Indefensável?

Aproveitando o marco histórico de 100.000 mortos para uma gripezinha, Sally e Somir analisam o grau de desconexão da realidade daqueles que ainda restaram defendendo Bolsonaro. Os impopulares votam na sua opção predileta.

Tema de hoje: ainda há possibilidade de resgate do diálogo com defensores do Bolsonaro?

SOMIR

Claro que sim. Essa frase vai parecer contradição pura, mas vamos lá: quanto mais você entende a complexidade de fatores que formam as ideias alheias, mais simples de entender essas pessoas se tornam. Normalmente é muito difícil entender por que alguém defende uma posição que te parece horrenda e/ou completamente estúpida, e isso acontece porque não conseguimos nos colocar no lugar dela e fazer o mesmo caminho mental. A pessoa parece que veio de um universo paralelo onde tudo aconteceu diferente do mundo que você conhece.

Quando você percebe que tecnicamente, ela vem mesmo de um universo paralelo onde tudo aconteceu diferente do que você conhece, abre-se um admirável mundo novo de compreensão do ser humano: ao invés de ficar incomodado com as diferenças de pensamento, você começa a perceber o “milagre” que é encontrar gente que concorda com você. As probabilidades não estão a favor do consenso, nunca estiveram. Posso até argumentar que não fosse uma necessidade instintiva de conexão com outros seres humanos, esse mundo seria impossível de tocar da forma como tocamos.

E de onde eu tirei que o outro vem de um universo paralelo? Antes de ficar muito metafísico, posso simplificar com o bom e velho conhecimento popular de “cada um é cada um”. O ponto de vista do outro é diferente do seu, a cada momento da vida. Pessoas crescem em ambientes diferentes, com companhias diferentes, traumas e conquistas também diferentes. Isso acumula em sua visão do mundo. O que não quer dizer que algumas pessoas tenham uma necessidade patológica de estarem certas ou mesmo que muitas tenham severos atrasos de desenvolvimento intelectual, mas ao contrário do que as redes sociais te dizem, essa gente doente mesmo não é a maioria.

No grupo dos defensores do Bolsonaro temos sim quem provavelmente nunca estará disposto ao diálogo, mas no grupo de detratores também. Mas não dá para achar que todo mundo é assim, se a sua cidade não está pegando fogo e gangues pós-apocalípticas não estão patrulhando as ruas, é porque esses exagerados não formam a maioria. O cidadão médio humano simplesmente não tem esse grau de irracionalidade ideológica. Pra falar a verdade, eu acredito, de coração, que boa parte das pessoas desse mundo está tentando fazer o melhor que pode com as ferramentas e conhecimento que tem.

A questão é que ainda tem muito chão até o cidadão médio ter ferramentas e conhecimento suficiente para tomar decisões melhores do que toma atualmente. E se você enxerga isso como um motivo para não tentar resgatar o diálogo mesmo com quem ainda acha que o Bolsonaro está fazendo um bom trabalho, está cedendo à radicalização. Argumentos de média como eu estou fazendo aqui não nos obrigam a escolher um dos extremos, eles ficam justamente… na média.

O cidadão médio tem sua opinião, mas ela não é eterna. Muita gente que votou no Lula viu um Lula ainda melhor na figura do Bolsonaro eleição passada. E agora que o presidente resolveu focar no assistencialismo para fortalecer sua posição para a reeleição, a linha entre os dois fica ainda mais borrada. Se você é mais bem informado, mesmo que não goste dos dois igualmente, provavelmente não vai conseguir achar que Bolsonaro e Lula são a mesma coisa, mas, veja só como é essa coisa de universos paralelos: para quem está preocupado apenas com algumas centenas de reais por mês para não passar fome, é quase impossível diferenciar agora.

Mas é claro que não falo só sobre miseráveis sendo explorados por votos, muitos dos que não pulam fora do barco bolsonarista tem excelentes condições de vida, e muitas vezes uma educação formal de fazer inveja. A questão é que de novo, universos paralelos ditam esse apoio: tem gente que está tão preocupada com “a ameaça gay” que aceita tudo para ter um conservador religioso no poder. Tem gente que realmente acha que estamos a um passo de sermos tomados pelo comunismo. Tem gente que topa 100.000 mortes fácil se isso significar menos impostos na contratação de funcionários…

Você nunca sabe qual o tamanho de cada um dos fatores que define o apoio ao Bolsonaro a cada momento. Até porque pessoas mudam de ideia sozinhas, normalmente se não estiverem sendo pressionadas a mudar de ideia (o ego é poderoso). E mais do que isso, você nunca sabe quando vai apertar o verdadeiro botão de mudança de ideia da pessoa. Sim, tem muita gente que caiu nesse culto de personalidade do Bolsonaro e vai continuar defendendo, mas compare com as centenas de milhões de brasileiros que no mínimo são ambivalentes sobre o presidente e você vai ver que é uma gota no oceano. E mais, dado tempo suficiente, até mesmo os defensores mais radicais podem enjoar… muita gente enjoou do Lula, não?

O diálogo pode existir sim, basta você entender que para cada pessoa que defende o Bolsonaro, existe um conjunto muito único de valores e opiniões que calha de concordar num ponto. E muitas vezes eles se misturam com os de quem não o defende: embora eu saiba que o Bolsonaro defende liberdade de expressão para crente poder xingar gays e outras religiões, liberdade de expressão é uma coisa boa. Eu realmente quero que o governo tenha algum grau de resistência contra ativistas lacradores malucos, não quero mais as políticas econômicas “à grega” do PT, que incha o Estado até ele falir e culpa os estrangeiros quando tudo dá errado…

Assim como eu posso ser considerado bolsonarista em alguns tópicos porque ele calha de defender coisas parecidas (mesmo que por motivos distintos), o mais provável é que muitos dos defensores atuais dele entrem nesse espectro também: não necessariamente membros de um culto, mas pessoas que ainda estão dispostas a tolerar muita insanidade e desgoverno em troca da concordância em um tema ou outro. Pode ser só questão de desconectar o Bolsonaro da defesa desse tema para todo o apelo dele desaparecer. A vida real não é rede social: a maioria não fica berrando o tempo todo posições absolutamente exageradas, a maioria está tocando a própria vida e provavelmente não entende muito de política ou organização social em geral. O mais simples para elas é achar que só uma pessoa específica pode resolver os problemas com os quais se importam, mas assim que você consegue fazer ela enxergar que é só um semianalfabeto com uma faixa verde e amarela substituindo o semianalfabeto com uma faixa verde e amarela anterior, a semente está plantada.

Pode ser que germine, pode ser que não. Mas enquanto a possibilidade existir, vale a pena tentar.

Para dizer que eu tenho muita fé nas pessoas, para dizer que eu acho que todo mundo é muito burro, ou mesmo para dizer que nem desenhando: somir@desfavor.com

SALLY

Em se tratando de política, ainda há possibilidade de resgate pelo diálogo para quem ainda defende Bolsonaro?

Não. Quem ainda defende Bolsonaro como uma boa pessoa ou um bom governante é irrecuperável, seja pelo grau de negação, seja por ser tão sem caráter quanto ele.

Quem não é um completo cego negador obtuso sem caráter já percebeu que não há qualquer condição de defender o Bolsonaro. Além das muitas promessas de campanha jogadas no lixo (apenas nomear gente qualificada para cargos técnicos, não fazer acordões, não se corromper, etc.) a morte de mais de cem mil brasileiros está nas mãos dele, de sua inércia/teimosia gastando tudo que podia com um remédio comprovadamente eficaz enquanto não há medicamentos básicos para tratar a doença.

Se a pessoa não percebeu que o sujeito não está fazendo um bom governo nesses últimos seis meses, é por estar em um grau de negação que eu considero impenetrável. Nada do que eu faça ou diga será tão grotesco e gritante quanto as coisas que o próprio Bolsonaro disse ou fez. Se isso não fez a pessoa acordar, ela está fora do alcance das minhas mãos.

Não dá para resgatar que não quer ser resgatado. Não dá para ajudar quem parece ter um prazer autodestrutivo de chafurdar na lama. Nem eu quero, deixa que a vida ensina, se não por bem, por mal. Se depois de todos os absurdos ditos e feitos a pessoa não percebeu a realidade, vai ser necessário algo muito, mas muito impactante para que ela abra mão da ilusão à qual se apegou – e eu não sou capaz de oferecer tamanho impacto.

A necessidade de acreditar que existe alguém que vai salvar a pessoa, salvar o país e reparar todo o desgraçamento atual é muito forte para alguns. Se você tira isso delas, elas simplesmente ficam sem chão, surtam, são confrontadas com uma realidade dura com a qual não sabem lidar: ninguém vai salvar você. Você, e só você, é o responsável pela sua vida. Ninguém vai salvar o país, a economia ou te proteger de doenças. Você está sozinho nessa.

Quem tinha uma mínima capacidade reflexiva somada a um mínimo de estrutura psicológica já percebeu que o salvador não só não vai salvar como ainda vai atrapalhar bastante. Envolvido em inúmeros casos de corrupção, negociando cargos alucinadamente com o Centrão para não cair (coisas que ele sempre criticou) e protagonizando vexames, ignorâncias e infantilidades diárias, Bolsonaro fez questão de deixar bem claro a todos o que é, como por sinal sempre deixou.

Quem ainda defende Bolsonaro está no mesmo grau de cegueira e doença mental dos petistas remanescentes: tudo é mentira, tudo é uma armação contra o Micto, ele é inocente de tudo, tudo pode ser explicado de uma forma que ele não seja um vilão. É uma narrativa tão grotesca e doentia que só mostra o quanto a pessoa precisa acreditar naquilo para não surtar.

Se a pessoa tem esse grau de dependência da figura de um herói para se manter funcional, tire isso dela à força e ela provavelmente vai colapsar, seja com uma doença mental, seja com algum rompante descontrolado ou da forma que for. Ou seja, nem mesmo se você conseguir fazer com que ela perceba, ela vai lidar com essa informação. A mente vai encontrar uma forma de dissociar e fugir.

Passamos da fase onde quem defendia as atitudes do Bolsonaro era gente burra ou inocente, são apenas doentes ou filhos da puta. Pode ser que você esteja no nosso barco, de querer ver o Brasil ruir até a última pedra para recomeçar algo melhor e considera Bolsonaro apenas uma ferramenta. Isso é muito diferente de defendê-lo. É usar o infeliz, é vê-lo queimar seu nome por toda a eternidade e entrar para os livros de história como um bosta, para que ele acelere um processo que cedo ou tarde aconteceria.

O povo, povão, não a bolha de redes sociais, está injuriado pela piora na qualidade de vida que ele promoveu. Por mais burra que uma pessoa seja, ela sente um familiar doente, ela percebe a conta bancária no vermelho, ela tem a percepção de que a vida não está boa.

Talvez muita gente seja indiferente, por estar totalmente descrente de tudo, pela ideia de que tanto faz, político é tudo uma merda mesmo, não vale nem a pena fazer juízo de valor sobre cada um deles. Mas defender? Feito esses lunáticos que passam vergonha em redes sociais fazendo malabarismos argumentativos onde todo o resto do mundo está errado e Bolsonaro está certo? Isso não é burrice, isso é um fanatismo, um mecanismo de defesa contra a realidade, uma negação que eu considero intransponível.

Para não mentir e dizer que nunca vi, vi uma vez só um desses rever seus pensamentos. Mas não foi por argumento, foi pela vida ter esfregado a realidade na sua cara mesmo. Negador da pandemia, achava que o vírus não existia, perdeu a esposa e o filho para o covid-19. Ficou sem família de um dia para o outro. Esse choque fez despertar. Mas é um choque, a perda de tudo que a pessoa tinha, não o diálogo.

Quem se apega à ideia de Bolsonaro “Mito” não a solta para não ficar sem chão. Se a vida vai e te deixa sem chão na marra, não há mais necessidade de se apegar a isso. Como eu não pretendo deixar ninguém sem chão e acho que isso nem está ao meu alcance, eu não acho possível resgatar essas pessoas na base do diálogo, como o tema de hoje propõe.

Aprendam de uma vez: com gente irracional diálogo não adianta. O mundo não é a sua bolha onde todos tem capacidade de compreensão, reflexão e entendimento. Não por “burrice” de não compreender o que é dito, mas por falta de estrutura para lidar com uma verdade que provoca medo: ninguém vai te salvar. Nenhum Deus, nenhum político, nenhum cônjuge… ninguém. Você é o único responsável pela sua vida. Dá tela azul, a pessoa trava, a pessoa foge e não consegue lidar com isso por mais bem apresentados que sejam os argumentos.

Então, não, quem chegou ao ponto atual de concessões e ginástica argumentativa para continuar defendendo o Bolsonaro, não pode ser resgatado por diálogo. Vai ter que aprender na marra com a vida.

Para dizer que você se sente benevolente e superior tentando, para dizer que a verdade dói ou ainda para dizer que todo mundo tá errado e Bolsonaro está certo: sally@desfavor.com

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Comentários (28)

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    Capitão Impressionante

    Bolsonaro é um idiota. E que o defende é tão idiota quanto. Só tonto acredita em promessa de político.

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    Capitão Impressionante

    Bolsonaro é um idiota. E quem o defende é tão idiota quanto. Só tonto acredita em promessa de político.

  • Pior que às vezes nem o “choque” funciona. Afinal já vi gente dizendo que o familiar morreu porque “não tomou cloroquinha”

    • Taí uma coisa que eu ainda não vi: pobre que não tomou cloroquina. É a primeira coisa que fazem, e, como está sobrando, recebem grandes quantidades.

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    Brasileiro cansado

    Como um bom usuário da Honkpill, o bom e velho foda-se, já parei de me importar com os pensamentos e decisões alheias faz tempo. Sim, eu sei que a idiotice alheia pode me afetar, mas porra, eu vou fazer o quê? A humanidade é isso aí.

  • “tem gente que está tão preocupada com “a ameaça gay” que aceita tudo para ter um conservador religioso no poder. Tem gente que realmente acha que estamos a um passo de sermos tomados pelo comunismo. ”
    Do jeito que o progressismo e a cultura do ofendido está engolindo tudo, somado com o pêndulo político voltando pra esquerda devido à ascensão chinesa+crise econômica pós corona+desemprego entre jovens, essas preocupações até que tem um certo fundamento, bem mais do que quem acha que cristianismo é ameaça hoje em dia, tem padre fazendo tiktok usando uma batina estampada de arcoíris, cara.

    • Progressismo é o caralho. Os cornos ofendidos se agarram a tais paradas pra ver se ganham algum protagonismo como meros capitães do mato da indústria cultural, que apesar de tudo, ainda é um dos poucos espaços acessíveis pra quem não tem uma posição hiperprivilegiada no jogo.
      Estava pensando em lançar um vídeo de parodia ao viral do Renajune com o título “Indústria 4.0 – Está conversa não é sobre você”.

    • Bom mesmo é ser subjugado por fundamentalistas religiosos que querem afundar o país na estupidez com esses pretextos risíveis e paranoicos.

  • Essa pergunta é diretamente direcionada ao Somir (ou a qualquer outro que deseje analisá-la com uma boa vontade que agradeço de antemão) e gostaria de ter a resposta mais metafísica é técnica possível porque, sinceramente e sendo verdadeiro, meu alcance mental pra certas coisas ainda não passou do Paleolítico: por favor, me explique os pobres de direita. Gente sem renda fixa, com situação econômica periclitante, sempre na corda bamba, não necessariamente burra e/ou imbecil e sem formação (ou antes, com uma formação autodidata muitas vezes bem superior às dos que conquistaram seus diplomas universitários – alguns chegam a falar mais de um idioma com certa fluência), excluída do mercado de trabalho (freqüentemente por idade, embora tenha condições intelectuais, como já disse), que se vê obrigada a biscates pra ter renda ou se sujeitar a empregos inferiores aos que se julgam aptos, vivem de aluguel contando os tostões pra pagá-lo todo mês e que, mesmo sabendo tudo o que Boçalnaro representa (facilidades pra ricaços, arrocho de classe média-média pra baixo, ultra-neoliberalismo, precarização das relações trabalhistas, etc., etc…) VOTA NELE E O DEFENDE INCONDICIONALMENTE!! É demais pra mim! Conheço um MONTE de gente assim, dentre agroboomers, profissionais de TI defenestrados do mercado, donos de pequenos negócios metidos a “empresários” e semelhantes. Muito obrigado pela atenção!

    • Entre ele e os filhos da puta que lambem o saco do velho capo da máfia sindical, que sempre cagou e andou pros trabalhadores, tá claro com quem eles ficam, né?
      Esse sindicalismo pelego e aparelhado pela CUT não representa os trabalhadores.

    • Rico ou pobre, as pessoas votaram pra tirar o PT. E vc já viu os candidatos da próxima? Se for CangaCiro, DitaDoria, Merdetta, a piada de mal gosto do Huck, o palhaço do Moro, PT e PSol, pode crer que o Bozo ganha de novo. Não é obrigatório votar, a multa é simbólica, nas quem for lá vai meter o dedo no Bozo e confirmar.

    • Bom, é extremamente difícil você chegar e dizer como um determinado grupo de pessoas pensa, e mais ainda o por quê de pensar dessa forma, mas tenho algumas suspeições.

      Primeiro, ninguém gosta de se ver como propriedade de algum grupo. Quando você já entra com um “pobre de direita”, você está fazendo duas coisas: definir essas pessoas como pobres, algo que elas não gostam, e sugerir que elas, sendo pobres, deveriam obrigatoriamente apoiar e votar nos políticos de esquerda, ou seja, que eles TÊM que fazer isso. E geralmente, a pessoa que acha inconcebível o “pobre de direita” não é pobre. Não passa nem perto disso. Basicamente, um riquinho ou “intelectual” etiquetando essas pessoas e querendo dizer como elas devem se portar.

      Segundo, o “facilidades para ricaços”. O “ricos e poderosos” é um chavão que já foi usado tantas vezes e por tanto tempo pela esquerda que os “pobres de direita” já assimilaram que é papo furado. Se tornaram palavras vazias.

      Terceiro, acho que cobrindo o “arrocho da classe média” e “precarização das relações trabalhistas”. A esquerda sempre demonstrou ter um desprezo enorme pela classe média conservadora, algo bem resumido pelo lendário discurso da Marilena Chauí. E o maior apelo da esquerda nas últimas décadas não era o trabalhador e sim a população sócio-economicamente vulnerável que depende de benefícios de transferência de renda. Assisti isso ao vivo no ambiente acadêmico, com professores abertamente petistas que diziam que a população que não depende do Bolsa não estava em posição de questionar nada.

      Resumidamente, o pobre de direita não gosta de ser chamado de pobre, não gosta de ser tratado como se tivesse alguma espécie de dívida moral, financeira ou social com os partidos de esquerda, e não se sentia representado por esses partidos. Ele está defendendo abertamente o Bolsonaro porque acredita que se não o fizer, os partidos de esquerda, por quem tem aversão, vão voltar a exercer um poder que eles não aprovam.

      Mas é só o que eu acho.

      • Só li verdades.

        Aliás, se um “intelequitual” participasse de uma roda de conversa com esses “pobres” pra saber o que eles realmente pensam, levaria um choque de realidade e tanto.

        • O telequitual tem um problema, ele vive numa realidade totalmente alheia à do cidadão comum e por isso ele só tem uma visão romantizada do pobre. Uma das características desse pobre romantizado é que ele não têm ambição alguma senão esperar que o governo dê esmolas pra ele. No mundo mágico do telequitual também residem o operário da era da revolução industrial (a visão deles de todo trabalhador de carteira assinada), o patrão burguês capitalista (todas as pessoas que possuem um negócio próprio são homens gordos de cartola, chapéu, monóculo e charuto que exploram até a medula dos trabalhadores citados anteriormente), o sindicalista herói (um cara com chapéu de proteção, barba, um dedo mindinho a menos e que fala “cumpanhêrus”), e o ladrão vítima do sistema (que só rouba pra comer).

    • Por mais que a casta de políticos ultrapopulistas de esquerda aqui e lá fora se esforce absurdamente para que “pobre de direita” pareça uma contradição, é relativamente simples entender a lógica do por que a população menos favorecida está debandando da base eleitoral esquerdista, e consequentemente esvaziando o apoio a esses partidos e correntes ideológicas que juram “representar o interesse do pobre”.

      Primeiro motivo: o pobre descobriu que existir CLT, sindicatos e toda essa parafernália trabalhista não adianta porra nenhuma em matéria de reverter a situação de ganhar pouco e morrer trabalhando – e até mesmo proporciona desemprego. E ainda por cima o pobre descobriu que se trabalhar como autônomo (vide Uber e iFood) corta o intermediário dos encargos trabalhistas e impostos sobre o salário, ficando com tudo o que produzir; ou seja, a metade do que se produzia que ia pro Estado não vai mais.

      O segundo motivo é que partidos de esquerda fizeram questão de deixar bem claro nos últimos anos que não apoiam a população pobre, por meio de atos que foram notados por trás de discursos bonitinhos de “defesa dos pobres”. Se opor a todo e qualquer projeto e ideia que dessem, direta ou indiretamente, vantagem a essa camada da população, ou que tirassem o peso desnecessário do Estado das costas dessas pessoas, custou caro.

      O “pobre de direita” – jargão que a esquerda repete à exaustão, tentando agregar chacota a esse rótulo, no desespero de tentar conter dissidência – é aquele cidadão que notou que o melhor favor que o Estado pode fazer à população é sair do caminho dela.

      • Claro, ser pobre ser qualquer suporte do Estado realmente é muito melhor. Infelizmente, a falácia pueril individualista está se disseminando nas camadas mais baixas, incutidas através de conceitos aparentemente “modernos”, como o “empreendedorismo”.

  • Não dá para resgatar quem não quer ser resgatado. [2]

    Tem quem mame o Lula e o PT até hoje, com o Bolsonaro não será diferente. Eu é que não perco meu tempo com defensor de político/partido. É um desgaste que não vale a pena.

  • Na média, a população está decepcionada com o Bolsonaro, se bem que não dava para esperar muito dele, mas entre ele e o Lula ou algum babaovo do mesmo, tá clara a tendência pra 2022.

  • Eu não dialogo com quem fala de política de maneira geral e não voto porque a multa sai mais barato do que o transporte até a urna, fora a fila. A multa é 3,50 e a passagem de ônibus ida e volta sai 8,10 e se quem manda de fato é o STF, então pra que perder tempo pra votar? E igual perda de tempo discutir quem é pior.

    • Você tem todo o direito de não votar, mas deixo uma reflexão: quando você não vota, está dando um pouco mais de poder para o brasileiro médio decidir sua vida. Imagina se em 2018 todos os eleitores do não-PT pensassem “não adianta fazer nada” e não tivessem ido votar. Bem ou mal, Bolsonaro representa uma alternância.

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