmente autoral. Escrever nos permite manter a estrutura do Desfavor, mas não é o máximo que podemos fazer.

E percebam que eu falo sobre vídeos de alta qualidade, muito do que ainda se vê no YouTube não é mais do que um podcast com uma câmera. Ainda são pessoas falando naturalmente com pouca ou nenhuma edição para facilitar a compreensão das ideias. Se for para mudar de formato e fazer vídeo igual fofoqueiro e conspirador, seria um passo para trás. Se você pode cortar o vídeo e acompanhar do mesmo jeito só com áudio, não é o vídeo sobre o qual eu falo aqui. Exemplo: no dia a dia eu não me importo muito com matemática, mas um dos meus canais preferidos do YouTube é o 3Blue1Brown, que fala desses temas com visualizações muito interessantes. Esse conteúdo seria impossível sem os recursos do vídeo. Para a maioria das pessoas, nenhum livro ou explicação falada teria a mesma capacidade de exposição de ideias.

Sim, vídeos (vídeos vídeos, não podcast com câmera) tem o problema de exigirem atenção total. Ou você dedica um tempo da sua vida para absorver esse conhecimento, ou não adianta muito. Mas, essa é a lógica da vida: quanto mais atenção você dá para uma coisa, mais ela se desenvolve. Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo. Posso até compreender que por ser mulher, a Sally tenha uma habilidade maior de fazer várias tarefas ao mesmo tempo (é um poder feminino comprovado), mas nunca é a mesma coisa que colocar todo seu foco numa só coisa. Eu queria ter mais umas 8 horas no meu dia para saciar minha curiosidade em paz, mas infelizmente tenho que fazer escolhas. Sempre abri mão de socialização e tarefas de manutenção (pessoais e em casa) em favor de acumular mais conhecimento, e embora isso tenha um custo, é um custo escolhido. Não dá para fazer tudo o que você quer. E já que consumir conteúdo me é algo tão querido, que passe na frente de outras coisas.

Não existe almoço grátis: se você não dá a atenção devida a um conteúdo, ele não fixa muito bem. Conheço muita gente que vive falando de livros e podcasts e na hora do vamos ver de uma conversa ou uma decisão de negócios, não sabe como utilizar essa informação. E não é necessariamente burrice, é que acabam se forçando a consumir informação sem dar a atenção necessária só para sentirem que estão fazendo algo nesse campo do conhecimento. Não adianta colocar podcast como “trilha sonora” da vida e achar que está aprendendo muita coisa.

Vídeo cobre esse problema com maestria: te coloca focado numa coisa, ativa dois sentidos e te cativa o tempo suficiente para que a informação realmente seja fixada. Se você quer fazer tudo o que faz normalmente e acumular conhecimento de forma decente, ou vai fazer tudo nas coxas ou tem a mesma mutação cerebral que a Sally (que eu não tenho e já aprendi a duras penas não tentar me comparar). Para a maioria de nós, foco é essencial e não pode ser dividido. E já que é para ter foco, é melhor gerar uma experiência mais completa para os sentidos.

Para dizer que o texto é uma ode às minhas limitações, para dizer que está chocado(a) que eu não fui na linha elitista da escrita, ou mesmo para dizer que gosta de fingir que é que nem a Sally e vai concordar com ela: somir@desfavor.com

SALLY

Qual é a melhor forma de consumir conteúdo: escrito, por vídeo ou por áudio?

A menos que você seja um aposentado sem nenhuma obrigação na vida, por áudio. E isso é vindo de uma pessoa que produz conteúdo escrito. Acho preferível consumir o dobro de conteúdo sem imagem do que a metade com imagem.

Se você tem tempo para assistir a uma ou duas horas de conteúdo por dia sem fazer mais nada nesse tempo e sua conta bancária está azul, meus mais sinceros parabéns. Você venceu na vida. Eu ainda não cheguei nesse patamar. Meu dia tem, além do meu trabalho, um milhão de tarefinhas paralelas incluídas, sem contar eventuais pepinos que se apresentam de surpresa.

Então, a única forma de conseguir consumir muito conteúdo é por áudio, pois é conteúdo que eu posso absorver enquanto cozinho, enquanto passo roupa, enquanto lavo louça, enquanto limpo xixi de cachorro, enquanto tomo banho, enquanto estou presa no trânsito, enquanto estou me exercitando… bem, vocês entenderam. Se eu tiver que gastar um tempo apenas para o conteúdo, não consumiria nem um décimo do que consumo.

Sem contar que o conteúdo que eu consumo não costuma ter grandes apelos visuais, por sua natureza. Palestras, entrevistas e coisas do gênero raramente têm necessidades visuais constantes. Mesmo os canais do Youtube nos quais sou inscrita demandam praticamente zero imagens. Podcasts são o futuro de uma geração sem tempo. Sim, na minha geração se estuda e se trabalha. Muito louco, né?

Ler é ótimo, sou fã, mas também te obriga a fazer apenas aquilo. Não tem como ler e fazer outra atividade em paralelo. Então, por mais gostosa que seja a leitura, o monopólio de tempo em uma vida atarefada me faz colocá-la como um luxo, não como a fonte primordial de informação. Além disso, quando se trabalha com leitura/escrita, dependendo da carga de trabalho, às vezes você chega no final do dia sem conseguir ler nada, nem bula de remédio.

Acho que um pouco dessa reposta sobre a melhor forma de consumir conteúdo depende do seu estilo de vida e do que você quer com esse conteúdo. Eu sou uma generalista, até pelo meu trabalho e pelo desfavor: meu desejo é saber um pouco sobre tudo. Se você é um generalista, então o conteúdo em áudio é a melhor opção, pois te permite aprender muito todos os dias.

Porém, se você é um especialista, eu entendo que prefira ter uma hora de conteúdo por dia com todos os recursos disponíveis, através de um vídeo. Mas desde já te dou um aviso: é uma furada ser um especialista nos tempos atuais. Preferível colocar para dentro muitos inputs para ser capaz de ter muitos outputs, ser criativo, sair da caixinha. Hoje, os especialistas não têm boas perspectivas: se sua especialidade muda ou encontram uma máquina que faça o que você faz, você fica sem chão. Não se colocam todos os ovos no mesmo cesto.

Acredito que essa escolha também tenha relação com a quantidade de conteúdo acumulado ao longo da vida pela pessoa. Quando falam sobre um assunto, se você compreende as premissas necessárias para entender o assunto, os recursos visuais se tornam mais dispensáveis. Você pode pular para a outra etapa da explicação apenas visualizando as coisas na sua cabeça. O poder de abstração de quem tem conhecimento acumulado fica maior.

E também acredito que seja uma questão de hábito. Minha geração cresceu com a cara colada na televisão, estamos todos muito condicionados ao combo imagem + som. Talvez para quem cresceu com a cara colada no rádio seja muito mais fácil. Como eu não tenho muita escolha, tive que fazer um esforço (sim, foi um esforço) e me adaptar aos podcasts para conseguir consumir mais informação diariamente. Se eu não tivesse essa necessidade, pode ser que apenas decretasse um “não gostar” ou um “não conseguir” consumir conteúdo assim.

Percebam que não estamos perguntando qual forma de consumir conteúdo você mais gosta, você está mais familiarizado ou você prefere. Estamos perguntando qual é a melhor. Na relação custo/benefício, a melhor é que me permite aprender mais, ter acesso a mais informação diariamente, a que me permite mais oportunidades de aprendizado. Sim, eu quero poder ir à padaria e conseguir aprender algo no caminho.

Apoio visual pode ser importante para questões pontuais, muito complexas ou muito profundas. Para aprendizados comuns do dia a dia não é indispensável. Basta observar com que frequência usamos apoio visual no Desfavor: de vez em nunca, só quando algo de muito impacto ou muito complexo precisa de um complemento. Talvez fique mais fácil aprender com imagens, mas daí a decretar que não dá para aprender sem elas é exagero.

Tem que levar em conta também que nem todo bom produtor de conteúdo tem tempo, dinheiro ou estrutura para fazer um vídeo. Não é rápido nem barato fazer vídeos com apelo visual didático, como os do canal Nerdologia. Tem muita gente boa que não chega lá e de forma alguma eu vou virar as costas para esse conteúdo de qualidade. Nem precisa ir muito longe: eu considero o desfavor um bom conteúdo e nós nem sonhamos em fazer vídeo.

Consumir prioritariamente vídeo excluiria tantas fontes bacanas de conteúdo que simplesmente não valeria a pena. Eu tenho uma certa birra com quem se torna pop a ponto de emplacar vídeos semanais no Youtube. Tem gente boa que consegue, mas a maioria começa a se nortear por outros interesses que não compartilhar conhecimento, buscando visualizações, fama, patrocinadores e outras coisas. Então, vídeos, só com moderação.

Infelizmente a vida adulta (a de verdade) costuma ser permeada por falta de tempo, então, a melhor escolha é priorizar o meio que nos permite obter o máximo de conteúdo otimizado por dia.

Para dizer que o desfavor deveria virar podcast, para dizer que o desfavor deveria virar vídeo ou ainda para dizer que o desfavor deveria acabar: sally@desfavor.com

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Comentários (10)

  • Quando se leva em conta a falta de tempo e a correria do dia a dia, a leitura é descartada e o vídeo também.

    Com um fone de ouvido da pra absorver conhecimento de forma mais eficiente. A leitura tem a limitação da exclusividade. O vídeo nem tanto. Aliás, eu utilizo vídeo as vezes como o faço com os audios: apenas ouvindo. Mas ele tem a sua limitação num cooper, por exemplo.

    Gosto do rádio, do recurso do áudio. Ele me deixa solto. Me permite agregar mais informação, sem limitaçoes.

  • Nossa, esse texto pode trazer uma discussão bem interessante sobre processos cognitivos, processos de aprendizagem, sobre como o cérebro funciona e retém informações, e ainda ir pra parte filosófica da coisa, sobre como apreendemos nossos sentidos, e daí estaríamos discutindo até Kant, enfim…

    Mas vou dizer: eu prefiro sempre por escrito, até porque eu gosto (e posso, quase sempre) de gastar um tempo na leitura. Eu gosto de imaginar aquela voz na tua cabeça falando, quiçá aliando à imagem de uma pessoa, ou mesmo associando a uma voz que já ouvi, enfim. Vídeo é interessante, mas realmente demanda atenção e tempo pra tu focar exatamente naquilo lá. Audio, vou confessar que tenho certa dificuldade sim em fazer outras coisas ao mesmo tempo e escutar algo e abstrair, recolher informações.

    • “Nossa, esse texto pode trazer uma discussão bem interessante sobre processos cognitivos, processos de aprendizagem, sobre como o cérebro funciona e retém informações, e ainda ir pra parte filosófica da coisa, sobre como apreendemos nossos sentidos, e daí estaríamos discutindo até Kant, enfim…”

      Seria interessante, Ge. Não daria para você fazer um texto como convidado sobre isso? Desde que a Sally e o Somir topem, claro.

      • Nossa, não sei se isso dá um texto de todo, mas te dou alguns pontos aqui só pra esquentar a discussão: Processos de aprendizagem e teoria de aprendizagem. Gardner já havia dito nos idos de 1980 que existe não só uma forma de inteligência, mas sim várias: musical, inguística, lógico-matemática, intrapessoal, cinestésica… E, de fato, cada pessoa aprende melhor de um jeito: uns lendo, outros ouvindo, outros logicizando a coisa, outros dançando, enfim.

        Isso tem a ver intrinsecamente com a forma com que apreendemos o mundo a nossa volta, e como nosso cérebro funciona (processos cognitivos).

        Aliás, tem estudos por aí na área de cognição (Yale, Massasshucets, Oxford) que mostram que ler um texto literário põe tem cérebro pra funcionar de determinada maneira, ou escutar uma música assim assado também mexe com tuas percepções. Na música, me lembro de uma disciplina sobre musicoterapia que mostrava como determinado timbre, em determinada frequência e intensidade em decibéis, pode deixar a pessoa relaxada ou tensa.

        Sobre o texto do desfavor: sim, de fato, a forma com que tu recebe o conteúdo também altera a tua percepção e julgamento do mesmo. Um exemplo bem básico aqui: imagine que tenha lá uma frase bem polêmica. Se essa frase estivesse apenas escrita num texto, e tu a lêsse, tu teria uma percepção distinta de, por exemplo, se tivesse ouvido com a voz da Sally, ou a do Somir, ou mesmo a minha voz. Se tivesse assistido a um vídeo em que a pessoa fala essa frase, também teria outra percepção, enfim. O tom (sarcástico, irônico…) com que a pessoa fala também denuncia muito da intenção discursiva e afeta tua apreensão de sentido.

        Kant já havia começado essa discussão lá no século XVIII na sua “crítica da razão pura”, “prática” e na “antropologia do ponto de vista pragmático”. Lá ele distingue entre apreensão de algo e compreensão, e discute se os juízos de valores que nós formamos sobre os objetos e as coisas são “a priori”, isto é, já existem por si só sem dependerem de outros, ou se são “a posteriori”, e mais ainda, se fazem parte de imperativos categóricos ou não.

        Husserl com sua fenomenologia, algum tempo depois, também tem discussão parecida sobre como é que percebemos as coisas ao nosso redor, mas sinceramente, ele parte pra umas abstrações malucas que não levam a nada…

        • Obrigado, Ge. É sempre muito bacana ter por aqui esse tipo de contribuição que enriquece a discussão. Por isso que eu gosto tanto do Desfavor.

  • Claro que é audio, pô! Vídeo e leitura vc tem que parar pra ver, audio vc escuta fazendo outras coisas, na esteira, varrendo a casa, etc

  • 1° escrito
    2° vídeo
    3° áudio
    Não consigo fazer coisas e prestar atenção em áudio ao mesmo tempo, até acho estranho quem consegue estudar com música.

    • Pois é, acho curioso isso: até um tempo atrás eu era mais tolerante com música tocando enquanto estudava. Hoje, digamos, estou mais sensível, e só consigo se for algo baixinho e calmo, um jazz, clássico, downtempo, enfim.

    • Concordo. Comigo é a mesma coisa. Por isso, eu prefiro, sempre que possível, separar um tempo do meu dia e focar a minha atenção no assunto que eu quero ou preciso estudar, seja lendo ou através de um vídeo bem feito. Eu entendo o ponto de vista da Sally – especialmente quando ela fala sobre a crônica falta de tempo de que muitos de nós sofremos hoje em dia -, mas fico com o Somir nessa. Só que eu também acho que depende muito também de que tipo de conteúdo se está consumindo. Como o próprio Somir disse em seu texto ao mencionar o canal Blue1Brown do Youtube, para se aprender sobre certos assuntos complexos e abstratos, como conceitos de física e matemática, o formato audiovisual e o uso de recursos como gráficos animados, por exemplo, ajuda a tornar as explicações mais claras. Deve ser por isso que, quando garoto, eu gostava tanto de uma batelada de programas da TV Cultura, do Discovery e do History Channel. Longe de mim, no entanto, querer dizer que o emprego de áudios defendido pela Sally só sirva para coisas menos densas que não demandem tanta atenção. Admiro quem, como ela, consiga absorver bem um conteúdo ouvindo alguém falando enquanto realiza outros afazeres do dia a dia, mas eu, para usar uma última vez neste comentário as palavras do Somir, também mão tenho a “mesma mutação cerebral que a Sally”.

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